Scots de Shetland

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Scots de Shetland (Shetland braid ou auld)
Falado em: Shetland
Total de falantes: Extinta século XVIII.
Família: Indo-europeia
 Germânica
  Germânica setentrional
   Escandinava ocidental
    Scots de Shetland
Códigos de língua
ISO 639-1: --
ISO 639-2: gem
ISO 639-3: nrn

A língua Scots de Shetland,1 também chamada de auld ou braid de Shetland 2 pelos falantes nativos e referido como Moderno Scots de Shetland (MSS) por linguístas, é realmente um dialeto escocês insular (como é o das Órcadas) falado em Shetland. Esse dialeto se deriva do Scots e se estabeleceu em Shetland por volta do final do século XV vindo de das terras baixas da Escócia, de Fife e Lothian,3 apresentando um certo grau de influência escandinava, da extinta língua Norn, a qual foi falada até o final do século XVIII.4

Vocabulário[editar | editar código-fonte]

O Scots de Shetland apresenta muitas palavras originárias do extinto Norn, a maior parte referente a nomes de locais, estações do anos, meteorologia, plantas, animais, alimentos, ferramentas, cores (em especial para cavalos e carneiros), estados de humor e caprichos, desequilíbrios mentais. 5

Como no Scots do meio norte (Dórico) do nordeste da Escócia, o dialeto de Shetland mantém uma relativa autonomia devido ao isolamento geográfico em relação aos dialetos do sul. Tem muitas palavras únicas, mas não havendo uma distinção clara do que seja dialeto ou língua, a posição do Shertland como língua separada, um dialeto ou simplesmente uma forma diversa do inglês é muito discutida.6

Fonologia[editar | editar código-fonte]

"Os falantes do dialeto de Shetland têm um modo de falar lento, com tom e intonação mais baixo".7

Consoantes[editar | editar código-fonte]

Em geral, as consoantes são pronunciadas como em Scots moderno, havendo, porém, algumas exceções:

  • As dentais fricativa /ð/ e /θ/ podem ser percebidas como alveolares plosivas /d/ e /t/ respectivamente,8 Exemplos: [tɪŋ] e [ˈmɪdər] em lugar de [θɪŋ], Th- [hɪŋ] e [hɪn], (thing) e [ˈmɪðər] mither (mother) como em Scots central. O qu em quick, queen e queer pode ser percebido como /xʍ/ em lugar de /kw/; /tʃ/ ch inicial se aproxima de /ʃ/
  • O grupo consonantal wr pode ser pronunciado /wr/ ou /wər/.9

Vogais[editar | editar código-fonte]

Fonemas vogais do Shetland conforme McColl Millar (2007) e Johnston P. (1997). Esse alofones podem variar de local para local..

Aitken 1l 1s 8a 10 2 11 3 4 5 6 7 8 9 12 13 14 15 16 17 18 19
/ae/ /əi/ /i/ /iː/1 /e/2 /e/ /ɔ/ /u/ /y, ø/3 /eː/4 /oe/ /ɑː/ /ʌu/ /ju/ /ɪ/5 /ɛ/6 /a~æ/7 /ɔ/ /ʌ/
  1. Vogal 11 ocorre no final de raízes de palavras.
  2. Vogal 3: é muitas vezes retraída ou transformada em ditongo ou ainda ser percebida como {IPA|/i/}}.10
  3. Vogal 7: pode ser percebida /u/ antes de /r/ e /ju/ antes de /k/ e /x/.11
  4. Vogal 8: é geralmente assimilada com a vogal 4,12 percebida como /ɛ/ our /æː/ antes de /r/.13 O grupo ane pode ser /i/ como em Scots-meio norte.14
  5. Vogal 15: pode ser percebida como /ɛ̈~ë/15 ou transformada em ditongo diante de /əi/ , diante de /x/.16
  6. Vogal 16: pode ser percebida como /e/17 ou /æ/.18
  7. Vogal 17: é muitas vezes assimilada com a vogal 12 diante de /nd/ e /l r/.19

A extensão da vogal pela regra geral das vogais escocesas, embora haja algumas poucas exceções.20

Ortografia[editar | editar código-fonte]

Uma grande variedade de representação das pronúncias sempre caracterizou o Scots de Shetlandref>Graham, J.J. (1993) The Shetland Dictionary, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. xxiv</ref> Mais tarde passou-se a não usar mais apóstrofos para representar sons que não correspondentes a sons do inglês.21 No aspecto geral valem as convenções literárias do Scots moderno e quando não consistentes há algumas exceções:

  • As percepções de /d/ e /t/ no que usualmente eram /ð/ e /θ/ em outras formas do Scots são hoje escritas d e t em lugar de th.
  • As percepções de /xʍ/ de qu em quick, queen, queer são frequentemente escritsa wh.
  • As percepções de /ʃ/ do ch' inicial', geralmente /tʃ/ em outros dialetos Scots, são escritas geralmente como sh.
  • As letras j e k em lugar de y e c, influência do Norse, a primeira sendo geralmente usada para representar a semivogal em especial para consoantes palatizadas em palavras como Yuil (Yule) escrita Jøl, guid (good) escrita gjöd ou gjüd, caibin (cabin) escrita kjaebin, kist (chest)escrita kjist etc.22
  • Em *Scots literário - au e aw (vogal 12, por vezes vogal 17) são muitas vezes representadas por aa na escrita de Shetland.23
  • Em *Scots literário - ui e eu (vogal 7) são geralmente escritas ü, ö, ou ø por influência da pronúncia Norse.24

Gramática[editar | editar código-fonte]

A estrutura gramaical do Shetland se assemelha a da moderna língua ânglica escocesa (Scots), com traços do norse, características compartilhadas com o inglês padrão..25 26

Artigos[editar | editar código-fonte]

O artigo definido equivalente a o, a, os, as (the) é pronunciado [də] por vezes escrito da em algum dialeto. Como no Scots tradicional (e no português), o Shetland coloca artigos (“da”) em casos nos quais o inglês não utiliza.27 28 gyaan ta da kirk/da scole in da Simmer-- 'go to church/school in summer' (Vai à igreja/escola no verão) da denner is ready 'dinner is ready' (O jantar está pronto) hae da caald 'have a cold' (tenho um resfriado)

Substantivos[editar | editar código-fonte]

Os substantivos em Shetland não têm gênero neutro.29 Palavras que são claramente do gênero neutro em inglês são masculinas ou femininas em Shetland: spade (m), sun (m), mön (f), kirk (f).

O plural dos substantivos são formados pela adição de um -s ao final da palavra, como em inglês. Há poucas exceções como kye, 'cows' (vacas) ou een, 'eyes' (olhos).30 31

Pronomes[editar | editar código-fonte]

Shetland apresenta diferentes pronomes para uso pelos pais ao falarem com os filhos, ou pessoas mais velhas falando com mais jovens, ou amigos mais próximos ou familiares.32 Há também pronomes para uso formal ou para falar com mais velhos ou superiores hierárquicos.33 34

As formas familiares são thoo (thou), pronunciada [duː], por vezes escrita du em alguns dialetos; thine(s) (thy) pronunciada [daɪn(z)], por vezes escrita dine(s) em dialetos; thee, pronunciada [di(ː)], por vezes escrita dee em dialeto; As formais são ye/you, your and you. O familiar du toma a forma singular do verbo: Du is, du hes ('you are, you have').

Como é usual em Scots, o pronome relativo é that,35 (que, o qual) que também significa “who” e “Wich” e é pronunciado [dat] ou [ət] ou mesmo dat36 ou 'at em forma dialetal,37 como em: da dog at bet me... – 'the dog that bit me...' (O cão que me mordeu)

Verbos[editar | editar código-fonte]

Como em Scots, o passado de “verbos germânicos fracos” é formado seja pela adição de sufixos como -ed, -it ou -t,38 39 como em spoot, spootit (mover rapidamente).

O verbo auxiliar ta be 'to be' (ser) é usado onde o inglês padrão usa o 'to have' (ex. Passado):40 I'm written em ludar de 'I have written' (eu escrevi).

O verbo 'ta hae 'to have' é usado como auxiliar para os verbos modais coud ('could'), hed ('had'), micht ('might'), most ('must'), sood ('should'), wid ('would') reduzido para a forma [ə], por vezes escrito a em formas dialetais41 Du sood a telt me, 'you should have told me' (você deveria ter me contado)..

Também como em Scots, verbos auxiliares e monossilábicos podem ser negativados pela simples adição de -na:42 43 widna, 'would not'. O 'not' do inglês é substituído por no.

Amostra de texto[editar | editar código-fonte]

Peerie cat, peerie cat, whaar's du been? A'm been athin Lerook fae aer da streen. Peerie cat, peerie cat, whaat saa du dere? Mair dugs dan I lippened sae A'm gjaan nae mair. (Peerie Cat, poema de Rhoda Bulter)

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. O termo língua para o Shetland Scots é usado por autores como James John Haldane Burgess (1892) Rasmie's Büddie; poemas em língua de Shetland, Alexander Gardner; James Inkster (1922) Mansie's Röd; Sketches in the Shetlandic - T. & J. Manson; Jack Renwick (1963) Rainbow Bridge., Shetland Times; Jack Renwick, Liam O'Neill, Hayddir Johnson (2007) “The harp of twiligt” (antologia de poemas em inglês e em Shetland), Unst Writers Group.
  2. SND: Shetland
  3. Catford J.C. (1957) Sistema de vogais dos dialetos Scots, “Transactions of the Philological Society. p.115”
  4. Price, Glanville (1984) The Languages of Britain. London: Edward Arnold. p.203 ISBN 978-0-7131-6452-7
  5. Barnes, Michael (1984) Orkney and Shetland Norn. Language in the British Isles. Ed. Peter Trudgill. Cambridge: Cambridge University Press. p.29
  6. "Modern Shetlandic Scots". Shetlopedia. Retrieved 14 July 2012.
  7. Graham, John J. 1993. The Shetland Dictionary 3rd ed. (1st ed. 1979, 2nd ed. 1984). Lerwick: The Shetland Times. xxii
  8. SND Introduction - Phonetic Description of Scottish Language and Dialects. p.xl
  9. SND Introduction - Phonetic Description of Scottish Language and Dialects. p.xl
  10. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.33
  11. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.48
  12. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.37
  13. Johnston P. Regional Variation in Jones C. (1997) The Edinburgh History of the Scots Language, Edinburgh p.485
  14. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.35
  15. Johnston P. Regional Variation in Jones C. (1997) The Edinburgh History of the Scots Language, Edinburgh p.469
  16. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.45
  17. McColl Millar. 2007. Northern and Insular Scots. Edinburgh: University Press Ltd. p.39
  18. Johnston P. Regional Variation in Jones C. (1997) The Edinburgh History of the Scots Language, Edinburgh p.469
  19. Johnston P. Regional Variation in Jones C. (1997) The Edinburgh History of the Scots Language, Edinburgh p.485
  20. Melchers, Gunnel (1991) Norn-Scots: a complicated language contact situation in Shetland. Language Contact in the British Isles: Proceedings of the Eighth International Symposium on Language Contact in Europe, Douglas, Isle of Man, 1988. Ed. P. Sture Ureland and George Broderick. Linguistische Arbeiten 238. Tübingen: Max Niemeyer. p.468
  21. Graham, J.J. (1993) The Shetland Dictionary, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. xxiv-xxv
  22. SND:U 2 (1)
  23. SND:U 2 (1)
  24. SND: J
  25. Graham, J.J. (1993) The Shetland Dictionary, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. xix)
  26. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. vii
  27. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 1
  28. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 78
  29. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 2
  30. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 3
  31. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 79
  32. SND: Du
  33. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 4
  34. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 96-97
  35. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 102
  36. SND: Dat
  37. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 5
  38. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 9
  39. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 113
  40. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 11
  41. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 11
  42. Robertson, T.A. & Graham, J.J. (1991) Grammar and Usage of the Shetland Dialect, Lerwick, The Shetland Times Ltd. p. 10
  43. Grant, William; Dixon, James Main (1921) Manual of Modern Scots. Cambridge, University Press. p. 115

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Haldane Burgess, J.J. 1913. Rasmie's Büddie: Poems in the Shetlandic ("Fancy, laek da mirrie-dancers, Lichts da sombre sky o Life.") Lerwick: T. & J. Manson.
  • Knooihuizen, Remco. 2009. "Shetland Scots as a new dialect: phonetic and phonological considerations" in English Language and Linguistics Vol. 13, Issue 3. Cambridge: Cambridge University Press.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]