Solidéu

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Disambig grey.svg Nota: Se procura pelo automóvel, consulte Fiat Palio; caso procure pela cobertura utilizada em procissões, veja Pálio (cobertura).
Papa Inocêncio III revestido de um pálio omóforo e com a tiara de uma única coroa, representado num afresco do claustro do Sacro Speco.

Pálio (do latim pallium: capa ou manto que cobre os ombros, e este de palla romana: manto romano de lã, que vem do grego Πάλλω: mover ligeiramente) é uma espécie de colarinho de branca, com cerca de 5 cm de largura e dois apêndices – um na frente e outro nas costas, com 6 cruzes bordadas ao seu longo e que expressa a unidade com o sucessor de Pedro.

Originalmente, era exclusivo dos papas, sendo depois estendido aos metropolitas e primazes, como símbolo de jurisdição delegada a eles pelo pontífice.

Destinado, portanto, aos bispos que assumem uma arquidiocese, o pálio simboliza o poder na província e sua comunhão com a Igreja Católica, ministério pastoral dos arcebispos e sua união com o Bispo de Roma. Solidéu (em latim Pileolus), zucchetto (em italiano [dzukˈketto]), yarmulke (em iídiche יאַרמלקע, yarmlke, do polonês jarmułka, que significa "boina") é um pequeno barrete usado na cabeça por motivos religiosos. Seu nome provém do latim soli Deo tollitur, ou seja "só por Deus è tirado (da cabeça)".

Judaísmo[editar | editar código-fonte]

Solidéus à venda como quipás (kipót) em Jerusalém

O solidéu popularizou-se entre os judeus, desde o século XIX, como forma mais comum de quipá. A popularização foi tal que por vezes o solidéu passou a ter a designação de «chapeuzinho de judeu» e o sinônimo de quipá[1] .

O solidéu é utilizado como quipá em lembrança da soberania divina e como símbolo da identidade cultural judaica. Não há padrão de materiais ou de feitio. É normalmente feito de tricô, seda, veludo ou tecidos sintéticos e cosido em gomos ou numa única peça.

Catolicismo[editar | editar código-fonte]

Na Igreja Católica, o solidéu foi adotado inicialmente por razões práticas — manter a parte tonsurada da cabeça aquecida em igrejas frias ou úmidas —, acabando por sobreviver como item tradicional do vestuário clerical com o significado de pertença total a Deus. Consiste em oito partes costuradas, com um pequeno talo no topo.[2]

Solidéu branco usado pelos Papas.

Todos os membros ordenados da Igreja Católica podem usar o solidéu. Como grande parte da indumentária eclesiástica, a cor do solidéu denota o grau hierárquico do portador: o solidéu do Papa é branco, o dos cardeais é vermelho e designa-se por barrete cardinalício e o dos bispos, abades territoriais e prelados territoriais é violeta.

Monsenhores usam solidéu negro com algumas linhas violetas. Padres e diáconos usam solidéu negro, embora não seja comum o uso do solidéu por padres (com exceção dos abades) e extremamente raro por diáconos.

Todos os clérigos que possuem caráter episcopal retêm o solidéu durante a maior parte da missa, removendo-o no início do cânon e recolocando-o depois de concluída a comunhão. Os demais clérigos podem não usá-lo fora da liturgia.

Protestantismo[editar | editar código-fonte]

Bispo e teólogo protestante Johan Amos Comenius com solidéu
Arcebispo anglicano Desmond Tutu com solidéu.

No Protestantismo, entre os séculos XVI e XVIII, era comum o porte de solidéus por ministros e teólogos. O uso de vestimentas distintivas para o clero protestante não é praticado por todas as denominações. Em algumas, há ainda a proibição de o homem orar com a cabeça coberta. A partir do século XVIII, o solidéu praticamente desapareceu dos paramentos clericais. Hoje, o costume de usar solidéu limita-se praticamente aos anglicanos. O pastor brasileiro Caio Fábio costuma aparecer de solidéu.

Islamismo[editar | editar código-fonte]

muçulmano com taqiyah

Também no islamismo há o uso de solidéus, normalmente feitos de crochê, chamados taqiyah. Há vários modelos e materiais, como topi, tubeteika, doopa, kufi. Embora não haja mandamentos corânicos para o seu porte, tornou-se costumário. As orações de sexta-feira e os serviços nas mesquitas são ocasiões para o uso da taqiyah. Alguns muçulmanos usam o taqiyah diariamente.

Referências

  1. Steele, Valerie. The Berg Companion to Fashion, p. 451
  2. McCloud, Henry (1948), Clerical Dress and Insignia of the Roman Catholic Church, Milwaukee: The Bruce Publishing Company

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Vestuário religioso judaico