Son-Rise

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Son-Rise é um programa para tratamento de crianças com autismo ou outras dificuldades de desenvolvimento similares,[1] com uma abordagem relacional, onde a relação interpessoal é valorizada. O programa não é um conjunto de técnicas e estratégias a serem utilizadas com uma criança, mas um estilo de se interagir, uma maneira de se relacionar que inspira a participação espontânea em relacionamentos sociais. A idéia é que os pais aprendam a interagir de forma prazerosa, divertida e entusiasmada com a criança, encorajando então altos níveis de desenvolvimento social, emocional e cognitivo.

História[editar | editar código-fonte]

No início da década de 1970, nos EUA, o casal Barry e Samahria Kaufman ouviu dos especialistas que não havia esperança de recuperação para seu filho Raun, diagnosticado com autismo severo e um QI abaixo de 40. Eles decidiram, porém, acreditar na ilimitada capacidade humana para a cura e o crescimento, e puseram-se à procura de uma maneira de aproximar-se de Raun.

Foi a partir da experimentação intuitiva e amorosa com Raun, há cerca de 30 anos, que Barry e Samahria desenvolveram o programa Son-Rise. Raun se "recuperou" do autismo após três anos e meio de trabalho intensivo com seus pais. Ele continuou a se desenvolver de maneira típica, cursou uma universidade altamente conceituada e agora é o CEO do Autism Treatment Center of America, fundado por seus pais em Massachusetts, nos Estados Unidos.

Desde a "recuperação" de Raun, milhares de crianças e adultos utilizando o Programa Son-Rise têm se desenvolvido muito além das expectativas convencionais, algumas delas apresentado completa "recuperação".[2] Essa história é relatada no filme Meu Filho, Meu Mundo (1979) que teve por base a história de superação de Raun, através do empenho de seus pais, Barry e Samahria Kaufman.

Críticas[editar | editar código-fonte]

Foi questionado se Raun Kaufman seria realmente autista antes de ser tratado,[3] já que ainda não há cura para o autismo. Não há casos documentados de normalização em crianças mais velhas e é possivel que o sucesso dependa de "um certo nível de potencial intelectual".[4] Alguns profissionais questionam a ênfase posta no contacto visual e os seus potenciais problemas para algumas crianças.[5]

O consenso na comunidade médica é que não há cura para o autismo, e que apenas alguns tratamentos apresentam evidências empíricas de melhoria nos sintomas.[3][6][7][8][9] Um estudo de 2003 concluiu que a participação no programa Son-Rise levou a mais prejuízos do que benefícios para as famílias envolvidas, embora os níveis de estresse familiar não tenham subido em todos os casos.[10] Posteriormente esse estudo foi refutado[carece de fontes?] por não apresentar bases cientificas para tal conclusão. Um estudo de 2007 concluiu que o programa nem sempre é implementado como descrito na literatura, o que sugere que é difícil avaliar a sua eficácia.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Treating Autism, Aspergers and Other Developmental Disorders (em inglês)» 🔗. Autism Treatment Center. Consultado em 2 de fevereiro de 2010 
  2. «O Programa Son-Rise». Inspirados pelo Autismo. Consultado em 2 de fevereiro de 2010 
  3. a b Herbert JD, Sharp IR, Gaudiano BA (2002). «Separating fact from fiction in the etiology and treatment of autism: a scientific review of the evidence». Sci Rev Ment Health Pract (em inglês). 1 (1). pp. 23–43  Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)
  4. Jordan R, Powell S (1993). «Reflections of the Option method as a treatment for autism». J Autism Dev Disord (em inglês). 23 (4). pp. 682–5. PMID 8106309. doi:10.1007/BF01046111 
  5. Hauser C (2005). «The Son-Rise Program» (em inglês). National Autistic Society 
  6. Aman MG (2005). «Treatment planning for patients with autism spectrum disorders». J Clin Psychiatry (em inglês). 66 (Suppl 10). pp. 38–45. PMID 16401149  Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)
  7. Francis K (2005). «Autism interventions: a critical update» (PDF) (em inglês). 47 (7). pp. 493–99. PMID 15991872. doi:10.1017/S0012162205000952  Parâmetro desconhecido |jurnal= ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)
  8. Howlin P (2005). «The effectiveness of interventions for children with autism». Neurodevelopmental Disorders. [S.l.]: Springer. pp. 101–119. ISBN 3211262911. PMID 16355605. doi:10.1007/3-211-31222-6_6 
  9. Rao PA, Beidel DC, Murray MJ (2008). «Social skills interventions for children with Asperger's syndrome or high-functioning autism: a review and recommendations». J Autism Dev Disord (em inglês). 38 (2). pp. 353–61. PMID 17641962. doi:10.1007/s10803-007-0402-4  Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)
  10. Williams KR, Wishart JG (2003). «The Son-Rise Program intervention for autism: an investigation into family experiences». J Intellect Disabil Res (em inglês). 47 (4–5). pp. 291–9. PMID 12787161. doi:10.1046/j.1365-2788.2003.00491.x  Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)
  11. Williams KR (2006). «The Son-Rise Program intervention for autism: prerequisites for evaluation». Autism (em inglês). 10 (1). pp. 86–102. PMID 16522712. doi:10.1177/1362361306062012  Parâmetro desconhecido |aspas= ignorado (ajuda)