Timenés

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Os timenés[1][2] ou temnes[3][4] (também conhecidos como timnes e timmanee) são um povo da África Ocidental, o maior grupo étnico da Serra Leoa com aproximados 1,5 milhão de pessoa ( da população), mas também estão na Guiné, onde habitam a porção norte do país na mata costeira e na floresta úmida adjacente. Etnicamente são colocados no grupo dos meles da família congo-cordofana. Sua tradição oral afirma que eram oriundos de Futa Jalom na Guiné, mas migraram à zona de Freetown (capital da Serra Leoa) antes da chegada portuguesa no final do século XV; hoje, a cidade de Freetown é sobretudo povoada por eles.[5] Segundo registros de navegadores do começo do século XVI, as primeiras relações comerciais dos portugueses com os timenés envolvia a compra de arroz, cestos e esteiras de fibra de palmeira e itens esculpidos em marfim como colheres, garfos, facas e saleiros.[6] Em muitos deles, os portugueses encomendavam que se esculpisse o brasão do reino ou motivos europeus, como animais de caça daquele continente.[7]

Os timenés estão divididos em quatro subgrupos: sandas, ionis, colifas e cuniquês. Comerciantes muçulmanos levaram o islamismo aos timenés no século XVII e hoje aproximados 475 000 timenés são muçulmanos; os demais são católicos, protestantes ou poros. A religião poro é forte onde o islamismo é fraco e os valores dessa crença enfatizam sua cultura e religião tradicional; há disputa entre os adeptos dessa crença e os muçulmanos.[5] 80 ou 90% deles são fazendeiros que cultivam arroz, mas se cultiva de milhete e mandioca; para fins comerciais, produzem amendoim, produtos de óleo de palma, tabaco, gengibre e noz-de-cola. Dentre o restante dos timenés há aqueles que trabalham na mineração, serralherias, fábricas e outras ocupações urbanas. Sua estrutura social é baseada em clãs patrilineares e a poliginia é comum. Durante o período colonial, eram divididos em 44 chefaturas que eram designadas como distritos administrativos e hoje compõem a província do Norte na Serra Leoa. Desde a independência da Serra Leoa em 1961, os timenés desempenham importante papel na política, especialmente no Partido Popular da Serra Leoa e no Congresso de Todo o Povo.[8]

Um estilo musical vinculado aos timenés é o bubu.[9]

Referências

  1. Silva 2009.
  2. Silva 2014.
  3. Hernandez 2008, p. 118, 120, 205.
  4. Dados Gerais 2014.
  5. a b Olson 1996, p. 552.
  6. Pereira 1956.
  7. Willett 2002, p. 76-7.
  8. Olson 1996, p. 553.
  9. (em inglês) Bubu in Sierra Leone, Music in Africa

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Hernandez, Leila Leite (2008). A África Na Sala de Aula. São Paulo: Grupo Editorial Summus 
  • Olson, James Stuart (1996). The Peoples of Africa: An Ethnohistorical Dictionary. Westport, Connecticute; Londres: Greenwood Press 
  • Pereira, Pacheco (1956). Esmeraldo de Situ Orbis. Bissau: R. Mauny 
  • Silva, Alberto da Costa (2009). A Enxada e a Lança - A África Antes dos Portugueses. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira Participações S.A. ISBN 978-85-209-3947-5 
  • Silva, Alberto da Costa (2014). A Manilha e o Libambo - A África e a Escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira Participações S.A. ISBN 978-85-209-3949-9 
  • Willett, Frank (2002). African Art. Londres: Thames & Hudson