Turbellaria

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Classificação científica
Domínio: Eukaryota
Reino: Animalia
Filo: Platyhelminthes
Classe: Turbellaria
Ehrenberg, 1831
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Turbellaria é uma das classes de Platyhelminthes. O nome "Turbellaria" refere-se aos "redemoinhos" de partículas microscópicas criadas perto das peles de espécies aquáticas pelo movimento de seus cílios.

Em 2006 foram descritas cerca de 3000 espécies de planárias, grupo incluído em Turbellaria, distribuído primariamente em ambientes marinhos, mas também encontrado em terrestres e de água doce. São em geral animais de pequena dimensão, mas algumas espécies atingem 60 cm de comprimento (Rimacephalus arecepta). A maioria das espécies é predadora e bentônica. Possuem corpo triploblástico, coberto por uma epiderme composta de células ciliadas com função sensorial e de locomoção. Por baixo da epiderme, encontra-se uma lâmina basal (exceto nas ordens Acoela e Nermetodermatida). Sendo a cutícula ausente, a lâmina basal e as fibras intracelulares sustentam a parede corporal. A camada muscular subjacente à epiderme, que se subdivide em músculos circulares e longitudinais, serve apenas para torcer e virar o corpo. As planárias não têm celoma (cavidade abdominal) e os órgãos vitais são muito simples. Seu corpo, assim como todos os vermes platelmintos, é achatado. O sistema digestivo é muito simples e composto apenas pela boca (usada tanto para ingestão quanto para egestão) e intestinos cuja forma varia conforme o tamanho do verme. A digestão é feita inicialmente no exterior das células através de enzimas e posteriormente no interior de células especializadas. O sistema nervoso é difuso, em forma de rede, e centrado num cérebro ganglionar. A planária possui taças pigmentadas chamadas ocelos, podendo ter um, dois ou três pares com função fotorreceptora. A reprodução pode ser feita de forma assexuada, por brotamento ou fissão transversal, ou sexuada, por copulação e fertilização interna. Quase todos os Turbellaria são hermafroditas, com exceção de poucos parasitas especializados.[1][2]

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Características[editar | editar código-fonte]

  • Predominantemente aquáticos, de vida livre ou parasitária;
  • Forma ovular ou alongada, achatados;
  • Coloração: principalmente em tons de preto, marrom e cinza, com exceção de algumas espécies marinhas que são brilhantes e coloridas;
  • Epiderme unilaminar e ciliada, ausência de cutícula;
  • Lâmina basal (exceto em Acoela e Nermetodermatida);
  • Rabdóides: secreções em forma de bastão;
  • Adesão: glândulas adesivas, cílios adesivos ou ventosas musculares;
  • Órgãos duoglandulares: papilas projetadas do corpo (glândulas servem para adesão, secreção e muco).

Musculatura e locomoção[editar | editar código-fonte]

  • Locomoção por cílios ou por musculatura desenvolvida (rastejamento, nado, peristaltismo, retorcimento, enrolamento, retração, extensão ou saltos);
  • Musculatura: fibras musculares externas e diagonais internas;
  • Movimentos musculares: retração ou projeção de pseudópodes através do tixotropismo celular.

Sistema Nervoso[editar | editar código-fonte]

  • Cérebro circular subepidérmico;
  • Cordões nervosos partem do cérebro ganglionar. A existência de comissuras (sistema nervoso segmentado) sugere uma organização de maior controle;
  • Presença de ocelos e estatocistos (localizados perto do cérebro);
  • Cílios como mecanorreceptores.

Sistema digestivo[editar | editar código-fonte]

  • Trato digestivo cego, ciliado em turbelários maiores (Catenulida, Macrostomida e Poliycladida);
  • Faringe usada para ingestão e egestão; localizada na superfície mediano-ventral;
  • Em Acelos, ausência de lúmen (sincício e membrana celular);
  • Microturbelários (trato digestivo simples);
  • Macroturbelários (trato digestivo ramificado);
  • Faringe: ausente em Acoela;
  • Faringe simples (Macrostomida e Catenulida);
  • Faringe plicada (associada a espécies predadoras e parasitas) em tricladidos e policladidos;
  • Faringe bulbosa em Rabdocelos é um bulbo sugador musculoso;
  • Digestão inicialmente extracelular e posteriormente intracelular.

Reprodução[editar | editar código-fonte]

  • Sexuada: quase todos hermafroditas simultâneos (exceção de alguns parasitas especializados), se reproduzem por copulação e fertilização interna. Produzem poucos e pequenos ovos, com desenvolvimento lecitrotófico e direto;
  • Assexuada: brotamento ou fissão transversal. O plano de fissão se forma atrás da faringe, a parte superior do verme adere ao substrato e a anterior continua a se mover até que haja a separação, então cada metade regenera suas estruturas e forma um verme completo. Pode ser regulada pela duração do dia e pela temperatura.

Classificação e evolução[editar | editar código-fonte]

Ordens presentes na classe:

Existem duas hipóteses sobre o surgimento da classe: a de que Turbellaria é grupo irmão de Cnidários (teoria planular), que afirma que ambos surgiram de um ancestral comum – o planuloide. E a segunda hipótese, que diz que os turbelários não são bilatérios primitivos, mas que evoluíram de animais celomados por uma simplificação anatômica. [3]

  1. RUPPERT, BARNES, RUPPERT, E.E., BARNES, R.D. (1996). Zoologia dos invertebrados. São Paulo: Roca 
  2. «Turbellaria EN». Consultado em 22 de maio de 2017 
  3. RUPPERT, E.E., BARNES, R.D., FOX, R.S. (2005). RUPPERT, BARNES. [S.l.]: Roca