Um Curso em Milagres

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Helen Schucman por Brian Whelan
William Thetford
Kenneth Wapnick

Um Curso em Milagres - UCEM (ACIM em inglês), é um livro considerado por seus alunos como um "caminho espiritual".[1] Escrito originalmente em inglês entre 1965 e 1972 pela psicóloga clínica Helen Schucman em Nova Iorque, nos Estados Unidos. De acordo com Helen, ela e o psicólogo William Thetford "escreveram" o livro por meio de um processo proveniente de canalização que Schucman chamou de "ditado interior".[2][3][4][5][6] Helen Schucman disse que a fonte da sua canalização foi Jesus. Os ensinamentos do curso foram comparados com as premissas fundamentais da religião oriental. No entanto, ele utiliza a terminologia tradicional cristã.[5] J. Gordon Melton constata que ele é mais popular entre aqueles que estão desiludidos pelo cristianismo tradicional.[5] Desde a primeira vez em que ficou disponível para venda em 1976, teve mais de 2,5 milhões de cópias vendidas no mundo inteiro em 22 idiomas diferentes.[7] No curso você irá se deparar com vários termos que são de domínio da área da psicologia, tais como: projeção, separação, sistema delusório, sonhos, alucinação, negação, defesas, insanidade, ego, fantasia, culpa, e percepção.Todos esses termos que foram utilizados no livro fazem parte de um vasto sistema inter-relacionado. O Curso é composto de três livros: o Texto de 721 páginas, o Livro de Exercícios para estudantes de 512 páginas e o Manual de Professores de 94 páginas.

É um currículo de auto-estudo que tem como objetivo ajudar os leitores a alcançar a transformação espiritual. De acordo com a introdução da seção do Livro de Exercícios, o livro Texto é necessário já que "Um fundamento teórico tal como o Texto provê é necessário como uma estrutura para fazer com que as lições no livro de exercícios sejam significativas", onde o propósito desses exercícios é "de treinar a tua mente para pensar segundo as linhas propostas pelo Texto e para percepção diferente de todos e de tudo no mundo". UCEM nos diz que tem o propósito de "remover os bloqueios á consciência da presença do amor, que é a sua herança". A introdução do livro contem o seguinte resumo: "Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe. Nisso está a paz de Deus."

Como o budismo, a intenção e a estrutura de Um Curso em Milagres é profundamente psicológica. Uma palavra ainda melhor, embora não seja normalmente usada, seria "psicoespiritual". O curso utiliza os conceitos da psicologia desenvolvidos por Freud: os mecanismos psicológicos de defesa, de negação e projeção, a mente consciente e inconsciente e a psique. No entanto, o termo ego, como usado em Um Curso em Milagres, tem um significado diferente de ego em Sigmund Freud (De sua trindade de Id, Ego e Superego). Dr. Kenneth Wapnick, o estudioso mais importante do curso, define o ego como:a crença na realidade do eu separado ou falso, feito como substituto para o eu que Deus criou; o pensamento de separação que dá origem ao pecado, culpa e medo; a parte da mente que acredita que é separada da Mente de Cristo.

Um Curso em Milagres e o Vedanta apresentam uma visão não-dualista: Deus / Céu / Brahman é tudo o que é, e tudo o mais é ilusão. Tudo o que é impermanente é ilusão. Tempo e espaço, quente e frio, para cima e para baixo, o mundo como nós o conhecemos, são todas as manifestações da mente que nos mantem inconscientes de nossa verdadeira natureza - que somos um com Deus, que sempre fomos e sempre seremos. Nada real pode ser ameaçado. Nada irreal existe.

O equivalente Vedanta do ego é Maya - o poder ilusório de Brahman, que constituiria uma qualidade do universo. Dada a natureza psicológica do Curso, não é por acaso que as figuras proeminentes envolvidas na edição inicial do Curso, Helen Schucman, Bill Thetford e Kenneth Wapnick, foram todos respeitados psicólogos clínicos - sua familiaridade com esses conceitos foi essencial à mensagem do Curso vir com precisão. O objetivo do livro é treinar a sua mente de uma forma sistemática a uma percepção diferente de tudo e todos no mundo.

Esse não-dualismo é o que você encontra nos ensinamentos mais elevados do hinduísmo e do budismo, mas raramente no ocidente. O que torna o Um Curso em Milagres único como sistema espiritual – antigo e contemporâneo – é sua integração entre essa metafísica não-dualista e uma psicologia sofisticada, amplamente baseada nos insights de Freud e de seus seguidores.

Entre todos mecanismos de defesa psicológicos, dois são enfatizados:

  • Primeiro - Negação (semelhante a repressão segundo Kenneth Wapnick): Um bom exemplo de negação - Uma mulher foi levada à Corte a pedido de seu vizinho. Esse vizinho acusava a mulher de ter pego e danificado um valioso vaso. Quando chegou a hora da mulher de se defender, sua defesa foi tripla: ‘Em primeiro lugar, nunca tomei o vaso emprestado. Em segundo lugar,estava lascado quando eu peguei. Finalmente, sua Excelência, eu o devolvi em perfeito estado.’

Recusa em aceitar a realidade externa , pois é muito ameaçadora; argumentar contra um estímulo provoca ansiedade, afirmando que ele não existe; resolução de conflitos emocionais por se recusar a perceber ou reconhecer conscientemente os aspectos desagradáveis da realidade externa.

Repressão: o fato de um indivíduo possuir grande dificuldade em reconhecer seus impulsos que produzem angústia ou lembrar-se de acontecimentos passados traumáticos é o que chamamos de repressão, que também é chamada de “esquecimento motivado”. A omissão forçada e deliberada de recordações ou sentimentos é repressão. Em casos extremos (um acontecimento extremamente doloroso), a repressão pode apagar não só a lembrança do acontecimento, mas também tudo que diz respeito ao mesmo, inclusive seu próprio nome e sua identidade, criando uma profunda amnésia.

  • Segundo – Projeção: é o processo mental pelo qual as características que estão ligadas ao eu são gradativamente afastadas deste em direção a outros objetos e pessoas. Essas projeções tendem a deslocar-se em direção a objetos e pessoas cujas qualidades e características são mais adequadas para encaixar o material deslocado.

Muitas vezes nos defendemos da angústia gerada por fracasso, culpa ou nossos defeitos projetando a responsabilidade por esse fato em alguém ou em algo. Um exemplo seria o fato de tratarmos uma pessoa com hostilidade, justificando a nós mesmos que ela é uma pessoa hostil, mas na verdade o único agente cometendo hostilidade somos nós, a outra pessoa está agindo normalmente; e o último exemplo pode ser o marido feio que exige que sua mulher seja bela, mas na verdade ele pode estar projetando o desejo de ser belo na mulher, já que foi incapaz de cumpri-lo. Possuir um sentimento socialmente inaceitável e, em vez de enfrentá-lo, é visto nas ações de outras pessoas. A negação flagrante de uma deficiência moral ou psicológica, que é percebida como uma deficiência de outro indivíduo ou grupo.

Negação e projeção no UCEM[editar | editar código-fonte]

(Nas palavras de Kenneth Wapnick)

Negação[editar | editar código-fonte]

A culpa por nos termos separado de Deus. O que nós fazemos em relação a essa culpa, esse senso de pecado e todo esse terror que sentimos, é fingir que não existem. Nós apenas os empurramos para o fundo, fora da consciência, e esse empurrar para baixo é conhecido como repressão ou negação. Apenas negamos a sua existência para nós mesmos. Mas, em algum nível, sabemos que a nossa culpa está lá. Assim projetamos.

Projeção[editar | editar código-fonte]

Provavelmente, não há nenhuma ideia em "Um Curso em Milagres" que seja mais crítica para a nossa compreensão do que essa. Se vocês não compreenderem a projeção, não compreenderão uma única palavra no Curso, nem em termos de como o ego funciona, nem em termos de como o Espírito Santo vai desfazer o que o ego tem feito. ‘Projeção’, muito simplesmente, significa que você tira alguma coisa de dentro de si mesmo e diz que, realmente, isso não está aí; está fora de você, dentro de outra pessoa. A palavra em si, literalmente, significa ‘deitar fora’, ‘atirar algo a partir de’, ou ‘em direção a’ alguma outra coisa ou pessoa. É o que todos nós fazermos na projeção: tomamos a culpa ou o pecado, que acreditamos estar dentro de nós, e dizemos: “Isto não está realmente em mim; está em você. Eu não sou culpado, você é culpado. Eu não sou responsável por ser miserável e infeliz; você sim, é culpado pela minha infelicidade.Antes da projeção sempre há uma negação. É uma lei da mente dividida, que quando projetamos, esquecemos.”[8]

Ensinamentos[editar | editar código-fonte]

É um sistema de pensamento diferenciado que, quando levado ao último entendimento, permite a conquista de um estado perene de paz, onde a certeza habita na vivência do reconhecimento da unidade em si mesmo e com Deus, onde o amor a tudo abrange e não deixa espaço para opostos, onde nada real pode ser ameaçado, e onde o medo não tem significado diante da eterna condição de impecabilidade de um ser divino e eternamente perfeito, visto que é herdeiro incondicional de todos os atributos do seu criador. É extremamente diferenciado porquê sua prática não tinha referência neste mundo na condição humana, mas que, hoje já pode ser anunciado como uma real pragmática e objetiva forma de transitar dentro deste contexto virtual chamado mundo aparentemente tangível, até que a verdade alcance todas crenças equivocadas que, na ilusória dimensão chamada tempo, ainda podem ser percebidas, gerando estados desconfortáveis e sofríveis para aqueles que, equivocadamente se vêem como indivíduos e tentam dar realidade para ideias que admitem a possibilidade da separação ou de elementos separados, o que é totalmente impossível diante da lei imutável da unicidade da realidade. É enfim um modo de pensar onde perguntas como: de onde vim, para onde vou, o que estou fazendo aqui, onde estou, assim como todas as questões de caráter existencial já podem ser respondidas, visto tratar-se de um sistema de pensamento onde mistério é algo impossível para todos que sinceramente queiram ver a verdade.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Perry, Robert (2004). Path of Light Circle Publishing [S.l.] ISBN 1-886602-23-9. Consultado em 3 de agosto de 2006 
  2. «The Scribing of A Course in Miracles». Foundation for Inner Peace. Consultado em 29 de abril de 2007 
  3. «A COURSE IN MIRACLES with JUDITH SKUTCH WHITSON». The Intuition Network,. Consultado em 30 de abril de 2007 
  4. Skutch, Robert (1984). Journey Without Distance - The story behind A Course in Miracles Celestial Arts [S.l.] ISBN 1-58761-108-7 
  5. a b c Melton, Gordon J. (1990). New Age Encyclopedia, 1st ed. Gale Research, Inc. [S.l.] pp. pg. 93. ISBN 0-8103-7159-6 
  6. Hanegraaff, Wouter J. (1996). New Age Religion and Western Culture State University of New York Press [S.l.] pp. pp. 37–38. ISBN 0-7914-3854-6 
  7. FIP (March, 2007). «Catalog- Language Editions» (HTML). Consultado em 26 de abril de 2007  Verifique data em: |date= (ajuda)
  8. Wapnick, Kenneth. A Talk Given on 'A Course in Miracles': An Introduction [S.l.: s.n.] ISBN 978-0933291164 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]