XVIII Concílio de Toledo

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O décimo oitavo Concilio de Toledo foi o último dos Concilios de Toledo convocado no reino visigodo dantes da conquista muçulmana e o último do Século dos Concílios.

As actas deste concilio estão perdidas desde sempre, pelo qual se desconhece a data exacta de sua celebração, os prelados que participaram e as questões tratadas. Alguns autores mencionam-no como celebrado durante o reinado conjunto de Égica e Vitiza, isto é, entre os anos 698 e 702, presidido pelo bispo de Toledo Félix, baseando-se na Crónica moçárabe de 754; outros dizem que foi presidido por Gunderico no primeiro ano do reinado de Witiza, tomando como fonte o catálogo toledano publicado por Juan Bautista Pérez.[1][2][3][4][5]

Em meados do Séc. XIII Rodrigo Jiménez de Rada mencionava que tinha sido celebrado na igreja pretoriense de San Pedro e San Pablo de Toledo, anotando a ausência das actas do concílio na recompilação iniciada por Isidoro de Sevilha e continuada por Julián de Toledo,[6] mas no Séc. XVIII Enrique Flórez publicava na "España sagrada" um pergaminho manuscrito do Séc. X achado pelo pai Martín Sarmiento no mosteiro de Celanova, no que se dava conta de todos os concílios celebrados até então, incluído este XVIII, e conjecturava que se nesta data se conhecia a sua existência, talvez suas actas estivessem em algum outro códice desconhecido. O pergaminho, no que se podia ler, afirmava mais de 50 bispos, e foi transladado ao Seminário de Sigüenza, pensando-se ter sido destruído por um incêndio em 1936 durante a Guerra Civil Espanhola[7] , mas foi redescoberto nos anos 1980.[8]

A respeito do conteúdo e do motivo do desaparecimento das actas, historiadores modernos sugeriram que ao se produzir a invasão muçulmana pouco tempo após a celebração do concilio, não houve tempo material para recolher seus conteúdos na recompilação conciliar, ou que no concilio não se tratou de assuntos eclesiásticos, mas apenas civis.[9][10] Outra hipótese diz que foram deliberadamente destruídos, pois continham cânones polémicos ou heterodoxos, provavelmente relativos ao casamento dos eclesiásticos em aprovação dos cânones do Concilio Quinisexto, e que em época do rei Fruela I de Astúrias foram formalmente repudiados; no entanto, esta teoria tem sido recusada e qualificada por outros historiadores como absurda, inadmissível ou gratuita.[11][12][13][14][15][16]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Enrique Flórez: España sagrada, vol.
  2. Chronicon de Isidoro Pacense: «Per idem tempus Felix Urbis Regiæ Toletanæ Sedis Episcopus, gravitatis & prudentiæ excellentia nimia pollet, et Concilia satis præclara etiam adhuc cum ambobus Principibus agit», reproducido por Juan Ferreras, num. 31.
  3. Diego de Saavedra Fajardo: Corona gótica, pp. 217-218.
  4. Jerónimo López de Ayala y del Hierro: Los concilios de Toledo, pp. 26-27.
  5. Martín de Ulloa: Tratado de cronología para la historia de España, pp. 375-376.
  6. «Este rey Vetisa fizo en la yglesia de Sant Pedro Apóstol, que está fuera de Toledo, do están las monjas, un Concilio con los obispos e con los altos omes del reyno, sobre governamiento de la tierra, mas este Concilio non yaze en el libro de los Degredos».
  7. Gonzalo Martínez Díez: La colección canónica hispana, vol.
  8. Anscari Manuel Mundó: El fragmento de Celanova de la "Hispana" reaparecido.
  9. Roger Collins: La España visigoda, p. 111.
  10. Francisco de Pisa: Descripción e historia de Toledo, fo. 118.
  11. Juan de Mariana: Historia general de España, libro VI, cap.
  12. Carlos de Ayala Martínez: Sacerdocio y Reino en la España Altomedieval, pp. 90-93.
  13. Roger Collins: La conquista árabe, 710-797, p. 24.
  14. Emilio Moreno Cebada: Historia de la Iglesia, tomo II, pp. 184-185.
  15. Ramón Buldú: Historia de la iglesia de España, tomo I, p. 265.
  16. Vicente de la Fuente: Historia eclesiástica de España, tomo I, pp. 293-294.