Zagauas

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Zagaua
População total

3 149 000 pessoas

Regiões com população significativa
Sudão 2 730 000
Chade 390 000
Niger 6 000
Líbia 23 600
Línguas
Língua zagaua
Religiões
Islamismo
Grupos étnicos relacionados
Tubus-Goranes

Zagaua[1][2] é um grupo étnico que vive nas regiões a leste do Chade e oeste do Sudão, incluindo o Darfur sudanês.

História[editar | editar código-fonte]

Este grupo étnico pastoralista era originário do leste do Chade e por volta do ano 700, eram nômades que migraram para regiões nas margens do Lago Chade em busca de lugares mais férteis, coincidindo com a expansão do islã. A etnogênese se deu pela fusão com os povos habitantes das margens do Lago Chade. Nessa época, formaram o Império de Canem, conforme atestou o geógrafo árabe Iacubi que durou até 1387, sendo sucedido pelo Império de Bornu.

Etnologia[editar | editar código-fonte]

Referiam-se a si próprios como povo Beri, enquanto que o nome zagaua lhes foi dado pelos povos árabes e berberes vizinhos e assim se tornaram mais conhecidos. Eles têm a sua própria língua, que é também chamada zagaua, da família linguística das línguas nilo-saarianas. No ano 2000 foi criado um alfabeto baseado no gados criados por eles para servir à língua zagaua.

A raça de ovelhas que eles criam é chamada, também, zagaua. São seminômades e obtêm grande parte do seu sustento através da criação de gado, ovelhas e camelos e, também, da colheita de grãos selvagens. Atualmente, não são muito numerosos no oeste do Sudão, de onde possivelmente possam ter se originado antes da fusão dos berberes do Sael Oriental. Mesmo assim, são dominantes no Chade onde compõem cerca de 4,5 % da população.

Na época do Império de Canem-Bornu no século XIII, eles foram convertidos ao islamismo. Em Darfur, os zagauas são conhecidos pela sua piedade, generosidade e cortesia[carece de fontes?] Durante os combates em Darfur, foram alvos de milícias árabes sudanesas. O presidente Idriss Déby e vários ex-primeiros-ministros chadianos são de origem zagaua, assim como muitos outros membros do governo.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lopes, Nei Bras; Macedo, José Rivair (2017). «Zagauas». Dicionário de História da África: Séculos VII a XVI. Belo Horizonte: Autêntica Editora 
  • Silva, Alberto da Costa (2014). A Manilha e o Libambo - A África e a Escravidão, de 1500 a 1700. Rio de Janeiro: Editora Nova Fronteira Participações S.A. ISBN 978-85-209-3949-9 
  • (em inglês) Natalie Tobert, The ethnoarchaeology of the Zaghawa of Darfur (Sudan) : settlement and transcience, B.A.R., Oxford, 1988, 268 p. (thèse remaniée)
  • (em inglês) Marie José et Joseph Tubiana, The Zaghawa from an ecological perspective : foodgathering, the pastoral system, tradition and development of the Zaghawa of the Sudan and the Chad, A. A. Balkema, Rotterdam, 1977, 119 p.
  • (em francês) Marie José Tubiana, Survivances préislamiques en pays Zaghawa, Institut d'ethnologie, Paris, 1964, 229 p.
  • (em francês) Marie José Tubiana, « Danses Zaghawa », Objets et mondes, 6 (4) hiver 1966, p. 279-300
  • (em francês) Marie-José Tubiana, Joseph Tubiana et Michel Leiris, Contes Zaghawa du Tchad : trente-sept contes et deux légendes, L'Harmattan, 1989, 123 p. ISBN 9782738402516