Idriss Déby

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Idriss Debi
Presidente do Chade
Período 2 de dezembro de 1990
a 20 de abril de 2021
Antecessor(a) Hissène Habré
Sucessor(a) Mahamat Déby Itno
Dados pessoais
Nascimento 18 de junho de 1952
Fada, Borkou-Ennedi-Tibesti, Chade
Morte 20 de abril de 2021 (68 anos)
Região de Tibesti, Chade
Nacionalidade chadiano
Cônjuge Hinda Déby Itno
Filhos
Partido Movimento de Salvação Patriótica

Idriss Déby Itno (em árabe: إدريس ديبي; Idrīs Daybī Itnū) (Fada, 18 de junho de 1952 — Tibesti, 20 de abril de 2021) foi um general militar e político chadiano que presidiu o Chade de 1990 até 2021.[1][2][3][4]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira militar[editar | editar código-fonte]

Muçulmano, Déby nasceu no nordeste do Chade em 1952, oito anos antes do país se tornar independente da França - seu pai teria sido um pastor do clã Zaghawa.[3][4]

Ele ingressou no exército profissional na década de 1970, quando o Chade passava por uma longa guerra civil, ingressando inicialmente na Escola de Oficiais Jamena e, em 1976, e recebeu treinamento militar na França e se formou como um piloto de caça.[2][3][4]

Ele retornou ao Chade em 1978,[3] tendo servido ao Conselho Militar Supremo de Félix Malloum, general que em 1975 derrubou o presidente civil François Tombalbaye. Em seguida, ele se alistou nas Forças Armadas do Norte (FAN), uma guerrilha liderado por Hissène Habré, no início da década de 1980, que ajudou a derrubar o governo de Goukouki Oueddei em 1982.[2][3]

Sob o regime de Habré, o general Déby serviu como comandante em chefe do exército e assessor militar chefe da presidência. Ele liderou as forças do país contra o poderio militar da Líbia em 1987.[4] No que ficou conhecido como a Guerra dos Toyota, foi dele a ideia de usar caminhonetes de alta velocidade armadas com mísseis e metralhadoras pesadas para derrotar os líbios, uma tática que se tornaria frequentemente usada em toda a região.[4]

As relações entre o presidente Habré e o general Déby foram deteriorando-se até um rompimento definitivo. Acusado de planejar um golpe,[2] Déby fugiu do Chade em 1989 e formou o Movimento de Salvação Patriótica, um grupo insurgente apoiado pelos governos da Líbia e do Sudão e pelo serviço secreto francês que passou a tramar a derrubada do presidente Habré. O general fez um acordo com o líder líbio Muammar Gaddafi - um inimigo de Habré - que o ajudaria a lançar sua rebelião no ano seguinte.[4]

Tomada do poder[editar | editar código-fonte]

Liderando um exército rebelde em uma ofensiva de três semanas lançada a partir da região de Darfur, no Sudão,[3] as tropas de Déby marcharam sem oposição para N' Djaména em um golpe de estado bem-sucedido contra Habré em 2 de dezembro de 1990, dando início ao seu longo regime.[2][4] Ele venceu as eleições presidenciais de 1996, 2001, 2006, 2011, 2016 e 2021, embora muitos destes pleitos tenham a legitimidade contestada em virtude da falta de transparência. Em 2018, ele aprovou uma nova constituição que o teria permitido permanecer no poder até 2033.[3]

Em três décadas no poder, Déby governou centralizando o poder em torno de sua família e do grupo étnico Zaghawa.[3][4] Seu regime enfrentou crescente descontentamento internamente por causa de sua gestão do petróleo do país, repressões contra oponentes e indícios de corrupção.[3] O regime também ficou marcado por políticas neoliberais, algumas das quais resultaram no enriquecimento do ditador e seu círculo.[5][6] Embora o Chade tenha se tornado uma nação produtora de petróleo em 2003 com a conclusão de um oleoduto de US$ 4 bilhões ligando seus campos de petróleo a terminais na costa do oceano Atlântico,[4] observadores afirmam que Déby desperdiçou bilhões e bilhões de dólares em riqueza do petróleo - e não supervisionou nenhum grande projeto de desenvolvimento em um dos países mais pobres do continente.[4]

O regime Déby sobreviveu a várias rebeliões e tentativas de golpes contra o seu próprio governo.[2][3][4] As forças francesas intervieram em diversas ocasiões para salvar o ditador chadiano. Em 2008, quando rebeldes de Darfur alcançaram a capital N'Djamena e sitiaram o palácio presidencial até que tropas francesas interviessem para evitar a queda de Déby.[3] Em 2019, aviões de guerra franceses derrubaram uma coluna de rebeldes que estava cruzando o deserto da Líbia.[3] Além de grande parceiro da França, Déby era visto como um aliado importante do Ocidente na luta contra grupos extremistas islâmicos que atuam na região central e oeste da África.[1][2][4] No entanto, o presidente chadiano era tido como autoritário por várias fontes internacionais,[2] entre as quais a Anistia Internacional.[7]

Morte[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Ofensiva no norte de Chade

Em 18 de abril de 2021, Déby foi ferido em um tiroteio quando comandava uma operação do Exército no combate rebeldes da Frente pela Alternância e Concórdia no Chade, no norte do país.[1][8] Levado a um hospital na capital chadiana, o ditador não resistiu aos ferimentos e sua morte foi anunciada dois dias depois[1][9] - pouco após a confirmação de sua sexta vitória eleitoral.[10][11]

Referências

  1. a b c d «Ferido em tiroteio, presidente do Chade morre depois de passar 30 anos no poder». RFI. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 
  2. a b c d e f g h «OBITUARY Chad President Idriss Deby: The West's ally in the Sahel region?» (em inglês). Al Jazeera. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 
  3. a b c d e f g h i j k l Ross, Aaron (20 de abril de 2021). «OBITUARY Idriss Deby, Chad's president and West's ally against Islamists» (em inglês). Reuters. Consultado em 20 de abril de 2021 
  4. a b c d e f g h i j k l «Idris Déby obituary: End of Chad's 'Great Survivor'» (em inglês). BBC News. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 
  5. La Banque mondiale dans de sales draps au Tchad
  6. Living by the Gun in Chad: Combatants, Impunity and State Formation
  7. «Chad profile: President Idriss Déby» (em inglês). BBC News. 7 de abril de 2016. Consultado em 20 de abril de 2021 
  8. «Chad President Idriss Deby dies visiting front-line troops: Army». Al Jazeera. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 
  9. «Presidente do Chade morreu vítima de ferimentos na frente de combate». Diário de Notícias. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 
  10. Naranjo, José (20 de abril de 2021). «Presidente do Chade morre em combate contra rebeldes poucas horas depois de reeleito». EL PAÍS. Consultado em 20 de abril de 2021 
  11. «Chade: Presidente Idriss Déby reeleito para sexto mandato». DWelle. 20 de abril de 2021. Consultado em 20 de abril de 2021 

Precedido por
Hissène Habré
Presidentes do Chade
1990-2021
Sucedido por
Mahamat Déby Itno (interino)