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Rolha

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Uma rolha de vinho francês

Rolhas são tampas usadas para selar garrafas de vinho. Elas são tipicamente feitas de cortiça (casca do sobreiro), embora materiais sintéticos também possam ser usados. Formas alternativas para selar garrafas de vinho são as tampas roscadas e de vidro. Da cortiça produzida no mundo, 68% se destinam a produzir rolhas para vinho.

As rolhas são produzidas para vinhos e para espumantes. Esses últimos são engarrafados sob pressão, forçando as rolhas para que assumam uma forma de cogumelo. Elas são amarradas com uma gaiola de arame de aço chamada muselet.

Rolhas sintéticas

Até meados do século XVII, os viticultores franceses não utilizavam rolhas de cortiça, e sim trapos envolvidos em óleo, forçados contra os gargalos das garrafas. O inventor das tampas feitas de cortiça é desconhecido. Histórias coloquiais atribuem a invenção ao monge beneditino Dom Pérignon. No início do século XXI, o problema do “gosto de rolha” se tornou prevalente, levando muitos produtores a abandonar o uso da cortiça, em favor de alternativas. As tampas roscadas se tornaram especialmente importantes na Austrália e Nova Zelândia até 2010.[1]

A partir dos problemas com o “cheiro de rolha”, a indústria de cortiça investiu em novas técnicas e equipamentos, reduzindo o produto químico TCA (2-4-6 Tricloroanisol) no vinho em 95%, e começaram a promover os benefícios ambientais e econômicos da cortiça.[1]

Máquina de arrolhamento manual, fabricada em torno de 1870

Como outros produtos de cortiça, as rolhas de cortiça natural derivam da casca de sobreiros (Quercus suber). A árvore é cuidadosamente descascada, e a casca é cortada em lâminas antes do processamento. O sobreiro não é cortado, e somente cerca de metade da sua casca é removida a cada vez. Os sobreiros são descascados pela primeira vez aos 25 anos, e o processo é repetido a cada nove anos. Depois da terceira operação, a casca tem qualidade suficiente para produzir rolhas para vinho.[2]

Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo, com 52,5%, seguido pela Espanha, Itália e Argélia. A maior parte da produção de Portugal está na região do Alentejo, com 72% da produção nacional.[2] Da cortiça produzida no mundo, 68% se destinam a produzir rolhas para vinho.[2]

As rolhas podem ser feitas de várias maneiras:[2]

  • Rolhas de cortiça natural são feitas a partir de uma única peça da casca e têm a melhor flexibilidade, mantendo o selo forte para envelhecer o vinho por mais de cinco anos.
  • Rolhas colmatadas são feitas a partir de uma única peça da casca, mas têm poros que são preenchidos com cola e pó de cortiça. Elas são mais fáceis de remover da garrafa, e são boas para envelhecimento médio.
  • Rolhas multipeças têm duas ou mais peças reunidas com cola. Elas são mais densas do que as de peça única, e não são boas para envelhecimento prolongado.
  • Rolhas aglomeradas são feitas de pó de cortiça e cola, e são densas e baratas, mas não são boas para selar o vinho por mais de um ano.
  • Rolhas técnicas são rolhas aglomeradas com pedaços inteiros de cada lado.

Rolhas de cortiça são resistentes à umidade, demoram a se deteriorar, ajudam no envelhecimento do vinho e proporcionam um selo à prova d’água. As rolhas estão associadas a vinhos de alta qualidade, especialmente porque as tampas alternativas mais baratas são comuns em vinhos de baixo custo.[1]

Dada a estrutura celular da cortiça, ela é facilmente comprimida quando inserida na garrafa, e se expande para formar um selo compacto. O diâmetro interno do gargalo da garrafa de vidro tende a ser inconsistente, tornando esta habilidade de selar, mesmo com contração e expansão variáveis, um atributo importante. Entretanto, defeitos naturais inevitáveis, canais e trincas na casca tornam a cortiça altamente inconsistente. Em um estudo de 2005 sobre a vedação, 45% das rolhas mostraram vazamento de gás durante testes de pressão, tanto pelos lados da rolha quanto pelo próprio corpo.[3]

Um estudo conduzido pela PricewaterhouseCoopers, contratado pelo grande fabricante Amorim, concluiu que a rolha de cortiça é o fechamento mais responsável ambientalmente, em uma comparação de avaliação do ciclo de vida de um ano, comparada com rolhas plásticas e de alumínio rosqueado. [4][5]

As rolhas tipicamente têm 24-25 mm de diâmetro. Os comprimentos variam, geralmente considerando o tempo estimado para o envelhecimento do vinho. Vinhos simples normalmente requerem um comprimento de 38 mm, vinhos de envelhecimento médio 44 mm (o tamanho mais popular) e vinhos caros de envelhecimento longo pedem rolhas de 49-55 mm.[6]

Vinhos espumantes

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Rolha e muselet em uma garrafa de Franciacorta
Rolhas de espumante antes e depois do uso

As rolhas de vinhos espumantes têm geralmente 30 mm de diâmetro e 50 mm de comprimento. Quando colocada na garrafa, a rolha é comprimida para cerca de 60-70 por cento do seu diâmetro original.[6] A rolha é mantida no lugar por uma gaiola de arame conhecida como muselet.

As rolhas de espumante são geralmente fabricadas em três seções e são chamadas de rolhas aglomeradas. A forma de cogumelo que assume na transição é resultado de a seção inferior ser composta de dois discos reunidos de cortiça pura, cimentados à seção superior, que é um aglomerado de cortiça moída e cola. A seção inferior está em contato com o vinho. Antes da inserção, a rolha de espumante é quase 50% maior que a abertura da garrafa. Originalmente, a rolha é um cilindro e é comprimida antes da inserção na garrafa. Com o tempo, a sua forma comprimida se torna mais permanente e a característica forma de cogumelo fica aparente.

Referências

  1. a b c John Gifford (25 de fevereiro de 2016). «How Millennials (Almost) Killed the Wine Cork». The Atlantic. Consultado em 27 de fevereiro de 2020 
  2. a b c d João Santos Pereira, Miguel Nuno Bugalho, Maria da Conceição Caldeira (2008). «From the Cork Oak to cork» (PDF). APCOR. Consultado em fevereiro 28, 2020 
  3. Gibson, Richard, Scorpex Wine Services (2005). «variability in permeability of corks and closures» (PDF). Cópia arquivada (PDF) em maio 12, 2013 
  4. «Evaluation of the environmental impacts of Cork Stoppers versus Aluminium and Plastic Closures: Analysis of the life cycle of Cork, Aluminium and Plastic Wine Closures» (PDF). Dezembro 4, 2008 
  5. Easton, Sally. «Cork is the most sustainable form of closure, study finds». Decanter. Consultado em fevereiro 26, 2020 
  6. a b Yair Margalit, PhD (novembro 2012). Concepts in Wine Technology, Small Winery Operations, Third Edition – Yair Margalit, PhD – Google Books. [S.l.: s.n.] ISBN 9781935879787. Consultado em 27 de fevereiro de 2020