École Supérieure de Guerre
A história da Ecole Supérieure de Guerre (Escola Superior de Guerra francesa) se iniciou em 1536 quando François 1 rei da França lançou uma visão diferente de organização militar para a época. Uma das providências tomadas determinava que só o Rei, em nome do Estado, poderia organizar grupos militares. Assim, o comando e a administração do exército necessitaria de uma profissionalização, o que não ocorrera de pronto devidos conflitos entre a nobreza militar.
Índice |
[editar] O início do disciplinamento
Entre 1614 e 1615 Marie de Médicis determinou o fim dos abusos militares. Richelieu, a partir de 1626, disciplinou os nobres militares franceses através de códigos de conduta rígidos. Naquela época existiam muitos "bandos" militares, estes eram comandados por líderes e não por oficiais graduados. Daí a necessidade da disciplina e da implantação dos primeiros códigos de conduta.
[editar] Código Michaud e a profissionalização
Em 1629 foi criado o código Michaud que lançou as primeiras bases da teoria da administração militar francesa que seria considerada a precursora dos Estados-maiores modernos. Em 1671 Louvois, conselheiro do Rei, criou os fundamentos organizacionais do exército permanente e profissional. Este fato fez surgir a necessidade da criação de escolas militares. Ainda 1675 o termo "Estado-maior" tem o sentido "de lista dos oficiais superiores" , permanecendo assim por um longo tempo.
[editar] A importância da administração militar
Afirmam historiadores militares que em torno de 1745 as estruturas das escolas militares superiores cresciam em importância devida necessidade de : "dispor de oficiais para assistir o general nas operações de continuação após a batalha". Assim entre 1766 e 1771 é criado na França o serviço de Estado-maior.
Logo em 1783, o marquês de Argenson passou a ser o "chefe do corpo real de Estado-maior" composto por vinte e três oficiais "antigos" que participaram da "campanha da América entre 1780 e 1783. Já na campanha de 1796 e 1797 o engenheiro geógrafo Alexandre Berthier era chefe de Estado-maior do Exército da Itália.
[editar] Cursos militares para franceses e estrangeiros
A Escola Superior de Guerra francesa passou a influir nas organizações militares de todo o planeta. Em 1876, o ministro da Guerra francês criou cursos militares especiais destinados a preparar às funções de Estado-maior e comando oficiais para o emprego específico na combinação de diversas armas.
Em 1880 o ensino da administração militar se iniciou para oficiais a partir de tenente e capitão, recrutados de todas armas. Estes passaram a ser titulares de uma patente de Estado-maior formados numa única escola de comando com vocação e formação chamada de "tático-interarmas", onde aprendem reagir rapidamente a diversos graus de dificuldades na "arte de fazer a guerra".
No ano de 1884, o tenente Harade (japonês), marcou a abertura das portas para o ensino da arte da guerra para todas as nações amigas.
[editar] Modernização do ensino
Em 1896 a Ecole Supérieure de Guerre desenvolveu modernos métodos de estratégia e tática geral "esforçando-se para apreender o pensamento de homens de guerra como Napoleão". Foi ensinado o método no qual a "reflexão precede a ação" e que os exércitos "não são mais exércitos de ofício mas nações armadas, onde é ensinado o emprego e a manipulação das grandes massas e as virtudes da ofensiva e a contra-ofensiva. Definindo assim os princípios onde o oficial professor aprende com os oficiais estagiários a adquirir reflexos adaptados à situações diversas."
A partir de 1901, o curso de tática e de história geral passaram a orientar seus estudantes para a pesquisa teórica da estratégia pura. Existiam cadeiras que estudavam o soldado e seu comportamento frente ao medo. Assim foi desenvolvida a arte da guerra psicológica cuja potência mortífera é tão eficaz quanto a guerra convencional.
[editar] Primeira Guerra Mundial
Em 1914 a Escola Superior de Guerra é fechada, 1750 oficiais superiores franceses sofrem a prova do fogo ao participar da Primeira Guerra Mundial. Já em funcionamento em 1919, a ESG trabalha a personalidade dos estagiários, seu espírito de decisão e administração.
Segundo o relato histórico da ESG francesa: "O ensino modernizado comporta: a instrução geral, a instrução militar e o estudo das línguas estrangeiras. A instrução geral permite a abertura aos grandes problemas nacionais e mundiais. Intervenientes externos, políticos, professores de Universidade, são encarregados dispensar os cursos. No plano militar, os estudos compreendem a tática geral, as técnicas de Estado-maior, o estudo das armas e os serviços. A história militar que, até então fazia parte do curso de tática geral, se torna autônoma e tem para principal missão estudar os ensinos da vitória de 1918."
[editar] Segunda Guerra Mundial
Após a segunda guerra mundial o ensino da História é posto em causa e o ensino agrupa cadeiras como as operações aeroterrestres, logística, economia na guerra e comportamento populacional, um Colégio de defesa nacional e economia de guerra, são instaurados.
Após sete anos de interrupção, a Escola Superior de guerra retoma o seu lugar tradicional no Exército. Em 1949, se une à Escola de Estado-maior, em 1952, a Escola de oficiais da reserva lhe é subordinada. Com a modernização do ensino os estudos são organizados em dois grandes conjuntos: estudos operacionais e estudos gerais, compreendendo a economia, a história, e a Sociologia, além de outras cadeiras, como guerra biológica, química e nuclear.
[editar] Atualmente
O general de Gaulle , sobre o ensino de guerra nuclear prestado pela ESG francesa em 15 de Fevereiro de 1963 afirmou: "Para um país, não há independência imaginável se não dispõe de um armamento nuclear" .
Apesar da filosofia citada, a ESG francesa não abandonou nem a cultura geral nem o estudo do combate clássico, integrou progressivamente novos dados como as missões humanitárias, a manutenção da paz ou a luta contra o terrorismo. Atualmente a escola ensina a especialistas do mundo inteiro, inclusive a civis. Existem programas específicos de estágios nas indústrias e na administração.
A ESG francesa prestou ensinamentos a muitos estagiários estrangeiros desde a sua fundação, porém, o ano de 1884, data da chegada de um militar de infantaria japonês, o tenente Harade, é tido como marco inicial do ensino da influência francesa nos exércitos estrangeros. Desta maneira, oficiais de 71 países aprenderam a arte da guerra na ESG francesa, principalmente europeus e americanos (das três Américas). A partir de 1945, o número de estagiários estrangeiros aumentou significativamente e a Escola estendeu a sua abertura internacional para todos os continentes. Muitos militares brasileiros estudaram na ESG francesa desde o começo do século XX.