ASNOVA

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ASNOVA (em russo: АСНОВА; abreviatura de Ассоциация новых архитекторов, "Associação dos Novos Arquitectos") foi uma associação de arquitectos avant-garde da União Soviética, activa durante a década de 1920 e início da década de 1930, também designada por Racionalistas.

A associação foi fundada em 1923 por Nikolai Ladovsky,[1] um professor no instituto de artes Vkhutemas e membro do grupo Inkhuk, a par com outros arquitectos de vanguarda como Vladimir Krinsky. O ensino de Ladovsky, embora definitivamente modernista, defendia mais o uso da intuição do que a aplicação pura do funcionalismo, baseado em parte na teoria de gestalt. Em 1919, Ladovsky defenia o racionalismo na arquitectura como "a economia da energia psíquica na percepção dos aspectos funcionais e espaciais de um edifício", em oposição ao "racionalismo técnico".[2] As pesquisas do grupo foram particularmente influenciadas pelo trabalho de Hugo Münsterberg, e Ladovsky construiria um laboratório psicotécnico em 1926 baseado na teoria da psicologia industrial de Münsterberg.[3] De forma geral, o grupo concentrou-se em criar efeitos "psico-organizacionais"[4] através da arquitectura, uma aproximação escultórica e não funcional, que estaria na origem de acusações de formalismo pelo Grupo OSA então em ascensão. Os grupos ASNOVA e OSA estiveram envolvidos em polémicas acerca da terminologia e disputa do termo construtivismo.[5]

O grupo recebeu um impulso significativo quando El Lissitzky se tornou seu proponente em meados da década de 1920, e desenhando a capa da revista Notícias ASNOVA em 1926. Para além disso, Konstantin Melnikov, o mais famoso arquitecto modernista soviético, fez também parte do grupo por um breve período,[5] preferindo as suas noções de intuição e afecto à precisão científica do grupo OSA, embora ele e Ilya Golosov tenham formado um grupo intermédio entre as posições da ASNOVA e OSA. Berthold Lubetkin, mais conhecido pelo seu trabalho em Londres, foi também um dos primeiros associados do grupo. A Cidade Voadora de Georgy Krutikov, de 1928, famoso e notório pela sua utopia e incorporação de elementos de ficção científica, foi um projecto impulsionado pelo grupo.

Os membros da ASNOVA eram prolíficos em projectos teóricos e competições, mas raramente os viam executados.[6] Os membros Melnikov e Ladovsky foram galardoados com o primeiro e segundo lugares, respectivamente, na competição para o pavilhão da União Soviética na exposição universal de Paris de 1925.[5] Alguns projectos concluídos ainda existem no território da ex-União Soviética. Os mais notáveis são o bloco de habitação de Ladovsky em Tverskaya em Moscovo (1929) e uma série de três condensadores sociais (instalações comunitárias) construídas em Leninegrado entre 1928 e 1931 por uma equipa constituída por A. K. Barutchev, I. A. Gil'ter, I.A. Meerzon e Ya. O. Rubanchik.

O grupo ASNOVA separou-se em 1928 quando Ladovsky criou o seu próprio grupo, a ARU (Associação dos Arquitectos-Urbanistas), embora tenham continuado a haver parcerias entre o grupo para a competição do Palácio dos Sovietes. O grupo foi dissolvido em 1932 a par de todas as outras associações artísticas.

Referências

  1. Alan Colquhoun. Modern Architecture. Oxford ; New York: Oxford University Press, 2002. p. p. 122. ISBN 0192842269
  2. Catherine Cooke. Russian Avant-Garde - Theories of Architecture, Urbanism and the City. London: Academy Editions, 1995. p. 30, 88 pp. ISBN 1-85490390X
  3. Mauro F. Guillen (December 1997). Scientific management's lost aesthetic: architecture, organization, and the taylorized beauty of the mechanical Administrative Science Quarterly. FindArticles. Página visitada em 2008-11-07.
  4. Segundo o próprio
  5. a b c Stephen Bann. The Tradition of Constructivism. New York: Da Capo Press, 1990. p. 138, 140 pp. ISBN 0306803968
  6. Harry Francis Mallgrave. Modern Architectural Theory: a historical survey, 1673-1968. Cambridge; New York: Cambridge University Press, 2005. p. p. 239. ISBN 0521793068