Astorige Correa

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Astorige Correa de Paula e Silva, mais conhecido como Correinha (Londrina, 7 de março de 1941) foi um policial civil do estado de São Paulo na década de 1960, quando liderou o assim denominado Esquadrão da Morte paulista. Policial aclamado pela população e pela mídia da época, já foi citado como "o homem que sempre deixava o bandido dar o primeiro tiro".

Biografia[editar | editar código-fonte]

Astorige Corrêa de Paula e Silva, Correinha, nasceu em 7 de março de 1941, na cidade de Londrina, Paraná, durante uma viagem de seus pais. Cresceu na fazenda Embaú, onde adquiriu, entre outras, as habilidades de caçador que o ajudaram nas suas empreitadas de policial. Também foi bem instruído no campo intelectual, o que é verificável em seu gosto pelas artes, música erudita e literatura.

Carreira Policial[editar | editar código-fonte]

Policial admirado não só por seus pares, mas também pela população em geral, inclusive profissionais do jornalismo, os quais, muitas vezes, acompanhavam as façanhas do policial. Foi membro da RUDI, uma espécie de tropa de elite da Polícia Civil de São Paulo à época, e do DEIC-Setor de Roubos.

Um episódio até hoje comentado foi a morte de "Saponga", o bandido que assassinou o melhor amigo de Correinha dentro da polícia, Davi Romero Pare. Nesta ocasião, logo após o discurso em louvor do amigo, Correinha jurou vingança. Em seguida o agente procedeu uma investigação intensiva até chegar ao nome de Carlos Eduardo da Silva, vulgo Saponga, um bandido perigoso, que já havia fugido de uma penitenciária de segurança máxima, aparentemente sem contar com a conivência nem o auxílio de ninguém.

Tendo chegado ao nome do assassino, Correinha prosseguiu na perseguição do marginal até o confronto nas matas da Serra da Cantareira, um local totalmente vantajoso ao agente, pois possuía muita intimidade com as florestas do interior paranaense. Encontrando o bandido de costas, o policial chamou por Saponga, que de pronto se virou e disparou contra quem o chamava, ao que Correinha respondeu com um tiro de sua Winchester calibre 44, derrubando assim o marginal. Ato contínuo, aproximou-se de Saponga e descarregou sua pistola, movido pelo sentimento de vingança em relação ao assassinato do amigo Davi.

Prisão e Vida Clandestina[editar | editar código-fonte]

Ao fim da década de 1960 e início dos anos 70, Correinha foi condenado à prisão, acusado de desrespeitar direitos humanos. Entretanto, segundo relata o próprio Astorige Corrêa, tal condenação foi fruto de perseguição por parte do então representante do Ministério Público, Hélio Bicudo.[1]

Passou alguns anos preso na Penitenciária do Estado e no Presídio da Polícia Civil, quando em novembro de 1979, saindo deste último, passa a viver sob o regime de prisão albergue domiciliar. Neste novo regime consegue um emprego na empresa Polyfilm, onde passa a trabalhar normalmente. Porém, mesmo tendo se apresentado sempre aos chamados da justiça, mesmo trabalhando num local conhecido e respeitando os limites que lhe eram impostos, os agentes do judiciário continuaram a adicionar problemas à vida do ex-policial, com determinações para aguardar julgamento no Presídio da Polícia Civil, e tentativas de transferi-lo para a Penitenciária do Estado. Numa dessas ocasiões, Correinha aguardou preso, durante 60 dias, um novo júri, que o absolveu. Tendo voltado a trabalhar, após alguns meses, tudo voltou a acontecer, mas o diretor da empresa o impediu de se apresentar ao novo chamado. Assim iniciaram-se os quase 20 anos de vida clandestina de Astorige Corrêa.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Correinha não cita o nome diretamente, porém o faz indiretamente, ao citar o nome do livro escrito por aquele jurista,"Meu depoimento sobre o Esquadrão da Morte"