Bhagavata Purana

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Ilustração de um manuscrito do Bhagavata Purana.

O Bhagavata Purana (também conhecido como Śrīmad Bhāgavatam, ou simplesmente Bhāgavatam) é um dos textos purânicos da literatura sânscrita indiana e significa, na tradução do sânscrito, “o livro de Deus”. Seu foco principal é o processo de bhakti yoga (devoção amorosa pelo Supremo Senhor) no qual Krishna é compreendido como o Deus Supremo que tudo contém, o Deus de todos os deuses (Svayam Bhagavan).

O Bhāgavatam tem a forma de uma história que está sendo contada por um grande sábio (rshi), conhecido como Sūta Gosvāmī, a uma assembléia de sábios, os quais lhe fazem perguntas sobre os diferentes avataras, ou encarnações de Vishnu dentro do mundo material. Sūta Gosvāmī, então, narra o Bhāgavatam conforme ele o ouviu de outro sábio, chamado Śukadeva Gosvāmī. A linguagem do Purāna assemelha-se consideravelmente `a védica, o que pode indicar uma datação bastante antiga ou outras razões possíveis para a semelhança com textos arcaicos.

Cada seção ou canto descreve avataras específicos de Vishnu, começando com uma síntese sobre todos eles, no primeiro canto, e concluindo com uma descrição de Krishna como Svayam bhagavan. Os cantos décimo e décimo primeiro oferecem relatos detalhados da história do advento e atividades de Krishna em Vrndāvana e de suas instruções a alguns devotos (tal como a Uddhava-gītā). O canto final, o décimo segundo, prevê a chegada da Era de Ferro, ou Kali-yuga (a era atual de acordo com o ciclo védico de eras) e a dissolução do universo material no final dessa.

O Bhagavata Purana é sem dúvida o mais popular dos Puranas, com 18.000 versos ou sloka, e é juntamente com o Vixnu Purana, considerado um dos textos de bhakti a Vixnu, tido como textos sagrados pelos vaixnavas de diversas seitas.

O Bhagavata versa principalmente sobre as atividades do avatar de Vixnu, Krishna, desde o seu nascimento em Mathura até o seu desaparecimento nas imediações de Dvaraka. A narrativa é elaborada e cativante, e nela estão inclusos todos os princípios da doutrina hindu de bhakti.

Os Puranas não têm o significado de escrituras reveladas como a Bíblia e o Korão, mas sim inferências místico-religiosas e filosóficas instruídas pelos sábios de diferentes eras. Alguns atribuem a sua autoria a Veda Vyasa, outros são atribuídos a Parashara, Gautama, Narada, Atri e vários outros rishis (sábios) do período clássico védico.

Algumas religiões hindus, como o Vaixnavismo bengali (Gaudiya-vaixnavismo) conferem ao Bhagavata Purana caráter de escritura revelada, fato incomum na maioria das religiões, filosofias e seitas hindus.

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