Geografia

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Geografia
Mapa da Terra.
Origem do nome γεογραπηία, grego
Origem  Grécia, séc. III a.C., Eratóstenes
Influências química, geologia, matemática, história, física, astronomia, antropologia, ecologia, positivismo lógico
Influenciados matemática, astronomia, política, economia, arquitetura, urbanismo, turismo, sociologia, marxismo, direito, etc.
Principais nomes Heródoto, Estrabão, Pitágoras, Aristóteles, Eratóstenes de Cirene, Ptolomeu, Edrisi, Ibn Battuta, Ibn Khaldun, Abraham Ortelius, Bernhardus Varenius, Gerardus Mercator, James Cook, Alexander von Humboldt, Immanuel Kant, Carl Ritter, Ferdinand von Richthofen, Friedrich Ratzel, Paul Vidal de La Blache, William Morris Davis, Milton Santos, Aziz Ab'Saber, Jurandyr Ross, José William Vesentini, David Harvey, Alfred Hettner, Ruy Moreira, entre outros
Definição estuda o conjunto de fenómenos naturais e humanos que constituem aspetos da superficíe da Terra, considerada na sua distribuição e relações recíprocas.
Conhecida por utilizar mapas para localização, viagens e estudos de lugares.
Pretende estabelecer relações de espaço entre o homem e a natureza
Divide-se em Geografia física, Geografia humana, Geografia econômica
Ramificações climatologia, geomorfologia, biogeografia, hidrologia, edafologia, geografia matemática, oceanografia, meteorologia, geografia populacional, antropogeografia, geografia econômica, geografia social, geografia urbana, geografia política, geografia histórica

Geografia é a ciência que estuda o conjunto de fenómenos naturais e humanos que constituem aspectos da superfície da Terra, considerada na sua distribuição e relações recíprocas.[1]  A Geografia estuda a superfície terrestre.[2]  A origem etimológica do termo é derivada dos radicais gregos geo = "Terra" + graphein = "escrever".[3]

Na geografia há quatro preocupações particulares. Primeiro, onde o seu objeto se localiza.[4] Segundo, como os fenômenos se inter-relacionam (em especial o modo como a humanidade e a território se relacionam, de modo igual que a ecologia).[5] Terceiro, a regionalização.[6] E, quarto, as áreas correlatas.[7] A Geografia é a disciplina pesquisadora dos locais onde desenrola a vida das pessoas, sexooooooooooooooooode como os locais se distribuem acima da superfície terrestres e os fatores de ambiente, cultura, economia e fatores que se relacionam à recursos da natureza.[8] Todos esses fatores têm influência nessa distribuição.[9] Trata-se de uma tentativa de respostas e perguntas a respeito de como é possível uma região ser reconhecida pela população, modus vivendi, cultura e a respeito dos movimentos e relações ocorridas entre os locais diferenciados.[7]  Foi sistematizada como disciplina acadêmica em atribuição aos pesquisadores Alexander von Humboldt e Carl Ritter, que viveram no Século XIX.[nota 1] O profissional desta disciplina é o geógrafo.[10] [7]

Definição[editar | editar código-fonte]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A origem etimológica do nome "geografia" é derivada do vocábulo grego geographía (γεογραπηία), que significa "descrição da Terra" e "carta geográfica".[11] O termo é composto pelos radicais gregos geo = "terra", + graphein = "descrever". O nome da disciplina é representado no latim como geographia[11] . Esta é a fonte do eruditismo em cinco línguas europeias: em língua portuguesa e italiana, geografia (século XVI);[12] [13] em língua espanhola, geografía, (1615);[14] em língua francesa, geographie (aproximadamente 1500);[14] em língua inglesa, geography (século XVI).[14] A palavra inglesa geography é um empréstimo do vocábulo francês e alemão Geographie (século XVI).[14] em língua francesa, geographie (aproximadamente 1500);[14] O vocábulo alemão Erdkunde é derivado de duas palavras: Erde = "terra", + Kunde = "conhecimento".[14] Esta palavra foi registrada pelo especialista em linguística alemão Johann Christian Adelung (1732-1806), em 1774.[14] Erdkunde é uma tradução de Geographie.[14]

O conceito de geografia[editar | editar código-fonte]

A geografia é uma ciência que estuda a relação que a Terra tem com os seus habitantes. O desejo dos geógrafos é o conhecimento do lugar onde vivem os homens, as plantas e os animais, a localização dos rios, dos lagos, das montanhas e das cidades. Estudam o que motiva o encontro e a localização desses elementos e suas inter-relações. A origem etimológica da palavra "geografia" é derivada do grego geographía (γεογραπηία), cujo significado é descrição da Terra.[15]

A grande dependência da geografia pertence à outras áreas do conhecimento para a obtenção de informações básicas, em especial em algumas subdivisões da ciência. São utilizados pela geografia os dados da química, da geologia, da matemática, da história, da física, da astronomia, da antropologia e da biologia e principalmente da Ecologia, pois tanto a Ecologia como a Geografia são estudos que se inter-relacionam, justamente porque sua preocupação são as análises biológicas, de fatores geológicos e dos ciclos biogeoquímicos dos Ecossistemas, isto é, dos seres vivos (inclusive os povos) que se relacionam com o seu meio ambiente.[15]

São utilizadas pelos geógrafos numerosas técnicas, como viagens, leituras e estudo estatístico. Os mapas são o instrumento e meio de expressão mais importante do profissional da geografia. Além do estudo de mapas, esses desenhos são atualizados pelos geógrafos porque eles mesmos são pesquisadores especializados, garantindo ainda mais o nosso conhecimento geográfico.[15]

Como o conhecimento da geografia tem fundamental importância no cotidiano das pessoas, começa-se a aprender geografia no jardim de infância ou no ensino fundamental e chegando até a universidade. O estudo da geografia tem como objetivo básico o desenvolver o fato de saber para onde vai dirigir um meio de transporte, de ser capaz de ler mapas, de compreender as relações espaciais e de conhecer o tempo, o clima e os recursos naturais.[15]

O homem sempre teve necessidade e utilização própria do conhecimento geográfico. A necessidade dos povos pré-históricos era o encontro de cavernas para habitação e reservas regulares de água. Também era necessidade dos povos primitivos a habitação nas proximidades do lugar da caça. Tinham capacidade de localização dos rastros deixados pelos animais e as trilhas por onde os inimigos andavam. A utilização feita pelos povos primitivos eram do carvão ou da argila colorida para o desenho dos mapas primitivos de sua região nas paredes das cavernas ou nas secura das peles dos animais.[15]

Com o passar do tempo, o aprendizado do homem era a prática da agricultura e a domesticação dos animais. Era forçada por essas atividades a atenção prestada ao clima e à localização dos pastos. Mas o fato de estender o seu conhecimento era restrito à possibilidade da distância a ser percorrida num só dia.[15]

Nos dias de hoje, nós não podemos ter a satisfação com um conhecimento geográfico que se restringe à área de adjacência das nossas casas. Atualmente, nem mesmo é o bastante as pessoas terem conhecimento das proximidade das terras e dos mares, como era comum acontecer durante o Império Romano. Para satisfação do que nós necessitamos conhecer, é necessário ter um pouco de conhecimento da geografia da Terra inteira.[15]

História[editar | editar código-fonte]

Antiguidade greco-romana[editar | editar código-fonte]

Reconstrução do século XIX do mapa de Eratóstenes do mundo conhecido, c. 194 a.C.

Os primeiros registros de conhecimentos geográficos são encontrados em relatos de viajantes no século V a.C. Um famoso exemplo de viajante daquela época foi o grego Heródoto, o pai da história. O conhecimento dos cidadãos da Grécia Antiga a respeito da Terra era grandemente avançado. Especialistas em filosofia como Pitágoras e Aristóteles tinham a crença de que a Terra era redonda. No século III a.C., Eratóstenes de Cirene foi o primeiro a utilizar a palavra Geografia. Esta palavra aparece escrita numa obra de domínio público denominada Geografia. O cientista grego fez o cálculo da circunferência da Terra com aproximação gigantesca.[16]

Depois, o geógrafo e historiador grego Estrabão selecionou todo o conhecimento clássico sobre Geografia. Todo esse conhecimento encontra-se reunido numa obra de 17 volumes sobre a época em que Jesus Cristo viveu. Esta publicação se tornou a única referência sobre obras gregas e romanas desaparecidas. Outra importante contribuição foi a do astrônomo e geógrafo Ptolomeu. Ptolomeu viveu no século II da era cristã. Por mais que o astrônomo tivesse grande contribuição, seus estudos apresentavam erros.[16]

Idade Média, Renascimento e Iluminismo[editar | editar código-fonte]

"Nova Orbis Tabula in Lucem Edita" (Frederik de Wit, c. 1665).

Devido à queda do Império Romano no Ocidente, o conhecimento geográfico greco-romano foi perdido na Europa. Porém, entre os séculos XI e XII foi preservado, revisto e ampliado por geógrafos muçulmanos da Península Arábica. Mas os acréscimos e acertos feitos pelos geógrafos árabes Edrisi, Ibn Battuta e Ibn Khaldun foram ignorados pelos pensadores europeus. Durante as cruzadas, foram retomadas as primeiras teorias. Assim, os erros de Ptolomeu continuaram no Ocidente até as Grandes Navegações. As Grandes Navegações passaram a reabastecer a Europa de informações mais detalhadas e exatas sobre o restante do mundo. Em 1570, o cartógrafo flamengo Abraham Ortelius organizou diversos mapas num livro só. Seria este, talvez, o atlas mais antigo do mundo.[16]

Capitão James Cook (1728-1779).

Uma importante personalidade que retomou os estudos de geografia foi o alemão Bernhardus Varenius (Bernhard Varen). O livro Geographia generalis (1650; Geografia geral) sofreu várias revisões. Este livro continuou sendo a principal obra de referência durante um século ou mais. O cartógrafo mais importante do século XVI também era de Flandres: Gerardus Mercator. Gerardus Mercator (Gerard de Cremer) ficou famoso por criar um novo sistema de projeções. O então cartógrafo aprimorou os sistemas de projeções que utilizavam longitudes e latitudes.[16]

No século XVIII, James Cook fez a fixação de novos padrões precisos e técnicos em navegação. Foi responsável pelas viagens científicas. Na segunda viagem, circunavegou o globo. Esta viagem científica ocorrida entre 1772 e 1775 foi o mais famoso de seus itinerários. Na França foi criado o primeiro estudo de pesquisadores sobre topografia detalhada de um grande país. Este trabalho intelectual foi realizado entre os séculos XVII e XVIII por quatro gerações de especialistas em astronomia e profissionais de pesquisa da família Cassini. A partir do trabalho, o atlas nacional da França foi publicado pela primeira vez em 1791.[16]

Como muitos que o antecipavam, Alexander von Humboldt fez uma proposta de conhecimento sobre as demais partes do mundo. Apesar dessa proposta, acabou por fazer a distinção por dois objetivos. Primeiro, pela cautelosa elaboração que antecipava suas viagens bem-sucedidas. E, segundo, pela busca e exatidão de suas análises. São de especial interesse seus estudos sobre os Andes. Estes estudos foram feitos numa viagem às Américas Central e do Sul. Isso ocorreu entre 1799 e 1804. Inicialmente, foi feita uma descrição sistemática e inter-relacionada de cinco características. São elas: altitude, temperatura, vegetação e agricultura em montanhas que se localizam em regiões de latitude em direção à linha do Equador.[16]

Surgimento da Geografia moderna[editar | editar código-fonte]

Humboldt apresentou as bases da Geografia moderna. As bases da Geografia moderna tinham destaque na análise direta e nas medições precisas como base para leis generalistas. O especialista em filosofia Immanuel Kant foi autor da obra Kritik der reinen Vernunft (1781: Crítica da razão pura). Na obra, Kant definiu de modo satisfatório o lugar da Geografia em relação às diferentes áreas do conhecimento. A definição de Kant afirma que a Geografia lida com os fenômenos espaciais. É a mesma coisa que dizer que a história lida com os fatos já ocorridos no passado. Tanto Kant quanto Humboldt ensinaram Geografia física e eram da mesma época que Carl Ritter. Carl Ritter era professor da primeira cadeira de Geografia estabelecida numa instituição de ensino superior dos tempos modernos.[16]

Três inovações institucionais do século XIX também exerciam importante função no surgimento da Geografia moderna. Primeiro, o novo retrato das instituições de ensino superior. Segundo, a fundação de sociedades geográficas e as perguntas sobre aspectos e recursos naturais que os governos de várias nações patrocinavam. E, terceiro, a implantação de estações que se dirigem à análise geográfica sistemática ajudou na elaboração de mapas com dados sobre vários fenômenos da natureza.[16]

Friedrich Ratzel, líder da escola determinista (1844-1904).
Friedrich Ratzel, líder da escola determinista (1844-1904).
Paul Vidal de La Blache, líder da escola possibilista (1845-1918).
Paul Vidal de La Blache, líder da escola possibilista (1845-1918).

A Geografia é uma disciplina universitária, isto é, um campo de pesquisas e estudos avançados em instituições de ensino superior. A disciplina geográfica foi estabelecida assim na Prússia nos anos 70 do século XIX. Depois estabeleceu-se na França e nos demais países europeus. Entre os mais importantes conhecedores dessa época de processo expansivo e explicação definitiva do objeto geográfico estavam o especialista em geografia e geologia alemão Ferdinand von Richthofen. Ferdinand von Richthofen escreveu uma grandiosa enciclopédia de cinco volumes. Esta publicação enciclopédica trata de temas relacionados à Geografia da China. Ferdinand Paul Wilhelm provocou o desenvolvimento do método geográfico na Alemanha e nas demais nações. Outro alemão, Friedrich Ratzel, líder da escola determinista, escreveu trabalhos pioneiros em Geografia humana e política. Para Ratzel, o meio natural condiciona a atividade humana.[16]

A quantidade de geógrafos com formação acadêmica avançada cresceu muito. Esse fator fez com que surgissem diferenciadas correntes no interior da área do conhecimento. Diferem quanto aos pontos de vista e na ênfase dada a certas características. Apesar disso, a preocupação de todas as escolas foram as questões próprias da civilização humana e suas diferenças inter-regionais. Paul Vidal de La Blache encabeçava a escola possibilista. A escola possibilista acreditava que a natureza oferece diferentes escolhas possíveis do ser humano em cada área geográfica. Paul Vidal de La Blache foi um dos principais responsáveis por fazer surgir a disciplina geográfica dos tempos modernos na França. Deve-se a ele a explicação definitiva do campo da Geografia regional. Esta explicação definitiva destacava-se no estudo de áreas de menor porte e homogêneas de modo relativo. Foi o primeiro professor de Geografia da Sorbonne. Paul Vidal de la Blache realizou o planejamento de uma obra gigantesca. Esta enciclopédia tratava de temas relacionados à Geografia regional no mundo inteiro. Entretanto, a vida de La Blache era muito curta para terminar de publicar a futura enciclopédia. Géographie universelle (1927-1948) foi concluída por seu colega de faculdade Lucien Gallois. Esta coleção de livros é uma das melhores publicações impressas sobre Geografia regional.[16]

Século XX[editar | editar código-fonte]

William Morris Davis (1850-1934).

No século XX, a Geografia evoluiu rapidamente. A disciplina geográfica recebeu novas conceituações e métodos. No começo, a geomorfologia foi o campo geográfico de maior atração. Na geomorfologia, predominam as teorias do americano William Morris Davis. William Morris Davis na primeira metade do século XX, foi desenvolvedor do conceito de ciclo de erosão. O especialista em geomorfologia constituiu uma nova geração de profissionais da geografia.[16]

Até a metade do século XX, focalizou-se em particular a Geografia Regional e a grande quantidade de lugares e povos do mundo. Depois da Segunda Guerra Mundial, os profissionais da Geografia regional de modo frequente se associavam com a realização de programas econômicos em áreas subdesenvolvidas. Nos anos 60 do século XX, a atenção se voltou para dois objetivos. Primeiro, o aperfeiçoamento de metodologias de quantidade. E, segundo, a ação construtiva de padrões sistemáticos relacionados à natureza e o homem. No final dos anos 1960 e começo dos anos 1970, voltaram a serem discutidos os cuidados com o meio ambiente. Antes disso, esse tema foi relativamente esquecido por muito tempo.[16]

Nos anos 1970 e 1980, surgiram modelos de quantidade que se baseiam em grandes grupos de dados calculados em censos e demais tipologias de pesquisa foi entendido por alguns profissionais de geografia como um exagero de ideia fixa com o espaço abstrato, em consequência ou em virtude do prejuízo ou dano causado à localização terrestre. Exigia-se, então, um tratamento mais comportamental. De acordo com a exigência, o envolvimento do tratamento mais comportamental era de percepções e escolhas únicas. Além disso, os geógrafos desejavam uma geografia mais humanística. Outras facções exigiam que tratassem de assuntos radicais. Porém, permeando todas as alterações, havia a intenção comum de favorecer quatro elementos. Primeiro, os seres humanos e suas sociedades. Segundo, o meio ambiente físico e biológico. Terceiro, o caráter regional de certas ocorrências; E, quarto, as associações e relações que acontecem em todas as regiões. Estas últimas podem ser observadas tanto do ponto de vista ecológico como sistêmico.[16]

O Museu do Louvre como visto do avião.

Ainda no século XX, se espalharam as fontes de dados estatísticos. Em especial, foram realizados censos demográficos de diversos países. A fotografia aérea demonstrou que é um novo e útil instrumento de trabalho. No entanto, ainda mais eficientes e que cumprem os requisitos tecnológicos foram as possibilidades abertas pelo sensoriamento remoto. Isso se favoreceu com duas inovações tecnológicas: primeiro, a partir de satélites artificiais; e, segundo pelo uso de notebooks na abordagem de grandes quantidades de dados.[16]

O objetivo central do estudo da Geografia é a superfície da Terra. A superfície da Terra sofreu rápidas alterações na segunda metade do século XX. Os geógrafos começaram se preocupar com vários outros problemas. Esses problemas não são apenas preocupações dos geógrafos, mas também dos cientistas e acadêmicos de diversas outras áreas. Os problemas de maior preocupação dos geógrafos são os seguintes: a desertificação é causada tanto pelas frequentes secas quanto pela atividade humana; o desmatamento de florestas equatoriais afeta de maneira negativa o frágil equilíbrio ambiental; o perigo de desastres naturais de todos os tipos são também acidentes que os seres humanos causam, em particular os nucleares; a poluição ambiental, como a acidez da chuva e o ar poluído nas cidades; as altas taxas de crescimento populacional fazem com que as pessoas sejam incapazes de sobreviver em certos países de poucos recursos; o problema da desigualdade entre as regiões na divisão dos recursos e das riquezas; a ameaça da fome e da miséria é agravada por problemas econômicos e políticos.[16]

Entre os campos possíveis de desenvolvimento da Geografia encontram-se três perspectivas a seguir. Em primeiro lugar, os recursos minerais e de demais tipos nos oceanos são explorados. Em segundo lugar, a engenharia genética é usada para o crescimento da produtividade agrícola e a solução de problemas que as pragas criaram; estes problemas atrapalham a expansão dos cultivos em diversas regiões do mundo. E, em terceiro lugar, a supercondutividade é aperfeiçoada para a melhoria do problema da distribuição de energia elétrica. Todos esses problemas e perspectivas envolvem questões geográficas. Estão ligados a fatores naturais e humanos e a sua distribuição espacial. Estas dificuldades e dimensões apresentam sempre novos desafios para os especialistas.[16]

Novas perspectivas de análise[editar | editar código-fonte]

Karl Marx (1818-1883).

Na segunda metade do século XX apareceram recentes maneiras de análise da superfície terrestre e as relações de estabelecimento do ser humano com o meio em que vive. Entre as principais podemos citar:[17]

  • Geografia da percepção: esta facção tem uma relação com a disciplinas psicológica e sociológica. Leva em conta que qualquer indivíduo tem sua visão apropriada do meio em que vive. Por seu turno, a geografia da percepção é regularizada por mudanças na economia, na sociedade, na cultura e nas pessoas. Como consequência, as ligações entre o ser humano e o meio são diferenciados para cada indivíduo devido à sua compreensão da realidade.[17]
  • Geografia radical: tem fundamento nas obras escritas pelo pensador alemão Karl Marx (1818-1883). Esta tendência é centrada na observação analítica dos processos ocorridos na sociedade. Entre esses processos podemos citar a desigualdade, o subdesenvolvimento e a pobreza. A principal finalidade da geografia radical é o melhoramento da compreensão das ligações homem-meio como mudança anterior para o direito de alteração dos aspectos ruins da vida real. Esta facção, em oposição ao poder político, coloca a geografia ao alcance da sociedade e aparece como tentativa de responder às desigualdades sociais que existem no mundo.[17]
  • Geografia de gênero: esta dimensão foi criada na década de 1980 no Reino Unido e nos Estados Unidos, em curta ligação com o movimento feminista. Fazia a observação analítica de assuntos como a desigualdade feminina no ingresso na política, no trabalho e nos serviços sociais. As relações entre indivíduos dos sexos masculino e feminino em cada área geográfica e a função da mulher na sociedade.[17]

As metodologias de trabalho da Geografia, baseados de modo tradicional na observação analítica da vida real; na conquista de dados por intermédio do trabalho de campo; na descrição dos acontecimentos e ambientes geográficos; e na observação analítica por meio de instrumentos estatísticas, tiveram evolução rápida nas recentes décadas graças aos avanços da computação e ao uso de sistemas de análise remota da superfície da Terra, como as imagens de satélite.[17]

Geografia no Brasil[editar | editar código-fonte]

Milton Santos (1926-2001).

Quanto ao conhecimento geográfico no Brasil, não se pode deixar de observar a grande importância e influência do Geógrafo mais reconhecido do país seguido de Aziz Ab'Saber e seu pioneirismo, não por profissão, mas por méritos, Milton Santos. Com várias publicações, Milton Santos, tornou-se o pai da Geografia Crítica que faz análises e fenomenológicas dos fatos e incidências de casos. Isso é muito importante, visto que a Geografia é uma ciência global e abrangente, e somente o olhar geográfico aguçado consegue identificar determinados processos, sejam naturais ou sócio-espaciais. Vale ressaltar também os importantes estudos do professor Jurandyr Ross, que se dedicou a mapear, de forma bastante detalhada, o relevo brasileiro além das inúmeras publicações do professor doutor José William Vesentini que se tornaram referência no estudo da geografia do Brasil.

Não podendo esquecer de geógrafos como Armen Mamigonian, Manuel Correia de Andrade, Roberto Lobato Corrêa, Ruy Moreira, Armando Corrêa da Silva, Antonio Christofoletti, Ariovaldo Umbelino de Oliveira, entre outros de outras épocas, não tão conhecidos como os que fizeram suas carreiras na Universidade de São Paulo.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Existem elementos muito variados na superfície da Terra. O estabelecimento das relações entre eles é muito complexa. A geografia está subdividida em diferenciados ramos. Por esses dois motivos, qualquer um desses ramos apresenta especial atenção a um certo fenômeno geográfico. Mas a interdependência que existe transforma a divisão entre as ramificações diferenciadas numa grande difusão. Isto se deve ao fato de que todos eles se inter-relacionam de um modo ou de outro.

O primeiro grau de divisão faz a distinção entre a geografia regional e a geografia geral ou sistemática. A geografia regional é o estudo da maneira circunstancial da combinação elementar e os fatores geográficos para traçar as regiões ou paisagens. O objetivo da geografia geral ou sistemática é o descobrimento dos princípios gerais. Esses princípios generalistas são a explicação das mais variadas paisagens que existem na Terra. Devido à tipologia da análise de elementos, a geografia geral é subdividida em duas disciplinas: a geografia física e a geografia humana.

Geografia física[editar | editar código-fonte]

Línea de Wallace.jpg Cyclone Catarina from the ISS on March 26 2004.JPG 90 mile beach.jpg Gavin Plant.JPG
Biogeografia Climatologia & paleoclimatologia Geografia litorânea Geografia ambiental & Gestão ambiental
Meridian convergence and spehrical excess.png Delicate Arch LaSalle.jpg Receding glacier-pt.svg Meander.svg
Geodésia & Topografia Geomorfologia Glaciologia Hidrologia & Hidrografia
Khajuraho-landscape.jpg World11.jpg Soil profile.jpg Pangea animation 03.gif
Ecologia de paisagem Oceanografia Pedologia Paleogeografia

Esta disciplina é a análise as diferentes variações da natureza ocorridas num certo lugar. A geografia física considera tanto os aspectos ambientais como a sua ligação com o ser humano. Exemplos destas pesquisas são o choque da atividade do homem sobre a natureza, ou a solução do ser humano para as características ambientais.[17]

Certos geógrafos físicos aplicam-se para estudar as formas do relevo, como as formações montanhosas e as terras baixas. Outros dedicam-se ao estudo dos oceanos, do clima e do tempo. Uma das ramificações da disciplina geográfica aplica-se a localização dos pontos precisos no globo terrestre. Qualquer uma dessas ramificações consiste quase numa ciência independente e possui nome próprio.[15]

De acordo com o fenômeno natural analisado, a geografia física é dividida nas áreas subsequentes:[17]

Biogeografia[editar | editar código-fonte]

A biogeografia é o estudo os fenômenos biológicos ocorridos na superfície terrestre. A biogeografia pode ser subdividida em dois ramos:[15]

  • Geografia vegetal: o especialista nessa área faz o estudo dos tipos climáticos, pedológicos e demais fatores determinantes da vida vegetal de um território regional. [15]
  • Geografia animal: estuda a distribuição geográfica dos animais e das aves dos variados territórios regionais. A tentativa do especialista nessa área é fazer a determinação do motivo da vida de determinados animais num território regional e outros em outra região. Uma das fases de grande interesse da zoogeografia é o fato de que os pássaros e os animais migram.[15]

Geografia humana[editar | editar código-fonte]

Qichwa conchucos 01.jpg Pepsi in India.jpg Christaller model 1.jpg Star of life.svg
Geografia cultural Geografia do desenvolvimento Geografia econômica Geografia da saúde
British Empire 1897.jpg UN General Assembly.jpg Pyramide Comores.PNG ReligionSymbol.svg
Geog. histórica & temporal Geog.política & Geopolítica Geog. populacional ou Demografia Geografia da religião
US-hoosier-family.jpg RERParisVision2025.png Rio de Janeiro Helicoptero 49 Feb 2006 zoom.jpg New-York-Jan2005.jpg
Geografia social Geografia do transporte Geografia turística Geografia urbana
Cuba canna da zucchero.jpg Last census in the world.png
Geografia rural Recenseamento

A área da geografia humana estuda o homem e o meio em que vive, seus aspectos, hábitos costumeiros, idiomas, credos religiosos, profissões e necessidades. A geografia humana é o estudo disciplinar dos diferenciados processos em que o ser humano está presente. A geografia humana dá especial atenção ao seu espalhamento na superfície da Terra e às ligações que se estabelecem com os fenômenos naturais. É dividida em áreas diferenciadas:[17]

Ao longo dos tempos uma diversidade de modos de visão do estudo da geografia humana apareceu, como:

Geografia regional[editar | editar código-fonte]

Regiones culturais da Europa.
  Europa Central
  Europa Oriental
  Europa Setentrional
  Europa Ocidental (vista parcial)
  Europa Meridional
  Países da Asia que possuem territórios na Europa

Esta ramificação é o estudo dos panoramas paisagísticos ou os territórios regionais terrestres. A geografia regional identifica os aspectos das paisagens e das regiões. Analisa os fenômenos da natureza e da civilização humana. Os fenômenos da natureza e da civilização humana aparecem acima de um determinado espaço. A geografia regional estabelece as diferenças que existem entre cada região geográfica. A geografia regional cria, nas suas observações analíticas, subdivisões em níveis diferenciados. Exemplos desses níveis são os continentes da Europa e da América; as bacias fluviais do rio Amazonas; os mares Mediterrâneo e das Antilhas; e as grandes áreas metropolitanas de Londres e São Paulo.[17]

A geografia regional é uma ramificação de resumo no que integra qualquer um dos elementos e ligações que existem num zoneamento da superfície da Terra. Isto difere no estudo do espaço geográfico tanto no tipo físico como no humano. O tipo físico inclui clima, relevo, solos, e vegetação. E o tipo humano inclui densidade demográfica, atividade econômica e infraestrutura.[17]

Filosofia[editar | editar código-fonte]

Ontologia[editar | editar código-fonte]

Há muitas interpretações do que seria o objeto geográfico. Ratzel afirma que a Geografia estuda as relações recíprocas entre sociedade e meio, entre a vida e o palco de seus acontecimentos. Filósofos que buscaram criar uma ontologia marxista, como Georg Lukács, influenciaram a construção de um modelo de análise do objecto da Geografia. Milton Santos se debruçou sobre a construção de um modelo ontológico, explicitado na análise dialética do movimento da totalidade para o lugar.

Uma afirmação comum é de que Há tantas geografias quanto forem os geógrafos. Apesar de as múltiplas possibilidades de orientações teórico metodológicas caminharem em direções diferentes, deve-se respeitar a caracterização da Ciência Geográfica e as formulações acerca de seu objecto.

Cabe ainda afirmar que a distinção entre Geografia Humana e Geografia Física se refere aos ramos da Ciência Geográfica, pois as Geograficidades não apresentam essa fragmentação, decorrente exclusivamente da construção do conhecimento sobre a realidade.

De qualquer forma a ciência deve dar conta de questionar a relação dialética do homem com a natureza, é impossível analisar o "meio natural" sem entender a relação que tem com o homem e da mesma forma é impossível analisar o "meio social" sem compreender as determinações que vem da relação que tem com a natureza. Há ainda discussões entre a Geografia técnica e a Geografia escolar, porem ambas as parte do conhecimento cientifico apurado através do questionamento da razão, ou seja, "advém" da filosofia grega.

Epistemologia[editar | editar código-fonte]

A Geografia como ciência surge sob forte influência do Positivismo Lógico. E essa condição se expressa em grande parte nos estudos de geografia até hoje. Entretanto, a Ciência evoluiu e transformou as suas orientações teórico-metodológicas.

Sobre a sua epistemologia, é proverbial ressaltar um problema não só da geografia, como também de todas as ciências ambientais: Os recursos metodológicos utilizados na verificação dos postulados ou estudos geográficos são oriundos aos primeiros passos do naturalismo (Humboldt e Ritter).

É fácil concluir que em detrimento de diversas mudanças na temática ambiental, as ciências ambientais não poderiam utilizar recursos verificatórios de um lapso cronológico em que a vertente ambiental não provia atenção alguma da mídia e menos ainda dos poderes políticos, que enxergavam apenas o fortalecimento de suas economias em função de uma interminável exploração e esgotamento dos recursos naturais. Então, é extremamente necessário pensar em uma nova epistemologia, não só para geografia, mas para as demais ciências autodenominadas "ambientais".

Com o surgimento da discussão a respeito de um estatuto próprio para as Ciências Humanas, a Geografia sente a necessidade de revisar sua epistemologia. Os críticos do positivismo, sob influência do Historicismo de Hegel e Dilthey, afirmavam ser impossível manter a objetividade e a neutralidade do conhecimento científico. Um exemplo claro é a ideia de Incomensurabilidade do Conhecimento, de Thomas Kuhn, na qual afirma a impossibilidade de separar os conceitos e juízos de valor do conhecimento dito neutro.

Ainda no contexto do embate historicismo x positivismo surgem dois grandes nomes da Geografia: Friedrich Ratzel e Vidal de La Blache. O primeiro, influenciado por Ritter e Haeckel, notabilizou-se pelos estudos de Geografia Política e de alguma forma ajudou a consolidar a Geografia de Estado. Já o outro, empirista, trabalhou principalmente sobre o conceito de Gênero de Vida e afastou a Geografia das relações com a sociologia, então representada pela morfologia social de Émile Durkheim. Essa condição é exemplificada na famosa definição: Geografia é a ciência dos lugares e não dos Homens. La Blache e Ratzel representavam respectivamente as escolas Francesa e Alemã em uma época em que as universidades se fecharam em seus próprios países criando escolas nacionais. Lucien Febvre, historiador francês, em seu livro A Terra e Evolução do Homem, criou uma imagem reducionista deste conflito teórico-ideológico, através da criação dos conceitos de escolas geográficas: Determinismo e Possibilismo. Essa consideração reducionista contribuiu para criar imagens errôneas sobre os dois autores, e por muito tempo Ratzel foi entendido como simples determinista geográfico e La Blache como um simples possibilista geográfico. Hoje essa concepção foi superada e o recorte abstrato de Febvre foi relativizado, na medida em que nenhum dos dois Geógrafos enquadrava-se completamente nas escolas a eles atribuídas.

Durante a renovação pragmática nos Estados Unidos, surgiu uma corrente chamada Geografia Teorética, na qual os métodos quantitativos geográficos agem com métodos numéricos peculiares para (ou pelo menos é muito comum) a geografia. Por consequência à análise do espaço, provavelmente encontrará temas como a análise de rácios, análise discriminatória, e não – paramétrica e testes estatísticos nos estudos geográficos. Um expoente dessa corrente no Brasil foi Antonio Christofoletti, co-fundador da Revista de Geografia Teorética.

Sob a influência da Fenomenologia de Husserl e Merleau-Ponty foram desenvolvidos estudos de Geografia da Percepção, que valorizam a construção subjetiva da noção de espaço perceptivo. Inter-relações com a psicologia de massas e psicanálise, entre outras áreas, garantiram uma multidisciplinalidade desses estudos na (re)construção de conceitos como horizonte geográfico, (percepção do) lugar, sociabilidade e percepção do espaço, espaço esquizoide, entre outros. Alguns textos de Armando Corrêa da Silva fazem referência à Geografia da Percepção. Cabe também ressaltar que a influência da fenomenologia foi importante para o desenvolvimento da Geografia Humanista.

No final da década de 1970 iniciou-se um movimento de renovação crítica da Geografia humana, marcado no Brasil pelo encontro nacional de Geógrafos em 1978 no Ceará. Esse movimento acompanhou a inserção do marxismo como base teórica do discurso geográfico humano e assimilou um arcabouço conceitual do marxismo na construção de teorias sobre a (re)produção do espaço e a formações sócio-espaciais.

No Brasil, um representante dessa corrente, conhecida como Geocrítica ou Geografia Crítica, foi Milton Santos. O geógrafo Armando Corrêa da Silva escreveu alguns artigos sobre as possíveis limitações que uma adesão cega a essa corrente pode causar.

Na Itália, Massimo Quaini foi o principal autor a escrever sobre a relação entre a corrente marxista e a Ciência Geográfica.

O principal veículo de divulgação da Renovação Crítica da Geografia humana foi a Revista Antipode, criada em agosto de 1968 nos Estados Unidos, sob a direção editorial de Richard Peet, então professor na University of British Columbia. O primeiro artigo da Revista justificava seu subtítulo – A Radical Jornal Of Geography – escrito por David Stea, "Positions, Purposes, Pragmatics: A Journal Of Radical Geography", introduzia no mundo acadêmico uma publicação que viria a ter muita importância para discussões no âmbito da ciência geográfica.

Antipode já contou a com a participação de Geógrafos como Milton Santos e David Harvey, que até hoje é um dos colaboradores, além de um grupo de cientistas do mundo todo: Estados Unidos, Canadá, Japão, Índia, Inglaterra, Espanha, África do Sul, Holanda, Suíça, Quênia, coordenados sob a editoração de Noel Castree da Universidade de Manchester (Inglaterra) e Melissa Wright da Universidade da Pensilvânia (Estados Unidos).

Princípios básicos[editar | editar código-fonte]

As quatro linhas investigativas do estudo geográfico são:[15]

Localização[editar | editar código-fonte]

Uma das funções importantes da disciplina geográfica é a localização dos lugares diferenciados do mundo e a interpretação das virtudes e os defeitos que a localização pode trazer. O homem passou a sair da sua residência familiar o mais distante possível, com todas as suas roupas, utensílios de higiene e outros objetos dentro das bagagens. Assim teve que fazer a medição das distâncias e o registro essas medidas matemáticas. Passou a elaborar o desenho de mapas de qualidade inferior para a demonstração das distâncias (quantos quilômetros vão de um lugar para o outro) e as direções (para onde fica tal lugar). Durante o século XV, no início da grande Era dos Descobrimentos, mais do que nunca eram de grande necessidade os cartógrafos (profissionais encarregados em desenhar mapas) para fazer o registro dos novos continentes e oceanos a serem descobertos.[15]

Os mapas não apenas são a demonstração da localização de um determinado lugar. Entretanto, neles também aparece sua posição perante a lugares circunvizinhos (Veja: mapa).[15]

Descrição dos lugares[editar | editar código-fonte]

Uma lição de geografia como retratada numa pintura do início do Século XIX.

Não são quaisquer seres humanos que estão satisfeitos com o conhecimento de uma só localização de um determinado lugar do Terra, como Paris, São Paulo, a África ou o Ártico. Desejam ter o conhecimento da tipologia de ambiente que é oferecido pela natureza, e das atividades das pessoas já feitas no passado. Desejam ter o conhecimento da utilização do terreno pelos habitantes, qual é a tipologia das casas construídas, a circunstância e a localização da construção das rodovias e ferrovias e os traços físicos, psicológicos, sociais e cotidianos dos habitantes. Desejam ter o conhecimento da situação característica das semelhanças e diferenças entre a região e o demais locais e qual é o significado dessas similitudes e diferenciais. Em outros tempos, pelos viajantes eram feitos os relatos desas informações de viva voz. Atualmente, pelos seres humanos são complementados esses relatórios com dados escritos, fotografias na superfície do solo ou de lugares altos como aviões, mirantes, minaretes, torres, edifícios, entre outros, e com cartas geográficas feitas com equipamentos de precisão de extrema eficácia.[15]

Mudanças na face da Terra[editar | editar código-fonte]

Uma construção no bairro São Pedro, em Belo Horizonte.

Quase qualquer ser humano já tem observado exemplos de mutação na superfície do nosso planeta. Certas mudanças o homem já fez. Exemplos são os seguintes: quando são demolidas as paredes de madeira de uma favela e no momento em que é alterado e/ou canalizado o curso-d'água de um acidente geográfico fluvial. Tais modificações são geralmente de maior rapidez do que as transformações que a natureza provoca. Um dos exemplos desse tipo é quando a ação da erosão forma uma grande garganta durante milhões de anos.[15]

Uma grande quantidade de questionamentos ocorre aos geógrafos quando do exame das modificações que a Terra sofre. Desejam ter o conhecimento do surgimento circunstancial dos acidentes geográficos em seu local atual. Desejam ter a resposta para a modificação circunstancial da superfície terrestre feita pelo homem, enquanto o ser humano viveu nela. Desejam o descobrimento da face da Terra na história e do motivo do desenvolvimento das cidades em sua localização atual. A pretensão dos geógrafos é descobrir do motivo do porquê as áreas do mundo têm mais densidade populacional em relação a que outras.[15]

Relações espaciais[editar | editar código-fonte]

As relações espaciais são de maior interesse tanto dos geógrafos quanto dos astrônomos. Os astrônomos têm como estudo principal as relações que existem entre os planetas, as estrelas e outros corpos celestes. O estudo dos geógrafos é limitado às relações espaciais entre os pontos do nosso planeta. Exemplos de estudos podem ser citados como o crescimento circunstancial de um aglomerado urbano dependente de um acidente geográfico fluvial e as circunstâncias da afetação da água do rio por influência urbana. Os profissionais da geografia olham de frente os seres humanos em suas relações de espaço, tal como os profissionais da história observam a biografia de um homem em suas relações de tempo.[15]

A preocupação dos geógrafos sempre foi saber a circunstância das relações dos seres humanos com o globo terrestre. Podem ser limitadas pelas condições da natureza as oportunidades de um homem, como em formações desérticas, ou ser oferecidas excelentes oportunidades de vida, como num vale fértil com condições favoráveis para a agricultura. As variações temporais, as erupções de vulcões e outras modificações no meio natural podem fazer com que as rotinas pessoais sejam afetadas. Mas também as próprias pessoas contribuem para as modificações geográficas. Entre as modificações podemos citar as queimadas florestais, o escavamento ou o represamento dos leitos dos rios e a erosão do solo. Os esforços compensadores para os danos que resultam essas alterações integram importantemente os movimentos de conservação da natureza.[15]

O estudo dos geógrafos inclui também as relações entre vários elementos. Exemplos podem ser citados a investigação da maneira que as populações da Região Nordeste do Brasil são dependentes das precipitações pluviométricas, e a ligação do clima com o solo nas regiões tropicais da África.[15]

Princípios geográficos[editar | editar código-fonte]

Extensão[editar | editar código-fonte]

A elaboração do princípio da extensão foi feita pelo alemão Friedrich Ratzel. O entendimento desse princípio é a circunstância comportamental de um território durante a seleção natural das espécies animais e vegetais, em outras palavras, um território em processo de desenvolvimento da sua economia, cultura e governo, precisa estabelecer sua expansão definitiva. A associação da ideia era relacionada à área territorial e o entendimento de Ratzel afirma que qualquer território se movimenta, ou cresce e desaparece.[18]

Também é de autoria de Ratzel a teoria elaborada por ele do determinismo geográfico. O entendimento dessa teoria afirma que o ser humano é resultante dos aspectos da natureza do lugar no qual desenrola sua vida, isto é, a determinação da natureza é a causa dos aspectos do ser humano.[18]

Por exemplo, por mais que o clima do Brasil seja tropical, onde muitas frutas nascem de forma natural e por esse motivo sua população tem escassez de esforço (determinismo), houve elevado crescimento econômico. Esse crescimento fará com que o domínio territorial do país atinja o Paraguai e o Uruguai, nação com grande agudeza crítica.[18]

Analogia[editar | editar código-fonte]

Os autores da princípio da analogia são Carl Ritter e Paul Vidal de La Blache. Por esses cientistas, foi criada a escola francesa de geografia. O entendimento desse princípio afirma que o dever da disciplina geográfica é a descrição de temas diferenciados como tipos climáticos, formações vegetais, acidentes geomorfológicos e atividades econômicas e dessa forma, o início da comparatividade. A ideia representava uma geografia com pretensões ausentes para um julgamento de uma nação, somente a comparação de um país em relação aos demais.[18]

Por exemplo, enquanto o clima do Brasil é majoritariamente tropical úmido em sua faixa litorânea, há possibilidade de que sejam plantadas as inúmeras frutas de maior tamanho e suculência, o clima da Europa é temperado e frio e esse tipo climático só é propício quando são plantadas as frutas pequenas, como amoras, cerejas e uvas nos lugares onde faz muito calor.[18]

Causalidade[editar | editar código-fonte]

A autoria do princípio da causalidade é de Alexander von Humboldt. O entendimento desse princípio é que qualquer causa provoca efeito; e que qualquer efeito provoca causa; a ocorrência das coisas em conformidade com a lei; a simplicidade do acaso é que se dá um nome a um não-reconhecimento da lei; há uma diversidade de planos de causalidade, mas não há escapamento da lei. Tudo o que é feito por alguém, pensado, sentindo qualquer desencadeamento de ação e reação por esses pensamentos, atitudes e sentimentos, é provocada uma resposta de consequência e subsequência.[18]

Conexidade[editar | editar código-fonte]

A elaboração do princípio da conexidade é de autoria de Jean Brunhes. A análise geográfica do princípio da conexidade tem origem na ligação entre campos de estudos e acontecimentos particulares que ocorreram na história.[18]

Por exemplo, o desmatamento da Zona da Mata Nordestina foi uma situação muito séria. Naquela época, a solução dos países da OPEP era a diminuição do petróleo produtivo no ano de 1973. Assim, houve incentivos do governo brasileiro para substituir a mata nativa original pela plantação de cana de açúcar para o desenvolvimento do álcool combustível.[18]

Atividade[editar | editar código-fonte]

A elaboração do princípio da atividade também é de autoria de Jean Brunhes. O entendimento desse princípio é o dever analítico da geografia para a vida real. Considera que os fatos permanecem e que a continuidade e não-interrupção existe na ligação entre a sociedade e a natureza.[18]

Por exemplo, a situação da desmatamento da Zona da Mata Nordestina foi muito séria e aparentemente perdurará sempre até o desaparecimento dos remanescentes da mata nativa original. Isso realmente acontece devido ao início do processo colonial do Brasil iniciou no litoral da Região Nordeste. O processo colonial deu origem à diversidade de municípios que são as atuais capitais estaduais, e a função da cana colonial e do pró-álcool na mudança da formação vegetal. O governo brasileiro terá a função de investir em grande quantidade na história da região, quanto for maior a capitalização regional, mais criação de empregos, maior atração pelo mercado consumidor das fábricas consumidoras de matérias-primas e ocupação de novos espaços, talvez em área de remanescentes da mata nativa original.[18]

Um âmbito interdisciplinar[editar | editar código-fonte]

Os elementos e processos que a geografia analisa também são estudados por outras disciplinas como a biológica, a geológica e a histórica. Entretanto, em contraposição à biologia, à geologia e à história, a geografia faz o exame dos processos e elementos de uma abordagem própria, levando em consideração as seguintes questões:[17]

  • Enfoque global: boa parte das disciplinas tem como objeto de estudo os fenômenos que ocorrem na superfície da Terra de maneira isolada. Em contraposição, a geografia leva em consideração o planeta como totalmente constituído de por vários componentes que se inter-relacionam. Portanto, qualquer um daqueles não é possível de entendimento sem que haja compreensão das suas ligações com os restos. O resultado desta interdependência é que toda diversificação em um dos elementos atinge o grupo em grande ou pequeno grau.
  • Escala: pela geografia é feita a análise da superfície da Terra com diferentes graus de detalhe (rua, bairro, cidade, estatoide, país, continente), fazendo a seleção dos elementos e as ligações de maior determinação para cada escala.[17]
  • Diferenciação espacial: a tentativa da geografia é a definição dos aspectos majoritários em cada lugar da superfície da Terra (tipo de povoamento, atividade econômica, clima, relevo), buscando de maneira simultânea elementos comuns que favoreçam a delimitação de áreas dotadas de homogeneidade (também denominadas regiões), e fazer a apresentação de diferenciais ou similitude que existem entre espaços que estão nas imediações ou distantes.[17]

Para representar os fenômenos distribuídos e localizados como objeto de estudo, são utilizados pela geografia os conhecimentos, os métodos científicos e as técnicas de outras disciplinas auxiliares, como a cartográfica, a econômica, a geológica, a botânica, a zoológica, a ecológica, a meteorológica, a estatística, o urbanística, a sociológica e a matemática, com as quais se relaciona de maneira estreita.[17]

A importância da Geografia[editar | editar código-fonte]

Curiosidade pela Terra[editar | editar código-fonte]

A curiosidade, ou seja, a vontade de saber sobre o nosso planeta Terra sempre têm incentivado o aprendizado dos seres humanos sobre geografia. É possível que a curiosidade de um ser humano esteja restrita à exploração do riacho nas imediações, ou ter muita força para buscar a resposta no fim do mundo. No momento da observação e viagem feitas pelos seres humanos, ganham seu conhecimento geográfico de maneira direta. Porém, somente uma pequena parte da população de um país tem a oportunidade de viajar para quaisquer lugares da Terra porque recebem muito dinheiro. Muitas pessoas necessitam ampliar seu conhecimento geográfico quando vão à biblioteca ler livros, dicionários especializados, enciclopédias, atlas, almanaques, jornais e revistas; estudar mapas; e ainda assistir filmes, acessar sites da Internet sobre assuntos geográficos, ver televisão ou então ouvir rádio.[15]

Desenvolvimento intelectual[editar | editar código-fonte]

O fato do homem desenvolver o intelecto recebe o auxílio do conhecimento geográfico. Pelos estudiosos é feito o estudo geográfico no ensino infantil, no ensino fundamental, no ensino médio e no ensino superior, por causa do auxílio estudantil destinado ao preparo dos estudantes para vidas úteis e, bem-sucedidas. Atualmente as pessoas tem a necessidade de pensamento em nível mundial, e pela geografia é fornecido um quadro para essa reflexão. As pessoas tem necessidade do conhecimento da localização e os aspectos dos mais importantes acidentes geográficos, naturais ou artificiais. Precisam ter familiaridade com as diferenciadas tipologias populacionais, profissionais, governamentais, climáticos, geomorfológicas, de recursos naturais e rotas de comércio ou de turismo do mundo inteiro. Os seres humanos precisam de dados geográficos feitos pelos especialistas a respeito do seu país, Estado, província, região ou cidade. Mesmo assim, devem estar conscientes do quanto são dependentes da terra e do quanto tem possibilidade ou direito de alteração do nosso planeta.[15]

A geografia pertence à educação. Ela fornece auxílio para as crianças e os adultos com o objetivo de leitura e compreensão juntos. Torna favorável a interpretação de artigos e gráficos em meios de comunicação como revistas e jornais, e o entendimento de mapas e fotografias de diversos lugares do mundo. E, o que é de suma importância, o conhecimento geográfico fornece auxílio às pessoas para a localização dos fatos históricos em seu ambiente geográfico.[15]

A cidadania inteligente[editar | editar código-fonte]

Há grande quantidade de problemas sociais que somente é de compreensão completa se tivermos determinado conhecimento geográfico. Nos assuntos à nível local ou nacional, tudo o que pode ser decidido a respeito sobre situações problemáticas como o abastecimento de água e a irrigação são decisões dependentes de um conhecimento de geografia. O acerto das fronteiras municipais também exige algum conhecimento da geografia regional.[15]

Pelo contrário, a cidadania inteligente vai muito além das fronteiras locais ou nacionais. Diretamente ou à maneira indireta, qualquer um de nós exerce uma função nas assuntos mundiais. Quaisquer país mantém relações comerciais com o restante do mundo e fornecem auxílio à formação da opinião mundial. Apenas com determinada quantidade de teorias geoeconômicas mundiais os seres humanos estarão aptos a assumir uma postura verdadeira que está relacionada ao ranking de seu país na atividade comercial mundial.[15]

Cooperação com outras áreas do conhecimento[editar | editar código-fonte]

O conhecimento e as metodologias de estudo da geografia são possíveis de serem usados em outras áreas do conhecimento, da mesma forma como outras áreas do conhecimento e métodos dão auxílio ao profissional da geografia. As pessoas que estudam geografia tem necessidade de conhecimento da história. Por sua vez, darão contribuição para as teorias sobre o passado dando ajuda para a localização de pessoas e fatos que ocorreram em seus lugares geográficos. Exemplificando, para ter o entendimento da Guerra de Canudos, tem que conhecer profundamente o relevo do Estado da Bahia.[15]

A geografia é responsável pela cooperação com demais áreas do conhecimento na análise de situações problemáticas como a conservação da fauna e da flora, a ligação do contingente populacional com os recursos financeiros, e a procedência e o espalhamento das espécies dos reinos Plantae e Animalia em todo o mundo.[15]

Contribuição para uma viagem inteligente[editar | editar código-fonte]

A sabedoria utilizada pela geografia dá a sua contribuição para as pessoas viajarem com inteligência e compensação. Descobre novos lugares do mundo conforme o desejo de visita da pessoa. A geografia tem o poder de observar claramente o que significam as pedras em formato circular que o turista pisa em cima quando está andando na margem do rio. Ou tem o poder de explicação da paisagem dos Andes, onde o viajante passa quando dirige-se viajando ao Peru, mas trata-se de uma tarefa perigosa para a saúde imunológica do esôfago humano, principalmente na hora da leitura de livros sobre o assunto, contribuindo negativamente para o regurgitamento de pratos típicos das culinárias boliviana e peruana, por ocasião do almoço de um turista num restaurante em La Paz, capital da Bolívia. A solução seria ler folhas de papel brancas impressas dos artigos da Wikipédia em português ou livros publicados pela PediaPress com conteúdo desses documentos.[15]

Na indústria e no comércio[editar | editar código-fonte]

A geografia possui valiosa importância prática em diversos campos industriais e comerciais. Exemplificando, os trabalhadores do setor industrial precisam ter conhecimento do lugar de onde são extraídas suas matérias-primas. Tem necessidade de conhecimento a respeito dos meios de transporte e das rotas de transporte, e os mercados que desejam prestar serviços necessários. O envio dos produtos aos comércios de determinados lugares tem o poder de exigência das embalagens especiais para evitar o estrago dessas mercadorias devido às chuvas de verão à aridez do deserto. Os camponeses são obrigados a ter minucioso conhecimento sobre o solo e a topografia de seus terrenos, e são obrigados a se familiarizar com o tempo e o clima.[15]

A função social[editar | editar código-fonte]

Uma imagem tradicional da disciplina geográfica é a de uma área do conhecimento cuja dedicação é a memorização dos topônimos de lugares e acidentes geográficos (países, territórios, capitais, municípios, estados, províncias, departamentos, distritos, bairros, povoados, vilas, comunidades, rios, montanhas, ilhas, arquipélagos, penínsulas, cordilheiras, serras, lagos, lagoas, baías, promontórios, praias, oceanos, mares, golfos, ferrovias, rodovias, hidrovias, fazendas, edifícios, condomínios, etc.). Este entendimento está inteiramente afastado da vida real de hoje.[15]

A geografia é uma disciplina socialmente importante, porque é o estudo das ligações entre a população e o território em que vive. Mas também, é a única disciplina que tem a capacidade de falar sobre os problemas espaciais a partir de um panorama global, pois leva em consideração os elementos complexos e as ligações ocorridas na superfície da Terra, tornando proporcional instrumentos de representação gráfica de todos os fenômenos ou atividades a serem desenvolvidas.[15]

O cosmos de Humboldt[editar | editar código-fonte]

A obra Cosmos foi publicada de 1845 até 1862. Esta obra é de autoria do geógrafo alemão Alexander von Humboldt. Von Humboldt compilou boa parte das sabedorias de geografia que existiam naquela época e fez diversos contributos de metodologia:[17]

  • Método comparativo: Von Humboldt fazia a comparação das paisagens especiais. Analisava as paisagens espaciais com as de outras regiões do nosso planeta. Von Humboldt fez isso para o encontro das relações generalistas e os elementos comuns que os originavam.[17]
  • Perspectiva histórica: Até o século XVIII a crença da ciência era a imobilidade da natureza. Entretanto, a estruturação da análise por Von Humboldt considerou a evolução do planeta. Isso se deve ao fato de que a história da Terra é a explicação de sua situação de hoje.[17]
  • Análise da distribuição espacial: É necessário para estudar como se inter-relacionam os diferenciados fenômenos da natureza que existem em nosso planeta. Os métodos de cartografia utilizado por Von Humboldt ainda estão em voga. Exemplos podemos citar as isotérmicas, que são linhas unidas e possuidoras da mesma média térmica.[17]

Geógrafo e Professor de Geografia[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o Geógrafo é o profissional que fez o Bacharelado em Geografia, legalmente habilitado através da Lei 6664/79, no qual remete-se ao registro no CREA- Conselho Regional de Engenharia e Agronomia - de seu estado.

A diferenciação profissional entre um Geógrafo e um Professor de Geografia é que o Geógrafo possui habilitação para emissão de pareceres técnicos, desde que regularmente associado ao CREA, assim como para a elaboração de EIA/RIMA, podendo também prestar concursos públicos para quadros estatais que precisem de bacharelados.

Já o professor de Geografia é o profissional que tem titulação de Licenciado em Geografia, podendo exercer legalmente apenas as funções de docência, do 6º ano ao 9º ano do Ensino Fundamental (antigas 5ª a 8ª série), e todo o Ensino Médio de uma mesma escola.

Para lecionar no Ensino Superior, tanto o licenciado quanto o bacharel, o requisito é um curso de mestrado, não necessariamente na Geografia, mas também nas áreas afins. A obrigatoriedade fica por conta de cada edital de concurso ou da política interna das universidades.

Historicamente, o geógrafo vem perdendo colocação no mercado de trabalho para o Engenheiro Ambiental e geólogo, devido à visão segmentada do conhecimento que o mercado exigiu nos últimos anos, pois o geógrafo não se compatibiliza com análises segmentadas e sim é capacitado para lidar com a visão de totalidade que envolve as análises das dinâmicas sócio-espaciais, seu principal objeto de estudo.

Apesar de nos últimos anos o próprio modo capitalista de produção ter contribuído para a segmentação do conhecimento, há uma tendência no mercado de trabalho onde é importante ter a capacitação de analisar a totalidade dos fenômenos de maneira interdisciplinar. Dessa forma o Geógrafo acaba sendo um importante profissional cada vez mais designado para coordenar equipes multidisciplinares devido a sua formação abrangente.

Contudo, os Geógrafos vem nesta última década, ganhando considerável espaço no mercado de trabalho no Brasil e no mundo, em função principalmente de novas tecnologias, que estão sendo aliadas para a conversão e produção de trabalhos em meio digital.

Frente ao Mercado de trabalho Atual no Brasil, alguns profissionais compartilham informações em comum, são estes os : Geógrafos, Engenheiros Agrimensores, Engenheiros Cartógrafos, principalmente.

No dia 29 de maio comemora-se o dia do geógrafo.

Métodos da geografia[editar | editar código-fonte]

Mapeamento e medições[editar | editar código-fonte]

O mapa é considerado o verdadeiro banco de dados do profissional da geografia. Como a disciplina geográfica é responsável por trabalhar com exemplos de onde fica, como se distribui, quais são os aspectos regionais e como se inter-relacionam os fenômenos no espaço geográfico, como se vê e mede acuradamente a superfície terrestre, do mesmo modo que registrar e localizar os lugares nos mapas são primordialmente importantes.[16]

De maneira comum, são utilizadas as medidas latitudinais e longitudinais para a localização de um lugar da superfície global. Apesar disso, sempre houve o esbarramento das medidas longitudinais nos fusos horários problemáticos (o "deslocamento" do Sol leva em média um grau a cada quatro minutos). O cronômetro aperfeiçoado foi a solução dessa problemática. No entanto, há muitos anos, pertencia à qualquer nação a propriedade de uma sistemática de numérica dos meridianos. O reconhecimento final de um acordo internacional de 1884 estabeleceu como primeiro meridiano (isto é, 0º de longitude) uma linha imaginária que se estende do pólo Norte ao pólo Sul, atravessando o Greenwich, nas imediações de Londres.[16]

As maiores distâncias medidas eram feitas, de maneira primitiva, em viagens prolongadas a , de camelo, a cavalo ou por por outros meios. Um modo prático de medição de distâncias pelas águas do mar se desenvolveu no século XVI, quando era jogado uma tora de madeira na água salgada e era feita a medição do tempo da cobertura de uma tora estacionária para a definição de uma determinada distância sobre a marcação de uma linha com nós. O controle da navegação por satélite artificial passou a ser comumente aceito no final do século XX. Todavia, para um navio veloz ainda é feita a medição em nós. A adoção do metro na França ocorreu no final do século XVIII e a substituição gradual das antigas unidades de medida em boa parte do mundo por volta dos séculos XIX e XX.[16]

As áreas pequenas podem ser mapeadas por uma metodologia a que se dá o nome de triangulação. Por exemplo, o uso da triangulação é feito nos mapas de topografia. É tomada uma linha referencial, a medição em todas as unidades, como um dos lados de um triângulo cujo cálculo de ambos os demais lados é feito pela medição dos ângulos em ambos os pontos extremos da linha referencial. A proporcionalidade dos ângulos favorece as medições com maior precisão do que os distanciamentos, através de instrumentos como o teodolito. A utilização desse método foi feita em que se realizaram grandes levantamentos na Europa e nas Américas entre os séculos XVIII e XX. A Terra foi representada de maneira completa, ou então por meio de projeções cartográficas próprias para a elaboração de mapas. Mas isso foi sempre uma problemática maior.[16]

Em 1492, foi concluído pelo navegador e profissional da geografia alemão Martin Behaim um globo terrestre construído. O seguimento e a orientação dos navios linha reta pelo desenho de mapas no plano não tiveram alcance à espera dos pontos. Foi criado por Mercator um sistema de projeção -- objeto de conhecimento como projeção de Mercator -- pelo qual os seguimentos dos navios através de linhas retas alcançavam a indicação dos pontos no mapa. Apesar de sua excelência em qualidade para a navegação, insuficiência do método não permitiu a maioria das comparações geográficas. Isso se deve ao fato de que a apresentação do tamanho das áreas em latitudes ora mais altas ora mais frias teve um aumento grosseiro. Exemplificando, a Groenlândia, tinha um a aparência muito grande do que a América do Sul. Por mais incrível que pareça, a fração da Groenlândia é inferior a um oitavo da área daquele subcontinente. Sob nenhuma característica pode ser feita a representação exata da Terra no papel, pois há necessidade de distorção do ângulo, da distância ou da escala. São utilizados pelos geógrafos modernos o desenho de mapas com o privilégio concedido à uma projeção das proporções das áreas. Porém, de qualquer maneira, a distorção da projeção adultera formas e distâncias, especialmente nas extremidades do mapa.[16]

Com o crescimento do saber especializado, a maneira como é medida o formato da Terra passou a fazer parte da disciplina a que se dá nome de geodésia. Os mapas construídos com a adequação das projeções teve evolução para a área da cartografia. A cartografia é uma disciplina cuja ocupação é representar os fenômenos espaciais acima de um plano, apesar da permanência dos mapas como os principais apetrechos geográficos nos gráficos representados e na grande quantidade de dados físicos, biológicos, históricos, econômicos, políticos e sociais. analisados. Além da cartografia, especialmente importante para o profissional da geografia, são também de fundamental importância a estatística e a informática.[16]

Aerofotogrametria e sensoriamento remoto[editar | editar código-fonte]

No século XX, foram feitos grandes avanços na superfície terrestre observada devido à aerofotografia empregada e, posteriormente, pela captação de imagens por meio de satélite. A primeira utilização teve início na época da Primeira Guerra Mundial e um novo campo profissional foi originado. Esse campo profissional tem por finalidade a interpretação das fotos. Hoje em dia, há um grande número de modalidades e aplicações da fotografia aérea, incluindo os raios infravermelhos a serem utilizados.[16]

Ainda de maior revolução foi a rapidez da evolução, desde o final dos anos 50 do século XX, do sensoriamento remoto feito através de satélites artificiais. O primeiro satélite feito para monitorar o clima foi o Nimbus. O satélite Nimbus teve seu lançamento em 1964. A partir daí, a combinação de seu uso em relação aos satélites de comunicação favorece a simultaneidade do estudo do clima em várias regiões do mundo. A contribuição dos satélites foi a determinação precisa do formato da Terra e muitas irregularidades que foram reveladas pelos satélites artificiais, propriamente ditos, não tiveram ainda reconhecimento.[16]

Campos relacionados[editar | editar código-fonte]

Técnicas geográficas[editar | editar código-fonte]

A geografia, em seus estudos para a compreensão do mundo, utiliza-se de alguns instrumentos essenciais para algumas de suas áreas. Produções como os mapas são a base para muitas das análises e observações realizadas pelos diversos campos, e a evolução das técnicas instrumentais acaba influenciando muito a evolução da própria geografia. Assim foi com o surgimento das imagens de sensoriamento remoto e os Sistemas de Informações Geográficas. Cada técnica instrumental acaba então fundando uma área da ciência para si própria.

Sistema de Informações Geográficas[editar | editar código-fonte]

Sistemas de Informações Geográficas (SIG) tratam do armazenamento de informações sobre a Terra para visualização e processamento através de um computador, de forma precisamente apropriada à informação que se deseja fornecer. Além de todas as outras subdisciplinas da geografia, especialistas em SIG precisam entender técnicas de computação e sistemas de banco de dados. O SIG revolucionou o campo da cartografia, e praticamente toda a fabricação de mapas de hoje em dia é feita com a ajuda de alguma forma de software SIG. SIG também se refere à ciência do uso de tais softwares e suas técnicas de representação, análise e previsão das relações espaciais.

Sensoriamento remoto[editar | editar código-fonte]

Sensoriamento remoto é a ciência da obtenção de informações sobre as características da Terra através de medições feitas à distância. Dados sensoreados remotamente vêm de várias maneiras como por imagens de satélite, fotografias aéreas e dados obtidos por sensores manuais. Geógrafos utilizam cada vez mais dados obtidos por sensoriamento remoto para conseguir informações sobre a superfície terrestre, o oceano e a atmosfera, pois esta técnica: a) fornece informações objetivas em várias escalas espaciais (de local a global), b) fornece uma visão sinóptica da área de interesse, c) permite o acesso a locais distantes e/ou inacessíveis, d) fornece informações espectrais fora da porção visível do espectro eletromagnético, e e) facilita o estudo de como as características e as áreas mudam através do tempo. Dados de sensoriamento remoto podem ser analisados tanto independentes como juntos de outras camadas digitais de dados (como por exemplo nos SIG).

Métodos geográficos quantitativos[editar | editar código-fonte]

A Geoestatística trata de análise quantitativa, especificamente a aplicação da metodologia estatística à exploração de fenômenos geográficos. Geoestatística é utilizada extensivamente em uma variedade de campos incluindo: hidrologia, geologia, exploração de petróleo, análises climáticas, planejamento urbano, logística e epidemiologia. A base matemática para a geoestatística deriva da análise de clusteres, análise linear discriminante e testes estatísticos não-paramétricos. Aplicações da geoestatística dependem muito dos Sistemas de Informações Geográficas, particularmente da interpolação (estimativa) de pontos não-medidos. Geógrafos têm feito contribuições notáveis ao método das técnicas quantitativas.

Métodos geográficos qualitativos[editar | editar código-fonte]

Métodos geográficos qualitativos, ou técnicas de pesquisa etnográficas são utilizados pelos geógrafos. Na geografia cultural há uma tradição do emprego de técnicas de pesquisa qualitativa, também utilizada na antropologia e na sociologia. Observações participativas e entrevistas em campo fornecem aos geógrafos humanos dados qualitativos.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Commons Categoria no Commons
Wikiversidade Cursos na Wikiversidade

Notas

  1. Os textos sul-americanos de Humboldt compreendem trinta volumes publicados em trinta anos. Compõem-se de livros científicos, atlas, tratados de geografia e economia sobre Cuba e o México, uma narrativa de suas viagens e um Examen critique de l'histoire de la géographie du Nouveau Continent (Exame crítico da história e da geografia do novo continente). Humboldt escreveu seus textos científicos em colaboração com outros cientistas. Dedicou o volume consagrado à geologia a seu amigo Goethe. Em seu Kosmos, cujo objetivo era de comunicar a excitação intelectual e a necessidade prática da pesquisa científica, ele descreve em cinco volumes todos os conhecimentos da época sobre os fenômenos terrestres e celestes.

Referências

  1. Dicionário Caldas Aulete da Língua Portuguesa. Verbete "Geografia" (em português). Visitado em 15 de agosto de 2012.
  2. EmDiv. Geografia - O Estudo da Terra (em português). Visitado em 26 de agosto de 2012.
  3. [1] DRAE. Consultado em 26 de dezembro de 2012.
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