Índia
| भारत गणराज्य Bhārat Gaṇarājya República da Índia |
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| Lema: "Satyameva Jayate" (Sânscrito) सत्यमेव जयते (Devanāgarī) "Só a verdade triunfa"1 |
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| Hino nacional: জন গণ মন (Jana Gana Mana)
("Curvo-me a ti, Mãe")3 |
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| Gentílico: Indiano(a) | |
Localização da Índia (em verde escuro) e reivindicações territoriais na disputada região da Caxemira (em verde-claro). |
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| Capital | Nova Délhi |
| Cidade mais populosa | Bombaim |
| Língua oficial | Hindi, inglês e mais 21 línguas nacionais. |
| Governo | República federal4 Democracia parlamentar5 |
| - Presidente | Pranab Mukherjee |
| - Primeiro-ministro | Manmohan Singh |
| Independência | do Reino Unido |
| - Declarada | 15 de agosto do 1947 |
| - República | 26 de janeiro de 1950 |
| Área | |
| - Total | 3 287 590 km² (7.º) |
| - Água (%) | 9,56 |
| Fronteira | Paquistão, República Popular da China, Nepal, Butão, Mianmar e Bangladexe |
| População | |
| - Estimativa de 2011 | 1 210 193 4224 hab. (2.º) |
| - Censo 2001 | 1 027 015 248 hab. |
| - Densidade | 329 hab./km² |
| PIB (base PPC) | Estimativa de 2011 |
| - Total | US$ 4,469 trilhões*6 (3.º) |
| - Per capita | US$ 3.703 (129.º) |
| PIB (nominal) | Estimativa de 2011 |
| - Total | US$ 1,843 trilhão* (10.º) |
| - Per capita | US$ 1.527 (133.º) |
| IDH (2012) | 0,554 (136.º) – médio7 |
| Gini (2004) | 36,8 |
| Moeda | Rupia indiana (₹) (INR) |
| Fuso horário | IST (UTC+5:30) |
| Org. internacionais | ONU (OMC), G5 |
| Cód. Internet | .in |
| Cód. telef. | +91 |
| Website governamental | india.gov.in |
Índia, oficialmente República da Índia, (em hindi: भारत गणराज्य, Bhārat Gaṇarājya), é um país da Ásia Meridional. É o sétimo maior país em área geográfica, o segundo país mais populoso e a democracia mais populosa do mundo. Delimitado ao sul pelo Oceano Índico, pelo mar da Arábia a oeste e pela Baía de Bengala a leste, a Índia tem uma costa com 7.517 km.8 O país é delimitado pelo Paquistão a oeste;nota 1 pela República Popular da China, Nepal e Butão no norte e por Bangladesh e Mianmar a leste. Os países insulares do Oceano Índico, o Sri Lanka e Maldivas, estão localizados bem próximos da Índia.
Lar da Civilização do Vale do Indo, de rotas comerciais históricas e de vastos impérios, o subcontinente indiano é identificado por sua riqueza comercial e cultural de grande parte da sua longa história.9 Quatro grandes religiões, hinduísmo, budismo, jainismo e sikhismo, originaram-se no país, enquanto o zoroastrismo, o judaísmo, o cristianismo e o islamismo chegaram no primeiro milênio d.C. e moldaram a diversidade cultural da região. Anexada gradualmente pela Companhia Britânica das Índias Orientais no início do século XVIII e colonizada pelo Reino Unido a partir de meados do século XIX, a Índia se tornou uma nação independente em 1947 após uma luta pela independência que foi marcada pela extensão da resistência não-violenta.10
A Índia é uma república composta por 28 estados e sete territórios da união com um sistema de democracia parlamentar. O país é a décima maior economia do mundo em Produto Interno Bruto (PIB) nominal, bem como a terceira maior do mundo em PIB medido em Paridade de Poder de Compra. As reformas econômicas feitas desde 1991 transformaram o país em uma das economias de mais rápido crescimento do mundo;11 no entanto, a Índia ainda sofre com altos níveis de pobreza,12 analfabetismo, doenças e desnutrição. Uma sociedade pluralista, multilingue e multiétnica, a Índia também é o lar de uma grande diversidade de animais selvagens e de habitats protegidos.
Índice |
Etimologia [editar]
O nome Índia é derivado de Indus, que é derivado da palavra Hindu, em persa antigo. Do sânscrito Sindhu, a denominação local histórica para o rio Indus.13 Os gregos clássicos referiam-se aos indianos como Indoi (Ινδοί), povos do Indus14 A constituição da Índia e o uso comum em várias línguas indianas igualmente reconhecem Bharat como um nome oficial de igual status.15 Hindustão (ou Indostão), que é a palavra persa para a “terra do Hindus” e historicamente referida ao norte da Índia, é também usada ocasionalmente como um sinônimo para toda a Índia.16
História [editar]
Antiguidade [editar]
Os primeiros restos de humanos anatomicamente modernos encontrados no sul da Ásia datam de aproximadamente 30.000 anos atrás.17 Sítios arqueológicos com arte rupestre do Mesolítico foram encontrados em muitas partes do subcontinente indiano, como nos abrigos na Rocha de Bhimbetka, em Madhya Pradesh.18 Por volta de 7000 a.C., os primeiros assentamentos neolíticos conhecidos apareceram no subcontinente em locais como Mehrgarh e outros no Paquistão ocidental.19 Estes locais gradualmente desenvolveram a Civilização do Vale do Indo,20 a primeira cultura urbana da Ásia Meridional;21 essa cultura floresceu entre 2500 e 1900 a.C. no Paquistão e no oeste da Índia.22 Centrada em torno de cidades como Mohenjo-daro, Harappa, Dholavira e Kalibangan, e contando com variadas formas de subsistência, a civilização desenvolveu uma produção robusta de artesanatos e um amplo comércio.21
Durante o período de 2000-500 a.C, em termos de cultura, muitas regiões do subcontinente fizeram a transição do Calcolítico para a Idade do Ferro.23 Os Vedas, as escrituras mais antigas do hinduísmo,24 foram compostos durante esse período25 e os historiadores têm conectado os textos à cultura védica, localizada na região do Panjabe e na Planície Indo-Gangética.23 A maioria dos historiadores também consideram este período abrangeu várias ondas de migração indo-ariana no subcontinente, de norte a oeste.26 24 27 O sistema de castas, que criou uma hierarquia de sacerdotes, guerreiros e camponeses livres, mas que excluiu os povos indígenas, ao rotular suas ocupações como "impuras", surgiu durante este período.28 Sobre o planalto Decão, evidências arqueológicas deste período sugerem a existência de um estágio patriarcal de organização política.23 No sul da Índia, uma progressão para a vida sedentário é indicada pelo grande número de monumentos megalíticos que datam deste período,29 bem como por traços próximas da agricultura, tanques de irrigação e de tradições de artesanato.29
No período védico, por volta do século V a.C., as pequenas tribos do Planalto do Ganges e de regiões do noroeste haviam se consolidado em 16 grandes oligarquias e monarquias que eram conhecidas como os mahajanapadas.30 31 A urbanização crescente e as ortodoxias desta época também criaram os movimentos de reforma religiosa do budismo e do jainismo,32 sendo que ambos se tornaram religiões independentes.33 O budismo, com base nos ensinamentos de Gautama Buda atraiu seguidores de todas as classes sociais, com exceção da classe média; narrar a vida de Buda foi fundamental para o início do registro da história indiana.32 34 35 O jainismo entrou em destaque na mesma época durante a vida de seu "Grande Herói", Mahavira.36 Em uma época de crescente riqueza urbana, ambas as religiões levantaram a renúncia aos bens materiais como um ideal37 e ambas estabeleceram monastérios de longa data.30 Politicamente, por volta do século 3 a.C., o reino de Magadha tinha anexado ou reduzido outros estados para emergir como o Império Maurya.30 Já que acreditou-se que esse império controlou a maior parte do subcontinente com exceção do extremo sul, mas agora acredita-se que as suas regiões centrais eram separadas por grandes áreas autônomas.38 39 Os reis maurya são conhecidos tanto pela construção do seu império e determinação na gestão da vida pública, quanto pela renúncia de Asoka do militarismo e de sua promoção do darma budista.40 41
A literatura sangam, feita em tâmil, revela que entre 200 a.C. e 200 d.C. o sul da península estava sendo governado pelas dinastias Cheras, Cholas e Pandyas, que comercializavam extensivamente com o Império Romano e com o Sudoeste e o Sudeste da Ásia.42 43 No norte da Índia, o hinduísmo afirmou controle patriarcal familiar, o que levou ao aumento da subordinação das mulheres.44 30 Até os séculos IV e V, o Império Gupta havia criado um complexo sistema fiscal e de administração nos grandes planaltos do Ganges, que se tornou um modelo para reinos indianos posteriores.45 46 Sob o governos dos Guptas, um hinduísmo renovado baseado na devoção ao invés da gestão do ritual começou a se estabelecer.47 A renovação se refletiu em um florescimento da escultura e da arquitetura, que encontrou patronos entre uma elite urbana.46 A literatura sânscrita clássica floresceu e a ciência, astronomia, medicina e matemática indianas tiveram avanços significativos.46
Idade média [editar]
A idade medieval indiana, de 600 d.C. a 1200 d.C., é definida por reinos regionais e pela diversidade cultural.48 Quando o imperador Harsha de Kannauj, que governou grande parte da Planície do Ganges de 606 a 647 E.C., tentou expandir seu território para o sul, ele foi derrotado pelo governante Chalukya do Decão.49 Seu sucessor, na tentativa de expandir para o leste, foi derrotado pelo rei Pala de Bengala.49 Quando os Chalukyas tentaram se expandir para o sul, eles foram derrotados pelos Pallavas, que por sua vez se opunham aos Pandyas e aos Cholas de ainda mais ao sul.49 Nenhum governante desse período foi capaz de criar um império e as terras constantemente não controlando muito além de sua região central.48 Durante este tempo, povos de pastoreio cujas terras tinham sido liberado para abrir caminho para a economia agrícola crescente foram acomodados dentro do sistema de castas, assim como as novas classes dominantes não-tradicionais.50 O sistema de castas, consequentemente, começou a mostrar as diferenças regionais.50
Nos séculos sexto e sétimo, os primeiros hinos devocionais foram criados na língua tâmil.51 Eles foram imitados por toda a Índia e levou ao ressurgimento do hinduísmo e ao desenvolvimento de todas as línguas modernas do subcontinente.51 A realeza indiana, grandes e pequenos, e os templos por ela frequentados, atraiu cidadãos em grande número para as principais cidades, que tornaram-se também importantes centros econômicos.52 Templos em cidades de vários tamanhos começaram a aparecer em todos os lugares conforme a Índia passava por outra era de urbanização.52 Pelos séculos VIII e IX, os efeitos foram sentidos no Sudeste da Ásia, conforme os sistemas culturais e políticos do sul da Índia eram exportados para terras que se tornaram parte dos atuais Myanmar, Tailândia, Laos, Camboja, Vietnã, Malásia e Java (Indonésia).53 Comerciantes, estudiosos, e às vezes exércitos indianos envolveram-se nesta transmissão cultural; os asiáticos do sudeste do continente também tomaram a iniciativa e organizaram muitas peregrinações para os seminários indianos e traduziram os textos budistas e hindus para os seus idiomas.53
Após o século X, clãs nômades muçulmanos do centro da Ásia, usaram cavalaria de guerra e organizaram vastos exércitos unidos pela etnia e religião para repetidamente invadir as planícies do noroeste da Ásia Austral, levando à criação do islâmico Sultanato de Déli em 1206.54 O sultanato controlou grande parte do norte da Índia e fez muitas incursões ao sul do subcontinente. Embora tenha sido perturbador para as elites indianas, o sultanato deixou a vasta população não-muçulmana sujeita às suas próprias leis e costumes.55 56 Ao repelir repetidamente os invasores mongóis no século XIII, o sultanato salvou a Índia da devastação experimentada pela Ásia Central e Ocidental, criando o cenário para séculos de migração de soldados, homens instruídos, místicos, comerciantes, artistas e artesãos em fuga daquelas regiões para o subcontinente indiano, criando assim uma cultura indo-islâmica sincrética no norte do país.57 58 A invasão do sultanato e o enfraquecimento dos reinos da região do sul da Índia abriram o caminho para o Império Vijayanagara.59 Abraçando uma forte tradição xivaísta e construído sobre a tecnologia militar do sultanato, o império passou a controlar a maior parte peninsular da Índia60 e foi influente na sociedade do sul do país por muito tempo depois.59
Era moderna [editar]
No início do século XVI, no norte da Índia, na época sob domíio principalmente muçulmano,61 caiu novamente para a mobilidade e o poder de fogo superiores de uma nova geração de guerreiros da Ásia Central.62 O subsequente Império Mogol não erradicou as sociedades locais que passou a governar, mas as equilibrou e pacificou através de novas práticas administrativas63 64 e de elites dominantes diversas e inclusivas,65 levando a uma lei mais sistemática, centralizada e uniforme por todo o império.66 Evitando sua identidade tribal e islâmica, especialmente durante o governo de Akbar, os mogols uniram seus reinos distantes através da lealdade, expressa através de uma cultura influenciada pela Pérsia e de um imperador que tinha importância quase divina.65 As políticas econômicas do Estado Mogol tirava a maior parte das receitas do império da agricultura67 e determinava que os impostos deviam ser pagos em moedas de prata oficiais,68 o que causou a entrada de camponeses e artesãos para mercados maiores.66 A relativa paz mantida pelo império durante grande parte do século XVII foi um dos fatores da expansão econômica da Índia nesse período,66 resultando em investimentos maiores em pintura, obras literárias, têxteis e de arquitetura.69 Novos grupos sociais homogêneos no norte e no oeste da Índia, como os marathas, os rajputs e sikhs, ganharam ambições militares e de governo durante o domínio mogol, que, através da colaboração ou da adversidade, deu-lhes reconhecimento e experiência militar.70 A expansão do comércio durante o governo mogol deu origem à novas elites comerciais e políticas na Índia ao longo das costas do sul e do leste do país.70 À medida que o império se desintegrou, muitas dessas elites foram capazes de buscar e controlar seus próprios negócios.71
No início do século XVIII, com a linha entre a dominação comercial e política cada vez mais ténue, uma série de empresas comerciais europeias, como a Companhia Britânica das Índias Orientais, haviam estabelecido postos nas regiões costeiras.72 73 O controle dos mares, maiores recursos e treinamento militar mais avançado e a tecnologia levou a Companhia Britânica das Índias Orientais a flexionar cada vez mais a sua força militar e tornou isso atraente para uma parcela da elite indiana; esses dois fatores foram cruciais para permitir que a Companhia Britânica ganhasse o controle sobre a região de Bengala em 1765 e marginalizasse as outras empresas europeias concorrentes74 72 75 76 O acesso maior às riquezas da Bengala e o subsequente aumento da força e do tamanho de seu exército permitiram à Companhia das Índias Orientais anexar ou subjugar a maior parte do subcontinente indiano durante os anos 1820.77 A Índia então parou de exportar bens manufaturados e, em vez disso, passou a abastecer o Império Britânico com matérias-primas. Esse momento é considerado por muitos historiadores o início do período colonial no país.72 Por esta altura, com seu poder econômico severamente restringido pelo parlamento britânico, a Companhia começou a entrar mais conscientemente em áreas não-econômicos, como educação, reforma social e cultura.78
Era contemporânea [editar]
Os historiadores consideram que a era contemporânea da Índia começou em algum momento entre 1848 e 1885. A nomeação, em 1848, de James Broun-Ramsay, o Lord Dalhousie, como governador-geral do Companhia das Índias Orientais preparou o palco para alterações essenciais na transição do país para um Estado moderno. Estas mudanças incluíram a consolidação e a demarcação da soberania, a vigilância da população e a educação dos cidadãos. Mudanças tecnológicas — como as ferrovias, canais e o telégrafo — foram introduzidas no país não muito tempo após a sua introdução na Europa.79 80 81 82 No entanto, a insatisfação com a Companhia também cresceu durante este período e definiu a Revolta dos Sipais, em 1857. Alimentada por diversos ressentimentos e percepções entre a população, como as invasivas reformas sociais ao estilo britânico, altos impostos sobre propriedades e o tratamento sumário de alguns príncipes e fazendeiros ricos, a revolta abalou muitas regiões do norte e do centro da Índia e sacudiu os alicerces do governo da Companhia.83 84 Embora a rebelião tenha sido reprimida em 1858, ela levou à dissolução da Companhia das Índias Orientais e a administração da Índia passou a ser exercida diretamente pelo governo britânico. Além de proclamarem um Estado unitário e um sistema parlamentarista limitado, inspirado pelo parlamento britânico, os novos governantes também protegeram príncipes e aristocratas como uma salvaguarda contra uma possível agitação feudal futura.85 86 Nas décadas seguintes, a vida pública emergiu gradualmente em toda a Índia, levando à fundação do partido Congresso Nacional Indiano, em 1885.87 88 89 90
A corrida tecnológica e a comercialização da agricultura na segunda metade do século XIX foi marcada por muitos contratempos econômicos — muitos pequenos produtores tornaram-se dependentes dos caprichos de mercados distantes.91 Houve um aumento no número de grandes crises de fome de larga escala92 e, apesar dos riscos do desenvolvimento de uma infraestrutura suportada pelos contribuintes indianos, pouco emprego industrial foi gerado para a população.93 Houve também efeitos salutares: cultivos comerciais, especialmente na região recém canalizada do Punjabe, levaram a um aumento da produção de comida para o consumo interno.94 A rede ferroviária, desde o alívio da crise de fome,95 ajudou a reduzir o custo dos bens móveis95 e auxiliou a nascente indústria indiana.94
Após a Primeira Guerra Mundial, onde alguns milhares de indianos serviram,96 um novo período começou. Ele foi marcado por reformas britânicas, mas também por uma legislação repressiva; por reivindicações cada vez mais estridentes da população indiana por independência e pelo começo de um movimento não-violento de não-cooperação, do qual Mohandas Karamchand Gandhi se tornaria o líder e símbolo de resistência.97 Durante os anos 1930, uma lenta reforma legislativa foi promulgada pelos britânicos e o Congresso Nacional Indiano saiu vitorioso nas eleições seguintes.98 A década posterior foi cheia de crises: a participação indiana na Segunda Guerra Mundial, o impulso final do Congresso para a não-cooperação com os britânicos e uma onda de nacionalismo muçulmano. Todos foram coroados com o advento da independência em 1947, mas ao custo de uma sangrenta divisão do subcontinente em dois Estados: a Índia e o Paquistão.99
Vital para a auto-imagem da Índia como uma nação independente foi a sua constituição, concluída em 1950, que colocou no lugar da antiga colônia britânica uma república secular e democrática.100 Nos 60 anos seguintes, a Índia teve um resultado misto de sucessos e fracassos.101 Manteve-se uma democracia com liberdades civis, uma Suprema Corte ativista e uma imprensa, em grande parte, independente.101 A liberalização econômica, que teve início na década de 1990, criou uma grande classe média urbana e transformou a Índia em uma das economias de mais rápido crescimento no mundo, o que aumentou a influência geopolítica do país. Filmes, músicas e ensinamentos espirituais indianos desempenham um papel cada vez maior na cultura mundial.101 No entanto, a Índia também tem sido oprimida por uma pobreza aparentemente inflexível, tanto o meio rural quanto no urbano;101 pela violência religiosa e entre castas;102 por grupos insurgentes de inspiração maoista chamados naxalitas;103 e pelo separatismo em Jammu e Caxemira e no Nordeste da Índia.104 O país tem disputas territoriais não resolvidas com a China, que se deterioraram até a guerra sino-indiana de 1962;105 e com o vizinho Paquistão, em guerras travadas em 1947, 1965, 1971 e 1999.105 A rivalidade nuclear entre a Índia e o Paquistão veio à tona em 1998.106 As liberdades democráticas sustentadas da Índia são únicas entre as novas nações do mundo; no entanto, apesar de seus sucessos econômicos recentes, a liberdade de sua população desfavorecida continua a ser um objetivo a ser alcançado.107
Geografia [editar]
A Índia ocupa a maior parte do subcontinente indiano, onde se encontra em cima da placa tectônica indiana, uma placa menor da placa indo-australiana.108 Os processos geológicos que definiram a atual situação geográfica da Índia começaram há setenta e cinco milhões de anos, quando o subcontinente indiano e, por continuação, parte do subcontinente Gondwana começaram a se mover a partir do nordeste através do que posteriormente se converteria em Oceano Índico.108 A colisão superior do subcontinente com a placa euro-asiática e a subducção debaixo dela deram lugar ao Himalaia, sistema montanhoso mais alto do planeta, que atualmente é a fronteira da Índia a norte e a noroeste.108 O antigo leito marinho que emergiu imediatamente o sul da Himalaia fez com que o movimento da placa criasse uma grande depressão, que foi sendo levada pouco a pouco por sedimentos propagados nos rios,109 que atualmente constitui a Planície Indo-Gangética.110 A oeste desta planície encontra-se o deserto de Thar, separada pela cordilheira Avaralli.111
A placa original indiana corresponde hoje ao subcontinente indiano, sendo também a parte mais antiga e estável da Índia, que se estende desde o norte, com as cordilheiras Satpura e Vindhya no centro. Estas cordilheiras paralelas vão desde a costa do Mar Arábico no estado de Gujarat até o planalto de Chota Nagpur no estado de Jharkhand.112 No sul, o planalto de Decã contém à esquerda e à direita os Gates Ocidentais e Orientais;113 o planalto contém as formações rochosas mais antigas do território, algumas com mais de cem mil anos de idade. Os pontos extremos do país se localizam a 6° 43' e 39° 26 'de latitude norte[c] e 68°7' e 89°25' de longitude leste.114
A Índia tem 7 517 quilômetros de litoral, destes 5 423 pertencem ao subcontinente indiano e 2 094 pertencem ao Andamão, Nicobar e Laquedivas.8 Segundo dados, a costa indiana tem 43% de praias arenosas, 11% de costas rochosas (incluindo falésias) e 46% de marismas ou costas pantanosas.8 Os principais rios têm sua origem na cordilheira Himalaia, como o Ganges e o Brahmaputra, que desembocam no Golfo de Bengala.115 Entre os afluentes mais importantes do Ganges encontram-se os rios Yamuna e o Kosi, cuja pendente extremamente baixa provoca inundações catastróficas quase ou todos os anos. Os rios peninsulares mais importantes cujas pendentes que evitam inundações são o Godavari, o Mahanadi, o Kaveri e o Krishna, que também desembocam no golfo de Bengala;116 e os rios Narmada e Tapti, que desembocam no Mar Arábico.117 Na costa oeste, encontram-se também os pântanos do Rann de Kutch, enquanto no leste há a área protegida de Sundarbans, que a Índia divide com Bangladesh.118 A Índia possui dois arquipélagos: Laquedivas, atóis de corais na costa sudoeste indiana e as ilhas de Andamão e Nicobar, cadeias de ilhas vulcânicas no Mar de Andamão.119
O clima indiano está fortemente influenciado pelo Himalaia e deserto de Thar, os quais favorecem o desenvolvimento das monções.120 O Himalaia barra a entrada de ventos catabáticos frios, vindos da Ásia Central, mantendo a maior parte do subcontinente indiano mais quente do que a maioria das localidades que se localizam em latitudes similares.121 122 O deserto de Thar desempenha um papel crucial para atrair ventos de monção carregados de umidade desde o sudoeste, os quais entre junho e outubro proporcionam a maioria das precipitações do país.120 As zonas climáticas principais que predominam em território indiano são o tropical úmido, tropical seco e o subtropical úmido.123
Flora e fauna [editar]
O território indiano se encontra dentro da biorregião himalaia, que apresenta grandes amostras de biodiversidade. Como é um dos dezoito países megadiversos, acolhe 7,6% de todos os mamíferos, 12,6% de todas as aves, 6,2% de todas os répteis, 4,4% de todos os anfíbios, 11,7% de todos os peixes e 6% de todas as espermatófitas do mundo.124 Em muitas regiões indianas existem altos níveis de endemismo; em geral, 33% das espécies indianas são endêmicas.125 126
Os bosques da Índia variam de florestas úmidas nas ilhas de Andamão, Gates Ocidentais e noroeste indiano, até bosques frios do Himalaia. Entre esses extremos encontram-se os bosques caducifólios da Índia Oriental; o bosque caducifólio no centro-sul e o bosque xerófito do Decã central e a planície ocidental do Ganges.127 Estima-se que menos de 12% da massa da Índia Continental esteja coberta por densos bosques.128 Entre as árvores mais importantes da Índia encontram-se o neem medicinal, usado amplamente em zonas rurais para a fitoterapia e elaboração de remédios caseiros.
Muitas espécies da Índia são descendentes de táxons originários de Gondwana, que se desmembrou da placa tectônica indiana. O movimento posterior da placa até o subcontinente indiano e a colisão com a massa de terra da Laurásia deu início a um intercâmbio massivo das espécies. Entretanto, o vulcanismo e as mudanças climáticas registrados há mais de vinte milhões de anos provocaram a perda de milhares de espécies endêmicas da Índia.129 A partir de então, vários mamíferos ingressaram à Índia desde a Ásia por meio de dois passos zoogeográficos a ambos os lados dos emergentes do Himalaia.127 Em consequência, apenas 12,6% dos mamíferos e 4,6% das aves são espécies endêmicas, em contraste com 45,8% dos répteis e 55,8% de anfíbios endêmicos.124 Na Índia existem 172 espécies ameaçadas, ou 2,9%.130 Entre elas encontram-se o leão-asiático, o tigre-de-bengala e o Gyps bengalensis, que está quase ameaçado de extinção após ingerir carne de gado tratada com diclofenaco.131
Nas últimas décadas, as invasões humanas criaram uma ameaça à vida silvestre da Índia, em resposta, o sistema de áreas protegidas e parques nacionais, estabelecido pela primeira vez em 1935, que foi ampliado consideravelmente. Em 1970, o governo indiano decretou a Lei de proteção da vida silvestre132 e o Projeto Tigre, para proteger o habitat crucial deste animais, além de em 1980 ter sido decretada a lei de conservação dos bosques.133 Junto com mais de quinhentas espécies da vida silvestre, na Índia treze reservas biosféricas,134 quatro das quais fazem parte da rede mundial de reservas da biosfera. Cerca de vinte e cinco zonas de umidade estão registrados na Convenção sobre as Zonas Úmidas.135
Demografia [editar]
Com uma população de mais de um bilhão de habitantes,136 a Índia é o segundo país mais populoso do mundo. Nos últimos cinquenta anos, o país tem vivido um rápido aumento em sua população urbana devido, em grande parte, aos avanços médicos e aos aumentos massivos da produtividade agrícola pela "revolução verde".137 138 A população urbana da Índia aumentou onze vezes durante o século XX e vem se concentrando cada vez mais nas grandes cidades. Em 2001, 35 cidades indianas tinha sua população igual ou superior a um milhão de habitantes, onde as três cidades mais populosas (Bombaim, Deli e Calcutá), sozinhas, tinham mais de dez milhões de habitantes. Porém, nesse mesmo ano 70% da população indiana vivia em áreas rurais.139 140
A Índia é a segunda entidade geográfica com maior diversidade cultural, linguística e e genética, depois da África.141 A Índia é o lugar de duas grandes famílias linguísticas: a indo-ária (falado por aproximadamente 74% da população) e a dravídica (falada por aproximadamente 24%). Outras línguas faladas na Índia provêm das línguas austro-asiáticas e tibeto-birmanesas. O hindi (ou híndi) conta com o maior número de falantes142 e é a língua oficial da república.143 O inglês é utilizado amplamente em negócios e na administração e tem o status de "idioma oficial subsidiário" também é importante na educação, especialmente no ensino médio superior.144
Cada estado e território da união tem seus próprios idiomas oficiais, e a constituição reconhece outras 21 línguas como oficiais que são faladas por um importante setor da população ou são parte da herança histórica indiana, denominadas de "línguas clássicas". Enquanto o sânscrito e o tamil têm sido consideradas como línguas clássicas por muitos anos,145 146 o governo indiano também tem concedido o status de língua clássica ao kannada e ao telugu utilizando seus próprios critérios.147 O número de dialetos na Índia chega a mais de 1 652.148
Mais de oitocentos milhões de indianos (80,5 % da população) são hindus. Outros grupos religiosos com presença no país são muçulmanos (13,4 %), cristãos (2,3 %), siquistas (1,9 %), budistas (0,8 %), jainistas (0,4 %), judeus, zoroastristas, entre outros.149 Os adivasi constituem 8,1 % da população.150 A Índia tem a terceira maior população muçulmana do mundo e a maior população muçulmana para um país de maioria não-muçulmana.
A taxa de alfabetização no país é de 64,8% (53,7% para as mulheres e 75,3% para os homens)4 O estado com o maior índice de alfabetização é Kerala, como 91%, enquanto Bihar tem a menor taxa, com apenas 47%.151 152 O índice de masculinidade é de cada 944 homens para cada mil mulheres, enquanto que a taxa de crescimento demográfico anual é de 1,38%: a cada ano, são registrado 22,01 nascimentos para cada mil pessoas.4 Segundo a Organização Mundial de Saúde, a cada ano morrem novecentos mil indianos por beberem água em mal-estado e inalarem ar contaminado.153 A malária é endêmica na Índia.154 Existem cerca de sessenta médicos para cada cem mil pessoas no país.155
Cidades mais populosas [editar]
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Cidades mais populosas da Índia (estimativas de 2009 do World Gazetteer)156 |
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Bombaim Déli |
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| Posição | Cidade | Estado | Pop. | Posição | Cidade | Estado | Pop. | Bangalore Calcutá |
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| 1 | Bombaim | Maharashtra | 13 922 125 | 11 | Jaipur | Rajastão | 3 102 808 | ||||
| 2 | Déli | Délhi | 12 259 230 | 12 | Lucknow | Uttar Pradesh | 2 685 528 | ||||
| 3 | Bangalore | Karnataka | 5 310 318 | 13 | Nagpur | Maharashtra | 2 403 239 | ||||
| 4 | Calcutá | Bengala Ocidental | 5 080 519 | 14 | Patna | Bihar | 1 814 012 | ||||
| 5 | Chennai | Tamil Nadu | 4 590 267 | 15 | Indore | Madhya Pradesh | 1 811 513 | ||||
| 6 | Hiderabade | Andhra Pradesh | 3 913 793 | 16 | Bhopal | Madhya Pradesh | 1 811 513 | ||||
| 7 | Ahmedabad | Guzerate | 3 913 793 | 17 | Thane | Maharashtra | 1 739 697 | ||||
| 8 | Pune | Maharashtra | 3 337 481 | 18 | Ludhiana | Punjabe | 1 701 212 | ||||
| 9 | Surate | Gujarate | 3 233 988 | 19 | Agra | Uttar Pradesh | 1 638 209 | ||||
| 10 | Kanpur | Uttar Pradesh | 3 144 267 | 20 | Pimpri Chinchwad | Maharashtra | 1 553 538 | ||||
Política [editar]
A Índia é a democracia mais populosa do mundo.157 158 Durante muito tempo após a independência, o governo indiano foi dirigido pelo Partido do Congresso Nacional Indiano.141 As políticas estaduais são dominadas por vários partidos nacionais, incluindo o INC, o partido comunista (marxista) e outros partidos regionais. Entre 1950 e 1990, com exceção de alguns períodos, o INC disfrutou de uma maioria parlamentar, saindo do poder entre 1977 e 1980, quando o partido Janata ganhou a eleição, devido em parte ao descontentamento geral com a declaração do estado de emergência por parte da então primeira-ministra Indira Gandhi. Em 1989, uma coalizão de frente nacional dirigida pelo partido "Janata Dal", em aliança com uma coalizão de frente esquerda ganhou as eleições, mas esteve no poder durante apenas dois anos.159 Nas eleições de 1991 nenhum partido político obteve a maioria absoluta, o INC formou um governo de minoria baixa sob o comando do primeiro-ministro P. V. Narasimha Rao, que permaneceu no poder por cinco anos.160
Entre 1996 e 1998, ocorreu um forte período de agitação no governo federal com várias alianças de curta duração, tentando estabilizar a Índia. Brevemente, o BJP chegou ao governo em 1996, seguida por uma coalizão de frente unida que excluiu tanto o BJP quanto o INC. Em 1998, o BJP formou com outros partidos menores a Aliança Democrática Nacional, que obteve vitória e se converteu no primeiro governo não congressista por um mandato completo de cinco anos.161 Nas eleições gerais de 2004, o INC ganhou a maioria das cadeiras no Lok Sabha e formou um governo de coalização denominada de Aliança Progressista Unida (UPA), apoiada por diversos partidos de esquerda e membros de oposição ao BJP. A UPA chegou novamente ao poder nas eleições gerais de 2009, entretanto, a representação dos partidos de esquerda dentro da coalizão foi reduzida significativamente,162 Manmohan Singh foi convertido em primeiro-ministro, sendo reeleito após completar um mandato de cinco anos desde as eleições de 1962, onde Jawaharlal Nehru foi eleito no seu cargo.163
Governo [editar]
A constituição indiana, a maior do que qualquer outra nação do mundo, entrou em vigor em 26 de janeiro de 1950.164 O preâmbulo da constituição define a Índia como uma república soberana, secular e democrática.165 O parlamento indiano é bicameral, que é regido ao sistema Westminster. Sua forma de governo foi tradicionalmente descrita como "quase federalista", com uma forte tendência à centralização, tendo os estados um poder mais debilitado.166 Desde finais da década de 1990, o federalismo tem crescido cada vez mais, como resultado de mudanças políticas, sociais e econômicas.167 168
O presidente da Índia é o chefe de estado169 e eleito indiretamente por um colégio eleitoral.170 para um mandato de cinco anos.171 172 O primeiro-ministro é o chefe do governo e exerce a maioria das funções do poder executivo.169 Nomeado pelo presidente,173 o primeiro-ministro - em geral - é simpatizante do partido político ou aliança política que conta com a maioria das cadeiras da câmara baixa do parlamento.169 O poder executivo consiste no presidente, o vice-presidente, o conselho de ministro (sendo o gabinete seu comitê executivo), encabeçado pelo primeiro-ministro. Qualquer ministro do conselho deve ser membro de qualquer câmara parlamentar. No sistema parlamentarista indiano, o poder executivo está subordinado ao poder legislativo, o primeiro-ministro e seu conselho são diretamente vigiados pela câmara baixa do parlamento.174
O poder legislativo da Índia está representado pelo parlamento bicameral, que consiste na câmara alta, chamada Rajya Sabha (conselho dos estados) e a câmara baixa, chamada Lok Sabha (conselho do povo).175 A "Rajya Sabha" é um órgão permanente, conta com duzentos e quarenta cinco membros, que servem por um tempo de seis anos.176 A maioria deles são eleitos indiretamente pelas legislaturas estatais e territoriais, mediante representação proporcional.176 543 dos 545 membros do Lok Sabha são eleitos diretamente pelo voto popular para representarem determinados grupos sociais por um período de cinco anos.176 Os outros dois membros são nomeados por um presidente de ascendência britânica e indiana.176
A Índia conta com um poder judiciário de três níveis, que consistem na Suprema Corte de Justiça, encabeçada pelo chefe de justiça. vinte e um tribunais superiores e um grande número de tribunais de primeira instância.177 A suprema corte tem jurisdição original sobre casos relacionados com os direitos humanos fundamentais, e sobre disputas sobre apelações nos tribunais superiores.178 É judicialmente independente,177 tendo o poder de declarar e elaborar leis e revogar leis de algum estado onde sejam percebidos anticonstitucionalidades.179 O papel exercido como o melhor intérprete da constituição é uma das funções mais importantes da suprema corte.180
Relações internacionais [editar]
Desde a sua independência, em 1947, a Índia mantém relações cordiais com a maioria das nações. Na década de 1950, apoiou fortemente a descolonização da África e da Ásia e desempenhou um papel de liderança no Movimento Não Alinhado.182 No final de 1980, o exército indiano interveio duas vezes no exterior, a convite de países vizinhos: uma operação de manutenção da paz no Sri Lanka entre 1987 e 1990 e uma intervenção armada para impedir uma tentativa de golpe de Estado nas Maldivas. A Índia tem relações muito tensas com o vizinho Paquistão, as duas nações já entraram em guerra quatro vezes: em 1947, 1965, 1971 e 1999. Três dessas guerras foram travadas no território disputado da Caxemira, enquanto a quarta, a guerra de 1971, começou depois do apoio da Índia à independência de Bangladesh.183 Depois de travar a guerra sino-indiana em 1962 e a guerra com o Paquistão em 1965, a Índia estreitou seus laços militares e econômicos com a União Soviética; no final dos anos 1960, os soviéticos eram os maiores fornecedores de armas dos indianos.184
Além das atuais relações estratégicas com a Rússia, a Índia tem relações de defesa de grande alcance com Israel e França. Nos últimos anos, tem desempenhado um papel-chave na Associação Sul-Asiática para a Cooperação Regional e na Organização Mundial do Comércio. A nação indiana tem oferecido 100 mil militares e policiais pessoais para servir em 35 operações de paz da Organização das Nações Unidas (ONU) em quatro continentes. O país participa da Cúpula do Leste Asiático, do G8+5 e de outros fóruns multilaterais.185 A Índia tem estreitos laços econômicos com América do Sul, Ásia e África;. Que prossegue uma política "Próxima ao Oriente" que visa a fortalecer parcerias com os países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), Japão e Coréia do Sul, e que giram em torno de muitas questões, mas especialmente aquelas que envolvem investimento econômico e segurança regional.186 187
Forças armadas [editar]
O teste nuclear de 1964, feito pela China, e as repetidas ameaças do governo chinês de intervir em apoio ao Paquistão na guerra de 1965, convenceram a Índia a desenvolver armas nucleares.188 O país realizou seu primeiro teste nuclear em 1974 e realizou mais testes subterrâneos em 1998. Apesar das críticas e sanções militares, a Índia não assinou o Tratado de Interdição Completa de Ensaios Nucleares, nem o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, por considerar os acordos falhos e discriminatórios.189 O país mantém a política nuclear de "não usar primeiro" (em inglês: no first use) e está desenvolvendo uma capacidade tríade nuclear, como parte de sua doutrina de "dissuasão credível mínima".190 191 O governo indiano está desenvolvendo um escudo de mísseis balísticos de defesa e, com colaboração da Rússia, e um avião caça de quinta geração.192 Outro projeto militar indiano envolve a concepção e implementação dos porta-aviões da classe Vikrant e dos submarinos nucleares da classe Arihant.192
Desde o fim da Guerra Fria, a Índia tem aumentado a sua cooperação econômica, estratégica e militar com os Estados Unidos e a União Europeia.193 Em 2008, um pacto nuclear foi assinado entre a Índia e os Estados Unidos. Embora a Índia já possuísse armas nucleares na época e não era um membro do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, o acordo recebeu isenção da Agência Internacional de Energia Atômica e do Grupo de Fornecedores Nucleares, acabando com as restrições anteriores sobre tecnologia e o comércio nuclear do país. Como consequência, a Índia se tornou o sexto Estado com armas nucleares de facto do mundo.194 Posteriormente o país assinou acordos de cooperação em energia nuclear civil com Rússia,195 França,196 Reino Unido197 e Canadá.198
O Presidente da Índia é o comandante supremo das forças armadas do país, com 1,6 milhão de soldados ativos, eles compõem o terceiro maior exército do mundo.199 As forças armadas compreendem o exército, a marinha e a força aérea; organizações auxiliares incluem o Comando de Forças Estratégicas e três grupos paramilitares: os rifles de Assam, a Força Frontier Especial e a Guarda Costeira Indiana.200 O orçamento de defesa oficial indiano para 2011 foi de 36,03 bilhões de dólares, ou 1,83% do seu PIB.201 Para o ano fiscal que abrange 2012-2013, 40,44 bilhões dólares foi orçamentado para essa área.202 De acordo com um relatório de 2008 do SIPRI, a despesa militar anual da Índia em termos de poder de compra foi de 72,7 bilhões de dólares.203 Em 2011, o orçamento anual de defesa do país teve um aumento de 11,6%,204 embora isso não inclua os fundos que atingem os militares através de outros ramos do governo.205 Em 2012, o país era o maior importador de armas do mundo; entre 2007 e 2011, a Índia foi responsável por 10% dos fundos gastos em compras internacionais de armas.206 Grande parte das despesas militares é voltada para a defesa contra o Paquistão e para combater a crescente influência chinesa no Oceano Índico.204
Subdivisões [editar]
A Índia se subdivide em vinte e oito estados e sete territórios da união.141 Todos os estados e os dois territórios da união de Pondicherry e o território da capital nacional elegem o patrono de suas legislaturas e governos por meio do modelo de Westminster. Os outros cinco territórios união são regidos de forma direta pelo governo federal, através de várias administrações designadas. Em 1956, em virtude da Lei de Reorganização dos Estados, o território indiano foi dividido baseando-se em aspectos linguísticos.207 A partir de então, esta estrutura permaneceu sem mudanças. Cada estado ou território da união se divide em distritos administrativos.208 Por sua vez, os distritos se dividem em tehsils e finalmente em aldeias.
Estados
Territórios da união
Economia [editar]
A Índia, com um produto interno bruto nominal estimado em 1,6 trilhão de dólares,209 ocupa o 11ª lugar na lista de maiores economias do mundo por PIB nominal, enquanto sua paridade de poder de compra calculada em 2011 em 4,4 trilhões de dólares,209 é a terceira maior do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Contudo, ainda é um país muito pobre (2011) com uma renda per capita nominal de apenas 1.530 dólares e renda per capita PPC de 3.705 dólares.209
No período compreendido entre a décadas de 1950 e 1980, a economia indiana seguia tendência socialistas. A economia se manteve paralisada por regulamentos impostos pelo governo, o protecionismo e a propriedade pública, o que levou a uma corrupção generalizada e a um lento crescimento econômico.210 211 212 Em 1991, a economia nacional se converteu em uma economia de mercado.211 212 Esta mudança na política econômica em 1991 se deu pouco depois de uma crise aguda no balanço de pagamentos, pelo que desde então se pôs ênfase em fazer do comércio internacional e do investimento estrangeiro direto um setor primordial da economia indiana.213
Durante as últimas décadas a economia indiana tem tido uma taxa de crescimento anual do produto interno bruto ao redor de 5,8%, convertendo-se em uma das economias de mais rápido crescimento no mundo.214 A Índia conta com a maior força de trabalho do mundo, com mais de 513,6 milhões de pessoas. Em termos de produção, o setor agrícola representa 28% do PIB; o setor de serviço, 54% e a indústria, 18%, respectivamente. Os principais produtos agrícolas e de gado incluem arroz, trigo, sementes oleaginosas, algodão, juta, chá, a cana-de-açúcar, ovelhas, cabras, aves de curral e pescados.141 As principais indústrias são a têxtil, maquinaria, produtos químicos, aço, transportes, cimento, mineração e o comércio de softwares.141 Em 2006, o comércio indiano havia alcançado uma proporção relativamente moderada de 24% do PIB, crescendo a taxa de 6% desde 1985.211 O comércio da Índia representa um pouco mais de 1% do comércio mundial. As principais exportações incluem os derivados de petróleo, alguns produtos têxteis, pedras preciosas, softwares, engenharia de bens, produtos químicos, peles e couros.141 Entre as principais importações estão o petróleo cru, maquinarias, joias, fertilizantes e alguns produtos químicos.141
O PIB ascende a 1,8 trilhões de dólares,6 sendo a décima segunda maior economia do mundo e a quarta maior em termos de Paridade do Poder de Compra. Entretanto, devido à grande população (estimado em mais de 1,2 bilhão de habitantes em 2011), a renda per capita é muito baixa: US$ 1.530 (nominal) e paridade de poder de compra calculada em 2011 em US$ 3.705. Cerca de 50% da população (ou cerca de 600 milhões de pessoas) vive em miséria extrema e depende diretamente da agricultura para se sustentar e sobreviver.
Apesar de seu notável crescimento econômico nas últimas décadas, todavia a Índia conteve a maior concentração de pessoas pobres do mundo e tem uma alta taxa de subnutrição em crianças menores de três anos (46% em 2007).215 216 A porcentagem de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza segundo o Banco Mundial, vivendo com menos de um dólar por dia (PPA, em termos nominais Rp. 21,6 ao dia nas zonas urbanas e Rp. 14,3 nas zonas rurais) diminuiu de 60% em 1981 para 42% em 2005.217 Apesar de nas últimas décadas a Índia ter evitado a carestia, a metade das crianças têm um peso inferior à média mundial, uma das taxas mais altas do mundo e quase o dobro da taxa da África Subsaariana.218
Um relatório em 2007 do Goldman Sachs prevê que entre 2007 e 2020 o PIB indiano se quadruplicará, e que poderá superar o PIB dos Estados Unidos antes de 2050, mas que a Índia continuará sendo um dos países com habitantes mais pobres do mundo durante várias décadas, com renda per capita abaixo dos seus companheiros "BRIC". Apesar de nos últimos decênios a economia indiana ter aumentado de forma constante, este crescimento tem ocorrido de maneira desigual, em especial quando se compara à qualidade de vida nos diferentes grupos sociais, econômicos, em diversas regiões geográficas, zonas rurais e urbanas.219 O Banco Mundial afirma que as prioridades mais importantes para o governo indiano deveriam ser a reforma do setor público, a construção de infraestruturas básicas, o desenvolvimento agrícola e rural sustentável, a eliminação das normas de trabalho, a reforma nos estados mais atrasados e luta contra a AIDS.220
Infraestrutura [editar]
Ciência e tecnologia [editar]
Jawaharlal Nehru, o primeiro primeiro-ministro da Índia (governou de 15 de agosto de 1947 a 27 de maio de 1964), iniciou reformas para promover a educação superior, ciência e tecnologia no país.221 O Instituto Indiano de Tecnologia — concebido por uma comissão de 22 membros de estudiosos e empresários com o objetivo de promover o ensino técnico — foi inaugurado em 18 de agosto 1951, em Kharagpur, em Bengala Ocidental, pelo então ministro da educação, Abul Kalam Azad.222 A partir de 1960, laços estreitos com a União Soviética permitiram a Organização Indiana de Pesquisa Espacial para desenvolver rapidamente o seu programa espacial e avançar em energia nuclear, mesmo após o primeiro teste nuclear da Índia ter sido realizado em 18 de maio 1974, em Pokharan.223
A Índia responde por cerca de 10% de todas as despesas em pesquisa e desenvolvimento na Ásia e o número de publicações científicas do país cresceu 45% nos últimos cinco anos.224 No entanto, de acordo com o ministro de ciência e tecnologia indiano, Kapil Sibal, o país está ficando atrasado em ciência e tecnologia em comparação aos países desenvolvidos.225 A Índia tem apenas 140 pesquisadores para cada milhão de habitantes, em comparação com 4 651 nos Estados Unidos.225 O país investiu 3,7 bilhões de dólares em ciência e tecnologia entre 2002 e 2003. Em comparação, a China investiu cerca de quatro vezes mais do que a Índia, enquanto os Estados Unidos investiram cerca de 75 vezes mais do que o país em ciência e tecnologia.226 Apesar disso, cinco Institutos Indianos de Tecnologia foram listados entre as dez melhores escolas de ciência e tecnologia na Ásia, pela Asiaweek.227 O número de publicações de cientistas indianos é caracterizada por algumas das taxas de crescimento mais rápido entre os principais países. A Índia, juntamente com China, Irã e Brasil são os únicos entre 31 países em desenvolvimento com 97,5% do total de produtividade científica do mundo. Os restantes 162 países em desenvolvimento contribuem com menos de 2,5% da produção científica mundial.228
Educação [editar]
A educação no país é fornecida pelos setores público e privado, com controle e financiamento proveniente de três níveis de governo: central, estadual e local. Na cidade antiga de Takshasila foi encontrado o primeiro centro de ensino superior registrado da Índia, datado do século V a.C., mas é discutível se ele pode ser considerado uma universidade. A Universidade de Nalanda foi o mais antigo sistema universitário de educação em todo o mundo, no sentido moderno de "universidade".229
A educação ocidental tornou-se enraizada na sociedade indiana com o estabelecimento do Raj britânico. O sistema educacional indiano está sob o controle do Governo da União e, com alguma autonomia, dos estados. Vários artigos da Constituição indiana classificam a educação como um direito fundamental. A maioria das universidades no país são controlados pela União ou pelos governos dos estados. O país tem feito progressos em termos de aumento da taxa de frequência do ensino primário e na expansão da alfabetização para cerca de três quartos da população.230 A melhora no sistema de ensino indiano é frequentemente citada como um dos principais contribuintes para o crescimento econômico do país.231 Grande parte do progresso, especialmente na educação superior e na pesquisa científica, foi creditado a várias instituições públicas. O mercado de educacional privado indiano movimentou 40 bilhões de dólares em 2008 e aumentou esse valor para 70 bilhões em 2012.232
No entanto, a Índia continua a enfrentar severos desafios nessa área. Apesar do crescente investimento educacional, 25% de sua população ainda é analfabeta, apenas 15% dos estudantes indianos chegam à escola secundária e apenas 7% à pós-graduação.233 A qualidade da educação, seja no ensino fundamental ou no superior, é significativamente baixa em comparação com a das principais nações em desenvolvimento. Em 2008, as instituições de ensino superior ofereciam vagas suficientes para apenas 7% da população em idade universitária do país, 25% dos cargos de ensino em todo a Índia estão vagos e 57% dos professores universitários não têm mestrado ou doutorado.234 Em 2011, existiam 1 522 faculdades de engenharia, com um total anual de 582 mil estudantes,235 além de 1.244 politécnicos, com um total anual de 265 mil estudantes. No entanto, estas instituições enfrentam problemas, como a escassez de professores, e preocupações têm sido levantadas sobre a qualidade da educação oferecida.236
Saúde [editar]
A Índia tem um sistema de saúde universal executado pelos seus estados e territórios constituintes. A Constituição cobra de cada estado "elevar o nível da nutrição e da qualidade de vida de seu povo e da melhoria da saúde pública como entre suas funções primárias". A Política Nacional de Saúde foi aprovado pelo Parlamento da Índia em 1983 e atualizada em 2002.237 Paralelo ao setor de saúde pública, e de fato mais popular, é o setor médico privado. Famílias indianas urbanas e rurais tendem a utilizar o setor médico privado com mais freqüência do que o setor público, como refletido em pesquisas.238
A Índia tem uma expectativa de vida de 64/67 anos (m/f) e uma taxa de mortalidade infantil de 61 por mil nascidos vivos.239 42% das crianças indianas abaixo de três anos de idade são desnutridas, taxa maior que a encontrada em estatísticas da região subsaariana da África, que é de 28%.240 Embora a economia do país tenha crescido 50% entre 2001 e 2006, a taxa de desnutrição infantil caiu apenas 1%, ficando atrás de países com taxas de crescimento similares.241 A desnutrição impede o desenvolvimento social e cognitivo das crianças, além de reduzir seus níveis de escolaridade e renda quando adultas.241 Estes danos irreversíveis resultam em uma menor produtividade.241 Como mais de 122 milhões de famílias sem banheiros e 33% sem acesso à latrinas, mais de 50% da população do país (638 milhões de pessoas) defecam ao ar livre todos os dias.242 Esta taxa é consideravelmente maior do que as de Bangladesh e Brasil (7%) e da China (4%).242 Apesar de 211 milhões de pessoas terem ganho acesso a saneamento básico entre 1990 e 2008, apenas 31% utilizam os recursos oferecidos.242
Transportes [editar]
Desde a liberalização econômica dos anos 1990, o desenvolvimento da infraestrutura no país progrediu a um ritmo rápido e hoje há uma grande variedade de modos de transporte por terra, água e ar. No entanto, o PIB per capita relativamente da Índia fez com que o acesso a estes modos de transporte não tenha sido uniforme. A penetração de veículo motorizados é baixa para os padrões internacionais, com apenas 103 milhões de carros nas estradas indianas.243 Além disso, apenas cerca de 10% dos lares indianos possui uma motocicleta.244 Ao mesmo tempo, a indústria automobilística do país está crescendo rapidamente, com uma produção anual de mais de 4,6 milhões de veículos245 e o volume de veículos deverá aumentar significativamente no futuro.246 Nesse ínterim, porém, o transporte público continua a ser o principal meio de locomoção da maioria da população e os sistemas de transporte público do país estão entre os mais utilizados no mundo.247
Apesar das melhorias em curso na área, vários aspectos do setor de transportes ainda estão cheios de problemas devido à infraestrutura obsoleta e à falta de investimento em regiões menos economicamente ativas do país. A demanda por infraestrutura e serviços de transportes tem vindo a aumentar em cerca de 10% ao ano,247 já que a infraestrutura atual é incapaz de atender às demandas econômicas crescentes. De acordo com estimativas recentes da Goldman Sachs, a Índia terá que gastar 1,7 trilhões de dólares em projetos de infraestrutura ao longo da próxima década para impulsionar seu crescimento econômico, do qual 500 bilhões dólares está orçado para ser gasto durante o Décimo Primeiro Plano Quinquenal.248
A rede ferroviária indiana é a quarta mais longa e é o sistema mais utilizado do mundo,247 transportando 651 milhões de passageiros e mais de 921 milhões de toneladas de carga em 2011.249 O sistema ferroviário indiano, introduzido pela primeira vez em 1853, é fornecido e mantido pela estatal Indian Railways, sob a supervisão do Ministério das Ferrovias. A Indian Railways oferece um importante meio de transporte ao país, transportando mais de 18 milhões de passageiros e mais de 2 milhões de toneladas de carga por dia através de uma das maiores e mais movimentadas redes ferroviárias maiores do mundo.250
A Índia tem uma rede de estradas nacionais que ligam todas as principais cidades e capitais estaduais, formando a espinha dorsal econômica do país. Em 2010, o país tinha um total de 70 934 km de estradas nacionais, das quais 200 km são classificadas como autoestradas.252 De acordo com Projeto de Desenvolvimento Rodoviário Nacional (PNDS), o trabalho está em andamento para equipar algumas das estradas nacionais importantes com quatro pistas de rodagem, também existe um plano para converter alguns trechos dessas estradas em seis pistas.253 A Autoridade Nacional de Estradas estima que cerca de 65% da carga e 80% do tráfego de passageiros do país é transportado por rodovias. As estradas nacionais transportam cerca de 40% do total do tráfego rodoviário, embora apenas cerca de 2% da rede de estradas esteja coberta por essas estradas principais. O crescimento médio do número de veículos tem sido em torno de 10,16% ao ano nos últimos anos.252
Em 2012 hvia 352254 aeroportos civis na Índia - 251 com pistas pavimentadas e 101 com pistas não pavimentadas. Há mais de 20 aeroportos internacionais. O Aeroporto Internacional Indira Gandhi, em Nova Déli, e o Aeroporto Internacional de Chhatrapati Shivaji, em Mumbai, lidam com mais de metade do tráfego aéreo do sul da Ásia.255 256 257
Os portos são os principais centros para o comércio. No país, cerca de 95% do comércio exterior pela quantidade e 70% pelo valor ocorre através dos portos.258 Mumbai Port & JNPT (Navi Mumbai) controlam 70% do comércio marítimo na Índia.259 Há doze portos principais nas seguintes cidades: Navi Mumbai, Mumbai, Kochi, Calcutá (incluindo Haldia), Paradip, Visakhapatnam, Ennore, Chennai, Thoothukudi, Nova Mangalore, Mormugão e Kandla. Além destes, existem 187 portos menores e intermediários, 43 dos quais lidam com cargas.260
Energia [editar]
A política energética da Índia está em grande parte definida pelo crescente déficit energético do país261 e pelo maior foco no desenvolvimento de fontes alternativas de energia,262 particularmente energia nuclear, solar e eólica.263 Cerca de 70% da capacidade de geração de energia do país provém de combustíveis fósseis, sendo o carvão o responsável por 40% do consumo total de energia da Índia, seguido pelo petróleo bruto e pelo gás natural com 24% e 6%, respectivamente.261 O país é em grande parte dependente de importações de combustíveis fósseis para atender suas demandas de energéticas; em 2030, a dependência da Índia de importações de energia deverá ultrapassar 53% do consumo total do país.261 Em 2009-10, o país importou 159,26 milhões de toneladas de petróleo bruto, que equivale a 80% da seu consumo interno, e 31% do total das importações indianas são provenientes do petróleo.261 264 O crescimento da geração da eletricidade na Índia tem sido dificultada pela escassez de carvão nacional265 e, como conseqüência, as importações de carvão para a produção de eletricidade produção aumentaram 18% em 2010.266
Devido à sua rápida expansão econômica, o país tem um dos mercados de energia que crescem mais rapidamente no mundo e espera-se que se torne o segundo maior contribuinte no aumento da demanda energética global por energia até 2035, sendo responsável por 18% do aumento do consumo de energia mundial.263 Dada a crescente demanda de energia pela Índia e limitadas reservas de combustíveis fósseis no mercado interno, o país tem planos ambiciosos para expandir suas indústrias de energia renovável e nuclear. A Índia tem o quinto maior mercado de energia eólica do mundo267 e tem planos de adicionar cerca de 20 GW de capacidade de energia solar até 2022,263 além de também prever aumentar a contribuição da energia nuclear para a capacidade total de geração de eletricidade de 4,2% para 9% em 25 anos.268 O país tem cinco reatores nucleares em construção e planeja construir outros dezoito até 2025.269
Cultura [editar]
A história cultural indiana se estende por mais de 4.500 anos de história.270 Durante o período védico (c. 1700-500 a.C.), os fundamentos da filosofia, mitologia e literatura hindu foram estabelecidos e muitas crenças e práticas que ainda existem atualmente, tais como dharma, karma, yoga e moksha, foram consolidadas.271 A Índia é notável por sua diversidade religiosa, sendo hinduísmo, sikhismo, islamismo, cristianismo e jainismo as principais e mais populares religiões do país.272 A religião predominante, o hinduísmo, foi moldada por várias escolas históricas de pensamento, como os upanixades,273 os yoga sutras, o movimento bhakti272 e a filosofia budista.274
A cultura indiana está marcada por um alto grau de sincretismo275 e pluralismo.276 Os indianos têm conseguido conservar suas tradições previamente estabelecidas, enquanto absorvem novos costumes, tradições e ideias de invasores e imigrantes, ao mesmo tempo que estendem a sua influência cultural a outras partes da Ásia, principal Indochina e Extremo Oriente.
A sociedade tradicional da Índia está definida como uma hierarquia social relativamente restrita. O sistema indiano de castas descreve a estratificação e as restrições sociais do subcontinente indiano; também definem as classes sociais por grupos endogâmicos hereditários, que a princípio se denominam jatis ou castas.277 A Índia declarou a "intocabilidade" ilegal em 1947 e, desde então, promulgou outras leis anti-discriminatórias e iniciativas para o bem-estar social, embora relatórios sugiram que muitos dalits ("ex-intocáveis") e outras castas mais baixas em áreas rurais continuam a serem segregagadas e enfrentam perseguição e discriminação.278 279 280 No local de trabalho das grandes cidades e nas principais empresas indianas ou internacionais, o sistema de castas tem praticamente perdeu a sua importância.281 282
Os valores tradicionais das famílias indianas são muito respeitados e o modelo patriarcal tem sido o mais comum durante séculos, ainda que recentemente a família nuclear esteja se convertendo no modelo seguido pela população que vive na zona urbana.210 A maioria dos indianos têm seus casamentos arranjados por seus pais e por outros membros da família respeitados, com o consentimento da noiva e do noivo.283 O matrimônio é planejado para toda a vida,283 a taxa de divórcio é extremamente baixa.284 O casamento na infância é ainda uma prática comum, já que metade das mulheres indianas se casam antes dos dezoito anos.285 286
Muitas celebrações indianas são de origem religiosa, ainda que algumas sejam celebradas independentemente da casta ou credo. Algumas das festas mais populares da Índia são: Diwali, Holi, Durga Puja, Eid ul-Fitr, Eid al-Adha, Natal e Vesak.287 Além destas, a nação tem três festas nacionais: o dia da República, o dia da independência e o Gandhi Jayanti. Uma outra série de dias festivos, variando entre nove e doze dias, são oficialmente celebrados em cada estado nacional. As práticas religiosas são parte integral da vida cotidiana e são um assunto de interesse público. A roupa tradicional varia de acordo com as cores e estilos segundo a região e depende de certos fatores, incluindo o clima. Os estilos de vestir incluem prendas simples como o sári para as mulheres e o dhoti para os homens; outras prendas como salwar kameez para as mulheres e os kurta-pijamas, calças de estilo europeu e camisas para os homens também são populares.288 O uso de jóias delicadas, modeladas em flores reais usados durante a Índia antiga, faz parte de uma tradição que remonta a cerca de 5.000 anos; pedras preciosas também são usados na Índia como talismãs.289
Culinária [editar]
A culinária indiana apresenta uma dependência insuperável em ervas e especiarias, com pratos, muitas vezes apelando para o uso sutil de uma dúzia ou mais de condimentos diferentes;290 que também é conhecida por suas preparações tandoori. No tandoor, um forno de argila usado na Índia há quase 5.000 anos, as carnes ficam com uma "suculência incomum" e é possível produzir o pão sírio inchado conhecido como naan.291 Os alimentos básicos são o trigo (principalmente no norte do país),292 arroz (especialmente no sul e no leste) e lentilhas.293 Muitas especiarias populares no mundo todo são nativas do subcontinente indiano,294 enquanto a pimenta, que é nativa das Américas e foi introduzida pelos portugueses, é amplamente utilizada pela população local.295 O ayurveda, um sistema de medicina tradicional, usa seis rasas e três gunas para ajudar a descrever os comestíveis.296 Ao longo do tempo, conforme os sacrifícios de animais feitos pelos védicos foram suplantados pela noção de sacralidade inviolável da vaca, o vegetarianismo tornou-se associado com alto nível religioso e tonou-se cada vez mais popular,297 uma tendência auxiliada pelo aumento de normas budistas, jainistas e bhaktis hindus.298 A Índia tem a maior concentração de vegetarianos do mundo: uma pesquisa realizada em 2006 constatou que 31% dos indianos eram lactovegetarianos e outros 9% eram ovovegetarianos.298 Entre os costumes alimentares mais tradicionais e comuns estão refeições feitas perto ou no próprio chão, jantares segregados por casta e gênero e uso das mãos ou de um pedaço de roti (tipo de pão) no lugar dos talheres.299 300
Artes e arquitetura [editar]
Grande parte da arquitetura indiana, incluindo o Taj Mahal e outras obras da arquitetura mogol e do sul da Índia, combina antigas tradições locais com estilos importados de outras nações.301 A arquitetura vernacular, no entanto, é altamente regionalizada. A Vastu Shastra, literalmente "ciência da construção" ou "arquitetura" e atribuída a Mamuni Maia,302 explora como as leis da natureza afetam as habitações humanas,303 além de empregar geometria precisa e alinhamentos direcionais para refletir construções cósmicas.304
A arquitetura dos templos hindus é influenciada pelos Shastras Shilpa, uma série de textos fundamentais cuja forma mitológica básica é a mandala Vastu-Purusha, uma praça que encarna o conceito de "absoluto".305 O Taj Mahal, construído na cidade de Agra entre 1631 e 1648 por ordem do imperador Shah Jahan e em memória de sua esposa, é descrito na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO como "a jóia da arte muçulmana na Índia e uma das obras-primas universalmente admiradas da herança do mundo".306 A arquitetura neo-indo-sarracena, desenvolvida pelos britânicos no final do século XIX, baseou-se em arquitetura indo-islâmica.307
Artes cênicas [editar]
A música indiana varia através de várias tradições e estilos regionais. A música clássica abrange dois gêneros e suas diversas ramificações populares: o hindustai, do norte, e escolas carnáticas, do sul.308 Entre as formas populares regionalizadas incluem o filmi e músicas folclóricas; a tradição sincrética dos bauls é uma forma bem conhecida desta última. A dança indiana também tem formas clássicas e diversas. Entre as danças folclóricas mais conhecidas estão o bhangra do Punjabe, o bihu de Assam, o chhau de Bengala Ocidental e Jharkhand, o sambalpuri de Odisha, o ghoomar do Rajastão e o lavani, de Maharashtra. Oito formas de dança, muitas com formas narrativas e elementos mitológicos, tem sido reconhecidas como danças clássicas pela Academia Nacional de Música, Dança e Teatro da Índia. São elas: bharatanatyam do estado de Tamil Nadu, kathak de Uttar Pradesh, kathakali e mohiniyattam de Kerala, kuchipudi de Andhra Pradesh, manipuri de Manipur, odissi de Orissa e o sattriya de Assam.309 O teatro indiano mescla música, dança e diálogos improvisados ou escritos.310 Muitas vezes baseado na mitologia hindu, mas também inspirado em romances medievais ou eventos sociais e políticos, o teatro indiano inclui o bhavai de Gujarat, o jatra de Bengala Ocidental, o nautanki e o ramlila do Norte da Índia, o tamasha de Maharashtra, o burrakatha de Andhra Pradesh, o terukkuttu de Tamil Nadu e o yakshagana de Karnataka.311
Literatura [editar]
As primeiras obras literárias da Índia, compostas entre 1400 a.C. e 1200 d.C., foram escritas no idioma sânscrito.312 313 Obras proeminentes desta literatura sânscrita incluem épicos, como o Mahābhārata e o Ramayana, e dramas de Kālidāsa, como o Abhijñānaśākuntalam (O Reconhecimento de Sakuntala), e poesias, como o Mahākāvya.314 315 316 O Kamasutra, o famoso livro sobre relações sexuais também se originou no país. Desenvolvida entre 600 a.C. e 300 d.C. no sul da Índia, a literatura sangam compôs 2.381 poemas e é considerado como uma antecessora da literatura tâmil.317 318 319 320 Do século XIV ao XVIII, as tradições literárias indianas passaram por um período de drástica mudança por causa do surgimento de poetas devocionais (movimento bhakti) como Kabir, Tulsidas e Guru Nanak. Este período foi caracterizado por um espectro variado e amplo de expressão e correntes de pensamento, como consequência, obras literárias medievais indianas diferem significativamente da tradição clássica.321 No século XIX, os escritores indianos tomaram um novo interesse pelas questões sociais e descrições psicológicas. No século XX, a literatura indiana foi influenciada pelas obras do poeta e romancista bengali Rabindranath Tagore.322
Cinema e mídia [editar]
A indústria cinematográfica indiana é a maior do mundo.323 Bollywood, bairro localizado na cidade de Bombaim onde são feitos os filmes e comerciais em hindi, foi recentemente convertido como o centro da indústria cinematográfica mais prolífica do mundo, igualando sua importância com Hollywood.324 Também são feitos filmes tradicionais e comerciais em zonas onde o bengali, canarês, malayalam, marathi, tâmil e telugu são idiomas oficiais.325 O cinema do sul da Índia atrai mais de 75% da receita do cinema nacional.326
A radiodifusão televisiva começou na Índia, em 1959, como um meio estatal de comunicação e teve expansão lenta por mais de duas décadas.327 O monopólio estatal na transmissão da televisão terminou em 1990 e, desde então, canais por satélite têm se tornado cada vez mais populares na cultura popular da sociedade indiana.328 Hoje, a televisão é a mídia com maior alcance na Índia; estimativas da indústria indicam que em de 2012, havia mais de 554 milhões de consumidores de TV, 462 milhões de satélite e/ou conexões por cabos, em comparação com outras formas de mídia de massa, como a imprensa (350 milhões), o rádio (156 milhões) ou a internet (37 milhões).329
Esportes [editar]
Na Índia, vários esportes tradicionais permanecem bastante populares, como o kabaddi, kho kho, pehlwani e gilli-danda. Algumas das primeiras formas de artes marciais asiáticas, como kalari payattu, mushti yuddha, silambam e marma adi, se originaram na Índia. O Rajiv Gandhi Khel Ratna e o Prêmio Arjuna são as mais altas formas de reconhecimento do governo para a realização atlética; o Prêmio Dronacharya é concedido pela excelência em treinamento. O xadrez, que acredita-se que originou-se na Índia como chaturanga, está a recuperar popularidade com o aumento do número de mestres indianos nesse esporte.330 331 O pachisi, do qual o parcheesi é derivado, foi jogado em uma quadra gigante de mármore por Akbar.332
Os bons resultados conquistados pela equipe indiana de Copa Davis e outros tenistas indianos no início no início de 2010 fizeram o tênis se tornar cada vez mais popular no país.333 A Índia tem uma presença relativamente no tiro esportivo e já ganhou várias medalhas no Jogos Olímpicos, nos Campeonatos do Mundo de tiro e nos Jogos da Commonwealth.334 335 Outros esportes em que os indianos foram bem sucedidos internacionalmente incluem o badminton,336 o boxe337 e o wrestling.338 O futebol é popular em Bengala Ocidental, Goa, Tamil Nadu, Kerala e em estados do nordeste.339
O hóquei em campo na Índia é administrado pelo Hockey India. A seleção nacional de hóquei venceu a Copa do Mundo de Hóquei sobre a Grama de 1975 e, até 2012, tinha oito medalhas olímpicos de ouro, uma de prata e duas de bronze nesse esporte, o que a torna a equipe mais bem sucedida dessa prática. A Índia também tem desempenhado um papel importante na popularização do críquete, sendo o esporte mais popular do país. O críquete indiano ganhou a Copa do Mundo de Críquete de 1983 e de 2011, ICC Mundial Twenty20 de 2007 e dividiu o troféu do ICC Champions de 2002 com o Sri Lanka. O Conselho Nacional de Controle do Críquete na Índia (BCCI) realiza uma competição Twenty20 conhecida como Indian Premier League. A Índia já hospedou ou co-organizou vários eventos esportivos internacionais; os Jogos Asiáticos de 1951 e de1982, as Copas do Mundo de Críquete de 1987, 1996 e 2011, os Jogos Afro-Asiáticos de 2003, o ICC Champions Trophy de 2006, a Copa de Hóquei Masculino de 2010 e os Jogos da Commonwealth de 2010. Grandes eventos esportivos internacionais realizados anualmente na Índia incluem o Chennai Open (tênis), a Maratona de Mumbai, a Meia Maratona de Delhi e o Indian Masters (golfe). O primeiro Grande Prêmio da Índia aconteceu no final de 2011.340 O país tem sido, tradicionalmente, dominante nos Jogos Sul-Asiáticos. Um exemplo dessa dominação é a competição de basquete onde seleção nacional indiana de basquete venceu três dos quatro torneios até à data.341
Feriados [editar]
| Data | Nome em português | Nome local | Observações |
|---|---|---|---|
| Fevereiro-Março | Holi - Festival das cores | ||
| 26 de Janeiro | Dia da República | भारतीय प्रजासत्ताक दिन | |
| 15 de Agosto | Dia da Independência | ||
| Agosto-Setembro | Ganesha Festival | ||
| 2 de Outubro | Aniversário de Mahatma Gandhi | ||
| Outubro-Novembro | Diwali - Festival das Luzes |
Ver também [editar]
- Índia como superpotência emergente
- Índia Britânica
- Estado Português da Índia
- Índia Francesa
- Índia Dinamarquesa
- Ásia
- Ásia Meridional
- Transporte ferroviário na Índia
- Religiões da Índia
- Hinduísmo
- Sikhismo
- Sistema de castas da Índia
- Cinema da Índia
- Bollywood
- Conflito na Caxemira
- Guerras indo-paquistanesas
- Guerra sino-indiana
- Missões diplomáticas da Índia
- Relações entre a Índia e o Brasil
- Lista de línguas da Índia
Notas
- ↑ O governo da Índia também considera o Afeganistão como um país fronteiriço. Isso ocorre porque os indianos consideram todo o estado de Jammu e Caxemira como parte da Índia, incluindo a porção que faz fronteira com o território afegão. Um cessar-fogo promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 1948 congelou as negociações sobre o território reivindicado pelo Paquistão e pela Índia. Como consequência, a região que faz fronteira com o Afeganistão é administrada pelo governo paquistanês.
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Ligações externas [editar]
- Governo da Índia– Portal Oficial do Governo Indiano
- Índia no The World Factbook
- Índiana UCB Libraries GovPubs