Trigo

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Wheat field.jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Superdivisão: Spermatophyta
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Triticum, L.
Espécies

Referências: Espécies Triticum(em inglês)

O trigo (Triticum spp.)[1] é uma gramínea cultivada em todo o mundo.[2] Globalmente, é a segunda maior cultura de cereais, a seguir ao milho; a terceira é o arroz. O grão de trigo é um alimento básico usado para fazer farinha e, com esta, o pão, na alimentação dos animais domésticos e como ingrediente no fabrico de cerveja. O trigo é também plantado estritamente como forragem para animais domésticos, como o feno.

História[editar | editar código-fonte]

O trigo foi primeiramente cultivado no Crescente Fértil, no Médio Oriente. Os arqueólogos demonstraram que o cultivo do trigo é originário da Síria, Jordânia, Turquia e Iraque. Há cerca de 10.000 anos, uma mutação ou hibridização ocorreu, resultando em uma planta com sementes grandes, porém que não podiam espalhar-se pelo vento. Esta planta não poderia vingar como silvestre, porém, poderia produzir mais comida para os humanos e, de fato, ela teve maior sucesso que outras plantas com sementes menores e tornou-se o ancestral do trigo moderno.

Produção e consumo[editar | editar código-fonte]

Um saco de trigo.

Triticultura é o nome dado para o cultivo de trigo.

Em 2003, o consumo mundial per capita de trigo foi de 67 kg, com o maior consumo per capita (239 kg) encontrada no Quirguistão.[3] Em 1997, o consumo global de trigo foi de 101 kg per capita, com maior consumo (623 kg per capita ) na Dinamarca, mas a maior parte deste (81%) foi para a alimentação animal.[4] O trigo é o alimento básico primário no norte da África e do Oriente Médio, e está crescendo em popularidade na Ásia. Ao contrário do arroz, a produção de trigo é mais difundido globalmente embora a participação da China é quase um sexto do mundo.

Na colheita do ano 2002, a produção internacional do trigo totalizou 563,2 milhões toneladas e os países que mais produziram trigo foram:

Espécies mais comuns[editar | editar código-fonte]

  • Trigo Comum - (T. aestivum) Uma espécie hexaploide que é a mais cultivada no mundo.
  • Triticum monococcum - Uma espécie diploide com variedades selvagens e domesticadas. Foi uma das primeiras espécies cultivadas, mas raramente utilizada atualmente.
  • Farro - (T. turgidum var. dicoccum) Uma espécie tetraploide com variedades selvagens e domesticadas. Cultivada em tempos antigos, mas pouco atualmente. É de farro que vem a palavra farinha.
  • Trigo duro - (T. turgidum var. durum) A única variedade tetraploide largamente usada hoje.
  • Kamut® - (T. turgidum var. polonicum) Uma variedade tetraploide cultivada em pequenas quantidades, mas extensivamente comercializada. Originária do Médio Oriente
  • Espelta - (T. spelta) Outra espécie hexaploide cultivada em pequenas quantidades.

Agronomia[editar | editar código-fonte]

Cultivares[editar | editar código-fonte]

Os cultivares de trigo são classificados segundo a estação do ano em que crescem (trigo de inverno ou trigo da primavera) e pelo conteúdo em glúten (trigo duro (elevado conteúdo em glúten ) ou trigo macio (elevado conteúdo em amido)).

Desenvolvimento da cultura[editar | editar código-fonte]

Espiga de trigo.

As decisões quanto ao manejo da cultura necessitam de conhecimento do estágio de desenvolvimento da plantação. Em especial, as aplicações de fertilizantes, fungicidas e reguladores de crescimento são feitas em estágios específicos de crescimento da planta.

Por exemplo, as recomendações (americanas) atuais geralmente indicam que a segunda aplicação de nitrogênio deve ser feita quando a panícula (não visível nesta época) está com aproximadamente 1 cm de tamanho (Z31 na escala Zadok). O conhecimento dos estágios também é utilizado para identificar os períodos de maior risco para a planta quanto ao clima. Por exemplo, o estágio de meiose é extremamente suscetível a baixas temperaturas (abaixo de 4 °C) ou altas temperaturas (acima de 25 °C). Os produtores ainda se beneficiam sabendo que quando a folha bandeira (última folha) aparece ela representa cerca de 75% das reações de fotossíntese durante o período de enchimento dos grãos e, por isso, ela deve ser mantida livre de doenças ou ataque de insetos para garantir uma boa colheita.

Existem muitos sistemas para identificar os estágios da planta, sendo as escalas Feekes e Zadoks as mais utilizadas nos Estados Unidos. Cada escala é um sistema padrão que descreve estágios sucessivos atingidos pela planta durante a época de cultivo..

Moagem[editar | editar código-fonte]

Denomina-se moagem de trigo o processo de retirada do endosperma ou farinha do grão de trigo

O endosperma compõe cerca de 75 a 80% do total do grão, para podermos separar esse endosperma de casca ou farelo, o grão deve ser submetido à uma umidificação seguida de um repouso, o qual é determinado pela dureza do grão.

Esse repouso do trigo faz com que o farelo se torne flexível e friável, possibilitando assim a retirada da farinha,que fica agregada ao mesmo.

Para separar o endosperma da casca podem ser utilizados rolos de moagem em bancos de cilindros, seguidos de uma peneiração em peneiradores planos ou plansifters.

Os grãos passam diversas vezes pelos rolos até que se consiga fazer uma separação completa, para os grãos inteiros ou com grande quantidade de farelo agregado utilizamos rolos raiados.

Durante a primeiras passagens pelos rolos raiados, temos a geração de sêmolas, ou partículas de endosperma, que variam de 200 a 1000 mícrons de tamanho; abaixo dessa escala, já pode ser classificado como farinha e, acima, retorna novamente ao banco de cilindro para posterior moagem, seguida de peneiração. Assim sucessivamente, até que se retire todo o endosperma agregado ao farelo.

As sêmolas por sua vez passam pelo sassor onde são classificadas de acordo com sua pureza e seguem para bancos de cilindros com rolos lisos, para ser reduzidas; depois, são peneiradas novamente, voltam aos cilindros para ser comprimidas, assim sucessivamente até estarem na granulometria de farinha ou farelo.

É necessário um conjunto de rolos raiados e lisos e muitas peneiras para que o processo possa ser realizado de maneira que se retire todo o endosperma presente no grão.[5]

Contraindicações[editar | editar código-fonte]

O trigo, assim como o malte, a cevada, a aveia e o centeio, contem glúten na sua composição, desta forma, não deve ser consumido por pessoas com intolerância ao glúten.

Doenças[editar | editar código-fonte]

Existem muitas "doenças do trigo", principalmente causadas por fungos, bactérias e vírus.[6] O melhoramento de plantas para desenvolver novas variedades mais resistentes a doenças e boas práticas de manejo da cultura são importantes meios de impedir o desenvolvimento de endemias. No entanto, o uso de agrotóxicos, utilizados para prevenir a atuação dos agentes biológicos nocivos, pode ter um custo significativo na produção de trigo, alterando o preço final ao consumidor. As estimativas da quantidade de perda da produção de trigo devido à parasitas, variam entre 10-25% em Missouri.[7]

Importância[editar | editar código-fonte]

Equilíbrio ambiental.

Referências

  1. Belderok, Bob & Hans Mesdag & Dingena A. Donner. (2000) Bread-Making Quality of Wheat. Springer. p.3. ISBN 0-7923-6383-3.
  2. Faostat (2007). Visitado em 2009-05-05.
  3. http://faostat.fao.org/ FAOSTAT
  4. CIMMYT World wheat facts and trends 1998-9.
  5. Moagem de trigo www.moagemdetrigonet.com.br. Visitado em 2009-06-16.
  6. Crop Disease Management Bulletin 631-98. Wheat Diseases
  7. G4319 Wheat Diseases in Missouri, MU Extension Muextension.missouri.edu. Visitado em 2009-05-18.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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