Lolium temulentum

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Como ler uma caixa taxonómicaLolium temulentum
joio, cizânia
Lolium temulentum (joio).

Lolium temulentum (joio).
Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Angiosperms
Clado: Monocots
Clado: Commelinids
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Liliopsida
Ordem: Poales
Família: Poaceae
Género: Lolium
Espécie: L. temulentum
Nome binomial
Lolium temulentum
L.
Hábito da espécie antes da floração.

Lolium temulentum L. é uma espécie de gramínea (família Poaceae), conhecida pelos nomes comuns de joio ou cizânia, que como a maioria das espécies do género Lolium é uma planta anual, de talo rígido, que cresce até 1 metro de altura, com inflorescências em espiga e grão de cor violácea. Morfologicamente muito parecida com o trigo e crescendo nas zonas cerealíferas, é considerada uma erva daninha desse cultivo. A semelhança entre essas duas plantas é tão grande que em algumas regiões costuma-se denominar o joio como "falso trigo".[1] A espécie tem distribuição cosmopolita estando presente em todas as regiões temperadas e subtropicais.

Descrição[editar | editar código-fonte]

L. temulentum é uma herbácea anual, com caules erectos com até 1 m de altura e folhas estreitas e alongadas com bainha bem desenvolvida. A inflorescência é uma espiga alongada, aspecto que diferencia a planta do trigo. A semente é um grão de coloração violácea.

Como o joio cresce nas mesmas regiões em que é cultivado o trigo, a sua semelhança morfológica com aquela planta torna difícil a sua erradicação das searas, conferindo assim à espécie uma importante vantagem competitiva. A semelhança é tão grande que apenas pode ser distinguido com facilidade após a formação da espiga, o que leva a que seja por vezes referido como "falso-trigo".[2] A semelhança contudo desfaz-se com a formação da espiga, já que as espiguetas de L. temulentum são mais delgadas do que as de trigo e inseridas mais obliquamente em relação à ráquis. Para além disso, as espiguetas do joio têm apenas uma única gluma, enquanto as de trigo são orientadas com o lado plano para a ráquis e têm duas glumas. As espigas do trigo são castanhas quando maduras, enquanto que o joio são pretas.[3]

O joio é frequentemente infectado por um fungo endófito do género Neotyphodium, produtor de toxinas, e o alcaloide lolina, um insecticida de origem endofítica, foi pela primeira vez isolado nesta planta.[4]

Por ser uma erva daninha comum entre o trigo susceptível a infecção fúngica, incluindo por fungos produtores de toxinas com efeitos graves sobre os humanos, em diversas línguas europeias a planta tem nomes que rementem para a embriaguês, como é o caso da língua francesa na qual o joio é designado por ivraie (do latim ebriacus, ébrio). Esta mesma característica é aludida no epíteto específico temulentus, latim para "bêbado".

Etnobotânica[editar | editar código-fonte]

A frequente presença de toxinas de origem fúngica pode tornar as sementes de joio venenosas, pelo que uma pequena quantidade de joio colhida e processada junto ao trigo pode comprometer a qualidade do produto obtido. Vem daí a famosa expressão "é preciso separar o joio do trigo", um ditado popular. Sua origem, religiosa, encontra-se na citação nominal do joio pela Bíblia, que estabelece uma analogia entre joio e o trigo e as pessoas más e boas e de como isso se evidencia com o tempo.

(...) os servos lhe perguntaram: Queres que vamos e arranquemos o joio? Não! Replicou ele, para que, ao separar o joio, não arranqueis também com ele o trigo. Deixai-os crescer juntos até à colheita, e, no tempo da colheita, direi aos ceifeiros: ajuntai primeiro o joio, atai-o em feixes para ser queimado; mas o trigo, recolhei-o no meu celeiro.

[5]

Em consequência da sua citação na Bíblia e do seu grande impacte sobre a produção cerealífera europeia, o joio aparece frequentemente citado na literatura europeia. Aparece nas Sátiras de Horácio como o alimento consumido pelo rato-do-campo, que come joio, uma má comida, enquanto serve boas iguarias ao seu convidado.

William Shakespeare menciona o joio como uma infestante na sua obra Rei Lear (King Lear)[6] e em Mitridates (Mithradate) como um dos ingredientes que Mitridates VI do Ponto usaria na poção que ingeria todos os dias para o tornar imune ao envenenamento.

Referências

  1. Craig S. Keener, The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary, Wm. B. Eerdmans Publishing, 2009 p.387
  2. Craig S. Keener, The Gospel of Matthew: A Socio-Rhetorical Commentary, Wm. B. Eerdmans Publishing, 2009 p.387
  3. Heinrich W.Guggenheimer, The Jerusalem Talmud,Vol. 1, Part 3, Walter de Gruyter, 2000 p.5
  4. Schardl CL, Grossman RB, Nagabhyru P, Faulkner JR, Mallik UP. (2007). "Loline alkaloids: currencies of mutualism". Phytochemistry 68 (7): 980–996. DOI:10.1016/j.phytochem.2007.01.010. PMID 17346759.
  5. Bíblia. A Bíblia - Mateus 13. Visitado em 23 de janeiro de 2008.
  6. Seager, Herbert West. Natural history in Shakespeare's time. London: Elliot Stock, 1896. p. 82..

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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