Agricultura

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Agricultura é o conjunto de técnicas utilizadas para cultivar plantas com o objetivo de obter alimentos, fibras, energia, matéria-prima para roupas, construções, medicamentos, ferramentas, ou apenas para contemplação estética.

Calendário agrícola de um manuscrito de Pietro de Crescenzi.
Carro de bois com boi do Ramo Grande, tradicional dos Açores.

A quem trabalha na agricultura chama-se agricultor. O termo fazendeiro (português brasileiro) ou lavrador (português europeu) se aplica ao proprietário de terras rurais onde, normalmente, é praticada a agricultura, a pecuária ou ambos.

A ciência que estuda as características das plantas e dos solos para melhorar as técnicas agrícolas é a agronomia.

Etimologia e terminologia[editar | editar código-fonte]

O prefixo agro tem origem no verbete latino agru que significa "terra cultivada ou cultivável".

A palavra "agricultura" vem do latim agricultūra, composta por ager (campo, território) e cultūra (cultivo), no sentido estrito de cultivo do solo[1] .

Em Português, a palavra "agricultura" manteve este sentido estrito e refere-se exclusivamente ao cultivo dos campos, ou seja, relaciona-se à produção de vegetais [2] . No entanto, em inglês, assim como em francês, a palavra "agriculture" indica de maneira mais genérica as atividades agrícolas tanto de cultivo dos campos quanto de criação de animais [3] [4] . Uma tradução mais próxima de agriculture seria, portanto, agropecuária.

História[editar | editar código-fonte]

Origem na pré-história[editar | editar código-fonte]

O início das atividades agrícolas separa o período neolítico do imediatamente anterior, o período da idade da pedra lascada.

Como são anteriores à história escrita, os primórdios da agricultura são obscuros, mas admite-se que ela tenha surgido independentemente em diferentes lugares do mundo, provavelmente nos vales e várzeas fluviais habitados por antigas civilizações.

Entre dez[5] e doze mil anos atrás, durante a pré-história, no período do neolítico ou período da pedra polida, alguns indivíduos de povos caçadores-coletores notaram que alguns grãos que eram coletados da natureza para a sua alimentação poderiam ser enterrados, isto é, "semeados" a fim de produzir novas plantas iguais às que os originaram. Os primeiros sistemas de cultivo e de criação apareceram em algumas regiões pouco numerosas e relativamente pouco extensas do planeta. Essas primeiras formas de agricultura eram certamente praticadas perto de moradias e aluviões das vazantes dos rios, ou seja, terras já fertilizadas que não exigiam, portanto, desmatamento [5] .

Essa prática permitiu o aumento da oferta de alimento dessas pessoas, as plantas começaram a ser cultivadas muito próximas uma das outras. Isso porque elas podiam produzir frutos, que eram facilmente colhidos quando maduros, o que permitia uma maior produtividade das plantas cultivadas em relação ao seu habitat natural.

Logo, as freqüentes e perigosas buscas à procura de alimentos eram evitadas. Com o tempo, foram selecionados entre os grãos selvagens aqueles que possuíam as características que mais interessavam aos primeiros agricultores, tais como tamanho, produtividade, sabor e outras.

Assim surgiu o cultivo das primeiras plantas domesticadas, entre as quais se inclui o trigo e a cevada.

Durante o período neolítico, as principais áreas agrícolas estavam localizadas nos vales dos rios Nilo (Egito), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia, atualmente conhecida como Iraque) e rios Amarelo e Azul (China).

Idade Antiga[editar | editar código-fonte]

Há 5.000 anos, quando a agricultura neolítica atingia apenas o Atlântico, o mar do Norte, o Báltico, a Sibéria, o vale do Ganges e a grande floresta equatorial africana, as regiões mais próximas desse centro, na Ásia ocidental, na Europa oriental e na África setentrional, já estavam há muito tempo cultivadas e percorridas pelos rebanhos[5] .

O rio Nilo transbordava a cada ano entre julho e outubro. Os cultivos de vazante eram feitos após o recuo das águas, quando os solos estavam embebidos e enriquecidos pelos depósitos de aluviões, e a colheita acontecia na primavera[5] .

Há registros de cultivos em pelo menos três regiões diferentes do mundo em épocas distintas: Mesopotâmia (possivelmente pela cultura Natufiana), América Central (pelas culturas pré-colombianas) e nas bacias hidrográficas da China e da Índia.

Mudanças no clima ou desenvolvimentos da tecnologia humana podem ter sido as razões iniciais que levaram à descoberta da agricultura.

Importância da agricultura[editar | editar código-fonte]

A agricultura permite a existência de aglomerados humanos com muito maior densidade populacional que os que podem ser suportados pela caça e coleta. Houve uma transição gradual na qual a economia de caça e coleta coexistiu com a economia agrícola: algumas culturas eram deliberadamente plantadas e outros alimentos eram obtidos da natureza.

A importância da prática da agricultura na história do homem é tanto elogiada como criticada: enquanto alguns consideram que foi o passo decisivo para o desenvolvimento humano, críticos afirmam que foi o maior erro na história da raça humana.

Por um lado, o grupo que se fixou na terra tinha mais tempo dedicado a atividades com objetivos diferentes de produzir alimentos, que resultaram em novas tecnologias e a acumulação de bens de capital, daí o aculturamento e o aparente melhoramento do padrão de vida. Por outro, os grupos que continuaram utilizando-se de alimentos nativos de sua região, mantiveram um equilíbrio ecológico com o ambiente, ao contrário da nova sociedade agrícola que se formou, desmatando a vegetação nativa para implantar a monocultura, na procura de maior quantidade com menor variedade, posteriormente passando a utilizar pesticidas e outros elementos químicos, causando um grande impacto no solo, na água, na fauna e na flora da região.

Além de alimentos para uso dos seres humanos e de seus animais de estimação, a agricultura produz mercadorias tão diferentes como flores e plantas ornamentais, fertilizantes orgânicos, produtos químicos industriais (látex e etanol), fibras (algodão, linho e cânhamo), combustíveis (madeira para lenha, etanol, metanol, biodiesel).

A eletricidade pode ser gerada de gás metano a partir de resíduos vegetais processados em biodigestor ou da queima de madeira especialmente produzida para produção de biomassa (através do cultivo de árvores que crescem rapidamente, como por exemplo, algumas espécies de eucaliptos).

Do ponto de vista técnico e científico, a evolução da agricultura é dividido em três etapas principais: antiga, moderna e contemporânea.

Política agrícola[editar | editar código-fonte]

Política agrícola foca as metas e os métodos de produção da agricultura. A este nível, estas metas incluem, entre outros assuntos:

  • higiene alimentar é a busca de uma produção de alimentos livres de contaminações de qualquer natureza.
  • segurança alimentar visa à quantidade de alimento produzida de acordo com as necessidades da população.
  • qualidade alimentar, ou seja, produção de alimentos dentro de padrões mínimos necessários à nutrição.

Economia agrícola e ecologia[editar | editar código-fonte]

A agricultura nos dias atuais pode ser vista por várias óticas.

Pela ótica conservadora, a agricultura obedece aos conceitos cartesiano, simplista e reducionista. Estes conceitos são necessários para entender o funcionamento de cada fase do mecanismo cíclico agrícola, que vai desde o preparo do terreno até a comercialização dos produtos propriamente ditos, e destes retornando em forma de investimento monetário para a expansão ou manutenção dos meios de produção.

Já pela ótica sistêmica, a agricultura é vista como um processo que sofre e exerce pressões sobre os seus integrantes. Existe a preocupação com o fluxo de energia, de onde vem e para onde vai. São considerados aspectos muitas vezes de difícil mensuração, tais como: o valor da fertilidade do solo, o tempo de produção, os aspectos culturais que envolvem os atores inseridos dentro do sistema de produção, entre outros.

Neste contexto surge o conceito de agroecossistema. O patenteamento de sementes (e os conflitos em relação ao patrimônio genético), a poluição das águas superficiais com resíduos de fertilizantes e pesticidas (herbicidas, inseticidas e fungicidas), a alteração genética de plantas e animais, a destruição de habitats (com a conseqüente extinção de espécies animais, vegetais e de microrganismos), têm criado um movimento ecológico que prega a necessidade de métodos alternativos de produção (como a agricultura orgânica e a permacultura).

Sistemas agrícolas[editar | editar código-fonte]

Existem dois tipos, o intensivo e o extensivo.

A agricultura comercial visa à produção de renda financeira através da produção de plantas e animais que são demandados no mercado. Utiliza o sistema intensivo, com a utilização de máquinas e fertilizantes, tem uma tecnologia de ponta, acarretando em altos índices de produtividade.


A agricultura de subsistência é aquela que produz alimento suficiente para as necessidades do proprietário da terra, e sua família. Utiliza o sistema extensivo, com técnicas como queimada, utiliza a mão-de-obra, acarretando em um baixo índice de produtividade.

Métodos usados na agricultura[editar | editar código-fonte]

A mecanização da lavoura auxiliou a aumentar a produtividade das terras em muitos países. Na imagem pode-se ver um conjunto de rolos destorroadores
O plantio em terraços é uma técnica muito empregada em áreas de relevo íngreme

Plantas domésticas[editar | editar código-fonte]

A seleção genética das plantas foi feita inicialmente com o objetivo de aumentar sua produtividade e melhorar seu sabor e valor nutricional. Mais recentemente, técnicas modernas como a engenharia genética têm sido usadas para modificar os aspectos constitucionais das plantas naturais. As culturas principais são trigo, milho, arroz, soja, sorgo e o milheto.

Problemas ambientais[editar | editar código-fonte]

Agricultura e Recursos Hídricos[editar | editar código-fonte]

A agricultura de irrigação é o setor econômico responsável por maior uso consumptivo da água. Nesse aspecto, grande parte dos conflitos de uso da água na atualidade envolvem a competição de irrigantes por esse recurso.

Além disso, o correto manejo do uso do solo na propriedade rural é essencial para manter a infiltração da água no solo e garantir a vazão dos rios nos períodos de estiagem e seca. Esse foco no uso sustentável das propriedades agrícolas tem levado os produtores rurais a inclusive assumirem esse papel como produtores de água, ou seja, prestadores de serviços ambientais. Para tanto, é importante utilizar técnicas agrícolas que estimulem a infiltração (tais como barraginhas de infiltração, plantio em curvas de nível e terraceamento), bem como respeitar a legislação de uso do solo (preservando áreas de preservação permanente e reservas legais).[6]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Barker Graeme, Prehistoric farming in Europe, Cambridge University Press, Cambridge 1985
  • Bender Barbara, Farming in Prehistory. From hunther-gatherer to food producer, Baker, London 1975
  • Babel W. Congiunture agrarie e crisi agrarie Einaudi, 1976
  • Bloch Marc, Les caractères originaux de l’histoire rurale française, A. Colin, Paris 1952
  • Heitland William E., Agrícola: a study of agriculture and rustic life in the Greco-Roman world, Cambridge University Press, Cambridge 1921
  • Marcel Mazoyer, Laurence Roudart: História das agriculturas do mundo : do neolítico à crise contemporânea, Lisboa : Instituto Piaget, D.L. 2001
  • Saltini Antonio, Storia delle scienze agrarie, 4 voll., Bologna 1984-89, ISBN 88-206-2412-5, ISBN 88-206-2413-3, ISBN 88-206-2414-1, ISBN 88-206-2414-X
  • Saltini Antonio. I semi della civiltà. Frumento, riso e mais nella storia delle società umane, Bologna 1996
  • Slicher van Bath Bernard H., The Agrarian History of Western Europe, A. D. 500 – 1850, E. Arnold, London 1963

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
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Listas[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Latin Dictionary and Grammar Aid. Disponível em: <http://archives.nd.edu/latgramm.htm>. Acesso em: 12 de agosto de 2011
  2. FERREIRA, Marina Baird e dos ANJOS, Margarida (coord). Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 4ª edição. Curitiba: Editora Positivo, 2009
  3. Cambridge Dictionary Online. Disponível em: <http://dictionary.cambridge.org/dictionary/british/agriculture?q=agriculture>. Acesso em: 12 de agosto de 2011
  4. Dictionary.com. Disponível em: <http://dictionary.reference.com/browse/agriculture>. Acesso em: 12 de agosto de 2011
  5. a b c d MAZOYER, Marcel e ROUDART, Laurence. História das Agriculturas do Mundo - do neolítico à crise contemporânea. Ministério do Desenvolvimento Agrário. 2008. Disponível em: <http://www.iica.int/Esp/regiones/sur/brasil/Lists/Publicacoes/Attachments/60/Historia_das_agriculturas.pdf>. Acesso em: 12 de agosto de 2011. ISBN 978-85-7139-994-5 (Editora UNESP); ISBN 978-85-60548-60-6 (NEAD). Título original: Histoire des Agricultures du monde: du néolithique à la crise contemporaine
  6. Vasconcelos, V. V. Agricultura e Conservação de Recursos Hídricos. Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. 2009.