Caçador-coletor

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Os humanos foram caçadores-coletores (AO 1945: caçadores-colectores) (a forma caçador-recoletor (AO 1945: caçador-recolector) também é usada) até à revolução neolítica, e a caça e a coleta foram os primeiros modos de subsistência do Homo sapiens. Estas atividades foram herdadas diretamente do mundo animal, particularmente dos primatas. Caçadores-recoletores de caça obtêm mais na recolha que na caça; até 80% da comida é obtida por recoleção.[1]

Estes modos de subsistência consistem na recolha da natureza do que ela fornece espontaneamente. Precedem a pecuária e a agricultura, e podem dar origem ao nomadismo, se as manadas que fornecem a subsistência principal se deslocam ou se os recursos do território se esgotam.

As descobertas arqueológicas sustentam a hipótese de que, há vinte mil anos, todos os seres humanos eram caçadores-coletores. Hoje ainda subsistem caçadores-coletores no Ártico e nas florestas tropicais úmidas, onde outras formas de subsistência não são possíveis. A maior parte desses grupos teve ancestrais agricultores, que foram empurrados para zonas periféricas no decorrer de migrações e de conflitos. Estima-se que estas comunidades desaparecerão dentro de algumas dezenas de anos.

Dois homens hadza retornam de uma caçada. O Hadza são uma das poucas sociedades africanas contemporâneas que vivem principalmente de caça e coleta.

Modo de vida[editar | editar código-fonte]

Bagas silvestres da floresta de Samatra.

São utilizados apenas os materiais disponíveis na natureza para a construção de abrigos, dando preferência para os naturais, que necessitem de poucas transformações. Estes abrigos destinam-se à proteção contra intempéries e predadores.

A maioria das sociedades de caçadores-coletores é nômade, pois, normalmente, os recursos de uma área são rapidamente esgotados, tornando impossível a fixação permanente dos grupos humanos. Existem, no entanto, exceções, como no caso dos Haida da Colúmbia Britânica, que puderam sedentarizar-se numa região suficientemente rica.

As populações de caçadores-coletores são pouco densas. Com efeito, uma mesma região explorada com agricultura permite alimentar uma população 60 a 100 vezes superior que o modo de vida de caça e coleta.

As sociedades de caçadores-coletores tendem a não possuir estruturas sociais hierarquizadas, mas nem sempre assim acontece. Sendo nômades, quase nunca têm a possibilidade de armazenar excedentes alimentares. Por essa razão, não podem suportar os dirigentes, artistas ou funcionários a tempo inteiro. Assim, é possível dividir as sociedades de caçadores-coletores em duas tendências, de acordo com o modo de redistribuição:

  • as sociedades igualitárias com uma redistribuição imediata
  • as sociedades não-igualitárias, com uma redistribuição retardada.

As primeiras consomem a sua produção em um dia ou dois; as outras armazenam os seus excedentes.

Nas sociedades igualitárias, os sistemas familiares são diferentes das sociedades de cultivadores, de criadores, de pastores ou sociedades industriais.

Segundo Service, 1971 [2] Nos grupos de caçadores e coletores não existe outra especialização integral do trabalho além das divisões domésticas de idade e sexo. Entre os povos caçadores, os homens se dedicam a caça (especialmente de caçadas que exigem grandes deslocamentos em relação ao acampamento) e as mulheres provavelmente pela limitação importa por exigências da procriação e cuidado dos filhos, cabe a tarefa de coletar viveres próximos ou pequenas caças nos seus arredores. (o.c. p.20)

Caçadores-coletores e sociedades agrícolas[editar | editar código-fonte]

As formas sociais dos caçadores-coletores colidiram violentamente após a invenção da agricultura, há 10 000 anos, com as sociedades de pastores ou agrícolas. Consideradas como parasitas, acabavam por desaparecer a maior parte das vezes ou eram escorraçadas para terras estéreis. A colonização e a industrialização aceleraram este processo.

Se o século XIX encarou este modo de vida com desprezo, considerando-o primitivo, apercebemo-nos hoje que ele permitiria uma forma de vida em harmonia com o ambiente. Há mesmo quem o considera o modo de vida ideal para nós.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Burenhult, Göran. Traditional Peoples Today: Continuity and Change in the Modern World. USA, HarperOne, 1994
  2. Service, Elman R. Os Caçadores, RJ, Zahar, 1971

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Barnard, Alan J. Hunter-gatherers in history, archaeology, and anthropology. NY, Berg Publishers, 2004 Google Livros Agos. 2011