Ötzi

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Ötzi (Homem da Neve)
“Ötzi”, a múmia da geleira (reconstrução que se encontra no Musée de Préhistoire de Quinson, Alpes-de-Haute-Provence — França).
Nome completo  ???
Morte aproximadamente 5300 anos atrás
Alpes de Venoste

Ötzi ([ˈœʦi], do alemão Ötzi, apelido em homenagem ao seu local de descoberta, o Vale de Ötztal (Tirol do Sul) — em alemão Ötztaler Alpen)[1] Otzi ou Múmia do Similaun é uma múmia masculina bem conservada com cerca de 5300 anos.[2] A múmia foi encontrada por moradores da região, nos Alpes orientais, em 1991, em uma geleira perto do monte Similaun, na fronteira da Áustria com a Itália. Ele rivaliza a múmia egípciaGinger” no título de mais velha múmia humana conhecida,[quem?] e oferece uma visão sem precedentes da vida e hábitos dos homens europeus na Idade do Cobre. Ao morrer, trajava vestimentas que o protegiam do frio, com tres camadas de roupas feitas de pele de veado e de cabra, além de uma capa forreda de fibra da casca da tília, árvore tipica no hemisfério norte.

Descoberta[editar | editar código-fonte]

A múmia Ötzi, enquanto ainda congelada na geleira. Fotografada por Helmut Simon no dia em que o corpo foi descoberto, em setembro de 1991.

Ötzi foi encontrado por um casal de turistas alemães, Helmut e Erika Simon, em 19 de setembro de 1991. Eles primeiro pensaram que se tratasse de um cadáver moderno, como diversos outros que são freqüentemente encontrados na região por causa do frio que fazia na região. O corpo foi confiscado pelas autoridades austríacas e levado para Innsbruck, onde sua verdadeira idade foi finalmente estabelecida. Pesquisas posteriores revelaram que o corpo fora encontrado poucos metros além da fronteira, em território italiano. Ele agora está exposto no Museu de Arqueologia do Tirol do Sul, Bolzano, Itália.

Análise científica[editar | editar código-fonte]

O corpo foi extensamente examinado, medido, radiografado e datado. Os tecidos e o conteúdo dos intestinos foram examinados ao microscópio, assim como o pólen encontrado nos seus artefatos.

Memorial a Ötzi no Ötztal.

Quando morreu, Ötzi tinha entre 30 e 45 anos e aproximadamente 165 cm de altura. A análise do pólen e da poeira e a composição isotópica do esmalte de seus dentes indica que ela passou sua infância perto da atual aldeia de Feldthurns, ao norte de Bolzano, mas que mais tarde viveu em vales a cerca de 50 km ao norte.

Ele tinha 57 tatuagens, algumas das quais eram localizadas em (ou perto de) pontos que coincidem com os atuais pontos de acupuntura, que podem ter sido feitas para tratar os sintomas de doenças de que Ötzi parece ter sofrido, como parasitas digestivos e artrose. Alguns cientistas acreditam que esses pontos indiquem uma primitiva forma de acupunctura.[3]

Suas roupas, incluindo uma capa de grama entrelaçada e casaco e calçados de couro, eram bastante sofisticadas. Os sapatos eram largos e à prova d'água, aparentemente feitos para caminhar na neve; as solas eram feitas de pele de urso, a parte superior de couro de veado e uma rede feita de cascas de árvores. Tufos de grama macia envolviam o pé dentro do sapato, servindo de isolante térmico.

Outros artefatos encontrados junto a Ötzi foram um machado de lâmina de cobre com cabo de teixo, uma faca de sílex e cabo de freixo, uma aljava cheia de flechas e um arco longo de teixo inacabado que era mais comprido do que Ötzi.

Entre os objetos de Ötzi havia duas espécies de cogumelos, uma das quais (fungo de bétula) é conhecida pelas suas propriedades antibacterianas, e parece ter sido usada para fins medicinais. O outro cogumelo era um tipo de fungo que pega fogo facilmente, incluído com partes do que parece ter sido um kit para começar fogo. O kit continha restos de mais de doze plantas diferentes, além de pirita para a criação de faíscas.

Análise genética[editar | editar código-fonte]

Um grupo de cientistas sequenciou o genoma de Ötzi e este foi publicado em 28 de fevereiro de 2012. Um estudo do cromossoma Y de Ötzi colocou-o num grupo que hoje domina no Sul da Córsega.

Já a análise do DNA mitocondrial mostrou que Ötzi pertence ao sub-ramo K1, mas não pode ser colocado em nenhum dos três modernos grupos deste sub-ramo (K1a, K1b ou K1c). O novo sub-ramo foi provisoriamente apelidado de K1ö por causa de Ötzi.[quem?]

Uma observação genérica do seu DNA relaciona-o com Europeus do Sul, particularmente com populações isoladas geograficamente da Sardenha e Córsega.

A análise do DNA que ele tinha um elevado risco de sofrer de aterosclerose, intolerância à lactose e a presença no DNA da sequência de Borrelia burgdorferi, torna-o o mais antigo humano a sofrer da doença de Lyme (vulgarmente conhecida como febre da carraça).

Um estudo de 2012 do paleoantropólogo John Hawks sugeriu que Ötzi tinha mais material genético de Neanderthal do que os Europeus modernos.

Causa mortis[editar | editar código-fonte]

Primeiramente supôs-se que ele fosse um pastor levando seu rebanho para as montanhas e que foi surpreendido por uma tempestade de neve. Dada sua relativa alta idade, não teria resistido ao esforço e morrido.

No entanto, a análise de DNA revelou traços de sangue de quatro outros indivíduos nos seus equipamentos: um na sua faca, dois na mesma flecha e o último no seu casaco. Em julho de 2001, dez anos após a descoberta do corpo, uma tomografia axial computorizada revelou que Ötzi tinha o que parecia ser uma ponta de flecha no seu ombro, mais precisamente na omoplata, combinando com um pequeno furo no seu casaco. O cabo da flecha havia sido removido. Ele também tinha um profundo ferimento na palma da mão direita, que atingiu a carne, tendões e o osso.

Uma equipe de pesquisadores italianos e suíços usou a tecnologia de raio-X para comprovar que a causa da morte foi uma lesão sofrida numa artéria próxima do ombro e provocada pela ponta de flecha que permanece até hoje cravada nas costas. Os mesmos cientistas concluíram que a morte de Ötzi foi imediata.

Em 2007 cientistas revelaram que Ötzi morreu de um ferimento no ombro provocado por uma flecha.

A partir de tais evidências e de exames das armas, o biólogo molecular Thomas Loy, da Universidade de Queensland, acredita que Ötzi e um ou dois companheiros fossem caçadores que participaram de uma luta contra um grupo rival. Em um certo momento, ele pode ter carregado (ou ter sido carregado por) um companheiro. Enfraquecido pela perda de sangue, Ötzi aparentemente largou seus equipamentos contra uma rocha, deitou-se e expirou.

Análises dos intestinos de Ötzi mostraram duas refeições, uma de carne de bode da montanha, a segunda de carne de veado, ambas consumidas com alguns cereais. Pólen na segunda refeição mostra que esta foi consumida em uma floresta de coníferas a meia-altitude.

Inscrição no memorial.

Os resultados mais recentes da pesquisa apareceram em linha no Journal of Archaeological Science e foram publicados pela National Geographic.

Superstição[editar | editar código-fonte]

Existe uma superstição que envolve Ötzi. Segundo a crença, acredita-se haver uma maldição ao redor da múmia quinquemilenar que estaria zangada com as pessoas que a perturbassem em seu descanso. Até agora 7 das pessoas que entraram em contato com o cadáver congelado tiveram acidentes estranhos que resultaram em morte. Entre elas encontram-se cientistas que estudaram o corpo e o próprio descobridor de Ötzi, Helmut Simon, que faleceu ironicamente numa forte tempestade de neve, enquanto passeava pela Áustria numa região a 100 km do local original.[4]

Referências

  1. Duden online, “Ötzi”, 2013-11-08 (página em alemão).
  2. James Neill (last updated 27 October 2004), Otzi, the 5,300 Year Old Iceman from the Alps: Pictures & Information, http://www.wilderdom.com/evolution/OtziIcemanAlpsPictures.htm, visitado em 2007-03-08 .
  3. L. Dorfer, M. Moser, F. Bahr, K. Spindler, E. Egarter-Vigl, S. Giullën, G. Dohr, T. Kenner (18 setembro 1999). Department of medical history: A medical report from the stone age? [ligação inativa] The Lancet (Vol. 354, 354:1023-25). Visitado em 2013-11-08. Cópia arquivada em 08/12/2006.
  4. Adam, Karla (05 novembro 2005). Curse of the Oetzi the Iceman strikes again [ligação inativa] (jornal) The Independent. Visitado em 2013-11-08.

Links externos[editar | editar código-fonte]

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