Superstição

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Mário Jorge Zagallo, conhecido por adorar o número 13, afirmou que ele ajudou a Seleção Brasileira a garantir classificação para a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha.[1]
Biscoitos da sorte, por vezes premiados.

Superstição é a crença em situações com relações de causa e efeito que não se podem mostrar de forma racional ou empírica. Ela geralmente está associada à suposição de que alguma força sobrenatural, que pode inclusive ser de origem religiosa[2] , agiu para promover a suposta causalidade. Um exemplo comum no Brasil, é a crença de que quebrar um espelho causa sete anos de azar. Também são supersticiosas as crenças irracionais[3] mais simples que não envolve a suposição de algo não natural.

Superstições são, por definição, não fundamentadas em verificação de qualquer espécie. Elas podem estar baseadas em tradições populares, normalmente relacionadas com o pensamento mágico. O supersticioso acredita que certas ações (voluntárias ou não) tais como rezas, curas, conjuros, feitiços, maldições ou outros rituais, podem influenciar de maneira transcendental a sua vida.

Consideram-se superstições aquelas disciplinas sem embasamento racional ou científico[4] , as chamadas pseudociências, tais como:

O elo causal entre a atitude do supersticioso e o efeito que se supõe ocorrer é, em muitos casos, difuso, muitas vezes não declarado e sempre impossível de ser verificado. Por esta razão ele é atribuído a forças sobrenaturais que incluem:

  • a força do destino;
  • poder invisível dos astros;
  • poder invisível dos ritos mágicos;
  • poder invisível dos espíritos que podem ser de humanos já falecidos, de seres não humanos mas presentes na natureza, de anjos e demônios (djins, na tradição islâmica) e outros.

Esta maneira de pensar é contrária à razão e viola os princípios da ciência, que busca analisar os fenômenos e encontrar relações de causas e efeitos demonstráveis e reproduzíveis por quem se disponha a testá-las. Embora seja perfeitamente possível que algo considerado impossível e sobrenatural no presente seja um dia verificado pelo método científico é importante que se encare com ceticismo as afirmações de paranormalidade ou realizações extraordinárias que superam em muito a capacidade técnica no presente.

Em muitos casos o pensamento mágico e supersticioso deu origem ou conduziu à alguma disciplina do conhecimento científico moderno (veja ciência). É o caso da astrologia da qual surgiu a astronomia, da alquimia que deu origem à química, e outras.

Superstições mais comuns[editar | editar código-fonte]

Gato preto: amado por alguns, odiado por outros.
Treze, dito por alguns como o número do azar, porém, para outros, é o número da sorte. Personalidades como Mário Jorge Zagallo[5] e Sebastián "El Loco" Abreu,[6] são notórios por gostarem do número.
  • Coceiras: Se a palma da mão direita coçar, é sinal que irá receber dinheiro. Se a palma da mão esquerda é que estiver coçando, uma visita desconhecida está para aparecer. Coceira na sola do pé significa viagem ao exterior.
  • Elefantes: Ter um elefante de enfeite, sobre um móvel qualquer, sempre com a tromba erguida mas de costas para a porta de entrada, evita a falta de dinheiro.
  • Orelha: Se sua orelha esquentar de repente, é porque alguém está falando mal de você. Nesses casos, vá dizendo o nome dos suspeitos até a orelha parar de arder. Para aumentar a eficiência do contra-ataque, morda o dedo mínimo da mão esquerda: o sujeito irá morder a própria língua.
  • Objetos perdidos: A maneira mais eficiente de encontrar algo que desapareceu é dar três pulinhos para São Longuinho.
  • Gatos: Na idade média, acreditava-se que os gatos pretos eram bruxas transformadas em animais. Por isso a tradição diz que cruzar com gato preto é azar na certa. Os místicos, no entanto, têm outra versão. Quando um gato preto entra em casa é sinal de dinheiro chegando. Acariciar um gato atrai boa sorte. Ter um gato em casa atrai fortuna. Se um gato dobrar as suas patas e se deitar sobre elas deixando-as escondidas é sinal que uma tempestade está por vir.
  • Espelhos: Quem quebrar um espelho terá sete anos de azar. Ficar se admirando num espelho quebrado é ainda pior. Significa quebrar a própria alma. Ninguém deve se olhar também num espelho à luz da velas. Não permita ainda que outra pessoa se olhe no espelho ao mesmo tempo em que você.
  • Guarda-chuva: Dentro de casa, o guarda-chuva deve ficar sempre fechado. Segundo uma tradição, abri-lo dentro de casa traz infortúnios e problemas aos familiares. No entanto nas Ilhas Salomão abrir guarda-chuva no trabalho significa trazer grande quantidade de riqueza.
  • Brinde: Se o seu copo contiver algum tipo de bebida alcoólica, não brinde com ninguém cujo copo contenha bebida sem álcool. Vocês terão os seus desejos invertidos.
  • Vassoura: Colocar uma vassoura com o cabo para baixo atrás da porta faz as visitas indesejáveis irem embora logo. A vassoura deve ser guardada na posição vertical para evitar desgraças. Crianças que montarem em vassouras serão infelizes. Varrer a casa à noite expulsa a tranquilidade.
  • Número 13: O número 13 é tido ora como sinal de infortúnio, ora de bom agouro. Se uma sexta-feira cair no dia 13 de um mês é um mau sinal. Todo cuidado é pouco nesse dia. O número treze é tão temido que há lugares onde os prédios não possuem o décimo terceiro andar.
  • Escada: Passar por de baixo da escada pode trazer má sorte.
  • Cachorros: quando algum cachorro esta uivando deve-se colocar o direito corretamente em um calçado e virar o pé esquerdo e pisar em cima, então o cachorro para na hora.
  • Madeira: se você bater em um tronco de árvore oco três vezes o azar vai embora.
  • Mau-olhado (ou olho-gordo): característica creditada a algumas pessoas, consistindo na capacidade de fazer mal a alguém apenas submetendo-o ao seu olhar.
  • Ferraduras: virar as duas pontas de uma ferradura para cima traz boa sorte.
  • Espirro: Se você espirrar em algum dia em que não está gripado, alguém está falando de você. A prática usual de se dizer "saúde" (ou "God bless you" nos países de língua inglesa) é derivada da crença supersticiosa de que a alma da pessoa que espirra pudesse sair do corpo naquele momento.
  • Divisão da Calçada: Se caso você pisar em uma divisa da calçada, isso causará dores no corpo.
  • Sal: O lance do sal acontece quando você derrubar ele sem querer como por exemplo um Saleiro, para que evite o azar do sal, pegue um pouco do sal derramado e jogue pelo o ombro esquerdo.
  • Pé-de-coelho: Ele é uns dos amuletos da sorte, que pode ser utilizado em chaveiros.

Aspectos religiosos[editar | editar código-fonte]

Alguns estudiosos da Bíblia[7] afirmam que a superstição infringe as leis ali descritas e está portanto em contradição com sua religião. No entanto a própria Bíblia aceita as superstições do povo judeu, uma vez que é um texto produzido por aquele ambiente cultural. Entre elas estão a questão da pureza no comportamento sexual, a recusa em consumir alimentos considerados impuros, o não contato com cadáveres, o próprio entendimento do que é pecado, a observância do sábado e etc.). Muitos destes conceitos culturais foram herdados pelo cristianismo que assimilou a crença em demônios, no juízo final, no arrebatamento ao final dos tempos, etc.

Cada agrupamento religioso vê como supersticiosas as crenças que estão fora de suas visões da realidade, o que está em acordo com a definição primitiva da palavra "superstição", derivada do latim "superstitio", significando algo que sobrou e se contrapõe à "religio", a palavra latina usada para se referir ao culto aos deuses. No entanto o que é considerada uma crença perfeitamente aceita por um grupo pode ser visto como supersticiosa por pessoas de outras culturas. Neste sentido toda a crença não fundamentada empírica e teoricamente é uma superstição, independentemente de quantas pessoas acreditam nela e por quanto tempo o fazem.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. esportes.terra.com.br: Zagallo diz que superstição do 13 ajudou o Brasil (4 de setembro de 2005)
  2. "superstição", em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/superstição [consultado em 21-10-2013].
  3. "crendice", em Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/crendice [consultado em 21-10-2013].
  4. Dicionário Houaiss Eletrônico 3.0, Junho de 2009.
  5. abril.com.br: Esporte brasileiro adora superstição, mas ignora o 13; Zagallo é a exceção (13 de fevereiro de 2009)
  6. globoesporte.globo.com: Abreu: ‘Loco’ desde criança e número 13 como sinônimo de trabalho (6 de janeiro de 2010)
  7. Deuterônomio 18:10-12, Gálatas 5:19-21