Gripe

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Gripe
Vírus influenza.
Classificação e recursos externos
CID-10 J10, J11
CID-9 487
DiseasesDB 6791
MedlinePlus 000080
eMedicine med/1170 ped/3006
Star of life caution.svg Aviso médico

A gripe é uma doença infecciosa aguda que afeta aves e mamíferos. É causada pelo Vírus ARN da família Orthomyxoviridae (dos vírus influenza). O nome influenza vem da língua italiana, e significa "influência" (em latim, influentia). Em humanos, os sintomas mais comuns da doença são calafrios e febre, dor de garganta, dores musculares, dores de cabeça, tosse, fadiga e mal estar.[1] Em casos mais graves causa pneumonia, que pode ser fatal, particularmente em crianças pequenas e idosos. Embora às vezes seja confundida com o resfriado, a gripe é muito mais grave e causada por vários tipos de vírus.[2] Pode causar náusea e vômito, especialmente em crianças,[1] mas tais sintomas são mais característicos da não relacionada gastroenterite, que pode ser chamada de "gripe de estômago" ou "gripe de 24 horas".[3]

Tipicamente, a gripe é transmitida por mamíferos infectados por meio do ar por tosses ou espirros, criando partículas contendo o vírus, e por aves infectadas por meio de suas fezes. Pode também ser transmitida pela saliva, secreções nasais, fezes e sangue. Infecções também ocorrem por meio de contato com estes fluidos corporais ou com superfícies contaminadas. Os vírus podem infectar por cerca de uma semana à temperatura do corpo, e por mais de 30 dias a 0 °C e por períodos mais longos em temperaturas mais baixas.[4] [5] A maior parte das variedades do influenza pode ser facilmente neutralizada por meio de desinfetantes e detergentes.[6] [7] [8]

A gripe se espalha ao redor do mundo em epidemias, que resultam em mortes de centenas de milhares de pessoas anualmente — milhões em anos de pandemia. Três epidemias da doença ocorreram no século 20 mataram dezenas de milhões de pessoas, com cada uma destas pandemias sendo causada pelo surgimento de uma nova variedade do vírus em humanos. Frequentemente, estas novas variedades resultam de uma gripe existente em espécies animais para seres humanos. A gripe aviária, chamada H5N1 mostrou-se a de maior risco para uma nova pandemia de gripe desde que começou a matar humanos na Ásia nos anos 1990. Felizmente, não sofreu uma mutação para uma forma que se espalha facilmente entre as pessoas..[9] Em 2009, o México registrou os primeiros sintomas da gripe suína transmitida pelos porcos aos humanos. O vírus sofreu mutações e atualmente é transmitido de humanos para humanos.

Vacinações são geralmente dadas às pessoas em países desenvolvidos com um maior risco de contrair a doença[10] e às aves de criação.[11] a vacina humana mais comum é a chamada vacina trivalente que contem material purificado e inativo de três variedades do vírus. Tipicamente, esta vacina inclui material de subtipos da variedade A e uma da B.[12] A vacina formulada para um ano pode ser ineficaz no ano seguinte, pois os vírus mudam rapidamente ao longo do tempo, e diferentes variedades se tornam dominantes. Medicamentos anti-virais podem ser utilizados para o tratamento, especialmente os com inibidores de neuramidase.[13]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

A palavra "gripe" foi tomada do francês "grippe", equivalente a influenza, e é a denominação de uma enfermidade causada por um vírus, que afeta o ser humano, assim como alguns mamíferos e aves, e se caracteriza por febre, dor de garganta, debilidade, dores musculares, articulares e de cabeça. Ocasionalmente, pode complicar-se com pneumonia.

Há várias hipóteses sobre a origem da palavra, que se empregava em francês em começos do século XIV com o sentido de gancho ou também de garra. Na primeira metade do século XVII, grippe era usada com o sentido de capricho, desejo repentino, como testemunha a obra de Corneille. Um século mais tarde já era usada com a denotação de catarro epidêmico, em uma extensão do sentido de capricho, provavelmente com base na ideia de que se trata de uma doença que se contrai de maneira brusca, como se fora uma veleidade caprichosa do destino.

História[editar | editar código-fonte]

Os sintomas da gripe em seres humanos foram claramente descritos por Hipócrates aproximadamente 2400 anos atrás.[14] [15] Desde então, o vírus causou numerosas pandemias. Dados históricos sobre a gripe são difíceis de serem interpretados porque os sintomas podem ser semelhantes aos de outras doenças, como difteria, febre tifóide, dengue ou tifo. O primeiro relato convincente de epidemia de gripe foi em 1580, que começou na Ásia e se espalhou pela Europa via África. Em Roma, mais de 8.000 pessoas morreram, e muitas cidades espanholas ficaram praticamente inabitadas. Pandemias continuaram esporadicamente ao longo dos séculos XVII e XVIII, sendo a pandemia de 1830–1833 particularmente vasta; infectou praticamente um quarto das pessoas expostas.[16]

A pandemia mais famosa e letal foi a chamada gripe espanhola (tipo A, subtipo H1N1), que durou de 1918 a 1919. Antigas estimativas apontam para 40–50 milhões de pessoas,[17] enquanto estimativas mais recentes indicam de 50 a 100 milhões de mortos no mundo inteiro.[18] Esta pandemia foi descrita como "O maior holocausto médico da história" e pode ter matado tantas pessoas quanto a peste negra.[16] Esta grande mortalidade foi devido ao grande índice de infecção (acima de 50%) e da extrema gravidade dos sintomas, que suspeitavam ser causados pela tempestade de citocinas.[17] De fato, os sintomas em 1918 eram tão incomuns que a gripe foi inicialmente confundida em diagnósticos como dengue, cólera ou tifóide. De acordo com alguns registros, "uma das mais graves complicações era a hemorragia das membranas mucosas, especialmente do nariz, estômago e intestino. Sangramentos dos ouvidos e hemorragias de petéquia na pele também ocorriam.[18] A maioria das mortes eram de pneumonia bacteriana, uma infecção secundária causada pela gripe, mas o vírus também matou diretamente por meio de graves hemorragias e edemas no pulmão.[19]

A pandemia de gripe espanhola foi verdadeiramente global e se espalhou até mesmo pelo Ártico e ilhas remotas do Pacífico. A gravidade inesperada da doença matou entre 2 e 20% dos infectados, muito alta comparada com as taxas de mortalidades das epidemias de gripe de cerca de 0.1%.[18] [19] Outro grande diferencial desta pandemia foi a alta taxa de mortalidade de jovens adultos, com 99% de mortes causadas pela pandemia em pessoas abaixo dos 65 anos, e mais da metade entre jovens adultos entre 20 e 40 anos.[20] Isto não é comum, pois a gripe normalmente causa mais mortes em crianças abaixo de 2 anos e idosos acima de 70. O total de mortos pela pandemia de 1918–1919 é desconhecido, mas estima-se que entre 2,5 e 5% da população mundial morreu em consequência da doença. Aproximadamente 25 milhões teriam morrido nas primeiras 25 semanas; para efeito de comparação, o HIV teria matado a mesma quantidade em seus primeiros 25 anos.[18]

As pandemias de gripe posteriores não foram tão devastadoras. alguns exemplos de tais pandemias foram a de gripe asiática em 1957 (tipo A, variedade H2N2) e a gripe de Hong Kong de 1968 (tipo A, variedade H3N2), mas mesmo estas sendo menores, mataram milhões de pessoas. Com o advento dos antibióticos, controlou-se as infecções secundárias o que pode ter ajudado a reduzir a mortalidade em relação à gripe espanhola de 1918.[19]

Pandemias de gripe[16] [21]
Nome da pandemia Data Mortes Subtipo envolvido Índice de gravidade pandêmica
Gripe russa 1889–1890 1 milhão possivelmente H2N2 ?
Gripe espanhola 1918–1920 40 a 100 milhões H1N1 5
Gripe asiática 1957–1958 1 a 1,5 milhões H2N2 2
Gripe de Hong Kong 1968–1969 0,75 a 1 milhão H3N2 2
Gripe suina 2009-2010 10 Mil a 25 Mil H1N1 6

A família de vírus Orthomyxoviridae, causadora da gripe, foi primeiro descoberta em porcos por Richard Shope em 1931.[22] Esta descoberta foi seguida pelo isolamento do vírus em humanos por um grupo liderado por Patrick Laidlaw no Medical Research Council do Reino Unido em 1933.[23] Entretanto, só após Wendell Stanley cristalizar o tobacco mosaic virus em 1935 que foi descoberta a natureza não celular dos vírus.

O primeiro passo significante para a prevenção da gripe foi o desenvolvimento de uma vacina feita com vírus mortos por Thomas Francis, Jr. em 1944. Esta pesquisa foi baseada em um trabalho de Frank Macfarlane Burnet, que mostrou que o vírus se tornava inativo quando cultivado em ovos de galinha.[24] A aplicação desta observação de Francis permitiu seu grupo de pesquisadores da Universidade de Michigan a desenvolver a primeira vacina contra a gripe, com o apoio do Exército dos Estados Unidos.[25] O Exército americano estava profundamente envolvido nesta pesquisa devido a sua experiência com a gripe na Primeira Guerra Mundial, quando milhares de tropas morreram por causa do vírus em questão de meses.[18]

Ocorrência e Transmissão[editar | editar código-fonte]

Cientista realizando pesquisa sobre o vírus influenza em condições de alta segurança biológica.

A gripe ocorre, mais frequentemente, nos meses de Inverno e, habitualmente, o pico surge entre Dezembro e Março no hemisfério norte. Só atinge o hemisfério sul meio ano mais tarde, na época fria local.

Admite-se, no entanto, a existência de casos esporádicos de gripe ao longo de todo o ano. Os casos de gripe que aparecem isolados fora do Inverno passam habitualmente sem diagnóstico.

Quando a temperatura é baixa e na ausência de radiação ultravioleta o vírus sobrevive o tempo suficiente para poder ser transmitido de uma pessoa infectada para uma pessoa saudável.

Outro factor facilitador da transmissão do vírus é o agrupamento de pessoas em recintos fechados (escolas, lares, meios colectivos de transporte, discoteca).

A gripe apresenta uma elevada taxa de transmissão. Transmite-se por partículas da saliva de uma pessoa infectada, expelidas sobretudo através da respiração, da fala, da tosse e dos espirros.

Período de incubação e de contágio[editar | editar código-fonte]

A gripe apresenta um curto período de incubação, o qual é, em média, de 2 dias com intervalo de 4 dias.

O período de contágio inicia-se 1 a 2 dias e dura até 5 dias após o início dos sintomas, tendo o seu auge nos segundo e terceiro dias após a formação do catarro nos pulmões.

A doença diminui em até 95% a imunidade de um ser humano saudável, dando margem para a infecção por vírus parentes da gripe comum, como o da gripe suína. Caso uma pessoa portadora do vírus comum seja contaminada com o vírus da gripe suína, as chances de recuperação diminuem 79% em relação a uma pessoa sem o vírus, ocasionando o agravamento dos sintomas e levando a óbito em alguns casos.

Sintomas e diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Em humanos, os efeitos da gripe são muito mais severos e duram muito mais que os do resfriado. A recuperação leva de uma a duas semanas. Entretanto, a gripe pode matar, especialmente pessoas fracas, idosas ou com doenças crônicas [21] por piorar problemas de saúde crônicos. Pessoas com enfisema, bronquite crônica ou asma pode sofrer dificuldade de respiração enquanto gripados, e além disso, a gripe pode piorar casos de aterosclerose coronariana ou insuficiência cardíaca.[26] Tabagismo é um outro fator de risco associado com sérias complicações e aumento de mortalidade por gripe.[27]

Sintomas[editar | editar código-fonte]

Os sintomas podem começar repentinamente, um ou dois dias após a infecção. Geralmente os primeiros sintomas são calafrios, mas febre também é comum no início da infecção, com temperaturas corporais acima de 39 °C (aproximadamente 103 °F). Muitos ficam tão doentes que são confinados na cama por vários dias, com dores por todo o corpo, que são piores nas costas e pernas.[1] Sintomas de gripe podem incluir

  • Dores no corpo, especialmente articulações e garganta
  • Tosse e espirros
  • Sensação de frio e febre
  • Fadiga
  • Cefaleia (dor de cabeça)
  • Irritação nos olhos
  • Congestão nasal
  • Olhos, pele (especialmente a face), boca, garganta e nariz avermelhados
  • Dor abdominal (em crianças com gripe tipo B)[28]

Complicações[editar | editar código-fonte]

Habitualmente benigna, a gripe pode ser grave, principalmente para as pessoas idosas ou debilitadas por doenças crónicas. As complicações surgem mais frequentemente em pessoas com doença cárdio-pulmonar preexistente e na gravidez. No caso da gravidez, pode inclusivamente haver repercussões no bebê.

A idade é um factor adicional no aumento das complicações, em particular se o idoso é portador de doença respiratória. As pessoas com 65 ou mais anos apresentam taxas de hospitalização e de mortalidade por pneumonia e gripe superiores às da população em geral.

As complicações respiratórias mais frequentes, que podem levar inclusivamente à hospitalização, são:

  • Traqueobronquite: infecções das vias aéreas inferiores, sem tradução radiológica e com recorrência e exacerbação da tosse seca inicial, acompanhada por vezes de secreções espumosas sanguinolentas; apesar de poder persistir por 3 semanas, o prognóstico é, em geral, bom.
  • Gripe bacteriana secundária: a hemaglutinina e a neuraminidase, ao ligarem-se às células da mucosa traqueobrônquica, impedem o seu normal metabolismo e provocam inicialmente uma discinésia ciliar e posteriormente a desnudação da mucosa de revestimento do aparelho respiratório, facilitando desse modo o aparecimento das infecções bacterianas secundárias; a quimiotaxia dos neutrófilos e a função fagocítica dos monócitos e macrófagos é bastante alterada; a destruição do pneumócito tipo II diminui a produção de surfactante; clinicamente, os doentes melhoram em 2 a 3 dias após o episódio gripal, retornando a tosse e aparecendo expectoração purulenta; o tratamento é antibioterapia domiciliar ou hospitalar.
  • Pneumonia primária por Influenza: rara; é a complicação mais grave e surge em indivíduos de alto risco (doentes pulmonares crónicos ou com patologia valvular cardíaca e grávidas); rápido e grave envolvimento pulmonar com dificuldade respiratória, com deterioração do seu estado e eventual evolução para a morte num quadro de Síndrome Respiratória Aguda Grave; alta mortalidade.

Outras complicações possíveis são:

  • Miocardite: quer no Influenza A quer no B; pode estar relacionada com alguns casos de morte súbita, durante as epidemias de gripe, em indivíduos jovens previamente saudáveis.
  • Neurológicas: desde encefalite, mielite, radiculite, até síndrome de Guillain-Barré.
  • Síndrome de Reye: parece estar relacionada com a ingestão de salicilatos; mais comum em crianças, entre os poucos meses e os 14 anos; imputável ao Influenza B; causa necrose gorda do fígado, com uma letalidade elevada que pode atingir os 36%.

Terapêutica[editar | editar código-fonte]

A vacinação é o principal método de prevenção e controle da infecção gripal, bem como das suas afecções graves, mas a partir do momento em que um indivíduo fica infectado pelo vírus da gripe e apresenta manifestações clínicas de doença, necessita ser tratada.

Porém, como o vírus da gripe sofre mutação, é impossível desenvolver uma vacina eficiente contra todos os tipos de vírus.

Na maioria dos casos, o repouso na cama e o alívio sintomático são suficientes. Nos indivíduos de alto risco e com complicações pode ser necessária a hospitalização.

Procedimentos adotados em caso de gripe[editar | editar código-fonte]

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Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
  • Procurar isolar-se das outras pessoas, de forma a diminuir o contágio. As pessoas que vivem sozinhas, especialmente se são idosas, devem pedir a alguém que lhes telefone, duas vezes por dia, para saber se estão bem.
  • Descansar, ingerir muitos líquidos (água, sucos) e manter a alimentação, comendo o que apetecer mais.
  • Evitar mudanças de temperatura.
  • Não se agasalhar demasiado.
  • Contactar o médico assistente, se é portador de doença crónica ou prolongada.
  • Tomar medicamento para baixar a febre (antipiréticos). Se tiver muitas dores também pode tomar analgésicos. Consulte seu médico para averiguar possíveis alergias, pois remédios antigripais não necessitam de prescrições médicas na maioria dos lugares. Se estiver no Brasil, em região acossada por epidemia de dengue, evite o uso de derivados do ácido acetil-salicílico (Aspirina). Os sintomas da dengue podem ser confundidos com os da gripe, e o uso de Aspirina pode agravar um caso de dengue diagnosticado erroneamente como gripe.
  • Fazer atmosfera húmida, se tiver tosse.
  • Aplicar soro fisiológico para desentupir/descongestionar o nariz.
  • Pode não ser aconselhável tomar medicamentos que reduzam a tosse.
  • Não tomar antibióticos sem aconselhamento médico, dado serem recomendados apenas para o tratamento de algumas complicações infecciosas da gripe.
  • Grávidas e mães a amamentar devem receber auxílio de seu médico.
  • Nas crianças, não se deve dar remédios sem conselho médico.
  • Durante o período de doença, o indivíduo não deverá ser vacinado.
  • Pode-se também instilar gotas de uma solução de cloreto de sódio nas narinas, bem como fazer gargarejos com salmoura.[29]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A melhor maneira de se proteger da gripe é fazer a vacinação anual contra o Influenza antes de iniciar o inverno, época em que ocorrem mais casos. Ela pode ajudar a prevenir os casos de gripe ou, pelo menos, diminuir a gravidade da doença. Sua efetividade entre adultos jovens é de 70-90%. Cai para 30-40% em idosos muito frágeis , isso porque estes têm pouca capacidade de desenvolver anticorpos protetores após a imunização (vacinação). Contudo, mesmo nesses casos, a vacinação conseguiu proteger contra complicações graves da doença como as hospitalizações e as mortes. Esta prevenção é ainda mais necessária, dado não existir um tratamento específico que se revele totalmente satisfatório.

Vacinação[editar | editar código-fonte]

Um marinheiro americano recebendo a vacina para o vírus da gripe.

A vacinação é eficaz porque, em até 75% das situações, evita o aparecimento da gripe e, em 98% dos casos, diminui a gravidade da doença. No entanto, não dá protecção em longo prazo porque o vírus muda constantemente – pequenas mutações – com novas estirpes e variantes a emergirem, pelo que as pessoas não conseguem desenvolver imunidade específica às estirpes individuais que vão aparecendo. Sendo assim em regiões temperadas, onde há muitos casos de infecção, sua ação pode diminuir bastante, devido a variação genética. Causando a sensação de que a vacinação "Não serviu para nada!". Em casos de grande variação genética e eficiência da vacina pode diminuir bastante, em todo caso vacinar-se contra à gripe é uma decisão pessoal em que se pesam o risco e o benefício. Pessoas com doenças crônicas, cardíacas e respiratórias não podem abrir mão, contudo indivíduos com determinadas alergias aos componentes da vacina, como proteínas do ovo e tiomersal devem ponderar bem.

Aspectos gerais[editar | editar código-fonte]

As vacinas contra a gripe começaram a ser produzidas pela primeira vez em 1937; no entanto, estas vacinas provocavam graves reacções e não eram muito eficazes na prevenção da doença. No final dos anos 1960 do século XX duas grandes descobertas ajudaram a melhorar as vacinas antigripais. A primeira foi a purificação da vacina de forma a minorar os efeitos secundários e a segunda foi a caracterização das duas proteínas de superfície do vírus: a hemaglutinina e a neuraminidase. Esta caracterização permitiu um rápido reconhecimento das mutações virais e a produção relativamente rápida de uma vacina anual mais eficaz e mais segura.

Políticas de vacinação e utilização de vacinas[editar | editar código-fonte]

Na maioria dos países ocidentais, as autoridades de saúde emitem anualmente recomendações quanto à vacinação contra a gripe, destinadas a grupos específicos em maior risco de infecções gripais ou suas complicações, existindo, na generalidade, uma semelhança entre aqueles grupos na Europa.

Em Portugal, as vacinas, previamente autorizadas, e que estão conforme as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) para cada ano, estão à venda nas farmácias sendo comparticipadas em 40% do seu preço total, mediante receita médica.

Em Portugal, a Direcção-Geral da Saúde aconselha a vacinação, preferencialmente no Outono, aos seguintes grupos: I) Pessoas consideradas com alto risco de desenvolver complicações pós-infecção gripal:

  • Indivíduos com 65 ou mais anos de idade, particularmente os residentes em lares ou outras instituições;
  • Pessoas residentes ou com internamentos prolongados em instituições prestadoras de cuidados de saúde, independentemente da idade (ex: deficientes, centros de reabilitação);
  • Pessoas sem abrigo;
  • Todas as pessoas com idade superior a 6 meses, incluindo grávidas e mulheres a amamentar, que sofram de:
- doenças crónicas pulmonares (incluindo asma), cardíacas, renais e hepáticas;
- diabetes mellitus ou outras doenças metabólicas;
- outras situações que provoquem depressão do sistema imunitário, como corticoterapia, infecção pelo VIH e cancro;
  • Crianças e adolescentes (6 meses - 18 anos) em terapêutica prolongada com salicilatos, estando portanto em risco de desenvolver a síndrome de Reye após a gripe.

II) Pessoas que podem transmitir o vírus aquelas consideradas de alto risco:

  • Pessoal dos serviços de saúde e outros serviços em contacto directo com pessoas de alto risco;
  • Pessoal dos serviços de saúde que trabalha em hospitais e que tenha contacto directo com doentes internados;
  • Coabitantes (incluindo crianças com mais de 6 meses) de pessoas de alto risco.

III) No contexto de uma eventual emergência de Síndrome respiratório agudo (SRA), deve ponderar-se a vacinação contra a gripe em viajantes que se desloquem para áreas em que à data, segundo a OMS, haja transmissão de SRA.

Pode ainda ser ponderada a vacinação de outras pessoas ou grupos que, por analogia, se considerem em igual risco de contrair ou transmitir a gripe.

A vacinação contra a gripe está contra-indicada em:

  • Antecedentes de reacção grave a uma dose anterior da vacina;
  • Alergia ao ovo.

Não se recomenda portanto, a vacinação da população em geral, uma vez que as formas graves da doença se observam principalmente entre pessoas de idade ou debilitadas por afecções crónicas.

De qualquer modo, é importante o indivíduo aconselhar-se com o seu médico assistente antes de proceder à vacinação.

Cuidados[editar | editar código-fonte]

A pessoa doente deve tomar algumas medidas para aumentar as defesas do organismo e evitar a transmissão da doença a outras pessoas e para ter seu tratamento mais rápido. Os principais cuidados são:

• Descansar bastante e alimentar-se bem;

• Beber muitos líquidos como consumos de frutas ou água;

• Tomar sucos naturais;

• Tomar os remédios na hora certa;

• Usar o lenço ao tossir ou espirrar, o que contribui para evitar a contaminação de outras pessoas.

Caso os sintomas da doença tenham se apresentado a menos de dois dias, o doente poderá discutir com o seu médico a possibilidade de se usar um tratamento antiviral. O indivíduo enfermo deverá fazer repouso, evitar o uso de álcool ou fumo, procurar se alimentar bem e tomar bastante líquidos, além de usar medicações para a febre e para a dor aspirina (se tiver 18 anos ou mais), acetaminofen ou ibuprofeno. Outros medicamentos podem ser usados para a melhora dos sintomas do nariz, como a coriza (corrimento do nariz) ou congestão nasal. Retorno às atividades normais somente após os sintomas terem ido embora. Para combater e prevenir a gripe pelo vírus influenza do tipo A, a amantadina poderá ser empregada em crianças com mais de 1 ano de idade. A rimantadina é outra opção nestes casos. Entretanto, para tratamento ela só poderá ser usada em adultos. Estes dois medicamentos antivirais podem ajudar no processo de cura desde que utilizados nas primeiras 48 horas da doença.

Referências

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Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]