Hepatite A

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Hepatite A
Vírus da hepatite A
Classificação e recursos externos
CID-10 BB 15 15-
CID-9 070.1
DiseasesDB 5757
MedlinePlus 000278
MeSH D006506
Star of life caution.svg Aviso médico
Ocorrem cerca de 1,5 milhões de casos a cada ano, a maioria destes nos países em desenvolvimento. No Brasil ocorrem cerca de 10 casos por 100 mil habitantes em 2007.[1]

A Hepatite A, também conhecida como hepatite infecciosa[2] é uma doença aguda do fígado, causada pelo vírus da hepatite A (HAV), geralmente de curso benigno. É um vírus de RNA com capsídeo constituído pelo antígeno HAVAg, seu diâmetro é de cerca de 27 nm.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

A principal forma de contaminação é por água e alimentos contaminados.

A transmissão é feita por alimentos mal-preparados e água contaminadas por fezes contendo o vírus (transmissão fecal-oral), além da possível presença de fômites no ciclo. Pode ocorrer em surtos epidêmicos (água contaminada), tendo relação com menores condições socioeconômico-educacionais. Geralmente acomete a população infantil.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Apresenta a característica de não cronificar, mas pode apresentar casos arrastados. A forma fulminante é muito rara (0,6% dos casos) e aumenta seus casos com o aumento da idade. Mais de 40% dos casos de hepatite são causados pelo HAV, e 50% da população adulta já o terá encontrado.

No Brasil, 75% da população adulta já teve contato com o vírus (apresentando sorologia IgG-anti HVA positiva). Os anticorpos são protetores para toda vida, não há manifestações por imunocomplexos. A distribuição da doença é mundial.[3]

Em 1995, pelo menos em algumas áreas urbanas portuguesas, apenas 43% da população com 25 anos de idade tinha tido contato com o vírus da hepatite A.[4] Em 2005 houve um surto de hepatite A neste mesmo país, 67% destes casos antingiram ciganos portugueses.[5]

Dentre as crianças e adolescentes portugueses analisados entre 1999 e 2003, mostraram sinais de terem sido infectados em algum momento de sua vida (anticorpos HAV): 1,6% aos cinco anos, 3,9% aos oito anos e 32,5% aos quatorze anos.[6]

No Brasil, mais de 57% dos casos ocorre entre crianças com menos de 10 anos e é cerca de 15% mais frequente em homens (na razão 10:8,5). É menos comum na região Sudeste (0,88 a 5,0 casos a cada 100mil hab.) e mais comum na região Norte (11,37 a 36,18 casos a cada 100mil hab.). Entre 1999 e 2011 foram registrados um total de 138.305 casos pelo SUS.[7]

Progressão[editar | editar código-fonte]

O vírus é ingerido com os alimentos ou água. O período de incubação dura cerca de um mês. No intestino infecta os enterócitos da mucosa onde se multiplica. Daí dissemina-se pelo sangue, e depois infecta principalmente as células para as quais mostra a preferência, os hepatócitos do fígado. Este tropismo é devido à abundância nessas células dos receptores membranares a que o vírus se liga durante a invasão. Os vírions produzidos são secretados nos canais biliares e daí, via ampola de Vater, no duodeno, sendo expelidos nas fezes.

Apresenta período de incubação curto: 2-6 semanas. O vírus pode ser isolado nas fezes 15 dias antes dos sintomas e até 15 dias após sua resolução.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Clinicamente se analisam sintomas como icterícia, inchaço do fígado e outros sinais de infecção viral. O diagnóstico confirmatório é por detecção indireta de anticorpos específicos anti-HAV do tipo IgM e IgG em exame de sangue.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Mais da metade dos pacientes possui conjuntiva do olho e pele amarelada, um sintoma conhecido como Icterícia.

Os sintomas se dão tanto devido aos danos do vírus como à reacção destrutiva para as células infectadas pelo sistema imunitário. Mais de metade dos doentes são assintomáticos, particularmente crianças.

Os sintomas mais comuns são[8] :

Em 99% dos casos segue-se a recuperação e cura após alguns dias de repouso. Em 1% dos casos os sintomas podem ser muito mais graves e de desenvolvimento rápido, a denominada hepatite fulminante. Ocorre icterícia mais intensa e encefalopatia (devido à não regulação pelo fígado da amônia sanguínea neurotóxica), com distúrbios psiquiátricos e degradação das funções mentais superiores, seguida de morte em 80% dos casos. Na hepatite por HAV ao contrário da Hepatite B ou C, não há casos de doença crônicas.

Quando acomete adultos a doença é muito mais sintomática, prolongada e com risco muito maior de agravar do que na criança.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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A vacina de hepatite é realizada a partir dos 12 meses de idade, em duas doses, com intervalo de 6 (seis) meses entre elas.[9]

Assim como em outras doenças virais comuns, o próprio organismo combate a doença sendo o tratamento mais comum apenas dos sintomas. É importante repouso e beber muita água.

Pessoas que vivam no mesmo domicílio que o paciente infectado ou que estejam em más condições de saúde podem receber imunoglobulina policlonal para protegê-los contra a infecção

O consumo de álcool deve ser abolido até pelo menos três meses depois que as enzimas hepáticas voltaram ao normal.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

  • Respeito às medidas de higiene universais: hábito de higienização das mãos, alimentar-se com alimentos de origem esclarecida, ingerir água tratada (uso de cloro na desinfecção da água).
  • Cuidados de saneamento básico: (esgoto, fossas sépticas).
  • Vacinação de maiores de um (1) ano, em duas doses, com 6 meses entre elas.
  • Imunização passiva por imunoglobulinas humanas não específicas para prevenir casos secundários, quando existência de caso índex.

A vacina está disponível pelo SUS, em Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE), é são importantes para crianças e também para doadores de órgãos, imunodeprimidos, emigrantes de países com alto índice e para quem teve outra doença hepática recente.

História[editar | editar código-fonte]

Na década de 70 e 80, Portugal era o país da Europa ocidental com maior número de casos de hepatite A com uma prevalência altíssima nas crianças. Graças a campanha de vacinação e ao tratamento de água atualmente o número de casos é moderado.

Nos países que falam português a prevalência é alta com 15 a 150 casos para cada 100.000 habitantes por ano.[10]

Referências