Varicela

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Varicela
Criança com catapora/varicela.
Classificação e recursos externos
CID-10 B01
CID-9 052
DiseasesDB 29118
MedlinePlus 001592
eMedicine ped/2385 derm/74, emerg/367
MeSH C02.256.466.175
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Varicela (popularmente conhecida no Brasil como catapora) é uma doença infecciosa aguda, comum na infância, altamente contagiosa, causada pelo vírus varicela-zóster, também conhecido como HHV3 (do inglês human herpes virus 3). O herpes-zóster é uma doença da secundária, decorrente de uma forma reincidente tardia dos vírus da varicela que permaneceu dormente nos gânglios nervosos. A varicela é mais comum em crianças, enquanto a herpes-zóster é mais comum em adultos e idosos. [1]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "varicela" origina-se do termo francês varicelle[2] . "Catapora" vem do tupi tatapora, que significa "fogo que salta", através da junção de tatá ("fogo") e pora ("pular")[3] [4] . "Zóster" origina-se do grego zostér, "cinturão"[5] .

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Além de respirar saliva infectada, encostar nas lesões da pele também pode transmitir a doença a quem nunca teve ou não foi vacinado.[6]

É altamente infecciosa, infectando a maioria das pessoas que nunca tiveram a doença e passaram mais de uma hora estudando na mesma sala que uma pessoa infectada ou que conversaram cara-a-cara com um infectado. A transmissão se dá por via aérea, em gotículas de espirros ou de tosse, ou pelo contato com as lesões avermelhadas (exantemas). É possível a transmissão do vírus na fase zóster para crianças não vacinadas, o que dificulta muito a erradicação da doença.[6]

Alguém com varicela começa a infectar outras pessoas cerca de um a dois dias antes das bolinhas vermelhas começarem a aparecer e continua infectando por cerca de cinco a seis dias até que todas as bolhas tenham formado cascas. A transmissão também pode ocorrer durante a gestação (da mãe para o feto) causando complicações para ambos. [7]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Varicela no quinto dia

A varicela é uma das várias doenças comuns na infância que geram lesões arredondadas e avermelhadas por todo o corpo (exantemas). As outras com sintomas similares são sarampo, rubéola, roséola, escarlatina e o eritema infeccioso.[8]

Os sintomas iniciais são[1] :

  • Febre 37,5°C e 39,5
  • Mal-estar
  • Falta de apetite
  • Dor de cabeça
  • Cansaço
  • Lesões avermelhadas na pele

As lesões avermelhadas na pele, seu sintoma mais característico, aparece entre um ou dois dias depois da infeção quando surgem por todo o corpo e que conforme os dias passam vão virando pequenas bolhas cheias de líquido. Eventualmente essas bolhinhas formam uma crostas que provocam muita coceira, mas que diminui o risco de transmissão.[1]

Complicações[editar | editar código-fonte]

Infeções causadas por S. aureus ou Streptococcus pyogenes podem levar a quadros sistêmicos de sepse, com artrite, pneumonia, endocardite, encefalite ou meningite e glomerulonefrite.[9]

A maioria das crianças e adultos se recuperam em algumas semanas apenas descansando e bebendo muita água, mas alguns casos envolvem complicações como[10] :

  • Pele mais vermelha
  • Dor no peito
  • Dores nos locais lesionados
  • Dificuldade de respirar

Nesses casos é sinal que as lesões infeccionaram e precisam de acompanhamento médico para administrar um antibiótico adequado.

Cerca de 5-14% dos adultos com catapora desenvolvem problemas pulmonares, como pneumonia, especialmente fumantes.[11]

Durante a gravidez

Complicações são especialmente problemáticas em grávidas e recém-nascidos. Quanto mais cedo na gravidez for a infecção, maior o risco para o feto de desenvolver má-formações, porém mesmo cedo o risco dificilmente afeta mais que 2% dos fetos de grávidas com catapora. Já após o 5 mês pode ocorrer parto prematuro. Caso um recém-nascido seja infectado a catapora costuma ser mais grave. [11]

Baixa imunidade

Quem possui um sistema imunológico muito debilitado pode ter como complicações[11] :

Pessoas que tomem medicamentos para doença autoimune ou para cancro ou que tem Sida são particularmente vulneráveis a complicações.[11]

Progressão[editar | editar código-fonte]

Bolha de catapora no sétimo dia.

O vírus entra no corpo pela via respiratória ou pela conjuntiva do olho, multiplica-se e dissemina-se pelo sangue, até a pele. O período de incubação até o surgimento das pústulas é de cerca de 21 dias.[6]

As erupções maculopapulares ou exantemas são seguidas de erupções vesiculoeritematosas muito pruriginosas (ou seja, pústulas que causam comichão). As pústulas apresentam-se com base vermelha e cúpula transparente ("gota de orvalho em pétala de rosa"), com cerca de 3 milímetros de diâmetro. Várias gerações de exantemas surgem durante cerca de 4 dias, com vários estágios em diferentes áreas da pele simultaneamente (ao contrário da varíola). Os exantemas são mais frequentes na região torácica, mas podem aparecer em todo o corpo, incluindo no couro cabeludo e na mucosa oral.[6]

A varicela é geralmente inofensiva, exceto em doentes com imunodeficiência ou em neonatos, em que pode causar infecções do cérebro ou do pulmão potencialmente mortais. Nos adultos, os sintomas são mais sérios e a doença mais perigosa, podendo levar à ocorrência de pneumonia intersticial (em 20% dos casos adultos ou na adolescência). Existem casos em adultos com problemas renais onde a doença pode-se agravar causando falha renal. A Síndrome de Reye é uma complicação incomum que aparece em quem tomou aspirinas ou remédios similares durante a infecção e causam lesões ao cérebro e fígado. [6]

Herpes-Zóster[editar | editar código-fonte]

O vírus da catapora é da mesma família que o herpes, ou seja Herpetoviridae.[9]

Durante o episódio de varicela, geralmente na infância, alguns vírus invadem os gânglios nervosos espinhais e/ou dos nervos cranianos, onde permanecem na forma latente, sem se multiplicar e sem causar danos ou sintomas.

Muitos anos depois, tipicamente na velhice, o envelhecimento do sistema imunitário leva à moderada imunodepressão, e o vírus é reativado. Contudo, a imunidade adquirida pelo indivíduo é ainda suficiente para impedi-lo de causar novo episódio de varicela sistêmica. Em vez de estender-se pela epiderme, o vírus limita-se a multiplicar-se nos nervos sensitivos da raiz espinhal onde foi reativado, resultando na zóster. Esta é uma condição extremamente dolorosa cutânea, que se limita à faixa da pele (dermatoma), bem delimitada, inervada pelo nervo sensitivo afectado. A pele apresenta-se extremamente sensível ao toque, com dores, e máculas vermelhas infecciosas semelhantes às da varicela. Em cerca de 30% dos idosos afetados, alguma dor pode persistir após resolução da infecção, devido aos danos causados nos nervos sensitivos.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é feito principalmente através do quadro clínico-epidemiológico. O vírus pode ser isolado para análise retirando exemplares das lesões vesiculares durante os primeiros 3 a 4 dias de erupção. A detecção do DNA viral pode ser feita por PCR. A detecção dos antigênios virais ou de anticorpos específicos pode ser feita por imunofluorescência. [9]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.
Até 20% dos adultos desenvolvem a forma tardia (Zóster) em alguma fase da vida.[9]

Não há cura, mas há antivirais (como o aciclovir e o valaciclovir, comercializados no Brasil) indicados em pacientes imunodeprimidos (como oncológicos, reumatológicos e outros) ou até mesmo imunocompetentes, a fim de evitar a neuralgia pós herpética (sequela dolorosa do Herpes Zoster) ou aliviar sintomas de grande expressão (como impossibilidade de ingestão hídrica pelo acometimento de mucosas).

Limpeza local[editar | editar código-fonte]

Banhos com permanganato de potássio, soluções iodadas ou sabonetes bactericidas são comumente aconselhados para aliviar a coceira e ajudar na cicatrização rápida das feridas. No entanto, o uso incorreto pode causar queimaduras e reações alérgicas. Compressas de permanganato de potássio (1ml para cada 40.000ml de água) ou água boricada (na concentração de 2% da água do banho), várias vezes ao dia. Deve-se ter o cuidado de proteger os olhos contra o permanganato.[9]

Infecções[editar | editar código-fonte]

Se houver início de infecção, antibióticos podem ser receitados. Entre os cuidados sugeridos ao paciente durante o período de infecção, estão cortar sempre as unhas e deixá-las bem limpas, evitando o contato com pessoas com baixa capacidade imunológica. Usar roupas leves pode evitar calor e aliviar as coceiras, usar luvas na hora de dormir, e evitar ao máximo coçar as feridinhas que ajudam a evitar marcas permanentes.[9]

Vacinas[editar | editar código-fonte]

Existe vacina que deve ser recebida na infância a partir dos 12 meses de vida e reforço entre 4 e 6 anos de idade. Uma única dose, na ausência do reforço, pode não prevenir a doença,mas faz com que essa seja bem mais leve e pouco sintomática.Muitas vezes a varicela nos vacinados pode nem chegar a ser notada e diagnosticada. A vacina também pode ser fornecida às pessoas não vacinadas que tiveram contato próximo com doentes,para evitar ou amenizar o quadro da varicela.

A varicela tem vacina que visa a impedir a infecção primária, e assim sua reativação na forma de Zoster. A vacina não faz parte do calendário nacional de vacinação (gratuito), mas é indicada para evitar complicações e conter a endemia. Para que a vacina tenha efeito, ela deve ser aplicada no máximo até o quarto dia após o contato com o enfermo. A vacina é contra-indicada em pessoas com imunidade baixa e durante o período de gravidez.

Referências

  1. a b c http://drauziovarella.com.br/crianca-2/catapora-varicela/
  2. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 754
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.368
  4. http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm
  5. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 808
  6. a b c d e http://www.health.ny.gov/diseases/communicable/chickenpox/fact_sheet.htm
  7. http://www.nhs.uk/chq/Pages/2586.aspx?CategoryID=200&SubCategoryID=2002
  8. http://www.medipedia.pt/home/home.php?module=artigoEnc&id=845
  9. a b c d e f http://portal.saude.gov.br/portal/saude/profissional/area.cfm?id_area=1660
  10. http://www.nhs.uk/Conditions/Chickenpox/Pages/Symptoms.aspx
  11. a b c d http://www.nhs.uk/Conditions/Chickenpox/Pages/Complications.aspx