Língua tupi
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| Tupi | |
|---|---|
| Nomes alternativos: | Tupi antigo, tupi clássico, tupi da costa, tupinambá, tupi bárbaro, tupiniquim, língua brasílica, língua do Brasil, língua da costa, língua do mar, língua túpica, abanhe'enga |
| Falado em: | Brasil (extinto) |
| Total de falantes nativos: | 0 |
| Classificação lingüística: |
Proto-Tupi |
| Línguas descendentes: | Língua Geral Paulista (extinta), Nheengatu (Tupi Moderno) |
| Estatuto oficial: | não tem |
| Código de Línguas | |
| ISO 639-1: | não tem |
| ISO 639-2: | sai |
| SIL: | TPN |
O tupi é uma língua indígena extinta, originária do povo tupinambá, que teve sua gramática estudada pelos jesuítas, e que deu origem a dois dialetos, hoje considerados línguas independentes: a língua geral paulista, e o nheengatu (língua geral amazônica). Esta última ainda é falada até hoje na Amazônia.
Vários nomes tupis que encontramos na geografia brasileira, nas denominações dos animais, plantas etc., são quase sempre descrições das coisas a que se referem e envolvem uma explicação inteira. Cada palavra é uma verdadeira frase, o que, aliás, é um dos grandes prazeres do estudo da língua. Decifrar o significado das palavras, recorrendo, inclusive, a uma visita ao local. Um bom exemplo disso é: Paranapiacaba = paraná + epiak + -(s)aba, "mar" + "ver" + "lugar onde" = "lugar de onde se vê o mar".
A língua tupi é aglutinante, não possui artigos (assim como o latim) e não flexiona em gênero nem em número.
Índice |
[editar] A fonologia, o alfabeto e as várias "ortografias" do tupi
Levantar informações confiáveis sobre a fonologia da língua tupi para uma possível reconstrução fonológica seria uma tarefa difícil ou até mesmo impraticável, não tivesse o tronco tupi, e mais especificamente a família tupi-guarani, da qual o tupi faz parte, uma ampla distribuição geográfica. Preponderante a uma reconstrução fonológica, já realizada, foi o fato de o nheengatu, língua que descende do tupi, também conhecido como tupi moderno, ser falado ainda hoje na Amazônia. Somando-se a este fato, já bastante favorável, não se pode deixar de citar a continuidade do guarani antigo, língua distinta mas muito próxima ao tupi, no guarani-mbyá, guarani-nhandéva, guarani-kaiowá e guarani paraguaio, e a existência de um método científico-investigativo para se formular uma hipótese fonológica como fatores também preponderantes. Sendo tão fortes os pontos favoráveis, tornou-se factível a reconstrução da fonologia tupi.
O tupi identifica um conjunto de trinta e um fonemas, dos quais doze são vogais, três semi-vogais e dezesseis consoantes. Característica notória de sua fonologia é, sem dúvida, o seu caráter gutural. Uma outra, os abundantes metaplasmos.
[editar] Vogais
a ɛ i ɔ u ɨ ã ɛ̃ ĩ ɔ̃ ũ ɨ̃
[editar] Semi-vogais e consoantes
j (ɲ) w ɨ̆ β p m (mb) t r n (nd) k ɣ ŋ ʔ s ʃ
[editar] Metaplasmo: fenômeno comum
[editar] Brasil 500 anos: ressurge o interesse pela língua
O interesse pela língua tupi passa pelo sentimento de brasilidade e de identificação de nossa cultura primária. A descoberta de civilizações e povos antigos no Brasil em períodos remotíssimos cerca de 9.000 A.C. faz com que haja um interesse cada vez maior por estas nossas origens. Instituições e empresas governamentais têm apoiado o estudo e a disseminação de informações sobre esta história tão fascinante, como o Museu de Arqueologia do Xingó, no sertão baiano, onde se registra a presença de povos indígenas neste passado distante. Segue trecho interessantíssimo extraído do site acima mencionado:[1]
"Os primeiros homens que chegaram ao Nordeste brasileiro pertenciam a grupos mongolóides como, aliás, todos os habitantes das Américas anteriores à colonização européia. Dentro das naturais variedades, existe, portanto uma homogeneidade indiscutível nos diferentes grupos humanos brasileiros, o que identifica todos os índios sul-americanos como oriundos de uma mesma origem. Admite-se que os índios brasileiros chegados ao Nordeste são os descendentes de levas arcaicas que atravessaram o estreito de Bering, alguns milhares de anos antes. Mesmo que, periodicamente, levante-se a conjectura da existência de outras vias de acesso que poderiam ter dado lugar à chegada na América de grupos humanos em épocas pleistocênicas, nada pode ser provado até o momento."
Para alguns, sendo rica em sons guturais, o tupi e outras línguas nativas podem explicar por que o Português falado no Brasil se diferenciou bastante do lusitano. Essa, no entanto, é uma afirmação polêmica e, até certo ponto, duvidosa.
[editar] A bibliografia da língua
O tupi, embora já extinto e de conhecimento preponderantemente restrito ao meio acadêmico, é uma língua estudada e bem documentada. Sua bibliografia é vastíssima. Veja abaixo uma excelente bibliografia da língua tupi:
- ANCHIETA, José de. Arte de Grammatica da Lingva Mais Vsada na Costa do Brasil. Coimbra: Antonio Mariz, 1595.
- ANCHIETA, José de. Poemas: Lírica portuguesa e tupi. Editora Martins Fontes. (ISBN 8533619561)
- EDELWEISS, Frederico G. Tupis e Guaranis, Estudos de Etnonímia e Lingüística. Salvador: Museu do Estado da Bahia, 1947. 220 p.
- EDELWEISS, Frederico G. O caráter da segunda conjugação tupí. Bahia: Livraria Progresso Editora, 1958. 157 p.
- EDELWEISS, Frederico G. Estudos tupi e tupi-guaranis: confrontos e revisões. Rio de Janeiro: Livraria Brasiliana, 1969. 304 p.
- FIGUEIRA, Luís. Grammatica da lingua do Brasil. Edição facsimilar, por Júlio Platzmann, da edição de 1687. Leipzig: B. G. Teubner, 1878.
- GOMES, Nataniel dos Santos. Observações sobre o Tupinambá. Monografia final do Curso de Especialização em Línguas Indígenas Brasileiras. Rio de Janeiro: Museu Nacional / UFRJ, 1999.
- LEMOS BARBOSA, A. Pequeno Vocabulário Tupi-Português. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1951.
- LEMOS BARBOSA, A. Juká, o paradigma da conjugação tupí: estudo etimológico-gramatical in Revista Filológica, ano II, n. 12, Rio de Janeiro, 1941.
- LEMOS BARBOSA, A. Nova categoria gramatical tupi: a visibilidade e a invisibilidade nos demonstrativos in Verbum, tomo IV, fasc. 2, Rio de Janeiro, 1947.
- LEMOS BARBOSA, A. Pequeno vocabulário Tupi-Português. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1955. (3ª ed.: Livraria São José, Rio de Janeiro, 1967)
- LEMOS BARBOSA, A. Curso de Tupi antigo. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1957.
- LEMOS BARBOSA, A. Pequeno vocabulário Português-Tupi. Rio de Janeiro: Livraria São José, 1970.
- MICHAELE, Faris Antônio S. Manual de conversação da língua tupi. Centro Cultural Euclides da Cunha, 1951. 52 p.
- MICHAELE, Faris Antônio S. Tupi e Grego: Comparações Morfológicas em Geral. Ponta Grossa: UEPG, 1973. 126 p.
- NAVARRO, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi Antigo: A língua do Brasil dos primeiros séculos. Petrópolis: Editora Vozes, 1998. (ISBN 8532619533)
- RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Análise morfológica de um texto tupi. Separata da Revista "Logos", ano VII, N. 5. Curitiba: Tip. João Haupi, 1953.
- RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Argumento e predicado em Tupinambá. Boletim da ABRALIN, n. 19, p. 57-66. 1996.
- RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. A composição em Tupi. Separata de Logos, ano VI, n. 14. Curitiba, 1951.
- RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Morfologia do Verbo Tupi. Separata de "Letras". Curitiba, 1953.
- RODRIGUES, Aryon Dall'Igna. Descripción del tupinambá en el período colonial: el arte de José de Anchieta. Colóquio sobre a descrição das línguas ameríndias no período colonial. Ibero-amerikanisches Institut, Berlim.
- SAMPAIO, Teodoro. O Tupi na Geografia Nacional. São Paulo: Editora Nacional, 1987. 360 p.
- SILVEIRA BUENO, Francisco da. Vocabulário Tupi-Guarani Português. Efeta Editora, 1982. (ISBN 8586632031)
- TIBIRIÇÁ, Luiz Caldas. Dicionário Tupi-Português. São Paulo: Editora Traço, 1984. (ISBN 8571190259)
[editar] Ver também
[editar] Línguas da família Tupi-Guarani próximas ao Tupi
- Guarani
- Língua Geral Paulista (também conhecido por Tupi Austral ou Língua Geral do Sul)
- Nheengatu (também conhecido por Tupi Moderno, Língua Geral Amazônica ou Língua Geral do Norte)
[editar] Tupinólogos
- Aryon Rodrigues
- Antônio Lemos Barbosa
- Eduardo de Almeida Navarro
- Faris Antônio Michaele
- Frederico Edelweiss
- José de Anchieta
- Luís Figueira
- Plínio Ayrosa
- Teodoro Sampaio
- Tibiriçá
[editar] O Tupi no cinema
[editar] Mitologia Tupi-Guarani
Referências
[editar] Ligações externas
- Como aprender tupi recursos recomendados para quem deseja aprender tupi (cursos, dicionários, leitura)
- Curso de tupi antigo - Prof. Eduardo Navarro mini-curso em dez lições, com exercícios
- Curso de tupi antigo - Prof. Joubert di Mauro Curso de tupi antigo: on-line e gratuito
- Ethnologue report for language code: TPN página do Ethnologue.com (em inglês)
- Línguas Indígenas Brasileiras, de Renato Nicolai - Projeto Indios.Info - www.indios.info
- Nheengatu Tupi sítio dedicado à divulgação dos idiomas tupi antigo e tupi moderno
- Página do Idioma Tupi Antigo informações sobre o idioma tupi
- Síntese da Gramática Tupinambá artigo escrito por Nataniel dos Santos Gomes
- Obras sobre o tupinambá (tupi antigo) na Biblioteca Digital Curt Nimuendaju

