Língua portuguesa
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Nota: Para outros significados, veja Língua portuguesa (desambiguação).
| Português | ||
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| Falado em: | Ver geografia da língua portuguesa | |
| Total de falantes: | Nativa: 236,1 milhões[1] Total: 272,9 milhões[1] |
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| Posição: | 6.ª como língua nativa ou segunda língua; 5.ª como língua nativa[2][3] |
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| Família: | Indo-europeia Itálica Românica Ítalo-ocidental Românica ocidental Galo-ibérica Ibero-românica Ibero-ocidental Galego-portuguesa Português |
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| Escrita: | Alfabeto latino | |
| Estatuto oficial | ||
| Língua oficial de: |
Várias organizações internacionais |
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| Regulado por: | Instituto Internacional da Língua Portuguesa; CPLP; Academia Brasileira de Letras (Brasil); Academia das Ciências de Lisboa, Classe de Letras (Portugal) | |
| Códigos de língua | ||
| ISO 639-1: | pt | |
| ISO 639-2: | por | |
| ISO 639-3: | por | |
██ Língua materna ██ Língua oficial e administrativa ██ Língua cultural ou secundária ██ Minorias falantes do português |
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A língua portuguesa, também designada português, é uma língua românica flexiva originada no galego-português falado no Reino da Galiza e no Norte de Portugal. A parte sul do Reino da Galiza se tornou independente, passando a se chamar Condado Portucalense em 1095 (um reino a partir de 1139). Enquanto a Galícia diminuiu, Portugal independente se expandiu para o sul (Conquista de Lisboa, 1147) e difundiu o idioma, com a Reconquista, para o sul de Portugal e mais tarde, com as descobertas portuguesas, para o Brasil, África e outras partes do mundo.[4] É uma das línguas oficiais da União Europeia, do Mercosul, da União de Nações Sul-Americanas, da Organização dos Estados Americanos, da União Africana e dos Países Lusófonos. Com cerca de 272,9 milhões de falantes, o português é a quinta língua mais falada no mundo, a terceira mais falada no hemisfério ocidental e a mais falada no hemisfério sul da Terra.[1]
Durante a Era dos Descobrimentos, marinheiros portugueses levaram o seu idioma para lugares distantes. A exploração foi seguida por tentativas de colonizar novas terras para o Império Português e, como resultado, o português dispersou-se pelo mundo. Brasil e Portugal são os dois únicos países cuja língua primária é o português. Entretanto, o idioma é também largamente utilizado como língua franca nas antigas colônias portuguesas de Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné Equatorial,[5][6][7] Guiné Bissau e São Tomé e Príncipe, todas na África.[8] Além disso, por razões históricas, falantes do português são encontrados também em Macau, no Timor-Leste e em Goa.[9]
O português é conhecido como "a língua de Camões" (em homenagem a uma das mais conhecidas figuras literárias de Portugal, Luís Vaz de Camões, autor de Os Lusíadas) e "a última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac[10]). Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável".[11]
Em março de 2006, o Museu da Língua Portuguesa, um museu interativo sobre o idioma, foi fundado em São Paulo, Brasil, a cidade com o maior número de falantes do português em todo o mundo.[12]
Índice |
História
| Poesia medieval portuguesa |
|---|
| Das que vejo |
| nom desejo |
| outra senhor se vós nom, |
| e desejo |
| tam sobejo, |
| mataria um leon, |
| senhor do meu coraçom: |
| fim roseta, |
| bela sobre toda fror, |
| fim roseta, |
| nom me meta |
| em tal coita voss'amor! |
| João de Lobeira (c. 1270–1330) |
O português se originou no que é hoje a Galiza e o norte de Portugal, derivada do latim vulgar que foi introduzido no oeste da península Ibérica há cerca de dois mil anos. Tem um substrato céltico/lusitano,[13] resultante da língua nativa dos povos ibéricos pré-romanos que habitavam a parte ocidental da península (Galaicos, Lusitanos, Célticos e Cónios). Surgiu no noroeste da península Ibérica e desenvolveu-se na sua faixa ocidental, incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana. O romance galaico-português nasce do latim falado, trazido pelos soldados romanos, colonos e magistrados. O contacto com o latim vulgar fez com que, após um período de bilinguismo, as línguas locais desaparecessem, levando ao aparecimento de novos dialectos. Assume-se que a língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas ibéricas através do contacto das diferentes línguas nativas locais com o latim vulgar, o que levou ao possível desenvolvimento de diversos traços individuais ainda no período romano.[14][15][16] A língua iniciou a segunda fase do seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano, durante a época das invasões bárbaras no século V quando surgiram as primeiras alterações fonéticas documentadas que se reflectiram no léxico. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX, e no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.
Chegando à Península Ibérica em 218 a.C., os romanos trouxeram com eles o latim vulgar, de que todas as línguas românicas (também conhecidas como "línguas novilatinas" ou "neolatinas") descendem. Só no fim do século I a.C. os povos que viviam a sul da Lusitânia pré-romana, os cónios e os celtas, começam o seu processo de romanização. As línguas paleo-ibéricas, como a Língua lusitana ou a sul-lusitana são substituídas pelo latim.[17] A língua difundiu-se com a chegada dos soldados, colonos e mercadores, vindos das várias províncias e colónias romanas, que construíram cidades romanas normalmente perto de cidades nativas.
A partir de 409 d.C.,[18] enquanto o Império Romano entrava em colapso, a península Ibérica era invadida por povos de origem germânica e iraniana ou eslava[19] (suevos, vândalos, búrios, alanos, visigodos), conhecidos pelos romanos como bárbaros que receberam terras como fœderati. Os bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram em grande escala a cultura e a língua da península; contudo, desde que as escolas e a administração romana fecharam, a Europa entrou na Idade Média e as comunidades ficaram isoladas, o latim popular continuou a evoluir de forma diferenciada levando à formação de um proto-ibero-romance "lusitano" (ou proto-galego-português). Desde 711, com a invasão islâmica da península, que também introduziu um pequeno contingente de saqalibas, o árabe tornou-se a língua de administração das áreas conquistadas. Contudo, a população continuou a usar as suas falas românicas, o moçárabe nas áreas sob o domínio mouro, de tal forma que, quando os mouros foram expulsos, a influência que exerceram na língua foi relativamente pequena. O seu efeito principal foi no léxico, com a introdução de cerca de mil palavras através do moçárabe-lusitano.
Em 1297, com a conclusão da reconquista, o rei D.Dinis I prossegue políticas em matéria de legislação e centralização do poder, adoptando o português como língua oficial em Portugal. O idioma se espalhou pelo mundo nos séculos XV e XVI quando Portugal estabeleceu um império colonial e comercial (1415-1999) que se estendeu do Brasil, na América, a Goa, na Ásia (Índia, Macau na China e Timor-Leste). Foi utilizada como língua franca exclusiva na ilha do Sri Lanka por quase 350 anos. Durante esse tempo, muitas línguas crioulas baseadas no português também apareceram em todo o mundo, especialmente na África, na Ásia e no Caribe.
Em março de 1994 foi fundado o Bosque de Portugal, na cidade sul-brasileira de Curitiba; o parque abriga o Memorial da Língua Portuguesa, que homenageia os imigrantes portugueses e os países que adotam a língua portuguesa; originalmente eram sete as nações que estavam representadas em pilares, mas com a independência de Timor-Leste, este também foi homenageado com um pilar construído em 2007.[20] Em março de 2006, fundou-se em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa.
O português é conhecido como "A língua de Camões" (em homenagem a Luís Vaz de Camões, escritor português, autor de Os Lusíadas) e "A última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac[10]). Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável".[11] O Dia da Língua Portuguesa e da Cultura é comemorado em 5 de Maio, sendo promovido pela CPLP e celebrado em todo o espaço lusófono.[21]
Distribuição geográfica
O português é a língua da maioria da população de Portugal,[22] Brasil,[23] São Tomé e Príncipe (95%)[24] e Angola.[25] Apesar de apenas 6,5 por cento da população seja de falantes nativos do português em Moçambique, o idioma é falado por cerca de 39,6% dos moçambicanos de acordo com o censo de 1997.[26] A língua também é falada por 11,5% da população da Guiné-Bissau.[27] Não existem dados disponíveis relativos a Cabo Verde, mas quase toda a população é bilíngue, sendo a população monolíngue falante do crioulo cabo-verdiano.
Há também significativas comunidades de imigrantes falantes do português em muitos países como Andorra (15,4%),[28] Austrália,[29] Bermuda,[30] Canadá (0,72% ou 219.275 pessoas segundo o censo de 2006,[31] mas entre 400.000 e 500.000 de acordo com Nancy Gomes),[32] Curaçao, França,[33] Japão,[34] Jersey,[35] Luxemburgo (9%),[22] Namíbia,[36] Paraguai (10,7% ou 636.000 pessoas),[37] África do Sul,[38] Suíça (196 mil cidadãos em 2008),[39] Venezuela (1 a 2% ou 254.000 a 480.000 pessoas)[40] e nos Estados Unidos (0,24% da população ou 687.126 falantes de acordo com o American Community Survey de 2007),[41] principalmente em Nova Jersey,[42] Nova York[43] e Rhode Island.[44]
Em algumas partes do que era a Índia Portuguesa, como Goa[45] e Damão e Diu,[46] a língua ainda é falada.
Idioma oficial
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Ver página anexa: Lista de países onde o português é língua oficial
██ Países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
██ Países observadores ou associados
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa[8] (sigla CPLP) consiste em nove países independentes que têm o português como língua oficial: Angola, Brasil, Cabo Verde, Timor-Leste, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe.[8]
A Guiné Equatorial fez um pedido formal de adesão plena à CPLP em junho de 2010 e deve adicionar o português como terceira língua oficial (ao lado do espanhol e do francês) já que esta é uma das condições para entrar no grupo. O Presidente da República da Guiné Equatorial, Obiang Nguema Mbasog, e o Primeiro-Ministro Chefe de Estado, Ignacio Milam Tang, aprovaram e apresentaram no dia 20 de julho de 2011 o novo Projeto-Lei Constitucional que pretende adicionar o português como língua oficial. O decreto aguarda ratificação pela Câmara de Representantes do Povo e entrará em vigor 20 dias após a sua publicação no Boletim Oficial do estado (equivalente ao português Diário da República)[47][48][49].
O português é também uma das línguas oficiais da região administrativa especial chinesa de Macau (ao lado do chinês) e de várias organizações internacionais, como o Mercosul,[50] Organização dos Estados Ibero-Americanos,[51] a União de Nações Sul-Americanas,[52] a Organização dos Estados Americanos,[53] a União Africana[54] e da União Europeia.[55]
População dos países e jurisdições de língua oficial ou cooficial portuguesa
Segundo dados estatísticos oficiais e fiáveis dos respetivos governos e seus institutos nacionais de estatística a população de cada uma das nove jurisdições é a seguinte (por ordem decrescente):
- Brasil: 190 755 799 (resultados definitivos do Censos 2010)[56];
- Moçambique: 20 366 795 (resultados definitivos do Censos 2007)[57][58];
- Angola: 15 116 000 (estimativa do governo. Angola não leva a cabo uma ação censitiva há várias décadas, estando o próximo previsto para 2013)[59];
- Portugal: 10 555 853 (resultados preliminares do Censos 2011)[60][61];
- Guiné-Bissau: 1 520 830 (resultados definitivos do Censos 2009)[62];
- Timor-Leste: 1 066 582 (resultados preliminares do Censos 2010)[63];
- Guiné Equatorial: 616 459 hab (Censo de 2008) [64]
- Macau: 558 100 (estimativa do 2.° trimestre da DSEC do Governo da RAE de Macau. As contagens do Censos 2011 estão a decorrer)[65][66][67];
- Cabo Verde: 491 575 (resultados preliminares do Censos 2010)[68];
- São Tomé e Príncipe: 137 599 (resultados do Censos 2001 divulgados em 2003)[69]
Com estes dados constata-se que a população residente no espaço lusófono de direito é oficialmente de 240 569 133 habitantes.
Poderá acrescentar-se a este número a imensa diáspora de nações lusófonas espalhada pelo mundo, estimada que ascenda aos 10 milhões (4,5 milhões de portugueses, 3 milhões de brasileiros, meio milhão de cabo-verdianos, etc) mas sobre a qual é difícil obter números reais oficiais, incluindo saber a percentagem dessa diáspora que fala efetivamente a língua de Camões, uma vez que uma porção significativa serão os cidadãos de países lusófonos nascidos fora de território lusófono descendentes de imigrantes e que não falam português. É necessário ter-se igualmente em conta que boa parte das diásporas nacionais já se encontra contabilizada nas populações dos países lusófonos, como por exemplo o grande número de cidadãos emigrantes dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e brasileiros em Portugal ou o grande número de cidadãos emigrantes portugueses no Brasil e nos PALOP.
A língua portuguesa encontra-se assim quotidianamente ao serviço de pouco mais de 240 milhões de pessoas, que têm contato direto ou indireto legal, jurídico e social com a língua portuguesa, podendo este variar do idioma único utilizado em quaisquer contactos, passando apenas pela educação, pelo contacto com a administração local ou internacional, comércio e/ou serviços ou até ao simples vislumbre de sinalética, informação municipal e publicidade em português.
De notar ainda o importante aumento e a consolidação da população das várias jurisdições para números arredondados facilmente identificáveis: Portugal Continental com 10 milhões e Açores e Madeira contabilizando já meio milhão juntos; o Brasil atinge os 190 milhões, Moçambique os 20 milhões, Angola os 15 milhões, Guiné-Bissau com 1 milhão e meio certos, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe contabilizam também meio milhão juntos, Macau chega ao meio milhão e Timor atinge por fim o grupo de países com um milhão de habitantes saindo da lista dos milhares. Números recentes e reais que individualmente e em conjunto fortalecem as suas nações, as identidades lusófonas e a língua portuguesa no panorama internacional.
Português como língua estrangeira
O ensino obrigatório do português nos currículos escolares é observado no Uruguai[70] e na Argentina.[71] Outros países onde o português é ensinado em escolas ou onde seu ensino está sendo introduzido agora incluem Venezuela,[72] Zâmbia,[73] Congo,[74] Senegal,[74] Namíbia,[74] Suazilândia,[74] Costa do Marfim[74] e África do Sul.[74]
Futuro
Segundo estimativas da UNESCO, o português e o espanhol são os idiomas que mais crescem entre as línguas europeias após o inglês e o idioma que tem o maior potencial de crescimento como língua internacional na África Austral e na América do Sul.[75] Espera-se que os países africanos falantes da língua portuguesa tenham uma população combinada de 83 milhões de pessoas até 2050. No total, os países de língua portuguesa terão 335 milhões de pessoas até o mesmo ano.[75]
Desde 1991, quando o Brasil assinou no mercado econômico do Mercosul com outros países sul-americanos, como Argentina, Uruguai e Paraguai, tem havido um aumento no interesse pelo estudo do português nas nações da América do Sul. O peso demográfico do Brasil no continente continuará a reforçar a presença do idioma na região.
Embora no início do século XXI, depois de Macau ter sido cedida à China, o uso de português estivesse em declínio na Ásia, está novamente se tornando uma língua relativamente popular por lá, principalmente por causa do aumento dos laços diplomáticos e financeiros chineses com os países de língua portuguesa.[76]
Visibilidade na ONU
Existe um número crescente de pessoas que falam português, na mídia e na internet, que estão apresentando tal situação à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e outras organizações para a realização de um debate na comunidade lusófona, com o objetivo de apresentar uma petição para tornar o português uma das línguas oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em outubro de 2005, durante a convenção internacional do Elos Clube Internacional da Comunidade Lusíada, realizada em Tavira (Portugal), uma petição cujo texto pode ser encontrado na internet com o título "Petição para tornar o idioma português oficial na ONU" foi redigida e aprovada por unanimidade.[77] Rômulo Alexandre Soares, presidente da Câmara Brasil - Portugal, destaca que o posicionamento do Brasil no cenário internacional como uma das potências emergentes do século XXI, pelo tamanho de sua população, e a presença da sua variante do português em todo o mundo, fornece uma justificação legítima para a petição enviada à ONU, e assim tornar o português uma das línguas oficiais da organização.[78] Esta é actualmente uma das causas do Movimento Internacional Lusófono.[79]
Outros fatores desvirtuam esta campanha. Embora o português seja uma língua cada vez mais importante a nível internacional, 4 em cada 5 falantes da língua portuguesa no mundo vivem em apenas um país, o Brasil. Isso ainda é distante da natureza internacional exigida para ser uma língua oficial da ONU. O alemão e o japonês não são línguas oficiais da ONU, por razões semelhantes, apesar de serem as línguas de poderosas economias mundiais.[80]
O português é eclipsado ainda mais na Europa, continente de origem de quatro das seis línguas oficiais da ONU (inglês, francês, espanhol e russo). No contexto europeu, o português não está sequer entre as dez línguas mais faladas no continente, com um número de falantes comparável ao do búlgaro e tcheco (pt-BR) / checo (pt-PT).[carece de fontes]
Na África, o português é eclipsado como língua franca pelos continentais inglês e francês falados nos países que cercam Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Finalmente, na Ásia, um continente de várias línguas com centenas de milhões de falantes, a única nação soberana lusófona é Timor-Leste. [carece de fontes]
Dialetos
Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estágio conhecido atualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialetos e subdialetos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (o português brasileiro e o português europeu). No momento atual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (é notado que a inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes). Esta situação deve ser resolvida pelo Acordo Ortográfico de 1990.
A língua portuguesa tem grande variedade de dialectos, muitos deles com uma acentuada diferença lexical em relação ao português padrão seja no Brasil ou em Portugal.[81][82][83] Tais diferenças, entretanto, não prejudicam muito a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialectos.
Os primeiros estudos sobre os dialectos do português europeu começaram a ser registados por Leite de Vasconcelos no começo do século XX.[84][85] Mesmo assim, todos os aspectos e sons de todos os dialectos de Portugal podem ser encontrados nalgum dialecto no Brasil. O português africano, em especial o português são-tomense, tem muitas semelhanças com o português do Brasil. Ao mesmo tempo, os dialetos do sul de Portugal (chamados "meridionais") apresentam muitas semelhanças com o falar brasileiro, especialmente, o uso intensivo do gerúndio (e. g. falando, escrevendo, etc.). Na Europa, os dialectos transmontano e alto-minhoto apresentam muitas semelhanças com o galego.[86] Um dialecto já quase desaparecido é o português oliventino ou português alentejano oliventino, falado em Olivença e em Táliga.
Após a independência das antigas colônias africanas, o português padrão de Portugal tem sido o escolhido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português tem apenas dois dialetos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note-se que na língua portuguesa europeia há uma variedade prestigiada que deu origem à norma-padrão: a variedade de Lisboa. No Brasil, a maior quantidade de falantes se encontra na região sudeste do país, essa região foi alvo de intensas emigrações de outras regiões, devido ao seu poder econômico, o Distrito Federal também merece destaque por ter sido alvo de uma migração trabalhista para formação da atual capital do Brasil, por isso há um dialeto próprio no Distrito Federal. Os dialectos europeus e americanos do português apresentam problemas de inteligibilidade mútua (dentro dos dois países), devido, sobretudo, a diferenças fonéticas e lexicais. Nenhum pode, no entanto, ser considerado como intrinsecamente melhor ou mais perfeito do que os outros.
Algumas comunidades cristãs falantes de português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram a sua língua mesmo depois de terem ficado isoladas de Portugal. A língua foi muito alterada nessas comunidades e, em muitas, nasceram crioulos de base portuguesa, alguns dos quais ainda persistem, após séculos de isolamento. Também é percebível uma variedade de palavras originadas do português no tétum. Palavras de origem portuguesa entraram no léxico de várias outras línguas, como o japonês, o suaíli, o indonésio e o malaio.
Classificação e línguas relacionadas
O português é uma língua indo-europeia, do grupo das línguas românicas (ou latinas), as quais descendem do latim, pertencente ao ramo itálico da família indo-europeia.
A língua portuguesa é, em alguns aspectos, parecida com a língua castelhana, tal como com a língua catalã ou a língua italiana, mas é muito diferente na sua sintaxe, na sua fonologia e no seu léxico. Um falante de uma das línguas precisa de alguma prática para entender um falante da outra. Além do mais, as diferenças no vocabulário podem dificultar o entendimento. Entretanto, essa situação usualmente se configura usando o vocabulário corrente da língua. Geralmente, há palavras portuguesas da mesma origem etimológica (às vezes em desuso) que as dos outros romances. Compare-se por exemplo:
- Ela fecha sempre a janela antes de jantar. (em português) (língua atual)
- Ella cierra siempre la ventana antes de cenar. (castelhano)
- Ela cerra sempre a ventana antes de cear. (usando a mesma etimologia)
Enquanto os falantes de português têm um nível notável de compreensão do castelhano, os falantes castelhanos têm, em geral, maior dificuldade de entendimento. Isto acontece porque o português, apesar de ter sons em comum com o castelhano, também tem sons particulares. No português, por exemplo, há vogais e ditongos nasais (provavelmente herança das línguas célticas[87][88]). Além disso, no português europeu há uma profunda redução de intensidade das sílabas finais e as vogais átonas finais tendem a ser ensurdecidas ou mesmo suprimidas. Esta particularidade da variedade europeia resulta do chamado ‘processo de redução do vocalismo átono’.
O português é, naturalmente, relacionado com o catalão, o italiano e todas as outras línguas de origem latina.
Há muitas línguas de contato derivadas do ou influenciadas pelo português, como por exemplo o patuá macaense de Macau. No Brasil, destacam-se o lanc-patuá derivado do francês e vários quilombolas, como o cupópia do Quilombo Cafundó, de Salto de Pirapora, no estado brasileiro de São Paulo.[89]
Ortografia
O português tem duas variedades escritas (padrões ou standards) reconhecidas internacionalmente:
- Português europeu e africano (português europeu)
- Português do Brasil (português brasileiro)
Empregado por cerca de 85% dos falantes do português, o padrão brasileiro é hoje o mais falado, escrito, lido e estudado do mundo. É, ademais, amplamente estudado nos países da América do Sul, devido à grande importância econômica do Brasil no Mercosul.
As diferenças entre as variedades do português da Europa e do Brasil estão no vocabulário, na pronúncia e na sintaxe, especialmente nas variedades vernáculas, enquanto nos textos formais essas diferenças diminuem bastante. As diferenças não são maiores que entre o inglês dos Estados Unidos e do Reino Unido ou o francês da França e de Québec.[90] Ambas as variedades são, sem dúvida, dialectos da mesma língua e os falantes de ambas as variedades podem entender-se apenas com pequenas dificuldades pontuais.
Essas diferenças entre as variantes são comuns a todas as línguas naturais, ocorrendo em maior ou menor grau, dependendo do caso. Com um oceano entre Brasil e Portugal, e ao longo de quinhentos anos, a língua evoluiu de maneira diferente em ambos os países, dando origem a dois padrões de linguagem simplesmente diferentes, não existindo um padrão que seja mais correto em relação ao outro.
É importante salientar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português do Brasil" e "português europeu" há um grande número de variações regionais.
Um dos traços mais importantes do português brasileiro é o seu conservadorismo em relação à variante europeia, sobretudo no aspecto fonético. Um português do século XVI mais facilmente reconheceria a fala de um brasileiro do século XX como sua do que a fala de um português[91]. O exemplo mais forte disto é o vocalismo átono usado no Brasil, que corresponde ao do português da época dos descobrimentos. Assim, a linguística não só retira qualquer autoridade de qualquer variante em relação às outras, como mostra que a distância entre as variantes e entre os seus falantes não é tão grande como muitos pensam.
O que mais afasta as duas variantes não é o seu léxico ou pronúncia distintos, considerados naturais até num mesmo país, mas antes a circunstância, pouco comum nas línguas, de seguirem duas ortografias diferentes. Por exemplo, o Brasil eliminou o "c" das sequências interiores cc/cç/ct, e o "p" das sequências pc/pç/pt sempre que não são pronunciados na forma culta da língua, um remanescente do passado latino da língua que persistiu no português europeu.
| Europa e África | acção | acto | contacto | direcção | eléctrico | óptimo | adopção |
| Brasil | ação | ato | contato | direção | elétrico | ótimo | adoção |
Nota: no Brasil mantêm-se quando pronunciadas, como em facção, compactar, intelectual, aptidão etc.
Também ocorrem diferenças de acentuação devido a pronúncias diferentes. No Brasil, em palavras como acadêmico, anônimo e bidê usa-se o acento circunflexo por tratar-se de vogais fechadas, enquanto nos restantes países lusófonos estas vogais são abertas: académico, anónimo e bidé respectivamente.
Reformas das ortografia
Durante muitos anos, Portugal (até 1975, incluía as suas colónias) e o Brasil tomaram decisões unilateralmente e não chegaram a um acordo comum, legislando sobre a língua e, desde a independência das colónias, em maior ou menor grau, ignorando os restantes países lusófonos. Existiram pelo menos cinco Acordos Ortográficos: de Acordo Ortográfico de 1911, Acordo Ortográfico de 1943, Acordo Ortográfico de 1945, Acordo Ortográfico de 1971 e o Acordo Ortográfico de 1990. Todos eles envolvidos em polémicas e divergências entre os países signatários. Entre estes, os mais significativos foram o Acordo Ortográfico de 1943 que esteve em vigor apenas no Brasil entre 12 de agosto de 1943[carece de fontes] e 31 de dezembro de 2008 (com algumas alterações introduzidas pelo Acordo Ortográfico de 1971) e o Acordo Ortográfico de 1945 em vigor em Portugal e todas as colónias portuguesas da época, desde 8 de Dezembro de 1945 até à entrada em vigor do Acordo Ortográfico de 1990 (ainda não entrou em vigor em todos os países signatários).
Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
O Acordo Ortográfico de 1990[92] foi proposto para criar uma norma ortográfica única, de que participaram na altura todos os países de língua oficial portuguesa, e em que esteve presente uma delegação não oficial de observadores da Galiza. Os signatários que ratificaram o acordo original foram Portugal (1991), Brasil (1995), Cabo Verde (1998) e São Tomé e Príncipe (2006).
Em julho de 2004 foi aprovado, em São Tomé e Príncipe, o Segundo Protocolo Modificativo, durante a Cúpula dos Chefes de Estado e de governo da CPLP. O Segundo Protocolo vem permitir que o Acordo possa vigorar com a ratificação de apenas três países, sem a necessidade de aguardar que todos os demais membros da CPLP adotem o mesmo procedimento, e contempla também a adesão de Timor-Leste, que ainda não era independente em 1990. Assim, tendo em vista que o Segundo Protocolo Modificativo foi ratificado pelo Brasil (2004), Cabo Verde (2005) e São Tomé e Príncipe (2006), e que o Acordo passaria automaticamente a vigorar um mês após a terceira ratificação necessária, tecnicamente o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor, na ordem jurídica internacional e nos ordenamentos jurídicos dos três Estados acima indicados, desde 1º de Janeiro de 2007.[93]
Depois de muita discussão, no dia 16 de maio de 2008, o parlamento português ratificou o Segundo Protocolo Modificativo, estabelecendo um prazo de até seis anos para que a reforma ortográfica seja totalmente implantada. No entanto, não existe nenhuma data oficial para a vigência do tratado no país, pelo que se rege segundo a norma oficial de 1945.
No Brasil, houve a vigência desde janeiro de 2009, tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinado legislação sobre o acordo no segundo semestre de 2008, porém até 2012 as duas ortografias estarão vigentes.
Gramática
Fonologia
A língua portuguesa contém alguns sons únicos para falantes de outras línguas tornando-se, por isso, necessário que estes lhes prestem especial atenção quando a aprendem.
O português tem uma das fonologias mais ricas das línguas românicas, com vogais orais e nasais, ditongos nasais e dois ditongos nasais duplos. As vogais semifechadas /e/, /o/ e as vogais semiabertas /ɛ/, /ɔ/ são quatro fonemas separados, ao invés do espanhol, e o contraste entre elas é usado para apofonia. O português europeu também possui duas vogais centrais, uma das quais tende a ser omitida na fala como o e caduc do francês.
Léxico
O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, com cerca de 228 500 entradas, 376 500 acepções, 415 500 sinónimos, 26 400 antónimos e 57 000 palavras arcaicas, é um exemplo da riqueza léxica da língua portuguesa.
Segundo um levantamento feito pela Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa tem atualmente cerca de 356 mil unidades lexicais.[carece de fontes] Essas unidades estão dicionarizadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
O português, quer em morfologia, quer em sintaxe, representa uma transformação orgânica do latim sem intervenção de qualquer língua estrangeira. Os sons, formas gramaticais e tipos sintácticos, com pequenas excepções, são derivados do latim. Cerca de 90% do vocabulário ainda deriva da língua de Roma. Algumas mudanças tomaram corpo durante o Império Romano, outras tiveram lugar mais tarde. Na Idade Média Alta, o português estava a erodir tanto como o francês, mas uma política conservadora reaproximou a língua ao latim.
Curiosidades
- A língua portuguesa é o único idioma românico em que existe mesóclise.[carece de fontes]
- O termo "saudade" advém da conjunção de solidão e saudar, onde quem sofre é quem fica a esperar o retorno de quem partiu e não o indivíduo que partiu, o qual nutre nostalgia. A gênese do vocábulo está diretamente ligada à tradição marítima lusitana.
- A palavra "saudade" só existe na língua portuguesa ou em derivados dela,[carece de fontes] como o caso do galego e do crioulo de base portuguesa, existindo também em esperanto, por adição à língua. Existem no entanto palavras similares, contendo significados semelhantes, embora não abarquem toda a extensão do significado da palavra "saudade", é o caso da palavra polaca tęsknota e da palavra romena "dor". Em catalão existe a palavra enyorança, substantivo abstrato de significado semelhante. Com relação ao inglês, embora não haja um substantivo totalmente equivalente a saudade, usa-se o verbo to miss, por exemplo na frase I miss you, como: "Sinto a sua falta", relacionando a sensação de falta à perda, além de expressões como longing e homesick. O francês e o italiano usam cognatos de mancar para designar sentimentos semelhantes.
Ver também
- Dicionário da Língua Portuguesa
- Literatura Portuguesa
- Diferenças entre o castelhano e o português
- Galego
- PALOP
- Países onde o Português é língua oficial
- Museu da Língua Portuguesa
- Instituto Internacional da Língua Portuguesa
- Crioulo de base portuguesa
- Palavras japonesas de origem portuguesa
- Relações entre Brasil e Portugal
- A ortografia anterior à 1911 (Portugal) e à 1943 (Brasil)
- Dialetos
Referências
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- ↑ Língua Quebequense *francês (em português).
- ↑ A Pronúncia do Português Europeu. Instituto Camões. Página visitada em 14 de novembro de 2010.
- ↑ Acordo Ortográfico de 1990 no Portal da Língua Portuguesa, MCTES.
- ↑ Cf. Nota da CPLP.
Ligações externas
- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
- Instituto Camões
- O que vai mudar no acordo ortográfico
- Dialetos Portugueses no Uruguai.
Dicionários em linha
- Dicionário da Língua Portuguesa - Acordo Ortográfico - o primeiro dicionário em linha com as regras do Acordo Ortográfico de 1990, da Porto Editora
- Dicionário da língua portuguesa online - Priberam
- iDicionário Aulete da língua portuguesa
- Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa
- Wikcionário - Dicionário multilíngue em português
Ferramentas de apoio à escrita do português
- Portal da Língua Portuguesa
- Analisador Morfológico e Corrector ortográfico open source para o português europeu - webjspell
- Língua Brasil - Instituto Euclides da Cunha
Apoio à aprendizagem do português - Instituto Camões