Língua portuguesa
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A língua portuguesa, com mais de 260 milhões de falantes[11], é, como língua nativa, a quinta língua mais falada no mundo e a terceira mais falada no mundo ocidental, e tem origem em Portugal, daí o nome "português" dado ao idioma. Além de Portugal, ele é oficial em Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e, desde 13 de julho de 2007, na Guiné Equatorial[1][2], sendo também falado nos antigos territórios da Índia Portuguesa (Goa, Damão, Ilha de Angediva, Simbor, Gogolá, Diu e Dadrá e Nagar-Aveli). Possui estatuto oficial na União Europeia, no Mercosul, na União Africana, na Organização dos Estados Americanos, na União Latina, na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e na Associação dos Comités Olímpicos de Língua Oficial Portuguesa (ACOLOP).
A língua portuguesa é uma língua românica, tal como o castelhano, o catalão, o italiano, o francês e o romeno. Mais especificamente, o português pertence ao grupo ibero-românico.
Assim como os outros idiomas, o português sofreu uma evolução histórica, sendo influenciado por vários idiomas e dialetos, até chegar ao estágio conhecido atualmente. Deve-se considerar, porém, que o português de hoje compreende vários dialetos e subdialetos, falares e subfalares, muitas vezes bastante distintos, além de dois padrões reconhecidos internacionalmente (português brasileiro e português europeu). No momento actual, o português é a única língua do mundo ocidental falada por mais de cem milhões de pessoas com duas ortografias oficiais (note-se que línguas como o inglês têm diferenças de ortografia pontuais mas não ortografias oficiais divergentes), situação a que o Acordo Ortográfico de 1990 pretende pôr cobro.
Segundo um levantamento feito pela Academia Brasileira de Letras, a língua portuguesa tem, atualmente, cerca de 356 mil unidades lexicais. Essas unidades estão dicionarizadas no Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa.
O português é conhecido como "A língua de Camões" (em homenagem a Luís Vaz de Camões, escritor português, autor de Os Lusíadas), "A última flor do Lácio" (expressão usada no soneto Língua Portuguesa, do escritor brasileiro Olavo Bilac[12]). Miguel de Cervantes, o célebre autor espanhol, considerava o idioma "doce e agradável".[13]
Nos séculos XV e XVI, à medida que Portugal criava o primeiro império colonial e comercial europeu, a língua portuguesa se espalhou pelo mundo, estendendo-se desde as costas Africanas até Macau, na China, ao Japão e ao Brasil, nas Américas. Como resultado dessa expansão, o português é agora língua oficial de oito países independentes além de Portugal, e é largamente falado ou estudado como segunda língua noutros. Há, ainda, cerca de vinte línguas crioulas de base portuguesa. É uma importante língua minoritária em Andorra, Luxemburgo, Paraguai, Namíbia, Maurícia, Suíça e África do Sul. Encontram-se, também, numerosas comunidades de emigrantes, em várias cidades em todo o mundo, onde se fala o português como Paris na França; Hamilton nas Ilhas Bermudas que faz parte dos territórios britânicos ultramarinos localizada no Oceano Atlântico; Toronto, Hamilton, Montreal e Gatineau no Canadá; Boston, Nova Jérsei e Miami nos EUA e Nagoia e Hamamatsu no Japão.
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[editar] História
O português surge a noroeste da península Ibérica e desenvolveu-se, na sua faixa ocidental, incluindo parte da antiga Lusitânia e da Bética romana. O romance galaico-português nasce do latim falado, trazido pelos soldados e colonos romanos desde o século III a.C.. O contacto com o latim vulgar fez com que, após um período de bilinguismo, as línguas locais desaparecessem, levando ao aparecimento de novos dialectos. Assume-se que a língua iniciou o seu processo de diferenciação das outras línguas ibéricas através do contacto das diferentes línguas nativas locais com o latim vulgar, o que levou ao possível desenvolvimento de diversos traços individuais ainda no período romano.[14][15][16] A língua iniciou a segunda fase do seu processo de diferenciação das outras línguas românicas depois da queda do Império Romano, durante a época das invasões bárbaras no século V quando surgiram as primeiras alterações fonéticas documentadas que se reflectiram no léxico. Começou a ser usada em documentos escritos pelo século IX, e no século XV tornara-se numa língua amadurecida, com uma literatura bastante rica.
Chegando à península Ibérica em 218 a.C., os romanos trouxeram com eles o latim vulgar, de que todas as línguas românicas (também conhecidas como "línguas novilatinas", ou, ainda, "neolatinas") descendem. Só no fim do século I a.C. os povos que viviam a sul da Lusitânia pré-romana, os cónios e os celtas, começam o seu processo de romanização. As línguas paleo-ibéricas, como a Língua lusitana ou a sul-lusitana são substituídas pelo latim. Estrabão, um geógrafo da Grécia antiga, comenta num dos livros da sua obra Geographia que os turdetanos adoptaram os costumes romanos, e já não se lembravam da própria língua, sendo este o povo mais romanizado da época na península, habitando a região hoje chamada de Andaluzia, na Espanha. [17] A língua difundiu-se com a chegada dos soldados, colonos e mercadores, vindos das várias províncias e colónias romanas, que construíram cidades romanas normalmente perto de cidades nativas.
A partir de 409 d.C.,[18] enquanto o Império Romano entrava em colapso, a península Ibérica era invadida por povos de origem germânica e iraniana ou eslava[19] (suevos, vândalos, búrios, alanos, visigodos), conhecidos pelos romanos como bárbaros que receberam terras como fœderati. Os bárbaros (principalmente os suevos e os visigodos) absorveram em grande escala a cultura e a língua da península; contudo, desde que as escolas e a administração romana fecharam, a Europa entrou na Idade Média e as comunidades ficaram isoladas, o latim popular começou a evoluir de forma diferenciada e a uniformidade da península rompeu-se, levando à formação de um proto-ibero-romance “lusitano” (ou proto-galego-português). Desde 711, com a invasão islâmica da península, que também introduziu um pequeno contingente de saqalibas, o árabe tornou-se a língua de administração das áreas conquistadas. Contudo, a população continuou a usar as suas falas românicas, o moçárabe nas áreas sob o domínio mouro, de tal forma que, quando os mouros foram expulsos, a influência que exerceram na língua foi relativamente pequena. O seu efeito principal foi no léxico, com a introdução de cerca de mil palavras através do moçárabe-lusitano.
Os registos mais antigos que sobreviveram de uma língua portuguesa distinta são documentos notariais (ou tabeliónicos) do século IX, ainda entremeados com muitas frases em latim notarial (ou latino-romance). Essa fase da história da língua, que antecedeu o surgimento de uma escrita (scripta) portuguesa autónoma foi designada por “período proto-histórico” por José Leite de Vasconcellos e “período das origens” por Clarinda Maia. Embora a escrita tivesse uma aparência “alatinada” a língua falada era o galego-português.[carece de fontes]
Os mais antigos textos escritos em português constituem aquilo que Ivo Castro chamou a “produção primitiva portuguesa” e datam de inícios do século XIII. A partir de 1255 o português foi adoptado como ‘língua de registo’ na chancelaria régia (no reinado de D. Afonso III.
| Trecho de poesia medieval portuguesa |
|---|
| Das que vejo |
| non desejo |
| outra senhor se vós non, |
| e desejo |
| tan sobejo, |
| mataria um leon, |
| senhor do meu coraçon: |
| fin roseta, |
| bela sobre toda fror, |
| fin roseta, |
| non me meta |
| en tal coita voss'amor! |
| João de Lobeira (1270?–1330?) |
Portugal tornou-se independente em 1143 com o rei D. Afonso Henriques. A língua falada à época, o português antigo (antepassado comum ao galego e ao português modernos, do século XII ao século XIV), começou a ser usada de forma mais generalizada, depois de ter ganhado popularidade na Península Ibérica cristianizada como uma língua de poesia. Em 1290, o rei Dom Dinis cria a primeira universidade portuguesa em Lisboa (o Estudo Geral) e decretou que o português, até então apenas conhecido como "língua vulgar" passasse a ser conhecido como língua portuguesa e oficialmente usado.
No segundo período do português arcaico, entre os séculos XIV e XVI, com as descobertas portuguesas, a língua portuguesa espalhou-se por muitas regiões da Ásia, África e Américas. Hoje, a maioria dos falantes do português encontram-se no Brasil, na América do Sul. No século XVI, torna-se a língua franca da Ásia e África, usado não só pela administração colonial e pelos mercadores, mas também para comunicação entre os responsáveis locais e europeus de todas as nacionalidades. A irradiação da língua foi ajudada por casamentos mistos entre portugueses e as populações locais e a sua associação com os esforços missionários católicos levou a que fosse chamada Cristão em muitos sítios da Ásia. O Dicionário japonês-português de 1603 foi um produto da actividade missionária jesuíta no Japão. A língua continuou a gozar de popularidade no sudoeste asiático até ao século XIX.
Algumas comunidades cristãs falantes de português na Índia, Sri Lanka, Malásia e Indonésia preservaram a sua língua mesmo depois de terem ficado isoladas de Portugal. A língua modificou-se bastante nessas comunidades e, em muitas, nasceram crioulos de base portuguesa, alguns dos quais ainda persistem, após séculos de isolamento. Encontra-se também um número bastante considerável de palavras de origem portuguesa no tétum. Palavras de origem portuguesa entraram no léxico de várias outras línguas, como o japonês, o suaíli, o indonésio e o malaio.
O fim do português arcaico é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende em 1516. O período do português moderno (do século XVI até ao presente) teve um aumento do número de palavras originárias do latim clássico e do grego, emprestadas ao português durante a Renascença, aumentando a complexidade da língua.
Em março de 1994 foi fundado o Bosque de Portugal, na cidade sul-brasileira de Curitiba; o parque abriga o Memorial da Língua Portuguesa, que homenageia os imigrantes portugueses e os países que adotam a língua portuguesa; originalmente eram sete as nações que estavam representadas em pilares, mas com a independência de Timor-Leste, este também foi homenageado com um pilar construído em 2007[20].
Em março de 2006, fundou-se em São Paulo o Museu da Língua Portuguesa.
[editar] Classificação e línguas relacionadas
O português é uma língua indo-europeia, do grupo das línguas românicas (ou latinas), as quais descendem do latim, pertecente ao ramo itálico da família indo-europeia.
A língua portuguesa é, em alguns aspectos, parecida com a língua castelhana, tal como com a língua catalã ou a língua italiana, mas é muito diferente na sua sintaxe, na sua fonologia e no seu léxico. Um falante de uma das línguas precisa de alguma prática para entender um falante da outra. Além do mais, as diferenças no vocabulário podem dificultar o entendimento. Compare-se por exemplo:
- Ela fecha sempre a janela antes de jantar. (português)
- Ella cierra siempre la ventana antes de cenar. (castelhano)
Nalguns lugares fronteiriços de Portugal e do Brasil, o português e o castelhano são falados em conjunto.[carece de fontes] Enquanto os falantes de português têm um nível notável de compreensão do castelhano, os falantes castelhanos têm, em geral, maior dificuldade de entendimento. Isto acontece porque o português, apesar de ter sons em comum com o castelhano, possui outros que são únicos. No português, por exemplo, há vogais e ditongos nasais (provavelmente herança das línguas célticas [21][22]). Além disso, no português europeu há profunda redução de intensidade das sílabas finais e as vogais átonas finais tendem a ser ensurdecidas ou mesmo suprimidas. Esta particularidade da variedade europeia, que resulta do chamado ‘processo de redução do vocalismo átono’, dificulta a compreensão por parte de falantes castelhanos, galegos e brasileiros.
O português é, naturalmente, relacionado com o catalão, o italiano e todas as outras línguas latinas.
Há muitas línguas de contato derivadas do ou influenciadas pelo português, como por exemplo o patuá macaense de Macau. No Brasil, destacam-se o lanc-patuá derivado do francês e vários quilombolas, como o cupópia do Quilombo do Cafundó, de Salto de Pirapora, no estado brasileiro de São Paulo.[23]
[editar] Distribuição geográfica
O português é primeira língua em Angola, Brasil, Portugal, São Tomé e Príncipe e Moçambique.
A língua portuguesa é também a língua oficial de Cabo Verde, da Guiné-Bissau e uma das línguas oficiais da Guiné Equatorial (com o espanhol e o francês), de Timor-Leste (com o tétum) e de Macau (com o chinês). É bastante falado, mas não oficial, em Andorra, Luxemburgo, Namíbia e Paraguai. Crioulos de base portuguesa são as línguas maternas da população de Cabo Verde e de parte substancial dos guineenses e são-tomenses.
O português é falado por cerca de 190 milhões de pessoas na América do Sul, 16 milhões de africanos, 12 milhões de europeus, dois milhões na América do Norte e 330 mil na Ásia.
Dentre as línguas, oficiais e primeiras, faladas numa significativa quantidade de países, o Português é a única cujos países falantes (7 nações) não fazem fronteira com outro país da mesma língua. Tal não ocorre com o Inglês, com o Francês, o Espanhol, o Árabe. Os territórios colonizados por Portugal não se sub-dividiram em diversos países, como ocorreu com as colônias da Espanha nas Américas, com as colônias da França e do Reino Unido na África. Nem os países originados pela expansão árabe islâmica pela Ásia e África mantiveram a unidade política.
A CPLP ou Comunidade dos Países de Língua Portuguesa é uma organização internacional constituída pelos oito países independentes que têm o português como língua oficial. O português é também uma língua oficial da União Europeia, Mercosul e uma das línguas oficiais e de trabalho da União Africana. A União Latina é outra organização internacional constituída por países de línguas românicas como o português. A língua portuguesa tem ganhado popularidade como língua de estudo na África, América do Sul e Ásia.
Portais de Países e Regiões de Língua Oficial Portuguesa
| Angola | Brasil | Cabo Verde | Guiné- -Bissau |
Macau | Moçambique | Portugal | São Tomé e Príncipe |
Timor- -Leste |
[editar] Dialectos
A língua portuguesa tem grande variedade de dialectos, muitos deles com uma acentuada diferença lexical em relação ao português padrão seja no Brasil ou em Portugal [24] [25] [26] . Tais diferenças, entretanto, não prejudicam muito a inteligibilidade entre os locutores de diferentes dialectos.
Os primeiros estudos sobre os dialectos do Português europeu começaram a ser registados por Leite de Vasconcelos no começo do século XX [27] [28]. Mesmo assim, todos os aspectos e sons de todos os dialectos de Portugal podem ser encontrados nalgum dialecto no Brasil. O português africano, em especial o português são-tomense, tem muitas semelhanças com o português do Brasil. Ao mesmo tempo, os dialetos do sul de Portugal (chamados "meridionais") apresentam muitas semelhanças com o falar brasileiro, especialmente, o uso intensivo do gerúndio (e. g. falando, escrevendo, etc.). Na Europa, o dialecto "transmontano-alto-minhoto" apresenta muitas semelhanças com o galego. Um dialecto já quase desaparecido é o português oliventino ou português alentejano oliventino, falado em Olivença e em Táliga.
Após a independência das antigas colónias africanas, o português padrão de Portugal tem sido o preferido pelos países africanos de língua portuguesa. Logo, o português tem apenas dois dialectos de aprendizagem, o europeu e o brasileiro. Note-se que na língua portuguesa europeia há uma variedade prestigiada que deu origem à norma-padrão: a variedade de Lisboa. No Brasil, o dialecto de mais prestígio é o falado pelos habitantes cultos das grandes cidades, sendo os mais difundidos na mídia o de São Paulo e o do Rio de Janeiro. Os dialectos europeus e americanos do português apresentam problemas de inteligibilidade mútua (dentro dos dois países), devido, sobretudo, a diferenças fonéticas e lexicais. Nenhum pode, no entanto, ser considerado como intrinsecamente melhor ou mais perfeito do que os outros.
[editar] Dialectos de Portugal
- 1. Dialectos portugueses insulares açorianos. Ouvir registo sonoro recolhido em Ponta Garça (São Miguel).
- 8. Dialectos portugueses insulares madeirenses. Ouvir registo sonoro recolhido em Câmara de Lobos.
- 4. e 10. Dialectos portugueses setentrionais: dialectos transmontanos e alto-minhotos. Ouvir registo sonoro recolhido em Castro Laboreiro (Minho).
- 9. 6. 5. Dialectos portugueses setentrionais: dialectos baixo-minhotos-durienses-beirões. Ouvir registo sonoro recolhido em Granjal (Viseu).
- 7. Dialectos portugueses centro-meridionais: dialectos do centro litoral. Inclui Coimbra, Leiria e Lisboa. Ouvir registo sonoro recolhido em Moita do Martinho (Leiria).
- 2. e 3. Dialectos portugueses centro-meridionais: dialectos do centro interior e do sul. Ouvir registo sonoro recolhido em Serpa (Beja, Alentejo).
Regiões subdialectais com características peculiares bem diferenciadas:
-
- Dialectos portugueses setentrionais
- Região subdialectal do Baixo-Minho e Douro Litoral. Inclui o Porto. Ouvir registo sonoro recolhido em Vila Praia de Âncora (Viana do Castelo).
- Dialectos portugueses centro-meridionais
- Região subdialectal da Beira Baixa e Alto Alentejo: zona centro-meridional. Ouvir registo sonoro recolhido em Castelo de Vide (Portalegre, Alentejo).
- Região subdialectal do Barlavento do Algarve. Ouvir registo sonoro recolhido em Porches (Algarve).
- Dialectos portugueses setentrionais
Um mapa mais preciso da classificação Lindley Cintra pode ser encontrado nesta página do Instituto Camões.
[editar] Dialetos do Brasil
Há pouca precisão na divisão dialetal brasileira. Alguns dialetos, como o dialeto caipira, já foram estudados, estabelecidos e reconhecidos por linguistas, tais como Amadeu Amaral. Contudo, há poucos estudos a respeito da maioria dos demais dialetos e, atualmente, aceita-se a classificação proposta pelo filólogo Antenor Nascentes e outros.[carece de fontes]
- 1. Caipira - interior do estado de São Paulo, norte do Paraná, sul de Minas Gerais, sul de Goiás e leste de Mato Grosso do Sul
- 2. Maranhense, Piauiense (Meio Nortista) - Maranhão e Piauí
- 3. Baiano - região da Bahia
- 4. Fluminense (ouvir) - Estado do Rio de Janeiro (capital e regiões litorânea e serrana)
- 5. Gaúcho - Rio Grande do Sul, com alguma influência do castelhano, como dizer "bueno", "griz", "cucharra" e "entonces".
- 6. Mineiro - Minas Gerais
- 7. Dialetos nordestinos - Conjunto de dialectos falados na Região Nordeste, com exceção da Bahia.
- 8. Nortista - estados da bacia do Amazonas (ouvir) - (o interior e Manaus têm falares próprios)
- 9. Paulistano - cidade de São Paulo e proximidades
- 10. Sertanejo - Estados de Goiás e Mato Grosso. Se assemelha aos dialectos mineiro e caipira.
- 11. Sulista - Estados do Paraná e Santa Catarina. Este dialeto sofre inúmeras variações de pronúncia de acordo com a área geográfica, sendo influenciado pela pronúncia de São Paulo no norte do Paraná e do Rio Grande do Sul no oeste do Paraná e em algumas regiões de Santa Catarina. Há pequena influência nas áreas de colonização alemã com sotaque.
[editar] Dialectos de Angola
[editar] Dialectos de Cabo Verde
- Português cabo-verdiano. (ouvir) - Cabo Verde
[editar] Dialectos de São Tomé
- Português são-tomense (ouvir) - São Tomé e Principe
[editar] Dialectos de Espanha
- Fala da Extremadura ou fala de Xálima – Valverde do Fresno, Elas, São Martinho de Trebelho (variedade linguística do português)
- Português oliventino – Olivença e Táliga, Espanha (em desuso; não protegido)
[editar] Outras áreas
- Guineense (ouvir) - Guiné-Bissau
- Macaense (ouvir) - Macau, China
- Moçambicano (ouvir) - Moçambique
- Timorense (ouvir) - Timor-Leste
- Dialectos portugueses do Uruguai (Portunhol riverense, Fronterizo e Bayano) - Uruguai
[editar] Gramática
[editar] Morfologia verbal
Os verbos são divididos em três conjugações, identificadas pela terminação dos infinitivos, -ar, -er, -ir (e -or, remanescente no único verbo, pôr, juntamente com seus compostos; este verbo pertence, todavia, à conjugação de infinitivos terminados em -er, pois tem origem no latim poner, evoluindo para poer e pôr). A maioria dos verbos terminam em ar, tais como cantar. De uma forma geral, os verbos com a mesma terminação seguem o mesmo padrão de conjugação. Porém, são abundantes os verbos irregulares e alguns chegam a ser até mesmo anômalos: ir, ser, saber, pôr e seus derivados apor, opor, compor, dispor, supor, propor, decompor, recompor, repor, sobrepor e antepor.
[editar] Tempos e aspectos
Há, no português, três tempos e diversos aspectos, a saber:
- Presente, que exprime ações frequentes ou corriqueiras.
- Pretérito, exprimindo ações terminadas no passado, sendo dividido em:
- Pretérito imperfeito, ações inacabadas;
- Pretérito perfeito, ações acabadas;
- Préterito mais-que-perfeito, ação anterior a uma já acabada;
- Futuro, que exprime ações pontuais que ocorrerão no futuro, sendo divididos em:
- Futuro do presente, ações que serão executadas;
- Futuro do pretérito, ações que poderiam ser executadas.
Na língua portuguesa, os verbos são divididos em seis modos, de acordo com o que exprimem:
- Indicativo, para exprimir fatos tidos como certos;
- Conjuntivo ou Subjuntivo, para exprimir suposições;
- Imperativo, para exprimir instruções;
- Condicional, para exprimir condições (normalmente, tendo como base suposições);
- Infinitivo, formas verbais que não exprimem nada autónomos, sendo dividido em:
- Infinitivo Pessoal, em que cada forma corresponde a uma pessoa;
- Infinitivo Impessoal, em que a forma dá nome ao seu verbo;
- Formas nominais, sendo estas o Gerúndio, muito utilizado na Conjugação Perifrástica. Participio Passado ou Adjectivo Verbal, utilizada para tempos compostos e para a Voz Passiva, e Infinitivo Impessoal.
[editar] Conjugação Perifrástica
A Conjugação Perifrástica refere-se a não-tempos — chamemos-lhe assim porque, embora esteja gramaticalmente correcto utilizar qualquer uma das formas abaixo, estas não são tempos verbais na nossa gramática.
Podemos utilizar a Conjugação Perifrástica para exprimir os seguintes sentidos [29]:
- Necessidade - ter de + infinitivo (ex.: Eu tenho de melhorar a Wikipédia.);
- Certeza - haver de + infinitivo (ex.: Hei-de conseguir melhorar.);
- Intenção - estar para + infinitivo (ex.: Estou para melhorar.) ou estar prestes a + infinitivo (ex.: Estou prestes a melhorar.);
- Realização futura - verbo ir no presente do indicativo + infinitivo do verbo principal (ex.: Vou ler o artigo sobre a Língua Poruguesa na Wikipédia.)
- Realização próxima - verbo estar no presente do indicativo + a + infinitivo (ex.: Estou a editar a Wikipédia.) ou verbo estar no presente do indicativo + gerúndio (ex.: Estou editando a Wikipédia.)
- Realização gradual - verbo ir no presente do indicativo + gerúndio (ex.: Vou editando a Wikipédia.)
- Acontecimento simultâneo(1) - verbo ir no pretérito imperfeito do indicativo + a + infinitivo (ex.: Ia rever a Wikipédia quando recebi uma mensagem de correio electrónico.)
- Acontecimento simultâneo(2) - verbo estar no pretérito imperfeito do indicativo + gerúndio (ex.:"Estava revendo a Wikipédia quando recebi uma mensagem de correio eletrônico.")
- Probabilidade ou dever - verbo dever no presente do indicativo + infinitivo (ex.: Devo propor aquele artigo para destaque.)
- Aconselhamento ou reflexão - verbo dever no pretérito imperfeito do indicativo + infinitivo (ex.: Devias ter proposto aquele artigo para destaque.) ou verbo dever no futuro do pretérito do indicativo + infinitivo (ex.: Deverias ter proposto aquele artigo para destaque.)
[editar] Vozes do verbo
Na Língua Portuguesa, tal como noutras línguas, existem as vozes activa e passiva do verbo.
A voz activa é utilizada para falar directamente com a pessoa, enquanto que a voz passiva é utilizada para relatar algo.
A voz activa utiliza-se conforme o exemplo a seguir: Eu como uma maçã.
A voz passiva é formada pelo verbo ser no tempo e modo pretendidos mais o participio passado do verbo pretendido (ex.: A maçã foi comida por mim.). Tenha em conta que a voz passiva só pode ser feita com verbos transitivos (verbos do género Como a maçã) e intransitivos (verbos do género Eu corro, que não precisam de acompanhamento de um complemento na frase).
[editar] Morfologia nominal
Todos os substantivos portugueses apresentam dois gêneros: masculino ou inclusivo e feminino ou exclusivo. Muitos adjetivos e pronomes, e todos os artigos, indicam o gênero dos substantivos a que eles se referem. O gênero feminino em adjetivos é formado de modo diferente dos substantivos. Muitos adjetivos terminados em consoante permanecem inalterados: "homem superior", "mulher superior", da mesma forma os adjetivos terminados em "e": "homem forte", "mulher forte". Fora isso, o substantivo e o adjetivo devem sempre estar em concordância: "homem alto", "mulher alta".
O grau dos substantivos é, de uma forma genérica, representado pelos sufixos "-ão, -ona" para o aumentativo e "-inho, -inha" para o diminutivo, ainda que haja numerosas variações para representar esses graus.
Os adjetivos podem ser empregados em forma comparativa ou superlativa. A forma comparativa é representada pelos advérbios "mais...que", "menos...que" e "tanto...quanto" (ou "como"), e a forma superlativa é representada pelas locuções "o mais" ou "o menos". Para representar o superlativo absoluto, pode-se ainda acrescentar os sufixos "-íssimo, -íssima" (alguns adjetivos, no entanto, fazem o superlativo absoluto com a terminação "-érrimo, -érrima", ou "-ílimo", "-ílima").
Os substantivos vêm geralmente acompanhados de um numeral, pronome ou artigo, assumindo variações de acordo com as funções sintáticas, a saber:
- Nominativo (sujeito ou objeto direto): a, o, este, esta, isto, esse, essa, isso, aquele, aquela, aquilo;
- Genitivo (adjunto adnominal de posse): da, do, deste, desta, disto, desse, dessa, disso, daquele, daquela, daquilo;
- Locativo (adjunto adverbial de lugar): na, no, neste, nesta, nisto, nesse, nessa, nisso, naquele, naquela, naquilo;
- Dativo (objeto indireto): à, ao, àquele, àquela, àquilo (a preposição não se funde com os demais demonstrativos).
Os advérbios podem ser formados pelo feminino dos adjetivos, com o acréscimo do sufixo "-mente", por exemplo: certo = cert(a)mente.
[editar] Vocabulário
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O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, com cerca de 228 500 entradas, 376 500 acepções, 415 500 sinónimos, 26 400 antónimos e 57 000 palavras arcaicas, é um exemplo da riqueza léxica da língua portuguesa.
O Português, quer em morfologia, quer em sintaxe, representa uma transformação orgânica do latim sem intervenção de qualquer língua estrangeira. Os sons, formas gramaticais e tipos sintácticos, com pequenas excepções, são derivados do latim; cerca de 90% do vocabulário ainda deriva da língua de Roma. Algumas mudanças tomaram corpo durante o Império Romano, outras tiveram lugar mais tarde. Na Idade Média Alta, o Português estava a erodir tanto como o francês, mas uma política conservadora reaproximou a língua ao latim.
[editar] Fonologia
A língua portuguesa contém alguns sons únicos para falantes de outras línguas tornando-se, por isso, necessário que estes lhes prestem especial atenção quando a aprendem.
| Bilabiais | Labiodentais | Dentais | Alveolares | Pós-alveolares | Palatais | Velares | Uvular | |||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Plosivas | p | b | t̪ | d̪ | k | g | ||||||||||
| Nasais | m | n | ɲ | |||||||||||||
| Fricativas | f | v | s | z | ʃ | ʒ | ʁ | |||||||||
| Laterais | l | ʎ | ||||||||||||||
| Tepes | ɾ | |||||||||||||||
Obs.: A fricativa uvular sonora 'ʁ' pode variar entre diferentes sotaques para a fricativa uvular surda 'χ', para a fricativa velar surda 'x' e para a fricativa glotal surda 'h'.
[editar] Diferenças de pronúncia entre Brasil e Portugal
[editar] Exemplos de frases
| Original | AFI (pronúncia de Lisboa) | AFI (pronúncia da cidade do Rio de Janeiro) |
|---|---|---|
| Sustentava contra ele Vénus bela, | suʃtẽˈtavɐ ˈkõtɾɐ ˈelɨ ˈvɛnuʒ ˈbɛlɐ | suʃtẽtavɐ ˈkõtɾɐ ˈeli ˈvenuʒ ˈbɛlɐ |
| Afeiçoada à gente Lusitana, | ɐfɐi̯su̯ˈaða ˈʒẽtɨ luziˈtɐnɐ | afejsu'adɐ a ˈʒẽt̯ʃi luziˈtɜ̃nɐ |
| Por quantas qualidades via nela | puɾ ˈku̯ɐ̃tɐʃ ku̯ɐliˈðaðɨʒ ˈviɐ ˈnɛlɐ | puʁ ˈkwɜ̃tɐjʃ kwaliˈdadʒiʒ ˈviɐ ˈnɛlɐ |
| Da antiga tão amada sua Romana; | dˈãtigɐ tɐ̃ũ ̯ ɐˈmaðɐ ˈsuɐ ʁuˈmɐnɐ | da ˈɜ̃tʃigɐ tɜ̃w̃ aˈmadɐ ˈsuɐ ʁoˈmɜ̃nɐ |
| Nos fortes corações, na grande estrela, | nuʃ ˈfɔɾtɨʃ kuɾɐˈsõĩ ̯ʃ nɐ ˈgɾɐ̃dɨʃˈtɾelɐ | nuʃ ˈfɔxtʃiʃ koɾaˈsõj̃ʃ na 'gɾɜ̃dʒiʃˈtɾelɐ |
| Que mostraram na terra Tingitana, | kɨ muʃˈtɾaɾɐ̃ũ ̯ nɐ ˈtɛʁɐ tĩʒiˈtɐnɐ | ki moʃˈtɾaɾɜ̃w̃ na ˈtɛxɐ tʃĩʒiˈtɜ̃nɐ |
| E na língua, na qual quando imagina, | i nɐ ˈlĩgu̯ɐ nɐ ku̯aɫ ˈku̯ɐ̃du̯imɐˈʒinɐ | i na ˈlĩgwɐ na kwaw ˈkwɜ̃dwimaˈʒĩnɐ |
| Com pouca corrupção crê que é a latina. | kõ ˈpokɐ koʁupˈsɐ̃ũ ̯ kɾe ki̯ɛ ɐ lɐˈtinɐ | kõ ˈpo:kɐ koʁupˈsɜ̃w̃ kɾe kjɛ a laˈtʃinɐ |
[editar] Ortografia
O português tem duas variedades escritas (padrões ou standards) reconhecidas internacionalmente:
- Português europeu e africano (português europeu)
- Português do Brasil (português brasileiro)
Empregado por cerca de 85% dos falantes do português, o padrão brasileiro é hoje o mais falado, escrito, lido e estudado do mundo. É, ademais, amplamente estudado nos países da América do Sul, devido à grande importância econômica do Brasil no Mercosul.
As diferenças entre as variedades do português da Europa e do Brasil estão no vocabulário, na pronúncia e na sintaxe, especialmente nas variedades vernáculas, enquanto nos textos formais essas diferenças diminuem bastante. As diferenças não são maiores que entre o inglês dos Estados Unidos e do Reino Unido ou o francês da França e de Québec [30]. Ambas as variedades são, sem dúvida, dialectos da mesma língua e os falantes de ambas as variedades podem entender-se apenas com pequenas dificuldades pontuais.
Essas diferenças entre as variantes são comuns a todas as línguas naturais, ocorrendo em maior ou menor grau, dependendo do caso. Com um oceano entre Brasil e Portugal, e ao longo de quinhentos anos, a língua evoluiu de maneira diferente em ambos os países, dando origem a dois padrões de linguagem simplesmente diferentes, não existindo um padrão que seja mais correto em relação ao outro.
É importante salientar que dentro daquilo a que se convencionou chamar "português do Brasil" e "português europeu", há um grande número de variações regionais.
Um dos traços mais importantes do português brasileiro é o seu conservadorismo em relação à variante europeia, sobretudo no aspecto fonético. Um português do século XVI mais facilmente reconheceria a fala de um brasileiro do século XX como sua do que a fala de um português. O exemplo mais forte disto é o vocalismo átono usado no Brasil, que corresponde ao do português da época dos descobrimentos. Este fato destrói todo um discurso muito comum no Brasil que procura minorar a herança portuguesa, valorizando apenas as influências africanas e italianas, assim como um discurso muito comum em Portugal que tenta fazer dos portugueses falantes com mais direitos e autoridade do que os brasileiros[carece de fontes]. Assim, a linguística não só retira qualquer autoridade de qualquer variante em relação às outras, como mostra que a distância entre as variantes e entre os seus falantes não é tão grande como muitos pensam.
Durante muitos anos os dois países estiveram de costas voltadas, legislando sobre a língua sem darem atenção um ao outro, nem aos restantes países lusófonos. O que mais afasta as duas variantes não é o seu léxico ou pronúncia distintos (considerados naturais até num mesmo país), mas antes o facto, pouco comum nas línguas, de seguirem duas ortografias diferentes. Por exemplo, o Brasil eliminou o "c" das sequências interiores cc/cç/ct, e o "p" das sequências pc/pç/pt sempre que não são pronunciados na forma culta da língua, um remanescente do passado latino da língua que persistiu no português europeu.
| Europa e África | acção | acto | contacto | direcção | eléctrico | óptimo | adopção |
| Brasil | ação | ato | contato | direção | elétrico | ótimo | adoção |
Obs: No Brasil mantêm-se quando pronunciadas, como em facção, compactar, intelectual, aptidão etc.
Por seu lado, Portugal aboliu unilateralmente o trema em palavras como freqüente, enquanto no Brasil esse sinal continua sendo utilizado para indicar quando o "u" é pronunciado nas sílabas que/qui/gue/gui. Também ocorrem diferenças de acentuação devido a pronúncias diferentes. No Brasil, em palavras como acadêmico, anônimo e bidê usa-se o acento circunflexo por tratar-se de vogais fechadas, enquanto nos restantes países lusófonos estas vogais são abertas: académico, anónimo e bidé respectivamente.
[editar] Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa de 1990
O Acordo Ortográfico de 1990 [31] foi proposto para criar uma norma ortográfica única, de que participaram na altura todos os países de língua oficial portuguesa, com a adesão da delegação de observadores da Galiza. Os signatários que ratificaram o acordo original foram Portugal (1991), Brasil (1995), Cabo Verde (1998) e São Tomé e Príncipe (2006).
Em julho de 2004 foi aprovado, em São Tomé e Príncipe, o Segundo Protocolo Modificativo, durante a Cúpula dos Chefes de Estado e de governo da CPLP. O Segundo Protocolo vem permitir que o Acordo possa vigorar com a ratificação de apenas três países, sem a necessidade de aguardar que todos os demais membros da CPLP adotem o mesmo procedimento, e contempla também a adesão de Timor-Leste, que ainda não era independente em 1990. Assim, tendo em vista que o Segundo Protocolo Modificativo foi ratificado pelo Brasil (2004), Cabo Verde (2005) e São Tomé e Príncipe (2006), e que o Acordo passaria automaticamente a vigorar um mês após a terceira ratificação necessária, tecnicamente o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa está em vigor, na ordem jurídica internacional e nos ordenamentos jurídicos dos três Estados acima indicados, desde 1º de Janeiro de 2007[32].
Depois de muita discussão, no dia 16 de maio de 2008, o parlamento português ratificou o Segundo Protocolo Modificativo, estabelecendo um prazo de até seis anos para que a reforma ortográfica seja totalmente implantada. No entanto, não existe nenhuma data oficial para a vigência do tratado no país, pelo que se rege segundo a norma oficial de 1945.
No Brasil, houve a vigência desde janeiro de 2009, tendo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinado legislação sobre o acordo no segundo semestre de 2008.
[editar] Movimento para fazer do português uma das línguas oficiais da ONU
Existe um número crescente de pessoas que falam português, na mídia e na internet, que estão apresentando tal situação à CPLP e outras organizações para a realização de um debate na comunidade lusófona, com o objetivo de apresentar uma petição para tornar o português uma das línguas oficiais das Nações Unidas.
Em outubro de 2005, durante a convenção internacional do Elos Clube Internacional da Comunidade Lusíada, realizada em Tavira (Portugal), uma petição cujo texto pode ser encontrado na internet com o título "Petição para tornar o idioma português oficial na ONU" foi redigida e aprovada por unanimidade[33]. Rômulo Alexandre Soares, presidente da Câmara Brasil - Portugal, destaca que o posicionamento do Brasil no cenário internacional como uma das potências emergentes do século XXI, pelo tamanho de sua população, e a presença da sua variante do português em todo o mundo, fornece uma justificação legítima para a petição enviada à ONU, e assim tornar o português uma das línguas oficiais da organização[34].
Outros fatores desvirtuam esta campanha. Embora o português seja uma língua cada vez mais importante a nível internacional, 4 em cada 5 falantes da língua portuguesa no mundo vivem em apenas um país, o Brasil. Isso ainda é distante da natureza internacional exigida para ser uma língua oficial da ONU. O alemão e o japonês não são línguas oficiais da ONU, por razões semelhantes, apesar de serem as línguas de poderosas economias mundiais[35].
O português é eclipsado ainda mais na Europa, continente de origem de quatro das seis línguas oficiais da ONU (Inglês, francês, espanhol e russo). No contexto europeu, o português não está sequer entre as dez línguas mais faladas no continente, com um número de falantes comparável ao do búlgaro e tcheco (pt-BR) / checo (pt-PT).[carece de fontes]
Na África, o português é eclipsado como língua franca pelos continentais inglês e francês falados nos países que cercam Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Angola e Moçambique. Finalmente, na Ásia, um continente de várias línguas com centenas de milhões de falantes, a única nação soberana lusófona é Timor-Leste.[carece de fontes]
[editar] Curiosidades
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- A maior palavra do português é "Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico", com 46 letras, que denota o estado de quem é vítima de uma enfermidade causada pela aspiração de cinzas vulcânicas.
- A língua portuguesa é o único idioma românico em que existe mesóclise.
- A palavra "saudade" foi por muito tempo considerada de existência única no português, em relação ao seu significado; esta ideia acabou sendo mitificada, devido a não existir uma palavra imediatamente equivalente nas línguas estrangeiras mais conhecidas. No polaco (polonês), por exemplo, existe a palavra tęsknota, com a mesma definição. Em catalão existe a palavra enyorança, substantivo abstrato de significado idêntico. Com relação ao inglês, embora não haja um substantivo totalmente equivalnte a saudade, usa-se o verbo to miss, por exemplo na frase I miss you, como: "Sinto sua falta", relacionando a sensação de falta à saudade, além de expressões como longing e homesick. O francês e o italiano usam cognatos de mancar para designar a saudade. O termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutre nostalgia. A gênese do vocábulo está diretamente ligada à tradição marítima lusitana.
[editar] Denominação do português em outros idiomas
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Notas e referências
- ↑ 1,0 1,1 1,2 Notícia na página oficial da Guiné Equatorial
- ↑ 2,0 2,1 2,2 Obiang convierte al portugués en tercer idioma oficial para entrar en la Comunidad lusófona de Naciones", Terra Networks, 13 de julho de 1997
- ↑ Gordon, Raymond G., Jr. (2005). Portuguese. Ethnologue: Languages of the World, Fifteenth edition. SIL International. Página visitada em 2008-10-15. “Population total all countries: 177,457,180”
- ↑ Portuguese Language. Microsoft Encarta Online Encyclopedia. Microsoft Corporation (2008). Página visitada em 2008-10-15. “about 191 million speakers”
- ↑ http://diario.iol.pt/sociedade/lingua-portuguesa-portugues-ensino-governo-alunos/972503-4071.html
- ↑ English and Portuguese Numbers in the World, página oficial da Universidade de Helsinqui e The 30 Most Spoken Languages of the World
- ↑ Como língua galega e não como português da Galiza
- ↑ Governo uruguaio torna obrigatório ensino do português Publicado dia 5 de novembro de 2007.
- ↑ El portugués será materia obligatoria en la secundaria Publicado dia 21 de janeiro de 2009.
- ↑ O Departamento de Línguas Cabo-Verdiana e Portuguesa do Instituto Superior de Educação encontra-se presentemente a elaborar estudos sobre a regularização do português cabo-verdiano.
- ↑ http://diario.iol.pt/sociedade/lingua-portuguesa-portugues-ensino-governo-alunos/972503-4071.html
- ↑ Língua Portuguesa, de Olavo Bilac
- ↑ Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Se reunió Cervantes a su antiguo tercio.
- ↑ Origens e estruturação histórica do léxico português" (1976)
- ↑ Bilinguism and the Latin language, J.N. Adams.Cambridge University Press
- ↑ Comparative Grammar of Latin 34
- ↑ http://www.arkeotavira.com/Mapas/Iberia/Populi.htm Povos pé-romanos da península Ibérica], Arkeotavira
- ↑ Hermanni Contracti Chronicon
- ↑ Kottzebue, "Mas huella eslavas en espana"
- ↑ Bosque ganha pilar em homenagem ao Timor. Sítio oficial da Câmara Municipal de Curitiba (12 de junho de 2007). Página visitada em 5 de outubro de 2007.
- ↑ Fonética histórica
- ↑ Povos pré-romanos da Península Ibérica (aproximadamente 200 a.C.)
- ↑ Em Cafundó, esforço para salvar identidade. São Paulo, SP: O Estado de São Paulo, 2006 dezembro 24, p. A8.
- ↑ Dicionário da Ilha-Falar e Falares da Ilha de Santa Catarina
- ↑ Dicionário dos Falares de Trás-os-Montes
- ↑ Dicionário de Falares Alentejanos
- ↑ José Leite de Vasconcellos. Dialectologia. Opúsculos
- ↑ José Leite de Vasconcellos. Opúsculos. Volume VI – Dialectologia (Parte II)
- ↑ Plural 8, pág. 23 do Caderno do Aluno, ed. Lisboa Editora
- ↑ Língua Quebequense *francês
- ↑ Acordo Ortográfico de 1990 no Portal da Língua Portuguesa, MCTES
- ↑ Cf. Nota da CPLP
- ↑ ONU: Petição para tornar português língua oficial
- ↑ Português pode ser língua oficial na ONU
- ↑ Sobre as línguas de trabalho na ONU
[editar] Ver também
- Dicionário da Língua Portuguesa
- Português angolano
- Português brasileiro
- Português cabo-verdiano
- Português europeu
- Português são-tomense
- Dialeto caipira
- Galego
- Lista de países onde o Português é língua oficial
- Museu da Língua Portuguesa
- Instituto Internacional da Língua Portuguesa
- Crioulo de base portuguesa
[editar] Ligações externas
- Comunidade dos Países de Língua Portuguesa
- Instituto Camões
- O que vai mudar no acordo ortográfico
- Dialetos Portugueses no Uruguai.
[editar] Dicionários em linha
- Dicionário da Língua Portuguesa - Acordo Ortográfico - o primeiro dicionário em linha com as regras do Acordo Ortográfico de 1990, da Porto Editora
- Dicionário da língua portuguesa online - Priberam
- Wikcionário - Dicionário multilíngue em português
[editar] Ferramentas de apoio à escrita do português
- Analisador Morfológico e Corrector ortográfico open source para o português europeu - webjspell
- Língua Brasil - Instituto Euclides da Cunha
[editar] Apoio à aprendizagem do português - Instituto Camões
[editar] Apoio à aprendizagem do português noutros países: Extremadura (Espanha)
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- Em Badajoz falamos português!! Blogue sobre ensino/aprendizagem da língua portuguesa.
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