Venezuela

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República Bolivariana de Venezuela
República Bolivariana da Venezuela
Bandeira da Venezuela
Brasão de armas da Venezuela
Bandeira da Venezuela Brasão das Armas
Lema: Dios y Federación ("Deus e Federação")
Hino nacional: Gloria al bravo pueblo
("Glória ao bravo povo")
Gentílico: venezuelano

Localização  Venezuela

Localização da Venezuela em verde escuro; área reivindicada pelos venezuelanos no território da Guiana em verde claro.
Capital Caracas
Cidade mais populosa Caracas
Língua oficial Espanhol
Governo República presidencialista
 - Presidente Nicolás Maduro
 - Vice-presidente Jorge Arreaza
 - Presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello
Independência da Espanha 
 - Iniciada 19 de Abril de 1810 
 - Declarada 5 de Julho de 1811 
 - Reconhecida 30 de Março de 1845 
Área  
 - Total 916 445 km² (33.º)
 - Água (%) 0,3
 Fronteira Brasil a sul, Colômbia a oeste, Guiana a leste.
População  
 - Estimativa de 2010 28 892 735[1] hab. (43.º)
 - Densidade 30 hab./km² 
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 408,805 bilhões*[2]  
 - Per capita US$ 13 634[2]  
PIB (nominal) Estimativa de 2013
 - Total US$ 382,424 bilhões*[2]  
 - Per capita US$ 11 527[2]  
IDH (2013) 0,764 (67.º) – elevado[3]
Gini (2010) 39[4]
Moeda Bolivar Venezuelano (VEF)
Fuso horário (UTC−4:30)
Clima Tropical, semiárido, equatorial
Cód. Internet .ve
Cód. telef. ++58
Website governamental www.gobiernoenlinea.ve

Mapa  Venezuela

A Venezuela, oficialmente República Bolivariana da Venezuela (em espanhol: República Bolivariana de Venezuela), é um país tropical, na costa norte da América do Sul. O país possui várias ilhas fora de seu território continental situadas em sua costa no mar do Caribe (português brasileiro) ou mar das Caraíbas (português europeu). A república é uma antiga colônia espanhola que conquistou a sua independência em 1821.

A Venezuela tem fronteiras com a Guiana a leste, com o Brasil ao sul e com a Colômbia a oeste. Os países Trinidad e Tobago, Granada, São Vicente e Granadinas, Santa Lúcia e Barbados, além de Curaçao e Aruba, que são países constituintes do Reino dos Países Baixos, e a municipalidade neerlandesa de Bonaire, estão a norte, ao largo da costa venezuelana. Sua área territorial é de 916 445 km², sendo o 32º maior país no mundo em território. Sua população é estimada em 28 892 735 habitantes[1] e a capital nacional é Caracas. As cores da bandeira venezuelana são o amarelo, azul e vermelho, nessa ordem: o amarelo representa a riqueza da terra, o azul o mar e o céu do país, e o vermelho o sangue derramado pelos heróis da independência.[5]

Venezuela tem disputas territoriais com a Guiana (ex-colônia do Reino Unido), principalmente sobre a área de Essequibo, e com a Colômbia sobre o golfo da Venezuela. Em 1895, após anos de tentativas diplomáticas para resolver a disputa fronteiriça na Venezuela, a disputa sobre a fronteira do rio Essequibo deflagrou-se e então foi submetida a uma comissão "neutra" (composta por representantes do Reino Unido, Estados Unidos e da Rússia e sem representante direto da Venezuela), que, em 1899, decidiu-se contra a reivindicação territorial da Venezuela.[6] A Venezuela é amplamente conhecido pela sua indústria de petróleo, pela diversidade ambiental do seu território e por seus recursos naturais. A nação é considerada um dos 17 países megadiversos do mundo,[7] com uma fauna diversificada e uma grande variedade de habitats protegidos.

A Venezuela está entre os países mais urbanizados da América Latina;[8] [9] a grande maioria dos venezuelanos vivem nas cidades do norte, especialmente na capital Caracas, que é também a maior cidade do país. Outras cidades importantes incluem Maracaibo, Valência, Maracay, Barquisimeto, Mérida, Barcelona-Puerto La Cruz e Ciudad Guayana.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Jasmar Sanchez, Américo Vespúcio e Juan de la Cosa foram os primeiros a explorar a costa da Venezuela em 1499. No dia 24 de Agosto desse ano chegaram ao que é hoje o lago de Maracaibo, onde encontraram nativos cujas casas estavam construídas sobre estacas de madeira fixas no lago (palafitas). Vespúcio, que era italiano, achou aquelas construções semelhantes às da cidade de Veneza e por isso chamou a região de Venezuela, ou seja, "Pequena Veneza".

Por outro lado, Martín Fernández de Enciso, um geógrafo que acompanhava a expedição, afirma na sua obra Summa de Geografia (1519) que junto ao lago existia uma grande rocha plana, em cima da qual havia um povoado indígena conhecido como Veneciuela. Assim, o nome Venezuela pode ser nativo, e não estrangeiro. No entanto, a primeira versão permanece como a mais divulgada e aceita.

História[editar | editar código-fonte]

Antes da chegada dos europeus, a Venezuela era habitada por vários povos dos quais se destacam os índios caribes, os aruaques e os cumanagatos.

Em 1498 Cristóvão Colombo chegou à costa da Venezuela durante a sua terceira viagem ao continente americano. A colonização espanhola iniciou-se em 1520, incidindo nas ilhas e na região costeira. Em 1567 foi fundada a cidade de Caracas, que se tornaria o centro mais importante da região.

O território que é hoje a Venezuela esteve dividido entre o vice-reino do Peru e audiência de Santo Domingo até ao estabelecimento do vice-reino de Granada em 1717. Em 1776 a Venezuela tornou-se uma capitania-geral do Império Espanhol.

Simón Bolívar, libertador da Venezuela e de mais cinco países latino-americanos: Bolívia, Colômbia, Equador, Panamá e Peru.

Em 1809 ocorreu a primeira insurreição independentista encabeçada pelo general Francisco de Miranda. A independência foi proclamada em 5 de Julho de 1811, mas Miranda foi preso e foram necessários dez anos de luta contra as forças espanholas até a decisiva batalha de Carabobo (1821). A Venezuela integrou então a República da Grande Colômbia, junto com a Colômbia, Equador e Panamá. Após a morte de Simón Bolívar, o grande herói da independência, a Venezuela retirou-se da Grande Colômbia.

Entre 1830 e 1848 o país foi governado por uma oligarquia conservadora até passar para a mão dos ditadores Monagas (1848–1858). A revolução de 1858 encabeçada por Julián Castro conduziu o país a um período de instabilidade, agravado pela guerra civil entre conservadores e liberais que se desenvolveu entre 1866 e 1870, após a introdução no país de uma constituição federalista (1864).

De 1870 a 1888 o liberal Antonio Guzmán Blanco governou a Venezuela de forma autoritária, exercendo uma política de obras públicas, de luta contra o analfabetismo e contra a influência da Igreja Católica. Ao seu governo sucederam-se períodos de pequenas ditaduras militares. Cipriano Castro apoderou-se da presidência em 1899 e pôs em prática uma política externa agressiva que provocou em 1902 o bloqueio e ataque dos portos da Venezuela pela Inglaterra, Alemanha e Itália.

Em 1908 Castro foi deposto por Juan Vicente Gómez, ditador durante os vinte e sete anos seguintes. Foi durante o seu governo, em 1922, que se iniciou a exploração das jazidas de petróleo da Venezuela.

Em 1945, após a queda da ditadura do general Isaías Medina Angarita, Rómulo Betancourt, fundador do partido Acción Democrática, tornou-se presidente provisório até as eleições livres de finais de 1947 que levaram o escritor Rómulo Gallegos à presidência. Uma revolta militar retirou-o do poder; em 1953 instalou-se a ditadura de Pérez Jiménez, que durou até 1958, ano em que foi restabelecida a democracia.

Desde então, o país passou por ao menos três tentativas de golpe de Estado: duas ocorridas em 1992 e a mais recente ocorrida em 2002.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Salto Ángel, a mais alta queda de água do planeta.

A Venezuela é um país localizado no norte da América do Sul, na fronteira com o mar do Caribe. É delimitada ao sul pelo Brasil, a oeste pela Colômbia e a leste pela Guiana. O país tem uma área total de 916 445 km² e uma área terrestre de 882 050 km², cerca do dobro do tamanho do estado da Califórnia, nos Estados Unidos. A forma de seu território se assemelha aproximadamente à de um triângulo invertido e o país tem um total de 2 800 km de litoral.

Com 2 800 km de costa, o país possui uma variedade de paisagens. As extensões da cordilheira dos Andes vão do extremo nordeste até o noroeste da Venezuela e continuam ao longo da costa norte do Caribe. O Pico Bolívar, o ponto mais alto da nação com 4 979 m de altura, encontra-se nesta região. O centro do país é caracterizado pelos llanos, que são extensas planícies que se estendem desde a fronteira colombiana ao extremo oeste do delta do rio Orinoco, no leste.

No sul, a região Guayana contém a região norte da Bacia Amazônica e o Salto Ángel, a maior cachoeira (queda de água, em Portugal). O Orinoco, com seus ricos solos aluviais, se liga ao maior e mais importantes sistema de rios, que se origina em uma das maiores bacias hidrográficas da América Latina. O Caroni e o Apure são outros grandes rios. A Região Insular inclui todas as ilhas da Venezuela: Nueva Esparta e as várias Dependências Federais. Do sistema deltaico, que forma um triângulo cobrindo o Delta Amacuro, projeta-se para o nordeste em direção ao Oceano Atlântico.

O país pode ainda ser dividido em dez zonas geográficas, correspondentes a algumas regiões climáticas e biogeográficas. No norte são os Andes venezuelanos e a região Coro, uma área montanhosa no noroeste, tem vários vales e serras. No leste estão as planícies adjacentes ao lago de Maracaibo e ao golfo da Venezuela. A Cordilheira Central é paralela à costa e inclui as colinas que rodeiam Caracas, a Cordilheira Oriental, separada da Cordilheira Central pelo golfo de Cariaco, abrange o Sucre e o norte de Monagas.

Clima[editar | editar código-fonte]

Neve no Pico Bolívar, o ponto mais alto da Venezuela
Castelo colonial na ilha de Margarita, no mar do Caribe.

Embora a Venezuela esteja inteiramente situada nos trópicos, o clima varia de planícies úmidas de baixa altitude, onde as temperaturas médias anuais variam de tão elevados como 28 °C, às geleiras e regiões montanhosas com uma temperatura média anual de 8 °C. A precipitação anual varia entre 430 mm na porção semiárida do nordeste até 1 000 mm no delta do rio Orinoco do extremo oriente do país. A maioria das quedas de precipitação entre junho e outubro (época das chuvas ou "inverno"); o restante mais seco e mais quente do ano é conhecido como "verão", embora a variação da temperatura ao longo do ano não é tão pronunciada como em latitudes temperadas.[10]

O país divide-se em quatro zonas de temperatura horizontais baseadas principalmente na elevação, tendo os climas tropical, seco, temperado com invernos secos e polar (tundra alpina), entre outros.[11] [12] [13] Na zona tropical as temperaturas são quentes, com médias anuais variando entre 26 e 28 °C. A zona temperada varia entre 800 e 2 000 m de altura, com médias de 12–25 °C, muitas das cidades da Venezuela, incluindo a capital, encontram-se nesta região. As condições mais frias com temperaturas de 9–11 °C são encontrados na zona fria entre 2 000 e 3 000 m de altura, especialmente nos Andes venezuelanos, onde há pastagem e campo de neve permanentes com médias anuais abaixo 8 °C.

Biodiversidade[editar | editar código-fonte]

O Ipê-amarelo (ou araguaney) é a Árvore Nacional da Venezuela.

A Venezuela se encontra dentro da região neotropical, e grandes porções do país são originalmente cobertas por florestas úmidas de folhagem larga. Isso classifica a Venezuela como um dos dezessete países megadiversos.[14] [15] [16] No país, os habitats vão desde as montanhas dos Andes até o oeste da Bacia Amazônica, através de extensas planícies e a costa do Caribe, no centro e no delta do rio Orinoco, no leste. Estes incluem cerrados no extremo noroeste e litoral e florestas de mangue no nordeste.[17] Suas florestas de baixa altitude e tropicais são particularmente ricas.[18]

A fauna da Venezuela é diversa e inclui espécies pouco conhecidas como o peixe-boi, preguiça de três dedos, preguiça-de-coleira, boto-cor-de-rosa e crocodilo-do-orinoco, que foram relatados atingir até 6,6 metros de comprimento. A Venezuela abriga um total de 1.417 espécies de aves, 48 das quais são endémicas.[19] Aves importantes incluem o íbis, diversos tipos de águias, maçaricos e o turpial, a ave nacional da Venezuela.[18] Os ​​mamíferos mais notáveis são o tamanduá-bandeira, onça-pintada e a capivara, o maior roedor do mundo.[20] Mais de metade das espécies de aves e mamíferos venezuelanos são encontradas nas florestas da Amazônia e ao sul do rio Orinoco.[21]

Sobre a flora presente na Venezuela, mais de 25.000 espécies de orquídeas são encontradas nas florestas do país e nos ecossistemas da floresta de várzea.[18] Estas incluem a flor de mayo (Cattleya mossiae), que é tida como a flor nacional venezuelana. A árvore nacional da Venezuela é o Ipê amarelo (ou araguaney, como é chamado no país) cuja característica exuberante após o período chuvoso levou o romancista Rómulo Gallegos a nomeá-la de "a primavera de oro de los araguaneyes" (a primavera de ouro dos araguaneyes).[20]

Se tratando de fungos, uma conta foi fornecida por R.W.G. Dennis, sendo digitalizada e os registros disponibilizados online como parte do banco de dados do Cybertruffle Robigalia.[22] [23] Este banco de dados inclui cerca de 3.900 espécies de fungos registrados na Venezuela, mas está longe de ser completa, e é provável que o número total de espécies de fungos já conhecidos no país seja maior, dada a estimativa geralmente aceita de que apenas 7% de todos os fungos em todo o mundo foram descobertos, catalogados e estudados até o momento.[24]

O país está entre os vinte melhores em termos de endemismo.[20] Entre os seus animais, 23% dos répteis e 50% das espécies de anfíbios são endémicas.[20] Embora a quantidade de informação disponível ainda é muito pequena, um primeiro esforço foi feito para estimar o número de espécies de fungos endêmicos para a Venezuela: Aproximadamente 1.334 espécies de fungos foram identificados como possíveis endemias do país. Cerca de 38% dos mais de 21 mil espécies de plantas conhecidas da Venezuela são exclusivas do país.[20] A Venezuela é atualmente o lar de uma reserva da biosfera, o Alto Orinoco-Casiquiare, que faz parte da Rede Mundial de Reservas da Biosfera, além de cinco zonas úmidas que estão registradas nos termos da Convenção de Ramsar. Em 2003, 70% das terras do país estavam sob a gestão da conservação em mais de 200 áreas protegidas, incluindo 43 parques nacionais. Nas últimas décadas, a exploração madeireira, mineração, agricultura itinerante e outras atividades humanas têm servido como ameaça para a biodiversidade venezuelana. Entre 1990 e 2000, 0,40% da cobertura florestal foi desmatada anualmente. No mesmo período, foram implementadas medidas de proteções federais, como a proteção de 20% a 33% da área florestal venezuelana.[20]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Caracas, capital e maior cidade do país.

Cerca de 85% da população vive em áreas urbanas na parte norte do país. Apesar de metade da área terrestre da Venezuela se situar ao sul do rio Orinoco, esta região contém apenas 5% da população. A língua nacional e oficial é o espanhol, mas existem também numerosas línguas indígenas e as línguas introduzidas pelos imigrantes.

O povo venezuelano inclui uma rica combinação de heranças. Com o processo de colonização espanhola, houve uma miscigenação entre ameríndios, africanos e europeus (principalmente espanhóis). A maioria da população hoje tem ascendência em um ou mais grupos citados anteriormente.[25] A população se identifica da seguinte forma: 75,4%: multirracial (de qualquer tipo); 16,9% como descendentes de europeus; 2,8% como descendentes de africanos; e 2,7% como ameríndios.

De acordo com um estudo genético de DNA (ADN, em Portugal) autossômico, realizado em 2008, pela Universidade de Brasília (UnB) a composição da população da Venezuela é a seguinte: 60,60% de contribuição europeia, 23% de contribuição indígena e 16,30% de contribuição africana.[26]

Historicamente o catolicismo romano é a religião predominante na Venezuela, situação que se mantém, uma vez que 85,7% da população identifica-se pelo menos nominalmente com esta denominação. A liberdade religiosa está consagrada na constituição da Venezuela, sendo o país tolerante face a outras religiões. A seguir ao catolicismo, destacam-se várias igrejas protestantes (12%) e pequenos grupos de judeus (sobretudo em Caracas e Maracaibo) e muçulmanos. Alguns índios ainda praticam as suas religiões ancestrais.[27] À semelhança do que acontece em outros países da América Latina praticam-se na Venezuela cultos sincrétios que são uma fusão de elementos das religiões indígenas, da religião dos descendentes dos escravos africanos e do catolicismo, como o culto de María Lionza.

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Imagem aérea da sede da Assembleia Nacional da Venezuela.

A Venezuela é uma república federal e presidencialista governada pela Constituição de 1999. Esta constituição consagrou a existência de cinco poderes: executivo, legislativo, judiciário, cidadão e eleitoral.

O poder executivo recai sobre o presidente da República, eleito por sufrágio universal para um mandato de seis anos, podendo ser reeleito infinitamente, depois de referendada a emenda constitucional, por voto popular. Ele é simultaneamente chefe de Estado e chefe de governo. É também o Comandante Supremo das Forças Armadas. Nomeia o vice-presidente da República (cargo ocupado desde janeiro de 2007 por Jorge Rodríguez Gómez) e os ministros.

O poder legislativo reside na Asamblea Nacional (Assembleia Nacional), parlamento unicameral composto por 167 membros, 3 dos quais representantes dos povos indígenas. Os membros da assembleia são eleitos para um período de 5 anos, podendo ser reeleitos para mais dois mandatos. Entre as funções da Assembleia Nacional encontram-se para aprovar as leis e o orçamento e designar os embaixadores. Antes da aprovação da constituição de 1999 a Venezuela tinha um parlamento bicameral, composto pelo Senado e pela Câmara dos Deputados. As últimas eleições para a Assembleia Nacional tiveram lugar em Dezembro de 2005.

O Supremo Tribunal de Justiça, órgão máximo do poder judiciário, é constituído por 36 membros eleitos para um mandato único de doze anos, sendo designados pela Assembleia Nacional.

Cada estado possui um governador (eleito para um período de quatro anos) e um Conselho Legislativo; o Distrito Capital tem um governador (eleito para um período de quatro anos). O alcalde (prefeito, presidente da Câmara Municipal), é a principal figura do poder municipal, sendo eleito também para um mandato de quatro anos.

Os principais partidos políticos venezuelanos são a Acción Democrática (AD, fundado em 1941 por Rómulo Gallegos e Rómulo Betancourt), o Partido Social Cristiano (COPEI, fundado em 1946 por Rafael Caldera), o Movimiento V República (MVR, liderado desde a sua fundação em 1997 por Hugo Chávez), Un Nuevo Tiempo, (fundado em 2000 por Manuel Rosales), Primero Justicia, (fundado em 2000 por Julio Borges), Moviemento al Socialismo (MAS) e Convergencia (fundado em 1993). Em 2007 Hugo Chavez criou o Partido Socialista Unificado Venezuelano (PSUV), o qual conquistou mais de 5 milhões de inscritos em poucos meses, tornando-se o principal partido.

A população venezuelana atua diretamente na política através dos conselhos comunais. Estes conselhos são comunidades de aproximadamente 200 famílias que moram próximos e possuem laços em comum. Através de assembleias populares os cidadãos decidem quais obras deverão ser executadas naquela comunidade. Estes grupos participam da política chegando a propor e aprovar leis, como por exemplo, a Lei de Terras, leis contra o açambarcamento em supermercados e a própria lei dos conselhos comunais.

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

O ex-presidente Hugo Chávez com o presidente da Rússia Vladimir Putin.

Durante a maior parte do século XX, a Venezuela manteve relações amistosas com os países latino-americanos e ocidentais. As relações entre a Venezuela e o governo dos Estados Unidos pioraram após o golpe de Estado na Venezuela de 2002, durante a qual o governo estadunidense reconheceu a presidência interina de Pedro Carmona. Do mesmo modo, laços com vários países da América Latina e do Oriente Médio que não são aliados dos Estados Unidos foram fortalecidos.

A Venezuela busca alternativas de integração hemisférica, através de propostas como a Aliança Bolivariana para as Américas e a recém-lançada rede de televisão pan-latino-americana, TeleSUR. A Venezuela é uma das quatro nações no mundo, juntamente com a Rússia, a Nicarágua e Nauru, que reconheceu a independência da Abecásia e da Ossétia do Sul. A Venezuela foi um defensor da decisão da Organização dos Estados Americanos para adotar a sua Convenção Anti-Corrupção e está trabalhando ativamente no Mercosul para pressionar o aumento do comércio e da integração energética. Globalmente, buscando a formação de um mundo "multipolar", baseado no fortalecimento dos laços diplomáticos entre os países do Terceiro Mundo.

Toda a região a oeste do rio Essequibo (quase 60% do território da Guiana) é reivindicada pela Venezuela como sendo parte de seu território subtraído no século–XIX pela Inglaterra, então potência colonial que administrava a antiga Guiana Britânica. A disputa está em moratória. A região é denominada pela Venezuela de Guiana Essequiba.

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

Caça Sukhoi Su-30 da Força Aérea da Venezuela.

A Força Armada Nacional da República Bolivariana da Venezuela (Fuerza Armada Nacional, FAN) são as forças armadas da Venezuela. Ela inclui mais de 129 150 homens e mulheres, nos termos do artigo 328 da Constituição, em cinco componentes de terra, mar e ar. Os componentes das Forças Armadas Nacionais são: o Exército venezuelano, a Marinha venezuelana, a Força Aérea venezuelana, a Guarda Nacional Venezuelana e a Milícia Nacional da Venezuela.

Em 2008, cerca de 600 000 soldados foram incorporados em um novo ramo, conhecido como Reserva Armada. O presidente da Venezuela é o comandante-em-chefe das forças armadas do país. As principais funções das forças armadas são defender o território nacional soberano da Venezuela, o espaço aéreo, as ilhas, a luta contra o narcotráfico, busca e salvamento e, no caso de um desastre natural, a proteção civil. Todos os homens que são cidadãos da Venezuela têm o dever constitucional de se inscrever nas forças armadas na idade de 18 anos, que é a idade de maioridade na Venezuela.

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Estados[editar | editar código-fonte]

A Venezuela é uma república federal dividida em 23 estados, um Distrito Capital (que compreende a cidade de Caracas e a sua área metropolitana), as Dependências Federais (formada por 72 ilhas e ilhotas na sua maioria sem população humana) e um território em reivindicação com a Guiana (Guayana Esequiba).

Os 23 estados da Venezuela são os seguintes (entre parênteses figura o nome da capital de cada estado):

Estados da Venezuela
  1. Amazonas (Puerto Ayacucho)
  2. Anzoátegui (Barcelona)
  3. Apure (San Fernando de Apure)
  4. Aragua (Maracay)
  5. Barinas (Barinas)
  6. Bolívar (Ciudad Bolívar)
  7. Carabobo (Valencia)
  8. Cojedes (San Carlos)
  9. Delta Amacuro (Tucupita)
  10. Falcón (Coro)
  11. Guárico (San Juan de Los Morros)
  12. Lara (Barquisimeto)
  1. Mérida (Mérida)
  2. Miranda (Los Teques)
  3. Monagas (Maturín)
  4. Nueva Esparta (La Asunción)
  5. Portuguesa (Guanare)
  6. Sucre (Cumaná)
  7. Táchira (San Cristóbal)
  8. Trujillo (Trujillo)
  9. Yaracuy (San Felipe)
  10. Vargas (La Guaira)
  11. Zulia (Maracaibo)

Regiões[editar | editar código-fonte]

Os estados da Venezuela encontram-se agrupados em nove regiões administrativas, que foram criadas a partir de um decreto presidencial de 1980. As regiões e os estados que as compõem são as seguintes:

Nome Estados
Venezuela Regiones Administrativas.svg
  Andes
Mérida, Trujillo, Barinas
Miranda, Vargas, Distrito Capital
Aragua, Carabobo, Cojedes
Falcón, Lara, Portuguesa, Yaracuy
Bolívar, Amazonas, Delta Amacuro
Nueva Esparta, Dependências Federais
  Llanos
Apure (excluindo o município Páez), Guárico
Anzoátegui, Monagas, Sucre
Zulia
Táchira, Município Páez de Apure

Economia[editar | editar código-fonte]

Sede da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA) na cidade de Maracaibo.

A economia da Venezuela passou, depois da Primeira Guerra Mundial, de uma economia essencialmente agrícola para uma economia centrada na extração e exportação de petróleo. É esta a atividade que continua a dominar, sendo responsável por cerca de um terço do produto interno bruto (PIB), por cerca de 80% das receitas de exportação e por mais de metade do financiamento da administração pública. Os responsáveis venezuelanos estimam que o PIB cresceu 2,7% em 2001. Um forte crescimento nos preços internacionais de petróleo alimentou a economia, depois da grave recessão de 1999. A Venezuela participa também da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

Apesar disso, um setor não petrolífero relativamente fraco e fugas de capital e uma queda temporária nos preços do petróleo prejudicaram a recuperação. No início de 2002, o governo alterou o regime de taxas de juro de um regime indexado para um sistema de flutuação livre, o que fez com que o bolívar desvalorizasse significativamente.

O presidente Chávez começou em 2003 a canalizar os proventos do petróleo obtidos pela companhia estatal PDVSA para financiar programas sociais. Os opositores da medida afirmam que ela vai minar o estatuto de independência dos bancos e da companhia petrolífera, e que é uma clara tentativa de aumentar o seu apoio público.

Apesar das riquezas geradas pelo petróleo, 37,9% da população venezuelana ainda vive abaixo da linha de pobreza (final de 2005, est.) — limiar da pobreza, em portugal; seu coeficiente de Gini foi estimado pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 48,2 (2003), um dos trinta piores resultados no planeta. Em dados mais recentes, publicados em 2011 pelo CEPAL, a Venezuela aparece sendo o país menos desigual da América Latina, com coeficiente de Gini estimado em 0,394. Países que possuem produção petrolífera muito acima de seu consumo, e baseiam sua economia nisso (exportando o petróleo), costumam ter sua riqueza extremamente mal distribuída (geralmente concentrada nas mãos de uma pequena elite), e não desenvolvendo outros potenciais econômicos pela facilidade demasiada que a extração de petróleo proporciona, e a Venezuela não é exceção.[28]

Em 31 de julho de 2012 a Venezuela foi incluída como membro oficial do Mercado Comum do Sul (MERCOSUL).

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação[editar | editar código-fonte]

A educação na Venezuela é gratuita . É obrigatória da educação primária até à secundária, que normalmente é dos 6 aos 15 anos. Os estudantes das escolas públicas normalmente vão para aulas em turnos. Alguns vão para a escola do início da manhã até 13h30, e outros começam as aulas no início da tarde indo até as 18h. Os anos escolares começam em setembro indo até junho/julho. Todos os estudantes usam uniformes.

A população estudantil e os recursos do governo investidos na educação cresceram, e mesmo a educação sendo obrigatória muitas crianças não vão para a escola por causa da pobreza pois precisam trabalhar para ajudar nas despesas da família. É estimado que 20% da população não tenha recebido uma educação formal.

O Ministério da Educação se esforça para adaptar o curriculum para a demanda (procura, em Portugal) da crescente tecnologia da sociedade, expandindo a educação obrigatória e melhorando as qualificações dos professores.

Saúde[editar | editar código-fonte]

A mortalidade infantil na Venezuela estava em 16 mortes a cada 1 000 nascimentos em 2004, muito mais baixo do que a média da América do Sul.[30] [31] Má nutrição de crianças atinge 17%, com Delta Amacuro e Amazonas tendo os piores índices.[32] De acordo com as Nações Unidas, 32% dos venezuelanos não possuem saneamento adequado, principalmente aqueles vivendo em áreas rurais.[33] As doenças variam desde febre tifoide, febre amarela, cólera, hepatite A, hepatite B e hepatite D, presentes em todo o país.[34] Apenas 3% dos doentes são tratados; a maioria das grandes cidades não tem instalações de tratamento suficientes.[35] 17% dos venezuelanos não possuem acesso a água potável.[36]

Turistas que vão para a Venezuela são avisados para obterem vacinação para as várias doenças do país.[34] Em uma epidemia de cólera nos anos de 1992 e 1993 no delta do Orinoco, os líderes políticos da Venezuela foram acusados de colocar a culpa na raça dos doentes (como se alguma característica da raça tenha feito eles ficarem doentes) para retirar a culpa das instituições do país, e assim agravando a epidemia.[37]

O governo está tentando criar um sistema de saúde nacional e universal que seja gratuito.[38] [39]

Vinte e cinco mil médicos cubanos estão atuando na Venezuela. Estes muitas vezes moram e atendem em comunidades carentes. Além dos atendimentos, estes médicos estão dando formações em saúde para pessoas destas comunidades. O programa Barrio Adentro construiu diversos hospitais e postos de saúde em comunidades carentes da Venezuela.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Feriados[editar | editar código-fonte]

Data Nome local Nome em português Notas
1 de Janeiro Día de Año Nuevo Ano Novo
6 de Janeiro Día de Reyes Dia de Reis Dia no qual as crianças recebem presentes
Segunda e terça-feira antes da quarta-feira de Cinzas Carnaval Carnaval -
do Domingo de Ramos ao Domingo de Páscoa Semana Santa Semana Santa
19 de Março Día de San José Dia de São José
19 de Abril 19 de abril Começo do movimento pela independência em 1810
1 de Maio Día del Trabajador Dia do Trabalhador -
24 de Junho Batalla de Carabobo Batalha de Carabobo Conquista da independência. Também se comemora o Dia do Exército.
5 de Julho 5 de julio Dia da Independência Assinatura da Declaração de Independência
3 de Agosto Día de la bandera Dia da Bandeira
12 de Outubro Día de la Resistencia Indígena Dia da Resistência Indígena Anteriormente este dia era chamado "Día de la Raza" e celebrava a chegada de Cristóvão Colombo à América
1 de Novembro Día de Todos los Santos Dia de Todos os Santos
1719 de Novembro Feria de la Chinita Féria de La Chinita Apenas na região de Zulia; celebra o milagre de Nossa Senhora do Rosario de Chiquinquirá.
8 de Dezembro Inmaculada Concepción Imaculada Conceição
24 de Dezembro Nochebuena Véspera de Natal Nascimento de Jesus (Divino Niño).
31 de Dezembro Nochevieja Noite de São Silvestre Último dia do ano

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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