Fernando VII de Espanha

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Fernando VII
Rei da Espanha
1º Reinado 19 de março de 1808
a 6 de maio de 1808
Predecessor Carlos IV
Sucessor José I
2º Reinado 11 de dezembro de 1813
a 29 de setembro de 1833
Predecessor José I
Sucessor Isabel II
Esposas Maria Antônia de Nápoles
Maria Isabel de Portugal
Maria Josefa da Saxônia
Maria Cristina das Duas Sicílias
Descendência
Isabel II de Espanha
Luísa Fernanda da Espanha
Nome completo
Fernando Maria Francisco de Paula Domingo Vicente Ferrer Antônio José Joaquim Pascoal Diego João Nepomuceno Januário Francisco Xavier Rafael Miguel Gabriel Calisto Caetano Fausto Luís Raimundo Gregório Lourenço Gerônimo
Casa Bourbon
Pai Carlos IV de Espanha
Mãe Maria Luísa de Parma
Nascimento 14 de outubro de 1772
São Lourenço de El Escorial,
El Escorial, Espanha
Morte 29 de setembro de 1833 (60 anos)
Madrid, Espanha
Enterro São Lourenço de El Escorial,
El Escorial, Espanha
Religião Catolicismo
Assinatura

Fernando VII (El Escorial, 14 de outubro de 1772Madrid, 29 de setembro de 1833) foi o Rei da Espanha por três meses em 1808 até sua abdicação e depois novamente de sua restauração em 1813 até sua morte. Depois de ser tirado do trono por Napoleão Bonaparte, ele ligou sua monarquia a medidas contra-revolucionárias e reacionárias, criando uma enorme rixa entre seus apoiadores de direita e os liberais de esquerda. Fernando reestabeleceu o absolutismo na Espanha e rejeitou a constituição liberal de 1812. Ele reprimiu a imprensa e prendeu muitos dos editores e escritores. A Espanha acabou entrando em um período de guerra civil após sua morte, quando foi sucedido por sua filha Isabel II.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Fernando Maria Francisco de Paula Domingo Vicente Ferrer Antônio José Joaquim Pascoal Diego João Nepomuceno Januário Francisco Xavier Rafael Miguel Gabriel Calisto Caetano Fausto Luís Raimundo Gregório Lourenço Gerônimo, como foi batizado, foi rei da Espanha em 17 de março de 1808 aquando da abdicação forçada do pai. Príncipe das Astúrias, procurou o apoio de Napoleão para preservar os seus direitos ao trono, que calculava estarem ameaçados por Godoy. Mergulhou a Espanha na anarquia e guerra civil pois, se em março de 1808 a rebelião de Aranjuez fez dele rei, as tropas de Napoleão, comandadas por Murat, ocuparam Madrid e o Imperador mandou que a família real fosse para Bayonne, obteve a abdicação de Carlos IV, obrigou Fernando a assinar a sua própria abdicação e prendeu-o no confortável castelo de Valençay até dezembro de 1813.

Napoleão Bonaparte colocou no trono seu irmão, José I. Tal situação provocou a Guerra da Independência. Quando o conflito terminou, o monarca foi reposto no cargo pelo Tratado de Valença (1814) e regressou a Espanha. Voltando a Espanha em Março de 1814, aboliu a Constituição liberal, perseguiu os seus adversários, mudou constantemente os ministros. As colónias americanas tornaram-se independentes, o exército de Cadiz rebelou-se. Fernando teve que restabelecer a Constituição em 1820, depois da revolta de Riego, ficando virtualmente preso até 1823, quando foi levado para Cádiz. Retomou o poder absoluto com o apoio de França. Passou o resto da vida a combater os apostólicos, a direita do partido que o apoiava. Ab-rogou a lei sálica introduzida por Filipe V, de modo a poder deixar o trono à filha primogênita. Queria restaurar a velha ordem mas não percebia que vivia num mundo novo.

Em 1823, Luís XVIII ajudou-o a restabelecer o poder absoluto, que marcou a primeira etapa do seu governo (1814-1820). Quando caiu Napoleão, os Bourbons voltaram ao poder em França e em Espanha. Fernando VII, autoritário e teimoso, concedeu, contrariado, uma constituição liberal. Em segredo, convocou uma Santa Aliança dos monarcas europeus para expulsar os liberais da Assembleia das Cortes. Chateaubriand, também Ministro dos Negócios Estrangeiros de Luís XVIII, aproveitou a ocasião para oferecer ao exército francês uma vitória fácil e aos Bourbons a revanche sobre a Revolução. Assim a Santa Aliança entregou à França o cuidado de dar uma lição aos liberais espanhóis. O corpo expedicionário foi colocado sob o comando do Duque de Angoulême, sobrinho de Luís XVIII. A Assembleia das Cortes, transferiu a família real para Cádiz, porto andaluz. O exército francês atravessou a península, em perseguição. Em 31 de agosto de 1823 o forte do Trocadéro, que defendia o porto de Cádiz, foi tomado à baioneta, na maré baixa, por soldados franceses: este seria o feito principal da expedição. Fernando VII restaurou o absolutismo, começando uma repressão brutal; o Duque de Angoulême fez-se aclamar em Paris. Chateaubriand, que não tinha como qualidade a modéstia, conclui nas suas «Mémoires d'Outre-tombe»: «Enjamber d'un pas les Espagnes, réussir là où Bonaparte avait échoué, triompher sur ce même sol où les armes de l'homme fantastique avaient eu des revers, faire en six mois ce qu'il n'avait pu faire en sept ans, c'était un véritable prodige!»

As colônias espanholas da América (México, Argentina, Chile e outras), entretanto, emanciparam-se. Outras, como o Paraguai, já eram independentes e outras como Cuba e Porto Rico permanecerem colónias. O império colonial espanhol estava desintegrado em 1814. Durante os anos em que os Bourbons estavam presos em França, o Novo Mundo governara-se sozinho sem interferência de Madrid. Em 1810 muitas das possessões coloniais tinham-se declarado independentes. A volta dos Bourbons em 1814 não ajudou a interromper a tendência. Fernando VII era um reacionário, opositor a qualquer conceito de liberalismo político, e um incompetente, que esperava que as colônias se submetessem ao desejo real. Quando isso não aconteceu, entrou em combate contra os súditos. No final, recursos preciosos foram gastos combatendo os revolucionários na América, sem recuperar qualquer uma das colónias.

Esse primeiro período absolutista foi seguido pelo Triênio Liberal ou Constitucional (1820-1823), no qual foi dada continuidade à obra reformista iniciada em 1810. Contudo, a contra-revolução surgida na corte e a entrada na Espanha das tropas francesas enviadas pelo duque de Angoulême ("os Cem Mil Filhos de São Luís") permitiram a restauração do absolutismo.

Comenta um historiador espanhol: « Los últimos años del siglo XVIII y los primeros del siglo XIX están marcados por el impacto de la Revolución Francesa y la época napoleónica. Durante ella se produce el paréntesis del reinado de José I, pero la derrota de Napoleón provoca el retorno de los Borbones en la persona de Fernando VII. Pero una nueva concepción del poder se había introducido en Europa y el mundo occidental: el liberalismo. En España ni Fernando VII ni su hija Isabel II lograron entender el alcance de dicha ideología. Sólo el estallido revolucionario de 1868, y el nuevo paréntesis en la época borbónica que suponen el reinado de Amadeo I de Saboya y la I República, permiten la asunción de los presupuestos políticos del liberalismo más puro.»

Os anos finais de seu reinado foram dedicados à questão sucessória: a luta entre os partidários da candidatura ao trono por seu irmão, D. Carlos Maria Isidro de Bourbon, conde de Molina, e de sua herdeira e filha primogênita Isabel (Isabel II), em cujo reinado foi iniciada a primeira Guerra Carlista.

Casamentos e filhos[editar | editar código-fonte]

Realeza Espanhola
Casa de Bourbon
(1700-1833)
Descendência
Escudo Felipe V.png

Mesmo infeliz na política, foi ainda mais infeliz nos quatro casamentos.

  • Casou por primeira vez em 6 de outubro de 1802 em Barcelona com sua prima tísica Maria Antônia Teresa (Caserta 1784-1806 morta de tuberculose em Aranjuez) de Bourbon-Sicilia, Bourbon-Lorena ou Bourbon-Nápoles. Era princesa de Bourbon-Duas Sicílias, filha de Fernando IV de Nápoles mais tarde Fernando I das Duas Sicílias e de sua esposa a arquiduquesa Maria Carolina de Habsburgo-Lorena. O casamento foi duplo, pois o príncipe herdeiro das Duas Sicílias casava também com a irmã de Fernando, a infanta Maria Isabel. A noiva entrou em Madrid em grandes festas. Eram alianças para unir a Espanha e as Duas Sicílias no panorama internacional, quando o poder da França napoleônica aumentava. Teve vários maus partos e morreu sem herdeiros.
  • Casou por segunda vez em Madrid em 29 de setembro de 1816 com sua sobrinha a Infanta de Portugal Maria Isabel Francisca de Bragança (Queluz 1797-1818 de cesariana num parto em Madrid) filha do rei D. João VI com sua irmã Carlota Joaquina. Eram outra vez bodas duplas, pois o Infante Don Carlos Maria Isidro, irmão do rei, casava com outra infanta de Portugal, Maria Francisca. Chegaram a Cádiz vindas do Brasil, onde a corte estava exilada. Isabel tinha físico decepcionante, era gorda e sem dote. No entanto muito culta e detentora de extrema bondade. Foi a fundadora do Museu do Prado. Tiveram duas filhas, mas apenas uma sobreviveu.
    • (I) Maria Luísa Isabel (1817-1818)
  • Casou por terceira vez em Madri em 20 de outubro de 1819 com Maria Josefa Amália de Saxe Wettin (nascida em Dresde em 1803 e morta em 1829 em Aranjuez, aos 25 anos). Tinha 16 anos e era filha de Maximimiliano I (1759-1838) rei de Saxe, e de Carolina Maria de Parma. Casava de novo aos 34 anos, tinha gota, abusava do consumo do tabaco, a coroa não tinha herdeiro direto. As ruas de Madri se adornaram para receber a noiva, criada em um convento, o que desagradou ao rei. Recém saída do convento, viveram afastados. Mas ela demorou dez anos para morrer, e no final da década de 1820 o rei ainda não tinha um herdeiro direto. Seu irmão o Infante Don Carlos Maria Isidro, mais reacionário ainda do que ele, já se sentia sobre o trono. Frustrou-se, e seus partidários, quando Fernando VII aos 45 anos, velho e achacoso, decidiu casar pela quarta vez.
  • Casou em Madri em 11 de dezembro de 1829 com sua sobrinha a princesa de Bourbon-Duas Sicílias Maria Cristina de Bourbon-Nápoles, nascida em Palermo em 1806 e morta em 1878, filha de seu cunhado Francisco I e de sua irmã, a Infanta Maria Isabel de Espanha - a que tinha uma indecente semelhança a Manuel Godoy. Era irmã da Infanta Carlota de Nápoles, casada com seu irmão o Infante D. Francisco. Nasceu afinal uma filha e depois nasceu outra e por conselho da esposa, em 1830 o rei promulgou a Pragmática Sanção, para que a filha primogênita pudesse herdar - e não seu irmão, o conde de Molina. A Sanção confirmava a revogação, por Carlos IV, da Lei Sálica introduzida na Espanha por Filipe V. Maria Cristina seria regente a partir de 1830.
Precedido por
Carlos IV
Rei de Espanha
1808
Sucedido por
José I
Precedido por
José I
Rei de Espanha
18141833
Sucedido por
Isabel II
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