Império Russo

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Россійская Имперія (até 1918)
Российская Империя (atualmente)
Império Russo

Monarquia absoluta

Coat of Arms of Moscow.png
 
Chorągiew królewska króla Zygmunta III Wazy.svg
 
Flag of Tzar of Muscovia.svg
1721 – 1917
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Lema nacional
Кто на Русь с мечом придёт, от меча погибнет!
"Quem à Rússia com a espada romper,
pela espada será destruído!"
[1]

Съ нами Богъ!
"Deus está conosco!"
Hino nacional
"Deus Salve o Tzar"
Localização de Império Russo
Império Russo em 1866
Continente Eurásia e América
Capital São Petersburgo
Língua oficial Russo
Línguas reconhecidas regionalmente: Finlandês, Sueco, Polaco
Religião Igreja Ortodoxa Russa
Governo Autocracia (Monarquia)
Imperador
 • 1721-1725 Pedro I
 • 1725-1727 Catarina I
 • 1727-1730 Pedro II
 • 1730-1740 Ana
 • 1740-1741 Ivan VI
 • 1741-1761 Isabel
 • 1761-1762 Pedro III
 • 1762-1796 Catarina II
 • 1796-1801 Paulo I
 • 1801-1825 Alexandre I
 • 1825-1855 Nicolau I
 • 1855-1881 Alexandre II
 • 1881-1894 Alexandre III
 • 1894-1917 Nicolau II
Legislatura Duma
História
 • 7 de maio de 1682 Ascensão de Pedro I
 • 11 de outubro de 1721 Proclamação do império
 • 26 de dezembro de 1825 Revolta decembrista
 • 3 de março de 1861 Abolição do feudalismo
 • janeiro - dezembro de 1905 Revolução de 1905
 • 23 de abril de 1906 Constituição
 • 1917 Revolução de Fevereiro
Área
 • 1916 22,400,000 km2
População
 • 1916 est. 181,537,800 
     Dens. pop. 8,1/km²
Moeda Rublo
Precedido por
Sucedido por
Coat of Arms of Moscow.png Moscóvia
Chorągiew królewska króla Zygmunta III Wazy.svg República das Duas Nações
Flag of Tzar of Muscovia.svg Czarado da Rússia
RSFS Russa Flag of Russian SFSR (1918-1937).svg
RDF da Transcaucásia Flag of the Transcaucasian Federation.svg
República Popular da Ucrânia Flag of Ukraine.svg
República Popular da Bielorrússia Flag of Belarus (1991-1995).svg
Ober Ost Flag of the German Empire.svg
Reino da Polônia (1916-1918) Flag of Poland.svg
Rep. Democrática da Moldávia Flag of the Moldavian Democratic Republic.svg
República Popular do Cubã Flag of Kuban People's Republic.svg
República Montanhosa do Norte do Cáucaso Flag of the Mountainous Republic of the Northern Caucasus.svg
Reino da Finlândia Flag of Finland 1918 (state).svg
Estado do Idel-Ural Flag of Idel-Ural State.svg
Autonomia Alash Flag of the Alash Autonomy.svg

O Império Russo (em russo: Росси́йская Импе́рия, translit. Rossíyskaya Impériya, grafado até 1918 como Pоссiйская Имперiя), também conhecido coloquialmente como Rússia, foi um estado que cobriu o Leste Europeu, a Ásia Central e América do Norte, de 1721, quando o Czar Pedro I, o Grande, oriundo da dinastia Romanov, proclamou o Império e iniciou o processo de expansão territorial, até a Revolução Russa de 1917, que depôs o Czar Nicolau II, último imperador. Como centro político-cultural, o Império Russo sucedeu o Czarado Moscovita e antecedeu a União Soviética. Por toda a sua existência, esteve sob a soberania da família Romanov.

Foi o segundo maior império contíguo e o terceiro maior império da história; a certo ponto, em 1866, se estendia da Europa do Leste, percorria toda a Ásia e chegava à América do Norte: no início do século XIX passou a ser o maior país do mundo, com um território que ia do oceano Ártico, no norte, ao mar Negro, no sul, e do mar Báltico, no oeste, ao oceano Pacífico, no leste.

Por todo este vasto império estavam distribuídos os 176,4 milhões de súditos do imperador russo, a maior população do mundo na época. Esta população apresentava grandes disparidades econômicas, étnicas e religiosas. Em 1913 a riqueza do império era calculada em 257,7 bilhões de dólares, e seu governo era uma das últimas monarquias absolutistas existentes na Europa. Até a Primeira Guerra Mundial, em 1914, a Rússia costumava ser considerada uma das cinco chamadas "Grandes Potências" do continente europeu, com um exército de mais de 5 milhões de homens, o maior do mundo à época.[2]

Em meio a profundas crises econômicas, caos social e agitação política, o Império Russo é dissolvido, e a imensa maioria de seu território passa a comportar a União Soviética, que por todo o século XX seria um sucessor à altura do que foi o Império nos séculos XVIII e XIX.

Território[editar | editar código-fonte]

A capital do império era São Petersburgo, que em 1914 foi rebatizada de Petrogrado (traduzindo: Cidade de Pedro, remontando aos imperadores russos de nome Pedro). Ao final do século XIX o tamanho do império era de cerca de 22.400.000 quilômetros quadrados, abrangendo vastas áreas da Europa oriental e do norte e centro da Ásia. Seus limites eram o oceano Ártico ao norte, o Cáucaso e as fronteiras com a Pérsia e Afeganistão ao sul, o Oceano Pacífico e as fronteiras com a China, Coreia e Japão a leste e a oeste os montes Cárpatos, onde fazia fronteira com a Alemanha e a Áustria-Hungria. O Império Russo ainda chegou a contar com um território na América, o Alasca, que foi em 1867 vendido aos Estados Unidos.

Em seu apogeu, o Império Russo incluía, além do território russo atual, os estados bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia), a Finlândia, Cáucaso, Ucrânia, Bielorrússia, boa parte da Polônia (antigo Reino da Polônia), Moldávia (Bessarábia) e quase toda a Ásia Central. Também contava com zonas de influência no Irã, Mongólia e norte da China.

Em 1914 ,o Império Russo estava dividido em 81 províncias (guberniias) e vinte regiões (oblasts). Vassalos e protetorados do império incluíam os canatos de Khiva e Bukhara e, depois de 1914, Tuva.

População[editar | editar código-fonte]

De acordo com o censo de 1897 sua população era próxima dos 128 200 000 habitantes, sendo que a maioria deles (93,4 milhões) vivia na Rússia Europeia. Como não poderia deixar de ser, havia grande diversidade étnica no Império Russo. Mais de 100 diferentes grupos étnicos viviam ao longo do território russo, sendo que a etnia russa compreendia cerca de 45% da população.

Organização política[editar | editar código-fonte]

O Império Russo era uma monarquia hereditária liderada por um imperador autocrático (tzar) da dinastia Romanov. A religião oficial do Estado era o cristianismo ortodoxo, representado pela Igreja Ortodoxa Russa. Os sujeitos do império foram separados em estratos (classes) conhecidas como "dvoryanstvo" (nobreza), clero, comerciantes, cossacos e camponeses. Ainda os nativos da Sibéria e Ásia Central foram oficialmente registrados em uma classe chamada "inorodsty" (estrangeiros).

Geografia[editar | editar código-fonte]

A Rússia Imperial, tendo sido o terceiro maior império do mundo em território (depois do britânico e do mongol) continha muitos estados e territórios. Na sua maior expansão se estendia pela maior parte do norte da Eurásia. Continha quase todos os tipos de ecossistemas e uma grande variedade de paisagens e climas. A maior parte da paisagem era uma vasta planície, tanto na parte europeia quanto no lado asiático que são amplamente conhecidos como Sibéria e Turquestão. Estes são predominantemente planícies estepe no sul e densa floresta ao norte, a tundra, ao longo da costa norte. Há cadeias de montanhas ao longo da fronteira sul, tais como o Cáucaso, o Tian Shan (o ponto mais alto de todo o império com um tamanho médio de 7100 metros) nos montes Altai, e na parte oriental, como a cordilheira Verjoyansk ou vulcões na península de Kamchatka, Alaska e cadeias de montanhas com os grandes gigantes monte McKinley. Notáveis são os Urais na parte central que é a principal divisão entre a Europa e a Ásia.

Dados estatísticos[editar | editar código-fonte]

( Clique nos gráficos para ampliar )

Veja abaixo dados do referentes ao ano de 1900:

População (milhões) Área nacional (milhões de km²) Exército regular (mil) Produção de ferro e aço/ano (milhões de toneladas) Comércio internacional (milhões de libras)
132,9 13 934,5 860 5 141,7
  • Em 1722, 90% eram camponeses, 7% eram nobres e menos de 3% eram citadinos; em 1780, Moscou possuía mais de 280 mil habitantes, com cerca de 100 palácios e 484 igrejas.[3]

Governo e administração[editar | editar código-fonte]

Em 18 de Outubro de 1805, foi criado um conselho de ministros, dirigido por um primeiro ministro. O conselho era formado pelos seguintes ministérios:

Os imperadores da Rússia[editar | editar código-fonte]

Pedro I (1689-1725)[editar | editar código-fonte]

Pedro, o Grande, por Jean-Marc Nattier

Pedro I foi o primeiro imperador da Rússia e liderou o processo de modernização e ocidentalização do país.

Breve cronologia militar

  • 1695 - Falha a tentativa conquista de Azov aos Turcos
  • 1696 - Conquista Azov com forças terresboitres e marítimas, o que demonstrou a importância da armada
  • 1697 - Grande embaixada, em busca de apoio político contra os turcos e conhecimentos militares
  • 1698 - Criação da primeira base naval russa em Taganrog
  • 1700 - Derrota na batalha de Narva, na Estónia contra Carlos XII da Suécia
  • 1708 - Carlos XII da Suécia invade a Rússia e derrota novamente Pedro na batalha de Lesnaya
  • 1709 - Carlos avança para a Ucrânia, onde se dá a Batalha de Poltava, terminando com a derrota definitiva de Carlos
  • 1718 - Carlos morre em batalha em Halden, Noruega
  • 1721 - Tratado de Nystad termina a Grande Guerra do Norte com a Suécia, apoderando-se de territórios que deram à Rússia o acesso ao mar Báltico

Catarina I (1725-1727)[editar | editar código-fonte]

Catarina I da Rússia, 1724, por Carel de Moor e Jacobus Houbraken

Foi esposa de Pedro I, o grande. Permaneceu no poder de 1725 até 1727 quando morreu.

Em 1711, acompanhou o czar na campanha de Prut, contra o Império Otomano, e conta-se que salvou a vida de Pedro quando estava rodeado por um exército muito superior, sugerindo-lhe que se rendesse e utilizando as suas jóias e as das suas damas para subornar o grão-vizir.

Pedro I premiou-a casando-se com ela, desta vez oficialmente, na Catedral de Santo Isaac, apesar de ele estar casado com Eudóxia Lopukhina, a quem havia encerrado num convento e com quem tinha um filho, Alexis Petrovich, que executou (diz-se que com as próprias mãos).

São Petersburgo, 1719-1723, por Johann Homann, na biblioteca da Universidade de Wisconsin-Milwaukee

Pedro I deu a Catarina o título de imperatriz, sendo a primeira mulher a ter este título: até então as esposas do czares era conhecidas como suas consortes. Em 1724, foi nomeada co-regente.

Durante o reinado de Pedro I foi efetuada uma profunda reforma do exército, que permitiu a pessoas sem título nobiliárquico a possibilidade de aceder ao corpo de oficiais, acabando assim com o monopólio da nobreza nesses cargos, e nomeando-os também para cargos públicos, baseando-se na competência. Assim, ao morrer o rei em 1725 designado-a sucessora, teve que fazer frente à oposição do clero e dos boiardos, que estavam contra as reformas realizadas, e à do povo que apoiava os direitos do príncipe Pedro, filho do já falecido Alexei Petrovich. A nobreza nova do círculo de Pedro I, com Menshikov à cabeça, e os seus colaboradores burgueses apoiaram-na, e a guarda proclamou-a imperatriz.

Foi o início de uma época da História da Rússia caracterizada por contínuos golpes de Estado e pelo governo de favoritos.

Pedro II (1727-1730)[editar | editar código-fonte]

Pedro II, 1730

Pedro II foi o sucessor de Catarina I.

Durante o reinado de Catarina I, Pedro era muito ignorado, mas logo após a morte de Catarina, ficou claro para muitos que Pedro deveria subir ao trono o mais rápido possível . A maior parte da nação e três quartos da nobreza estavam do seu lado.

Pedro II, 1730, Galeria Tretyakov, Moscou

Outra pessoa também ambicionava o trono, o seu tio, imperador Carlos VI. Após um acordo entre Alexandre Danilovich Menshikov e o conde Andrei Osterman, em 18 de maio de 1727, Pedro II, de acordo com o desejo de Catarina I, foi proclamado soberano autocrata.

Com a morte de Pedro II, findaram-se os homens da dinastia Romanov. Com isso foi sucedido por Ana, sobrinha de Pedro, o grande e filha de Ivan V.

Ana (1730-1740)[editar | editar código-fonte]

Tzarina Ana Ionnonovna, 1730, por Louis Caravaque, na Galeria Tretyakov

Ana foi a sucessora de Pedro II.

Com a morte de Pedro II da Rússia, o Conselho Privado Russo sob o comando do príncipe Dmitri Mikhailovitch Golitzin sagrou Anna imperatriz em 1730. O conselho acreditava que Anna seria grata aos nobres por terem feito a sua fortuna, acatando todas as decisões importantes e servindo como fantoche no trono. Tentando estabelecer uma monarquia constitucional na Rússia, os nobres convenceram-na a assinar vários papéis limitando os poderes do tzar.

Mesmo assim, essas limitações mostraram-se muito pouco eficazes quando Ana estabeleceu-se como uma tzarina autoritária, usando sua popularidade com os guardas imperiais e com a nobreza de segundo escalão.

Ivan VI (1740-1741)[editar | editar código-fonte]

Ivan VI sucedeu Ana no período de 1740-1741. Devido a sua pouca idade na época, Ernst Johann von Biron, duque da Curlândia, tornou-se regente. Com a queda de Biron (8 Novembro), a regência passou para a sua mãe, embora tenha sido o vice-chanceler Andrei Osterman que conduzia o governo.

Isabel I (1741-1761)[editar | editar código-fonte]

Isabel I sucedeu Ivan VI no período de 1740 até 1761. Subiu ao trono depois de uma revolta militar que derrubou Ivan VI.

Dentre os principais pontos de seu governo, podemos citar:

  • Abolição da pena de morte
  • Estabelecimento do senado
  • Ampliação do comércio interior

Pedro III (1761-1762)[editar | editar código-fonte]

Pedro III foi o sucessor de Isabel I, de 1761 a 1762. Era neto de Pedro I, o grande. Foi obrigado a abdicar seis meses após subir ao trono devido a uma conspiração tramada pelo amante de sua esposa, Catarina II.

Catarina II (1762-1796)[editar | editar código-fonte]

Catarina II foi a sucessora de Pedro III. Foi imperatriz da Rússia de 1762 a 1796.

Durante seu governo realizou uma ampla reforma na sociedade russa, modernizando-a. É considerada um exemplo de monarca do despotismo esclarecido. Graças a esta modernização a Rússia logrou obter grande desenvolvimento e a imperatriz, ainda que sendo da origem estrangeira, tornou-se muito popular.

Paulo I (1796-1801)[editar | editar código-fonte]

Paulo I, por Vladimir Borovikovsky

Paulo I sucedeu Catarina II (1762-1796) sua mãe. Seus atos enquanto governante eram conhecidos como obstinados e despóticos.

Sua condução independente dos assuntos externos da Rússia mergulhou o país primeiramente na segunda coalizão contra a França revolucionária quando em 1799 se alia com a Inglaterra e com a Áustria. Em 1801, a neutralidade armada contra a Inglaterra.

Durante o período em que esteve no poder, grande foi a insatisfação, incluindo os militares que estavam muito próximos dele no contato diário e na tomada de decisões. Por fim acabou morto numa conspiração planejada contra ele sob a liderança do general Bennigsen.

"Ele deriva acima de tudo o mais de seu desejo de desfazer o trabalho de Catarina, e de afirmar sua vontade mudando tudo, reformando tudo que ela estabelecera durante seu governo."

Nos últimos anos de sua administração foi acunhado de "O imperador demente".[4]

Dentre as suas principais medidas podemos destacar o direito a progenitura e a exclusão do direito de sucessão ao trono por parte de mulheres. Caracteriza-se pois, como extremamente despótico e machista.

Alexandre I (1801-1825)[editar | editar código-fonte]

Tsar Alexandre I.

Com o sucessor de Paulo I, Alexandre I, a Rússia ocupou na Europa uma tal posição que o tzar atingira a função de chefe das guerras contra a Revolução Francesa e contra Napoleão Bonaparte. Todavia, dificilmente se poderá dizer que a luta exercida contra a hegemonia francesa fez efetivamente de Alexandre o primeiro dirigente da Europa.

Em aliança com a Áustria e a Prússia, declarou guerra a Napoleão. Napoleão por sua vez derrotou os russos e os austríacos, em Austerlitz, em 1805. Os conflitos porém duraram até 1807, quando os russos foram destroçados em Friedland. No mesmo ano pela paz de Tilsit, Alexandre abandonou a Prússia.

De 1808 a 1812 a França e o Império Russo permaneceram em paz. Em junho de 1812, os conflitos tiveram um novo início, e em 14 de setembro de 1812, o exército de Napoleão Bonaparte invadiu o Império Russo e chegou ao Kremlin.

Nicolau I (1825-1855)[editar | editar código-fonte]

Nicolau I foi o sucessor de Alexandre I, no período de 1825 a 1855.

Durante seu governo tentou eliminar os movimentos nacionalistas, perpetuar os privilégios da aristocracia e impedir o avanço do liberalismo. Também reprimiu a insurreição decembrista em 1825 e apoiou a Áustria no controle da revolta húngara de 1848, o que lhe valeu o epíteto de "o guarda da Europa".

Alexandre II (1855-1881)[editar | editar código-fonte]

Alexandre II foi o sucessor de Nicolau I, no período de 1855 a 1881

É conhecido por suas reformas liberais e modernizantes, através das quais procurou renovar a cristalizada sociedade russa.

Podemos destacar também a decisão de em 19 de Fevereiro de 1861, de decretar o fim da servidão na Rússia. Foram libertados, ao todo, 22,5 milhões de camponeses servos - preservando-se, todavia, a propriedade dos latifúndios.

Alexandre III (1881-1894)[editar | editar código-fonte]

Alexandre III foi o sucessor de Alexandre II no período de 1881 a 1894.

Após o assassinato de Alexandre II da Rússia, que tinha introduzido reformas sociais e tinha tentado aproximar a Rússia das nações ocidentais, com parlamentos e constituições, Alexandre III e seu filho Nicolau II levaram o Império Russo num sentido diferente, mais autocrático, como que tentando regressar ao despotismo, desprezando o aparelho burocrático que em sua opinião os separava do povo.

Nicolau II[editar | editar código-fonte]

Nicolau II foi o sucessor de Alexandre III no período de 1894 a 1917. Foi praticamente o último tzar da Rússia, não sendo último de fato devido ao curto período em que seu irmão Miguel II ocupou esta posição antes de ser finalmente derrubado pela Revolução de Fevereiro de 1917.

Com a abdicação de Nicolau II, o trono passaria ao grão-duque Miguel Alexandrovich Romanov (que seria Miguel II), porém o grão-duque renunciou e convocou uma assembleia constituinte.

Queda do império[editar | editar código-fonte]

Nicolau II, logo após sua abdicação

Devido ao autoritarismo do sistema czarista, a insatisfação popular tanto de burgueses (com a falta de autonomia política), quanto do restante da população (por estar em um estado de grande pobreza) foi criado no império o primeiro partido político baseado em ideais marxistas, em 1898: O Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR). Já antes de 1905, o Império Russo passava por uma grave crise política. Desde a emancipação dos servos (1861), o país vivia uma rápida transição do feudalismo para o capitalismo. Os servos haviam sido libertados, mas permaneciam na mesma situação de miséria. A construção da Ferrovia Transiberiana e as mudanças econômicas atraíram o capital estrangeiro e estimularam uma rápida industrialização em Moscou, São Petersburgo, Baku, bem como na Ucrânia, suscitando a formação de um operariado urbano e o crescimento da classe média. Essas classes eram favoráveis a reformas democráticas no sistema político. Entretanto, a nobreza feudal e o próprio tzar procuraram manter o absolutismo russo e sua autocracia intactos a qualquer custo.

O desempenho desastroso das forças armadas russas na Guerra Russo-Japonesa (1904 - 1905) intensificou essas contradições, sendo essa derrota considerada como causa imediata da Revolução de 1905.[5]

Em 1905, houve o chamado "ensaio-geral" da revolução, onde um milhão e meio de pessoas, liderados pelo padre ortodoxo e membro da Okhrana, Gregori Gapone, marcharam em direção ao Palácio de Inverno de Nicolau II, reivindicando reforma agrária, tolerância religiosa, fim da censura , a presença de representantes do povo no governo e melhores condições de vida.[6] O tzar, em resposta, ordenou a morte de todos os participantes com os tiros de soldados. Esse episódio ficou conhecido como o Domingo Sangrento. Em resposta a esta ação repressiva contra operários desarmados, em toda a Rússia rebentaram greves políticas de massas e manifestações sob a palavra de ordem de "Abaixo a autocracia!". Os acontecimentos de 9 de janeiro deram início à revolução de 1905-1907.[7]

Com a entrada na Primeira Guerra Mundial o império passou a sofrer de forma intensa os problemas econômicos e sociais, havendo um aumento das manifestações contra o governo, que continuava à reprimir seus opositores. Integrantes dos diversos partidos políticos como o Partido Constitucional Democrata‎, Partido Socialista Revolucionário e o POSDR, ao participarem das manifestações, convenciam soldados e camponeses dos ideais revolucionários. Até que no dia 27 de fevereiro de 1917, soldados, operários e camponeses tomam as ruas e invadem o palácio do czar Nicolau II. Inicia-se aí um processo revolucionário que levou à Revolução de Outubro de 1917, o primeiro regime socialista da História.

Religião[editar | editar código-fonte]

A religião do Estado imperial russo era o Cristianismo Ortodoxo. Porém assim como em todas as sociedades havia significativas parcelas da população que não seguiam a religião oficial, sendo desse modo adeptas de outras doutrinas. De modo geral todas as religiões podiam ser exercidas livremente, com exceção dos judeus que sofreram algumas restrições. Veja abaixo a tabela com o número de fiéis em cada religião:

Religião Quantidade de fiéis[8]
Cristianismo Ortodoxo[nota 1] 87 123 604
Islã 13 906 972
Católicos romanos 11 467 994
Judeus 5 215 805
Luteranos[nota 2] 3 572 653
Crentes antigos 2 204 596
Apostólicos Armênios 1 179 241
Budistas e lamaísmo 433 863
Outras religiões não cristãs 285 321
Reformados 85 400
Menonitas 66 564
Católicos Armênios 38 840
Batistas 38 139
Caraísmo 12 894
Anglicanos 4 183
Outras religiões cristãs 3 952

Os clérigos paroquiais podiam se casar, porém, se eles morressem suas esposas não eram autorizadas a casar novamente.

Literatura[editar | editar código-fonte]

Era de Pedro[editar | editar código-fonte]

A "ocidentalização" da Rússia, comumente associada a Pedro I da Rússia, e Catarina II da Rússia, coincide com uma reforma do alfabeto russo e o incremento da tolerância da ideia de usar linguagem popular para propósitos literários. Autores como Antioj Kantemir, Vasili Trediakovski, e Mijail Lomonosov, no século XVIII, prepararam o terreno para poetas como Derzhavin, autores como Sumarókov e Fonvizin, e escritores de prosa como Karamzín e Radíshchev.

Era de Ouro[editar | editar código-fonte]

O século XIX é tradicionalmente referido como a "Idade de Ouro" da literatura russa. O Romantismo permitiu o florescimento especialmente de um talento poético: Os nomes de Vasily Zhukovsky e Aleksandr Pushkin, seguidos de Mijaíl Lérmontov e Fiódor Tiútchev.

O século XIX incluiu Iván Krylov o fabulista; escritores como Visarión Belinski e Aleksandr Gertsen; autores como Aleksandr Griboyédov e Aleksandr Ostrovski; poetas como Yevgeni Baratynski, Konstantín Bátiushkov, Nikolai Nekrásov, Alekséi Konstantínovich Tolstói, Fiódor Tiutchev, e Afanasi Fet; Kozmá Prutkov o satirista; e um grupo de reconhecidos novelistas como Nikolái Gógol, Lev Tolstói, Fiódor Dostoiévski, Nikolai Leskov, Iván Turgénev, Mijaíl Saltykov-Shchedrín e Ivan Goncharov.

Idade de prata[editar | editar código-fonte]

Outros gêneros entraram em discussão com o início do século XX. Antón Chékhov foi excelente em escrever curtas histórias de drama, e Anna Ajmátova representou líricas inovadoras.

O principio do século XX marca o princípio da era de prata da poesia russa. Escritores bem conhecidos deste período incluem: Anna Ajmátova, Inokenti Anenski, Andréi Beli, Valeri Briúsov, Marina Tsvetáyeva, Sergéi Yesenin, Nikolái Gumiliov, Danil Jarms, Velimir Jlébnikov, Ósip Mandelshtam, Vladímir Mayakovski, Fiódor Sologub e Maksimilián Voloshin.

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

A cozinha do Império Russo é derivada de um rico e variado caráter, fruto da grande extensão multicultural do império. As suas origens foram estabelecidas pelo hábito alimentar camponês, muitas vezes áspero, com uma combinação em abundância de peixes, aves, caça, cogumelos, trigo, cevada, milho e uma infinidade de ingredientes. Destaque em especial para a cerveja e a vodca. A gastronomia russa também recebeu significativa influência das regiões do Cáucaso, da Pérsia e do Império Otomano devido a proximidade com essas regiões.

Pelo menos para as zonas urbanas e aristocráticas provinciais, foram abertas as portas para a integração de novos hábitos criadores a partir da expansão do império que se deu entre os séculos XVI e XVIII, havendo assim uma junção de novas técnicas com os tradicionais pratos russos. O resultado foi extremamente variado, abrindo assim novas perspectivas para a culinária secular.

Na Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Extensão do Império Russo em 1914.

Na Primeira Guerra Mundial, o Império Russo uniu-se à Tríplice Entente, junto com França e Reino Unido, contra a Tríplice Aliança, formada pelo Império Alemão, Império Austro-Húngaro e Reino de Itália. A Rússia tinha interesse em obter um acesso ao mar Mediterrâneo e para isso pretendia anexar, sob a justificativa de proteger povos eslavos irmãos, a península balcânica e os estreitos de Bósforo e Dardanelos, então sob domínio do Império Otomano.

O prolongamento da guerra causou sérios problemas para o país: a perda de imensos territórios, a morte de metade dos efetivos militares e a paralisação da indústria. Diante da impossibilidade de adquirir produtos industrializados, os camponeses diminuíram a produção agrícola. Os gêneros alimentícios subiram de preço e as greves aumentaram. O sistema econômico emperrou em todos os setores.

A divisão existente entre os social-democratas (socialistas), desde 1903, acentuou-se com a guerra. Alguns mencheviques (como Plekhanov, fundador do partido) apoiavam a guerra, juntamente com políticos progressistas como Kerensky, membro do partido Socialista Revolucionário. Os mencheviques de esquerda, os bolcheviques e os anarquistas eram radicalmente contrários à guerra, que só favorecia os grandes capitalistas dos países imperialistas. Lenin, Stalin, Julius Martov e outros lideraram essa posição.

A participação desastrosa na 1º guerra mundial foi suspensa em 1917 com a assinatura do Tratado de Brest-Litovsk. Entretanto, os termos do Tratado de Brest-Litovski eram humilhantes. Através deste, a Rússia abria mão do controle sobre a Finlândia, Países Bálticos (Estônia, Letônia e Lituânia), Polônia, Bielorrússia e Ucrânia, bem como dos distritos turcos de Ardaham e Kars, e do distrito georgiano de Batumi, antes sob seu domínio. Estes territórios continham um terço da população da Rússia, metade de sua indústria e nove décimos de suas minas de carvão.

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Símbolos do Império Russo[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. O censo não diferenciava as diferenças dos vários ramos da ortodoxia.
  2. O protestantismo luterano era a fé dominante nas províncias bálticas, na Ingria, e no Grão-Ducado da Finlândia

Referências

  1. http://ricolor.org/history/hr/wars/1240/ Primeiro lema nacional da Rússia, pronunciado por Alexandre Névski na vitória contra os suecos em 1240, e mais tarde por Ivan, o Terrível após conquistar Kazan dos tártaros, em 1552.
  2. J.Hobsbawn, Eric. Depois do século XX: um mundo em transição; Pág.6, 2009 . Publicado pelo site do PCB. Disponível também em PARTE III.
  3. VICENTINO, Cláudio. Rússia Antes e depois da URSS. Editora Scipione. p. 39
  4. Lamare, de Tite. Eterna Rússia. Ed. Expressão e Cultura. p. 129
  5. A revolução de 1905 surgiu diretamente da guerra russo-japonesa, assim como a revolução de 1917 foi a conseqüência direta do grande massacre imperialista.Leon Trotsky, A Revolução de 1905:http://www.marxists.org/portugues/trotsky/1907/rev_1905/prefacio.htm
  6. As camadas menos preparadas e mais atrasadas da classe operária, que acreditavam ingenuamente no tsar e desejavam com sinceridade entregar pacificamente «ao próprio tsar» as reivindicações do martirizado povo, todas elas receberam uma lição da força militar dirigida pelo tsar ou pelo tio do tsar, o grão-duque Vladímir. V. I. Lenin:O Começo da Revolução na Rússia http://www.marxists.org/portugues/lenin/1905/01/25.htm,
  7. Lenine, Oeuvres, tomo 23, pp. 259-277. Moscovo: Éditions du Progrès 1974. (Tradução para o português: José André Lôpez Gonçâlez)
  8. Results of the Russian Empire Census of 1897, Table XII (Religions)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Enciclopédias
  • Diccionario enciclopédico Brocgaus y Efron: 1890.
  • Identidad Nacional en la cultura rusa: Introducción
  • El libro rojo de la gente del imperio ruso: Margus Kolga, Ígor Tõnurist, Lembit Vaba, Jüri Vikberg
História
  • CHARQUES, R.D. Pequena História da Rússia. São Paulo: Pioneira.
  • BERLIN, Isaiah. Pensadores russos. São Paulo: Companhia das Letras.
  • CASTAÑO, Enrique Biezobas. Rusia en Siglo XIX.
  • VICENTINO, Cláudio. Rússia Antes e depois da URSS. São Paulo: Scipione, 1995.
  • BRAICK; Patrícia Ramos, MOTA; Myriam Becho, "História: Das Cavernas ao terceiro milênio(Desafios do terceiro milênio), 2008
  • Marc Lvovich, Slonim Teatro ruso del Imperio a los Soviets, 1965.
  • Voltaire, François. Historia del Imperio Ruso bajo Pedro el Grande.
  • Zorrilla, José. Álbum de un Loco, 2005
  • Soloviev, Sergéi. Rusia desde tiempos antiguos, 1855.
  • Brower, Daniel. El destino del Imperio ruso y el Turquestán
  • W.E.D. Allen. Embajadas rusas hacia los reyes Georgianos, 1589-1605. Cambridge: Prensa de la universidad de Cambridge, Sociedad Hakluyt, 1970, 2 vols.
  • J.E.O. Screen, Suomalaiset tarkk'ampujat, Suomen vanha sotaväki 1881 - 1901
  • J.E.O. Screen, El ejército fines, 1881 - 1901, Entrenamiento de batallones francotiradores
  • J.T. Antónov The Code of Principal Laws of the Russian Empire (Свод Основных Государственных Законов) 1906.
Biografias
  • troyat, Henry. Catalina la Grande Ediciones B - México.
  • Davies, Norman, White Eagle, Red Star: the Polish-Soviet War, 1919-20, Pimlico, 2003. (Primera edición: St. Martin's Press, inc., New York, 1972)
Territórios
  • Turkestan Down to the Mongol Invasion (London: Luzac & Co) 1928 (Trans. T. Minorsky & C.E. Bosworth)
  • "A Short History of Turkestan" (1920) in Four Studies on the History of Central Asia (Leiden: E.J. Brill) 1956 (Trans. V. & T.Minorsky)
  • An Historical Geography of Iran (Princeton: Princeton University Press) 1984 (translated by Svat Soucek; edited by C.E. Bosworth)
  • Собрание Сочинений (Москва: Издательство Восточной Литературы) 1963-77 9 Vols.
  • Отчет Поездке в Среднюю Азию с Научную Целью (С.Пб.: Тип. Имп. Академии Наука) 1897
  • История Культурной Жизни Туркестана (Москва: Изд. Академии Наук СССР) 1927
  • Работы по Исторической Географии (Москва: Изд. Фирма «Восточная Литература» РАН) 2002
  • Eugene Schuyler. Turkistan (London) 1876 2 Vols.
  • G.N. Curzon. Russia in Central Asia (London) 1889
  • Ген. М.А. Терентьев. История Завоевания Средней Азии (С.Пб.) 1903 3 Vols.
  • Count K.K. Pahlen. Mission to Turkestan (Oxford) 1964
  • Seymour Becker. Russia's Protectorates in Central Asia, Bujara and Khiva 1865-1924 (Cambridge, Mass.) 1968
  • Adeeb Khalid. The Politics of Muslim Cultural Reform. Jadidism in Central Asia (Berkeley) 1997
  • T.K. Beisembiev. The Life of Alimqul (London) 2003
  • Daniel Brower. Turkestan and the Fate of the Russian Empire (London) 2003

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]