Áustria-Hungria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Die im Reichsrat vertretenen Königreiche und Länder und die Länder der heiligen ungarischen Stephanskrone
(alemão)

Birodalmi tanácsban képviselt királyságok és országok és a magyar Szent Korona országai
(húngaro)

Reinos e Terras representadas no Conselho Imperial e as Terras da Santa Coroa Húngara de Santo Estêvão

Monarquia constitucional

Flag of the Habsburg Monarchy.svg
 
Flag of Hungary (1867-1918).svg
1867 – 1918
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Hino nacional
Volkshymnen (Hino do Povo)
Localização de Áustria-Hungria
Império Austro-Húngaro em 1914
Continente Europa
Capital Viena (capital principal)
Budapeste
Língua oficial Alemão, Húngaro, Checo, Polaco, Croata, Romeno, Esloveno, Eslovaco, Italiano, Sérvio, Bósnio, Iídiche
Religião Católica Romana
Protestantismo
Igreja Ortodoxa
Judaísmo
Sunismo
Governo Monarquia constitucional, União pessoal através do Monarquia dual
Imperador da Áustria e Rei da Hungria
 • 1867-1916 Francisco José I
 • 1916-1918 Carlos I
Período histórico Novo Imperialismo
 • 8 de Junho de 1867 Compromisso Austro-húngaro
 • Outubro e Novembro de 1918 Dissolução
Área
 • 1907 625 415 km2
 • 1914 676 615 km2
População
 • 1907 est. 48 592 000 
     Dens. pop. 77,7/km²
 • 1914 est. 52 799 000 
     Dens. pop. 78/km²
Moeda Florim do Reno;
Coroa (desde 1892)
Precedido por
Sucedido por
Flag of the Habsburg Monarchy.svg Império Austríaco
Flag of Hungary (1867-1918).svg Reino da Hungria
Áustria Alemã Flag of Austria.svg
República Democrática da Hungria Civil Ensign of Hungary.svg
Checoslováquia Flag of Czechoslovakia (bordered).svg
República Popular da Ucrânia Naval Ensign of Ukraine (1917–1921).svg
Estado dos Eslovenos, Croatas e Sérvios Flag of the State of Slovenes, Croats and Serbs.svg
Segunda República Polonesa Flag of Poland (bordered).svg
Reino de Itália Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg
Estado Livre de Fiume Flag of the Free State of Fiume.svg
Membro de: Impérios Centrais

Áustria-Hungria ou Império Austro-Húngaro foi um vasto e importante Estado europeu, sucessor do Império Austríaco. Resultou de um compromisso entre as nobrezas austríaca e húngara em 1867, e foi dissolvido em 1918, quando as autoridades militares assinaram o armistício na Villa Giusti, dia 3 de novembro de 1918, após a derrota na Primeira Guerra Mundial. O movimento separatista havia começado ainda durante a guerra e foi consolidado nos anos seguintes (1919 e 1920) com os tratados de Saint-Germain e Trianon. Em alguns aspectos, a mudança foi relativamente progressiva. Nos primeiros anos da década de 1920, por exemplo, esses países continuaram usando a mesma moeda, impressa pelo banco central dos dois países.

Na altura da sua dissolução, o império tinha uma superfície total de 677.546 km². Sua população, antes do início da Primeira Guerra Mundial era estimada em 52,5 milhões de habitantes. O que resta deste antigo Estado encontra-se dividido entre treze países atuais: Áustria, Hungria, República Checa, Eslováquia, Eslovénia, Croácia, Bósnia e Herzegovina e as regiões da Voivodina, na Sérvia, Bocas de Kotor, no Montenegro, Trentino-Alto Ádige e Trieste, na Itália, Transilvânia e parte do Banato, na Roménia, Galícia, na Polónia e Ruténia (região Subcarpática), na Ucrânia.

As maiores cidades, em número de habitantes em 1910, eram Viena (2 031 000), Budapeste (882 000), Praga (224 000), Lemberg (Lviv) (206 000), Trieste (161 000), Graz (152 000), Brünn (Brno) (126 000), Cracóvia (90 000), Czernowitz (Chernivtsi) (87 000) e Agram (Zagreb) (80 000).

História[editar | editar código-fonte]

Compromisso Austro-Húngaro[editar | editar código-fonte]

Escudo do Império Austro-Húngaro em 1867.

O compromisso austro-húngaro de 1867 inaugurou uma estrutura de poder dualista dentro do extinto Império Austríaco (1804-1867) numa época em que a Áustria entrava em declínio, ao perder influência na península itálica (como resultado de uma guerra contra o Reino da Sardenha em 1859)[1] e nos estados alemães, que se reuniram sob o controlo da Prússia na Confederação Germânica, formada logo após a Guerra Austro-Prussiana.[2]

Outro factor crucial para a mudança constitucional foi a ascensão do chamado "movimento das nacionalidades", que se havia instalado por toda a Europa a partir dos ideais espalhados por Napoleão Bonaparte pelo continente durante as Guerras Napoleônicas. Com o sucesso da independência de nações como a Grécia e a Bélgica,[3] embasadas no ideal nacional, ficou ainda mais clara a instabilidade do império e o separatismo dentro de suas fronteiras. Durante a Primavera dos Povos de 1848, o povo húngaro sentiu-se renegado a uma situação de segunda classe perante os povos alemães da Áustria e revoltou-se, sendo contido apenas com a intervenção da Rússia, que ainda tentava buscar a manutenção do status quo, conforme estabelecido nos arranjos políticos do Congresso de Viena.[4]

Para assegurar que o império não passaria por outra crise, como a da década de 1840, o imperador Francisco José negociou um compromisso com a nobreza húngara no intuito de garantir seu apoio. Os líderes magiares aceitaram a coroação de Francisco José ao garantir o estabelecimento de um parlamento autónomo em Budapeste com o poder de definir leis para a parte húngara da coroa (as terras de Santo Estêvão) e assim garantir sua proeminência política na região. Com o acordo firmado, também foi definido que o poder central ficaria responsável pela política externa, economia e defesa do novo império.[5]

Apesar de o acordo ter favorecido a etnia magiar do império, a situação não mudou para as minorias eslavas que estavam sob o poder dos Habsburgo. Eslovenos, croatas, polacos, eslovacos e checos, entre outros, representavam uma parcela significativa da população, mas não tinham plenos direitos de cidadania aos olhos de Viena e Budapeste, e isto contribuiu, em última instância, para a desintegração do império em 1918.[6]

Sistema de alianças[editar | editar código-fonte]

Com a formação do Império Alemão em 1871, sob o comando da Prússia bismarquiana, e a consolidação do Reino de Itália através da aquisição do Vêneto, a política externa do novo império mudou drasticamente. Afastada dos assuntos alemães e da península Itálica, a monarquia dual poderia exercer sua potência apenas sobre a complexa região dos Bálcãs,[7] que então sofria um rápido processo de revoltas e independências com a queda do Império Otomano. A potência rival dos interesses austro-húngaros era o Império Russo de Alexandre II.[8]

Apesar das competições por zonas de influência, a Áustria-Hungria firmou uma aliança com o Império Russo e a Alemanha em 1872, que logo ficou conhecida como a Liga dos Três Imperadores. A princípio, o que reunia os três governantes era a solidariedade monárquica e vários acordos foram firmados a partir deste.[9] Apesar de tudo, esta aliança sucumbiu pouco depois devido aos interesses completamente divergentes entre Áustria e Rússia nos Bálcãs e também porque o império czarista percebeu a preferência indisfarçável da Alemanha pelos interesses austríacos.[10]

Uma nova aliança seria então firmada entre a Alemanha e a Áustria-Hungria, a chamada Dupla Aliança, que era na prática uma resposta preventiva das duas nações contra um possível ataque russo.[11] O acordo viria a ser encorpado com a adesão da Itália em 1882, e então se formaria a Tríplice Aliança, que se manteria viva até 1915, apesar das frequentes disputas entre o Império Austro-Húngaro e o Reino de Itália.[12]

Ao mesmo tempo em que avançava na direção de uma aliança permanente com o Império Alemão, o governo tentava conter os nacionalistas das minorias desfavorecidas do império. Uma das soluções encontradas foi a migração ultramarina, que também ocorria em outros países como Itália e Espanha.[13] Os problemas nacionalistas também colocavam em questão a preponderância da monarquia dual como uma das grandes potências do mundo, e em época de surgimento do neocolonialismo, a decisão de não se lançar à busca de colônias ultramarinas pode ter sido um fator debilitante do prestígio internacional do Império Habsburgo.[14]

Conflitos balcânicos[editar | editar código-fonte]

Guerras do império
Combatentes otomanos das Guerras Balcânicas
O front alpino na Primeira Guerra Mundial
O front alpino na Primeira Guerra Mundial

Com a derrocada do Império Otomano, os Bálcãs tornaram-se uma zona instável e disputada. De um lado havia interesses de duas grandes potências (Áustria-Hungria e Rússia), que podiam entrar em choque com as potências expansionistas regionais (Bulgária e Sérvia). Os conflitos balcânicos foram essenciais para o desenvolvimento da política externa austríaca a partir das décadas de 1870 e de 1880. Anteriormente defendendo a continuidade do domínio otomano sobre a península balcânica, os interesses austro-húngaros voltaram-se contra a Turquia na Questão Oriental, lançando-se contra a Rússia numa concorrência aberta que duraria até a Primeira Guerra Mundial.[15]

A eclosão de revoltas contra o domínio turco na Bulgária e na Bósnia e Herzegovina foi um ponto vital para a política externa da monarquia dual nos anos seguintes. A Rússia, que havia feito intervenções a favor das minorias eslavas (seguindo a doutrina do pan-eslavismo) venceu uma guerra contra os turco-otomanos em 1878 e assinou o Tratado de Santo Estêvão com a nação perdedora. O acordo permitia a independência dos territórios otomanos dos Bálcãs e criava a Bulgária Maior, que acabaria firmando a hegemonia russa nos Bálcãs e o afastamento da Áustria-Hungria desta região, bem como se tornou uma ameaça à integridade territorial do império a secessão dos povos eslavos em favor das novas pequenas nações que surgiam.[16]

O Império Habsburgo rejeitou de prontidão os termos do tratado e exigiu uma revisão,[9] que acabaria ocorrendo entre junho e julho de 1878, depois da intervenção de Bismarck. Através da revisão, as áreas de influência dos Bálcãs acabariam sendo redivididas entre Áustria-Hungria e Rússia, e a primeira teria o direito de ocupar a Bósnia e Herzegovina e administrá-la.[carece de fontes?]

Em 1908, a monarquia austro-húngara anexou definitivamente a região da Bósnia e Herzegovina ao seu território,[17] [18] temendo perdê-la novamente para a Turquia. O interesse maior era mostrar que o país ainda era uma grande potência na região e demonstrar sua clara intenção de refrear o separatismo que se configurava em áreas de seu domínio.[19]

Com as Guerras Balcânicas, a configuração territorial da península se alterou rapidamente em uma pequeno intervalo de tempo, e a geopolítica deste espaço mudou.[20] A queda da Bulgária na Segunda Guerra Balcânica perante seus antigos aliados (Grécia e Sérvia) faria com que o país se aproximasse da Áustria-Hungria tentando apoiá-la numa tentativa de impedir a construção de uma Grande Sérvia (que englobaria também territórios austro-húngaros de população eslava).[21]

Primeira Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

A escalada dos conflitos entre os dois blocos formados pelo sistema de alianças europeu levava a Europa inteira a uma crise sem precedentes. O fator de desencadeamento para o início dos conflitos armados foi o assassinato do herdeiro do trono da Áustria-Hungria, Francisco Fernando, em Sarajevo, por um nacionalista bósnio-sérvio chamado Gavrilo Princip.[22] O Estado austro-húngaro enviou um ultimato à Sérvia, que não o aceitou na íntegra, e a partir de então o sistema de alianças entrou em funcionamento.[carece de fontes?]

Quando a Áustria-Hungria declarou guerra à Sérvia, a Rússia interveio e colocou seu apoio à nação eslava.[23] Com o apoio russo de um lado, a Alemanha foi arrastada para o conflito, de acordo com o compromisso firmado pela Tríplice Aliança.[23] A França, aliada à Rússia através da Tríplice Entente, também entrou no conflito contra a Alemanha e o Império Austro-Húngaro. A partir daí, mais nações se colocaram de cada um dos lados, e o mundo entrou em guerra.[23] O General Franz Conrad von Hötzendorf era o chefe do Estado-maior da Áustria-Hungria durante a guerra, e sob seu comando as tropas austro-húngaras se envolveram em muitas das frentes da Primeira Grande Guerra.[24]

No começo, o exército foi dividido em dois; uma pequena parte deste atacou a Sérvia, enquanto a parcela maior foi destinada a conter a invasão do exército russo no leste.[25] No final do ano, o pequeno exército havia perdido 227.000 soldados, de uma força total de 450.000 combatentes, e havia fracassado na conquista da Sérvia.[26] Na fronteira leste, o exército havia sido derrotado na Batalha de Lemberg e a importante cidade de Przemysl estava sitiada, caindo em março de 1915.[27] Já no início de dezembro de 1914, o exército imperial havia perdido 1.268.000 homens dos 3.350.000 mobilizados para o conflito.[26]

Em maio de 1915, a o Reino de Itália juntou-se aos aliados e atacou a Áustria-Hungria,[28] contrariando o acordo firmado na Tríplice Aliança, com a justificativa que o acordo era defensivo, e que a agressão havia partido dos Impérios Centrais.[25] A sangrenta, mas indecisiva batalha nos Alpes duraria pelos três anos e meio seguintes, e nesta frente a Áustria-Hungria provaria ser efetiva no campo de batalha, conseguindo manter o exército italiano (superior em quantidade) longe de seu território. No verão, o exército austro-húngaro, trabalhando sob o comando unificado de um general alemão, participou da bem-sucedida Ofensiva Gorlice-Tarnow, e mais tarde, em conjunto com os exércitos da Bulgária e Alemanha, a Áustria-Hungria conseguiria conquistar a Sérvia.[29]

Em 1916, os russos focaram seus ataques no exército austro-húngaro com a Ofensiva Brusilov, ao reconhecer a inferioridade numérica das forças adversárias. Os exércitos da monarquia dual sofreriam perdas maciças (de 1 milhão de homens) e nunca conseguiriam se recuperar completamente. Apesar disso, os problemas gerados na Rússia fariam com que o país entrasse em colapso e contribuiriam para a Revolução Russa de 1917 e para a saída deste da guerra no mesmo ano.[30]

Armas sérvias tomadas por soldados austro-húngaros.

Mesmo assim, a Áustria-Hungria estava cada vez mais dependente da Alemanha e de seus generais, e havia muitos problemas para manter a guerra. A falta de mantimentos e munição, a baixa moral e as diferenças étnicas dos soldados do Império Habsburgo contribuíram para a derrocada do país na guerra.[31] Os dois últimos sucessos dos exércitos imperiais, a Conquista da Romênia e a Batalha de Caporetto, foram operações conjuntas com o Império Alemão, e com isso a maior parte da população do império sentiu a desestabilização que estava ocorrendo.[31] O imperador Carlos I, sucessor de Francisco José, após sua morte em 1916, também não soube manter viva a estrutura da Áustria-Hungria, e nada pode fazer para conter o seu esfacelamento.[carece de fontes?]

Com o apoio dos Estados Unidos em favor dos aliados, a guerra mudou de rumo, já que todo o potencial humano da nação americana foi investido na guerra.[23] Linhas de suprimento dos aliados ficaram novamente abastecidas, mais exércitos chegaram para combater a Alemanha na Frente Ocidental e os italianos conseguiram ganhar espaço a partir da vitória na Batalha de Vittorio Veneto. A desintegração do império parecia iminente.[carece de fontes?]

Dissolução do império[editar | editar código-fonte]

Fim do Império Austro-Húngaro
Carlos I, o último monarca austro-húngaro
Carlos I, o último monarca austro-húngaro
"Obituário" do Império Austro-Húngaro publicado em Cracóvia no ano de 1918
"Obituário" do Império Austro-Húngaro publicado em Cracóvia no ano de 1918

Quando ficou claro que a Entente e seus aliados venceriam as Potências Centrais na guerra, vários movimentos nacionalistas que antes clamavam por um grau maior de autonomia passaram a exigir a independência completa. Como um dos seus Catorze Pontos, o presidente Woodrow Wilson assegurava o apoio a estes movimentos.[32] Em resposta, o imperador Carlos I concordou em criar uma confederação entre várias nacionalidades, na qual cada uma exerceria seu governo. No entanto, a proposta foi inviabilizada pela desconfiança contra o governo de Viena por parte de franceses e estadunidenses.[carece de fontes?]

Em 14 de outubro de 1918, o ministro das Relações Exteriores, o barão István Burián von Rajecz, pediu um armistício também baseado nos Catorze Pontos.[33] Em uma tentativa de demonstrar boa fé, o imperador proclamou dois dias depois que a Áustria se tornaria uma união federal de quatro componentes - alemães, tchecos, eslavos do sul e ucranianos.[34] Aos polacos era garantida a independência completa, com o propósito de liberar estes territórios a se unir a um novo país que se formava ao norte, a Polônia.[carece de fontes?]

Apesar disso, os esforços de nada adiantaram, e quatro dias depois o secretário de Estado Robert Lansing respondeu que a Entente e seus aliados continuavam comprometidos com as causas dos tchecos, eslovacos e outros eslavos.[33] Além disso, disse que a autonomia não era mais suficiente, e que o governo de Washington, D.C. não poderia mais trabalhar com base nos Catorze Pontos de Wilson.[33] De fato, um governo tcheco-eslovaco provisório ainda se juntaria à Entente na guerra,[35] e os líderes dos eslavos do sul proclamaram o desejo de estabelecer uma união com a Sérvia em um poderoso estado nos Bálcãs.[34]

A resposta de Lansing foi o certificado de morte para a Áustria-Hungria.[33] Conselhos nacionais nas províncias imperais passaram a funcionar e começavam a agir como países independentes. Com uma derrota iminente se aproximando, os grupos étnicos separatistas anunciaram a independência - Tchecoslováquia em 28 de outubro,[35] e o reino dos sérvios, croatas e eslovenos no dia seguinte.[36] O estado foi completamente dissolvido em 31 de outubro, quando o governo húngaro cancelou a união com a Áustria, dissolvendo assim a monarquia dual.[37]

Enfrentando uma situação de desespero, o último Habsburgo a reinar na Áustria, Carlos I, abriu mão de todos os seus poderes sobre a Cisleitânia em 11 de novembro, e fez o mesmo com a Transleitânia em 13 de novembro.[38] Entretanto, ele não abdicou, caso o povo ou o novo estado que se formaria o chamassem de volta para o estabelecimento de uma nova monarquia constitucional. Contudo, na Hungria e também na Áustria, duas repúblicas separadas foram proclamadas em novembro, e Carlos I foi buscar exílio no exterior (transferindo-se com sua família para a Ilha da Madeira), vendo que não teria mais chances de ascender novamente ao poder. Os vencedores assinaram o Tratado de Saint-Germain-en-Laye com a Primeira República Austríaca e o Tratado de Trianon com a Hungria, regulando as novas fronteiras entre os dois países.[31]

Nomes completos[editar | editar código-fonte]

Nomes do Império Austro-Húngaro em línguas oficialmente reconhecidas pelo império:

  • Alemão: Österreich-Ungarn
  • Checo: Rakousko-Uhersko
  • Croata: Austro-Ugarska Monarhija
  • Eslovaco: Rakúsko-Uhorsko
  • Esloveno: Avstro-Ogrska
  • Húngaro: Osztrák-Magyar Monarchia
  • Italiano: Austria-Ungheria
  • Polaco: Austro-Węgry
  • Romeno: Austro-Ungaria
  • Russo: Австро-Магярщина/Avstro-Magiarshchina
  • Sérvio: Aустро-Угарска/Austro-Ugarska
  • Ucraniano: Австро-Угорщина/Avstro-Ugorshchina

O chefe de Estado era o Imperador, da família dos Habsburgo, que era por sua vez chefe dos dois estados em simultâneo, como Imperador da Áustria e Rei da Hungria. Nos 51 anos que durou a monarquia imperial dual austro-húngara houve dois soberanos:

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Silueta do império sobreposta ao mapa da Europa pós Primeira Guerra Mundial (1929)

Divisões administrativas[editar | editar código-fonte]

Fronteiras da Áustria e Hungria depois do Tratado de Trianon e Saint Germain.
  Reino da Hungria em 1914
Áustria-Hungria 1914 - Mapa topográfico.
Reinos e países da Áustria-Hungria.

Administrativamente, dividia-se em: Obs.: Em itálico, entre parênteses, está o nome em alemão seguido da capital.

Áustria

Hungria

Além disso, o território da Bósnia e Herzegovina (Bosnien und Herzegowina), capital Sarajevo (Sarajewo), era uma parte distinta do Império, administrada conjuntamente por ambas as metades.

Artes[editar | editar código-fonte]

A Áustria-Hungria viveu um período de efervescência cultural enquanto existiu e a pintura e a literatura, especialmente, apresentaram grande desenvolvimento no período.[39] Viena, a capital do império, era considerada um epicentro cultural,[40] e alguns de seus edifícios, como do Teatro Municipal, da Universidade e do Museu de História da Arte eram vistos como uma "celebração da cultura".[41] Até mesmo os conflitos nacionalistas que brotavam no império geravam um afloramento cada vez maior das artes. No Tirol, onde italianos e alemães disputavam espaço, a disputa foi materializada em torno da construção de monumentos a Dante Alighieri e Walther von der Vogelweide.[41] A arquitetura também apresentou mudanças e inovações, centrando-se na figura de Otto Wagner.[42]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Composição étnica da Áustria-Hungria, 1910.

Dados de 1890 a 1910 mostram que a composição do Império Austro-Húngaro estava em crescente mudança. Na Cisleitânia, os alemães deixam de ser 36,8% em 1890 e passavam a compor 35,6% da população em 1910. Tchecos e eslovacos (reunidos como um mesmo grupo no censo) e rutenos também diminuíram sua participação no total da população. Em contraposição, os poloneses passaram de 14,9% do total em 1890 para 17,8% em 1910. Servos-croatas e romenos também cresceram em geral (de 2,6% para 2,7%, e de 0,9% a 1,0%, respectivamente).[43]

Já na Transleitânia, os magiares passavam de 41,2% da população em 1890 para 48,1% em 1910. Todos os outros grupos étnicos perderam espaço, com exceção dos rutenos, que continuaram a compor 2,3% do total da população. O grupo de alemães, nesta parte da coroa, caiu de 12,5% para 9,8% em vinte anos e os romenos (a maior minoria da coroa húngara) de 15,4% para 14,1%. Na Bósnia e Herzegovina, que só passou a ser parte oficial do império em 1908, os dados de 1910 apontam que a maior parte da população tinha origem "sérvia" (42%), enquanto os muçulmanos perfaziam 34% da população total e os croatas representavam 21%.[43]

Economia[editar | editar código-fonte]

Cédula de vinte coroas.

A economia do Império Austríaco cresceu solidamente entre a década de 1830 (quando as possessões da dinastia ainda estavam reunidas em torno do império) até o período imediatamente anterior à Primeira Guerra Mundial.[44] A indústria crescia com velocidade e o ramo de maquinaria industrial ficava atrás apenas de países mais desenvolvidos como Alemanha, Reino Unido e Estados Unidos.[44] A partir de 1873, no entanto, já após a união entre as duas coroas, o escoamento de capital da Áustria para Hungria acelerou o processo de desenvolvimento na Transleitânia e enfraqueceu o mesmo na Cisleitânia. Com a repatriação deste mesmo capital, já na década de 1890, a situação novamente se inverteria e os investimentos na parte húngara do país seriam desaquecidos, ainda que esta continuasse a crescer mais que a Áustria, levando-se em conta as proporções.[45]

Em contraponto, estudos mostram que três quartos das grandes empresas da Áustria de então fundadas antes de 1914 eram de proprietários estrangeiros. Estes mesmos estudos também revelam que os bancos não desempenharam um papel importante na consolidação industrial do país.[45] Apesar disso, os lucros dos investimentos se mantiveram em ascensão nos anos de 1890.[45]

A Bósnia e Herzegovina, administrada em condomínio pelas duas coroas, atingiu altos índices de crescimento enquanto fez parte da Áustria-Hungria. Uma média de 12,9% de crescimento anual foi registrada entre 1882 e 1903 e os principais ramos econômicos eram a indústria extrativista e os transportes ferroviários.[46] Ainda que a agricultura, a saúde e a educação tenham fracassado, a Bósnia e Herzegovina estava num nível confortável de desenvolvimento se comparada aos países dos Bálcãs. Sua população era bem servida de transportes e comunicações e os rendimentos per capita eram maiores que em outras áreas balcânicas.[47]

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Apesar de todo o desenvolvimento sócio-económico, existia uma vontade intensa de mudança da sociedade, e a agitação social e os conflitos entre as diferentes nações minavam a viabilidade do modus vivendi anterior. A parte austríaca, neste ponto, foi muito além da coroa húngara, especialmente ao ceder privilégios como a igualdade civil, a liberdade de expressão e a educação secular, que não existiam na Hungria. Também durante a existência da Áustria-Hungria, mas já em 1907, o sufrágio universal masculino foi concedido na Áustria, em meio à agitação entre as classes populares gerada pelo relativo sucesso da Revolução Russa de 1905, ainda que, novamente, na Hungria, os grandes proprietários de terra continuassem a dominar o sistema eleitoral.[48] Em meio a isto, o socialismo de Karl Marx criou bases firmes e contou com divulgadores como Kautsky e Hilferding, que passaram até mesmo a "exportar" a ideologia para o Império Alemão.[49]

Notas e referências

  1. Unificação italiana. Página visitada em 19/10/08.
  2. Ricardo Orlandini. Guerra franco-prussiana. Página visitada em 19/10/08.
  3. 25 de Março de 1821 - Data da Independência da Grécia. Página visitada em 19/11/08.
  4. Ordem e desordem no mundo (19/10/08).
  5. Hutchinson Encyclopedia. Austro-Hungarian Compromise of 1867 (em inglês). Página visitada em 19/11/08.
  6. LESSA, 2001, p. 113.
  7. LESSA, 2005, p. 132.
  8. SARAIVA, 2001, p. 121.
  9. a b LESSA, 2005, p. 135.
  10. ZORGBIBE, 1994, pp. 8-37.
  11. SARAIVA, 2001, p. 129.
  12. HOBSBAWN, 2001, p. 442.
  13. LESSA, 2005, p. 128.
  14. SARAIVA, 2001, p. 131.
  15. LOHBAUER, 2005, p. 160.
  16. SARAIVA, 2001, p. 127.
  17. HOBSBAWN, 2001, p. 443.
  18. LOHBAUER, 2005, p. 163.
  19. SARAIVA, 2001, p. 159.
  20. SARAIVA, 2001, p. 160.
  21. SARAIVA, 2001, p. 151.
  22. SARAIVA, 2001, p. 161.
  23. a b c d UOL Educação. Estopim foi assassinato de arquiduque. Página visitada em 19/11/08 de {{{acessoano}}}.
  24. FROMKIN, 2005, p. 249.
  25. a b Cultura Brasil. Primeira Guerra Mundial - A Europa entra em declínio. Página visitada em 19/11/08.
  26. a b Fromkin, 2005, p. 333.
  27. Grandes Guerras. Grandes Guerras - Os grandes conflitos do século XX. Página visitada em 19/11/08.
  28. HOBSBAWN, 2001, p. 432.
  29. historyofwar.com. Battle of Gorlice-Tarnow, 2-10 May 1915 (em inglês). Página visitada em 19/11/08.
  30. BLAINEY. 2008. p. 300.
  31. a b c Historiadomundo.com.br. História da Primeira Guerra Mundial. Página visitada em 19/11/08.
  32. BURNS, 1981, p. 859.
  33. a b c d Primary Documents: U.S. Reply to Austro-Hungarian Protest Regarding Shipment of U.S. Munitions to Britain, 12 August 1915 (em inglês). FirstWorldWar.com. Página visitada em 19/11/08.
  34. a b UOL Educação. Bálcãs - Nasce a Iugoslávia. Página visitada em 19/11/08.
  35. a b República Tcheca – História. Página visitada em 19/11/08.
  36. On This Day - 29 October 1918 (em inglês). firstworldwar.com. Página visitada em 14/04/10.
  37. On This Day - 31 October 1918 (em inglês). firstworldwar.com. Página visitada em 14/04/10.
  38. On This Day - 13 November 1918 (em inglês). firstwarworld.com. Página visitada em 14/04/10.
  39. SKED, 2008, p. 314.
  40. SKED, 2008, p. 315.
  41. a b SKED, 2008, p. 316.
  42. SKED, 2008, p. 325.
  43. a b Sked, 2008, p. 364.
  44. a b SKED, 2008, p. 338.
  45. a b c SKED, 2008, p. 339.
  46. SKED, 2008, p. 340.
  47. SKED, 2008, p. 341.
  48. ANDERSON, 2004, p. 326.
  49. HOBSBAWN, 2001, p. 367.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ANDERSON, Perry. Linhagens do Estado Absolutista. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 2004.
  • BLAINEY, Geoffrey. Uma Breve História do Mundo. 2. ed. São Paulo: Editora Fundamento, 2008.
  • BURNS, Edward McNall. História da Civilização Ocidental. Vol. 2. 23. ed. Porto Alegre: Globo, 1981.
  • FROMKIN, David. O Último Verão Europeu: Quem Começou a Grande Guerra de 1914?. Rio de Janeiro: Objetiva, 2005.
  • HOBSBAWN, Eric. A Era dos Impérios. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2001.
  • LESSA, Antônio Carlos. História das Relações Internacionais: A Pax Britannica e o Mundo do Século XIX. Petrópolis: Vozes, 2005.
  • SARAIVA, J. F. S. . Relações Internacionais - Dois Séculos de História. 1. ed. Brasília: Instituto Brasileiro de Relações Internacionais, 2001. v. 2.
  • SKED, Alan. Declínio e Queda do Império Habsburgo: 1815-1918. Lisboa: Edições 70, 2008.
  • ZORGBIBE, Charles. Histoire des Relations Internationales: du système de Bismarck au premier conflit mondial, 1871-1918. Paris: Hachette, 1994.