Croácia

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Republika Hrvatska
República da Croácia
Bandeira da Croácia
Brasão de armas da Croácia
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: Lijepa naša domovino
Gentílico: croata e croácio(a)[1]

Localização da Croácia

Localização da Croácia (em verde) no continente europeu
Capital Zagreb
45º48'N 16º00'E
Cidade mais populosa Zagreb
Língua oficial Croata
Governo República parlamentarista
 - Presidente Ivo Josipović
 - Primeiro-ministro Zoran Milanović
 - Presidente do Parlamento Josip Leko
 - Presidente do Tribunal Constitucional Jasna Omejec
Estabelecimento História 
 - Fundada Primeira metade do século VII 
 - Elevado a Reino 925 
 - União pessoal com a Hungria 1102 
 - Parte do Sacro Império Romano-Germânico 1 de Janeiro de 1527 
 - Independência da Áustria-Hungria 29 de Outubro de 1918 
 - Integrou à Iugoslávia 1 de Dezembro de 1918 
 - Independência da Iugoslávia 8 de Outubro de 1991 
Área  
 - Total 56 542 km² (126.º)
 - Água (%) 0,2
População  
 - Estimativa de 2008 4 453 500 hab. (114.º)
 - Censo 2001 4 437 460 hab. 
 - Densidade 81 hab./km² (109.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2011
 - Total US$ : 80, 334 mil milhões ou bilhões (76.º)
 - Per capita US$ : 18 191 (50.º)
IDH (2012) 0,805 (47.º) – muito elevado[2]
Moeda Kuna croata (HRK)
Fuso horário (UTC+1)
 - Verão (DST) (UTC+&)
Cód. ISO HRV
Cód. Internet .hr
Cód. telef. +385
Website governamental http://www.vlada.hr/

Mapa da Croácia

Croácia, oficialmente República da Croácia (em croata: Hrvatska) é um país europeu que limita ao norte com a Eslovénia e Hungria, a nordeste com a Sérvia, a leste com a Bósnia e Herzegovina e ao sul com Montenegro. É banhado a oeste pelo mar Adriático e possui uma fronteira marítima com a Itália, no golfo de Trieste.

O país é membro das Nações Unidas, da OTAN, da Organização para Segurança e Cooperação na Europa, do Conselho da Europa e mais recentemente, da União Europeia. A candidatura da Croácia à União Europeia ocorreu em 01 de fevereiro de 2003 e a adesão a 01 de julho de 2013, segundo parecer da Comissão Europeia, sendo o segundo país formado a partir do território da ex-Iugoslávia a ingressar na UE, depois da Eslovénia em 2004[3] .

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Croácia" entrou na língua portuguesa por intermédio do francês croate ("croata"). Este, por sua vez, parece advir do eslavônico horvat, "montanheses".[4] O gentílico para o país é "croata" e é registrado em português a partir de 1538.[5]

História[editar | editar código-fonte]

Oton Iveković, A chegada dos croatas na costa do Adriático.

No ano 925 o então duque Tomislav foi coroado Rei dos Croatas, criando-se o reino que compreendia as terras desde o rio Drava até o mar Adriático. Este reinado durou até o final do século XI quando faleceu o último dos reis croatas, que passaram a ser governados por reis húngaros.

Com a invasão otomana aos Balcãs, as terras croatas passaram a ser a fronteira entre o mundo muçulmano e o cristão (estando o Norte nas mãos dos croatas e o Sul nas mãos dos otomanos).

Após a invasão pela Alemanha nazi em 6 de abril de 1941, a Jugoslávia foi desmembrada e o fascista Ante Pavelić tornou-se o líder do Estado independente da Croácia. Sob sua tutela, centenas de milhares sérvios, judeus, ciganos e croatas não-alinhados ao regime foram exterminados em campos de concentração, fato que gerou o aumento do ódio histórico de sérvios (cristão ortodoxos) massacrados pelos croatas nazistas (cristão católicos). Até hoje os croatas são acusados de nazistas por grande parte das populações da ex-Jugoslávia.

Ao final da Segunda Guerra Mundial, Josip Broz Tito não somente havia derrotado os invasores nazis e seus cúmplices, como também havia unificado todas as repúblicas jugoslavas em torno de um Estado comunista. O ódio secular entre sérvios e croatas era reprimido pelas autoridades jugoslavas. Com a morte de Tito, em 1980, iniciou-se um processo de fragilização da união das repúblicas jugoslavas. Tal quadro agravou-se ainda mais com a crise económica decorrente do desmoronamento dos regimes comunistas do Leste Europeu e das dificuldades de adaptação à economia de mercado. A Croácia, detentora da maior e mais desenvolvida economia das repúblicas da Jugoslávia, não escapou a volúpia nacionalista comum a todas as repúblicas jugoslavas. Em 25 de junho de 1991, após plebiscitos que deram vitória esmagadora aos separatistas, os croatas anunciaram sua separação da Jugoslávia. Logo em seguida, o território croata foi invadido pelo Exército federal, então sob domínio sérvio, que interveio em favor das minorias sérvias residentes na Croácia (cerca de 10% da população). Diante dos violentos conflitos entre croatas e sérvios e da ocupação do território croata por milícias sérvias, as Nações Unidas intervieram militarmente para assegurar a paz. Em 1992, o país foi reconhecido como independente. Em 1995, numa operação militar com êxito, a Croácia recupera, sem nenhuma ajuda externa, praticamente todos os seus territórios ocupados pelos sérvios, no que foi a primeira derrota do até então temível e invencível exército jugoslavo (JNA). Em 1998, sob forte pressão internacional, a Iugoslávia devolve o último território croata ocupado, a Eslavônia oriental. O governo de Franjo Tudjman, primeiro presidente eleito, foi responsável por levar o país à sua independência, recuperar os territórios ocupados (sem ajuda estrangeira) e ajudar aos bosníacos e aos bósnio-croatas na luta pela independência da Bósnia e Herzegovina. Sua administração encerrou com sua morte, em 1999. Desde então, apesar de enfrentar problemas similares aos de outros países do Leste Europeu, a Croácia experimenta um vigoroso crescimento econômico, um processo consistente de modernização da sua infraestrutura e uma grande transformação no sistema jurídico com vistas à consolidação da democracia e ao ingresso na União Europeia e na OTAN.

Hoje a Croácia tem uma das economias mais fortes das ex-repúblicas jugoslavas e é a segunda maior de toda a região dos Bálcãs, apenas atrás da economia da Grécia.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Baía Lučice perto de Milna, Brač.

A Croácia é um país europeu cujo território apresenta uma forma peculiar, parecida com uma ferradura, e faz fronteira com um número considerável de países vizinhos: Eslovênia, Hungria, Sérvia, Montenegro e Bósnia e Herzegovina, além de uma fronteira marítima com a Itália no Adriático. O seu território continental é dividido em duas partes pelo Porto de Neum, na Bósnia e Herzegovina.

Banhado pelo Mar Adriático, o litoral croata é bastante recortado, com penínsulas, baías e mais de 1 000 ilhas que formam uma paisagem semelhante à da costa grega.

Uma destas ilhas, Palagruža, está mais próxima de Itália (aliás em algumas ocasiões podem-se ver as luzes da costa italiana), que da costa croata.

As principais cidades croatas são Zagreb, Split, Rijeka, Osijek, Dubrovnik e Karlovac.

Principais rios: rio Mura, rio Drava, rio Sava, rio Kupa, rio Korana, rio Cetina e rio Zrmanja.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Religião na Croácia
religião porcentagem
Catolicismo romano
  
87,8%
Ateísmo ou Agnosticismo
  
5,2%
Igreja Ortodoxa
  
4,4%
Islã
  
1,3%
Outras religiões
  
0,9%
Protestantismo
  
0,3%

A população da Croácia estagnou-se na década de 1990. A guerra de 1991 a 1995 fez com que partes da população emigrassem ou se refugiassem. A taxa de crescimento natural é mínima ou negativa (menos que +/- 1%), pois a transição demográfica (redução do número de nascimentos e mortes devido ao desenvolvimento econômico) completou-se há mais de meio século.

  • População urbana: 57% (1998)
  • Crescimento demográfico: -0,1% ano ano (1995-2000)
  • Taxa de fecundidade: 1,56 filho por mulher (1995-2000)
  • Expectativa de vida: Homens 69 anos e mulheres 76,5 anos (1995-2000)
  • Mortalidade infantil: 10 por 1.000 (1995-2000)

A população compõe-se principalmente de pessoas de origem croata (89,6%). Constituem grupos minoritários, dentre outros, os sérvios (4,5%), os bósnios (0,5%) e os húngaros (0,4%). De acordo com os censos de 2001 a religião predominante é o Cristianismo, sendo o catolicismo praticado por 87,8% dos croatas , seguindo-se os ortodoxos que compõem 4,4% da população, outras vertentes cristãs correspondem a 0,4% da população da Croácia, os muçulmanos são 1,3%, outras religiões e religião desconhecida é atribuída a 0,9% dos croatas e ainda 5,2% não possuem religião.

A língua oficial, croata, é um idioma eslavo meridional que utiliza o alfabeto latino. Outras línguas nativas são faladas por menos de 5% da população.

Política[editar | editar código-fonte]

Banski dvori, um prédio de 2 andares em estilo barroco que foi a residência dos Bans croatas de 1809 até 1918 e agora é a sede do governo do país.

Desde a adopção da constituição de 1990, a Croácia é uma república democrática. Em 2000, abandonou o sistema de governo semipresidencialista em favor do parlamentarismo.

A Croácia é membro das Nações Unidas, do Conselho da Europa, da OSCE, da Parceria para a Paz e outras organizações.

O presidente da República (Predsjednik) é o chefe de Estado e é eleito para mandatos de cinco anos. Além de ser o comandante-em-chefe das forças armadas, o presidente tem o dever de nomear o primeiro-ministro com consentimento do parlamento, e alguma influência na política externa.

O parlamento da Croácia (Sabor) é um corpo legislativo unicameral com até 160 deputados, todos eleitos por voto popular para mandatos de quatro anos. As sessões plenárias do Sabor têm lugar de 15 de Janeiro a 15 de Julho e de 15 de Setembro a 15 de Dezembro.

O governo da Croácia (Vlada), chefiado pelo primeiro-ministro, é integrado por dois vice-primeiros-ministros e 14 ministros encarregues de sectores particulares de actividade. O ramo executivo é responsável por propor legislação e um orçamento, por executar as leis, e por determinar as políticas externa e interna da República.

A Croácia tem um sistema judicial de três níveis, que consiste de um Supremo Tribunal, tribunais de condado e tribunais municipais. O Tribunal Constitucional decide sobre matérias relacionadas com a constituição.

Divisões administrativas[editar | editar código-fonte]

A Croácia subdivide-se em 20 condados (županija, em croata) mais o distrito municipal da capital, Zagreb.

Condados da Croácia.
  1. Condado de Zagreb (Zagrebačka županija)
  2. Condado de Krapina-Zagorje (Krapinsko-zagorska županija)
  3. Condado de Sisak-Moslavina (Sisačko-moslavačka županija)
  4. Condado de Karlovac (Karlovačka županija)
  5. Condado de Varaždin (Varaždinska županija)
  6. Condado de Koprivnica-Križevci (Koprivničko-križevačka županija)
  7. Condado de Bjelovar-Bilogora (Bjelovarsko-bilogorska županija)
  8. Condado de Litoral-Serrano (Primorsko-goranska županija)
  9. Condado de Lika-Senj (Ličko-senjska županija)
  10. Condado de Virovitica-Podravina (Virovitičko-podravska županija)
  11. Condado de Požega-Eslavônia (Požeško-slavonska županija)
  12. Condado de Brod-Posavina (Brodsko-posavska županija)
  13. Condado de Zadar (Zadarska županija)
  14. Condado de Osijek-Barânia (Osječko-baranjska županija)
  15. Condado de Šibenik-Knin (Šibensko-kninska županija)
  16. Condado de Vukovar-Sírmia (Vukovarsko-srijemska županija)
  17. Condado de Split-Dalmácia (Splitsko-dalmatinska županija)
  18. Condado de Ístria (Istarska županija)
  19. Condado de Dubrovnik-Neretva (Dubrovačko-neretvanska županija)
  20. Condado de Međimurje (Međimurska županija)
  21. Cidade de Zagreb (Grad Zagreb)

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da Croácia baseia-se fundamentalmente no serviços variados e indústria, em especial dos setores químico, naval e metal-mecânico. O turismo é uma grande fonte de receitas. O produto interno bruto per capita de 2008, em termos de paridade de poder de compra, foi de 18.575 dólares americanos, ou 63,2% da média da União Europeia, segundo o Eurostat.

A economia croata é pós-socialista. No fim dos anos 80, no início do processo de transição económica, a sua posição era favorável mas foi fortemente prejudicada pela guerra, essa terminada em 1995.

Os problemas principais incluem o desemprego estrutural e uma quantidade de reformas económicas considerada insuficiente por alguns economistas, pois que enfrenta resistência pública. Particularmente preocupante é o sistema judicial antiquado, em especial no que diz respeito à posse das terras estatizadas no período comunista. Contudo, tais problemas vêm sendo alvo de grande mobilização no sentido de serem resolvidos por reformas legais ocorridas no âmbito das negociações para a entrada do país na União Europeia.

Mesmo assim, o país tem vindo a experimentar um crescimento económico rápido em preparação de uma adesão à União Europeia, que já é o seu principal parceiro comercial, sendo, sua economia, considerada pelo Fundo Monetário Internacional como uma economia desenvolvida (high-income).

Cultura[editar | editar código-fonte]

A gravata é um dos símbolos da cultura croata.

A cultura da Croácia tem raízes bem antigas: os croatas vêm habitando a região há treze séculos, mas há reminiscências de períodos ainda mais antigos bem preservadas no país.

Algumas destas reminiscências antigas são:

  • Ossos de 100 mil anos de idade de um homem de Neandertal achados próximos a Krapina (localidade de Krapina-Zagorje)
  • Escavações do Neolítico na localidade de Ščitarjevo, próxima à capital do país, Zagreb, e também em Sopot (próximo a Vinkovci), Vučedol (próxima a Vukovar), em Nakovanj (situada na península Pelješac) e outros lugares
  • marcas de habitação na ilha de Vis deixadas pelos gregos antigos (a rainha Teuta de Issa)
  • várias construções e ruínas do Império Romano, incluindo muitas cidades romanas na costa da Dalmácia, destacando-se o aqueduto de Salona, o palácio do imperador Diocleciano em Split, ou a Basílica de Eufrásio, em Poreč
  • Igreja de São Marcos: Há brasões no telhado dessa igreja que são respetivamente o da Croácia (à esquerda) e o de Zagreb (a direita) e foram feitos no século XIX. O brasão da Croácia é composto por três partes que simbolizam as três províncias históricas: Croácia (topo esquerda), Dalmácia (topo direita) e Slavónia (área inferior). A colorida Igreja de São Marcos é um dos edifícios mais antigos de Zagreb e um dos seus símbolos. É mencionada pela primeira vez na lista das igrejas paroquiais no Estatuto do Kaptol de 1334. Foi construída no século XIII, inicialmente no estilo românico, da qual, apenas uma janela na parede sul e a fundação torre sineira se encontram preservadas. Os arcos góticos e o santuário foram construídos na segunda metade do século XIV, altura em que a igreja adquiriu a sua parte mais valiosa, o luxuoso portal sul gótico. Em termos das figuras que ele contém, é dos portais góticos mais bonitos da Croácia.

O início da Idade Média trouxe uma grande migração de eslavos, e este período provavelmente foi uma idade das trevas do ponto de vista cultural, até a formação dos estados eslavos que coexistiram com as cidades italianas que dominavam a costa, todas seguiam o modelo da República de Veneza.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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