Economia da Grécia

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Em 2009, a Grécia era a 34ª economia do mundo, com um PIB de 341 bilhões de dólares (estimativa), medido em termos de paridade do poder de compra.[1] A partir daquele ano, porém, o país enfrentou uma forte crise econômica e das finanças públicas. A taxa de desemprego, que em 2007 era de 8,0%, passou a 9,5% em 2009 e a 12,5% em 2010. Segundo a Comissão Europeia deve aumentar para 13,2% em 2011. O déficit orçamental, em 2009, chegou 13,6% do PIB. O PIB grego, por sua vez, caiu cerca 4,5% em 2010[2] . A dívida pública, que era 125,7% do PIB em 2009, atingiu 142,8% do PIB em 2010[2] . A inflação atingiu 4,7% em 2010[2]

Setor primário[editar | editar código-fonte]

Rebanho ovino em pastagem na Trácia.

Principais produtos: trigo, milho, cevada, açúcar de beterraba, azeitona, vinho, tabaco, batata, carne, tomate e banana; laticínios; pão, ovos e leite

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

As principais indústrias da Grécia estão ligadas aos setores de: têxteis, produtos metálicos, petróleo, gás.

Setor Terciário[editar | editar código-fonte]

O turismo é a atividade mais importante do setor, sendo responsável por 15% do PIB[2] .

Crescimento do PIB da Grécia em relação ao da Eurozona entre 1996 e 2006

A evolução da economia grega aodo século XIX, durante a Revolução Industrial, tem sido pouco estudada. Uma pesquisa recente [3] examina o gradual desenvolvimento da indústria e o maior desenvolvimento da indústria naval numa economia predominantemente agrícola. Segundo esse estudo, a taxa média de crescimento do PIB per capita na Grécia, entre 1833 e 1911, foi apenas ligeiramente inferior à dos países da Europa Ocidental. Outros estudos endossam essa afirmação, mostrando, no entanto, através de dados comparativos de padrão de vida, que embora o ritmo de crescimento fosse comparável, as diferenças entre os valores, a princípio significativa, reduz-se significativamente nas últimas décadas do século XX. Assim, a renda per capita (em termos de poder de compra) da Grécia era 65% daquela registrada na França em 1850, 56% em 1890, 62% em 1938,[4] [5] 75% em 1980, 90% em 2007, 96.4% em 2008, 97.9% em 2009 e maior que a de países como Coreia do Sul, Itália e Israel.[6] [7] No pós-guerra o desenvolvimento do país foi conectado ao chamado milagre econômico grego, entre o início dos anos 1950 e meados da década de 1970. Entre 1950 e 1973, a economia do país cresceu, em média, 7% ao ano, chegando a superar os 10% a.a. durante a década de 1950 - ritmo somente superado pelo Japão, no mesmo período. Esse crescimento, no entanto, deu-se às custas de um aumento da concentração de renda e das desigualdades entre ricos e pobres, pelo menos a princípio, intensificando as divisões políticas na Grécia.

Em 2004, Eurostat, o serviço de estatística da Comissão Europeia, depois de uma auditoria realizada pelo governo do partido Nova Democracia, revelou que as estatísticas orçamentárias que fundamentaram o ingresso da Grécia na União Monetária Europeia (Eurozona) - (o deficit orçamentário era um dos quatro critérios chave para a entrada) haviam sido drasticamente alterados para menos, pelo governo anterior (principalmente por não registrar uma grande parte das despesas militares.[8] Todavia, mesmo depois que o deficit foi recalculado, os critérios para a entrada tinham sido atendidos, conforme a metodologia em vigor à época em que a Grécia pleiteou sua entrada na Eurozona. [9]

A economia grega até 2010[editar | editar código-fonte]

A Grécia é um país desenvolvido, com um alto padrão de vida e IDH"muito elevado", o 25° do mundo, em 2007.[10] e 22° em 2005, considerando o índice mundial de qualidade de vida do The Economist. Segundo dados da Eurostat, o PIB por habitante (medido em termos de paridade do poder de compra(PPC) atingiu 95% da média da União Europeia, em 2008.[11]

O crescimento do PIB da Grécia foi, na média, superior ao crescimento médio da UE, desde o início dos anos 1990. Entretanto, a economia grega enfrenta problemas importantes, incluindo o aumento do nível de desemprego, a ineficiência burocrática, evasão fiscal e corrupção.[12] [13]

Economia Mercantil

Sistema econômico voltado para a produção de mercadorias, ou seja, bens destinados às trocas. E o contrário da economia natural ou de auto-suficiente.

A Economia de produção mercantilista simples era característica das formações sociais pré-capitalistas, quando só uma parte da produção se destinava à troca, feita diretamente pelo produtor ou por um mercador. A economia mercantilista feudal desenvolveu-se a partir de produtores isolados, donos dos meios de produção, produzindo para um mercado limitado.

Foi só com o surgimento do capitalismo que a produção mercantilista tornou-se dominante e universal, envolvendo todos os bons e serviços, além da própria força de trabalho. Todas as relações econômicas dó baseadas na mercadoria e na moeda. Cada empresa destina à venda toda a sua produção.

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Mercantilismo: política de poder => intervenção dos Estado na vida econômica através de medidas implantadas pelo poder público.

Poder: objetivo político principal => depende da riqueza da nação => aumento da quantidade de moeda (metais preciosos) => balança comercial superavitária.

Políticas: expando do comércio e da navegação => protecionismo aduaneiro => substituição de produtos importados => exportação => exploração colonial.

Formas: saque dos metais preciosos das colônias => existindo minerais preciosos, organização de mineração a baixo custo de produção => tributação à favor da metrópole.

Na ausencia das condições acima, organizar a vida econômica da colônia no sentido de concentrar os fatores de produção na produção de uma mercadoria destinada a reforçar as exportações metropolitanas => a balança comercial da metrópole lucrava com a obtenção de produtos a baixo custo e a revenda destes produtos à preço de monopólio.

Crescimento econômico da Grécia [14] [15]

2003 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011
Taxa 3,5 % 4,7 % 3,7 % 3,7 % 4,2 % 3,7 % - 2,0 % - 4,5 % - 3,0 % (previsão)

Crise da dívida de 2010[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O nível de atividade econômica da Grécia vinha caindo desde o início de 2008, quando o país registrou crescimento real do PIB de 2.9%, contra 4% em 2007. Em 2009, a Grécia apresentou baixa competitividade em relação aos seus parceiros da União Europeia, além de alto índice de corrupção econômica e política,[16] Apesar de permanecer acima da média da zona do euro, seu crescimento econômico em 2009 foi negativo pela primeira vez, desde 1993.[17]

No fim de 2009, como resultado de uma combinação de vários fatores, tanto de âmbito internacional (crise financeira) como local (descontrole do gasto público antes das eleições de outubro de 2009), a economia grega enfrentou sua mais severa crise desde 1993, com o mais alto déficit orcamentário (embora próximo ao da Irlanda e ao do Reino Unido) e a segunda mais alta relação entre dívida e PIB da União Europeia. O défice do orçamento de 2009 ficou em 12,7% do PIB (foi recalculado em abril de 2010, passando a 13.6% do PIB). Além disso, o crescimento do nível da dívida (113% do PIB em 2009). Esse quadro levou a um aumento do custo dos empréstimos, resultando em severa crise econômica.[18]

Em meio à crise financeira mundial, a Grécia "cozinhou números" tentando mascarar a extensão do seu pesado déficit orçamentário, de modo que a emergência da crise fiscal grega só ficou clara no início de 2010.[19] Essa acusação foi feita pela Comissão Europeia, referindo-se à publicação de estatísticas falsificadas, pelo governo grego. O jornal britânico Times fala de um "vírus mediterrâneo de insolvabilidade e de dívidas ruins que infectaria o resto da Europa" - uma situação provocada por "anos de despesas e empréstimos imprudentes" que conduziram a Grécia a um nível de endividamento insustentável".[20] Nessa ocasião, cresceram as preocupações com o excessivo endividamento do país. Segundo o CEE Council (Canadian European Economic Council), um think tank de estratégia econômica sediado em Paris, a situação em que se encontram os países europeus listados na crise da dívida soberana de 2010 se encontram atualmente resulta de vários fatores, incluindo a expansão excessiva da zona euro, uma combinação dos piores traços de "prodigalidade keynesiana" com as políticas monetaristas rígidas seguidas por políticos locais e a complacência dos bancos centrais da UE.[21] [22] Economistas têm sugerido políticas corretivas de controle do déficit público, incluindo medidas drásticas de austeridade e substancial aumento de tributos.

Também houve críticas contra especuladores que manipulam o mercado: Angela Merkel declarou que as instituições recuperadas com fundos públicos estão explorando a crise orçamentária na Grécia e em outros lugares.[23] e prevista queda de 4 por cento do pib no ano de 2010 e de 0,5% no ano de 2011

Pedido de ajuda ao FMI e à UE[editar | editar código-fonte]

Em 23 de abril de 2010 o governo grego pediu ao FMI e à União Europeia que fosse ativado um pacote de ajuda (bailout) no valor de 45 bilhões.[24] O FMI afirmou que estaria preparado para processar rapidamente esse pedido.[25] [26]

Em 27 de abril, a classificação da dívida grega foi rebaixada para BB+ (nível correspondente ao de "títulos podres") pela Standard & Poor's em meio a temores de que o governo da Grécia decretasse a moratória da dívida do país.[27] [28] [29] Após o anúncio, os mercados de ações assim como a cotação do euro caíram em todo o mundo.[30] A Standard & Poor's estima que, na hipótes de moratória, os investidores em títulos do governo grego perderiam de 30% a 50% do seu dinheiro.[27]

Em troca de um pacote de ajuda da União Europeia e do FMI, no valor 110 bilhões, desembolsados ao longo de três anos, o governo grego concordou com um programa medidas e de reformas, a ser executado no mesmo período. Em 4 de maio, o primeiro-ministro grego, George Papandreou, anunciou um plano de austeridade que visa reduzir o deficit em 30 bilhões. Nesse conjunto de medidas, que o governo pretende que seja votado pelo Parlamento antes de 7 de maio, incluem-se:

  • redução dos benefícios a funcionários públicos,
  • redução de pensões a aposentados
  • redução dos investimentos públicos e da despesas de custeio do Estado
  • congelamento de salários dos setores público e privado
  • 60 anos como idade mínima para aposentadoria
  • liberalização das leis trabalhistas, facilitando as demissões e abrindo à concorrência a várias profissões protegidas
  • criação de novos tributos e aumento imediato de 10% nas alíquotas sobre combustíveis, tabaco e álcool
  • elevação de 2% na alíquota do imposto sobre o valor agregado, que a partir de 1º de julho passaria a 23%

O governo tem um pagamento de dívida previsto para o dia 19 de maio, e o Parlamento grego deve votar medidas. Os sindicatos resistem. Na noite do dia 4 de maio, Antonis Samaras, líder da Nova Democracia, a principal força da oposição, anunciou que o partido é contra as reformas.[31] [32] [33]

Greve geral e manifestações nas ruas[editar | editar código-fonte]

Em 5 de maio de 2010, a Grécia foi paralisada por uma greve geral, em protesto contra as medidas de austeridade que o governo pretende aprovar para ter acesso ao empréstimo da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional. Em Atenas, houve confrontos entre manifestantes e policiais e pelo menos três pessoas morreram durante um incêndio provocado por um coquetel molotov elançado contra uma agência bancária. Dois prédios públicos também foram incendiados. Milhões de trabalhadores participam da greve, convocada pelas duas maiores centrais sindicais da Grécia, a GSEE, que representa trabalhadores do setor privado, e a ADEDY, do setor público, os manifestantes tentaram invadir o Parlamento. Também houve confrontos entre manifestantes e a polícia em Tessalônica, no norte do país. A polícia antimotim respondeu com gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.[32]

Referências

  1. Country Comparison :: GDP (purchasing power parity). The World Factbook. CIA.
  2. a b c d The World Factbook. Consultado em 2 de novembro de 2011.
  3. K. Kostis e S. Petmezas (ed.), I anaptixi tis Ellinikis oikonomias ton 19° aiona ("Desenvolvimento da economia grega no século XIX"), ed. Alexandria, Atenas, 2006.
  4. Paul Bairoch, Europe's GNP 1800–1975, Journal of European Economic History, 5, pp. 273–340 (1976)
  5. Angus Maddison, Monitoring the World Economy 1820–1992, OCDE (1995)
  6. Eurostat, incluindo atualização dos dados, a partir de 1980, e divulgação, em abril de 2008.
  7. FIELD LISTING:: GDP – PER CAPITA (PPP) The World Factbook Central Intelligence Agency.
  8. REPORT BY EUROSTAT ON THE REVISION OF THE GREEK GOVERNMENT DEFICIT AND DEBT FIGURES (PDF) (2004-11-22).
  9. Finmin says fiscal data saga has ended in wake of EU report (2004-12-08).
  10. Country Fact Sheets – Greece Human Development Report 2009 United Nations Development Programme.
  11. GDP per inhabitant in purchasing power standards Eurostat (2009-12-15).
  12. Premium content Economist.com (2008-12-09).
  13. Greek taxpayers sense evasion crackdown Financial Times
  14. (em francês) Grécia PIB - Taxa de crescimento real, IndexMundi
  15. FITA country profile : Greece, Economic/Political Overview
  16. The Global Competitiveness Report 2009–2010. World Economic Forum. Geneva, 2009.
  17. European Commission, Economic Forecast&nbsp – Spring 2009, p. 65
  18. Charter, David. Storm over bailout of Greece, EU's most ailing economy. Times Online, 10 de fevereiro de 2010.
  19. The Washington Post, 10 de fevereiro de 2010. 'Greece's economic crisis could signal trouble for its neighbors'
  20. Le Monde, 29 de abril de 2010. |Pour la presse étrangère, "la dette souveraine est le nouveau subprime"
  21. M. Nicolas Firzli, Orthodoxie financière et régulation bancaire: les leçons du Glass-Steagall Act, http://www.canadianeuropean.com/yahoo_site_admin/assets/docs/Bank_Regulation_and_Financial_Orthodoxy__RAF__Jan_2010.784613.pdf 
  22. M. Nicolas Firzli, 'Greece and the EU Debt Crisis', http://www.canadianeuropean.com/yahoo_site_admin/assets/docs/Greece__the_EU_Debt_Crisis_VN__Al-Nahar_Feb-March_2010.7383827.pdf 
  23. BusinessWeek, 23 de fevereiro de 2010. Merkel Slams Euro Speculation, Warns of 'Resentment'
  24. Irish Times. Greece Seeks Activation of €45bn EU/IMF Aid Package
  25. Los Angeles Times. head Strauss-Kahn says fund will 'move expeditiously' on Greek bailout request.
  26. Bloomberg Greek Bailout Talks Could Take Three Weeks.
  27. a b Greek Debt Rating Cut to Junk Status, The New York Times, 27 de abril de 2010
  28. S&P downgrades Greek debt to junk
  29. BBC, 27 de abril de 2010 Greek credit status downgraded to 'junk'
  30. Greek bonds rated 'junk' by Standard & Poor's, BBC, 2010-04-28
  31. Le Nouvel Observateur, 4 de maio de 2010. Le détail des mesures d'austérité en Grèce.
  32. a b Estadão, 5 de maio de 2010. Três morrem em confrontos na Grécia
  33. O Globo/Reuters/Brasil Online, 5 de maio de 2010. Europa alerta sobre contágio; Grécia vê violência

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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