Economia da Turquia

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Economia da Turquia
Levent, o distrito financeiro de Istambul
Moeda Lira turca
Ano fiscal Ano calendário
Blocos comerciais OMC, OCDE, G20, OCE e outras
Estatísticas
Bolsa de valores Bolsa de Valores de Istambul (ISE ou İMKB)
PIB 958,3 bilhões * (2010) (17º lugar)
Variação do PIB 7,3% (2010)
PIB per capita 12 300 (2010)
PIB por setor agricultura 8,8%, indústria 25,7%, comércio e serviços 65,7% (2010)
Inflação (IPC) 8,7% (2010)
População
abaixo da linha de pobreza
17,11% (2008)
Coeficiente de Gini 41 (2007)
Força de trabalho total 24,73 milhões (2010)
Força de trabalho
por ocupação
agricultura 29,5%, indústria 24,7%, comércio e serviços 45,8% (2005)
Desemprego 8% (julho de 2012)[1]
Principais indústrias têxteis, processamento de alimentos, automóveis, eletrônica, mineração (carvão, cromita, cobre, boro), aço, petróleo, construção civil, madeira trabalhada, papel, etc.
Exterior
Exportações 117,4 bilhões * (2010)
Produtos exportados vestuário, alimentos, têxteis, manufaturados de metal, equipamentos de transporte
Principais parceiros de exportação Alemanha 9,6%, França 6,1%, Reino Unido 5,8%, Itália 5,8%, Iraque 5% (2009)
Importações 166,3 bilhões * (2010)
Produtos importados máquinas, produtos químicos, produtos semielaborados, combustíveis, equipamentos de transporte
Principais parceiros de importação Rússia 14%, Alemanha 10%, República Popular da China 9%, Estados Unidos 6,1%, Itália 5,4%, França 5% (2009)
Dívida externa bruta 270,7 bilhões * (2010)
Finanças públicas
Receitas 159,4 bilhões *
Despesas 189,6 bilhões *
Ajuda económica recebida, n/d
Fonte principal: CIA World Fact Book
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia da Turquia constitui-se num misto complexo de indústria e comércio modernos e um setor agrícola tradicional que, em 2010, ainda era responsável por cerca de 30% dos empregos.[2] A Turquia dispõe de um setor privado forte e em rápido crescimento, mas o Estado ainda desempenha uma papel preponderante nas áreas de indústria de base, bancos, transporte e comunicações.

A Turquia tem o 15º maior PIB PPC (Paridade do Poder de Compra)[3] e o 17º maior PIB nominal.[4] O país é membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) e do G20. Durante as primeiras seis décadas da República, entre 1923 e 1983, predominou uma abordagem quase-estatal com o planejamento governamental rigoroso do orçamento e das limitações impostas pelo governo sobre a participação do setor privado, comércio exterior, fluxo de moeda estrangeira e investimento direto no estrangeiro. No entanto, em 1983, o primeiro-ministro Turgut Özal iniciou uma série de reformas destinadas a mudar a economia de um sistema estatista isolado a uma mais do setor privado, o modelo baseado no mercado.[5]

Setores[editar | editar código-fonte]

A economia da Turquia é cada vez mais dependente da indústria nas grandes cidades, sobretudo concentrada sobretudo nas províncias ocidentais do país, e menos da agricultura. A agricultura tradicional no entanto ainda é um dos principais pilares da economia turca. Em 2007, o setor agrícola foi responsável por 9% do PIB, enquanto o setor industrial respondeu por 31% e o setor de serviços representou 59%. No entanto, a agricultura ainda respondia por 27% do emprego.[6] Segundo dados do Eurostat, o PIB-PPS per capita turco era de 45% da média da UE em 2008.[7]

O sector do turismo tem experimentado um crescimento rápido nos últimos 20 anos, e constitui uma parte importante da economia. Em 2008 registaram-se 31 milhões de visitantes no país, o que contribuiu com US$ 22 mil milhões * para as receitas da Turquia.[8]

Outros setores chaves da economia turca são os setores bancários, da construção, de eletrodomésticos, eletrónicos, têxteis, refinação de petróleo, petroquímica, alimentos, mineração, siderurgia, indústria de máquinas e automobilística. A Turquia tem uma vasta e crescente indústria automobilística, que produziu 1 147 110 veículos em 2008, classificando o país como o 6º maior produtor da Europa (atrás do Reino Unido e acima de Itália) e o 15º do mundo.[9] [10] A Turquia também é uma das principais nações da construção naval. Em 2007, o país ocupou a quarta posição no mundo (atrás de China, Coreia do Sul e Japão) em termos do número de navios encomendados, e também ficou em quarto no mundo (atrás da Itália, EUA e Canadá) em termos do número de mega iates.[11]

Histórico[editar | editar código-fonte]

A Turquia iniciou uma série de reformas nos anos 1980 com o objetivo de reorientar a economia de um sistema estatista e isolado para um modelo mais voltado para o setor privado. As reformas provocaram um crescimento econômico acelerado, embora com episódios de forte recessão e crises financeiras em 1994, 1999 e 2001. A incapacidade de implementar reformas adicionais, combinada com déficits públicos elevados e crescentes e corrupção generalizada, resultou em inflação alta, volatilidade econômica e um setor bancário fraco. O governo viu-se então forçado a deixar a lira turca flutuar e a adotar um programa de reformas econômicas mais ambicioso, inclusive com uma política fiscal mais rígida e com níveis sem precedentes de empréstimos do Fundo Monetário Internacional.

Em 2002 e 2003, as reformas começaram a dar resultados e o governo logrou estabilizar as taxas de juros e pagar a dívida pública. Desde então, a inflação e a taxa de juros têm decrescido consideravelmente. A economia cresceu à ordem de 7,5% ao ano entre 2002 e 2005.

Em 1º de janeiro de 2005, a lira turca foi substituída pela nova lira turca, com o corte de seis zeros.

Em 2005, a Turquia atraiu US$ 9,6 bilhões * em investimento estrangeiro direto, resultado do programa econômico que incluiu grandes privatizações, a estabilidade provocada pelo início das negociações para a adesão à União Europeia, o crescimento econômico e mudanças estruturais nos setores bancário, de varejo e de telecomunicações.

Em 2005, o PIB turco foi de US$ 612,3 bilhões * (PPC), com um PIB per capita de US$ 8 200 e inflação de 8,2%. Com exportações de US$ 72,5 bilhões * e importações de US$ 101,2 bilhões * (2005, FOB), seus principais parceiros comerciais são a Alemanha, o Reino Unido, a Itália, os Estados Unidos, a França e a Espanha.

As reformas que promoveram o crescimento rápido, mas esse crescimento foi marcado por fortes recessões e crises financeiras em 1994, 1999 (após o terremoto daquele ano),[12] e 2001,[13] resultando em uma média de crescimento de 4% do PIB por ano entre 1981 e 2003.[14] Falta de reformas fiscais adicionais, combinada com défices do setor público elevados e crescentes e a corrupção generalizada resultaram em inflação alta, um setor bancário fraco e aumento da volatilidade macroeconómica.[15]

Desde a crise económica de 2001 e as reformas iniciadas pelo ministro da Fazenda da época, Kemal Derviş, a inflação caiu para números de um dígito, a confiança dos investidores e os investimentos estrangeiros aumentaram, e o desemprego caiu. O FMI previa uma taxa de inflação de 6% para a Turquia em 2008.[16] A Turquia tem aberto seus mercados através de reformas económicas, reduzindo o controle governamental sobre o comércio e aos investimentos estrangeiros e a privatização de setores públicos e a liberalização de muitos setores, a participação privada e estrangeira continuou em meio ao debate político. A dívida pública em relação ao PIB, embora bem abaixo do seu nível durante a recessão de 2001, atingiu 46% em 2010.[17]

A taxa de crescimento do PIB de 2002-2007 foi em média 7,4%,[18] o que fez da Turquia uma das economias que mais cresceram no mundo durante esse período. No entanto, o crescimento do PIB desacelerou para 4,5% em 2008, e no início de 2009, a economia turca foi afetada pela crise financeira global, com o FMI aponta para uma recessão global de 5,1% para o ano, em comparação com a estimativa do governo turco de 3,6%.[19]

Nos primeiros anos deste século, a inflação cronicamente elevada foi mantida sob controle e isso levou ao lançamento de uma nova moeda, a nova lira turca, em 1 de janeiro de 2005, para consolidar as reformas económicas e apagar os vestígios de uma economia instável.[20] Em 1 de janeiro de 2009, a nova lira turca foi renomeada mais uma vez como a lira turca, com a introdução de novas notas e moedas. Como resultado da continuidade das reformas económicas, a inflação caiu para 8,2% em 2005, e a taxa de desemprego para 10,3%.[21] Em 2004, estimava-se que 46% do rendimento disponível total recebido pela parte superior da fonte de renda de 20%, enquanto os 20% mais recebeu 6%.[22]

A Turquia se aproveitou da união aduaneira com a União Europeia, assinada em 1995, para aumentar a sua produção industrial destinada à exportação, ao mesmo tempo que beneficiou o investimento estrangeiro no país. A Turquia usufrui ainda de um acordo de comércio livre com a União Europeia (UE)que dá aos produtos turcos acesso livre a todo o mercado da UE.[23] [24] Em 2007 as exportações haviam atingido $US 115 bilhões *,tendo como principais destinos a Alemanha (11%), Reino Unido (8%), Itália (7%), França (6%), Espanha (4%), e EUA (4%). No total, as exportações para a UE representaram nesse ano 57% do total. As importações totalizaram $US 162 bilhões * em 2007, o que ameaçava o equilíbrio da balança comercial. Os principais parceiros de importação foram a Rússia (14%), Alemanha (10%), China (8%), Itália (6%), EUA (5%), França (5%), Irão (4%) e Reino Unido (3%). As importações da UE representaram 40% do total e as da Ásia 27%. Em 2008, as exportações turcas ascenderam a $US 142 bilhões * e as importações a $US 205 bilhões *.[25] [26]

Depois de anos de baixos níveis de investimento estrangeiro direto (IED), a Turquia conseguiu atrair $US 22 bilhões * em IED em 2007 e esperava-se que atraísse um número maior nos anos seguintes.[27] Uma série de grandes privatizações, como a estabilidade promovida pelo início das negociações de adesão da Turquia à UE, o crescimento forte e estável, e as mudanças estruturais no sistema bancário, varejo e telecomunicações têm contribuído para um aumento do investimento estrangeiro.[17]

Referências

  1. http://www.google.com/publicdata/explore?ds=z8o7pt6rd5uqa6_#!ctype=l&strail=false&bcs=d&nselm=h&met_y=unemployment_rate&fdim_y=seasonality:sa&scale_y=lin&ind_y=false&rdim=country_group&idim=country_group:non-eu:eu&idim=country:tr&ifdim=country_group&hl=pt_PT&dl=pt_PT&ind=false | Publicdata, dados do Eurostat, publicados pela Google
  2. CIA World Factbook: Turkey (em inglês). www.cia.gov. CIA (2010). Página visitada em 26 de novembro de 2010.
  3. Gross domestic product 2009, PPP (pdf) (em inglês). siteresources.worldbank.org. Banco Mundial. Página visitada em 20 de novembro de 2010. Cópia arquivada em 20 de novembro de 2010.
  4. The World Bank: World Economic Indicators Database. GDP (Nominal) 2008. Visitado em 31 de dezembro de 2010.
  5. Nas, Tevfik F.. Economics and Politics of Turkish Liberalization. [S.l.]: Lehigh University Press, 1992. ISBN 0-9342-2319-X
  6. Turkey - Agriculture and Enlargement (pdf). Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  7. GDP per capita in PPS. Eurostat. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  8. "Tourism Statistics in 2008", TURKSTAT, 29 de janeiro de 2009. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  9. "Türkiye otomotiv sektöründe büyüyor", Ulaşım Online, 29 de junho de 2009. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  10. 2008 Production statistics. OICA. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  11. Turkish Shipbuilding Industry (em inglês). Catania Investments.
  12. "Turkish quake hits shaky economy", British Broadcasting Corporation, 17 de agosto de 1999. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  13. "'Worst over' for Turkey", British Broadcasting Corporation, 4 de fevereiro de 2002. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  14. World Bank (2005). Turkey Labor Market Study (PDF). World Bank. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  15. OECD Reviews of Regulatory Reform – Turkey: crucial support for economic recovery : 2002. [S.l.]: Organisation for Economic Co-operation and Development, 2002. ISBN 92-64-19808-3
  16. IMF: World Economic Outlook Database, April 2008. Inflation, end of period consumer prices. Data of 2006, 2007 and 2008.
  17. a b Madslien,Jorn. "Robust economy raises Turkey's hopes", British Broadcasting Corporation, 2 de novembro de 2006. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  18. Dilenschneider Group and Pangaeia Group, "Turkey 360: Did You Know", Foreign Affairs, janeiro/fevereiro 2008
  19. ""Turkey's fragile economy" (16 de julho de 2009)", The Economist, 16 de julho de 2009. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  20. "Turkey knocks six zeros off lira", British Broadcasting Corporation, 31 de dezembro de 2004. Página visitada em 31 de dezembro de 201.
  21. World Bank (2005). Data and Statistics for Turkey. World Bank. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  22. Turkish Statistical Institute (27 de fevereiro de 2006). The result of Income Distribution. Turkish Statistical Institute. Página visitada em 31 de dezembro de 2010. Cópia arquivada em 2006-10-14.
  23. Money Morning (14 de julho de 2010). The CIVETS: Windfall Wealth From the 'New' BRIC Economies. European Business. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  24. Bartolomiej Kaminski; Francis Ng (1 de maio de 2006). Turkey's evolving trade integration into Pan-European markets (PDF). World Bank. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  25. Gümrükler Genel Müdürlüğü. 2006–2007 Seçilmiş Ülkeler İstatistikleri. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  26. "Turkey puts 2008 export target at 125 bln dollars", Xinhua, 2 de janeiro de 2008. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.
  27. "Yabancı sermayede rekor", Hürriyet. Página visitada em 31 de dezembro de 2010.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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