Guerra de independência turca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Guerra de independência turca
Data 19 de maio de 191929 de outubro de 1923
Local Anatólia
Desfecho Vitória turca, Tratado de Lausanne e reconhecimento da República da Turquia
Combatentes
Turquia Revolucionários turcos  Reino Unido
Grécia
 Itália
ArméniaArmênia
 França
 GeórgiaGeórgia

Dá-se o nome de guerra de independência turca (em turco: Kurtuluş Savaşı) ao conjunto de eventos militares e políticos que, tendo como ponto de partida o processo de dissolução do Império Otomano, levou à abolição do império (1922), à criação da República da Turquia (1923) e ao reconhecimento internacional desta, pelo Tratado de Lausanne (1923). Integram este conjunto de eventos a fundação de um movimento nacionalista turco, a Guerra Turco-Armênia, a greco-turca e a Guerra Franco-Turca.

A Queda do Império Otomano[editar | editar código-fonte]

Em 30 de outubro de 1918, o decadente Império Otomano assina a sua rendição após a desastrosa entrada na Primeira Guerra Mundial ao lado da Tríplice Aliança, o Armistício de Mudros desmembrou o império para os vencedores. A Inglaterra ficou com o Egito, a Mesopotâmia e a Palestina; a França ficou com a Síria e o Líbano e a Itália ficou com a Antalya. Em novembro, Constantinopla foi ocupada por tropas britânicas e francesas e as fortalezas do Bósforo e de Dardanelos foram ocupadas pelos aliados.

Partilha do Império Otomano

Apesar da rendição, muitos oficiais e soldados não aceitaram a derrota e a consequente ocupação, os Nacionalistas Turcos planejavam expulsar os invasores e reconquistar os seus territórios. Através do contrabando, armas e munição foram adquiridas pelos nacionalistas.

A Guerra de Independência[editar | editar código-fonte]

Em 19 de maio de 1919, inicia a Guerra de Independência da Turquia, os nacionalistas sob o comando do herói de Galípoli, o coronel Mustafa Kemal Atatürk iniciam os ataques contra os invasores. Em 22 de junho, Mustafa Kemal consegue o apoio dos bolcheviques em troca da entrega dos territórios do Cáucaso, incluindo a Armênia, aos russos, Lênin envia 60 peças de artilharia Krupp, 700.000 granadas, 10.000 minas, 1.000.000 de fuzis russos, 250.000 baionetas.

Mustafa Kemal

Guerra Franco-Turca[editar | editar código-fonte]

Os franceses que haviam ocupado partes da Turquia, iniciaram ataques conquistando cidades turcas como: Mersin, Tarso, Mardin, entre outras com a ajuda dos armênios. Porém, os nacionalistas contra-atacaram reconquistando suas cidades rapidamente, sem condições de manter a guerra, a França assina o Tratado de Ancara encerrando as hostilidades e saindo da guerra.

Guerra Turco-Armênia[editar | editar código-fonte]

A jovem República da Armênia lançou seu ataque sobre os turcos em setembro de 1920, entretanto logo sofreriam pesadas derrotas, os turcos avançavam rapidamente promovendo inúmeros massacres contras civis armênios. Em dezembro de 1920, sem forças, a Armênia assina o Tratado de Alexandropol, onde sairia da guerra e deveria desarmar seus militares e ceder mais da metade de seu território à Turquia. Logo depois, a Armênia foi invadida pela Rússia transformando-a numa de suas repúblicas socialistas.

Guerra Greco-Turca[editar | editar código-fonte]

Tropas gregas entram em Esmirna, 1919

Logo no início da guerra, a Grécia, inspirada pela Megáli Idea uma tentativa de unir todos os gregos em um só país e conquistar Constantinopla, havia ocupado a cidade de Esmirna e avançava pelo interior da Anatólia apoiada pelo primeiro-ministro inglês Lloyd George. Em março de 1920, Mustafá e os nacionalistas turcos estabeleceram o novo parlamento na cidade de Ancara. Em 10 de outubro de 1920, é assinado o Tratado de Sèvres entre os aliados e o império otomano que o obrigava a reconhecer a perda de seus territórios, entretanto os nacionalistas não reconheciam a validade do acordo e continuavam resistindo. Os gregos conseguiram avançar bastante chegando perto de Ancara, até que foram derrotados pela primeira vez na Primeira Batalha de İnönü em 11 de janeiro de 1921. Entre agosto e setembro de 1921 os turcos novamente derrotam os gregos na Batalha de Sakarya, o general grego Anastasios Papoulas ordenou uma retirada geral para Eski Shehir e Hisar Kara. As tropas gregas evacuaram a Chal Monte que tinha sido tomada a esse custo e aposentou-se sem serem molestados em todo o Rio Sakarya para as posições que deixaram um mês antes, levando com eles suas armas e equipamentos. Na linha do exército em retirada nada foi deixado que poderiam beneficiar os turcos. Ferrovias e pontes foram destruídas, as aldeias foram queimadas.

Batalha de Sakarya, 1921

A Grande Ofensiva[editar | editar código-fonte]

Em 26 de agosto de 1922, Mustafa ordena uma grande ofensiva sobre os gregos que em 30 de agosto derrotam o exército grego comandado pelos generais Nikolaos Trikoupis e Dionis. Os turcos avançam rapidamente e em setembro entram em Esmirna, parte da cidade foi incendiada, os bairros gregos e armênios foram queimados, apenas o bairro turco permaneceu intacto isso levantou suspeitas sobre o motivo do incêndio ter sido causado pelos turcos. Os gregos abandonaram Esmirna levando a saída da Grécia. Os britânicos tentaram resistir em Constantinopla, mas logo se renderiam.

Entrada do exército turco em Esmirna, 1922

A Paz[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1923, é assinado o Tratado de Lausanne restaurando as fronteiras turcas em troca do reconhecimento da soberania dos aliados sobre o Oriente Médio. Em setembro, os nacionalistas emtram em Constantinopla após o embarque das últimas tropas britânicas. Em 29 de outubro de 1923, Mustafa Kemal proclama a República da Turquia pondo fim ao império e tornando-se no presidente que fez amplas reformas na educação, transportes e cultura, ocidentalizou e modernizou a Turquia e romanizou o alfabeto turco, por tudo isso ganhou o apelido de Atatürk (Pai dos Turcos).

Ícone de esboço Este artigo sobre conflitos armados é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.
Ícone de esboço Este artigo sobre História da Turquia é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.