Economia da Rússia

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A economia da Rússia possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento económico.

Quase duas décadas após a o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% [1] e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. [2][3]

A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.

[editar] História

O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre.

A Rússia possui mais graduados acadêmicos do que qualquer outro país da Europa

Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático.[4]

Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão.

A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços.

Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição.

A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno.

O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país.

Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado.

Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg.

Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema.

Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Muitas das grandes fortunas actuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais.

[editar] Evolução econômica

Estação de abastecimento da Rosneft. A Rússia possui uma das maiores reservas mundiais de petróleo.

Nem tudo foi bom após a queda da URSS. Apesar de maior democracia, a Rússia entra em profunda crise. Os analistas afirmaram que Iéltsin agiu precipitadamente ao decidir privatizar tudo e a baixo custo. Isto provocou uma desvalorização acentuada da moeda - o rublo. As dívidas ao Mundo, a falta de serviços e bens, o atraso industrial, fez com que a Rússia importasse muito e exportasse pouco. A transição da economia planificada para uma economia de mercado foi muito conturbada na Rússia, marcada por altas taxas de desemprego e inflação e crescimento negativo do PIB (economia encolhendo) nos anos 1990. A crise asiática de 1997 gerou uma abrupta escassez de crédito no mercado internacional, que, associado aos baixos preços do petróleo e derivados (principais produtos de exportação da Rússia), provocou o colapso das contas externas russas. Sem conseguir novos empréstimos para pagar as dívidas com vencimento de curto prazo, a Rússia decretou uma moratória da dívida externa e desvalorizou sua moeda, o rublo. A crise russa de 1998 teve fortes consequências políticas e estratégicas, marcando o auge da decadência russa dos anos 1990 e o início da retomada do crescimento (nos anos 2000). Isto ampliou o sentimento de revolta na população: o desemprego, a falta de serviços, os altos preços dos alimentos importados e o crescimento da pobreza extrema nas zonas provincianas.

A partir de 1999, com Putin no governo, a economia russa teve início a um crescimento económico muito grande e sem precedentes e que continua neste ritmo nos dias de hoje. Entre 1999 e 2005, o Produto Interno Bruto cresceu em média, anualmente, cerca de 6.7%.

As principais causas foram a estabilização política que permitiu aumentar a confiança (interna/externa) no governo, especialmente após o fim da guerra na Chechênia e do combate algumas das poderosas máfias existentes na Rússia; a estabilização econômica, com o controle da inflação e a renegociação da dívida externa; uma moeda desvalorizada, facilitando as exportações; o aumento das exportações (quantidade e valor no mercado internacional) de gás natural, petróleo e derivados da indústria petroquímica, agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes), minerais metálicos; aço, ferramentas e máquinas pesadas e a retoma dos investimentos estatais nas indústrias de alta tecnologia (informática, bélica e aeroespacial);

Alexei Kudrin - ministro das finanças desde 1997 até agora - cria várias de leis de criação de barreiras aduaneiras para fechar o fluxo importador. As pequenas e médias empresas praticamente não podiam entrar na Rússia.

Em 2002, o PIB foi de US$ 1,5 trilhões, atrás da Alemanha. Em 2005, houve um superávit de US$ 765 mil milhões, fazendo o PIB deste ano de 1,6 trilhão de dólares. A inflação foi de 10,9% segundo o Centro de Estatística Federal da Rússia.

Crise econômica da Rússia pós-soviética e recuperação econômica nos anos 2000.

Com estes números, a Rússia era a 15ª economia mundial e em constante crescimento.[5] As exportações totalizaram 241,3 mil milhões de dólares e as importações foram de "apenas" de 98,5 milhões de dólares. Entre 2004 e 2005, a Rússia obteve mais 33% de lucros com as exportações. Calcula-se que em 2006 o investimento estrangeiro foi de 23 mil milhões de dólares. Ainda segundo as estatísticas russas, o salário nominal mensal de 2006 era de 10 975 rublos (aproximadamente 370 euros), mais 25% do que em 2005.

O país possui a maior reserva de gás natural do mundo, a segunda maior reserva de carvão e a oitava maior reserva de petróleo. O petróleo, o gás natural e os metais representam 80% da economia nacional.[6] Porém, desde 2003, a exportação destes recursos têm vindo a diminuir dada a maior procura interna.[7] A Rússia é considerada como um dos países com maior número de graduados nas ciências.[8]

Na primeira metade de 2007, o investimento estrangeiro aumento para o dobro, nos 60 mil milhões de dólares.[9] Embora o forte crescimento desde 1999, o Banco Mundial adverte a Rússia para vários desafios como diversificar a economia, encoragar o crescimento de pequenas e médias empresas, entre outras.[10]

A Rússia terminou o ano de 2007 com o nono maior crescimento do seu PIB desde a crise de 1998: 7%. Embora os altos preços do petróleo e a fraca cotação da moeda, os investimentos tiveram um papel importante. Nos últimos seis anos, os capitais nacionais cresceram 10%. Ao mesmo tempo, a pobreza tem vindo a diminuir e a classe média tem vindo a expandir-se. Os ganhos com a exportação de petróleo contribuiu para o aumento das suas reservas internacionais, dos 12 mil milhões de dólares em 1999 aos 470 mil milhões em 2007.[11]

Referências

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