Economia da Rússia

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Economia da Rússia
Centro Internacional de Negócios de Moscou em construção.
Moeda Rublo
Ano fiscal Ano calendário
Blocos comerciais OMC, CEI, G-20 e outros
Estatísticas
PIB 2 509 mil milhões (2012) (7º lugar)
Variação do PIB 3,6% (2012)
PIB per capita 17 700 (2012)
PIB por setor agricultura 4,4%, indústria 37,6%, comércio e serviços 58% (2012)
Inflação (IPC) 5,3% (2012)
População
abaixo da linha de pobreza
13,1% (2010)
Força de trabalho total 75,24 milhões (2012)
Desemprego 6,2% (2010)
Principais indústrias mineração (carvão, petróleo, gás natural, metais), produtos químicos, máquinas (desde moinhos a aviões e veículos espaciais), indústria de defesa (incluindo radares e mísseis), componentes eletrônicos avançados, construção naval, material ferroviário e rodoviário, equipamentos de comunicação, máquinas agrícolas, tratores e equipamentos de construção civil, equipamentos de geração e transmissão de energia, instrumentos médicos e científicos, bens de consumo duráveis, têxteis, alimentos, artesanato
Exterior
Exportações US$542,5 mil milhões (2012)
Produtos exportados petróleo e derivados, gás natural, metais, madeira e derivados, produtos químicos, e uma ampla variedade de equipamentos civis e militares
Principais parceiros de exportação Países Baixos 12,2%, República Popular da China 6,4%, Itália 5,6%, Alemanha 4,6%, Polônia 4,2%
Importações US$ 358,1 mil milhões (2012)
Produtos importados máquinas, veículos, produtos farmacêuticos, plásticos, produtos semielaborados de metal, carne, frutas e sementes, instrumentos ópticos e médicos, ferro, aço
Principais parceiros de importação República Popular da China 15,5%, Alemanha 10%, Ucrânia 6,6%, Itália 4,3%
Dívida externa bruta 455,2 mil milhões (2012)
Finanças públicas
Receitas 413 mil milhões (2012)
Despesas 414 mil milhões (2012)
Fonte principal: [[1] CIA World Fact Book]
Salvo indicação contrária, os valores estão em US$

A economia da Rússia possui importantes recursos naturais e humanos, que constituem forte potencial de desenvolvimento econômico.

Quase duas décadas após o colapso da União Soviética, em 1991, a Rússia continua a tentar estabelecer uma economia de mercado moderna e de fato tem conseguido altas taxas de crescimento económico. Ao longo da década de 2000, a economia russa registrou taxas de crescimento acima de 7% em 2000 (10%), 2001, 2002, 2003, 2004 e 2007 (8,1%). Em 2005 teve alta de 6,4 e, em 2006, de 6,8%. Em 2008, a Rússia cresceu 6% [2] e foi a 9ª economia do mundo. No entanto, diante da crise mundial e a queda dos preços do petróleo, as perspectivas para 2009 são mais sombrias. Em dezembro de 2008, a ministra da Economia, Elvira Nabiullina, previu 2,4% de crescimento do PIB para 2009, o índice mais baixo desde 1998 - o fatídico ano da moratória russa. [3] [4]

A Rússia integra a área da APEC (Asia-Pacific Economic Cooperation), um bloco econômico que tem por objetivo transformar o Pacífico numa área de livre comércio e que engloba economias asiáticas, americanas e da Oceania.

História[editar | editar código-fonte]

O povo russo em geral, já a partir de meados da década de 1950, vivia bem melhor que os cidadãos de alguns países capitalistas há muito orientados para o mercado, como o México, a Índia, o Brasil ou a Argentina. A taxa de analfabetismo era virtualmente zero, o ensino superior era muito bom e economicamente acessível; o desemprego quase não existia, a igualdade entre os géneros era uma das mais desenvolvidas do mundo, com as mulheres a chegar por vezes mais longe do que os homens nas suas carreiras, especialmente na ciência. Muitas famílias possuiam automóveis, TVs, gravadores de cassetes e podiam viajar de avião pelo menos uma vez por ano até às áreas balneares famosas do mar Negro. Mas a produção e distribuição de produtos de consumo (particularmente de vestuário e alimentos) era relativamente ineficiente e havia uma falta de habitação muito pronunciada em muitas das áreas urbanas, se bem que fossem raras situações de habitação precária ou insalubre.

A Rússia possui mais graduados acadêmicos do que qualquer outro país da Europa

Contudo, desde a desintegração da União Soviética, em 1991, o caminho para a estabilização macroeconómica tem sido longo e difícil, A partir daquele ano, o país sofreu severa contracção económica ao longo dos cinco anos seguintes, enquanto o governo e o parlamento divergiam sobre a implementação das reformas. A base industrial do país foi seriamente atingida. O país tem passado por diversas crises, destacando-se a crise financeira de 1998, resultante fundamentalmente da crise financeira do Sudeste Asiático.[5]

Depois da dissolução da URSS, causada mais por razões étnicas do que económicas, a primeira recuperação russa, ainda ligeira mas já a mostrar os sinais da influência do mercado livre, ocorreu em 1997. Porém a crise financeira asiática daquele ano acabou por atingir a economia russa. Diante da significativa desvalorização do rublo, o governo Russo aumentou a taxa de juros, mas as medidas de política econômica fracassaram e a Rússia declarou uma moratória unilateral, gerando perdas a seus credores internos e externos. Assim, 1998 ficou marcado por ser o ano da crise financeira Russa, com intensa fuga de capitais e, na sequência, recessão.

A economia começou a se recuperar em 1999, entrando numa fase de rápida expansão, com o PIB a crescer a uma taxa média de 6.8% por ano, entre 1999 e 2004, apoiado em preços mais altos no petróleo, num rublo mais fraco, e no aumento na produção de industrial e de serviços.

Esta recuperação, a par de um renovado esforço governamental em 2000 e 2001 para fazer avançar as reformas estruturais, aumentou a confiança das empresas e dos investidores para a segunda década de transição.

A Rússia permanece fortemente dependente de exportações de matérias-primas, em particular do petróleo, do gás natural, de metais e de madeira, que correspondem a mais de 80% do total das exportações, o que deixa o país vulnerável às oscilações dos preços do mercado mundial. Em anos recentes, no entanto, a economia também foi impulsionada pela crescente procura interna, que cresceu cerca de 12% ao ano entre 2000 e 2004, o que mostra o vigor do seu mercado interno.

O PIB do país atingiu 535 bilhões de dólares em 2004, fazendo da economia russa a 16ª economia mundial, sendo que Moscou, concentra 30% da produção do país.

Um dos maiores desafios dos formuladores da política econômica russa é o de encorajar o desenvolvimento de PMEs num ambiente empresarial dominado por oligarcas e dotado de um sistema bancário jovem e disfuncional. Muitos dos bancos russos pertencem a grandes empresários ou oligarcas, que usam frequentemente os depósitos para financiar os seus próprios negócios. O Banco Europeu para Reconstrução e Desenvolvimento e o Banco Mundial tentaram normalizar as práticas bancárias fazendo investimentos em acções ordinárias e na dívida, mas com um sucesso muito limitado.

Outros problemas incluem um desenvolvimento económico desigual entre as regiões do país. Enquanto que a região de Moscovo, com a sua imensa população de 20 milhões de habitantes, é uma metrópole moderna, com setores de tecnologia de ponta e renda per capita próxima à das economias mais fortes da eurozona, o resto do país, em especial as comunidades indígenas e rurais da Ásia, vive como vivia no fim da Idade Média. A integração ao mercado também se faz sentir noutras cidades grandes como São Petersburgo, Kaliningrad e Ekaterinburg.

Estimular o investimento estrangeiro é também um grande desafio. Até agora, o país tem se beneficiado do aumento nos preços de petróleo e tem sido capaz de pagar uma boa parte da sua dívida externa, que era gigantesca. O reinvestimento dos lucros obtidos pela exploração de recursos naturais em outros sectores da economia também é um problema.

Em 2003, a prisão de Mikhail Khodorkovski, um dos oligarcas russos e, à época, o mais rico empresário do país, sob a acusação de fraude, evasão fiscal e corrupção durante as grandes privatizações conduzidas no governo de Boris Yeltsin, gerou certa desconfiança entre os investidores estrangeiros. Em 2010 Khodorkovski foi condenado a 14 anos de prisão.[6] Muitas das grandes fortunas atuais, na Rússia, parecem ter resultado da aquisição de propriedades estatais a muito baixo preço ou da aquisição barata de concessões governamentais. Outros países manifestaram a sua preocupação com a aplicação "selectiva" da lei contra empresários individuais.

Evolução econômica[editar | editar código-fonte]

Estação de abastecimento da Rosneft. A Rússia possui uma das maiores reservas mundiais de petróleo.

Nem tudo foi bom após a queda da URSS. Apesar de maior democracia, a Rússia entra em profunda crise.

A privatização da economia russa foi sempre acompanhada pela corrupção ativa e maciça, em torno das em empresas estatais.

Em que empresários, políticos e membros das forças de segurança usaram as suas posições privilegiadas para obterem licenças de exportação de matérias-primas, licenças de bancos privados poderem fazer negócio com dinheiro estatal e decisões de privatização de empresas estatais a seu favor.

Os analistas afirmaram que Iéltsin agiu precipitadamente ao decidir privatizar tudo e a baixo custo, criando uma elite económica, que se tornou detentora dos mais valiosos ativos russos. Isto provocou uma desvalorização acentuada da moeda - o rublo, e uma abrupta queda do nível de vida da população. As dívidas ao Mundo, a falta de serviços e bens, o atraso industrial, fez com que a Rússia importasse muito e exportasse pouco, dado que na altura existia um enorme gap, entre oferta e procura. A transição da economia planificada para uma economia de mercado foi muito conturbada na Rússia, marcada por altas taxas de desemprego, inflação, falta de acesso a bens essenciais, como alimentos e medicamentos, e crescimento negativo do PIB (economia encolhendo) nos anos 1990. A crise asiática de 1997 gerou uma abrupta escassez de crédito no mercado internacional, que, associado aos baixos preços do petróleo e derivados (principais produtos de exportação da Rússia), provocou o colapso das contas externas russas. Sem conseguir novos empréstimos para pagar as dívidas com vencimento de curto prazo, a Rússia decretou uma moratória da dívida externa e desvalorizou sua moeda, o rublo. A crise russa de 1998 teve fortes consequências políticas e estratégicas, marcando o auge da decadência russa dos anos 1990 e o início da retomada do crescimento (nos anos 2000). Isto ampliou o sentimento de revolta na população: o desemprego, a falta de serviços, os altos preços dos alimentos importados e o crescimento da pobreza extrema nas zonas provincianas.

A partir de 1999, com Putin no governo, a economia russa teve início a um crescimento económico muito grande e sem precedentes e que continua neste ritmo nos dias de hoje. Entre 1999 e 2005, o Produto Interno Bruto cresceu em média, anualmente, cerca de 6.7%.

As principais causas foram a estabilização política que permitiu aumentar a confiança (interna/externa) no governo, especialmente após o fim da guerra na Chechênia e do combate algumas das poderosas máfias existentes na Rússia; a estabilização econômica, com o controle da inflação e a renegociação da dívida externa; uma moeda desvalorizada, facilitando as exportações; o aumento das exportações (quantidade e valor no mercado internacional) de gás natural, petróleo e derivados da indústria petroquímica, agroquímicos (agrotóxicos e fertilizantes), minerais metálicos; aço, ferramentas e máquinas pesadas e a retoma dos investimentos estatais nas indústrias de alta tecnologia (informática, bélica e aeroespacial);

Alexei Kudrin - ministro das finanças desde 1997 até agora - cria várias de leis de criação de barreiras aduaneiras para fechar o fluxo importador. As pequenas e médias empresas praticamente não podiam entrar na Rússia.

Em 2002, o PIB foi de US$ 1,5 trilhões, atrás da Alemanha. Em 2005, houve um superávit de US$ 765 mil milhões, fazendo o PIB deste ano de 1,6 trilhão de dólares. A inflação foi de 10,9% segundo o Centro de Estatística Federal da Rússia.

Crise econômica da Rússia pós-soviética e recuperação econômica nos anos 2000.

Com estes números, a Rússia era a 15ª economia mundial e em constante crescimento.[7] As exportações totalizaram 241,3 mil milhões de dólares e as importações foram de "apenas" de 98,5 milhões de dólares. Entre 2004 e 2005, a Rússia obteve mais 33% de lucros com as exportações. Calcula-se que em 2006 o investimento estrangeiro foi de 23 mil milhões de dólares. Ainda segundo as estatísticas russas, o salário nominal mensal de 2006 era de 10 975 rublos (aproximadamente 370 euros), mais 25% do que em 2005.

O país possui a maior reserva de gás natural do mundo, a segunda maior reserva de carvão e a oitava maior reserva de petróleo. O petróleo, o gás natural e os metais representam 80% da economia nacional.[1] Porém, desde 2003, a exportação destes recursos têm vindo a diminuir dada a maior procura interna.[8] A Rússia é considerada como um dos países com maior número de graduados nas ciências.[9]

Na primeira metade de 2007, o investimento estrangeiro aumentou para o dobro, nos 60 mil milhões de dólares.[10] Embora o forte crescimento desde 1999, o Banco Mundial adverte a Rússia para vários desafios como diversificar a economia, encoragar o crescimento de pequenas e médias empresas, entre outras.[11]

A Rússia terminou o ano de 2007 com o nono maior crescimento do seu PIB desde a crise de 1998: 7%. Embora os altos preços do petróleo e a fraca cotação da moeda, os investimentos tiveram um papel importante. Nos últimos seis anos, os capitais nacionais cresceram 10%. Ao mesmo tempo, a pobreza tem vindo a diminuir e a classe média expandiu-se. Os ganhos com a exportação de petróleo contribuiu para o aumento das suas reservas internacionais, dos 12 mil milhões de dólares em 1999 aos 470 mil milhões em 2007.[1]

Referências

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