Vanádio

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Pix.gif Vanádio Stylised Lithium Atom.svg
TitânioVanádioCrômio
  Cubic-body-centered.png
 
23
V
 
               
               
                                   
                                   
                                                               
                                                               
V
Nióbio
Tabela completaTabela estendida
Aparência
cinza-azulado-prateado metálico

Informações gerais
Nome, símbolo, número Vanádio, V, 23
Série química Metal de transição
Grupo, período, bloco 5B, 4, d
Densidade, dureza 6110 kg/m3, 7
Número CAS
Número EINECS
Propriedade atómicas
Massa atômica 50,9415(1) u
Raio atómico (calculado) 134 pm
Raio covalente 125 pm
Raio de Van der Waals pm
Configuração electrónica [Ar] 3d3 4s2
Elétrons (por nível de energia) 2, 8, 11, 2 (ver imagem)
Estado(s) de oxidação 5, 4, 3, 2, 1, -1 (óxido anfotérico)
Óxido
Estrutura cristalina cúbica centrada no corpo
Propriedades físicas
Estado da matéria sólido
Ponto de fusão 2183 K
Ponto de ebulição 3680 K
Entalpia de fusão 21,5 kJ/mol
Entalpia de vaporização 459 kJ/mol
Temperatura crítica  K
Pressão crítica  Pa
Volume molar 8,32 ×10−6 m3/mol
Pressão de vapor 1 Pa a 2101 K
Velocidade do som 4560 m/s a 20 °C
Classe magnética
Susceptibilidade magnética
Permeabilidade magnética
Temperatura de Curie  K
Diversos
Eletronegatividade (Pauling) 1,63
Calor específico J/(kg·K)
Condutividade elétrica S/m
Condutividade térmica 30,7 W/(m·K)
Potencial de ionização 650,9 kJ/mol
2º Potencial de ionização 1414 kJ/mol
3º Potencial de ionização 2830 kJ/mol
4º Potencial de ionização 4507 kJ/mol
5º Potencial de ionização 6298,7 kJ/mol
6º Potencial de ionização kJ/mol
7º Potencial de ionização kJ/mol
8º Potencial de ionização kJ/mol
9º Potencial de ionização kJ/mol
10º Potencial de ionização kJ/mol
Isótopos mais estáveis
iso AN Meia-vida MD Ed PD
MeV
48V sintético 15,9735 d ε + β+ 4,0123 48Ti
49V sintético 330 d ε 0,6019 49Ti
50V 0,25% 1,5×1017 a ε
β-
2,2083
1,0369
50Ti
50Cr
51V 99,75% 51V é estável com 28 nêutrons
Unidades do SI & CNTP, salvo indicação contrária.

Vanádio (homenagem a deusa Vanadis) é um elemento químico, símbolo V, número atômico 23 (23 prótons e 23 elétrons) de massa atómica 51 u que, nas condições ambientes, é encontrado no estado sólido.

Foi descoberto pelo mineralogista espanhol Andrés Manuel del Río, no México, em 1801, num mineral de chumbo. Em 1830, o sueco Nils Gabriel Sefström descobriu o elemento num óxido que encontrou enquanto trabalhava numa mina de ferro e deu-lhe o nome pelo qual é conhecido atualmente.

Está situado no grupo 5 (VB) da tabela periódica dos elementos. É um metal dúctil, macio e apesar de ser bem mais abundante que o cobre, com uma abundância crustal de 160 ppm, forma poucos minerais. A razão do vanádio formar tão poucos minerais reside no facto de o ião (ion) V3+ ser geoquimicamente semelhante ao ião Fe3+, um ião abundante e constituinte de muitos minerais. Assim, o ião V3+ geralmente substitui o Fe3+ nos minerais (notavelmente na magnetita) em lugar de formar os seus próprios minerais. É, ainda assim, encontrado em diversos minerais, e é empregado principalmente em algumas ligas metálicas.

Características principais[editar | editar código-fonte]

O vanádio é um metal de transição mole, dúctil de cor cinzenta e brilhante. Apresenta alta resistência ao ataque das base, ao ácido sulfúrico (H2SO4) e ao ácido clorídrico (HCl). É obtido a partir de diversos minerais, até do petróleo. Também pode ser obtido da recuperação do óxido de vanádio em pó procedente de processos de combustão. Tem algumas aplicações nucleares devido a sua baixa captura de nêutrons. É um elemento químico essencial em alguns seres vivos, embora não seja conhecida exatamente a sua função. Nos seus compostos apresenta estados de oxidação +2, +3, +4 e +5.

Aplicações[editar | editar código-fonte]

Aproximadamente 80% do vanádio produzido é empregado como ferrovanádio ou como aditivo em aço.

História[editar | editar código-fonte]

O vanádio (da deusa da beleza na mitologia Escandinava "Vanadis" devido à coloração de seus compostos), foi descoberto, em princípio, por um mineralogista espanhol Andrés Manuel del Río, no México, em 1801, num mineral de chumbo. Primeiro denominou de "pancromo", devido à semelhança de sua cores com as do crômio, depois de "eritrônio" devido à coloração de seus sais (tornavam-se vermelhos quando aquecidos).

Entretanto, o químico Francês Hippolyte Victor Collet-Descotils questionou a descoberta alegando que o obtido tratava-se realmente do crômio impuro, provocando a retratação de Andrés Manuel del Río.

Em 1830, o sueco Nils Gabriel Sefström descobriu o elemento num óxido que encontrou enquanto trabalhava numa mina de ferro e deu-lhe o nome pelo qual é conhecido atualmente. Mais tarde, em 1831, Friedrich Woehler concluiu que este elemento se tratava do mesmo elemento descoberto em 1801 por Andrés Manuel del Rio.

O vanádio metálico foi obtido em 1867 por Henry Enfield Roscoe, mediante a redução do tricloreto de vanádio, VCl3, com hidrogênio.

Compostos[editar | editar código-fonte]

  • Apresenta vários estados de oxidação, com diferentes colorações. Mediante uma experiência simples é possível apreciar a relação:
Partindo-se de vanadato de amônio (NH4VO4), e empregando-se zinco metálico, em meio ácido, produzem-se as seguintes reações:
VO43- (incolor) → [VO(OH2)5]2+ (azul) → [V(OH2)6]3+ (verde) → [V(OH2)6]2+ (violeta)

  • O pentóxido de vanadio, V2O5, que é obtido como sólido pulverizado de coloração alaranjada, é um agente oxidante, e é empregado como catalisador, na indústria de corantes como mordente e na produção de anilina negra.
  • A unidade, VO2+, na qual o vanádio apresenta estado de oxidação +4, com ligação V-O dupla, pode ser encontrado em diversos complexos de vanádio, geralmente com quatro ligantes formando una pirâmide de base quadrada.

Papel biológico[editar | editar código-fonte]

O vanádio é um elemento essencial em alguns organismos. Em humanos não está demonstrada a sua essencialidade, ainda que existam compostos de vanádio que imitam e potencializam a atividade da insulina.

É encontrado em algumas enzimas de diferentes seres vivos. Por exemplo, nas "haloperoxidases" (geralmente bromoperoxidases) de algumas algas, que reduzem peróxidos e halogenam um substrato orgânico.

As ascídias (alguns organismos marítimos urocordados, do subfilo urochordata) armazenam altas concentrações de vanádio, em torno de um milhão de vezes mais altas que na água ao seu redor, encontrando-se numa molécula denominada "hemovanadina". Nestes organismos o vanádio se armazena em células chamadas de "vanadócitos".

Também acumulam altas concentrações de vanádio o fungo amanita muscaria. Forma-se um complexo com um ligante ionóforo chamado "amavadina".

Abundância e obtenção[editar | editar código-fonte]

O Vanádio é amplamente utilizado na fabricação de ferramentas, como a chave de roda dessa fotografia.

O vanádio nunca é encontrado no estado nativo, porém está presente em cerca de 65 minerais diferentes, entre os quais se destacam a patronita, VS4, a vanadinita, Pb5(VO4)3Cl, e a carnotita, K2(UO2)2(VO4)2·3H2O. Também é encontrado na bauxita, assim como em depósitos que contém carbono, como por exemplo no carvão, óleos crus de petróleo. É extraído do petróleo empregando porfirinas. É encontrado também em minérios de ferro, rochas vulcânicas e argilominerais.

A maior parte das reservas mundiais, cerca de 10 milhões de toneladas, encontram-se na Rússia, China e África do Sul. No Brasil, foi descoberta uma jazida com 23 milhões do minério, localizada em Maracás (BA).[1]

Os minérios que contém vanadatos são dissolvidos por uma fusão alcalina. Em meio ácido, após outros processos, é obtido o V2O5 que, reduzido parcialmente com carbono e, em seguida com cálcio em atmosfera de argônio, o que permite obter vanádio metálico.

Quando se parte de um mineral que não contenha vanadatos, porém contém sulfeto deste elemento, este é oxidado a vanadato e, posteriormente, realizam-se os mesmos procedimentos descritos para a obtenção do vanádio.

O método mais comum de obtenção do vanádio é pela redução do pentóxido de vanádio, V2O5, e cloreto de cálcio a uma temperatura de 950 °C em bomba de aço, sob pressão.

V2O5 + 5 Ca + 5 CaCl2 ---> 2 V + 5 (CaO + CaCl2)

Para a obtenção do vanádio pode-se também utilizar a aluminotermia, que consiste em aquecer o óxido misturado com alumínio em pó:

3 V2O5 + 10 AL ---> 6 V + 5 Al2O3

Para a obtenção de um vanádio mais puro pode-se empregar também o método Van Arkel-de Boer, que é a formação de um composto mais volátil para posterior decomposição.

Isótopos[editar | editar código-fonte]

Na natureza se encontra um único isótopo estável, o vanádio-51. São conhecidos quinze radioisótopos, sendo os mais estáveis o vanádio-50, com uma meia-vida de 1,4 x 1017 anos, o vanádio-49, de 330 dias, e o vanádio-48, de 15,9735 dias. Os demais apresentam vidas médias de menos de uma hora, a maioria com menos de dez segundos. Este elemento apresenta um meta estado.

As massas atômicas dos isótopos de vanádio variam desde 43,981 u, do vanádio-43, até 59,959 u do vanádio-59. O principal modo de decaimento dos isótopos de massas abaixo do isótopo mais estável, vanádio-51, é a captura eletrônica, sendo os principais produtos do decaimento os isótopos do elemento 22 (titânio). Naqueles com massa superior ao vanádio-51, o decaimento é a desintegração beta, originando como principais produtos resultantes do decaimento os isótopos do elemento 24, o crômio.

Precauções[editar | editar código-fonte]

O pó metálico é pirofórico e a exposição prolongada ou a absorção em grandes quantidades de seus compostos pode causar mal estar, enjoo, coriza, dor de cabeça e dores no corpo, além de deixar a língua da pessoa contaminada com a coloração azul. O vanádio absorvido é excretado através da urina em um período de até 72 horas. Não há evidências ou estudos científicos que liguem o vanádio a casos de câncer de pulmão ou qualquer outro tipo de câncer.

A Administração de Segurança e Saúde Ocupacional americana (OSHA) tem estabelecido um limite de exposição para o pó de pentóxido de vanádio de 0,05 mg/m³ e de 0,1 mg/m³ para o gás de pentóxido de vanádio no ar do local de trabalho para uma jornada de 8 horas, 40 horas semanais. O Instituto Nacional de Saúde e Segurança Ocupacional americano (NIOSH) recomenda que um nível de 35 mg/m³ de vanádio deve ser considerado perigoso para a saúde, pois pode causar problemas permanentes de saúde ou morte.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  • Mineral resources, economics and the environment, Stephen E. Kesler, Maxwell MacMillan, 1994, ISBN 0-02-362842-1

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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