Abecásia

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Аҧсны / Apsny (abecásio)
Абхазия / Abkhaziya (russo)
აფხაზეთი / Apkhazeti (georgiano)

Abecásia
Bandeira da Abecásia
Brasão de armas da Abecásia
Bandeira Brasão de armas
Hino nacional: 'Aiaaira'
(em Português: Vitória)
Gentílico: Abecásio, abcaz

Localização da Abecásia

Capital Sukhumi
43°01′N 41°02′E (capital)
Cidade mais populosa Sukhumi
Língua oficial abecásio, geórgio e russo
Governo República semipresidencialista
 - Presidente Raul Khadjimba
 - Primeiro-ministro Vladimir Delba (interino)
Independência Parcialmente reconhecida pela Geórgia e pela União Soviética 
 - Anulamento, pela Geórgia, de todas as leis e tratados da era soviética 20 de junho de 1990 
 - Declaração de soberania 25 de agosto de 1990 
 - Declaração de independência, pela Geórgia 9 de abril de 1991 
 - Dissolução da União Soviética 26 de dezembro de 1991 
 - Reinstituição da Constituição de 1925 23 de julho de 1992 
 - Nova Constituição 26 de novembro de 1994 
 - Referendo constitucional 3 de outubro de 1999 
 - Acto de independência do Estado 12 de outubro de 1999 
 - Primeiro reconhecimento internacional 26 de agosto de 2008 
Área  
 - Total 8432 km² 
 - Água (%) n/d
População  
 - Censo 2003 216000 hab. 
 - Densidade 29 hab./km² (n/d.º)
PIB (base PPC)
 - Total US$ n/d 
 - Per capita US$ n/d 
Moeda Rublo (RUB)
Fuso horário (UTC+3)
Cód. Internet n/d
Cód. telef. ++7-840,940
+995-44

Mapa da Abecásia

Independência reconhecida apenas pela Rússia, Venezuela, Nicarágua, Nauru, Tuvalu e Vanuatu[1]

A Abecásia ou Abecázia[2] (também chamada de Abcásia ou Abkházia;[3] em abecásio: Аҧсны, transl. Aphsny; em georgiano: აფხაზეთი, transl. Apkhazeti; em russo: Абхазия, transl. Abkhaziya) é uma região no Cáucaso, uma república autônoma de jure no norte da Geórgia que pleiteia independência, tendo-a declarado após a guerra civil em 1992-1993 que arruinou a economia local e matou milhares de civis. Permanece em grande medida de fato independente da Geórgia e mantém controle sobre grande parte do seu território, embora não seja reconhecida internacionalmente. Sua capital é Sukhumi.

O status da Abecásia é uma questão central do conflito entre a Geórgia e a Abecásia. Toda a região fazia parte da União Soviética até 1991.Como a União Soviética começou a desintegrar-se no final da década de 1980, cresceram as tensões étnicas entre abecásios e georgianos com os movimentos para a independência da Geórgia. Isto levou à guerra de 1992-1993 na Abecásia, que resultou em uma derrota militar georgiana, a independência de facto da Abecásia, da fuga em massa e limpeza étnica da população georgiana na Abecásia. Apesar do acordo de cessar-fogo de 1994, e anos de negociações, a disputa de status não foi resolvida, e apesar da presença a longo prazo de uma força de acompanhamento das Nações Unidas e uma operação de paz da CEI coordenada pela Rússia, o conflito voltou a deflagrar em vários ocasiões. Em agosto de 2008, os dois lados novamente se enfrentaram durante a guerra na Ossétia do Sul, que foi seguido pelo reconhecimento formal da Abecásia pela Rússia, a anulação do acordo de cessar-fogo de 1994 e o término das missões da ONU e da CEI.

História[editar | editar código-fonte]

Se estima que as primeiras povoações da Abecásia remontem ao quarto milênio a.C.. Estas primeiras tribos, de origem ariana (conhecidas pelos arqueólogos como "proto-kartvelianos"), teriam chegado à região durante o período Neolítico da Pré-História, assentando-se nas costas do mar Negro. Estabeleceram-se junto a outras linhagens, que posteriormente evoluiriam até convertir-se nos apsuas, chechenos, daguestanis, armênios e arameus.

Desde o segundo milênio a.C. a região foi assolada por invasões de povos provenientes das estepes da Ásia Central, como os hititas, celtas, medos e persas. Durante estes anos, os proto-kartvelianos se dividiram três grupos étnicos bem diferenciados: os svans, os zans e os kartvelianos orientais. Enquanto os svans permaneceram na Abecásia, os kartvelianos se assentaram no centro da atual Geórgia, enquanto os zans se distribuíram na província de Samegrelo e ao longo das costas do mar Negro, até às imediações da Turquia.

Reino da Cólquida[editar | editar código-fonte]

Entre os séculos IX e VI a.C., foi instaurado na região o reino da Cólquida, que anexou grande parte das zonas que eram habitadas pelos svans e zans. Sob a dominação cólquida, a Abecásia recebeu um grande número de imigrantes gregos, que se estabeleceram em colônias na zona costeira. Algumas das cidades fundadas foram Pitiys, Dioscurias e Phasis, correspondentes às atuais Pitsunda, Sujumi e Poti.

Desde o ano 653 a.C. os reinos caucásicos da Cólquida e da Ibéria tiveram de enfrentar diversas tentativas de invasão por parte do Império Aquemênida. O Império Macedónio de Alexandre, o Grande exerceu uma importante influência na zona do Cáucaso, embora ela nunca tenha sido incorporada a ele. Rapidamente produziu-se um surgimento da cultura helenística em território abecásio, e o grego passou a ser considerado o idioma oficial.

Com o fim do império de Alexandre, a região viveu um período de caos e distúrbios. Um exemplo foi a fundação, no ano de 302 a.C., por parte de Mitrídates I, do reino do Ponto, nas costas turcas do mar Negro. No início do ano 120 a.C. o rei Mitrídates IV Eupator iniciou a conquista da Cólquida, aliando-se com o reino da Grande Armênia para lutar contra o invasor romano, liderado por Pompeu, o Grande. As terras da Abecásia seriam cenário de batalhas ferozes até a queda definitiva do Ponto para as conquistadores romanos em 63 a.C..

Lázica[editar | editar código-fonte]

Ruínas de antigo castelo em Anacópia, capital abecásia durante a época bizantina.

O devastado reino da Cólquida caiu então sob a dominação romana, convertendo-se na província de Lázica. O processo de helenização que havia começado desde a chegada de Alexandre, o Grande, foi aprofundado durante estes anos. Apesar da luta ferrenha entre romanos e partos pelo controle da região, a Lázica se manteve florescente e em relativa paz, a despeito de algumas incursões militares dos partos desde o lado oriental.

Já como parte do Império Romano do Oriente, no século III, a Lázica começou a obter certo grau de autonomia, que levou ao estabelecimento dum reino independente, composto pelos principados de Zans, Svans, Apsyls e Sanyghs. A expansão do cristianismo durante estes anos foi importantíssima; a religião havia chegado ao território abcásio com as viagens missionários do apóstolo Simão, o Cananeu, que fora martirizado nas serras próximas à cidade de Suaniri. No ano de 523 o cristianismo ortodoxo foi declarado a religião oficial do país, e São Jorge foi designado seu padroeiro.

Depois de vários anos de auto-governo, a Abecásia foi reincorporada ao Império Bizantino na Guerra Lázica em 562, e viveu um período de relativa paz e prosperidade durante mais de 150 anos.

Foi um reino independente entre 730 e 1578, quando foi incorporada ao Império Otomano. Em 1810 tornou-se um protetorado russo, sendo formalmente anexada em 1864. Proclamou a sua independência em 8 de março de 1918, mas foi anexada à República Socialista Soviética da Geórgia em 19 de abril daquele ano. Em 1921 tornou-se uma República Socialista Soviética autônoma, como parte da República Socialista Soviética da Geórgia.

Após a dissolução da União Soviética, um movimento separatista na região levou à declaração de independência da Geórgia em 1992, e ao conflito georgiano-abecásio de 1992 a 1993, o qual resultou na derrota militar da Geórgia e ao êxodo em massa, e da limpeza étnica da população georgiana da Abecásia.[carece de fontes?] Apesar do acordo de cessar-fogo de 1994 e das operações de manutenção de paz lideradas pela ONU e nomeadamente pela Rússia, a disputa de soberania não foi ainda resolvida e a região permanece dividida entre as duas autoridades rivais. 83% do território abecásio é governado pelo governo separatista, apoiado pela Rússia, e 17% pelo governo da República Autónoma da Abecásia, reconhecido pela Geórgia, sediado no vale de Kodori, parte da Alta Abecásia controlada pela Geórgia. Esta disputa mantém-se como fonte de séria tensão nas relações entre a Geórgia e a Rússia.

Em 26 de agosto de 2008, o presidente russo, Dmitri Medvedev, anunciou que a Rússia reconhecia a independência das regiões separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abecásia e pediu que outros Estados seguissem seu exemplo e façam o mesmo. A decisão foi fortemente criticada pelos Estados Unidos e pela OTAN.

Reconhecimento internacional[editar | editar código-fonte]

A Abecásia foi um Estado não-reconhecido na maior parte de sua história. A lista a seguir mostra os países e entidades políticas que reconhecem formalmente a Abecásia.

Estados parcialmente reconhecidos que reconhecem a independência da Abecásia
Estados não-reconhecidos que reconhecem a independência da Abecásia
Estados reconhecidos e membros da ONU que reconhecem a independência da Abecásia
  •  Rússia - A Rússia reconheceu a Abecásia após a Guerra na Ossétia do Sul em 2008.[6]
  • Nicarágua - Juntamente com a Rússia, a Nicarágua reconheceu a Abecásia em 3 de setembro de 2008.[6]
  •  Venezuela - O reconhecimento da Venezuela à Abecásia ocorreu em 10 de setembro de 2009.[7]
  • Nauru - Em 15 de dezembro de 2009, Nauru reconheceu a independência da região.[8]
  •  Vanuatu - Vanuatu reconheceu a Abecásia em 31 de maio de 2011.[9] O reconhecimento foi posteriormente negado pelo embaixador de Vanuatu na Organização das Nações Unidas (ONU) em 3 de junho de 2011.[10] Mais tarde, a capital do país, Port Vila inequivocamente confirmou o reconhecimento da Abecásia.[11] Alguns meios de comunicação foram capazes de obter uma cópia do documento de reconhecimento e imprimi-lo como uma prova. O documento foi datado de 23 de maio de 2011 e assinado por primeiros-ministros de ambos os estados. No entanto, em 20 de junho de 2011, um recém-nomeado primeiro-ministro oficial de Vanuatu retirou a declaração anterior em matéria de reconhecimento da Abecásia e está a tentar estabelecer relações diplomáticas com a Geórgia novamente.[12]
  •  Tuvalu - Em 18 de setembro de 2011, Tuvalu reconheceu a independência da região.[13]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Gagra vista do mar Negro.
Cáucaso abecásio.

A Abecásia se localiza no Cáucaso, entre a Ásia e a Europa. É uma região coberta por montanhas, cujas costas são banhadas pelo mar Negro. De seus 8.700 km² de extensão, cerca de 75% correspondem a zonas montanhosas, especialmente na zona oriental, próxima à Svanétia, onde algumas montanhas ultrapassam os 4.000 metros de altitude. Os diferentes "braços" que se desprendem da cordilheira principal do Cáucaso formam profundos vales, cruzados por trechos de leitos fluviais pequenos, porém importantes. Um destes é o lago Ritsa, ao norte de Gagra, considerado um dos lagos montanhosos mais belos do mundo. Neste ambiente encontra-se também a caverna mais profunda da Terra, a Krubera-Voronya, situada no maciço de Arabika, que chega a uma profundidade de 2.160 metros abaixo do nível do mar.

Grande parte do território da Abecásia (cerca de 70%) está coberto por bosques de carvalhos, faias e amieiros. No intervalo de altitude que vai do nível do mar até os 600 metros, a região é rica em bosques caducifólios. Acima deste nível, e até 1.800 metros de altura, proliferam diversas espécies de coníferas, incluindo algumas das árvores mais altas da Europa, como abetos que superam os 70 metros. Já entre 1.800 e 2.900 metros de altitude, encontram-se planícies com características alpinas, e, finalmente, acima disto, se estendem as neves eternas da cordilheira, e os glaciares.

A Abecásia goza dum clima subtropical temperado, devido ao efeito regulador do mar Negro e ao "biombo climático" formado pelo Cáucaso, que evita a entrada dos ventos frios boreais. A média anual de temperaturas alcança os 15°C, com mínimas de 4 °C no inverno (em janeiro) e máximas de 23 °C no verão (em julho). As precipitações oscilam entre os 1.100 e 1.500 milímetros de chuva anuais, e a umidade do ar é relativamente baixa. Acima dos 1.000 metros acima do nível do mar, a amplitude térmica aumenta, e se produzem invernos e verões mais duros, formando um clima de características continentais. Acima dos 2.000 metros de altitude prevalece o clima de montanha, e as temperaturas baixam consideravelmente. Nas regiões do interior as precipitações aumentam, podendo chegar a 3.500 milímetros anuais nas zonas montanhosas. A neve pode se acumular até ultrapassar os cinco metros de altura, em certas regiões mais próximas ao Cáucaso; as avalanches representam um perigo latente nos poucos centros habitados destas regiões.

Devido ao seu clima agradável e suas belas paisagens, parte deste território foi um local de grande afluência turística; desenvolveu-se também a agricultura, principalmente com o cultivo de chá, tabaco e diversas frutas, além de vinhedos.

Subdivisões da Abecásia[editar | editar código-fonte]

Na era soviética, a RSS da Abecásia estava dividida em 6 raions (distritos) nomeados pelos nomes das respectivas capitais.

As divisões administrativas da República da Abecásia continuaram as mesmas, com uma exceção: em 1995 o distrito de Tquarchal foi criada em torno da cidade de Tkvarcheli, criado a partir de território dos "raions" de Ochamchira e Gali.

O governo da Geórgia, que reivindica a Abecásia como uma região autônoma, mas que não tem controle efetivo sobre o território, não mudou as divisões soviéticas.

Distritos da Abecásia[editar | editar código-fonte]

Distritos da Abecásia

Cidades da Abecásia[editar | editar código-fonte]

Mapa da Abecásia

Economia[editar | editar código-fonte]

Pitsunda é um dos principais centros turísticos do país.

Tradicionalmente, a agricultura tem sido a atividade econômica mais importante da Abecásia, tendo como produtos mais representativos: frutas cítricas, tabaco, chá e uva. Não obstante, a limitada área de terras aptas para trabalhos agrícolas impôs um limite proibitivo ao desenvolvimento do setor. A produção industrial se concentra na carne, e o ramo das madeireiras. Em tempos de paz, a área de serviços dinamiza a economia com os ingressos derivados do turismo, destacando-se as atividades de empreendimentos recreativos instalados na costa. A Abecásia se comunica com a Rússia e com o resto da Caucásia por rodovias e ferrovias, e a capital tem um importante aeroporto.

A economia desta república se encontra em uma difícil situação. Nos últimos anos, com o apoio da Rússia, melhorou a qualidade de vida de seus habitantes. Durante seus anos de independência de facto, a Abecásia teve que enfrentar o caos econômico deixado pelo colapso da União Soviética e, mais tarde, da guerra contra a Geórgia, e a crise humanitária posterior. A isto se soma o embargo que está submetida, e que é quebrado apenas pela Federação Russa. Como forma de superar a crise, o governo tem tratado de fomentar a inversão estrangeira, promovendo o neoliberalismo e solicitando diversos empréstimos a bancos russos. De acordo com um informe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, realizado em abril de 2004, o produto interno bruto da Abecásia havia caíso entre 80% e 90% nos últimos 15 anos, e a taxa de desemprego alcançava 90%.[14]

A moeda utilizada é o rublo. O dólar americano pode ser trocado nos bancos de Sujumi, Gagra, Gali e Gudauta. O lari, moeda da Geórgia, está proibido.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências



Bandeira da Abecásia Abecásia
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