Organização do Tratado do Atlântico Norte

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Organização do Tratado do Atlântico Norte
(OTAN)
Bandeira da OTAN
North Atlantic Treaty Organization (orthographic projection).svg

Países membros da OTAN.
Fundação 4 de abril de 1949 (65 anos)
Tipo Aliança militar
Sede Bruxelas
 Bélgica
Membros
Línguas oficiais Inglês
Francês[1]
Secretário-Geral Dinamarca Anders Fogh Rasmussen
Sítio oficial www.nato.int

Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN — em francês: Organisation du Traité de l'Atlantique Nord; em inglês: North Atlantic Treaty Organization - NATO[2] ), por vezes chamada Aliança Atlântica, é uma aliança militar intergovernamental baseada no Tratado do Atlântico Norte que foi assinado em 4 de Abril de 1949. O quartel-general da OTAN está localizado em Bruxelas, na Bélgica,[3] e a organização constitui um sistema de defesa colectiva na qual os seus Estados-membros concordam com a defesa mútua em resposta a um ataque por qualquer entidade externa.

No entanto, a Guerra da Coreia galvanizou os Estados-membros, bem como uma estrutura militar integrada foi construída sob a direcção dos Estados Unidos. O primeiro secretário-geral da organização, Lord Ismay, declarou a famosa frase de que a meta da organização era "manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo" (em inglês: "to keep the Russians out, the Americans in, and the Germans down").[4] As dúvidas sobre a força da relação entre os estados europeus e os Estados Unidos subia e descia, junto com dúvidas sobre a credibilidade da defesa da OTAN contra uma potencial invasão soviética, dúvidas que levaram ao desenvolvimento de uma força francesa de dissuasão nuclear independente e à retirada da França da estrutura militar da OTAN em 1966.

Após a queda do Muro de Berlim em 1989, a organização ampliou-se para os Balcãs, enquanto a construção de uma melhor articulação com o ex-inimigos em potencial do leste, culminou com a entrada de vários ex-membros do Pacto de Varsóvia à Aliança em 1999 e 2004. Em 1 de abril de 2009, a participação foi ampliada para 28 com a entrada da Albânia e da Croácia.[5] Desde o os ataques de 11 de Setembro de 2001, a OTAN tentou recentrar-se a novos desafios e enviou tropas para o Afeganistão, assim como instrutores para o Iraque.

O Acordo "Berlim Plus" é um pacote abrangente de acordos feitos entre a OTAN e a União Europeia em 16 de dezembro de 2002. Com este acordo, a UE foi dada a possibilidade de utilizar os meios da OTAN, caso quisesse agir de forma independente ante uma crise internacional, na condição de que a própria OTAN não se quisesse envolver, o chamado "direito de preferência".[6] Apenas se a OTAN se recusar a agir que a UE terá a opção de tomar uma decisão independente. Os gastos militares combinados de todos os membros da OTAN constituem mais de 70% dos gastos de defesa mundiais.[7] Os Estados Unidos sozinhos totalizam 43% dos gastos militares do mundo[8] e o Reino Unido, França, Alemanha e Itália contam mais de 15%.[7] O seu secretário-geral é, desde 1 de Agosto de 2009, o dinamarquês Anders Fogh Rasmussen.[9]

História[editar | editar código-fonte]

O Tratado do Atlântico Norte foi assinado em Washington, D.C. em 4 de abril de 1949 e ratificado pelos Estados Unidos em agosto.

A organização foi criada em 1949, no contexto da Guerra Fria, com o objetivo de constituir uma frente oposta ao bloco socialista, que, aliás, poucos anos depois lhe haveria de contrapor o Pacto de Varsóvia, aliança militar do leste europeu.

Desta forma, a OTAN tinha, na sua origem, um significado e um objectivo paralelos, no domínio político-militar, aos do Plano Marshall no domínio político-económico. Os estados signatários do tratado de 1949 estabeleceram um compromisso de cooperação estratégica em tempo de paz e contraíram uma obrigação de auxílio mútuo em caso de ataque a qualquer dos países-membros.

Os Estados que integram a OTAN são a Albânia, Alemanha (República Federal da Alemanha antes da reunificação alemã), Bélgica, Canadá, Croácia, Dinamarca, Espanha, os Estados Unidos, a França,[10] a Grécia, os Países Baixos, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Portugal, Reino Unido, Turquia, Hungria, Polónia, República Checa, Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Roménia, Eslováquia e a Eslovénia.

Com o desmoronamento do Bloco de Leste no final dos anos 1980, surgiu a necessidade de redefinição do papel da OTAN no contexto da nova ordem internacional, pois o motivo que deu origem ao aparecimento da organização e o objetivo que a norteou durante quatro décadas desapareceram subitamente.

Reunião de ministros da defesa de países membros na sede da OTAN em Lisboa, Portugal.

A organização dedicou-se, pois, a esta nova tarefa, com o objetivo de se tornar o eixo da política de segurança de toda a Europa (isto, é considerando também os países que antes formavam o bloco adversário) e América do Norte. Assim, começou a tratar-se do alargamento a leste (considerando, nomeadamente, a adesão da Polónia, da Hungria e da República Checa) e, em 1997, criou-se o Conselho de Parceria Euro-Atlântica, um órgão consultivo e de coordenação onde têm também assento os países aliados da NATO, incluindo os países da Europa de Leste o que desagrada à Rússia ao ver afastar-se da sua esfera de influência.

Em março de 1999, formalizou-se a adesão da Hungria, Polónia e da República Checa, três países do antigo Pacto de Varsóvia. Em março de 2004 aderiram a Bulgária, Estónia, Letónia, Lituânia, Romênia, Eslováquia e a Eslovénia. No dia 1 de Abril de 2009 aderiram à Organização a Albânia e a Croácia.

Com a queda do Muro de Berlim e desintegração do Pacto de Varsóvia, foi criado o Conselho de Cooperação do Atlântico Norte (CCAN) na sede da OTAN em setembro de 1991 como fórum para o debate e promoção das questões de segurança, quer para os membros da OTAN quer para os antigos adversários da Aliança. Após os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, foi criado, em maio de 2002, o Conselho OTAN-Rússia. Este órgão, que substituiu o Conselho Conjunto Permanente, trabalha na base do consenso e inclui todos os membros da OTAN e a Rússia como parceiros em pé de igualdade.[11]

Na actualidade a Aliança Atlântica exerce grande influência nas decisões políticas europeias.

Paises membros[editar | editar código-fonte]

Membros da OTAN por data de entrada.
Membros fundadores
Adesões durante a Guerra Fria
Adesões de países do antigo bloco de leste

Cooperação com estados não-membros[editar | editar código-fonte]

Parceria Euro-Atlântica[editar | editar código-fonte]

A estrutura dupla foi criada para ajudar a reforçar a cooperação entre os 28 membros da OTAN e os 22 "países parceiros".

Parceria para a Paz Diálogo
Mediterrâneo
Mapa dos Parceiros da OTAN
Comunidade dos
Estados Independentes
Outras economias socialistas na
Guerra Fria
Economias capitalistas neutras militarmente
na Guerra Fria
 Arménia Como parte da Iugoslávia  Áustria  Argélia NATO Partners.png
 Azerbaijão  Bósnia e Herzegovina  Finlândia  Egito
 Bielorrússia  Macedónia  Irlanda  Israel
Cazaquistão  Montenegro  Malta Jordânia
 Quirguistão  Sérvia  Suécia Mauritânia
 Moldávia Como parte da União Soviética Suíça  Marrocos
 Rússia  Geórgia    Tunísia
Tajiquistão Turquemenistão  
  Estados membros da OTAN
 Uzbequistão  Ucrânia

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikcionário
O Wikcionário possui o verbete OTAN.

Referências

  1. "English and French shall be the official languages for the entire North Atlantic Treaty Organization.", Final Communiqué following the meeting of the North Atlantic Council on September 17, 1949. "(..)the English and French texts [of the Treaty] are equally authentic(…)"The North Atlantic Treaty, Article 14
  2. Em Portugal utiliza-se mais NATO (sigla em inglês) por, paradoxalmente, se parecer mais a uma palavra portuguesa
  3. Boulevard Leopold III-laan, B-1110 BRUSSELS, which is in Haren, part of the City of Brussels. NATO homepage. Página visitada em 7 March 2006.
  4. Reynolds, The origins of the Cold War in Europe. International perspectives, p.13
  5. Albania, Croatia join NATO military alliance, AFP, 1 de abril de 2009
  6. Bram Boxhoorn, Broad Support for NATO in the Netherlands, 21 September 2005, ATAedu.org
  7. a b The SIPRI Military Expenditure Database. Milexdata.sipri.org. Página visitada em 22/08/2010.
  8. The 15 countries with the highest military expenditure in 2009. Página visitada em 22/08/2010.
  9. Novo secretário-geral da NATO quer cooperar com o mundo muçulmano. Página visitada em 1-8-2009.
  10. a b Em 1966, no auge do Gaulismo, a França abandonou a estrutura militar da OTAN, permanecendo apenas em fóruns políticos. Após o fim da Guerra Fria, o país reaproximou-se da aliança, tendo reintegrado a estrutura militar da Organização em 1995, e o comando militar em 4 de Abril de 2009.
  11. [1]
  12. NATO.int
  13. NATO Topics: The Euro-Atlantic Partnership Council

Ligações externas[editar | editar código-fonte]