Revolta dos Mau-Mau

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Revolta dos Mau-Mau
KAR Mau Mau.jpg
Soldados do King's African Rifles durante a guerra.
Data 1952 – 1960
Local Quênia
Desfecho Vitória britânica
Combatentes
Rebeldes Mau-Mau  Reino Unido
Principais líderes
Dedan Kimathi
Musa Mwariama
Waruhiu Itote
Stanley Mathenge
Reino Unido Evelyn Baring
Reino Unido George Erskine
Reino Unido Kenneth O'Connor
Forças
Desconhecido 10 000 soldados (africanos e britânicos); 21 000 policiais
Vítimas
Mau-Maus:

Mortos: 12 000 - 20 000
Capturados: 5 347

Forças britânicas e africanas:

Mortos: 200
Feridos: 579

Civis:
Africanos: 1 819 mortos e 916 feridos
Asiáticos: 26 mortos e 36 feridos
Europeus: 32 mortos e 26 feridos

Revolta dos Mau-Mau foi um movimento ocorrido durante o processo de descolonização do Quênia (1952), iniciado pelo grupo intitulado Mau-Mau, uma organização clandestina que surgiu entre os Kikuyus, grupo étnico do Quênia, com a finalidade de libertar o seu país do colonizador europeu (1952-1963).[1]

Historia[editar | editar código-fonte]

Os europeus entraram em território queniano em meados do século XIX. Para facilitar uma economia baseada em grandes fazendas, os britânicos expulsaram os kikuyus das terras férteis. Destituídos dos direitos civis, os quenianos exigiam uma reforma no sistema.

Era uma situação política que só teve mudada a sua tática quando o líder político dos kikuyus, Jomo Kenyatta, formado pela "Escola de Economia de Londres", voltou da Inglaterra para assumir a presidência da recém-criada "União Africana do Quênia (KAU)" que, em 1960, passou a integrar a União Nacional Africana do Quénia. Kenyatta transformou a organização em um partido nacionalista de massas. Quando a revolta explodiu, em 1952, ele foi preso e condenado por liderar os Mau Mau. Kenyatta ficou na prisão até 1961.

A independência do Quênia concretizou-se em 1963. Um ano depois, o país foi reconhecido pela Comunidade Britânica das Nações, sob a presidênciade Jomo Kenyatta, o líder nacionalista que, em 1963, ocupara o cargo de primeiro premiê do Quênia livre. Nos quinze anos seguintes, até a sua morte em 1978, Kenyatta presidiu a transformação da nação em um moderno Estado capitalista relativamente estável.[2]

A revolta[editar | editar código-fonte]

A imprensa ocidental descrevera a "guerrilha Mau Mau" que aterrorizava a colônia britânica do Quênia como uma sociedade secreta, "uma primitiva sociedade ritualística", inspirada por superstições, ou uma conspiração comunista. Mas, a revolta dos Mau Mau nada tinha de misterioso: a maioria dos quenianos queria libertar o país do regime europeu.

Em 1952, o governador colonial declarou estado de emergência e dezenas de milhares de kikuyus apoiaram a rebelião deflagrada pelos Mau Mau - a maioria dos quenianos queria libertar o país do opressivo regime europeu e muitos acabaram apoiando os Mau Mau. A Grã-Bretanha enviou tropas e, numa luta que durou até 1956, morreram mais de onze mil kikuyus e dois mil soldados. Apesar da prisão de milhares de africanos, as exigências de autonomia tornaram-se veementes. Após a Segunda Guerra Mundial, o amadurecimento das organizações políticas africanas e a violenta revolta dos Mau Mau tornaram insustentável o regime britânico.[2]

Independência[editar | editar código-fonte]

As primeiras eleições livres da colônia, em 1960, deram aos africanos o controle do legislativo. Logo depois, surgiram dois partidos - a União Nacional Africana do Quênia (KANU) e a União Democrática Africana do Quênia (KADU). Kenyatta estava preso, acusado (errôneamente) de liderar a revolta dos Mau Mau de 1952. Foi nomeado presidente do Kanu. Os dois partidos compuseram uma frente enquanto Kenyatta estava na prisão. Libertado, em 1961, negociou os termos da independência do Quênia. Viajou a Londres no ano seguinte, para negociar a independência do seu país adotando um tom conciliatório: os europeus ocupariam lugar no "Quênia do futuro" como cidadãos comuns.[3]

Referências

  1. "Mau Mau uprising: Bloody history of Kenya conflict", BBC News. Página visitada em 12 de maio de 2011.
  2. a b Nosso Tempo - "A cobertura jornalística do século". "A Revolta dos Mau-Mau", pg 393, Volume II. Editora Klick (1995)
  3. Nosso Tempo - "A cobertura jornalística do século". "Quênia Independente", pg 470, Volume II. Editora Klick (1995)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]