América Latina

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América Latina

Mapa da América Latina

Vizinhos Ásia, África, América Anglo-Saxônica, Antártida, Europa e Oceania
Divisões  
 - Países 21
 - Dependências 10
Área  
 - Total 21 069 501 km² km²
 - Maior país Brasil Brasil (8.514.876,599 km²)
 - Menor país El Salvador El Salvador (21.041 km²)
Extremos de elevação  
 - Ponto mais alto Aconcágua, Argentina, 6962 m
 - Ponto mais baixo Laguna del Carbón, Argentina
População  
 - Total 569 milhões habitantes
 - Densidade 27 hab/km² hab./km²
Idiomas Espanhol, português, francês, quíchua, aimará, náuatle, Línguas maias, guarani, Crioulo haitiano, papiamento.

A América Latina (em espanhol: América Latina ou Latinoamérica; em francês: Amérique Latine) é uma região do continente americano que engloba os países onde são faladas, primordialmente, línguas românicas (derivadas do latim) — no caso, o espanhol, o português e o francês — visto que, historicamente, a região foi maioritariamente dominada pelos impérios coloniais europeus Espanhol e Português.[1] A América Latina tem uma área de cerca de 21 069 501 km2, o equivalente a cerca de 3,9% da superfície da Terra (ou 14,1% de sua superfície emersa terrestre).[2] Em 2008, a sua população foi estimada em mais de 569 milhões de pessoas.[2] Os países do restante do continente americano tiveram uma colonização majoritariamente realizada por povos europeus de cultura anglo-saxônica ou neerlandesa (ver América Anglo-Saxônica).[3] Vale ressaltar algumas exceções, como Québec, que não é um país independente, mas uma província de maioria francófona que pertence ao Canadá;[4] o estado da Luisiana, que também foi colonizado por franceses, mas pertence aos Estados Unidos[5] e os estados do sudoeste estadunidense, que tiveram colonização espanhola.[6]

A América Latina compreende a quase totalidade das Américas do Sul e Central: as exceções são os países sul-americanos da Guiana e do Suriname e a nação centro-americana de Belize, que são países de línguas germânicas. Também engloba alguns países da América Central Insular (países compostos de ilhas e arquipélagos banhados pelo Mar do Caribe), como Cuba, Haiti e República Dominicana. Da América do Norte, apenas o México é considerado como parte da América Latina.[7] A região engloba 20 países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.[8]

A expressão "América Latina" foi utilizada pela primeira vez em 1856 pelo filósofo chileno Francisco Bilbao[9] e, no mesmo ano, pelo escritor colombiano José María Torres Caicedo;[10] e aproveitada pelo imperador francês Napoleão III durante sua invasão francesa no México como forma de incluir a França — e excluir os anglo-saxões — entre os países com influência na América, citando também a Indochina como área de expansão da França na segunda metade do século XIX.[11] Deve-se também observar que na mesma época foi criado o conceito de Europa Latina, que englobaria as regiões de predomínio de línguas românicas.[12] Pesquisas sobre a origem da expressão conduzem, ainda, a Michel Chevalier, que mencionou o termo "América Latina" em 1836, durante uma missão diplomática feita aos Estados Unidos e ao México.[13] Nos Estados Unidos, o termo não foi usado até o final do século XIX tonando-se comum para designar a região ao sul daquele país já no início do século XX. [14] Ao final da Segunda Guerra Mundial, a criação da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe consolidou o uso da expressão como sinônimo dos países menos desenvolvidos dos continentes americanos, e tem, em consequência, um significado mais próximo da economia e dos assuntos sociais.[14]

Convém observar que a Organização das Nações Unidas reconhece a existência de dois continentes: América do Sul e América do Norte, sendo que esta última se subdivide em Caribe, América Central e América do Norte propriamente dita, englobando México, Estados Unidos e Canadá, além das ilhas de Saint Pierre et Miquelon, Bermudas e a Groenlândia.[14] As antigas colônias neerlandesas (e, atualmente, países constituintes do Reino dos Países Baixos) Curaçao, Aruba e São Martinho não são habitualmente consideradas partes da América Latina, embora a sua língua mais falada seja o papiamento, língua de influência ibérica (embora não considerada latina).[14]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo foi utilizado pela primeira vez em 1856, numa conferência do filósofo chileno Francisco Bilbao[9] e, no mesmo ano, pelo escritor colombiano José María Torres Caicedo em seu poema Las dos Américas ("As duas Américas", em português)[10] .

O termo "América Latina" foi usado pelo Império Francês de Napoleão III da França durante sua invasão francesa no México (1863-1867) como forma de incluir a França entre os países com influência na América e excluir os anglo-saxões. Desde sua aparição, o termo evoluiu para designar e compreender um conjunto de características culturais, étnicas, políticas, sociais e econômicas.[15]

História[editar | editar código-fonte]

Primeiros povos[editar | editar código-fonte]

Teotihuacan, atual México, vista da via de entrada dos mortos a partir da pirâmide da Lua.

A chegada à América dos primeiros humanos oriundos da Ásia ocorreu cerca de 20 mil anos antes da chegada de Cristóvão Colombo ao hemisfério ocidental.[16] É possível que os primeiros colonos tenham vindo da Ásia para a América, fazendo a travessia de uma ponte feita de terra, chamado de Beríngia, no tempo da era glacial, ou fazendo a travessia de barca pelo estreito de Bering, ou ainda, passando de uma ilha para outra, nas Aleutas.[17] Dirigindo-se do sul, foram, gradualmente, sendo espalhados pelas Américas.[17]

Essas populações que se originaram da Ásia, a quem são chamados pelos ocidentais de povos indígenas das Américas, ou ameríndios, tiveram perambulação pela terra, praticando a caça e a pesca.[18] Depois de uma grande quantidade de gerações na América, certas tribos foram desenvolvedoras de novos modos de vida.[19] Ao invés de continuarem perambulantes, foram construtores de comunidades agrícolas e de civilizações.[19] Foram os mais antigos povos plantadores de cacau, milho, feijão, favas, batatas, abóbora e tabaco.[20] Nas regiões onde foram conseguidas boas colheitas e com a possibilidade de viver tranquilamente, a população teve crescimento rápido.[19]

A cultura maia foi a mais antiga civilização de alto desenvolvimento no hemisfério ocidental.[21] Teve início na América Central mais de cem anos antes da época em que nasceu Jesus Cristo.[22] Por volta do ano 600 a.C., os maias haviam sido os criadores de um calendário e de um alfabeto de ideogramas.[23] Foram criadores, também, de estilos arquitetônicos, esculturais e de trabalhos metalúrgicos.[24] Eram possuidores de um governo de boa organização[25] e conheciam bastante astronomia[26] e agricultura.[27]

Na época em que os espanhóis invadiram a América Central, no século XVI, ali ocorria o florescimento das três grandes civilizações ameríndias: a civilização maia, na América Central (influenciada pela civilização tolteca, do México, a partir do século X d.C.); a civilização asteca, no México; e a civilização inca, no Equador, no Peru e da Bolívia.[28] Essas civilizações tiveram grande influência para que fosse desenvolvida posteriormente a América Latina.[19] O ouro e a prata que existiram em suas minas fizeram com que os espanhóis fossem os conquistadores dos povos indígenas na maior rapidez possível.[19]

Panorama de Machu Picchu, uma antiga cidade do Império Inca em meio aos Andes peruanos, na América do Sul.

Exploração e colonização[editar | editar código-fonte]

Em 1521, soldados espanhóis liderados por Hernán Cortés invadiram o Império Asteca e ocuparam e saquearam sua capital, Tenochtitlán (atual Cidade do México).

A Coroa de Castela foi reivindicadora para o seu império colonial da maioria das terras latino-americanas,[29] logo após a chegada de Cristóvão Colombo a essa região, em 1492. O Reino de Portugal também era reivindicador de terras no hemisfério ocidental. Numa grande quantidade de vezes, ambos os países tiveram o desejo das mesmas terras.[29] Para que fossem resolvidos estes conflitos, durante o pontificado do papa Alexandre VI (1431-1503) foi traçada uma linha demarcadora, em 1493.[30] Essa linha imaginária, corredora de norte a sul, efetuava uma passagem superior a 400 km a oeste das ilhas dos Açores e de Cabo Verde.[31] Os espanhóis e os portugueses haviam sido os exploradores de uma pequena parte do hemisfério ocidental.[32] Entraram em acordo que a Coroa de Castela pudesse ser descobridora da totalidade das terras a oeste desta linha e o Reino de Portugal descobridor da totalidade das terras a leste.[33] O acordo fazia referência somente a terras não pertencentes a um governante cristão.[32]

Porém, os portugueses tiveram insatisfação com a linha, porque baseavam sua crença de que pela bula Inter cætera era concedido à Coroa de Castela um território muito extenso.[32] Em 1494, o Reino de Portugal e Coroa de Castela participaram da assinatura do Tratado de Tordesilhas,[34] que fazia o deslocamento da linha numa distância superior a 1 500 km em direção a oeste. Ao Reino de Portugal foi cabível o setor leste do continente, o qual é hoje a grandeza da parte representativa do Brasil.[34] O território espanhol estava localizado a oeste, tendo extensão entre a Nova Espanha à qual pertencia boa parte do oeste do atual território dos Estados Unidos e o ponto mais ao sul da América do Sul, na Terra do Fogo.[34]  

Mapa anacrônico que mostra as áreas que pertenciam ao Império Espanhol em algum momento durante um período de 400 anos. Para mais detalhes, veja o mapa.
  Territórios do Império Português durante a União Ibérica(1581-1640)
  Territórios perdidos antes ou devido aos Tratados de Utrecht-Baden (1713-1714)
  Territórios perdidos antes ou devido à Independência da América Espanhola (1811-1828)
  Territórios perdidos após a Guerra Hispano-Americana (1898-1899)

De 1492 até 1502, Cristóvão Colombo (1451-1506) viajou quatro vezes à América e foi fundador de uma variedade de colônias de menor porte nas Antilhas.[35] Pedro Álvares Cabral (1467-1520), navegador português, foi o descobridor do litoral do Brasil em 1500.[36] Cabral tinha o pensamento de que havia sido o descobridor de uma ilha a qual foi reivindicada a seu país.[37] O navegador italiano Américo Vespúcio, do qual foi recebido o nome pela América, viajou numa variedade de vezes entre 1497 e 1503, à serviço da Coroa de Castela e do Reino de Portugal.[38] Foi o explorador do litoral do Brasil, do Uruguai e da Argentina.[37] O navegador português Fernão de Magalhães foi o explorador da quase totalidade do litoral da Argentina, em 1520.[39]

Nos primeiros anos do século XVI, os conquistadores dentre os quais tiveram encontro Hernán Cortés (1485-1547) e Francisco Pizarro (1478?-1541), foram os ajudantes da consolidação do domínio da Coroa de Castela sobre a América Latina.[37] Cortés fez o desembarque no litoral do México em 1519.[40] Dois anos posteriores, era possuidor de uma força de guerra com uma quantidade superior a mil espanhóis, uma grande quantidade de ameríndios, certa artilharia leve e poucos cavalos.[37] Com essa força, em 1521, foi o dominador de Tenochtitlán (hoje Cidade do México), cidade a qual era a capital do Império Asteca.[41] Nos últimos dias daquele ano, Cortés tem conquistado a maioria do território mexicano.[37] Em 1523, um de seus oficiais, Pedro de Alvarado, iniciou a sua partida do México em direção ao sul, até a América Central.[42] Naquele mesmo ano, teve um encontro com tropas que estavam em direção ao norte, as quais vieram da colônia pertencente à Coroa de Castela que Vasco Núñez de Balboa (1475?-1519) fundou no Panamá e por Pedro de Alvarado foi garantida para a Coroa de Castela a totalidade da América Central.[37]

Em 1531, Pizarro iniciou a sua partida do Panamá, fazendo a navegação em direção ao sul, com uma quantidade superior a 180 homens e 27 cavalos.[43] Fez o desembarque no Peru e, em torno de 1533, depois de sair facilmente vitorioso contra os indígenas, havia sido o conquistador da maioria do território do Império Inca. Pedro de Valdivia (1500-1553), um dos oficiais de Pizarro, foi o conquistador do norte do Chile e o fundador de Santiago em 1541.[44] Por essa conquista foram dadas à Coroa de Castela as regiões dominadas do litoral oeste da América do Sul, do Panamá até o centro do Chile.[37] No Chile, os araucanos deram continuidade à sua resistência por uma antiguidade superior a 300 anos.[45]

Colonização[editar | editar código-fonte]

Entre 1500 e 1800, os colonizadores que vieram da Coroa de Castela e do Reino de Portugal foram massivamente afluídos para as novas terras.[46] Os proprietários de terras foram os criadores de plantações de algodão, frutas e cana-de-açúcar na maioria do território que ocuparam, em especial na Região Nordeste do Brasil, nas ilhas das Antilhas e na América Central.[47] Bandos de homens de turbulência que procuravam ouro e prata faziam o percurso da vastidão regional do México até a atual Bolívia.[47]

Esquema mostrando como eram transportados escravos em um navio negreiro.

Por onde tiveram passagem, os europeus obrigavam à força que a maioria dos nativos fossem trabalhadores para eles, nos campos, nas florestas e nas minas.[48] Trouxeram os primeiros escravos que vieram da África para a América nos primeiros anos do século XVI.[49] Principalmente, o litoral leste da América do Sul era oferecedor de uma pequena quantidade de atrativos para os colonizadores.[47] Uma pequena quantidade de indígenas passava sua vida na região e nada restou ouro e prata.[47] Por isso, o litoral leste não teve exploração prática até o início do século XVII, na época em que foi verificada a fertilidade do solo para a lavoura e a pecuária.[47]

Os espanhóis já colonizaram a maioria do território da América Latina[50] numa época anterior à chegada definitiva dos colonizadores ingleses na América do Norte, mais precisamente onde é hoje o estado mais antigo dos Estados Unidos, a Virgínia em 1607.[51] [52] A maior parte dos espanhóis e portugueses vindos para a América Latina tiveram a pretensão de se enriquecer com rapidez e ir de volta aos países de onde são originários.[53] Porém, em seus grupos de expedicionários estavam presentes, também, artesãos e camponeses, que tiveram o desejo de início de um novo tipo de vida.[48]

Movimentos de independência[editar | editar código-fonte]

Simón Bolívar, libertador de seis países latino-americanos: Bolívia, Colômbia Equador, Panamá, Peru e Venezuela.

As colônias da América Latina tiveram permanência sob domínio da Europa por aproximadamente 300 anos.[54] Entre 1791 e 1824, a maior parte das colônias entrou na luta em guerras pelas quais as colônias, propriamente ditas, foram libertadas do jugo europeu.[55] Todo o país teve seus próprios heróis revolucionários, porém, ambos os homens foram destacados como líderes da América Latina independente.[37] Um dos dois é general venezuelano Simón Bolívar (1783-1830) o qual sagrou-se vitorioso quando libertou a Venezuela, a Colômbia, o Equador, o Peru e a Bolívia.[56] O outro é José de San Martín (1778-1850), general argentino e líder de um exército, iniciando a sua partida da Argentina, e deu ajuda para o Chile ser independente da Espanha.[57] Deu colaboração, também, para libertar o Peru.[57]

A maior parte das colônias tinha quatro motivos de base para entrar na luta pela independência:[37]

  1. Muitos mestiços que haviam enriquecido e eram proprietários, baseavam a sua opinião no dever de participar ativamente no governo de seus países. Em geral, como os espanhóis encaravam desprezadamente os mestiços, estes não eram nada socialmente prestigiados. Sendo dessa forma, os mestiços que influenciaram acima dos nativos, foram líderes de rebeliões que deram uma derrubada nos senhores europeus.[37]
  2. Os crioulos (descendentes de espanhóis que nasceram nas Américas) não tiveram aceitação da ocupação exclusiva de cargos da administração pública por funcionários espanhóis. Os crioulos, como os mestiços, tiveram o desejo de serem representados no governo por políticos que defendessem os seus direitos.[37]
  3. Pelos reinos da Espanha e de Portugal foi proibido o comércio entre as suas colônias na América Latina, obrigando-as à força para fazer negócios com as metrópoles.[58] Os governos da Espanha e de Portugal deram suspensão à uma grande quantidade de restrições durante o século XIX, porém, o sentimento de injustiça econômica fez as colônias a agir.[37]
  4. Foi crescente nas colônias um sentimento de patriotismo, e o povo de classes diferenciadas da sociedade esteve unido para que seja exigido o direito de dirigir um governo.[37]

O Haiti se revoltou com a França, em 1791.[59] Em 1804, o Haiti foi proclamado independente e convertido na república negra de mais alta antiguidade das Américas e do mundo.[60] Um antigo escravo negro, Toussaint l'Ouverture (1743-1803) foi o mais importante líder dos haitianos que lutou pela liberdade.[55]

Países latino-americanos por ano de independência.

A ocorrência de incidentes na Europa foi a causa das lutas pela independência nas colônias localizadas na América Latina.[61] Os reinos da Espanha e de Portugal passaram a entrar em decadência como potências mundiais.[61] Em 1808, Napoleão Bonaparte, imperador da França, tirou do trono Fernando VII da Espanha, governante o qual foi substituído por seu irmão, José Bonaparte.[62] Isto levou os hispano-americanos a reagirem violentamente.[61] Em 1810, por exemplo, os mexicanos iniciaram uma revolta contrária aos governantes espanhóis de José Bonaparte.[63] Os dois líderes da revolta mexicana foram ambos os padres Miguel Hidalgo y Costilla (1753-1811) e José Maria Morelos y Pavón (1765-1815).[63] Também em 1810, pelos grandes fazendeiros do Chile o país andino foi declarado independente do Reino da Espanha.[64] Mas perderam das forças espanholas.[61] O Chile foi declarado finalmente independente em 1818, com as forças cujo líder foi o herói chileno foi Bernardo O'Higgins (1778-1842) e por San Martin.[65]

Francisco de Miranda (1750-1816), revoltoso venezuelano, teve uma tentativa infrutífera de libertação do seu país em 1806 e pela segunda vez em 1811.[66] Simón Bolívar, que seguia Miranda, foi o empreendedor de um novo tipo de campanha em 1813.[56] Seus exércitos entraram na luta contrária às forças espanholas por mais de 10 anos e sagraram-se finalmente vitoriosos no atual distrito peruano de Ayacucho em 1824.[56] Esta vitória deu a independência à totalidade das colônias do Reino da Espanha na América do Sul.[56]

O Brasil proclamou sua independência de Portugal com ausência de declaração de guerras.[67] Em 1808, João VI de Portugal (1767-1826) encontrou refúgio durante a invasão napoleônica em seu país.[68] Teve retorno a Lisboa 14 anos posteriormente, depois que Napoleão Bonaparte foi derrotado.[61] Por João foi deixado seu filho Pedro (1798-1834) para ser o governante do Brasil como regente.[61] Porém, o povo brasileiro, como os povos que habitavam as colônias do Reino da Espanha, não tiveram o desejo de que os europeus os governassem.[61] Tiveram o desejo de libertação de Portugal.[61] No dia 7 de setembro de 1822, fez a declaração da independência do Império do Brasil e teve subida ao trono como Pedro I do Brasil.[67]

Os cidadãos nascidos na América Central tiveram repúdio à autoridade do Reino da Espanha em 1821.[61] Os rebeldes resistiram muito pouco, devido à pequenez das forças do Reino da Espanha no istmo centro-americano e pelo governador espanhol foi tomado o partido dos rebeldes.[61]

Conflitos regionais[editar | editar código-fonte]

Forças brasileiras (de uniforme azul escuro) lutam contra o exército paraguaio durante a batalha de Avaí, na Guerra do Paraguai.

Por haver uma grande quantidade de lutas menos importantes, bem como uma variedade de guerras, foram pontilhadas as relações internacionais da vizinhança entre os países na América Latina.[69] A guerra de maior extensão e mais sangrenta que já ocorreu em toda a história do continente foi a Guerra do Paraguai, na qual os países envolvidos da Tríplice Aliança foram o Brasil, a Argentina e o Uruguai, além do Paraguai como vilão. Teve tempo de duração entre 1864 e 1870.[70] Como o Paraguai alargou suas fronteiras, isso motivou principalmente as lutas, ainda na atualidade se discutem certas fronteiras do país e esses limites geopolíticos são motivadores de controvérsias.[71] [69]

Nos primeiros anos do século XIX, os problemas que existiam entre ambas as potências de maior dimensão geopolítica da América do Sul — a Argentina e o Brasil — foram centralizados na área de ocupação do atual Uruguai.[69] Em 1825, foi eclodida a guerra entre Brasil e Argentina. Três anos posteriores o Império do Brasil e as Províncias Unidas do Rio da Prata reconheceram a área questionável como país independente, o Uruguai.[72] [69]

Tropas do exército chileno ocupam Lima, a capital do Peru, durante a Guerra do Pacífico.

Em 1932, na fronteira entre a Bolívia e o Paraguai foi declarada uma guerra, porque o Paraguai pretendia se apossar do Gran Chaco.[73] As negociações de paz tiveram início em 1935 e, em 1938, segundo um acordo final seriam cedidos 237 800 km² de extensão territorial em litígio para o Paraguai.[69] Ambos os lados não se satisfizeram.[69]

O Chile entrou na luta contrária à Bolívia e ao Peru entre 1879 e 1883, porque o Chile desejava discutir sobre nitratos.[74] Por vontade do Chile foi vencida a guerra, e o país tomou posse da região tendo como principal riqueza mineral o nitrato e a Bolívia se viu obrigada a deixar em abandono o seu litoral antes banhado pelo Pacífico.[74] A partir de então, na Bolívia não é mais banhada por litoral marítimo.[74] O Chile e Peru participaram de discussões por questões fronteiriças até que, em 1929, tiveram como acerto final sua localização.[69]

Equador e Peru participaram da luta porque um dos dois países queriam se apossar de uma área agreste, não disponível nos mapas, que ia do Equador até a região oeste do Brasil.[69] De 1940 até 1941, ambos os países participaram da luta porque essa região era litigiada.[69] [75] O Peru sagrou-se vencedor da luta contra o Equador e foi anexada a quase totalidade territorial aos peruanos.[75]

Era contemporânea e integração[editar | editar código-fonte]

A economia da maior parte dos países da América Latina é dependente, em sua maioria, de produtos agrícolas e minerais exportados para a Europa e os Estados Unidos.[76] Por outro lado, na América Latina os produtos de importação que vêm da Europa e dos Estados Unidos são em sua maioria os artigos manufaturados os quais são necessários para fins educativos, culturais, midiáticos, medicinais, tecnológicos, etc.[77] Infelizmente, tem havido uma pequena quantidade de intercâmbio comercial entre os países da América Latina, porque na maior deles são produzidas, a princípio, matérias-primas.[75] Mas, depois da Segunda Guerra Mundial, a indústria manufatureira foi desenvolvida com rapidez numa variedade de países, em especial na Argentina, no Brasil, no Chile, no México e na Venezuela.[78] [75]

Presidentes dos países-membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC) durante a primeira cúpula da organização em Caracas, Venezuela (2011).

A crescente industrialização foi a causa de uma grande quantidade de conferências realizadas, nos anos 1950, cujo objetivo era o incremento do intercâmbio comercial entre os países latino-americanos.[77] Finalmente, em fevereiro de 1960, numa reunião que se realizou em Montevidéu, Uruguai, formou-se a Associação Latino-Americana de Livre Comércio (ALALC).[79] Sete países participaram da assinatura do acordo da ALALC: Argentina, Brasil, Chile, México, Paraguai, Peru e Uruguai.[80] Em 1961, Colômbia e Equador foram os países aderentes à ALALC.[80] A entrada da Venezuela na ALALC ocorreu em 1966, e da Bolívia em 1967.[80] Os países que participaram entraram em acordo para a eliminação da maioria das restrições comerciais entre eles, incluindo restrições alfandegárias e tarifárias, até 1980.[80] As tarifas vêm se reduzindo de maneira gradual.[75] A Associação Europeia de Livre Comércio é uma organização internacional pela qual foi servido um modelo para a criação da ALALC.[75]

Em dezembro de 1960, quatro países da América Central foram os formadores de uma organização que se assemelhava à ALALC. El Salvador, Guatemala, Honduras e Nicarágua foram os países assinantes de um tratado de Integração Econômica Centro-Americana. Em 1963, a Costa Rica foi o país ingressante nesta organização, a qual, em geral, chama-se Mercado Comum Centro-Americano.[81]

Embora existem uma grande quantidade de problemas, o comércio entre os países da América Latina tem sido crescente, sendo influenciado por dois ou três acordos.[75] O Chile, por exemplo, está sendo importador do algodão mexicano ou brasileiro em contrapartida ao algodão que antes seria comprado nos Estados Unidos.[75] O México é um país vendedor de aço para uma variedade de países da América do Sul, e produtos que no Brasil se fabrica, como máquinas de escrever e computadores, que se vende no Chile e no Paraguai.[75] Em 1969, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru foram os cinco países assinantes de um acordo econômico que chama-se Pacto Andino.[82] A convenção feita pelos países foi o fim, até 1980, das barreiras comerciais entre eles.[75]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A América Latina está localizada na totalidade no hemisfério ocidental, cujas linhas imaginárias que atravessam são: o Trópico de Câncer, pelo qual é cortado o centro do México; o Equador, linha imaginária passada no Brasil, Colômbia, Equador e pelo qual tocado o norte do Peru; e o Trópico de Capricórnio, pelo qual são atravessados o Brasil, o Paraguai, a Argentina e o Chile.[83] [84]

A América Latina é um subdivisão cultural das Américas a qual é distribuída irregularmente pelos hemisférios norte e sul, porque a maioria de suas terras é estendida ao sul da Linha do Equador.[83] [84] Quase todas as terras da América Latina estão localizadas na zona climática intertropical; uma pequena parte está situada na zona temperada do norte e uma área bem maior se localiza na zona temperada do sul.[83] [84] A América Latina é limitada a norte com os Estados Unidos, ao sul, com as águas confluentes dos oceanos Atlântico e Pacífico, a leste, com o oceano Atlântico, e a oeste com o oceano Pacífico.[83] [84]

Relevo[editar | editar código-fonte]

Na América Latina, em quaisquer das latitudes, são apresentadas, de oeste para leste, as formas do relevo igualmente sequenciadas.[85] [86] Assim, as mais importantes unidades do relevo da América Latina são:[85] [86]

Monte Aconcágua, na região andina da Patagônia, a maior montanha do continente americano, com quase sete mil metros de altura.
Vista do litoral de Cancún, no México.
  • Planícies costeiras juntamente ao oceano Pacífico, nas quais é apresentado menor comprimento.[85] [86]
  • Altas cordilheiras que se formaram na época do período terciário, no qual foi ocorrido intenso tectonismo, com as camadas de rochas que dobraram-se mais tarde, o que deu origem às cordilheiras visíveis.[86]
    Sendo apresentadas altitudes com mais de 5 mil metros e picos, em geral, cuja cobertura é feita de neve, as cordilheiras de maior elevação da América Latina foram resultantes ainda de demais tectonismos, como terremotos, e uma variedade de vulcões ativos, certos dos quais se prontificaram para soltar suas lavas pelo cume.[86] No México a cordilheira é chamada de Sierra Madre e nela formadas ambas as cristas horizontais (linhas no relevo nas quais são reunidas os pontos culminantes, que denominam-se Sierra Madre Ocidental e Sierra Madre Oriental. Na América Central, os acidentes geográficos que continuam essa cordilheira são as serras, por exemplo, as de Isabela e Talamanca. Na América do Sul, são surgidos os Andes, cujo ponto culminante é o pico Aconcágua, cuja altitude é da ordem de 6 959 metros, na Argentina. Tal como na Sierra Madre, nos Andes são apresentadas cristas, entre as quais estão localizadas planaltos de soerguimento, que chamam-se na região como altiplanos, com altitudes acima dos 3000 metros.[85] [86]
  • Planícies fluviais de grande extensão, na América do Sul (Amazônica, do rio Orinoco, do rio Magdalena, Platina, do Pantanal ou Chaco, etc.), que situam-se entre as cordilheiras ocidentais e os planaltos orientais.[87] [86]
  • Planaltos de desgaste na parte oriental da América do Sul, cujas altitudes diminuem, sendo ultrapassadas com raridade acimda de 2 000 metros. Isso é ocorrente devido à constituição do relevo daquela por rochas da mais alta antiguidade, com grande desgaste pelo processo erosivo e nela não são apresentados tectonismos. Pertencem a esse relevo os planaltos das Guianas e Brasileiro, cujos pontos de maior elevação são os picos da Neblina, (3014 metros), 31 de Março, da Bandeira e das Agulhas Negras.[85] [86]
  • Planícies costeiras juntamente ao oceano Atlântico, que ora são estreitas e desaparecidas, sendo surgidas falésias ou costas de grande altura, ora são apresentadas com grande largura, originando a extensão das praias.[85] [86]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de qualquer região é dependente de uma grande quantidade de fatores: latitude, altitude e relevo disposto, massas de ar, continentalidade, maritimidade, correntes marítimas, etc. Uma pequena ou grande latitude faz a indicação de maior proximidade ou de maior distância em relação ao Equador e, por consequência, se é de maior calor. Além disso, por causa do relevo, nessa área é possível ser apresentada, de acordo com a altitude, uma diferença de faixas térmicas.[88] [89]

Mapa climático da América do Sul de acordo com a classificação climática de Köppen-Geiger.

Se baseando nisso, não há dificuldade de dedução em dizer que na quase totalidade da América Latina são predominantes as temperaturas de maior elevação e que estas vão sendo reduzidas quando se direcionam ao Polo Sul. Por essa razão, o sul da América Latina, que chama-se de Cone Sul, é uma região onde há verões de amenidade e invernos de resfriamento.[88] [89]

Por ser longamente disposto de norte a sul e estar situado numa diferença de latitudes, o território americano é climaticamente diversificado.[88] [89] Na América Latina merecem destaque os climas tropicais, de umidade ou secura, sendo visível, em certos pontos, o tropical de altitude. Em meio a essa vastidão tropicalmente extensa, é existente um trecho de clima equatorial, também de grande amplitude, cuja característica que marca é uma redução de amplitude térmica, elevação de temperaturas e abundância de chuvas.[88] [89] Desde o Trópico de Capricórnio, na América do Sul, os tipos climáticos que dominam são modificados de maneira progressiva com a latitude aumentada, tendo início o predomínio dos climas temperados e frios. O relevo que influi acima da temperatura tem maior nitidez na parte ocidental, onde nas cordilheiras são apresentadas faixas de terras de calor, amenidade e resfriamento. Essas faixas vão sendo desaparecidas na medida que é diminuída a distância relacionada ao Polo Sul, onde igualmente ao nível do mar já são encontradas áreas que permanecem geladas.[88] [89] Na América Latina, os ventos dão a sua contribuição para a alteração do regime de chuvas e as próprias temperaturas. Em certos países da América do Sul, a princípio nos do centro-sul, tem grande nitidez a temperatura bruscamente reduzida no momento da chegada de uma frente fria.[88] [89]

Para as temperaturas de maior elevação da região equatorial são atraídas, na época do inverno, as massas de ar frio, que, em geral, são causadoras de chuvas e da temperatura que mais tarde se declinou em sua passagem. Na época do verão, no hemisfério austral, as temperaturas de maior elevação são ocorrentes no centro da América do Sul, para onde são atraídos ventos do oceano Atlântico.[90] [89]

Como em quaisquer regiões onde predomina o clima ropical, na América Latina são apresentadas contrastes de grandeza: certas áreas de grande umidade e demais desérticas ou semidesérticas. As primeiras tem maior frequência na parte equatorial da América do Sul ou em áreas costeiras. Já os deserto são surgidos acima de tudo quando o relevo torna impedido que a umidade dos ventos passe para o sertão. São existentes certos desertos (índice de chuvas inferior a 250 mm ao ano) na América Latina: Mexicano; de Atacama, entre o Chile e o Peru e da Patagônia, no sul da Argentina. Nessa parte do continente americano são apresentados também semidesertos nos planaltos mexicanos e no Polígono das Secas, na Região Nordeste do Brasil.[90] [89]

Nessas áreas secas são recebidas uma quantidade muito pequena de chuvas devido ao isolamento entre semi-desertos e o litoral pelo relevo disposto, sendo impedido que contatem que áreas semidesérticas contatem com ventos úmidos. O deserto de Atacama foi formado porque a influente corrente marítima de Humboldt que, provocar o resfriamento das águas salgadas do Oceano Pacífico, é o agente causador da saturação de nuvens condensadas de vapor de água ao nível do oceano, causando a secura delas ao continente.[90] [89]

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

Como o relevo é disposto, os rios drenam a maior parte da da América Latina no sentido oeste-leste, porque eles são dirigidos da cordilheira dos Andes até o Atlântico.[91]

Sendo, geralmente, uma região de grande umidade, a América Latina é possuidora, na maioria de sua extensão, da vastidão de uma rede hidrográfica. Merecem destaque na América do Norte, o rio Grande, fazendo a separação dos Estados Unidos e do México;[92] na América Central, em Honduras, o rio Patuca.[93] Na América do Sul, em sua porção setentrional, destacam-se os rios Madalena, na Colômbia, e Orinoco (na Venezuela) cuja desembocadura está localizada no mar das Antilhas e por esses acidentes geográficos fluviais é banhada a principal região agropecuária da fachada norte do continente, além de demais rios de importância os quais são ganhadores de projeção nas suas partes centro e sul, como o colosso do Amazonas e os rios Paraná, Paraguai e Uruguai, formadores da bacia Platina, todos com desembocadura no oceano Atlântico.[91] [94]

Na América Latina não são apresentados, contrariamente à América do Norte, lagos muito extensos, mas, de igual modo, o continente é possuidor de uma grande quantidade de lagoas em seu litoral, acima de tudo na vertente atlântica, como a lagoa dos Patos, no Brasil; lagoas inundáveis nas planícies Amazônica e do Orinoco; e lagos altimétricos, como o Titicaca, entre o Peru e a Bolívia.[91] [94]

Vegetação[editar | editar código-fonte]

A maioria da vegetação pela qual era revestida a América Latina até o século XVI já não é mais existente hoje em dia. Só se preservou a vegetação nos lugares onde as pessoas pouco se interessam economicamente ou em áreas de relevo onde é difícil subir. Mas, de igual maneira, é de grande facilidade a reconstituição da vegetação original, porque ela resulta do clima e do tipo de solo em que foi desenvolvida. Assim, pode-se fazer a identificação na região:[90] [95]

Amazônia, a mais rica e biodiversa floresta tropical do mundo.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A Cidade do México é o centro de uma das maiores metrópoles do mundo, com mais de 20 milhões de habitantes.

Na América Latina são comportadas muitas e diversas culturas, porque aí são misturadas línguas, etnias e costumes.[99] Apesar do predomínio do espanhol como língua oficial dos países da América Latina,[100] são falados também português,[100] francês[100] e, em certas regiões, até mesmo inglês[101] e neerlandês.[102] Há também muitas e várias de línguas nativas, merecendo destaque o quíchua, legado dos incas e idioma que se fala no Peru, Equador, Bolívia e Argentina.[100]

Línguas românicas oficiais na América Latina: português em laranja; espanhol em verde e francês em azul

A etnia dos habitantes da América Latina tem grande variação de país a país.[103] Apesar da intensidade da mestiços, existem nações em que a maior parte dos habitantes é branca (Argentina[104] e Uruguai),[105] outras onde quase todos os habitantes são de origem negra (Haiti,[106] República Dominicana,[107] Granada,[108] Bahamas[109] e Barbados)[110] e certas onde está fortemente presente o sangue índio (Peru,[111] Bolívia,[112] México,[113] Equador[114] e Paraguai).[115]

Existem países mestiços de verdade (Colômbia[116] e Venezuela)[117] e demais como o Brasil, no qual são existentes regiões de população com predomínio de brancos e demais onde é apresentada maior parte de negros, mestiços ou índios.[118]

Religiões[editar | editar código-fonte]

A maioria da população professa o catolicismo romano, mas em alguma parte desses países latino-americanos é crescente o número de protestantes, popularmente chamados no Brasil como evangélicos.[119] Há também minorias de judeus, muçulmanos, hinduístas, budistas, espíritas — já que o Brasil é o país com o maior número de adeptos dessa religião —, e praticantes de cultos afro-brasileiros.[119]

Um pesquisa realizada em toda a América Latina, divulgada em 2014 relatou que o número de protestantes na região já chegava a 19% da população latino-americana, enquanto os católicos estariam em 69%.[120]

Idiomas[editar | editar código-fonte]

O Espanhol é o idioma predominante da vasta maioria dos países latino-americanos. O Português é a língua oficial somente do Brasil, porém é falada por mais de 34% da população da América Latina; e o Francês é falado no Haiti, em algumas ilhas do Caribe e na Guiana Francesa. Ainda há o neerlandês, falado em ilhas caribenhas e no Suriname; todavia, o neerlandês não é uma língua latina e, sim, germânica. Portanto, sob este aspecto, a inclusão destes países na América Latina é controversa.

Em diversas nações, principalmente as caribenhas, existem os idiomas crioulos, que derivam de línguas europeias e línguas nativas do país, antes da colonização. Em outras, existe uma grande quantidade de falantes das línguas indígenas, como o México, o Peru, a Guatemala e o Paraguai. Nestes casos, é comum os governos nacionais ou regionais reconhecerem estes idiomas não-europeus como idiomas oficiais, ao lado do idioma europeu predominante. Por exemplo, o Quíchua é reconhecido no Peru como idioma oficial, ao lado do Espanhol. O Guarani também é idioma oficial no Paraguai juntamente com o Espanhol.

Afora os idiomas nativos e os idiomas europeus predominantes, existem idiomas de comunidades europeias, que migraram para a América do Sul depois do século XIX.

Problemas sócio-econômicos[editar | editar código-fonte]

Politicamente, na América Latina não é apresentada uma uniformidade relacionada às suas características humanas. Há muitos anos, a região foi caracterizada por ser politicamente instável. Mas nos anos 1980, uma variedade de países passou por um período democraticamente transicional e, atualmente, há eleições livres na quase totalidade da América Latina, apesar da existência de focos tensos em certos países onde grupos de tendências políticas de oposição entram na luta pelo poder.[121]

A totalidade dos países da América é caracterizada por ser um continente cultural subdesenvolvido, apesar da ostentação de certas nações por serem industrialmente e tecnologicamente avançadas, sob controle majoritário do capital transnacional, como é o caso do Brasil, México e Argentina. Mas a economia da maior parte dos países da América Latina é a agricultura que se baseia na primitividade de técnicas e numa desigualdade de distribuição de terras, que sempre dá privilégio aos grandes donos de propriedades agrícolas.[121]

Como o continente latino-americano se marca pela quantidade de diferenças entre os países componentes, é perceptível que a importância da expressão "América Latina" é a distinção, no continente americano, da parte subdesenvolvida da parte rica e industrializada do que a saliência dada à uma noção de unidade.[121]

Política[editar | editar código-fonte]

Países[editar | editar código-fonte]

País Capital Maior cidade Língua População
hab
Território
km²
PIB (2006)[122]
Bilhões USD
correntes
PIB (2006)
per capita[122]
USD (PPP)
 Argentina Buenos Aires Buenos Aires Espanhol 40 403 943 2 766 889 212 595 12 080
 Belize Belmopan Belmopan Inglês 314 275 22 966 2 307 7 800
 Bolívia La Paz (administrativa) e
Sucre (constitucional e judicial)
La Paz Espanhol,
Quíchua e
Aimará
9 627 269 1 098 581 11 221 2 931
 Brasil Brasília São Paulo Português 201 032 714 8 514 876 1 998 706 10 073
 Chile Santiago do Chile Santiago do Chile Espanhol 16 800 000 756 950 145 845 12 811
 Colômbia Bogotá Bogotá Espanhol 47 387 109 1 141 748 135 883 8 260
Costa Rica San José San José Espanhol 4 327 000 51 100 21 466 11 862
 Cuba Havana Havana Espanhol 11 382 820 110 861 40 000 4 100
El Salvador San Salvador San Salvador Espanhol 6 881 000 21 041 18 654 5 600
Equador Quito Guayaquil Espanhol 13 363 593 272 045 41 402 4 835
França Guiana Francesa Caiena Caiena Francês 190 842 86 504 N/D N/D
 Guatemala Cidade da Guatemala Cidade da Guatemala Espanhol 14 655 189 108 890 30 299 4 335
Haiti Porto Príncipe Porto Príncipe Francês e
Crioulo haitiano
7 500 000 27 750 4 473 1 840
Honduras Tegucigalpa Tegucigalpa Espanhol 7 205 000 112 492 9 072 3 300
 México Cidade do México Cidade do México Espanhol 106 202 903 1 958 201 840 012 11 369
Nicarágua Manágua Manágua Espanhol 5 487 000 130 000 5 301 3 100
 Panamá Cidade do Panamá Cidade do Panamá Espanhol 3 232 000 75 517 17 103 8 593
Paraguai Assunção Assunção Espanhol e
Guarani
5 734 139 406 752 9 527 5 339
 Peru Lima Lima Espanhol,
Quíchua
28 675 628 1 285 215 107 000 7 856
República Dominicana Santo Domingo Santo Domingo Espanhol 8 900 000 48 734 31 600 9 377
Uruguai Montevideo Montevidéu Espanhol 3 415 920 176 215 19 127 11 969
 Venezuela Caracas Caracas Espanhol 27 730 469 916 445 181 608 7 480

Consolidação política[editar | editar código-fonte]

Durante o colonialismo, eram obedecidos pelos cidadãos da América Latina as leis que os monarcas distantes aprovaram e quase não podiam discutir seus próprios assuntos. Como revolta, foram criados pelos latino-americanos seus próprios países, eram politicamente menos experientes. Por líderes que tiveram sensatez, como Simón Bolívar, não era considerado com prudência o estabelecimento de repúblicas na América Latina. O argumento dos líderes sensatos era de que o povo não era experiente em autogoverno. Porém, entre o México e a Argentina, a impetuosidade dos patriotas tinha visto o rumo da Revolução Francesa e da Revolução Americana. O desejo dos patriotas impetuosos era um governo republicano, com a esperança de acompanhamento do mesmo rumo. Para melhor entedimento dos problemas políticos da Amêrica Latina o importante é um pouco de conhecimento da história de certos países.[61]

Mapa das Guerras entre a Espanha e suas colônias na América Latina:
  Reação Realista
  Território sob controle independentista
  Território sob controle independentista
.

Até 1829, a Argentina era sucedida por governos fracos.[61] Naquele ano, por Juan Manuel de Rosas (1793-1877), um rico proprietário de terras que liderava o seu próprio exército, foi assumido o poder e o político foi tornado ditador. Em 1852, houve a revolta da população contra Rosas e seu poderio foi derrubado. A partir de então, os milionários controlavam muitas partes da vida do país. Pela desonestidade das eleições e pelos militares revoltosos eram, acompanhadamente, colocados governantes autoritários na presidência. Na Argentina foi eleito o presidente Raúl Alfonsín em eleições diretas, voltando o país à democracia.[61]

No Brasil, após a derrubada do Governo de Portugal em 1822, foi instituída pelo povo uma monarquia constitucional sendo chefe de Estado o imperador Pedro I.[123] [69] Entretanto, Dom Pedro perdeu a confiança do povo brasileiro porque seu governo foi um desastre.[69] Em 1831, houve a abdicação do trono por Dom Pedro I favorecendo seu descendente, Pedro II (1825-1891).[124] Por aproximadamente uma cinquentena de anos, durante o reinado de Pedro II, foi usufruído pelos brasileiros, em muitas partes, um governo representativo.[125] O povo brasileiro foi adquirindo experiência de governo, como auxílio político ao país.[69] Em 1888, ainda no final do Segundo Reinado, foi abolida a escravidão no Brasil.[126] A união dos fazendeiros com as forças oposicionistas foi responsável pela obrigação da abdicação do trono de Dom Pedro em 1889.[69] Então, foi proclamada a república no Brasil.[127] Porém, à exceção pelo intervalo de tempo que vai de 1898 até 1910, o Brasil foi um país no qual quem quase sempre governou foram presidentes autoritários.[69] A constituição de 1946 restabeleceu a totalidade da democracia.[128] Em 1964, foi instituído pela Ditadura Militar de 1964 no país um governo de exceção, que terminou em 1985, com a eleição de Tancredo Neves, morto antes da posse, sendo substituído pelo seu vice, José Sarney.[129] [69]

No Chile, foi mantido pelos donos de terras o fato de controlarem o governo por cerca de 100 anos após o país ser proclamado independente.[69] Com a constituição de 1833 foram estabelecidas eleições livres.[130] O governo, porém, aprovou uma lei cujas exigências eram as propriedades dos eleitores e a sua alfabetização.[69] O resultado da lei era a falta de direito do povo ao voto até a abolição do fato de o governo exigir propriedade, em 1874.[69] Em 1920, houve a união dos partidos políticos onde eram incluídos como membros agricultores e operários.[69] Os agricultores e operários venceram a maioria dos votos válidos das eleições naquele ano e mantiveram sua força política.[69] Durante quase todo o século XX o Chile elegeu governos civis.[131] [69] Em 1970, o Chile foi o primeiro país do hemisfério ocidental que elegeu, por livre e espontânea vontade, um presidente que tinha o marxismo como ideologia política.[132] Em 1973, pela primeira vez em aproximadamente 45 anos, houve a subida dos líderes militares ao poder no Chile.[132] [69]

Durante os primeiros tempos da história da república no México, os líderes militares lutaram violentamente pelo poder.[69] Foi a chamada Revolução Mexicana, cujo tempo de duração foi de dez anos, de 1910 a 1920, que levou a reformar muitas coisas do país, inclusive a de um programa do governo que redistribuía terras.[133] A partir de 1934, a estabilidade dos governos já promove o fato de o país progredir, realizando melhorias nas condições da sociedade e da economia.[69]

Ditaduras têm tido muita frequência em repúblicas centro-americanas, exceto Costa Rica, que, há muitos anos, seu governo tem estabilidade e constitucionalidade.[69]

Nas Antilhas, a forma de governo de Cuba é uma república comunista,[134] e, no Haiti, a política tem violência e lutas assinaladas com pontos.[69] Na República Dominicana, o governo ditatorial do general Rafael Trujillo Molina foi entre 1930 e 1961, ano em que ocorreu seu assassinato.[135] Nos locais onde não há voto popular em seus representantes por meio de eleições livres, o governo muda muito, geralmente, pela força.[69] Na maioria dos países da América Latina, é determinado pelas forças armadas, de maneira frequente, aquele que será o governante de seus países.[69] Isto já ocorreu na maioria das nações, incluindo a Bolívia, o Equador, Honduras, o Paraguai, o Peru, a Argentina e a Venezuela.[69]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Simón Bolivar compreendeu a importância de se reunirem representantes das Américas.[136] Em 1826, convocou uma conferência que visava reunir todas as novas repúblicas latino-americanas sob um só governo.[136] Mas as nações não concordaram.[136] Por mais de 60 anos, certas desconfianças nacionalistas impediram que as repúblicas tomassem qualquer medida para uma cooperação internacional.[75]

Assembleia-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) em 2005.

Finalmente, em 1890, os Estados Unidos e as repúblicas latino-americanas formaram a União Internacional das Repúblicas Americanas.[137] Esta organização criou o Escritório Comercial das Repúblicas Americanas, que, em 1910, teve seu nome mudado para União Pan-Americana.[138] O propósito da União Pan-Americana era estreitar as relações econômicas, culturais e políticas entre os países participantes.[75] No início do século XX, foram realizadas várias reuniões.[75] Em 1933, em Montevidéu, no Uruguai, os países-membros comprometeram-se a não interferir nos assuntos internos uns dos outros.[139] Em 1936, em Buenos Aires, na Argentina, comprometeram-se a manter a paz no hemisfério ocidental.[75]

Durante a Segunda Guerra Mundial, as repúblicas latino-americanas fixaram uma posição comum contra a Alemanha, a Itália e o Japão.[75] Em 1947, o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, ou Tratado do Rio de Janeiro, declarava que os Estados Unidos, e 19 países latino-americanos resolveriam seus problemas pacificamente e que a agressão armada contra um deles seria considerada como agressão contra todos eles.[140] Apenas a Nicarágua foi excluída, porque a maioria das outras nações não reconhecia o seu governo.[75]

A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi criada na nona Conferencia Pan-Americana, realizada em Bogotá, na Colômbia, em 1948.[137] Iniciaimente era constituída por 20 repúblicas latino-americanas e os Estados Unidos.[137] Em 1962, Cuba, por ter um govemo comunista, foi expulsa.[141] Neste mesmo ano, os países da OEA, apoiaram o bloqueio dos Estados Unidos para impedir o desembarque de mísseis russos em Cuba.[75] [142] [143] Em 1964, a OEA serviu de mediador na polêmica entre Estados Unidos e Panamá sobre as condições na Zona do Canal do Panamá.[144] A OEA procura encontrar soluções pacíficas para todos os problemas surgidos entre seus membros, além de defender os princípios de justiça social, cooperação econômica e igualdade entre os homens, independente de raça, nacionalidade ou credo.[142] Em 1970, a União Pan-Americana passou a chamar-se Secretariado Geral da OEA.[142]

Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

O presidente John F. Kennedy com a primeira dama Jacqueline Kennedy, em La Morita na Venezuela em 16 de dezembro de 1961. Esta foi a primeira visita de um presidente estadunidense àquele país. Nesta ocasião os presidentes Kennedy e Rómulo Betancourt firmaram o acordo da Aliança para o Progresso.

Os Estados Unidos tomaram sua primeira posição importante nos assuntos relacionados com o hemisfério ocidental quando formularam a Doutrina Monroe, em 1823.[145] A Doutrina Monroe colocava as nações latino-americanas sob a proteção dos Estados Unidos.[142] Durante muitos anos, a doutrina causou ressentimentos na América Latina.[142]

Este ressentimento diminuiu um pouco na Conferência Pan-Americana de 1933.[146] Todas as nações assinaram um pacto comprometendo-se a respeitar a Política da Boa Vizinhança apresentada por Franklin Delano Roosevelt.[146] Era um tratado de não-interferência que também previa um programa de intercâmbio de professores, estudantes, líderes culturais, conferencistas e tecnocratas.[142] Os Estados Unidos enviaram vários profissionais das áreas tecnológicas à América Latina para ajudá-la a desenvolver seus sistemas de agricultura, indústria e educação, e a melhorar os serviços de saúde.[142]

Em 3 de março de 1961, o presidente John F. Kennedy, dos Estados Unidos, lançou a ideia de um programa de cooperação multilateral destinado a acelerar o desenvolvimento econômico, cultural e social da América Latina.[147] No dia 17 de agosto do mesmo ano, as nações latino-americanas aprovaram a iniciativa do presidente Kennedy e deram-lhe o nome de Aliança para o Progresso. A Aliança foi aprovada em reunião realizada em Punta del Este, no Uruguai. O programa inicial da Aliança para o Progresso, previsto para dez anos (1961-1971) contava com um empréstimo de 20 bilhões de dólares dos Estados Unidos aos países da América Latina.[148] Este empréstimo deveria ser utilizado principalmente em cinco áreas:[142] [147] incentivo aos programas de reforma agrária;[147] construção de habitações populares mas de boa qualidade;[147] redução da mortalidade infantil;[147] distribuição equitativa da renda nacional;[147] erradicação do analfabetismo.[147] Por volta de 1970, muitos países latino-americanos já haviam iniciado seus programas de reformas econômicas e sociais, mas pouco havia sido feito para melhorar os níveis de vida.[142]

Outros países[editar | editar código-fonte]

As relações do Reino Unido com a América Latina foram quase que exclusivamente comerciais.[142] Houve disputas de menor importância com alguns países latino-americanos,[142] mas nunca a Grã-Bretanha tentou estender suas possessões além de Belize, da Guiana Inglesa (hoje Guiana independente), das ilhas Falkland, e de algumas ilhas das Antilhas.[149] Os ingleses investiram somas vultosas na América Latina em fábricas de enlatados, utilidades públicas e estradas de ferro, no século XIX e início do século XX.[142]

As relações com a França foram, principalmente, de caráter cultural.[150] Alguns latino-americanos, em especial os argentinos, buscavam em Paris inspiração para sua arte.[142] Mas a França pouco participou da vida política das repúblicas, exceto por um breve espaço de tempo, na década de 1860.[142] Naquela ocasião, Napoleão III enviou um exército ao México e fez de Maximiliano imperador do México. Entre 1864 e 1867, os mexicanos derrotaram os franceses e executaram Maximiliano.[151] [142]

Na Primeira Guerra Mundial, Brasil, Costa Rica, Cuba, Guatemala, Haiti, Honduras, Nicarágua e Panamá, declararam guerra à Alemanha.[152] Apenas o Brasil, porém, enviou um contingente de tropas para a frente de batalha.[153] Três outros países cortaram relações diplomáticas com a Alemanha, mas a Argentina e outras oito nações permaneceram neutras.[154] Após a guerra, a maioria dos países latino-americanos ingressou na Liga das Nações.[155] [142]

Na Segunda Guerra Mundial, os latino-americanos recrutaram soldados para dar apoio aos Estados Unidos depois que o Japão atacou a base norte-americana de Pearl Harbor, Havaí, em dezembro de 1941.[156] [157] Todos declararam guerra às forças do Eixo, embora somente Brasil e México tenham fornecido tropas aos Aliados.[158] Os países latino-americanos tomaram-se membros das Nações Unidas.[159] Formam um dos grupos mais fortes na Assembleia Geral das Nações Unidas.[142]

Economia[editar | editar código-fonte]

A maior ou menor presença de população ativa no setor primário é um dos elementos que caracterizam o grau de desenvolvimento de uma região. Considerando que a América Latina reúne países em desenvolvimento (a exceção é o Haiti, o único país da região considerado subdesenvolvido), é natural que grande parte da população ocupa o setor primário. Somente alguns países apresentam significativas parcelas da população economicamente ativa no setor secundário. Mas, é o setor terciário que mais tem crescido em quase todos os países latino-americanos.[160]

Extrativismo e agropecuária[editar | editar código-fonte]

Plataforma da empresa petroleira mexicana PEMEX no Golfo do México.

A caça, como base econômica de sobrevivência, é praticada na América somente por esparsos grupos indígenas em via de integração. A pesca, além de atividade econômica de valor regional para todos os países que apresentam extensões litorâneas, tem especial importância para o Peru,[161] maior exportador de pescado da América Latina,[162] embora o Chile seja o maior produtor.[163]

O extrativismo vegetal aparece sempre como atividade complementar da agricultura e da pecuária, merecendo destaque a extração do látex da seringueira, em toda a Floresta Amazônica (Brasil, Colômbia, Peru e Bolívia); do quebracho, no Pantanal (Argentina,[164] Paraguai[165] e Brasil); de madeira, em quase toda a América Central, Brasil[166] e Chile;[167] e ainda de babaçu e carnaúba, no Brasil.[168]

O extrativismo mineral tem considerável importância em praticamente todos os países latino-americanos, ainda que muitas vezes a exploração seja realizada graças a capitais estrangeiros. Na extração do petróleo, possuem grande destaque México,[169] Venezuela,[170] Brasil,[171] Argentina,[172] Colômbia[173] e Equador.[174]

O Brasil é o segundo produtor mundial de ferro;[175] o Chile,[176] o Peru,[177] sendo o Chile o maior produtor do mundo;[178] o Brasil é um dos cinco maiores produtores mundiais de manganês,[179] além de grande produtor de estanho, minério do qual a Bolívia é grande exportadora.[180]

A América Latina destaca-se ainda por sua produção de chumbo (Peru[181] e México[182] ), níquel (Cuba[183] ), prata (México[184] e Peru[185] ), zinco (Peru[185] ), bauxita (Brasil[186] e Venezuela[187] ) e platina (Colômbia[188] ).

A América Latina, que inclui essencialmente países subdesenvolvidos, de maneira geral é pouco industrializada, ficando sua economia subordinada à agropecuária e à mineração. Mesmo com essa dependência agrícola, a maior parte de suas terras é cultivada de forma extensiva e possui um reduzido PIB per capita.[189] Em muitos países, a atividade agrícola ainda se desenvolve segundo os moldes do período colonial: grandes propriedades, pertencentes a poucas famílias, cuja produção se destina quase integralmente ao mercado externo. Devido principalmente à concentração das terras mais férteis nas mãos de poucos proprietários e ao grande número de agricultores sem terras para cultivar,[189] [190] surgiram nessas áreas muitos conflitos fundiários,[190] o que originou projetos de reforma agrária que visam à distribuição mais igualitária da terra,[190] em países como México,[191] Bolívia,[192] Chile,[193] Peru[194] e Cuba.[195]

Chuquicamata, a maior mina a céu aberto do mundo, próxima a cidade de Calama, no Chile.
Colheitadeira em uma plantação de arroz em Santa Catarina. O Brasil é o terceiro maior exportador de produtos agrícolas do mundo.[196]

Em todos os países da América Latina é possível identificar basicamente dois tipos de agricultura: a de subsistência,[197] praticada com o uso de técnicas primitivas, e a de caráter comercial, em geral monoculturas realizadas em grandes extensões de terra e, com freqüência, dependentes de investimentos estrangeiros. Como exemplos característicos desse sistema, podemos citar o café,[198] responsável por uma parte substancial das rendas de exportação da Colômbia,[199] Costa Rica,[200] Guatemala[201] e El Salvador,[202] e a banana, com igual importância para o Panamá[203] e Honduras,[204] além de outros produtos de menor expressão.[190]

A pecuária, atividade de grande destaque na América Latina,[197] é praticada em todos os países, ainda que de formas diferentes. A pecuária extensiva é realizada em grandes propriedades e sem o emprego de técnicas especiais; já na intensiva, utilizam-se técnicas de seleção do plantio, isto é, animais de boa raça, e cultivam-se pastagens.[190] Os rebanhos mais numerosos na América latina, pela ordem, são os de bovinos, suínos e ovinos. Brasil, Argentina e México são os países que possuem a maior quantidade de cabeças de gado.[190]

Significativa parte do desenvolvimento da agropecuária de alguns países, especialmente Brasil, Argentina e Uruguai, deve-se às cooperativas agropecuárias desses países, organizadas a partir do início do Século XX.[205] Hoje elas detém sigifica parcela da economia agropecuária e são responsáveis pela organização da produção, pela armazenagem, processamento e comercialização de muitos produtos, especialmente leite, suínos, aves, soja, milho, trigo, arroz e algodão, entre outros.[205] As cooperativas voltadas à produção de grãos, a partir da década de 1970, passaram a investir no processamento da produção, inicialmente no esmagamento da soja para produção de óleo degomado, depois no seu refino e, mais tarde, na produção de produtos destinados ao varejo, como óleo comestível, margarinas, maioneses e outros.[205] As cooperativas também investiram pesadamente na organização da produção de aves e suínos, no seu processamento e comercialização nos mercados interno e externo.[205]

A consequência dessa atuação foi a ampliação da produção, o enriquecimento das comunidades do interior e a agregação de valor à produção.[205] O mais importante de tudo, no entanto, é que essa atuação das cooperativas propiciou a contínua e crescente libertação dos agricultores associados do jugo da intermediação na comercialização da produção.[205] Embora o sistema cooperativista tenha vivenciado, também, crises de várias cooperativas em vários estados, por razões as mais diversas, os benefícios das cooperativas sobrevivente são infinitamente maiores do que os problemas que atravessaram.[205] No Brasil, as cooperativas agropecuárias estão mais presentes nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás, que são as principais regiões agrícolas.[205]

Indústria e comércio[editar | editar código-fonte]

São Paulo, Brasil, um dos maiores e mais ricos centros urbanos da região.
Sanhattan, o centro financeiro de Santiago, no Chile. Em destaque, o edifício Gran Torre Santiago em construção, o arranha-céu mais alto da América Latina.[206]

Na América Latina, são apenas três países que se destacam pela produção industrial: Brasil,[207] Argentina,[208] México[209] e, em menor escala o Chile.[210] Iniciada tardiamente, a industrialização desses países tomou grande impulso a partir da Segunda Guerra Mundial:[211] esta impediu os países em guerra de comprar os produtos que estavam habituados a importar e de exportar o que produziam.[212]

Nessa época, beneficiando-se das abundantes matérias-primas locais, dos baixos salários pagos à mão-de-obra e de uma certa especialização trazida pelos imigrantes, países como Brasil,[207] México[209] e Argentina,[208] além de Venezuela,[213] Chile,[210] Colômbia[214] e Peru,[215] puderam implantar expressivos parques industriais.[212] De maneira geral, nesses países sobressaem indústrias que exigem pouco capital e tecnologia simples para sua instalação, como as indústrias de beneficiamento de produtos alimentícios e têxteis.[212] Destacam-se também as indústrias de base (siderúrgicas, etc.), além das metalúrgicas e mecânicas.[212]

Os parques industriais brasileiro, mexicano, argentino e chileno apresentam, contudo, uma diversidade e sofisticação muito maiores, produzindo artigos de avançada tecnologia.[212] Nos demais países latino-americanos, principalmente da América Central, predominam indústrias de beneficiamento de produtos primários para exportação.[212]

A porcentagem de população ativa empregada no setor terciário depende bastante do nível de desenvolvimento de cada país. É maior nas nações latinas mais industrializadas - Brasil,[216] Argentina,[172] Colômbia[217] e México[218] -, reduzindo-se nos demais países.[212] Assim, a atividade comercial, que é a mais importante desse setor, apresenta pesos diferentes conforme o país, ainda que constitua uma importante fonte de recursos.[212]

As exportações da maior parte dos países da América Latina ainda se apóiam em produtos naturais, cujos preços no mercado internacional oscilam muito, não representando grande aumento de divisas. Um dos fatores que criam sérias dificuldades ao desenvolvimento econômico e à integração social da América Latina é a relativa carência de vias de transporte em boas condições de uso.[212]

O Canal do Panamá, na República do Panamá, é uma importante rota comercial entre o Atlântico e o Pacífico. Na imagem, um Panamax na eclusa de Miraflores.

As dificuldades impostas pelo relevo; a tropicalidade dominante do clima, caracterizada por chuvas freqüentes; o predomínio de rios de planalto, dificultando a navegação; e a densidade da vegetação, quase intransponível em certos trechos, são fatores naturais que têm de ser vencidos. Mas é principalmente a ausência de recursos financeiros para a construção de modernos portos, grandes rodovias, comportas fluviais ou aeroportos modernos, que impede que essa parte do continente apresente uma densa malha de circulação.[212]

Entre os países latino-americanos, os mais industrializados são, naturalmente, os mais bem servidos nessa área, ainda que em todos eles haja grandes deficiências quanto aos meios de transporte.[212]

Na região mais densamente povoada da América do Sul e servida pela bacia dos rios Paraná, Paraguai e Uruguai (bacia Platina) vem sendo desenvolvida uma hidrovia que fará a interligação fluvial entre os quatro países do sudeste do continente.[212]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A literatura latino-americana inclui as obras de escritores dos países americanos de língua espanhola e do Brasil. .[219]

Cortázar.jpg
Vargas Llosa Madrid 2012.jpg
Gabriel Garcia Marquez 1984.jpg
Julio Cortázar (Argentina), Mario Vargas Llosa (Peru) e Gabriel García Márquez (Colômbia), três escritores sul-americanos relacionados ao movimento literário conhecido como "Boom Latino-americano", sendo dois deles (Llosa e Márquez) ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura.

A maioria dos compositores latino-americanos copiou o estilo musical europeu até o final do século XIX, quando criaram seu próprio estilo. O compositor brasileiro Antônio Carlos Gomes (1839-1896) usou temas indígenas em sua ópera O Guarani. O mesmo fizeram, posteriormente, outros compositores, inclusive o chileno Carlos Lavín, o peruano Daniel Alomías Robles (1871-1942), e o guatemalteco Jesús Castillo (1877-1946).[219]

Na Bolívia, Equador, México, Peru e outros países latino-americanos parte da música mais característica vem diretamente dos índios. Parte da música latino-americana também mistura tristes melodias indígenas com alegres canções espanholas. O resultado é chamado música mestiça. Portugueses, índios e negros influenciaram a música no Brasil. No Caribe, a música negra e espanhola misturou-se para produzir a rumba e outras músicas típicas.[219]

O público de todo o mundo aprecia a música de compositores latino-americanos de destaque, como o brasileiro Heitor Villa-Lobos (1887-1959) e o mexicano Carlos Chávez (1899-1978). Entre outros compositores importantes destacam-se: Alberto Williams (1862-1952), da Argentina, Enrique Soro (1884-1954) e Domingo Santa Cruz Wilson (1899-1987), do Chile, Manuel Ponce (1882-1948), do México, e Eduardo Fabini, do Uruguai. Os pianistas Guiomar Novaes (1895-1979), do Brasil, Claudio Arrau (1903-1991), do Chile, e a cantora de ópera Bidu Sayão (1902-1999), do Brasil, também atingiram fama internacional.[219]

Muitas canções folclóricas latino-americanas servem tanto para cantar como para dançar. A América Latina tem muitas danças alegres e pitorescas, além dos famosos tango, rumba e samba. Uma delas é o pericón, da Argentina e Uruguai, em que diversos pares dançam em círculo. Há também o maxixe, a ciranda, o frevo, o coco e outras do Brasil. Durante o carnaval, os latino-americanos freqüentemente constroem tablados para dançar nos jardins e praças públicas, além de isolarem certas ruas com cordas, com a mesma finalidade. Esta forma de expressão é uma parte importante da vida na América Latina. Os índios e negros que vivem no interior têm suas próprias danças que, quase sempre, são de caráter religioso. As danças formam uma parte importante dos festejos dos feriados.[219]

Belas artes[editar | editar código-fonte]

Palácio da Alvorada, em Brasília, obra do famoso arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer.

Os espanhóis incentivaram a arte logo após a conquista da América Latina. Abriram uma escola de arte na Cidade do México, em 1530 e, logo após, uma outra em Quito, no Equador. Durante o período colonial, os artistas geralmente pintavam quadros sobre temas religiosos. Depois que as nações latino-americanas tornaram-se independentes, muitos artistas foram para a Europa aperfeiçoar seus estudos. Até meados do século XX, perdurou uma fase de imitação dos estilos europeus. Foi então que os artistas latino-americanos voltaram-se para temas americanos e criaram seus próprios estilos.[220]

O pintor argentino Prilidiano Pueyrredón (1823-1870) tomou-se famoso pelos quadros que retratavam a vida dos gaúchos. Os murais revolucionários de Diego Rivera (1886-1957), José Clemente Orozco (1883-1949), e David Alfaro Siqueiros (1898-1974) expressam a história do México e a luta da humanidade pela liberdade. Camilo Blas (1903-1985) e Júlia Codesido (1892-1979) pintam cenas peruanas. Um importante grupo do Haiti baseia seus trabalhos no folclore e na vida diária dos negros.[220]

O artista brasileiro Cândido Portinari (1903-1962) pintava cenas que retratam o brasileiro comum, o povo. Há um mural de sua autoria no edifício da Organização das Nações Unidas, em Nova Iorque.[220] Muitos índios da América Latina eram excelentes escultores muito antes que os brancos chegassem ao hemisfério ocidental. Painéis esculpidos na pedra e imensas colunas com formas de serpentes ou de figuras humanas decoram antigas edificações índias, em muitas partes da América Latina. Os trabalhos mais importantes do período colonial foram as esculturas em pedra e as imagens religiosas esculpidas em madeira e pintadas em dourado, que eram usadas para decorar as igrejas. O escultor e arquiteto brasileiro Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), que tinha a alcunha de "O Aleijadinho", foi o criador de excelentes esculturas durante este período. Atualmente, o trabalho da escultora boliviana Marina Núñez del Prado (1910-1995) está entre o que há de melhor na América Latina.[220]

Ainda existem, na América Latina, edificações erguidas por arquitetos índios centenas de anos antes da conquista europeia. Os astecas, toltecas e maias construíram grandes templos de pedra no topo de enormes pirâmides no México e na América Central. Os incas eram excelentes construtores. Suas edificações na Améríca do Sul são tão resistentes que até hoje mantêm-se firmes, suportando violentos terremotos que causam graves danos a edifícios modernos. As igrejas e catedrais, geralmente construídas no trabalhado estilo espanhol dos séculos XVII e XVIII, representam a arquitetura mais importante do período colonial da América Latina, O brasileiro Oscar Niemeyer (1907-2012) projetou muitos edifícios notáveis, no Brasil, desde 1937. Foi o principal arquiteto-projetista das edificações de Brasília.[220] Muito antes da chegada de Cristóvão Colombo à América, os índios da América Latina já eram excelentes artesãos em barro, metal e tecelagem. Ainda fazem coloridas peças de cerâmica e artigos tecidos à mão, além de peças em cobre, prata e estanho.[220]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Continentes e regiões[editar | editar código-fonte]

História[editar | editar código-fonte]

Economia[editar | editar código-fonte]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Miscelânea[editar | editar código-fonte]

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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