Banco Mundial

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Banco Mundial
Sede do Banco Mundial em Washington DC, Estados Unidos.
Fundação 27 de dezembro de 1944
Tipo Organização internacional
Sede Washington, D.C.,  Estados Unidos
Membros 186 países
Presidente Estados Unidos-Coreia do Sul Jim Yong Kim
Sítio oficial www.worldbank.org

O Banco Mundial é uma instituição financeira internacional que fornece empréstimos para países em desenvolvimento em programas de capital.

O Banco é composto por duas instituições: Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) e Associação Internacional de Desenvolvimento (AID). O Banco Mundial abrange estas duas e mais três: Sociedade Financeira Internacional (SFI), Agência Multilateral de Garantia de Investimentos (MIGA) e Centro Internacional para Arbitragem de Disputas sobre Investimentos (CIADI).[1]

História[editar | editar código-fonte]

John Maynard Keynes (à direita) representou o Reino Unido na conferência e Harry Dexter White (à esquerda) representou os Estados Unidos.

O Banco Mundial começou a partir da criação do Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento(BIRD) nas Conferências de Bretton Woods, em 1945, junto com o Fundo Monetário Internacional(FMI) e o Acordo Geral de Tarifas e Comércio(GATT). Por costume, a presidência das duas instituições é dividida entre a Europa e os Estados Unidos, sendo o Banco Mundial presidido por um norte-americano, enquanto o FMI é presidido por um europeu.

Logo após a Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos e o Reino Unido dominaram as negociações nas Conferências de Bretton Woods.[2]

A missão inicial do Banco Mundial, até então somente o BIRD, foi de financiar a reconstrução dos países devastados pela Segunda Guerra Mundial. Com o tempo a missão evoluiu para a de financiamento do desenvolvimento dos países mais pobres e de auxílio financeiro.

1945–1968[editar | editar código-fonte]

Desde a sua criação até 1967, o banco concedeu um nível de empréstimos relativamente baixos. Conservadorismo fiscal e uma rigorosa seleção dos pedidos de empréstimos eram comuns. Os funcionários do Banco tentaram equilibrar as prioridades de conceder empréstimos para a reconstrução de desenvolvimento, com a necessidade de gerar confiança no Banco.[3]

O presidente do Banco, John McCloy, escolheu a França como o primeiro receptor de ajuda proveniente do BIRD; outros dois pedidos da Polônia e do Chile foram recusados. O empréstimo foi no valor de 250 milhões de dólares, metade do valor pedido, e chegou sob condições restritivas. Técnicos do Banco Mundial monitoraram o uso dos fundos, assegurando que o governo francês apresentaria um orçamento equilibrado e que daria prioridade ao pagamento da dívida ao Banco sobre a com outros países. O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse ao governo de França que teria de retirar os membros comunistas presentes no gabinete francês. O governo francês aceitou a condição dos norte-americanos e removeu os Comunistas da coalizão de governo. Horas mais tarde foi aprovado o empréstimo.[4]

O Plano Marshall de 1947 fez com os empréstimos se alterassem à medida que vários países europeus recebiam ajuda direta que competia com os empréstimos do Banco Mundial. O foco virou-se então para os países não-europeus e, até 1968, os empréstimos eram destinados a projetos que permitissem a um país devedor conseguir pagar o respectivo empréstimo (são exemplos projetos de portos, auto-estradas e usinas de energia).

1968–1980[editar | editar código-fonte]

Entre 1968 e 1980, o Banco preocupou-se em ir ao encontro das necessidades básicas das populações dos países em desenvolvimento. O número e o montante dos empréstimos aumentou consideravelmente à medida que os respectivos objetivos se expandiram das infraestruturas para os serviços sociais e outros setores.[carece de fontes?]

Estas mudanças podem ser atribuídas a Robert McNamara, que foi nomeado para a presidência em 1968 por Lyndon B. Johnson.[5] McNamara importou o estilo tecnocrático de gestão para Banco, que tinha usado enquanto Secretário de Defesa dos Estado Unidos e Presidente da Ford Motor Company.[6] McNamara virou as políticas do Banco em direção a medidas tais como a construção de escolas e hospitais, o melhoramento da alfabetização e para uma reforma agrícola. McNamara criou um novo sistema de recolha de informação sobre os potenciais candidatos a empréstimo, permitindo ao Banco processar os pedidos mais rapidamente. Para financiar mais empréstimos, McNamara disse ao tesoureiro do Banco, Eugene Rotberg, para procurar novas fontes de capital fora dos bancos do norte dos Estados Unidos, que até então tinham sido a fonte primária de financiamento do banco. Rotberg usou o mercado de título a nível global para aumentar o capital disponível.[7] Uma consequência do período de concessão de empréstimos para redução da pobreza foi a rápida ascensão da dívida do terceiro mundo. Entre 1976 e 1980, a dívida dos países em desenvolvimento cresceu a uma taxa média de 20% ao ano.[8] [9]

Em 1980, foi estabelecido o Tribunal Administrativo do Banco Mundial para tomar decisões sobre disputas entre o Grupo do Banco Mundial e os seus funcionários, tendo sido feitas alegações de não cumprimento de contratos de trabalho ou termos de nomeação que não foram honrados.[10]

1980–1989[editar | editar código-fonte]

Em 1980, A.W. Clausen substituiu McNamara depois de ter sido indicado pelo Presidente americano Jimmy Carter. Clausen substituiu um grande número de técnicos da era McNamara e instituiu um novo foco ideológico no Banco. A substituição do Economista Chefe, Hollis Chenery, por Anne Krueger, em 1982, marcou uma notável mudança das políticas do Banco. Krueger era conhecida pelo ser um crítica do financiamento do desenvolvimento e de governos de países do terceiro mundo dependentes.

Os empréstimos aos países em desenvolvimento marcaram os anos 80. Políticas de ajuste estrutural que visam a racionalização das economias de nações em desenvolvimento foram também grandes bandeiras do Banco Mundial neste período. A UNICEF informou que no final dos anos 80 os programas de ajuste estrutural do Banco Mundial eram responsáveis pelos "níveis reduzidos de saúde, nutrição e educação para dez milhões de crianças na Ásia, na América Latina e na África".[11]

1989–presente[editar | editar código-fonte]

A partir de 1989, a política do Banco Mundial mudou face às críticas vindas de vários grupos. Grupos ambientais e ONGs foram incluídos no financiamento do Banco de forma a mitigar efeitos do passado que desperta tão fortes críticas.[12]

The World Bank headquarters in Washington, D.C.

Membros[editar | editar código-fonte]

O Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD) possui 188 países membros, enquanto a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA) tem 172 membros.[13] Cada Estado membro do BIRD deve ser também um membro do Fundo Monetário Internacional (FMI) sendo que somente os membros do BIRD estão autorizados a juntar-se a outras instituições dentro do Banco (como a IDA).[14]

Poder de voto[editar | editar código-fonte]

Em 2010, o poder de voto no Banco Mundial foi revisto para aumentar a voz dos países em desenvolvimento, especialmente a China. Os países com maior poder de voto são, no momento, os Estados Unidos (15,85%), Japão (6,84%), China (4,42%), Alemanha (4,00%), o Reino Unido (3,75%), França (3,75%), e Índia (2,91%). De acordo com as mudanças, conhecidas como 'Reforma da Voz - Fase 2', outros países que tiveram ganhos significativos incluíram Coreia do Sul, Turquia, México, Singapura, Grécia, Brasil, Índia e Espanha. O poder de voto da maioria dos países desenvolvidos foi reduzido, enquanto os países como Nigéria, Estados Unidos, Rússia e Arábia Saudita não tiveram seu poder de voto alterado.[15] [16]

As mudanças foram trazidas com o objetivo de tornar o voto mais universal no que diz respeito às normas, baseadas em regras com indicadores objetivos e transparentes, entre outras coisas. Além disso, o poder de voto é baseado na dimensão econômica para além das contribuições da Associação Internacional de Desenvolvimento.[17]

Estratégias de redução da pobreza[editar | editar código-fonte]

Para os mais pobres países em desenvolvimento do mundo, os planos de assistência do Banco são baseados em estratégias de redução da pobreza, combinando uma mistura de grupos locais com uma extensa análise da situação financeira e econômica do país. O Banco Mundial desenvolve uma estratégia exclusivamente para o país em questão. O governo então identifica as prioridades do país e as metas para a redução da pobreza, enquanto o Banco Mundial alinha os seus esforços de ajuda.

Quarenta e cinco países se comprometeram a destinar 25,1 bilhões de dólares em "ajuda para os países mais pobres do mundo", ajuda que vai para a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), do Banco Mundial, que distribui os empréstimos a oitenta países pobres. Enquanto as nações mais ricas, por vezes, financiam seus projetos de ajuda próprios, incluindo aqueles para doenças, e embora a IDA é alvo de muitas críticas, Robert B. Zoellick, presidente do Banco Mundial, disse que quando os empréstimos foram anunciados em 15 de dezembro de 2007, o dinheiro da IDA "é o financiamento de base do qual os mais pobres países em desenvolvimento dependem".[18]

Iniciativa do ar limpo[editar | editar código-fonte]

Clean Air Initiative (CAI)[19] é uma iniciativa do Banco Mundial para promover formas inovadoras para melhorar a qualidade do ar nas cidades através de parcerias em regiões selecionadas do mundo através da partilha de conhecimentos e experiências. Ele inclui veículos elétricos.

Grupo Banco Mundial[editar | editar código-fonte]

Deve-se saber distinguir o Banco Mundial do Grupo Banco Mundial. O Banco Mundial propriamente dito é composto pelo BIRD e pela AID, que são duas das cinco instituições que compõem o Grupo Banco Mundial.

As cinco instituições estão estreitamente relacionadas e funcionam sob uma única presidência. São elas:

O BIRD proporciona empréstimos e assistência para o desenvolvimento a países de rendas médias com bons antecedentes de crédito. O poder de voto de cada país-membro está vinculado às suas subscrições de capital, que por sua vez estão baseadas no poder econômico relativo de cada país. O BIRD levanta grande parte dos seus fundos através da venda de títulos nos mercados internacionais de capital. Juntos, o BIRD e a AID formam o Banco Mundial.

Desempenha um papel importante na missão do Banco que é a redução da pobreza. A assistência da AID concentra-se nos países mais pobres, aos quais proporciona empréstimos sem juros e outros serviços. A AID depende das contribuições dos seus países membros mais ricos - inclusive alguns países em desenvolvimento - para levantar a maior parte dos seus recursos financeiros.

A IFC promove o crescimento no mundo em desenvolvimento mediante o financiamento de investimentos do setor privado e a prestação de assistência técnica e de assessoramento aos governos e empresas. Em parceria com investidores privados, a IFC proporciona tanto empréstimos quanto participação acionária em negócios nos países em desenvolvimento.

AMGI ajuda a estimular investimentos estrangeiros nos países em desenvolvimento por meio de garantias a investidores estrangeiros contra prejuízos causados por riscos não comerciais. A AMGI também proporciona assistência técnica para ajudar os países a divulgarem informações sobre oportunidades de investimento.

O CIADI proporciona instalações para a resolução- mediante conciliação ou arbitragem - de disputas referentes a investimentos entre investidores estrangeiros e os seus países anfitriões.

Presidência[editar | editar código-fonte]

Poder de voto
no Banco Mundial
Estado membro Percentagem
 Estados Unidos 16,39%
 Japão 7,86%
 Alemanha 4,49%
 França 4,30%
 Reino Unido 4,30%
 Brasil 2,24%[20]
Outros 62,66%

O presidente do Banco Mundial é tradicionalmente um cidadão dos EUA, enquanto que o presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI) é tradicionalmente um europeu, com exceção da cidadã estado-unidense Anne Krueger, que manteve o posto no FMI até que um novo diretor fosse nomeado. Excepcionalmente em primeiro de julho de 2012 assumirá o sul coreano Jim Yong Kim.[21] A nominação do presidente do Banco Mundial pelo governo dos Estados Unidos não é passível de discussão, e sua aceitação pelos europeus ou outros países membros não é requerida.

Presidentes do Banco Mundial[editar | editar código-fonte]

Nome Datas Nacionalidade Área
Eugene Meyer 1946–1946 Estados Unidos Editor de Jornal
John J. McCloy 1947–1949 Estados Unidos Advogado e Secretário Assistente da Guerra dos Estados Unidos
Eugene R. Black, Sr. 1949–1963 Estados Unidos Executivo no Chase Manhattan Bank e director executivo no Banco Mundial
George Woods 1963–1968 Estados Unidos Executivo na First Boston Corporation
Robert McNamara 1968–1981 Estados Unidos Secretário da Defesa dos Estados Unidos e executivo na Ford Motor Company
Alden W. Clausen 1981–1986 Estados Unidos Advogado, executivo no Bank of America
Barber Conable 1986–1991 Estados Unidos Senador do Estado de Nova Iorque e Congressista
Lewis T. Preston 1991–1995 Estados Unidos Executivo bancário com J.P. Morgan
Sir James Wolfensohn 1995–2005 Estados Unidos
Austrália[note 1]
Advogado corporativo e banqueiro
Paul Wolfowitz 2005–2007 Estados Unidos Vários cargos governamentais; Embaixador do Estados Unidos na Indonésia, Vice-secretário da Defesa do Estados Unidos
Robert Zoellick 2007–2012 Estados Unidos Executivo no Goldman Sachs, Vice-secretário da Defesa e Representante para o Comércio do Estados Unidos
Jim Yong Kim 2012–presente Estados Unidos Médico e antropólogo americano de ascendência coreana, co-fundador de Partners in Health e 17º Presidente da Faculdade de Dartmouth. Eleito a 16 de Abril de 2012.
  1. O Presidente do Banco Mundial é tradicionalmente um cidadão norte-americano. Wolfensohn era um cidadão naturalizado nos Estados Unidos antes de assumir o cargo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. About The World Bank (FAQs). World Bank. Página visitada em 2007-10-07.
  2. Goldman, Michael. Imperial Nature: The World Bank and Struggles for Social Justice in the Age of Globalization. [S.l.]: Yale University Press, 2005. 52–54 p. ISBN 9780300119749
  3. Goldman, pp. 56–60.
  4. Bird, Kai. The Chairman: John J. McCloy, the Making of the American Establishment. [S.l.]: Simon and Schuster, 1992. 288, 290–291 p. ISBN 9780671454159
  5. Goldman, pp. 60–63.
  6. Goldman, p. 62.
  7. Rotberg, Eugene. "Financial Operations of the World Bank." In Bretton Woods: Looking to the Future. ed. Bretton Woods Commission. Washington, D.C.: Bretton Woods Commission, 1994
  8. Mosley, Paul, Jane Harrigan, and John Toye. Aid and Power: The World Bank and Policy-Based Lending. London: Routledge, 1991
  9. TOUSSAINT, Éric. Your Money or Your Life! The Tyranny of Global Finance. Pluto Press, 1998
  10. About World Bank Administrative Tribunal. World Bank. Página visitada em 2011-08-14.
  11. Cornia, Giovanni Andrea. Adjustment with a Human Face. 2 vols. Oxford: Clarendon Press, 1987–1988
  12. Goldman, pp. 93–97.
  13. Members. The World Bank Group. Página visitada em 06/02/2008.
  14. Member countries. The World Bank Group. Página visitada em 06/02/2008.
  15. IBRD 2010 Voting Power Realignment (PDF). Siteresources.worldbank.org. Página visitada em 14/08/2011. "Source: World Bank Group Voice Reform: Enhancing Voice and Participation in Developing and Transition Countries in 2010 and Beyond, DC 2010-0006/1, 25 de abril de 2010"
  16. China given more influence in World Bank, RTHK, 26 de abril de 2010.
  17. Stumm, Mario (março 2011). World Bank: More responsibility for developing countries. Inwent.org. Página visitada em 12/08/2011.
  18. Landler, Mark. "Britain Overtakes U.S. as Top World Bank Donor", 15/12/2007. Página visitada em 14/08/2011.
  19. CAI Global. Cleanairnet.org. Página visitada em 31/05/2010.
  20. http://www.politicaexterna.com/10094/banco-mundial-aumenta-poder-de-voto-dos-emergentes-na-organizao
  21. http://not.economia.terra.com.br/noticias/noticia.aspx?idNoticia=201204161726_EFE_81094352

Ligações externas[editar | editar código-fonte]