Timor-Leste

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Repúblika Demokrátika Timor Lorosa'e
República Democrática de Timor-Leste
Bandeira de Timor-Leste
Brasão de armas de Timor-Leste
Bandeira Brasão de armas
Lema: Unidade, Acção e Progresso
Hino nacional: Pátria
Gentílico: timorense (ou maubere)

Localização de Timor-Leste

Localização de Timor-Leste no globo terrestre.
Capital Díli
Cidade mais populosa Díli
Língua oficial Português e tétum
Governo República parlamentarista
 - Presidente Taur Matan Ruak
 - Primeiro-ministro Xanana Gusmão
Independência de Portugal 
 - Data 28 de novembro de 1975 
 - Fim da ocupação da Indonésia 20 de maio de 2002 
Área  
 - Total 14 874 km² (154.º)
 Fronteira Indonésia
População  
 - Estimativa de 2013 1 172 390[1] hab. 
 - Censo 2010 1 066 582 hab. 
 - Urbana 27% dos hab. (153.º)
 - Densidade 75,3 hab./km² (100.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 2,234 mil milhões*[2]  
 - Per capita US$ 1 847[2]  
PIB (nominal) Estimativa de 2013
 - Total US$ 1,293 mil milhão*[2]  
 - Per capita US$ 1 103[2]  
IDH (2013) 0,620 (128.º) – médio[3]
Moeda dólar americano (USD)
Fuso horário UTC +9h
Clima equatorial
Cód. Internet .tl, .tp
Cód. telef. +670
Website governamental www.timor-leste.gov.tl

Mapa de Timor-Leste

Timor-Leste, oficialmente República Democrática de Timor-Leste, é um dos países mais jovens do mundo, e ocupa a parte oriental da ilha de Timor, no Sudeste Asiático, além do exclave de Oecusse, na costa norte da parte ocidental de Timor, da ilha de Ataúro, a norte, e do ilhéu de Jaco, ao largo da ponta leste da ilha. As únicas fronteiras terrestres que o país tem ligam-no à Indonésia, a oeste da porção principal do território, e a leste, sul e oeste de Oecusse, mas tem também fronteira marítima com a Austrália, no Mar de Timor, a sul. Com 14 874 quilómetros quadrados de extensão territorial, Timor-Leste tem superfície equivalente às áreas dos distritos portugueses de Beja e Faro somadas, o que ainda é consideravelmente menor que o menor dos estados brasileiros, Sergipe. Sua capital é Díli, situada na costa norte.

A língua mais falada em Timor-Leste era o indonésio no tempo da ocupação indonésia, sendo hoje o tétum (mais falado na capital). O tétum e o português formam as duas línguas oficiais do país, enquanto o indonésio e a língua inglesa são consideradas línguas de trabalho pela atual constituição de Timor-Leste. Geograficamente, o país enquadra-se no chamado sudeste asiático, enquanto do ponto de vista biológico aproxima-se mais das ilhas vizinhas da Melanésia, o que o colocaria na Oceania e, por conseguinte, faria dele uma nação transcontinental.

O país foi colonizado pelo Império Português no século XVI e era conhecido como Timor Português até a descolonização do país. No final de 1975, o Timor-Leste declarou sua independência, mas no final daquele ano foi invadido e ocupado pela Indonésia e foi anexado como a 27ª província do país no ano seguinte. Em 1999, após um ato de autodeterminação patrocinado pelas Nações Unidas, o governo indonésio deixou o controle do território e o Timor-Leste tornou-se o primeiro novo Estado soberano do século XXI, em 20 de maio de 2002. Após a independência, o país tornou-se membro das Nações Unidas e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Em 2011, o Timor-Leste anunciou a intenção de participar da Associação de Nações do Sudeste Asiático através da apresentação de uma carta de candidatura para se tornar o seu décimo primeiro membro do grupo.[4] É um dos dois únicos países predominantemente cristãos no sudeste da Ásia, sendo o outro as Filipinas.

O Timor-Leste tem uma renda média inferior a economia mundial,[5] sendo que 37,4% da população do país vive abaixo da linha de pobreza internacional, o que significa viver com menos de 1,25 dólar por dia,[6] e cerca de 50% da população é analfabeta.[7] O país continua a sofrer os efeitos colaterais de uma luta de décadas pela independência contra a ocupação indonésia, que danificou severamente a infraestrutura do país e matou pelo menos cem mil pessoas. O país é classificado no 128º lugar no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). No entanto, teve o sexto maior crescimento percentual do PIB no mundo em 2013.[8]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "Timor" deriva de Timur, a palavra para "leste" em indonésio e malaio, que se tornou Timor em português, como era conhecido o Timor Português. Como "leste" é a palavra Português para "leste", resultando em "Timor-Leste" (Leste-Leste). Lorosa'e (aceso "sol nascente") é a palavra para "leste", em tétum, para Timor Lorosa'e.

No formulário oficial da Organização Internacional de Normalização (ISO) é usado "Timor-Leste" (códigos: TLS & TL), que tem sido adotado pela Organização das Nações Unidas[9] e União Europeia.[10]

História[editar | editar código-fonte]

Período pré-colonial[editar | editar código-fonte]

De acordo com alguns antropólogos, um pequeno grupo de caçadores e agricultores já habitava a ilha de Timor por volta de 12 mil anos a.C. Há documentos que comprovam a existência de um comércio esporádico entre Timor e a China a partir do século VII, ainda que esse comércio se baseasse principalmente na venda de escravos, cera de abelha e sândalo, madeira nobre utilizada na fabricação de móveis de luxo e na perfumaria, que cobria praticamente toda a ilha. Por volta do século XIV, os habitantes de Timor pagavam tributo ao reino de Java. O nome Timor provém do nome dado pelos Malaios à ilha onde está situado o país, Timur, que significa "Leste".[11]

Domínio português[editar | editar código-fonte]

Brasão de Armas do Timor Português (1935–1975)[12]

O primeiro contato europeu com a ilha foi feito pelos Portugueses quando estes lá chegaram em 1512 em busca do sândalo. Durante quatro séculos, os Portugueses apenas utilizaram o território timorense para fins comerciais, explorando os recursos naturais da ilha. Díli, a capital do Timor Português, apenas nos anos 1960 começou a dispor de luz elétrica, e na década seguinte, de água, esgoto, escolas e hospitais. O resto do país, principalmente em zonas rurais, continuava atrasado.[13]

Até agosto de 1975, Portugal liderou o processo de autodeterminação de Timor-Leste, promovendo a formação de partidos políticos, tendo em vista a independência do território. Quando as forças pró-indonésias atacaram as forças portuguesas no território, estas foram obrigadas a deixar a ilha de Timor e a refugirem-se em Ataúro, quando se dá início à Guerra Civil entre a Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) e as forças da União Democrática Timorense (UDT). A FRETILIN saiu vitoriosa da guerra civil e proclamou a independência a 28 de novembro do mesmo ano, o que não foi reconhecido por Portugal.

A proclamação da independência por um partido da FRETILIN de tendência marxista levou a que a Indonésia invadisse Timor-Leste. Em 7 de dezembro, os militares indonésios desembarcavam em Díli, ocupando brevemente toda a parte oriental de Timor, apesar do repúdio da Assembleia-Geral e do Conselho de Segurança da ONU, que reconheceram Portugal como potência administradora do território.

Invasão Indonésia[editar | editar código-fonte]

A ocupação militar da Indonésia em Timor-Leste fez com que o território se tornasse a 27.ª província indonésia, chamada "Timor Timur". Uma política de genocídio resultou num longo massacre de timorenses. Centenas de aldeias foram destruídas pelos bombardeios (português brasileiro) (bombardeamentos (português europeu) do exército da Indonésia, sendo que foram utilizadas toneladas de napalm contra a resistência timorense (chamada de Falintil). O uso do produto queimou boa parte das florestas do país, limitando o refúgio dos guerrilheiros na densa vegetação local.

Entretanto, a visita do Papa João Paulo II a Timor-Leste, em outubro de 1989, foi marcada por manifestações pró-independência que foram duramente reprimidas. No dia 12 de novembro de 1991, o exército indonésio disparou sobre manifestantes que homenageavam um estudante morto pela repressão no cemitério de Santa Cruz, em Díli. Cerca de 271 pessoas foram mortas no local. Outros manifestantes foram mortos nos dias seguintes, "caçados" pelo exército da Indonésia.

A causa de Timor-Leste pela independência ganhou maior repercussão e reconhecimento mundial com a atribuição do Prêmio Nobel da Paz ao bispo Carlos Ximenes Belo e a José Ramos Horta em outubro de 1996. Em julho de 1997, o presidente sul-africano Nelson Mandela visitou o líder da FRETILIN, Xanana Gusmão, que estava na prisão. A visita fez com que aumentasse a pressão para que a independência fosse feita através de uma solução negociada. A crise na economia da Ásia no mesmo ano afetou duramente a Indonésia. O regime militar de Suharto começou a sofrer diversas pressões com manifestações cada vez mais violentas nas ruas. Tais atos levaram à demissão do general em maio de 1998.

Em 1999, os governos de Portugal e da Indonésia começaram, então, a negociar a realização de um referendo sobre a independência do território, sob a supervisão de uma missão da ONU. No mesmo período, o governo indonésio iniciou programas de desenvolvimento social, como a construção e recuperação de escolas, hospitais e estradas, para promover uma boa imagem junto aos timorenses.

Manifestação contra a ocupação indonésia de Timor-Leste, na Austrália

Desde o início dos anos 1990, uma lei indonésia aprovava milícias que "defendessem" os interesses da nação em Timor-Leste. O exército indonésio treinou e equipou diversas milícias, que serviram de ameaça contra o povo durante o referendo. Apesar das ameaças, mais de 98% da população timorense foi às urnas no dia 30 de agosto de 1999 para votar na consulta popular, e o resultado apontou que 78,5% dos timorenses queriam a independência.

As milícias, protegidas pelo exército indonésio, desencadearam uma onda de violência antes da proclamação dos resultados. Homens armados mataram nas ruas todas as pessoas suspeitas de terem votado pela independência. Milhares de pessoas foram separadas das famílias e colocadas à força em camiões (português europeu) ou caminhões (português brasileiro), cujo destino ainda hoje é desconhecido (muitas levadas a Kupang, no outro lado da ilha de Timor, pertencente a Indonésia). A população começou a fugir para as montanhas e buscar refúgio em prédios de organizações internacionais e nas igrejas. Os estrangeiros foram evacuados, deixando Timor entregue à violência dos militares e das milícias indonésios.

Em 1990, João Gil publica, no álbum Um Destes Dias, a famosa música portuguesa Timor, escrita por João Monge e várias vezes cantada por Luís Represas. Música essa que quase originou um segundo hino nacional e que, ainda hoje, faz presença nos concertos da banda.

A Organização das Nações Unidas (ONU) decide criar uma força internacional para intervir na região. Em 22 de setembro de 1999, soldados australianos sob bandeira da ONU entraram em Díli e encontraram um país totalmente incendiado e devastado. Grande parte da infraestrutura de Timor-Leste havia sido destruída e o país estava quase totalmente devastado. Xanana Gusmão, líder da resistência timorense, foi libertado logo em seguida.

Independência política[editar | editar código-fonte]

Xanana Gusmão, o primeiro presidente do país.

Em abril de 2001, os timorenses foram novamente às urnas para a escolha do novo líder do país. As eleições consagraram Xanana Gusmão como o novo presidente timorense e, em 20 de maio de 2002, Timor-Leste tornou-se totalmente independente.

Em 2005, a cantora colombiana Shakira gravou uma música-protesto intitulada de Timor. A música, escrita e composta pela cantora, fala de como a comunicação social ocidental deu importância ao caso da independência de Timor-Leste há alguns anos, e como agora essa mesma comunicação social, televisões e rádios já não se interessavam por este país.

Em 2006, após uma greve que levou a uma demissão em massa nas forças armadas leste-timorenses, um clima de tensão civil emergiu em violência no país. Em 26 de junho, o então primeiro-ministro Mari Bin Amude Alkatiri deixou o cargo, assumindo interinamente a coordenação ministerial José Ramos Horta, que, em 8 de julho, foi indicado para o cargo pelo presidente Xanana Gusmão, pondo termo ao clima vigente.

A situação permanece razoavelmente estável devido à intervenção militar vinda da Malásia, da Austrália, da Nova Zelândia e à pressão política e militar de Portugal que tenta apoiar Timor-Leste no seu desenvolvimento. José Ramos Horta era apontado pela imprensa portuguesa como um dos sucessores de Kofi Annan no cargo de secretário-geral da ONU. Ramos Horta não confirmou o seu interesse no cargo, mas também não excluiu a hipótese.

Na segunda volta das eleições de 9 de maio de 2007, Ramos-Horta foi eleito Presidente da República, em disputa com Francisco Guterres Lu Olo, sucedendo a Xanana Gusmão no cargo. A 6 de agosto de 2007, José Ramos-Horta indica Xanana Gusmão, ex-presidente da República , como 4.º primeiro-ministro da história do país sucedendo a Estanislau da Silva. Xanana Gusmão, líder do renovado Congresso Nacional para a Reconstrução de Timor-Leste (CNRT), apesar de 2.º classificado nas eleições legislativas de junho com 24,10% dos votos (atrás dos adversários da FRETILIN, de Francisco Lu-Olo), alcançou uma série de acordos pós-eleitorais com as restantes forças políticas da oposição que conferem ao seu governo um estatuto de estabilidade.

Em 11 de fevereiro de 2008, Ramos Horta sofreu um atentado perto da sua casa em Díli. Neste atendado, os guardas de sua residência mataram o ex-oficial do Exército de Timor-Leste, Alfredo Reinado (rebelado desde maio de 2006), acusado perante o Supremo Tribunal do país de homicídio, após a onda de violência causada por sua expulsão do exército junto com 598 outros militares por desobediência. O mesmo grupo também é acusado de efetuar disparos contra a residência do primeiro-ministro do país, Xanana Gusmão, mas nada foi esclarecido ainda em relação a este segundo ataque, que não deixou vítimas.

Geografia[editar | editar código-fonte]

A ilha caracteriza-se pela existência de uma crista central montanhosa de orientação este-oeste, que divide o país na costa norte, mais quente e irregular, e a costa sul, com planícies de aluvião e um clima mais moderado. O ponto mais alto do país, o monte Ramelau (ou Tatamailau), regista 2 960 metros de altitude, com quatro outros pontos a subirem acima dos 2 000 metros: o monte Cablaque, na fronteira dos distritos de Ermera e Ainaru (Ainaro), os montes Merique e Loelaco, na zona oriental e o Matebian, entre Baukau (Baucau) e Vikeke (Viqueque).

Apesar de ser um país tropical, a morfologia do território contribui para o aumento da amplitude térmica anual, que varia entre os 15 ºC verificados nas regiões montanhosas e os 30 ºC verificados em Díli e na ponta leste do país.

Aldeia nas montanhas de Aileu

Timor-Leste possui um território de quase 15 000 km², ocupando a parte oriental da ilha de Timor. O país é muito montanhoso e tem um clima tropical. A montanha mais alta de Timor é o Tatamailau, com 2 963 metros de altitude. Com chuvas dos regimes das monções, enfrenta avalanches de terra e frequentes cheias. O país possui mais de 1 000 000 de habitantes.[14] [15] Também pertencem ao território timorense o enclave de Oecussi, na metade oeste da ilha de Timor, com 815 km², a ilha de Ataúro, ao norte de Díli, com 141 km², e o ilhéu de Jaco, na ponta leste do país, com 11 km².[15]

Clima[editar | editar código-fonte]

Timor-Leste possui um clima de características equatoriais, com duas estações anuais determinadas pelo regime de monções.

A fraca amplitude térmica anual é comum a todo o território e só o regime pluviométrico tem alguma variabilidade regional. Podem considerar-se três zonas climáticas: a situada mais a norte é a menos chuvosa (menos de 1 500 mm anuais) e a mais acidentada, com uma estação seca que dura cerca de cinco meses.

A montanhosa zona central registra muita precipitação e um período seco de quatro meses. Por fim, a zona menos acidentada do Sul, com planícies de grande extensão expostas aos ventos australianos, é bastante mais chuvosa do que o Norte da ilha e tem um período seco de apenas três meses.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Homem nativo com roupas tradicionais.

A população do país é de cerca de 1 143 667.[1] A população está concentrada especialmente na área em torno de Díli. A palavra "Maubere", utilizado anteriormente pelos portugueses para se referir aos nativos timorenses, e muitas vezes empregada como sinônimo de analfabetos e incultos, foi adotada pela Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FReTiLIn) como um termo de orgulho.[16]

A população timorense consiste de uma série de grupos étnicos distintos, a maioria dos quais são descendentes de malaio-polinésios e melanésios. Os maiores grupos étnicos malaio-polinésios são o tétum (100.000),[17] principalmente no litoral norte e em torno de Díli; o mambai (80.000), nas montanhas centrais; o tocodede (63.170), na área em torno de Maubara e Liquiçá; o galóli (50.000), entre as tribos macassai; o kemak (50.000) no centro-norte da ilha de Timor; e o baikeno (20.000), na área em torno de Pante Macassar.

As principais tribos de origem predominantemente Papua incluem a bunak (50.000), no interior central da ilha de Timor; o fataluco (30.000), na ponta leste da ilha, perto de Lospalos; e o macassai, em direção ao extremo leste da ilha. Como resultado do casamento inter-racial, que era comum durante na era portuguesa, existe uma população de timorenses multirraciais e de origem portuguesa, conhecido como "mestiços".[18]

Há uma pequena minoria chinesa, a maioria dos quais são Hakka, mas muitos chineses deixaram o país em meados da década de 1970.[18]

Religião[editar | editar código-fonte]

Estátua da Virgem Maria na Igreja de Balide, Díli.

De acordo com o censo de 2010, 96,9% da população professa o catolicismo romano; 2,2% o protestantismo ou evangelicalismo; 0,3% são muçulmanos; e 0,5% praticam alguma outra ou nenhuma religião.[19]

O número de igrejas cresceu de 100 em 1974 para mais de 800 em 1994,[20] conforme o número de membros das igrejas cresceu consideravelmente sob domínio indonésio como Pancasila, ideologia de Estado da Indonésia, que exigia que todos os cidadãos a acreditar em um Deus e não reconhecia as crenças tradicionais. Nas áreas rurais, o catolicismo é praticado junto com as tradições locais.[21]

Embora a Constituição de Timor Leste consagre os princípios da liberdade religiosa e da separação entre Igreja e Estado, ela também reconhece "a participação da Igreja Católica no processo de libertação nacional".[22]

Línguas[editar | editar código-fonte]

Idiomas falados em Timor-Leste (dados de 2010).

De acordo com a Constituição de Timor-Leste, o tétum e o português têm o estatuto de línguas oficiais. De acordo com parágrafo 3 do artigo 3 da Lei 1/2002, em caso de dúvida na interpretação das leis prevalece o português.[23]

Para além do tétum, existem mais de 31 línguas nacionais em Timor-Leste: Ataurense, Baiqueno, Becais, Búnaque, Fataluco, Galóli, Habo, Idalaca, Lovaia, Macalero, Macassai, Mambai, Quémaque, Uaimoa, Naueti, Mediki, Cairui, Tetum-terik, Dadu'a, Isní, Nanaek, Rahesuk, Raklungu, Resuk, Sa'ane, Makuva, Lolein, Adbae, Laclae e Tocodede.

O inglês e o indonésio têm o estatuto de línguas de trabalho nas provisões transicionais da Constituição.

Mercê de fluxos migratórios de população chinesa, o mandarim, o cantonês e, principalmente, o hakka são também falados por pequenas comunidades.

Urbanização[editar | editar código-fonte]

Governo e política[editar | editar código-fonte]

Palácio do Governo

O chefe de Estado de Timor-Leste é o presidente, que é eleito pelo voto popular para um mandato de cinco anos. Embora o papel seja largamente simbólico, o presidente não tem poder de veto sobre certos tipos de legislação. Após as eleições, o presidente designa o líder do maior partido ou coligação maioritária como o primeiro-ministro de Timor-Leste. Como chefe do governo, o primeiro-ministro preside o Conselho de Estado ou de governo.

O parlamento de câmara única é o Parlamento Nacional, cujos membros são eleitos pelo voto popular para um mandato de cinco anos. O número de bancos pode variar entre um mínimo de 52 a um máximo de 65, embora excecionalmente tenha 88 membros, atualmente, devido a este ser o seu primeiro mandato. A Constituição timorense foi decalcada da de Portugal. O país ainda está no processo de construção da sua administração e instituições governamentais.

Divisões administrativas[editar | editar código-fonte]

Timor-Leste está subdividido em 13 distritos administrativos, cada um com uma capital, e que mantêm, com poucas diferenças, os limites dos 13 municípios existentes durante os últimos anos do Timor Português. O país é também formado por 67 subdistritos, variando o seu número entre três e sete subdistritos por distrito. Os subdistritos são divididos em 498 sucos, compostos por uma localidade sede e subdivisões administrativas, e que variam entre dois e dezoito sucos por subdistrito.

East Timor district numbers.png Distrito Capital Distrito Capital
1 Lautém Lospalos 8 Liquiçá Liquiçá
2 Baucau Baucau 9 Ermera Gleno
3 Viqueque Viqueque 10 Ainaro Ainaro
4 Manatuto Manatuto 11 Bobonaro Maliana
5 Díli Díli 12 Cova Lima Suai
6 Aileu Aileu 13 Oecusse Pante Macassar
7 Manufahi Same

Economia[editar | editar código-fonte]

Frutos do cafeeiro numa moeda de 50 centavos de 2003

O Timor-Leste tem uma economia de mercado que costumava depender de exportações de algumas commodities, como café, mármore, petróleo e sândalo.[24] A economia do país cresceu cerca de 10% em 2011 e em uma taxa semelhante em 2012.[25]

A economia é dependente dos gastos públicos e, em menor medida, da assistência de doadores internacionais.[26] O desenvolvimento do setor privado tem ficado aquém devido à escassez de capital humano, fraqueza no setor de infraestrutura, um sistema juridíco incompleto e um ambiente regulatório ineficiente.[26] Depois do petróleo, o segundo maior produto de exportação é o café, que gera cerca de 10 milhões de dólares ao ano para o país.[26]

De acordo com os dados recolhidos no censo de 2010, 87,7% da população urbana e 18,9% das famílias rurais têm energia elétrica, para uma média geral de 36,7%.[27] O setor agrícola emprega 80% da população ativa. Em 2009, cerca de 67 mil famílias cultivaram café no Timor-Leste, sendo uma grande proporção delas pobres. Atualmente, as margens brutas são cerca de 120 dólares por hectare, com retornos por dia de trabalho de 3,70 dólares.[28]

O país ficou na 169ª posição geral e no último lugar no Leste da Ásia e Pacífico no relatório de 2013 do Banco Mundial sobre a facilidade de se fazer negócios. O país saiu-se particularmente mal nas categorias "registro de imóveis", "cumprimento de contratos" e "resolução de insolvência", sendo o último lugar na classificação mundial em todas as três.[29]

Petróleo[editar | editar código-fonte]

Principais exportações do país em 2010 (em inglês).

O Timor agora tem receita de reservas de petróleo e gás natural, mas pouco para desenvolver aldeias, que ainda dependem da agricultura de subsistência. Quase metade da população vive em extrema pobreza.[30]

O Fundo de Petróleo do Timor-Leste foi criado em 2005 e em 2011 tinha atingiu um valor de 8,7 bilhões de dólares.[31] O país é marcado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) como a "economia mais dependente do petróleo no mundo".ref name=art4>Article IV Consultation with the Democratic Republic of Timor-Leste FMI.</ref> O Fundo de Petróleo paga por quase todo o orçamento anual do governo, que aumentou de 70 milhões de dólares em 2004 para 1,3 bilhão de dólares em 2011, com uma projeção de 1,8 bilhão de dólares para 2012.[31]

A administração colonial Português concedeu para a Oceanic Exploration Corporation explorar depósitos de petróleo e gás natural nas águas ao sudeste de Timor. No entanto, isto foi reduzido pela invasão indonésia em 1976. Os recursos então foram divididos entre a Indonésia e a Austrália com o Tratado Timor de 1989.[32] O país não herdou nenhuma das fronteiras marítimas permanentes quando alcançou a independência. Um acordo provisório (o Tratado do Mar de Timor, assinado quando Timor-Leste tornou-se independente em 20 de maio de 2002) definiu uma Área de Desenvolvimento Petrolífero Conjunto (ACDP) e concedeu 90% das receitas de projetos já existentes nessa área para Timor-Leste e 10% para o governo australiano.[33]

Um acordo em 2005 entre os governos de Timor Leste e a Austrália determinou que ambos os países coloquem de lado a sua disputa sobre fronteiras marítimas e que o Timor receberia 50% das receitas provenientes da exploração dos recursos da região (estimada em cerca de 20 bilhões de dólares ao longo de toda a vida do projeto).[34] Em 2013, o Timor-Leste lançou uma ação no Tribunal Permanente de Arbitragem de Haia, nos Países Baixos, para anular um tratado de gás que tinha assinado com a Austrália, acusando o Serviço Secreto de Inteligência Australiano (ASIS) de implantar uma escuta na sala do gabinete de Timor-Leste, em Díli, em 2004.[35]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Dançarinas em trajes tradicionais timorenses.

A cultura de Timor-Leste reflete inúmeras influências, incluindo de Portugal, da tradição Católica Romana, e da Malásia, sobre as culturas indígenas austronésicas melanésias e de Timor. Lendas dizem que um gigantesco crocodilo foi transformado na ilha de Timor, ou Ilha do Crocodilo, como é frequentemente chamado. A cultura timorense é fortemente influenciada pelas lendas austronésicas, embora a influência católica também seja forte.

O analfabetismo ainda é generalizado, mas há uma forte tradição de poesia. No que diz respeito à arquitetura, alguns edifícios de estilo português podem ser encontrados, junto com os tradicionais totens em casas da região oriental. Estas são conhecidas como uma lulik (casas sagradas em tétum), e lee teinu (casas com pernas) na região de Fataluku. O artesanato também é generalizado, como é a tecelagem de tradicionais lenços ditos tais.

Feriados[editar | editar código-fonte]

Em Timor-Leste, são feriados nacionais com data fixa:[36]

Data Nome Observações
1 de janeiro Dia de Ano Novo
1 de maio Dia Mundial do Trabalhador
20 de maio Dia da Restauração da Independência em 2002
30 de agosto Dia da Consulta Popular Aniversário da Consulta Popular de 1999
1 de novembro Dia de Todos-os-Santos
2 de novembro Dia de Todos-os-Fiéis Defuntos
12 de novembro Dia Nacional da Juventude Aniversário do massacre do Cemitério de Santa Cruz em Díli em 1991
28 de novembro Dia da Proclamação da Independência em 1975
7 de dezembro Dia dos Heróis Nacionais Aniversário da invasão do país pela Indonésia em 1975
8 de dezembro Dia da Nossa Senhora da Imaculada Conceição Padroeira de Timor-Leste
25 de dezembro Dia de Natal

São feriados nacionais com data variável:

Data Nome Observações
Sexta-feira, festa móvel Sexta-Feira Santa Inserida nas comemorações cristãs da Páscoa
festa móvel Idul Fitri Dia que marca o fim do Ramadão para os muçulmanos
festa móvel Festa do Corpo de Deus
festa móvel Idul Adha Dia de sacrifício para os muçulmanos

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (em francês) Frédéric Durand, Timor-Leste. Premier Etat du 3ème millénaire, Editions Belin-La Documentation Française, Paris, 2011.
  • (em inglês) Geoffrey C. Gunn, Historical Dictionary of East Timor, The Scarecrow Press, Plymouth, 2011.
  • (em inglês) Jude Conway (Ed.), Women of East Timor, Stories of Resistance and Survival, Charles Darwin University Press, 2010.
  • (em francês) Flávio Borda d’Água, Le Timor Oriental face à la Seconde Guerre mondiale (1941-1945), préface d'Armando Marques Guedes, Instituto diplomático, Lisbonne, 2007.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o
Portal de Timor-Leste

Referências

  1. a b Timor-Leste in CIA World Factbook Central Intelligence Agency. Visitado em 4 de novembro de 2013.
  2. a b c d Timor Leste Banco Mundial (Maio de 2013). Visitado em 23 de maio de 2014.
  3. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  4. East Timor Bid to Join ASEAN Wins 'Strong Support', Bangkok Post, date: 31 de janeiro de 2011.
  5. World Bank Country Groups Web.worldbank.org. Visitado em 17 de julho de 2011.
  6. Timor Leste: Human Development Indicators International Human Development Indicators United Nations Development Program. Visitado em 11 de junho de 2012.
  7. East Timor no The World Factbook
  8. "Now Portugal's former colonies are performing much better than Portugal", Washingtonpost.com. Página visitada em 11 de fevereiro de 2013.
  9. United Nations Member States United Nations. Visitado em 28 de março de 2010.
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