Mali

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République du Mali
República do Mali
Bandeira do Mali
Brasão de armas do Mali
Bandeira do Mali Brasão de armas do Mali
Lema: "Un peuple, un but, une foi"
("Um povo, uma meta, uma fé")
Hino nacional: Le Mali ("O Mali")
Gentílico: maliano(a), malinês(a), malês(a)[1]

Localização  República do Mali

Capital Bamako
12° 39' N 8° E
Cidade mais populosa Bamako
Língua oficial Francês
Governo República semipresidencialista
 - Presidente Ibrahim Boubacar Keïta
 - Primeiro-ministro Moussa Mara
Independência da França 
 - Data 22 de setembro de 1960 
Área  
 - Total 1.240.192 km² (23.º)
 - Água (%) 1,6
 Fronteira Argélia, Níger, Burquina Faso, Costa do Marfim, Guiné, Senegal e Mauritânia
População  
 - Estimativa de 2008 12.324.029 hab. (70.º)
 - Densidade 9 hab./km² (185.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2007
 - Total US$ : 14,180 bilhões (130.º)
 - Per capita US$ : 1.031 (162.º)
IDH (2013) 0,407 (176.º) – baixo[2]
Gini (2001) 40,1[3]
Moeda Franco CFA (CFA)
Fuso horário (UTC+0)
Clima Árido, semiárido e tropical
Org. internacionais ONU, UA, Francofonia, CEDEAO
Cód. ISO MLI
Cód. Internet .ml
Cód. telef. +223

Mapa  República do Mali

Mali ou Máli[4] cujo nome oficial é República do Mali, é um país africano sem saída para o mar na África Ocidental. Mali é o sétimo maior país da África. Limita-se com sete países, a norte pela Argélia, a leste pelo Níger, a oeste pela Mauritânia e Senegal e ao sul pela Costa do Marfim, Guiné e Burkina Fasso. Seu tamanho é de 1.240.000 km². Sua população é estimada em cerca de 12 milhões de habitantes. Sua capital é Bamako.

Formada por 8 regiões, o Mali tem fronteiras ao norte, no meio ao Deserto do Saara, enquanto a região sul, onde vive a maioria de seus habitantes, está próximo aos rios Níger e Senegal. Alguns dos recursos naturais em Mali são o ouro, o urânio e o sal.

O atual território do Mali foi sede de três impérios da África Ocidental que controlava o comércio transaariano: o Império do Gana, o Império do Mali (que deu o nome de Mali ao país), e o Império Songhai. No final do século XIX, Mali ficou sob o controle da França, tornando-se parte do Sudão francês. Em 1960, Mali conquistou a independência, juntamente com o Senegal, tornando-se a Federação do Mali. Um ano mais tarde, a Federação do Mali se dividiu em dois países: Mali e Senegal. Depois de um tempo em que havia apenas um partido político, um golpe em 1991 levou à escritura de uma nova Constituição e à criação do Mali como uma nação democrática, com um sistema pluripartidário. Quase a metade de sua população vive abaixo da linha de pobreza, com menos de 1 dólar por dia.

História[editar | editar código-fonte]

Na Antiguidade, o território do atual Mali foi sede de três grandes impérios da África Ocidental, que controlavam o comércio de sal, ouro, matérias-primas e outros bens preciosos.[5] Estes reinos careciam tanto de fronteiras geopolíticas quanto de identidades étnicas.[5] O primeiro destes impérios foi o Império do Gana, fundada pelo povo soninquês, que falavam línguas mandês.[5] O reino se expandiu por toda África Ocidental desde o século VIII até 1078, quando foi conquistado pelos almorávidas.[6]

A extensão do Império do Mali.

O Império do Mali se formou na parte superior do Rio Níger e chegou à sua força máxima em meados do século XIV.[6] Sob o reinado do Império do Mali, as antigas cidades de Djenné e Tombuctu foram importantes centros de comércio e de aprendizagem islâmica.[6] O reino entrou em declínio e, posteriormente, foi resultado de conflitos internos, e até ser substituído pelo Império Songai. O povo songhai é originário do noroeste da atual Nigéria, cujo império tinha sido há muito tempo uma potência na África Ocidental sob o controle do Império de Mali.[6]

No final do século XIV, o Império Songai ganhou a independência do Império do Mali gradualmente, abrangendo a extremidade oriental deste império.[6] Sua queda foi resultado de uma invasão berbere em 1591,[6] marcando o fim do papel regional da encruzilhada comercial.[6] Após o estabelecimento de rotas marítimas pelas potências europeias, a rotas comerciais transaarianas perderam sua importância.[6]

Na era colonial, Mali ficou sob o controle francês no fim do século XIX. Em 1905, toda a sua área estava sob controle da França, fazendo parte do Sudão Francês.[6] No início de 1959, o Mali e o Senegal se uniram, formando a Federação do Mali, que conquistou a sua independência em 20 de agosto de 1960.[6] A retirada da federação senegalesa permitiu que a ex-república sudanesa formasse a nação independente do Mali em 22 de setembro de 1960. Modibo Keita, que foi chefe de governo da Federação do Mali até sua dissolução, foi eleito o primeiro presidente.[6] Keita estabeleceu o unipartidarismo, adotando, por sua vez, uma orientação africana independente e socialista de fortes laços com a União Soviética e realizou uma ampla nacionalização dos recursos econômicos.[6]

Antiga cidade de Djenné, declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Em 1968, como resultado de um crescente declínio econômico, o mandato de Keita foi derrubado por um sangrento golpe militar liderado por Moussa Traoré.[7] O regime militar subsequente, de Traoré como presidente, teve a função de realizar reformas econômicas. Apesar disso, seus esforços foram frustrados pela instabilidade política e uma devastadora seca que ocorreu entre 1968 e 1974.[7] O regime Traoré enfrentou distúrbios estudantis que começaram no final dos anos 70, como também ocorreram três tentativas de golpe de estado. No entanto, as divergências foram suprimidas até o final da década de 1980.[7]

O governo continuou a tentar implantar reformas econômicas, mas sua popularidade entre a população diminuiu cada vez mais.[7] Em resposta à crescente demanda por uma democracia pluripartidária, Traoré consistiu uma liberalização política limitada, mas negou a marcar o início de um pleno sistema democrático.[7] Em 1990, começaram a surgir novos movimentos de oposição coerentes, mas estes processos foram interrompidos pelo aumento da violência étnica no norte do país, devido ao retorno de muitos tuaregues ao país.[7]

Novos protestos contra o governo ocorreram em 1991 levaram a mais um golpe de estado, seguido de um governo de transição e a realização de uma nova constituição.[7] Em 1992, Alpha Oumar Konaré venceu as primeiras eleições presidenciais democráticas. Após sua reeleição em 1997, o presidente Konaré impulsionou reformas político-econômicas e lutou em combater a corrupção.[8] Em 2002, foi substituído por Amadou Toumani Touré, general que liderou um outro golpe de estado contra os militares e impôs a democracia. O Mali vinha sendo um dos países mais estáveis de África no âmbito político e social.[9] Entretanto, em 21 de março de 2012, um golpe militar derrubou o governo do presidente Touré.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite de Mali.

O Mali é um país sem saída para o mar, situado na África Ocidental, a sudoeste da Argélia. Com uma área de 1.240.000 milhões de quilômetros quadrados, Mali é o 23º maior país do mundo, e seu tamanho é semelhante ao da África do Sul e da Angola. Possui 7.243 quilômetros de fronteiras com os sete países que limita. A maior parte do país forma parte do sul do Deserto do Saara, por isso o clima é quente e, comumente, tempestades de poeira se formam durante secas. O território do Mali é essencialmente plano, ainda que esta é uma rota em ocasiões por colinas rochosas. O Adrar des Ifoghas está localizado no nordeste, e as maiores altitudes são as Montanhas Hombori, que ultrapassam a altitude de 1000 metros ao sudeste, e as Montanhas Bambouk a sudoeste.

Os recursos naturais do país são consideráveis. O ouro, o urânio, o fosfato, o caulim, o sal e o calcário são os recursos mais explorados. Mali está a enfrentar problemas ambientais, como desertificação, o desmatamento, a erosão do solo e a contaminação da água.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima varia de subtropical a sul ao árido no norte. A maior parte do país sofre de problemas ambientais. A estação chuvosa vai do final de junho a dezembro. Durante este período de tempo, é comum ocorrerem inundações do Rio Níger em parte da região.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Evolução da população entre 1961 e 2003.

Em julho de 2009, a população do Mali foi estimada em 13 milhões, com crescimento anual de 2,7%. A população é predominantemente rural e entre 5% e 10% são nômades. Mais de 90% da população vive no sul, especialmente em Bamako, que tem mais de 1 milhão de habitantes.

Em 2007, aproximadamente 48% da população de Mali era inferior a 15 anos, 45% entre 15 e 64, e os restantes 3% 65 anos ou mais. A idade mediana foi de 15,9 anos. O taxa de natalidade em 2007 foi de 49,6 nascimentos por 1.000 habitantes, e a taxa de fertilidade de 7,4 nascimentos por mulher. O taxa bruta de mortalidade em 2007 foi de 16,5 mortes por 1000 habitantes. A expectativa de vida no nascimento é de 54,5 anos (52,1 para os homens e 51,5 para as mulheres). Mali tem uma das taxas de mortalidade infantil mais altas do mundo (128,5/mil nascidos vivos).

Uma menina bozo em Bamako.

A população do Mali abrange um número de grupos étnicos da África Negra, dos quais a maioria tem concordâncias histórico-culturais, linguísticas, religiosas. De longe, o Bambara é o maior grupo étnico, correspondente a 36,5% da população. Em grupo, o bambara, o soninke, o khassonké e malinka, a maior parte do grupo mandê, representa 50% da população do Mali. Outros grupos importantes são o peul (17%), o voltaic (12%), o songaic (6%), o tuaregue e o moor (10%). Historicamente, Mali tem tido boas relações interétnicas, mas existem tensões entre os songhais e tuaregues.

A língua oficial do Mali é o francês, mas uma quantidade grande de línguas africanas (40 ou mais) são amplamente utilizadas por diversos grupos étnicos. Cerca de 80% da população do Mali pode se comunicar em Bambara, que é a principal língua veicular e a de comércio.

Evolução do IDH entre 1975 e 2007
Ano 1975 1980 1985 1990 1995 2000 2005 2006 2007
IDH 0,252 0,279 0,292 0,312 0,346 0,386 0,380 0,391 0,371

Religião[editar | editar código-fonte]

Aproximadamente 90% dos malienses são muçulmanos e a maioria destes são sunitas. 5% da população é cristã (dois terços do Igreja Católica e o resto protestante), os restantes 5% correspondem a crenças animistas tradicionais ou indígenas. O ateísmo e agnosticismo não são muito comuns entre os malienses, a maioria de quem pratica sua religião diariamente.

Segundo o relatório anual Departamento de Estado estadunidense, sobre a liberdade religiosa, o Islã é praticado em Mali, que pode ser considerado um moderado, tolerante e adaptado às condições locais. As mulheres participam na vida político-socioeconômica, e geralmente não usam véus. A Constituição estabelece que Mali seja um Estado laico e fornece liberdade religiosa. E o governo respeita amplamente esse direito. As relações entre muçulmanos e praticantes das minorias religiosas podem ser considerada amigáveis, e os grupos missionários estrangeiros (ambos muçulmanos e não muçulmanos) são toleráveis.

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Política e governo[editar | editar código-fonte]

Amadou Toumani Touré, presidente de Mali.

Mali é uma democracia constitucional regida pela constituição de 12 de janeiro de 1992, que foi revista em 1999. A constituição prevê a separação entre os poderes executivo, legislativo e judiciário. O sistema de governo pode ser descrito como "semipresidencialista".

O poder executivo é representado pelo presidente, que tem um prazo de 5 anos e está limitada a dois mandatos. O presidente é também o chefe de estado e o comandante. O primeiro-ministro é nomeado pelo presidente e atua como chefe de governo que, por sua vez, nomeia os membros do Conselho de Ministros. A Assembleia Nacional unicameral é o único órgão legislativo do Mali e é composta de deputados eleitos para um mandato de 5 anos. Após as eleições de 2007, a Aliança para a Democracia e Progresso ganhou 113 dos 160 assentos na assembleia. A assembleia tem duas sessões ordinárias por ano, durante os quais se discutem e votam as leis feitas por um membro ou pelo governo.

A Constituição de Mali prevê a independência jurídica, mas o Poder Executivo exerce influência sobre o Judiciário sob o seu poder de nomear juízes e supervisionar tanto as funções judiciais como a sua aplicação em lei. Os tribunais do Mali de maior hierarquia são o Tribunal Supremo, que tem competências judiciais e administrativas, e um Tribunal Constitucional independente que proporciona controle juridicial de atos legislativos e serve como um árbitro eleitoral. Existem vários tribunais menores, ainda que os chefes de aldeia e anciãos são responsáveis por resolver os conflitos sobre a aldeia local.

Relações exteriores e militar[editar | editar código-fonte]

A orientação política externa do Mali tornou-se cada vez mais pragmática e pró-ocidental ao longo do tempo.[10] Como um país democrático a partir de 2002, as relações do Mali com o Ocidente em geral e com os Estados Unidos em particular, melhoraram significativamente.[10] O Mali tem uma relação diplomática de longa data com a França, a antiga metrópole colonial.[10] O país era ativo em organizações regionais, como a União Africana, até à sua suspensão durante o golpe de 2012.[10] Mali apoia a resolução de conflitos regionais, como na Costa do Marfim, Libéria e Serra Leoa, o que é descrito como um dos principais objetivos da política externa do Mali.[10] O governo malês se sente ameaçado pelos conflitos em Estados fronteiriços, e as relações com os vizinhos são muitas vezes desconfortáveis.[10] A insegurança ao longo das fronteiras do norte, incluindo o banditismo e o terrorismo, permanecem como questões preocupantes nas relações regionais.[10]

As forças militares do Mali consistem em um exército, que inclui as forças terrestres e a força aérea,[11] estando sob o controle do Ministério da Defesa e dos Veteranos do Mali. O país é membro da Organização das Nações Unidas.[10]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Subdivisões de Mali. Dentro da regição de Koulikoro, há o distrito de Bamako, onde se localiza a capital.

O Mali está dividido em 8 regiões e um distrito:

As regiões estão subdivididas em 49 Cercles ou Circles (Círculos).

Economia[editar | editar código-fonte]

Bamako, a capital do país.

O Mali é um dos países mais pobres do planeta. O salário médio anual é de 1.500 dólares. Entre 1992 e 1995, Mali implementou um programa de ajuste econômico que resultou no crescimento de sua economia e redução dos saldos negativos. O plano de aumento das condições socioeconômicas permitiu juntar Mali à Organização Mundial do Comércio em 31 de maio de 1995. O produto interno bruto (PIB) aumentou desde então. Em 2002, o PIB ascendeu a 3,4 bilhões de dólares, e aumentou para US$5,8 bilhões em 2005, resultando em uma taxa de crescimento anual de 17,6%, aproximadamente.

Mercado em Kati.

O algodão colhido é exportado do país e é exportado principalmente para o Senegal e Costa do Marfim. Durante 2002, 620.000 toneladas de algodão foram produzidos no país, mas os preços do cultivo diminuíram significativamente desde 2003. Além do algodão, Mali produz arroz, milho, legumes, rapé e colheitas de árvore. O ouro e o gado e a agricultura somam mais de 80% das exportações do Mali. 80% dos trabalhadores são empregados na agricultura, enquanto 15% trabalham no setor de serviços. No entanto, as variações sazonais deixaram sem emprego temporário os trabalhadores agrícolas.

Em 1991, com a ajuda da Associação Internacional de Desenvolvimento, Mali facilitou a implementação dos códigos de mineração, o que levou a um renovado interesse e investimento estrangeiro na indústria de mineração. O ouro é extraído na região sul, onde Mali tem a terceira maior produção de ouro na África (depois da África do Sul e de Gana). O surgimento de ouro como o principal produto de exportação em 1999 ajudou a atenuar o impacto negativo da crise do algodão e da Costa do Marfim. Outros recursos naturais são: o caulim, o sal, o fosfato e o calcário.

Porteiro acarretando feno.

A eletricidade e a água são mantidas por Energie du Mali (EDM), e os têxteis são produzidos pela Indústria Têxtil do Mali, ou ITEM. Mali faz o uso eficiente da hidroeletricidade, que produz mais de metade do país. Em 2002, 700 kWh de uma usina hidrelétrica foram geradas no país.

O governo participa do envolvimento estrangeiro, incluindo o comércio e a privatização. Mali começou sua reforma econômica na assinatura de acordos em 1988 com o Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional. Entre 1988 e 1996, o governo maliense reformou empresas públicas em grande parte. Desde o acordo, 16 empresas foram privatizadas, 12 parcialmente privatizadas e 20 liquidadas. Em 2005, ao governo do Mali foi concedida uma empresa ferroviária ao Savage Corporation, com sede em Salt Lake City, Utah, Estados Unidos.

Os principais parceiros comerciais do Mali são a Costa do Marfim, a França, a República Popular da China e a Bélgica.

Cultura[editar | editar código-fonte]

O dueto Amadou & Mariam é conhecido internacionalmente por fazer música combinando influências malienses e internacionais.

As tradições musicais malienses derivam de griots (ou Djeli), conhecidas como "Guardiões da Memória",[12] que exercem a função de transmitir a história de seu país. A música do Mali é diversificada e possui diferentes gêneros. Alguns músicos são influentes são Toumani Diabaté e Mamadou Diabaté, intérpretes de um instrumento musical chamado kora; o guitarrista Ali Farka Toure, que combinava a música tradicional do Mali com um gênero vocal denominado blues; o grupo de musical tuaregue chamado Tinariwen e artistas como Salif Keita, Amadou & Mariam, Oumou Sangaré, Habib Koité, entre outros.

Embora a literatura deste país seja menos conhecida do que sua música,[13] Mali tem sido um dos centros intelectuais mais ativo da África.[14] A tradição literária maliense é divulgada principalmente de maneira oral, com jalis recitando ou cantando histórias de memória.[15] [14] Amadou Hampâté Bâ, seu historiador mais conhecido, passou grande parte de sua vida a escrever estas histórias para o mundo as conservasse. A novela mais conhecida de um autor maliense é Le Devoir de violence, escrito por Yambo Ouologuem, que, em 1968, ganhou o Prêmio Renaudot, mas seu legado foi danificado por acusações de plágio.[15] [14] Outros escritores conhecidos são Baba Traoré, Modibo Sounkalo Keita, Massa Makan Diabaté, Moussa Konaté e Fily Dabo Sissoko.

A variada cultura diária dos malienses reflete a diversidade étnica e geográfica do país.[16] A maioria de seus habitantes usa trajes coloridos e fluídos chamados de boubou, típico da África Ocidental. Os malienses participam frequentemente de festas, bailes e celebrações tradicionais.[16] O arroz e milho são importantes na cozinha do pais, que se baseia principalmente em grãos de cereais.[17] [18] Os grãos são geralmente preparados com salsas feitas de folhas, como o espinafre ou o baobab, com tomate ou com salsa de mani, podendo estar acompanhados de carne assada (tipicamente frango, cordeiro, vaca e cabra).[17] [18] A cozinha do Mali varia regionalmente.[17] [18]

Esportes[editar | editar código-fonte]

Crianças malienses jogando futebol numa aldeia da tribo dogon.

O esporte mais popular no Mali é o futebol,[19] [20] que cobrou maior importância desde o país sediou a Copa das Nações Africanas de 2002.[19] [21] A maioria das cidades tem competições e as equipes nacionais mais populares são o Djoliba AC, o Stade Malien e o Real Bamako, todos com sede na capital nacional.[20] As partidas nacionais são jogadas frequentemente por jovens, usando bolas de trapo.[20] O país tem fornecido vários jogadores notáveis a equipes europeias, incluindo Salif Keita e Jean Tigana. Frédéric Kanouté, nomeado como Futebolista Africano do Ano de 2007, joga atualmente no Sevilla FC, da Primeira Divisão da Espanha. Outros jogadores que formam parte de alguma equipe importante são Mahamadou Diarra, capitão da seleção nacional do Mali, e Seydou Keita, atualmente no FC Barcelona. Ademais, jogadores oriundos do país que participam de equipes europeias são Mamady Sidibé para o Stoke City Football Club, Mohamed Sissoko para o Juventus, Sammy Traoré no Paris Saint-Germain, Adama Coulibaly no AJ Auxerre, Kalifa Cissé e Jimmy Kébé para o Reading Football Club, Dramane Traoré para o Lokomotiv Moscou, e mais recentemente Bakaye Traoré para o AC Milan.[19] [20] O basquete é outro esporte importante no Mali;[20] [22] a Seleção feminina de basquete, liderada por Hamchetou Maiga, jogadora do Sacramento Monarchs, competiu nos Jogos Olímpicos de Pequim de 2008.[23] A luta (la lutte), também é um jogo praticado habitualmente, ainda que nos últimos anos a sua popularidade venha diminuindo.[21] O oware, uma variante de mancala, também é um passatempo comum.[20]

Festividades[editar | editar código-fonte]

Monumento à independência do Mali, celebrada em 22 de setembro.
Data Festividade (2010)[24] Nome local Observação
1 de janeiro Ano novo Jour de l'an
20 de janeiro Festa do exército Fête de l'armée
26 de março Dia dos mártires Journée des Martyrs Queda do regime do general Moussa Traoré.
1º de maio Dia do trabalho Fête du travail
25 de maio Dia da África Fête de l'Afrique Dia da criação da Organização da Unidade Africana (hoje União Africana).
22 de setembro Dia da independência Jour de l'Indépendance Independência da França em 1960.
25 de dezembro Festa do Natal Noël Nascimento de Jesus Cristo.

Além destas, existem diversas festividades muçulmanas que variam de data todo ano, como o aniversário do profeta Maomé (Eid-Milad Nnabi), o Batismo do Profeta (Maouloud), o fim do Ramadã e a Festa do Cordeiro (Eid-ul-Adha), além de tradicionais festas católicas, como a segunda-feira de Páscoa.[24]

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Mali.
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  3. CIA World Factbook, Lista de Países por Coeficiente de Gini.
  4. Verbete Malês Moderno Dicionário Michaelis da Língua Portuguesa Editora Melhoramentos Ltda. / UOL. Visitado em 26 de setembro de 2012. "malês, ma.lês, adj m+f (top Máli+ês) Relativo ou pertencente à República do Máli, África. s m+f Natural ou habitante dessa República. Sin: malinês."
  5. a b c (Federal Research Division, 2005, p. 1)
  6. a b c d e f g h i j k l (Federal Research Division, 2005, p. 2)
  7. a b c d e f g (Federal Research Division, 2005, p. 3)
  8. (Federal Research Division, 2005, p. 4)
  9. Mali (em inglês) US Aid.gov (2010). Visitado em 27 de julho de 2010.
  10. a b c d e f g h Country Profile: Mali Library of Congress – Federal Research Division (2005). Visitado em 2 de maio de 2014.
  11. Mali: Military CIA - The World Factbook (2013). Visitado em 2 de maio de 2014.
  12. Michelle Crabill y Bruce Tiso (2003). Mali Resourse Website (em inglês) FCPS.edu. Visitado em 27 de julho de 2010.
  13. (Velton, 2004, p. 29)
  14. a b c (Milet y Manaud, 2007, p. 128)
  15. a b (Velton, 2004, p. 28)
  16. a b (Pye-Smith y Drisdelle, 1997, p. 13)
  17. a b c (Velton, 2004, p. 30)
  18. a b c (Milet y Manaud, 2007, p. 146)
  19. a b c (Milet y Manaud, 2007, p. 151)
  20. a b c d e f (DiPiazza, 2006, p. 55)
  21. a b (Hudgens, Trillo y Calonnec, 2003, p. 320)
  22. Eurobasket Inc. (2007). Malian Men Basketball (em inglés) Africa Basket.com. Visitado em 27 de julho de 2010. Cópia arquivada em 1° de janeiro de 2008.
  23. Julio Chitunda (2008). Ruiz looks to strengthen Mali roster ahead of Beijing (em inglês) FIBA.com. Visitado em 27 de julho de 2010.
  24. a b Lista de los Días Festivos: Mali (em espanhol) dias-festivos.com (2010). Visitado em 6 de setembro de 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]