Camboja

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(Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea)

Reino do Camboja
Bandeira do Cambodja
Brasão de armas do Camboja
Bandeira Brasão de armas
Lema: CambodiaMotto.svg
(em português): "Nação, Religião, Rei"
Hino nacional: Nokoreach
Gentílico: Cambodjano(a)

Localização do Cambodja

Localização do Camboja no Sudeste Asiático
Capital Phnom Penh
Cidade mais populosa Phnom Penh
Língua oficial Khmer
Governo Democracia Parlamentarista Unitária e Monarquia constitucional
 - Rei Norodom Sihamoni
 - Primeiro-ministro Hun Sen
Formação  
 - Reino de Funan 68 
 - Reino Chenla 550 
 - Império Khmer 802 
 - Colonização francesa 1867 
 - Independência 9 de novembro de 1953 
 - Restauração da monarquia 24 de setembro de 1993 
Área  
 - Total 181 035 km² (88.º)
 - Água (%) 2,5
 Fronteira Tailândia, Laos e Vietname
População  
 - Estimativa de 2014[1] 15 458 332 hab. (68.º)
 - Densidade 74 hab./km² (125.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 39.640.000 bilhões (107.º)
 - Per capita US$ 2 600 (183.º)
IDH (2013) 0,584 (136.º) – médio[2]
Moeda Riel (KHR)
Fuso horário (UTC+7)
 - Verão (DST) (UTC+7)
Clima Tropical
Org. internacionais ASEAN e EAS
Cód. ISO KHM
Cód. Internet .kh
Cód. telef. +855
Website governamental www.cambodia.gov.kh

Mapa do Cambodja

Camboja[3] [4] [5] [6] [7] ou Cambodja [8] [9] , oficialmente Reino do Camboja (em khmer: ព្រះរាជាណាចក្រកម្ពុជា transl. Preăh Réachéanachâkr Kâmpŭchea), é um país localizado na porção sul da Península da Indochina, no Sudeste Asiático. Sua área territorial é de 181 035 km², fazendo deste o 88.º maior do mundo em área. Faz fronteira com a Tailândia a noroeste, o Laos a nordeste, o Vietname a leste e o Golfo da Tailândia na porção sudoeste.

Com uma população estimada em pouco mais de 15 milhões de habitantes, o Camboja é o 68.º país mais populoso do mundo e tem o Budismo como religião oficial, praticado por cerca de 95% da população cambojana. Os grupos étnicos minoritários incluem vietnamitas, chineses, chams e outras 30 tribos. A capital e maior cidade é Phnom Penh, o centro político, econômico e cultural do país. O reino é uma monarquia constitucional, tendo Norodom Sihamoni como representante. O monarca é escolhido pelo Conselho do Trono Real e recebe o status de chefe de Estado. O chefe de governo é Hun Sen, que governa o Camboja há mais de 25 anos.

O antigo nome do reino era "Kambuja" (em sânscrito: कंबुज). No ano de 802, Jayavarman II declarou-se rei marcando o início do Império Khmer, que floresceu por mais de 600 anos, permitindo que reis sucessivos dominassem grande parte do sudeste da Ásia. O reino permitiu a construção de templos monumentais, como Angkor Wat, e facilitou a propagação do Hinduísmo e budismo por grande parte desta região. Após a queda de Angkor para Ayutthaya, no século XV, o Camboja foi governado como um vassalo entre seus vizinhos, Tailândia e Vietname, até que foi colonizado pelos franceses em meados do século XIX. A independência do país só ocorreu em 1953.

A Guerra do Vietnã estendeu-se ao Camboja, dando origem ao Khmer Vermelho, que tomou Phnom Penh em 1975. O Camboja ressurgiu vários anos mais tarde dentro de uma esfera de influência socialista, como a República Popular de Kampuchea, que durou até o início dos anos 90. Depois de anos de isolamento, a nação devastada pela guerra se reuniu sob a monarquia em 1993, e tem visto um rápido progresso nas áreas de recursos humanos e econômicos, além da reconstrução de décadas de guerra civil. O Camboja tem apresentado um dos melhores desenvolvimentos econômicos na Ásia, com crescimento médio de 6% nos últimos 10 anos. A agricultura, construção civil, vestuário e turismo atraíram investimentos estrangeiros e estimularam o comércio internacional. As reservas de petróleo e gás natural, encontradas nas águas territoriais do país em 2005, permanecem praticamente inexploradas, em parte devido a disputas territoriais com a Tailândia.[10] [11] Apesar das melhorias econômicas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país ocupa a 136ª posição, avaliado em 0,584 (empatado com o Butão), indicando que o Camboja possui médio desenvolvimento humano atualmente.[2]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome oficial do país em português é Reino do Camboja, traduzido do khmer Preăh Réachéanachâk Kampuchea, muitas vezes abreviado apenas para Kampuchea (em khmer: កម្ពុជា). Kampuchea deriva da palavra sânscrita Kambuja. Popularmente, os cambojanos na maioria das vezes referem-se a seu país como "A Terra dos Khmers" (escrito em khmer da seguinte forma: ស្រុកខ្មែរ) ou usando a expressão mais formal "O país do Camboja" (em khmer: ប្រទេសកម្ពុជា). Em Língua inglesa, a forma "Cambodia" é derivada de "Cambodge" ou "Kamboj", a transcrição sânscrito de "Kampuchea".[8]

História[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

O exército Khmer indo para a guerra contra Champa.

Pouco se sabe sobre a pré-história no território do Camboja.[12] As esparsas evidências para a ocupação humana durante o Pleistoceno são algumas ferramentas feitas a partir de quartzo e quartzito, encontrados ao longo dos terraços do rio Mekong nas províncias de Stung Treng, Kratié e Kampot, mas não há datas para essa ocupação até o momento.[13]

Outras evidências arqueológicas mostram comunidades de caçadores-coletores habitando a região do atual Camboja durante o Holoceno. O sitio arqueológico considerado mais antigo no país é a caverna de Laang Spean, em Battambang, e pertence ao período Hoabinhian. Escavações nas camadas mais profundas indicam uma ocupação de 6000 a.C.[12] [14] Nas camadas mais superficiais do mesmo sítio, existem evidências de transição para o Neolítico, contendo dados das primeiras cerâmicas cambojanas.[15]

Dados arqueológicos para o período entre o Holoceno e a Idade do Ferro são muito escassas. Outros sítios pré-históricos famosos na região são o Samrong Sen (não muito longe da antiga capital Oudong), onde as escavações na região iniciaram em 1877[16] e Phum Snay, na província do norte de Banteay Meanchey.[17] Artefatos pré-históricos também foram encontrados em Ratanakiri durante uma mineração.[12]

A evidência pré-histórica que chama mais atenção, provavelmente são os canais circulares (possivelmente canais de drenagem ou de irrigação) descobertos em Memot e nas adjacências do Vietname nos anos 1950. Sua função ainda não está clara, mas as datas mostram que sua construção pode ter sido em 2000 a.C..[18] [19]

Um grande acontecimento na pré-história cambojana é a lenta introdução do cultivo de arroz na região norte do país, que se iniciou em torno de 3000 a.C.. Os povos que disseminaram essa cultura do arroz provavelmente falavam um língua mon-khmer.[20] O ferro começou a ser trabalhado em torno de 500 a.C. Grande parte das evidências arqueológicas que revelam a pré-história e história antiga no Camboja vem do Planalto de Khorat, que atualmente é parte do território da Tailândia.[12] No atual território do país, foram encontrados alguns assentamentos da Idade do Ferro em torno dos templos Angkorianos, como Baksei Chamkrong, e alguns canais circulares - como Lovea - localizados a nordeste de Angkor. Sepultamentos, muito ricos, atestam para a existência de fartura de alimentos e comércio (mesmo a longa distância: em 400 a.C. já existia comércio com a Índia), a existência de estruturas sociais e trabalho organizado na sociedade da época.[20]

História antiga[editar | editar código-fonte]

Reino de Funan[editar | editar código-fonte]

O Reino de Funan dominava grande parte do atual território cambojano, concentrando-se em torno do delta do rio Mekong. As poucas informações acerca do antigo reino são provenientes de textos históricos chineses, que basearam-se nos relatos de dois diplomatas do Reino de Wu Nanking que, juntos, peregrinaram por Funan em meados do século III. Entretanto, o nome "Funan" não é mencionado nos textos de origem cambojana, acreditando-se que estes tenham dado um outro nome ao antigo reino.[21]

Esta estela encontrada no distrito de Thap Muoi, na província de Dong Thap, no Vietname, é um dos poucos escritos existentes que podem ser atribuídos ao Reino de Funan. O texto está em sânscrito, escrito em alfabeto Grantha, da dinastia Pallava, datado do século V, e conta a história de uma doação em honra de Vishnu por um príncipe da linhagem Gunavarman Kaundinya. Encontra-se no Museu da História, na Cidade de Ho Chi Minh (Vietname).

Alguns estudiosos atuais têm especulado a origem e o significado da palavra "Funan". Costuma-se dizer que o nome representa uma transcrição de algum idioma local para o chinês. O historiador francês Georges Coedes apresentou a teoria de que, ao usar a palavra Funan, antigos estudiosos chineses transcreveram uma palavra relacionada a "Vnam" (em khmer, significando "montanha").[21] No entanto, o epigrafista Claude Jacques ressaltou que essa explicação foi baseada em uma tradução da palavra sânscrita "parvatabùpála", nas inscrições antigas, equivalente a uma identificação do rei Bhavavarman, visto como o conquistador de Funan.[22] Também observa-se que o caractere chinês 南 é freqüentemente usado em termos geográficos, podendo significar "do Sul", o que leva a acreditar também, que os chineses usaram a palavra no sentido de nomear outros locais ou regiões do sudeste da Ásia. Assim sendo, Funan pode ser uma palavra originalmente chinesa que significa algo como "pacificada do Sul".[23]

Assim como a origem do nome do reino, a natureza etno-linguística do povo é objeto de muita discussão entre os especialistas. As principais hipóteses são de que os funaneses eram em sua maioria Mon-Khmer, ou que eles eram em sua maioria Austronésios, ou que eles constituíam uma sociedade multi-étnica. De acordo com Michael Vickery, a evidência disponível não é conclusiva sobre esta questão. Embora a identificação da língua de Funan não seja possível, as evidências sugerem fortemente que a população era Khmer.[24] Os resultados arqueológicos demonstraram "uma verdadeira descontinuidade entre os pré-níveis angkorianos", indicando uma dominação linguística na área sob o controle de Funan.[25]

Com base nos testemunhos dos historiadores chineses, acredita-se que o Reino de Funan tenha se estabelecido no primeiro século d.C, no delta do rio Mekong, apesar de pesquisas arqueológicas apresentarem que a extensa ocupação humana na região tenha sido datada até o século IV a.C.[26] Embora considerado por autores chineses como uma única organização política unificada, alguns estudiosos modernos suspeitam de que Funan pode ter sido uma coleção de cidades-estados que, por vezes, guerrearam entre si e em outros momentos constituíam uma unidade política, como foi sugerido pelo historiador vietnamita Hà Văn Tấn.[26] Escavações em Angkor Borei, no sul do Camboja, também deixa evidências de que Funan era uma sociedade complexa e sofisticada, com alta densidade populacional, tecnologia avançada - possuindo um porto na costa litorânea entre o Vietname e Camboja - e abastecido por um sistema de canais.[27] [28]

Na suposição de que Funan possuía uma única política unificada, os estudiosos avançaram vários argumentos lingüísticos sobre a localização de sua "capital". Uma teoria, baseada na conexão presumida entre a palavra "Funan" e a palavra Khmer "Phnom", sugere a capital do reino nas proximidades de Ba Phnoṃ, na província de Prey Veng.[28] Outra teoria, proposta por George Coedes, é que a capital era uma cidade identificada em inscrições angkorian como "Vyādhapura".[29] Coedes baseou sua teoria em uma passagem nas histórias chinesas que identificam a capital como " Temu" (特 牧, pinyin: temu), atribuindo este nome a uma transcrição da palavra Khmer "dalmāk", que ele traduziu como "caça".[29] Esta teoria foi rejeitada por outros estudiosos, alegando que "dalmāk" significa "caçador", e não "caça".[30] Embora haja discordãncia, os historiadores e estudiosos afirmam que a provável capital (ou capitais) do Reino de Funan estava localizada no sul do Camboja.[31]

Reino Chenla[editar | editar código-fonte]

Chenla é, provavelmente, o primeiro estado Khmer a existir no período de cerca de 550 a 802 d.C, abrangendo além do atual Camboja, partes de províncias do sul do Vietnã moderno. O nome do reino, Chenla, é visto como uma designação chinesa para a região do Camboja após a queda de Funan, apesar de alguns estudiosos modernos usarem o nome para identificar o Estado Khmer surgido no final do século VI e tendo permanecido até o IX.[32] . Os reis da dinastia de Chenla se originaram a partir de figuras mitológicas, como Campu e Lây-Naga (filha do deus da água, uma jovem mulher que tornou-se sólida).

O reino esteve na condição de um estado vassalo de Funan por cerca de 60 anos (aproximadamente até 550 d.C).[33] Por volta do século VI, Chenla conquistou o norte de Funan. Finalmente, no século VII (aproximadamente no período entre 612-628), este estado conquistou todo o Funan e sua população, absorvendo sua cultura. Em 613, Ishanapura tornou-se a primeira capital do novo império.[33]

Para sua administração, Chenla foi dividida em dois estados: O do norte, referido como "Chenla da Terra", e o do sul, como "Chenla do Mar". Chenla da Terra abrangia a região central até a província do sul do Laos, onde hoje é Champassak. Já o sul, ou Chenla do Mar, ocupava o território ao lonfo do Delta do rio Mekong e o litoral. Em 715, o reino foi dividido novamente, desta vez em pequenos estados.[33]

Império Khmer[editar | editar código-fonte]

Angkor Wat, um dos monumentos do país.

Durante os séculos III, IV e V, os estados indianizados de Funan e Chenla se uniram e tiveram domínio sobre o atual Camboja e sudoeste do Vietname.[34] Esses estados são encarados por muitos estudiosos por serem parte do Khmer.[34] O domínio substituiu o budismo mahayana pelo hinduísmo, no quesito religioso, que permaneceu como religião oficial durante toda a dominação de Funan e Chenla. Durante mais de 2.000 anos, o Camboja, assim como Myanmar, foi influenciado pela Índia e pela China, fazendo com que sua influência fosse para fora de seu atual território reduzido e passando esse conhecimento e cultura para outras civilizações do sudeste asiático, que correspondem hoje ao leste da Tailândia, sudoeste do Vietname e o Laos.[35] Em torno do século XIII, o budismo teravada foi reintroduzido no país por monges do Sri Lanka,[36] que eram vistos como os homens mais respeitáveis dentros das comunidades e vilas que surgiam em torno dos templos. Isso resultou no crescimento e predominância do budismo teravada e a perca de influência do hinduísmo e budismo mahayana.[36]

Mapa do Sudeste Asiático em torno de 1.100 d.C. O território do Império Khmer está em azul.

A partir desse período, o Império Khmer começou a declinar, mas manteve-se no poder até o século XV. O centro do poder do império estava em Angkor, onde uma série de capitais foram construídas durante o auge do império. Calcula-se que somente o templo de Tah Prohm, um dos construídos pelo rei Suryavarman II, foi servido por mais de 12 mil cortesãos, entre sacerdotes, dançarinas e engenheiros em seu auge, além dos exércitos do Império, ou das legiões de agricultores que cultivavam o arroz. Ao longo de sua história, o Império Khmer travou batalhas contra os Chams (do sul do Vietname), bem como contra diferentes povos tailandeses.[37] Angkor poderia ter suportado uma população de até 1 milhão de habitantes à época, podendo ter sido a maior cidade do mundo até a Revolução Industrial, tendo em vista que Londres possuía população de aproximadamente 30 000 habitantes.[37] [38] Angkor Wat, o mais famoso e preservado templo religioso desse período, é um resquício de um passado cambojano com um grande e influente poder regional.[37] O templo é hoje um dos maiores do gênero religioso no mundo,[38] [37] cuja construção se iniciou em 1140.[37]

Trabalhos arqueológicos revelam que, ainda no śeculo XIII, o sistema de água que favorecia Angkor estava sob forte tensão.[38] Em meados de Década de 1200, uma enchente destruiu parte das obras de terraplanagem do West Baray. Os engenheiros angkorianos, ao invés de reparar a violação, apenas retiraram os escombros de pedra que foram usados em outros projetos, danificando o sistema de irrigação.[38] Após cerca de um século, Angkor enfrentou dois ciclos de décadas de secas extremas, presumivelmente entre 1362-1392 e 1415-1440. Neste período, a capital já havia perdido grande parte do controle de seu império, deixando-o vulnerável aos constantes ataques dos tailandeses. O período foi marcado por longas séries de guerras contra os reinos vizinhos. Angkor foi invadida e saqueada abruptamente pelos tailandeses por volta de 1430 e em 1431 foi abandonada pelo império khmer, devido a quebra de sua infraestrutura e desastres ecológicos.[39] [40]

A corte moveu a capital para Lovek, uma aglomeração mais ao sul, próxima da atual capital do país, Phnom Pehn. Em Lovek, o reino passou a usufruir do comércio marítimo, devido a região estar localizada mais próxima da costeira e estar geograficamente próxima ao lago Tonle Sap. Apesar da mudança da capital do império, os monges budistas continuaram a adorar no templo de Angkor Wat, embora os demais templos e edifícios do complexo de Angkor tenham sido abandonados e dominados pela vegetação local. As constantes guerras do império contra os tailandeses e vietnamitas se mantiveram, resultando na perda de mais território e na conquista de Lovek em 1594. Nos próximos três séculos seguintes, o reino Khmer alternou entre ser um estado vassalo dos tailandeses e vietnamitas e curtos períodos de relativa independência dos mesmos.[38]

Camboja no século XVII, visto a partir do mapa português.

Indochina Francesa[editar | editar código-fonte]

Norodom I, rei que pediu a proteção da França contra a suzerania tailandesa e vietnamita.

Em 1863, o rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia,[41] pediu a proteção da França contra os tailandeses e vietnamitas, após a tensão entre esses reinados ter crescido. Em 1867, o rei tailandês assinou um tratado com a França renunciando sua suzerania sobre o Camboja, em troca do controle das províncias de Battambang e Siem Reap, que passaram a pertencer oficialmente à Tailândia. Essas províncias voltaram a fazer parte do Camboja após um tratado entre a França e a Tailândia, em 1906.

O Camboja continuou como protetorado da França de 1863 a 1953, sendo administrado como parte da colônia da Indochina Francesa, menos durante a ocupação do Império Japonês de 1941 a 1945.[42] Após a morte do rei Norodom, em 1904, a França influenciou na escolha de quem deveria suceder o trono, e Sisowath, irmão de Norodom, foi colocado no trono cambojano. O trono ficou vago novamente em 1941 com a morte de Monivong, filho de Sisowath, e a França ignorou o herdeiro legítimo, Monireth, filho de Monivong, por acreditar que ele possuía ideais de independência. Ao invés disso, Norodom Sihanouk, à época com 18 anos, foi colocado no poder.

Independência[editar | editar código-fonte]

A França acreditava que também poderia influenciar nas ações e iniciativas do rei Norodom Sihanouk. Todavia, em 9 de novembro de 1953, sob seu reinado, o Camboja declarou a independência da França.[42] Foi após a Segunda Guerra Mundial que o forte sentimento nacionalista, liderado pelo recém surgido Partido Popular Revolucionário do Kampuchea (KPRP/PPRK), sob os auspícios do Vietname, levou a França a conceder a independência cambojana. Quando a Indochina Francesa concedeu a independência, o Camboja perdeu oficialmente o Delta do Mekong, que passou para a soberania vietnamita. Na prática, a área já vinha sendo controlada pelo Vietname desde 1698, quando o rei Chey Chettha II permitiu que o país vizinho construísse assentamentos na área, que cada vez mais se tornava densamente populosa.[43] Ainda sob o reinado de Sihanouk, o país tornou-se uma monarquia constitucional.

Pós-independência e Guerra do Vietnã[editar | editar código-fonte]

Norodom Sihanouk, cujo partido vence todas as eleições para a Assembleia Nacional, de 1955 a 1966, governa com amplo poder, mas enfrenta uma forte oposição de esquerda. A partir de 1964, com o surgimento do Khmer Vermelho, treinados em técnicas de combate como Wayshia[carece de fontes?], o Khmer Vermelho, passa a se deparar com uma violenta rebelião comunista, que atinge o seu auge nos anos 1967/68. Em 1970, enquanto Sihanouk viajava por Moscou e Pequim, seu primeiro-ministro, o Marechal Lon Nol, dá um golpe de Estado e, a 18 de março, a Assembleia Nacional vota por unanimidade a deposição do governante ausente. A 17 de abril de 1975, as forças do Khmer Vermelho entram na capital, Phnom Penh, quase sem resistência, marcando o fim da administração Lon Nol. O breve, mas sangrento, regime de Pol Pot e dos Khmer Vermelho terminou em 1978 com a intervenção do Vietnã que instalou um regime "amigo". Os Khmers Vermelhos continuaram a luta armada contra o regime até aos anos 1990 do século XX, quando o Camboja, sob a égide da ONU iniciou um processo de democratização.

Após a independência, o país foi renomeado por várias vezes: Reino do Camboja, durante o governo de Reachia Niyum (1953-1970); República Khmer, sob o regime de Lon Nol (1970-1975); Kampuchea Democrático, sob o Regime genocida de Pol Pot (1975-1979); República Popular de Kampuchea entre 1979 e 1989; Estado do Camboja entre 1989 e 1993; e novamente Reino do Camboja, de 1993 até o momento, desde a restauração da monarquia no país. [44] Posteriormente sob o governo alçado em 1997[45] pelo primeiro-ministro Hu Sen, ex-membro do Khmer Vermelho[46] foi confiscada e privatizada metade das terras do país e concedidas a estrangeiros.[47]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Vista dos Montes Dângrêk, no noroeste do país.

O Camboja está localizado na Ásia, precisamente no Sudeste asiático. Está situado na fértil Bacia do Rio Mekong e sua superfície territorial é de 181 035 km², sendo o 87º maior país do mundo. Compartilha fronteiras terrestres com a Tailândia ao oeste e norte (cerca de 803 km), com o Laos ao nordeste (541 km de fronteira) e com o Vietname ao leste e sudeste, possuindo 1.228 km de fronteira com este. Possui ainda, 443 km de costa marítima no Golfo da Tailândia.[48] [49]

A principal característica topográfica do país é a planície lacustre formada pelas inundações do Tonle Sap (Grande Lago), que tem cerca de 2.600 km² de superfície durante a estação seca e 10.400 km² na estação das chuvas.[50] Esta planície densamente povoada, dedicada ao cultivo de arroz, constitui a parte central do Camboja. A maior parte do país (cerca de 75%) está situada a menos de 100 metros de altitude, sendo as três únicas exceções[48] as montanhas Cardamon, com 1.771 metros em sentido norte-sul, os Montes Dângrêk, com uma altura média de 500 metros acima do nível do mar, estendendo-se ao longo da fronteira norte com a Tailândia,[50] e o Phnum Aoral, o ponto mais alto do Camboja com 1.813 metros de altitude.[49]

Cachoeira na montanha Phnom Kulen, província de Siem Reap.

Os recursos minerais no país são mínimos, mas destacam-se os fosfatos e pedras preciosas. O Camboja dispõe de enorme potencial hidroelétrico, sendo que este desenvolvimento foi obstruído pelos conflitos indochineses e pela guerra civil enfrentada pelo país. Explora-se também madeira, manganês e ferro.[49] [51]

A vegetação tropical é dominante em todo o território do Camboja que, por sua vez, está dividido em três zonas de vegetação. Floresta tropical predomina na parte ocidental e sul-ocidental, assim como em uma pequena parte da província de Mondol Kiri, predomina floresta tropical. Nesta região do país, é predominante espécies de árvores das famílias Meliaceae, Verbenaceae, Fabaceae, Combretaceae e Dipterocarpaceae.[52] [53] Também compõem a vegetação do país, planícies e áreas de terra baixa muito férteis, comumente usadas como campos de arroz e plantações de tabaco e milho. A costa litorânea é repleta de florestas de mangue, e ao longo dos rios é possível encontrar a flor-de-lótus sagrada do Budismo.[53]

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima do Camboja é o tropical, regido através dos ventos de monção, responsáveis por definir as duas principais temporadas. De meados de maio a início de outubro, os fortes ventos da monção sudoeste causam fortes chuvas e alta umidade no território. A partir do início de novembro a meados de abril, os ventos tornam-se mais leves e o clima mais seco, com nebulosidade variável, precipitação pouco frequente e menor umidade. As temperaturas são elevadas durante todo o ano, variando entre cerca de 28° C e 35 ° C. A precipitação anual varia consideravelmente em todo o país, com mais de 5.000 mm nas encostas dos planaltos do sudoeste, a cerca de 1.270 e 1.400 mm na região central de várzea. Três quartos da precipitação anual ocorre durante os meses da monção sudoeste.[54]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

O Camboja é um dos países de maior biodiversidade no sudeste da Ásia. Suas florestas servem como hábitat de muitas espécies ameaçadas, algumas das quais já desapareceram em outros países vizinhos. O crocodilo-siamês, elefante-asiático e o tigre sobrevivem em refúgios florestais exuberantes, espalhados por todo o país.[55] Aves, incluindo faisões e patos-selvagens, além de mamíferos, bois-selvagens, panteras e ursos são abundantes em todo o país. Peixes, espécies de cobras e insetos também estão presentes em abundância.[56] São encontradas, ainda, uma grande variedade de plantas e outros animais. Existem 212 espécies de mamíferos, 536 espécies de aves, 240 espécies de répteis, 850 espécies de peixes de água doce e 435 espécies de peixes marinhos.[57] Grande parte dessa biodiversidade está contida no lago Tonle Sap e em sua biosfera circundante.[57] A Reserva da biosfera de Tonle Sap engloba o lago de mesmo nome e abrange nove províncias: Kampong Thom, Siem Reap, Battambang, Pursat, Kampong Chhnang, Banteay Meanchey, Pailin, Oddar Meanchey e Preah Vihear. Em 1997, a reserva foi categorizada como uma Reserva da biosfera pela UNESCO.[58] Outros importantes ecossistemas incluem as florestas secas nas províncias de Mondul Kiri e Ratanakiri, as Montanhas Cardamom, os Parques Nacionais Bokor e Botum-Sakor, o Phnum Aoral - ponto mais elevado no país - e o santuário Phnom Samkos.[59]

O kouprei, um animal praticamente retristo à fauna do país, está criticamente ameaçado e possivelmente já extinto.[60] Outros animais presentes na ecologia e que estão ameaçados de extinção são o Rinoceronte-de-java, gato-marmorado, búfalo-asiático e o urso-malaio.[61] Há cerca de 150 tigres vivendo em áreas de proteção ambiental no país.[62] O Palmyrapalmu é tida como a árvore nacional do Camboja.[63]

O World Wide Fund for Nature reconhece seis ecorregiões distintas terrestres no Camboja - as Montanhas Cardamom, a Floresta seca Central da Indochina, a Floresta do Sudeste da Indochina, as Montanhas Annamites e floresta tropical sul, o Pântano de Tonle Sap e a Floresta de Tonle Sap-Mekong.[59] No Camboja, há 7 parques nacionais e outras 16 reservas naturais. Os maiores parques nacionais são o Parque Nacional Viracheyn, ao norte do país, próximo à fronteira com a província tailandesa de Ubon Ratchathani; o Parque Nacional Botum Sakor, no litoral sul; e o Parque Nacional Preah Monivong, também no sul.[64] Na década de 1990 a área florestal diminuiu 1.400 quilômetros quadrados por ano. Entre 2000 e 2005, a destruição da floresta aumentou 75 por cento. As maiores ameaças para as áreas de proteção ambiental no país são a extração ilegal de madeira, o crescimento da população e a reconstrução do país após a guerra civil, que exerce forte poder sobre o crescimento econômico.[65] O país passou por uma das maiores taxas de desmatamento do mundo. Entre 1969 e 2007, a desflorestação da selva do Camboja caiu de 70% para apenas 3,1%.[59] No total, o Camboja perdeu 25.000 km² de floresta entre 1990 e 2005, sendo que destes, 3.340 km² era mata virgem. Em 2007, havia menos de 3.220 km² de florestas virgens no país, apresentando a ameaça à sustentabilidade ambiental do Camboja.[66]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Grupos étnicos do Camboja.

Em 2013, o Camboja tinha uma população de cerca de 15,2 milhões de habitantes, registrando um aumento populacional de 1,705 por cento ao ano, maior que as taxas de crescimento da Tailândia, Coreia do Sul, Filipinas e Brasil.[1] [67] O Camboja é etnicamente muito homogêneo: cerca de 90% da população são khmers, falantes da língua khmer.[1] Apesar disso, há muitas minorias étnicas no país, como os chineses, vietnamitas, cham, mnong e paong.[1] Quase a metade da população tem idade inferior a 15 anos.[1] Pouco mais de 20% vivem em áreas urbanas, e grande maioria da população vive em pequenas vilas na zona rural.[1] A capital do país, Phnom Penh, possui cerca de 1,5 milhão de habitantes e é a cidade mais populosa da nação.[68]

A guerra civil e o genocídio cambojano afetaram significativamente a demografia do Camboja. Quase 50% da população tem menos de 22 anos de idade. Há cerca de 1,04 mulher para cada homem, a maior taxa entre os países do Grande Mekong. Entre a população com mais de 65 anos, o número de mulheres é 1,61% maior que o de homens.[69]

Idiomas[editar | editar código-fonte]

Cerca de 23 línguas são faladas no Camboja.[70] A língua khmer, única oficial no país, pertence ao grupo linguístico Mon-Khmer e é escrito no alfabeto próprio. As línguas estrangeiras mais comuns são o francês, inglês e o vietnamita, sendo que o francês é ensinado nas escolas e em algumas universidades. Nos últimos anos, o ensino do idioma inglês também tornou-se muito acentuado na educação do país.[71]


Religião[editar | editar código-fonte]

O Budismo é a religião oficial do país, de acordo com a Constituição cambojana.[72]

O Camboja tem o Budismo como religião oficial, conforme determinado por sua Constituição.[72] Mais de 96% da população é budista, tendo a tradição Teravada sido praticada de maneira generalizada em todas as províncias, possuindo cerca de 4.392 templos do mosteiro em todo o país.[73] A grande maioria dos étnicos khmers são budistas, e há associações entre o budismo, tradições culturais e a vida cotidiana.[74] A adesão à religião budista é geralmente considerada intrínseca à identidade étnica e cultural do país.[74] Durante o período de regime político do Khmer Vermelho, na década de 1970, a religião foi duramente reprimida no Camboja, tendo experimentado um renascimento após o fim da ditadura.

O Islamismo é a religião de grande parte das minorias religiosas que vivem no reino. Os muçulmanos representam cerca de 2,1% do total da população religiosa no país, sendo que estes são, em sua maioria, sunitas.[72] [75] Os cristãos somam 1 % dos religiosos, tais que os católicos formam o maior grupo entre estes, seguido pelos protestantes. Há aproximadamente 20 000 católicos no Camboja, o que representa 0,15% da população total. Outras denominações cristãs com presença no país incluem os Batistas, Metodistas, Testemunhas de Jeová e A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.[72] [74]

Política[editar | editar código-fonte]

O Camboja é uma monarquia constitucional, liderada pelo primeiro-ministro e tendo o rei como chefe de Estado.[75] [76] O atual rei é Norodom Sihamoni, que subiu ao trono em 2004, após seu pai, Norodom Sihanouk, ceder o reinado.[77] A monarquia constitucional foi restaurada no país em setembro de 1993, após a Assembleia Nacional do Camboja votar pela restauração do regime político, em uma eleição sob administração da ONU.[77] A Constituição garante um sistema multi-partidário. Os maiores partidos políticos são o Partido Popular de Camboja (também chamado Partido do Povo Cambojano - CPP), o monarquista Funcinpec; o partido de oposição liberal Sam Rainsy (SRP), o Partido dos Direitos Humanos, o Partido Democrático e o Partido Budista Liberal Democrático.[78] [75]

O poder legislativo é representado pelo Senado e Assembléia Nacional. O Senado é composto por 58 membros representantes, sendo 123 membros na Assembléia Nacional. As duas organizações representativas nomeiam, cada uma, dois membros que compõem a Conselho Real, tal que os outros 57 conselheiros são eleitos popularmente, para um mandato de cinco anos. O primeiro-ministro também é nomeado pela Assembléia Nacional, através de uma eleição. Cabe ao primeiro-ministro a indicação e seleção de outros ministros para o governo, que devem ser nomeados pelo rei.[78] [79]

O Poder Judiciário é composto pelo Supremo Tribunal Federal, os tribunais de primeira instância e do Tribunal Especial, que trata dos feitos e crimes graves cometidos pelo regime do Khmer Vermelho.[79]

Símbolos nacionais[editar | editar código-fonte]

A bandeira do Camboja foi adotada oficialmente em 23 de setembro de 1993, após o restabelecimento da monarquia no país. A bandeira possui três listras horizontais, tendo a central (de cor vermelha) o dobro da largura das outras duas faixas (de cor azul). No meio da faixa vermelha está representada a entrada do templo de Angkor Wat.

O Brasão de armas cambojano é o símbolo da monarquia cambojana. Têm existido, de alguma forma estreita, um retratamento desde o estabelecimento do Reino do Camboja, independente em 1953. É o símbolo que está patente no Estandarte Real do monarca reinante do Camboja, Norodom Sihamoni (ascendeu em 2004).

"Nokoreach" ("O Reino") é o hino nacional do país. Com letra de Chuon Nat, foi adotado em 1941 e confirmado em 1947. Todavia, foi só em 1976 que passou a vigorar, quando o Khmer Vermelho se retirou.

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

Oficiais da Marinha Real do Camboja.

As Forças Armadas do Camboja consistem no Exército, Força Aérea e Marinha. Conforme a lei de 2006, que trata da questão, os homens entre 18 e 30 anos de idade são encarregados de prestar o serviço militar, sendo necessários 18 meses para tal ocupação.[80] As Forças Armadas do Camboja correspondem a cerca de 300 mil pessoas,[80] o que representa um aumento no número de militares, já que em 1998 esse efetivo era de 139 mil. Também em 1998, foram gastos US$ 149 milhões em defesa miltar no país.[75] A despesa militar total do Camboja é de 2,4% do PIB nacional.[80]

O Exército Real do Camboja, a Marinha Real, a Força Aérea Real e a Real Gendarmerie coletivamente formam as Forças Armadas Reais do Camboja, sob o comando do Ministério da Defesa Nacional, presidida pelo primeiro-ministro do Camboja.[80] O Rei Norodom Sihamoni é o Comandante Supremo das Forças Armadas Reais do Camboja (RCAF) , e o primeiro-ministro do país, Hun Sen, efetivamente ocupa o cargo de comandante-chefe. Entre os deveres civis da Força Real do Camboja, estão o fornecimento de segurança e paz pública, a investigação e prevenção do crime organizado, do terrorismo e outros grupos violentos e a proteção do Estado e da propriedade privada. Também é atribuído as Forças Armadas do Camboja, a ajuda aos civis e outras forças de emergência, em caso de emergências como catástrofe natural, conflitos civis e conflitos armados.

O ministro das Relações Exteriores do Camboja, Hor Namhong, reúne-se com a secretária de Estado dos Estados Unidos, Hillary Clinton, em Nova Iorque, em 2012.

Relações exteriores[editar | editar código-fonte]

As relações exteriores do Camboja são tratadas pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, sob administração do diplomata Hor Namhong.

O Camboja é membro das Nações Unidas, do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI). É membro também do Banco Asiático de Desenvolvimento (ADB), da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e aderiu à Organização Mundial do Comércio (OMC) em 13 de Outubro de 2004. Em 2005, o país participou do inaugural da Cúpula do Leste Asiático, na Malásia. O Camboja se tornou membro da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) em 6 de fevereiro de 1958, mas retirou a sua adesão em 26 de março de 2003. [81] Em 23 de novembro de 2009, o reino reintegrou sua adesão à Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). [82]

O Camboja mantém relações diplomáticas com numerosos países. Há pelo menos vinte embaixadas no país, incluindo muitas de seus vizinhos asiáticos e de outros países importantes, como os Estados Unidos, Austrália, Canadá, China, França, Reino Unido, Cuba Japão e Rússia.[83] [84] Não há embaixada do Brasil no Camboja, sendo que a Embaixada brasileira na Tailândia é responsável pela cumulatividade com o país.[85] Portugal também não possui embaixada no território cambojano, tendo os assuntos relativos ao país acompanhados pela Embaixada portuguesa em Banguecoque, também na Tailândia.[86] [87] Como resultado das suas relações internacionais, várias organizações de caridade ajudaram com as necessidades de infraestrutura social, econômica e civil. [83]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Camboja está dividido em 21 províncias (Khet) e 4 municípios com status de província (Krong). As províncias estão subdivididas em distritos (srok), que estão, por sua vez, subdivididas em comunas (khum). Os municípios estão subdivididos em seções (khan), que estão, por sua vez, subdivididas em quarteirões (sangkat).

A capital do país, Phnom Penh, não é um província, mas uma área administrativa especial. Entretanto, esta é incluída como o 25ª província, uma vez que é administrada ao mesmo nível que as outras 24 províncias. O nome das províncias são os mesmos que o de suas respectivas capitais, com exceção de Banteay Meanchey, Kandal, Mondulkiri, Oddar Meanchey, Rattanakiri, Koh Kong, Kampong Thom, Takeo e Kampong Speu. A mais nova província a ser criada entre as subdivisões cambojanas, é Tboung Khmum, criada através de um decreto-real assinado em 31 de dezembro de 2013 pelo rei Norodom Sihamoni. Foi dividida da província de Kampong Cham, sendo formada por 6 distritos.[88]

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Sobre esta imagem
Província Capital Território (km²) Habitantes
1 Banteay Meanchey Sisophon 6 679 678 033
2 Battambang Battambang 11 702 1 036 523
3 Kampong Cham Kampong Cham 9 799 1 680 694
4 Kampong Chhnang Kampong Chhnang 5 521 472 616
5 Kampong Speu Kampong Speu 7,017 716 517
6 Kampong Thom Kampong Thom 13 814 708 398
7 Kampot Kampot 4 873 627 884
8 Kandal Ta Khmau 3 568 1 265 805
9 Keb(1) Keb 336 40 280
10 Koh Kong Koh Kong 11 160 139 722
11 Kratié Kratié 11 094 318 523
12 Mondul Kiri Sen Monorom 14 288 60 811
13 Oddar Mean Cheay Samraong 6 158 185 443
14 Pailin(1) Pailin 803 70 482
15 Phnom Penh(1) Phnom Penh 678 1 501 725
16 Preah Vihear Phnum Tbeng Mean Chey 13 788 170 852
17 Sihanoukville(1) Sihanoukville 868 199 902
18 Pursat Pursat 12 692 397 107
19 Prey Veng Prey Veng 4 883 947 357
20 Ratanakiri Banlung 11 094 318 523
21 Siem Reap Siem Reap 10 299 896 309
22 Stung Treng Stung Treng 11 092 111 734
23 Svay Rieng Svay Rieng 2 966 482 785
24 Takéo Takéo 3 563 843 931
25 Tbong Khmum Tboung Khmum s/d 754 000

(1) Município com estatuto de província.

Economia[editar | editar código-fonte]

Agricultora cambojana em um campo de arroz.

A moeda do Camboja é o riel. Nas grandes cidades, é comum e aceitável o uso do dólar norte-americanos, e em regiões fronteiriças com a Tailândia comumente também se usa o baht.[89] Durante o regime de governo do Khmer Vermelho, já se discutia a adoção de uma nova moeda para o país.[90]

Apesar das melhorias recentes, a economia do Camboja continua a sofrer instabilidade, como resultado de décadas de guerra civil e tensões políticas. O PIB per capita está crescendo rapidamente, mas ainda é baixo em comparação com outros países da região. A maioria das famílias rurais dependem enormemente da agricultura.[90] As principais exportações do Camboja são têxteis, madeira, borracha, arroz, pescado e tabaco.[91] Além destes, destacam-se também o cultivo do café, cana-de-açúcar, chá, borracha e pimenta-do-reino.[91] O cultivo do arroz é praticado em vales fluviais de forma intensa, com elevada produtividade. Os principais parceiros de exportação do país são os Estados Unidos, Singapura, Alemanha, Reino Unido, Canadá e Vietnã.[92]

Entre 2004 e 2008, a economia cambojana cresceu mais de 10% ao ano. A indústria têxtil e o turismo são os principais setores de crescimento. Em 2010, o país recebeu 2,508 milhões de turistas.[93] O turismo é a segunda maior fonte de renda depois da indústria têxtil.[90] Angkor, Siem Reap e Phnom Penh são os principais destinos turísticos. As ilhas tropicais da costa sul ainda não são muito exploradas pelo turismo. Por outro lado, o Camboja é também um notável destino para o turismo sexual - uma preocupação particular é a prostituição infantil e prostituição de caráter forçado.[94]

O risco-país do Camboja ainda é considerado muito alto para investidores estrangeiros. O país faz parte de uma lista de 16 nações como sendo de extremo risco nos fundos de investimentos.[95] [96] Os fatores que mais contribuem para a permanência do país como uma nação de alto risco para investimentos deve-se, principalmente, à pouca qualificação e educação adequada da população, especialmente em áreas rurais pobres, onde a infraestrutura é quase inexistente. O medo de desequilíbrio político e corrupção têm retardado o investimento estrangeiro. Entre 2004 e 2009, o investimento estrangeiro, no entanto, cresceu 12 vezes a mais que na década de 1980.[90] Em 2005, foram encontrados petróleo e gás natural em suas águas territoriais.[97] A indústria de mineração e siderúrgica está em crescimento, especialmente no norte do país.[90] [98] O solo é rico em pedras preciosas, ferro, manganês e fosfato.[92]

Entre 1980 e 1990, a economia do camboja cresceu 5% ao ano.[99] Foram taxas anuais de crescimento da economia superiores a média mundial, baseadas em investimentos estrangeiros. Mas a partir da segunda metade de 1990, esses investimentos começaram a escassear (eles foram para outras partes do globo), e essas taxas diminuiram.[99]

A agricultura continua a ser o setor mais importante da economia do Camboja em termos de sua participação no produto interno bruto (PIB) e emprega a grande maioria da força de trabalho.[100] [101] O arroz é principal produto agrícola do Camboja, seu principal alimento e o seu mais importante produto de exportação. Este é cultivado em mais da metade da área total de terras cultivadas no país.[102] As principais regiões produtoras de arroz são as que cercam o delta dos rios Mekong e Tonle Sap, com um cultivo particularmente intensivo nas províncias de Batdambang, Kampong Cham, Takev e Prey Veng.[102] Tradicionalmente, o país produz apenas uma safra de arroz por ano, devido à extensa irrigação e o sistema necessário de cultivo.[102] A realização e comercialização da agricultura está sob os padrões tradicionais e internacionais, sendo que o plantio dar-se-á entre julho ou agosto, e o período de colheita se estende de novembro a janeiro. A quantidade de precipitação determina o tamanho e qualidade da colheita e a irrigação é pouca.[103]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

Tráfego em Phnom Penh.

As linhas ferroviárias e parte da rede de estradas do Camboja são consideradas em mau estado.[104] Há duas linhas ferroviárias principais, com uma extensão total de 645 quilômetros.[104] Antes da Segunda Guerra Mundial, formou-se a partir de Phnom Penh, uma linha ferroviária no sentido sul-norte, indo da capital para Sisophon, próximo da fronteira Camboja-Tailândia e a linha ferroviária no sentido norte-sul, saindo também de Phnom Penh e indo para a cidade portuária de Sihanoukville.[104] Está em construção no país uma estrada de ferro que o ligará a Ferrovia TransAsiática, interligando a Singapura e à China.[104] As estradas no país possuem um total de cerca de 38 000 km, mas apenas 1900 km estão pavimentados.[104] O uso de bicicletas e triciclos (um meio de transporte típico do Sudeste Asiático), apesar de ainda muito popular, diminuiu consideravelmente nos últimos anos.[105]

A taxa de acidentes de trânsito no Camboja é considerada alta para os padrões mundiais. Em 2004, o número de mortes no trânsito por 10 mil veículos era dez vezes maior do que nos países desenvolvidos, e o número de mortes nas estradas dobrou nos últimos três anos.[106]

A extensa hidrovia presente no Camboja é facilmente navegável. Os rios tem sido um meio de transporte de importância histórica e continuam a ser uma parte significativa do sistema de transporte cambojano.[104] O rio Mekong e os seus numerosos afluentes, além do lago Tonle Sap, compreendem um total de 2400 km.[1] Ao norte de Phnom Penh, o rio Mekong é facilmente navegável até Kratie, mas a ofertao de serviços regulares nestas rotas já não tem tanta relevância com a construção de estradas nesta região do país.[104] Há serviços de barcos entre Siem Reap e Battambang, através do lago Tonle Sap, embora sejam usados apenas barcos menores no trajeto.[104] Há dois portos importantes no Camboja: o de Phnom Penh e de Sihanoukville.[1] O Porto de Phnom Penh é o único porto fluvial no país capaz de receber navios de 8000 toneladas durante a estação chuvosa e navios de 5000 toneladas durante a estação seca.[107]

Existem três aeroportos internacionais no Camboja: O Aeroporto Internacional de Siem Reap, o de Phnom Penh e o Aeroporto Internacional de Sihanoukville. Em 2012, o Aeroporto Internacional de Phnom Penh recebeu um movimento de cerca de dois milhões de passageiros, sendo o segundo mais movimentado do país[108] superado pelo Aeroporto Internacional de Siem Reap que havia registrado, em 2012, um movimento de 2,2 milhões de passageiros.[109] em Phnom Penh, 19 companhias aéreas realizam voos regulares internos e internacionais.[110] Há ainda, outros 14 aeroportos domésticos no Camboja.

Educação[editar | editar código-fonte]

O Ministério da Educação, Juventude e Desporto do Camboja é responsável por estabelecer políticas e diretrizes para a educação nacional no país. O sistema de ensino cambojano é fortemente descentralizado, com três níveis de administração: Central, provincial e distrital - responsáveis ​​pela sua gestão. A constituição do Camboja promulga escolaridade obrigatória gratuita durante nove anos, garantindo o direito universal à educação básica de qualidade.

O censo de 2008 mostra que a taxa de literacia da população cambojana foi de 77,6%, sendo que os homens são mais alfabetizados que as mulheres (85,1% e 70,9% respectivamente).[111] Homens com idade entre 15 e 24 anos possuem uma taxa de alfabetização de 89%, enquanto 86% das mulheres na mesma faixa etária era alfabetizada.[112]

O sistema de educação no Camboja continua a enfrentar muitos desafios. Nos últimos anos tem havido melhorias significativas, especialmente em termos de ganhos de escolarização primária líquida, implementação de programas baseados em orçamento, e o desenvolvimento de um quadro político que ajuda crianças desfavorecidas a ter acesso à educação. Tradicionalmente, a educação no Camboja foi oferecida pelos wats (templos budistas), proporcionando, assim, educação exclusivamente para a população masculina. Durante o regime do Khmer Vermelho, a educação sofreu reveses significativos.

Atualmente, 2,6% do produto interno bruto cambojano é destinado para a educação, fazendo do país a 153.ª nação em investimento na área educacional no mundo.[111] Há 10 instituições de ensino superior de caráter público no país e outras 29 instituições de ensino superior privadas.

Saúde[editar | editar código-fonte]

O sistema de saúde pública no Camboja também é descentralizado. Em 2010, a expectativa de vida no país era de 63,41 anos, sendo 61,01 anos para os homens e 65,93 anos para as mulheres.[113] Desde 1999, a esperança de vida sofreu notável crescimento, já que no respectivo ano esta era de 49,8 anos para os homens e 46,8 anos para as mulheres.[114]

A malária é um problema de saúde pública generalizada no país. Os casos desta doença concentram-se, especialmente, nas regiões leste e norte, além de áreas e povoados rurais, tendo como única excessão a área de Phnom Penh e em torno do lago Tonle Sap.[115] [116] A incidência da malária varia de ano para ano e em cada período chuvoso, dependendo do número de pessoas em atividades florestais.[117] Os medicamentos anti-maláricos também são um dos problemas enfrentados pela administração da saúde pública cambojana, já que a maioria destes não é produzido no país.[118] A situação da AIDS também melhorou nos últimos dez anos: a propagação de portadores do vírus HIV em 2007 foi de apenas 0,8% em relação à população adulta, sendo que em 1990 havia cerca de 2% da população em geral.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Angkor Wat, o principal símbolo cultural do país.

Vários fatores contribuíram para a formação da cultura cambojana, incluindo o Budismo teravada, a colonização francesa, a era Angkor e a globalização moderna. O Ministério da Cultura e Belas Artes é responsável pela promoção e desenvolvimento da cultura cambojana. A cultura do reino inclui não só os costumes da maioria étnica, Khmer, mas também os costumes das cerca de 20 tribos culturalmente distintas, reconhecidas pelo termo Khmer Leu, cunhado por Norodom Sihanouk, usado para significar a unidade entre população cambojana, nas suas mais variadas representações.

A população rural do Camboja culturalmente usa um lenço chamado krama, que é um aspecto único de vestuário no Camboja. Há diversos estilos distintos de dança, arquitetura e escultura, que foram influenciados e compartilhados historicamente com o Laos e Tailândia. Angkor Wat (Angkor significa "cidade" e Wat "templo") é o exemplo mais bem preservado da arquitetura cambojana do período Angkoriano, que detém ainda, centenas de outros templos dentro e ao redor da região.

Apsara, uma dança popular no Camboja.

Bonn Om Teuk, o "Festival de barcos de corrida", é um dos festivais culturais da nação. Consiste na competição anual na corrida com barcos a remos, sendo o festival do Camboja mais visitado. É realizado no final da estação das chuvas, quando o rio Mekong começa a perder o nível de água. Cerca de 10% da população participa neste evento, que presta homenagem à lua, e fogos de artifício são lançados durante a realização do evento, como parte da tradição cultural.

Uma vez que a maioria da população é budista, o Camboja segue o calendário clássico indiano. O Ano Novo Cambojano é um feriado importante no país e cai no mês de abril.

Tratando da culinária cambojana, assim como em outros países da região, arroz e pescado são os ingredientes principais na gastronomia do reino. A cozinha cambojana é composta por frutas tropicais, sopas e ensopados. Além do arroz e pescado, outros ingredientes muito usados na culinária do país são alho, limão, molho de peixe, soja, caril e outras especiarias.

A música tradicional do Camboja tem uma longa tradição, que remonta ao Império Kmerskata. Danças reais, como o Apsara, são ícones da cultura cambojana. Outra dança popular é a Kamodzha romvongot.

Artesanato[editar | editar código-fonte]

O artesanato cambojano inclui arte têxtil, murais de templos e decoração em madeira, bem como cestas, máscaras e criação de jóias. [119] [120] Além destes, a tecelagem de seda, a ourivesaria, esculturas em pedra, esculturas em madeira, laca, cerâmica também estão presentes, muitas destas praticadas desde os tempos antigos. A tradição da arte moderna começou no Camboja em meados do século XX. A cena contemporânea das artes visuais no Camboja sofreu uma escalada artística.[121]

A tecelagem de seda no Camboja tem uma longa história. A prática remonta aos primeiros séculos da história do país, quando os têxteis eram usados no comércio. A produção têxtil moderna habilmente imita estes antecedentes históricos e produzem detalhes de roupas em antigas esculturas de pedra. Na maior parte das jóias fabricadas, são usados frutos e formas inspirados em Angkor. Assim como a tecelagem de seda, a tradição das esculturas de pedra surgiu nos primeiros anos de formação do país, com a construção do Complexo de Angkor. Nas esculturas modernas, ainda estão sendo usados os estilos tradicionais.[121]

Arquitetura e Belas Artes[editar | editar código-fonte]

A arquitetura do Camboja foi preservada através das ruínas dos templos do complexo de Angkor Wat e esculturas de pedra representando deuses hindus, os monumentos arquitetônicos mais importantes do período do Império Khmer. [122] As primeiras obras arquitetônicas (Preah Ko e Bakong) foram construídas pelo rei indravarman I (877-889), na então capital do reino, Hariharalayaan. Seu sucessor, Indravarmanin, mudou a capital para Angkor. O famoso e brilhante templo, Angkor, no entanto, foi concluído no reinado de Suryavarman II, entre 1113 e 1150. Ele foi sucedido por Jayavarman VII, que construiu uma nova capital em Angkor Thomiin, no centro de um enorme templo budista, Bayonin. Outros exemplos da arquitetura do país foram surgindo ao longo dos anos, entre estes o Ramayana e Mahabharata. [123]

Vista do Mercado Phsar Thom Thmei e o Art's Deco, em Phnom Penh. A colonização francesa também influenciou a arquitetura do Camboja.

No período colonial, a França teve um grande impacto sobre a arquitetura e as artes visuais. [124] Em Phnom Penh, foram construídos cerca de 1800 canais, avenidas e edifícios de estilo europeu, , como o Art’s Deco e o mercado coberto Phsar Thom Thmei . [125] Após a independência, nos anos 1950, as artes visuais e a arquitetura começaram a sofrer mistura dos costumes do reino khmer e do colonialismo francês, e são aproveitados para criar uma nova identidade nacional. [126] Nos últimos anos, a paisagem urbana mudou a um ritmo acelerado, muitas vezes sem planejamento ordenado.[127]

Cinema[editar | editar código-fonte]

A indústria cinematográfica nacional floresceu entre 1950 e 1960. O país experimentou a realização de inúmeros trabalhos de diretores estrangeiros, bem como a criação de um grande número de empresas de produção e uma abundância de salas de cinema. Durante o regime do Khmer Vermelho, muitos diretores e atores foram mortos e a indústria cinematográfica foi fortemente controlada. [128]

O cinema nacional recuperou-se na década de 1980. Entretanto, o país ainda sofre com a pirataria na indústria cinematográfica e produção de má qualidade. Na década de 1990, o diretor cambojano Rithy Panh alcançou sucesso internacional, e seu primeiro longa-metragem, Uma mulher no campo de arroz, foi apresentado no Festival de Cannes.[129] . O Camboja tem sido o ambiente de uma série de filmes estrangeiros, entre estes os filmes Lara Croft: Tomb Raider (2001), City of Ghosts (2001) e Dois Irmãos (2004).[130]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Os primeiros trabalhos literários foram escritos durante o período angkoriano. Era comum a utilização de folhas de palmeiras para o desenvovimento de textos em sânscrito, escrituras budistas e estórias Jataka. Com uma grande influência das literaturas indiana e tailandesa, o acesso à obras literárias indígenas era limitado, devido a maior parte da população não ser alfabetizada. Ainda assim, figuras épicas tradicionais do khmer, como o Neang Kakey e Dum Deav, compunham os contos assistidos pelos cambojanos.[131]

No idioma khmer, a palavra aksarsastra é geralmente definida como "literatura", sendo associada também à "carta", "script" ou "estudo dos textos". Com isso, os estudos da literatura Khmer geralmente se inciam nas inscrições em pedra, datadas a partir do século VII d.C e composta por uma linguagem estilizada, com uso de rimas complexas e linguagem arcaica. Judith Jacob, pesquisadora da Universidade de Oxford e autora do livro "A literatura tradicional do Camboja" (1996) descreveu o Ramakerti - uma versão cambojana do Ramáiana - como "páginas cheias de arcaísmos, vocabulário obsoleto, palavras desconhecidas grafadas em uma variedade de formas e texto formidável".[132] [133]

Culinária[editar | editar código-fonte]

Refeição comum no Camboja. Prahok frito em folhas de bananeira, verduras frescas e arroz branco.

A culinária cambojana combina as características das culinárias tailandesa, vietnamita e chinesa, mas também recebeu grande influência da culinária francesa, devido a colonização. O alimento principal é o arroz, que comumente é utilizado três vezes por dia nas refeições. Na cozinha do país, as principais fontes de proteína são peixes e outras criaturas marinhas que são adquiridas, além do pescado no mar, através da criação no Lago Tonle Sap. Além disso, a carne (bovina, suína e de frango) também é muito usada. Hortaliças e frutas são consumidas em abundância e a gordura corporal é muito baixa no país.[134] [135]

A influência francesa na culinária do Camboja pode ser verificada no red curry, um baguette torrado cambojano. O red curry é comido com arroz e vermicelli de arroz com macarrão. Provavelmente, o prato mais popular no jantar cambojano é o kuy teav, uma sopa de massa de arroz feita num caldo baseado em carne de porco e vegetais, temperada com camarão seco e vários condimentos e servida com camarão fresco cozido.[136] [137] A culinária do país ainda é desconhecida da maior parte do mundo, comparada com a de seus vizinhos, Tailândia e Vietname.[138]

Os Cambojanos aperfeiçoaram a arte de misturar especiarias usando muitos ingredientes como cravo-da-índia, canela, anis estrelado, noz-moscada, cardamomo, gengibre e açafrão. Eles acrescentam outros ingredientes nativos como galanga, alho, cebolinha, erva-cidreira, coentro e limão kaffir a estes temperos, para fazer uma mistura de especiarias bastante distinta e complexa, conhecido como "kroeung".[138]

Há dois outros ingredientes únicos muito usados na culinária cambojana. Um deles é uma pasta de peixe fermentada, conhecido como pra-hok, e o outro, o Kapi, é uma pasta de camarão fermentada. Estes dois ingredientes exigem um gosto adquirido pelo tempo, e usados na maioria dos molhos que acompanham outros pratos típicos do país. Coletivamente, esses ingredientes têm se tornado uma importante combinação aromática comumente usado na culinária do Camboja.[138]

Desporto[editar | editar código-fonte]

Lutador de Pradal Serey em Siem Reap, no Camboja.

O Camboja participa dos Jogos Olímpicos de Verão desde 1964, geralmente com menos de 10 membros por equipe.[139] O país nunca recebeu medalhas.[139] A Seleção Cambojana de Futebol nunca participou de Copas do Mundo FIFA, embora tenha participado de todas as fases eliminatórias. Esta foi fundada em 1933, e filiou-se à Federação Internacional de Futebol (FIFA) no ano da independência do país, em 1953. De acordo com o ranking da FIFA, a seleção do país é a 42ª melhor seleção da Ásia e a 188ª melhor seleção do mundo, estando no mesmo patamar que as seleções de Brunei e Mongólia.[140] [141]

Várias artes marciais são populares no país. O Bokator, também chamado de Labokkatao, é a arte marcial cambojana de maior expressão, e possivelmente o mais antigo sistema de luta do Camboja, com cerca de 1000 anos. Existem diversas semelhanças entre este tipo de luta com o Muay Boran, da Tailândia, onde é identicamente dedicada a elaborada utilização de técnicas com uso eficaz de cotovelos e joelhos, de pernas com pontapés laterais, onde diferenças mínimas do antigo Muay Boran são percetíveis. Os atletas utilizam ainda os uniformes dos antigos exércitos Khmer.[142] A Krama (lenço) é aplicado na cintura e cordas de ceda azuis e vermelhas, chamadas de sangvar day são colocadas em torno da cabeça dos lutadores e biceps (Idêntica tradição do Muay Thai que utiliza as prajied e Mongkon). Antigamente era referido que as cordas têm o poder de aumentar a força do atleta, contudo hoje em dia são utilizadas somente como perpetuação desta tradição. O bokator é erroneamente descrito como uma variante o Kickboxing moderno. Muitas das técnicas empregues neste estilo de luta, são baseadas em formas de ataque de diversos animais.[143]

Além do Bokator, o Pradal Serey é também muito popular no Camboja. Caracteriza-se como um estilo de luta desarmada, originalmente utilizado com profunda ênfase para a defesa militar, empregado especificamente nos campos de batalha. Estas duas artes marciais milenares são consideradas um desporto nacional do Camboja.[144] [145] Há, ainda, uma grande aceitação do Kickboxing.[146] [147]

Feriados[editar | editar código-fonte]

Data Nome observação
1 de janeiro Dia de Ano Novo Comemora o início do Calendário Gregoriano
7 de janeiro Dia da Vitória Comemora o fim do regime do Khmer Vermelho em 1979 de Pol Pot
Fevereiro Meak Bochea Day (Comemoração da Cerimônia de Pregação de Buda) É realizado durante a lua cheia do mês de Meak (fevereiro) em comemoração ao encontro espontâneo dos monges para ouvir a pregação de Buda
8 de março Dia Internacional da Mulher Dia global celebrando as conquistas econômicas, políticas e sociais das mulheres
14,15 e 16 de abril Dia de Ano novo Cambojano O Dia de Ano Novo Khmer, chamado de "Bon Chol Chhnam Thmei Khmer". O feriado dura três dias e é considerado o festival mais importante do calendário.
Abril ou Maio Vesak Este feriado nacional foi estabelecido como uma observância budista que comemora o nascimento, iluminação e morte de Buda
1 de maio Dia do Trabalho Celebra as conquistas econômicas e sociais dos trabalhadores.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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