Somália

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Nota: Para outros significados de Somália, ver Somália (desambiguação).

Jamhuuriyadda Soomaaliya
جمهورية الصومال (Jumhūriyyat aṣ-Ṣūmāl)
República Somali
Bandeira da Somália
Brasão da Somália
Bandeira Brasão
Hino nacional: Soomaaliyeey toosoo
("Desperta, Somália")
Gentílico: somali;
somaliano;
somaliense

Localização da Somália

Capital Mogadíscio
2º2'N 45º21'L
Cidade mais populosa Mogadíscio
Língua oficial Somali, árabe, italiano (idioma administrativo)
Governo Governo de transição
 - Presidente Sharif Ahmed
 - Primeiro Ministro Nur Hassan Hussein
Independência Do Reino Unido, Itália 
 - Data 1 de julho de 1960 
Área  
 - Total 637,657 km² (42º)
 - Água (%) 1.6
População  
 - Estimativa de 2005 8,228,000 hab. (91º)
 - Censo 1987 7,114,431
 - Densidade 13 hab./km² (198º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2005
 - Total US$4.809 bilhões USD (s/nº)
 - Per capita US$600 USD (s/nº)
Indicadores sociais
 - IDH (1992) 0.221 baixo (192 (pior do mundo)º) – sem dados
 - Esper. de vida 48.45 anos (170º)
 - Mort. infantil 116.70 (alto índice)/mil nasc. ()
Moeda Xelim somali (SOS)
Fuso horário (UTC+3)
Cód. Internet .so (presentemente inactivo)
Cód. telef. +252


A Somália (em somali Soomaaliya; em árabe الصومال‎, transl. aṣ-Ṣūmāl), oficialmente República Somali (Jamhuuriyadda Soomaaliya), é um país africano do Corno de África (ou Chifre de África), limitado a norte por Djibouti e pelo Golfo de Aden, do outro lado do qual se encontra o Iémen, a leste e a sul pelo oceano Índico, por onde faz fronteira com um arquipélago iemenita dominado pela ilha de Socotorá e a oeste pelo Quénia e pela Etiópia. Sua capital é Mogadíscio.

Índice

[editar] História

Ver artigo principal: História da Somália

A Somália surgiu em 1960, quando dois protetorados (um italiano e outro britânico) uniram-se. Em 1974 assinou um tratado com a União Soviética, que previa aos soviéticos uma base militar no país africano. Mas o acordo foi rompido após três anos, entre intrigas que envolviam a vizinha Etiópia.

Com o país sofrendo pelos conflitos internos, o governo central desapareceu após a queda da ditadura pró-soviética de Siad Barre, em 1991. Os "senhores da guerra" tomaram conta do país esfacelado. Desde então, a Somália vive em guerra civil intermitente, a qual matou dezenas de milhares de somalis. Não existe mais unidade nacional, e o país fragmentou-se em regiões. Em 1991, surgiu a Somalilândia, que chegou a declarar sua independência da Somália no mesmo ano. Apesar da sua relativa estabilidade, em comparação com a tumultuosa região sul, não foi reconhecida como estado independente por nenhum governo estrangeiro.


Em 1992 iniciou-se, primeiramente no sul, uma ação humanitária da ONU, encabeçadas por tropas dos Estados Unidos da América. Embora conseguisse diminuir a fome no país, a operação foi um fiasco, com a morte de 18 soldados norte-americanos. Esta história é contada no filme "Falcão Negro em Perigo". Os marines deixaram o país em 1993. Sozinha, a ONU acabou por retirar-se oficialmente a 3 de março de 1995.

Em 1998 registaram-se mais duas cisões no país, e uma quarta em 1999, todas elas de contornos pouco claros. A última cisão conduziu à autonomia de Puntland ou Southwestern Somalia (Somália do Sudoeste), contudo dada a situação pouco clara no que concerne às fronteiras da Somália, há que ponderar antes de atribuir este título.

Em outubro de 2004 elegeu-se Abdullahi Yusuf Ahmed como presidente do Governo Nacional de Transição. A eleição aconteceu em Nairobi, capital do Quênia, já que Mogadíscio era controlada por chefes tribais. Sem serviços públicos e forças de segurança do Estado, a capital somali vive sob a influência dos chamados "senhores de guerra", principais chefes dos clãs do país falido. Sediado em Baidoa, a 200 km a noroeste de Mogadíscio, o governo de Yusuf e do primeiro-ministro Ali Mohammed Ghedi é reconhecido pela comunidade internacional, mas é tido como fraco, pois não é reconhecido pelos chefes tribais.

A 26 de Dezembro de 2004, uma das catástrofes naturais mais devastadoras da história contemporânea, o Tsunami que varreu os países do Sudoeste Asiático, também afetou a Somália, destruindo povoações e segundo as estimativas, causando a morte a cerca de 300 pessoas.

Com a inexistência na prática de um governo central, a Somália persiste imersa em uma guerra civil. Em 5 de junho de 2006, milícias islâmicas - que formam a União das Cortes Islâmicas (UCI) - tomaram grande parte da capital somali. A UCI controla outro territórios no país e pretende impôr a lei islâmica (Sharia) nestas zonas. Em junho, o governo somali de transição e a UCI assinaram um acordo de reconhecimento mútuo. Um mês depois, um dos últimos focos de resitência dos senhores da guerra foi derrotado, após dois dias de batalha que deixou 140 mortos e 150 feridos.

Em julho de 2006, a UCI passou a controlar todo o sudeste do país e a capital Mogadíscio e avançava para tomar controle do resto do país. O governo interino pediu ajuda internacional, e o Conselho de Segurança da ONU aprovou planos de enviar uma força de paz africana para apoiar Yusuf. Segundo a ONU, as Cortes estavam sendo providas de armas pela Eritréia e o governo interino somali estava sendo armado pela Etiópia. O governo etíope foi que mais apoiou o governo interino da Somália e, em dezembro, ordenou uma incursão militar direta neste país contra alvos da milícia islâmica. Forças etíopes e do governo interino tomaram várias cidades que estavam sob controle da União das Cortes Islâmicas (UCI), inclusive Mogadíscio. O novo conflito levou milhares de refugiados somalis para a fronteira com a Etiópia e o Quênia.

Os Estados Unidos e o Reino Unido apoiaram a intervenção entrangeira na Somália, pois temem que a UCI tenha ligações com a rede terrorista Al-Qaeda. Em 20 de março de 2009 foi assinado, em Djibouti, pelo governo de transição somali e pela opositora Aliança para a Nova Libertação da Somália mais um acordo para tentar levar estabilidade ao país.

[editar] Pirataria

Ver artigo principal: Pirataria na Somália
Piratas armados em embarcações de deslocamento rápido ao largo das costas da Somália. Foto: US Navy

Desde o início da guerra civil, nos anos 90, somalis tem praticado a pirataria nas águas ao largo do Chifre da África, sequestrando navios e petroleiros e suas tripulações em alto mar, em troca de resgate, tornando a região uma ameaça à navegação internacional.[1]

Desde 1998, entidades como a Organização Marítima Internacional e o Programa Alimentar Mundial, ligado à ONU, tem expressado publicamente temores com o aumento da pirataria na região.[2] A ação dos piratas somalis tem elevado o custo dos fretes e impedido a entrega de mantimentos às populações famintas do país por mar, sendo necessária a escolta de navios de guerra para o descarregamento nos portos somalis.

Em agosto de 2008, uma força tarefa naval de coalizão internacional, a Combined Task Force 150, que inclui navios de guerra do Canadá, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã Bretanha, Portugal e Turquia entre outros, foi formada para combater a pirataria na região, estabelecendo uma área de patrulha e segurança marítima no Golfo de Aden. [3]

Em 7 de outubro de 2008, o Conselho de Segurança da ONU baixou uma resolução convocando os países com vasos de guerra nas águas do leste africano a que colocassem seu navios à serviço do combate à ameaça crescente dos piratas somalis, que já sequestraram dezenas de navios mercantes, petroleiros e suas tripulações. A Rússia também anunciou a entrada de seus vasos de guerra na área para combate à pirataria, atuando de forma independente.[4] Em 19 de novembro, a Índia anunciou a destruição de uma embarcação pirata somali, após combate com a fragata INS Tabar, enviada pela marinha indiana à região.[5]

Os piratas são basicamente ex-pescadores, militares ligados aos clãs de senhores da guerra do país dividido e técnicos em eletrônica e GPS, sendo estimados num total de 1000 homens armados, que, em equipes, se utilizam de pequenas embarcações rápidas para interceptar e abordar os navios.[6]

Em 21 de novembro, a ONU anunciou a formação de uma força de ataque à pirataria e autorizou a marinha indiana a entrar no Golfo de Aden e em águas territoriais da Somália, para combater as embarcações piratas e destruir suas bases conhecidas. [7]

[editar] Política

Ver artigo principal: Política da Somália

A situação política da Somália é ainda confusa. O poder político encontra-se dividido por vários senhores da guerra os quais dominam várias zonas do país.

Com o transcorrer da guerra civil, estes foram os estados autônomos que surgiram na Somália após 1990, apenas a Somalilândia se auto-proclamou independente, os outros três reivindicam autonomia dentro de uma Somália unificada:

Divisão Administrativa da Somália
Bandeira Estados Capital Independência/Autonomia
Bandeira de Galmudug Galmudug Gaalkacyo do sul 14 de agosto de 2006
Bandeira de Puntland Puntland Garoowe 5 de maio de 1998
Bandeira da Somalilândia Somalilândia Hargeisa 18 de maio de 1991
Bandeira de Maakhir Maakhir Badhan 1 de julho de 2007

[editar] Subdivisões

Ver artigo principal: Regiões da Somália
Regiões da Somália

A Somália está dividida em 18 regiões (plural - gobollada, singular - gobolka):

[editar] Geografia

Ver artigo principal: Geografia da Somália
Mogadíscio, capital do país.

A Somália é o país mais oriental da África, e ocupa uma área de 637.657 km² (aproximadamente igual à soma da área dos estados brasileiros de Minas Gerais e Espírito Santo). A região ocupada pelo país é comumente chamada Chifre da África - pela semelhança entre o desenho de seu mapa com o chifre de um rinoceronte. A região do Chifre da África (ou Corno de África, como é conhecida em Portugal) também inclui os vizinhos Etiópia e Djibuti.

O país está situado na costa leste africana ao norte da linha do Equador, entre o Golfo de Aden, a norte, e o Oceano Índico a leste. Seu território consiste de muitos platôs, planícies e montanhas. O norte do país é montanhoso, com altitudes entre 900 e 2100 metros. As áreas do centro e do sul são planas, com altitudes inferiores a 180 m. Os rios Juba e Shabele nascem na vizinha Etiópia e atravessam o país em direção ao Oceano Índico. O Shebele, entretanto, não alcança o mar, exceto em períodos de chuva mais intensa.

[editar] Fome na Somália

Soldados somalis - Estúdio fotográfico em Aden, entre 1900-1910.

A fome atingiu proporções catastróficas (75% da população segundo a FAO em 1997).

Nos anos seguintes a situação piorou: a guerra civil, que dividiu o território em lugares em poder dos grupos inimigos, secas colossais atingiram a região do Chifre da África e destruiram lavouras inteiras. Muitos homens e seus animais ficaram sem água nem comida. Para piorar, não existem meios seguros de distribuição.

[editar] Economia

Ver artigo principal: Economia da Somália
Um homem e duas mulheres (provavelmente bantus somalis) trabalham em campos perto de Kismayo.

O país tem uma economia de mercado. É um dos países mais pobres do planeta, tendo relativamente poucos recursos naturais.

A maior parte da economia foi devastada na guerra civil. A agricultura é o setor mais importante, com a criação de gado respondendo por cerca de 40% do PIB e por cerca de 65% das exportações. Grande parte de sua população que vive da criação de gado é nômade ou seminômade. Além do gado, a banana é outro importante item de exportação. O açúcar, o sorgo, o milho e os peixes são produtos para o mercado interno. A maior parte da economia se baseia à crição de camelos, setor pecuário que o país possui o maior rebanho do mundo.

O pequeno setor industrial se baseia no processamento de produtos agrícolas, e responde por 10% do PIB, a maioria das instalações industriais foi fechada por causa da guerra civil. Além disso, em 1999, distúrbios na capital, Mogadíscio e áreas vizinhas atrapalharam ações de ajuda internacional.

A Somália tem uma das mais altas taxas de mortalidade infantil do mundo, com cerca de 10% das crianças morrendo pouco depois de nascer e 25% das sobreviventes morrem antes dos 5 anos de idade. A organização humanitária Médicos Sem Fronteiras considera a situação do país "catastrófica". Para piorar, diferentemente do que a maioria das pessoas acham o país tem o maior número de subnutridos do mundo (75%), e não a Etiópia, que possui 50% de seu povo. Isso coloca a Somália entre os 8 países mais pobres do mundo (o mais pobre é Serra Leoa).

Atualmente, algumas áreas do país estão mais economicamente ativas do que antes da guerra, quando o regime socialista de Siad Barre eliminou a livre iniciativa. O norte do país, em especial, recuperou-se economicamente. Apesar do país continuar pobre, o número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza tem diminuído.

[editar] Demografia

Ver artigo principal: Demografia da Somália
Anciãos, em uma reunião em Badhan, Sanaag.

Atualmente, cerca de 60% da população somali é de nômades ou seminômades criadores gado, camelos e cabras. Cerca de 25% da população são agricultores, fixados nos vales férteis dos rios Juba e Shebelle, no sul do país. O restante da população vive nas cidades.

Grupos étnicos:
Somalis 85%, Bantus 14%, outros 1% (incluindo 30.000 árabes). A maioria da população branca descendente de italianos emigrou após a independência em 1960 e, mais acentuadamente, após o início da guerra civil.

Alfabetização:
Definição: pessoas com 15 anos de idade ou mais que sabem ler e escrever.
Da população total: 24%
Homens: 36%
Mulheres: 14% (est. 1990)

Referências

[editar] Ver também

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Definições no Wikcionário
Imagens e media no Commons

[editar] Ligações externas


Bandeira da Somália Somália
Bandeira • Brasão • Demografia • Economia • Geografia • História • Portal • Política • Subdivisões • Imagens
Ferramentas pessoais
Criar um livro
Outras línguas