Haiti

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République d'Haïti
Repiblik d Ayiti

República do Haiti
Bandeira do Haiti
Brasão de armas do Haiti
Bandeira Brasão de armas
Lema: "L'union fait la force" ("A união faz a força")
Hino nacional: "La Dessalinienne" ("A Dessaliniana")
Gentílico: haitiano(a)[1]

Localização  República do Haiti

Capital Porto Príncipe
18° 32' N 72° 20' O
Cidade mais populosa Porto Príncipe
Língua oficial Francês e crioulo
Governo República semipresidencialista
 - Presidente Michel Martelly
 - Primeiro-ministro Laurent Lamothe
Independência da França 
 - Declarada 1 de Janeiro de 1804 
 - Reconhecida 1825 
Área  
 - Total 27 750 km² (143.º)
 - Água (%) 0,7
 Fronteira com a República Dominicana apenas, a leste
População  
 - Estimativa de 2014 9 996 731 [2] hab. (88.º)
 - Densidade 292 hab./km² (28.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2014
 - Total US$ 18,535 bilhões*[3]  
 - Per capita US$ 1 771[3]  
PIB (nominal) Estimativa de 2014
 - Total US$ 8,919 bilhões*[3]  
 - Per capita US$ 852[3]  
IDH (2013) 0,471 (168.º) – baixo[4]
Gini (2001) 59,2[5]
Moeda Gourde (HTG)
Fuso horário UTC −5
 - Verão (DST) UTC −4[6]
Hora atual: 22:19
Clima Tropical
Org. internacionais ONU, OEA, União Latina, CARICOM, AEC, OIF
Cód. ISO HTI
Cód. Internet .ht
Cód. telef. +509
Website governamental http://www.gov.ht/

Mapa  República do Haiti

¹ "Dessaliniana" vem de Jean Jacques Dessalines, líder revolucionário do Haiti.

Haiti (em francês: Haïti [a.iti]; em crioulo haitiano: Ayiti), oficialmente República do Haiti (République d'Haïti; Repiblik Ayiti[7] ), é um país do Caribe. Ocupa uma pequena porção ocidental da ilha de Hispaniola, no arquipélago das Grandes Antilhas, que partilha com a República Dominicana. Ayiti ("terra de altas montanhas") era o nome indígena dos taínos para a ilha.

Em francês o país é chamado de La Perle des Antilles (A Pérola das Antilhas), por conta de causa de sua beleza natural. O ponto mais alto do país é Pic la Selle, com 2 680 metros de altitude. Tanto em área quanto em população, o Haiti é o terceiro maior país do Caribe (depois de Cuba e da República Dominicana), com 27.750 quilômetros quadrados e cerca de 10,4 milhões de habitantes, sendo que pouco menos de um milhão deles vivem na capital, Porto Príncipe. O francês e o crioulo haitiano são as línguas oficiais do país.[8] [9]

A posição histórica e etno-linguística do Haiti é única por várias razões. Quando conquistou a independência em 1804, se tornou a primeira nação independente da América Latina e do Caribe, sendo o único país do mundo estabelecido como resultado de uma revolta de escravos bem-sucedida e a segunda república da América. A Revolução Haitiana, feita por escravos e pessoas livres de cor, durou quase uma década; todos os primeiros líderes do governo foram antigos escravos.[10] O país é uma das duas nações independentes do continente americano (junto com o Canadá) que designa o francês como língua oficial; as outras áreas de língua francesa no continente são todos departamentos ou coletividades ultramarinas da França.

O Haiti é o mais populoso membro pleno da Comunidade do Caribe (CARICOM). O país também é um membro da União Latina. Em 2012, o Haiti anunciou sua intenção de obter o estatuto de membro associado da União Africana.[11] É o país mais pobre da América, medido pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). A violência política tem ocorrido regularmente ao longo da história do país, o que levou a instabilidade no governo. Mais recentemente, em fevereiro de 2004, um golpe de Estado originário do norte do país forçou a renúncia e o exílio do presidente Jean-Bertrand Aristide. Um governo provisório assumiu o controle com a segurança proporcionada pela Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH). Michel Martelly, o atual presidente, foi eleito nas eleições gerais de 2010.

História[editar | editar código-fonte]

Primeiros povos e colonização[editar | editar código-fonte]

Os primeiros humanos nesta ilha, conhecida como Quisqueya pelos índios arauaques (ou taínos) e caraíbas,[12] chegaram à ilha há mais de 7000 anos. Em 5 de dezembro de 1492, Cristóvão Colombo chegou a uma grande ilha, à qual deu o nome de Hispaniola. Mais tarde passou a ser chamada de São Domingos pelos franceses. Dividida entre dois países, a República Dominicana e o Haiti, é a segunda maior das Grandes Antilhas, com a superfície de 76.192 km² e cerca de 9 milhões de habitantes. Com 641 quilômetros de extensão entre seus pontos extremos, a ilha tem formato semelhante à cabeça de um caimão, pequeno crocodilo abundante na região, cuja "boca" aberta parece pronta a devorar a pequena ilha de La Gonâve. O litoral norte abre-se para o oceano Atlântico, e o sul para o mar do Caribe (ou das Antilhas).

A Ilha Hispaniola foi visitada por Cristóvão Colombo em 1492. Já no fim do século XVI, quase toda a população nativa havia desaparecido, escravizada ou morta pelos conquistadores. A parte ocidental da ilha, onde hoje fica o Haiti, foi cedida à França pela Espanha em 1697. No século XVIII, a região foi a mais próspera colónia francesa na América, graças à exportação de açúcar, cacau e café.

Independência[editar | editar código-fonte]

Batalha em San Domingo, pintado por January Suchodolski representando uma luta entre as tropas polonesas ao serviço francês e os rebeldes do Haiti

Após uma revolta de escravos, em 1794, o Haiti tornou-se o primeiro país do mundo a abolir a escravidão[carece de fontes?]. Nesse mesmo ano, a França passou a dominar toda a ilha. Em 1801, o ex-escravo Toussaint Louverture tornou-se governador-geral, mas, logo depois, foi deposto e morto pelos franceses. O líder Jean Jacques Dessalines organizou o exército e derrotou os franceses em 1803. No ano seguinte, foi declarada a independência (o segundo país a se tornar independente nas Américas) e Dessalines proclamou-se imperador. Como forma de retaliação, em 1804, os escravistas europeus e estadunidenses mantiveram o Haiti sob bloqueio comercial por 60 anos.

Em 1815 Simon Bolívar refugiou-se no Haiti, após o fracasso de sua primeira tentativa de luta contra os espanhóis. Recebeu dinheiro, armas e pessoal militar, com a condição de que abolisse a escravidão nas terras que libertasse. Posteriormente, para pôr fim ao bloqueio, o Haiti, sob o governo de Jean Pierre Boyer, cercado pela frota da ex-metrópole, concordou em assinar um tratado pelo qual seu país pagaria à França a quantia de 150 milhões de francos a título de indenização. A dívida depois foi reduzida para 90 milhões, mas assim mesmo isso exauriu a economia do país.

Após período de instabilidade, o Haiti foi dividido em dois e a parte oriental - atual República Dominicana - reocupada pela Espanha. Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer reunificou o país e conquistou toda a ilha. Em 1844, porém, nova revolta derrubou Boyer e a República Dominicana conquistou a independência.

Século XX[editar | editar código-fonte]

François Duvalier, o "Papa Doc", em 1968

Da segunda metade do século XIX ao começo do século XX, 20 governantes sucederam-se no poder. Desses, 16 foram depostos ou assassinados. Tropas dos Estados Unidos ocuparam o Haiti entre 1915 e 1934, sob o pretexto de proteger os interesses norte-americanos no país. Em 1946, foi eleito um presidente negro, Dusmarsais Estimé. Após a derrubada de mais duas administrações governamentais, o médico François Duvalier foi eleito presidente em 1957.

François Duvalier, conhecido como Papa Doc, apoiado pelos Estados Unidos no contexto da Guerra Fria, instaurou feroz ditadura, baseada no terror policial dos tontons macoutes (bichos-papões) - sua guarda pessoal -, e na exploração do vodu. Presidente vitalício, a partir de 1964, Duvalier exterminou a oposição e perseguiu a Igreja Católica. Papa Doc morreu em 1971 e foi substituído por seu filho, Jean-Claude Duvalier - o Baby Doc.

Em 1986, Baby Doc decretou estado de sítio. Os protestos populares se intensificaram e ele fugiu com a família para a França, deixando em seu lugar o General Henri Namphy. Eleições foram convocadas e Leslie Manigat foi eleito, em pleito caracterizado por grande abstenção. Manigat governou de fevereiro a junho de 1988, quando foi deposto por Namphy. Três meses depois, outro golpe pôs no poder o chefe da guarda presidencial, General Prosper Avril.

Depois de mais um período de grande conturbação política, foram realizadas eleições presidenciais livres em dezembro de 1990, vencida pelo padre salesiano Jean-Bertrand Aristide, ligado à teologia da libertação. Em setembro de 1991, Aristide foi deposto num golpe de Estado liderado pelo General Raul Cedras e se exilou nos EUA. A Organização dos Estados Americanos (OEA), a Organização das Nações Unidas (ONU) e os EUA impuseram sanções econômicas ao país para forçar os militares a permitirem a volta de Aristide ao poder.

Em julho de 1993, Cedras e Aristide assinaram pacto em Nova York, acordando o retorno do governo constitucional e a reforma das Forças Armadas. Em outubro de 1993, porém, grupos paramilitares impediram o desembarque de soldados norte-americanos, integrantes de uma Força de Paz da ONU. O elevado número de refugiados haitianos que tentavam ingressar nos EUA fez aumentar a pressão americana pela volta de Aristide. Em maio de 1994, o Conselho de Segurança da ONU decretou bloqueio total ao país. A junta militar empossou um civil, Émile Jonassaint, para exercer a presidência até as eleições marcadas para fevereiro de 1995. Os EUA denunciaram o ato como ilegal. Em julho, a ONU autorizou uma intervenção militar, liderada pelos EUA. Jonaissant decretou estado de sítio em 1º de agosto.

Em setembro de 1994, força multinacional, liderada pelos Estados Unidos, entrou no Haiti para reempossar Aristide. Os chefes militares haitianos renunciaram a seus postos e foram amnistiados. Jonaissant deixou a presidência em outubro e Aristide reassumiu o País com a economia destroçada pelo bloqueio comercial e por convulsões internas.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

No período de 1994-2000, apesar de avanços como a eleição democrática de dois presidentes, o Haiti viveu mergulhado em crises. Devido à instabilidade, não puderam ser implementadas reformas políticas profundas. A eleição parlamentar e presidencial de 2000 foi marcada pela suspeita de manipulação por Aristide e seu partido. O diálogo entre oposição e governo ficou prejudicado. Em 2003, a oposição passou a clamar pela renúncia de Aristide. A Comunidade do Caribe, Canadá, União Europeia, França, Organização dos Estados Americanos e Estados Unidos, apresentaram-se como mediadores. Entretanto, a oposição refutou as propostas de mediação, aprofundando a crise.

Em fevereiro de 2004, ex-integrantes do exército haitiano (tontons macoutes) deram início a um levante militar em Gonaives, espalhando-se por outras cidades nos dias subsequentes. Gradualmente, os revoltosos assumiram o controle do norte do Haiti. Apesar dos esforços diplomáticos, a oposição armada ameaçou marchar sobre Porto Príncipe, onde se preparava uma resistência pro-Aristide.

Aristide foi retirado do país por militares norte-americanos em 29 de fevereiro, contra sua vontade, e conseguiu asilo na África do Sul. De acordo com as regras de sucessão constitucional, o presidente do Supremo Tribunal (Cour suprême), Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência interinamente e requisitou, de imediato, assistência das Nações Unidas para apoiar uma transição política pacífica e constitucional e manter a segurança interna. Nesse sentido, o Conselho de Segurança (CS) aprovou o envio da Força Multinacional Interina (MIF), liderada pelo Brasil, que prontamente iniciou seu desdobramento.

Considerando que a situação no Haiti ainda constitui ameaça para a paz internacional e a segurança na região, o CS decidiu estabelecer a Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH), que assumiu a autoridade exercida pela MIF em 1º de junho de 2004. Para o comando do componente militar da MINUSTAH (Force Commander) foi designado o General Augusto Heleno Ribeiro Pereira, do Exército Brasileiro, posteriormente sucedido pelo General Urano Teixeira da Mata Bacelar que morreu no Haiti em Janeiro de 2006.[13] O efetivo autorizado para o contingente militar é de 6700 homens, oriundos dos seguintes países contribuintes: Argentina, Benim, Bolívia, Brasil, Canadá, Chade, Chile, Croácia, França, Jordânia, Nepal, Paraguai, Peru, Portugal, Turquia e Uruguai.

Carro da ONU patrulhando as ruas de Porto Príncipe após o terremoto de 2010

Em 12 de janeiro de 2010, um terremoto de proporções catastróficas, com magnitude sísmica 7,0 na escala de magnitude de momento[14] (7.3 na escala de Richter), atingiu o país a aproximadamente 22 quilômetros da capital, Porto Príncipe. Em seguida, foram sentidos na área múltiplos tremores com magnitude em torno de 5.9 graus. O palácio presidencial, várias escolas, hospitais e outras construções ficaram destruídos após o terremoto e estima-se que 80% das construções de Porto Príncipe foram destruídas ou seriamente danificadas. O número de mortos não é conhecido com precisão.[15]

Em 3 de fevereiro, o primeiro-ministro Jean-Max Bellerive afirmou que já passava de 200 mil o número de óbitos e o número de desabrigados pode chegar aos três milhões. Diversos países disponibilizaram recursos em dinheiro para amenizar o sofrimento do país mais pobre do continente americano. O presidente norte-americano Barack Obama, afirmou logo após a tragédia que o povo haitiano não seria esquecido, obrigando a comunidade internacional a refletir sobre a responsabilidade dos países que exploraram e abandonaram o Haiti.[16] Segundo as Nações Unidas, o sismo foi o pior desastre já enfrentado pela organização desde sua criação em 1945.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite do território haitiano

O Haiti está localizado na parte ocidental da ilha de Hispaniola, a segunda maior ilha das Grandes Antilhas, no Caribe. O país é o terceiro maior do Caribe atrás de Cuba e da República Dominicana (esta última partilha uma fronteira de 360 ​​quilômetros com o Haiti).

O país em seu ponto mais próximo fica a cerca de 83 quilômetros de distância de Cuba e tem o segundo maior litoral (1.771 quilômetros) das Grandes Antilhas, sendo o de Cuba o mais longo.

O território haitiano encontra-se principalmente entre as latitudes 18° e 20° N (ilha Tortuga fica ao norte de 20°) e longitudes 71° e 75° W. O país consiste principalmente de montanhas escarpadas, intercaladas por pequenas planícies costeiras e vales fluviais.

Geologia[editar | editar código-fonte]

O país encontra-se em um território com falhas geológicas que fazem parte do sistema Enriquillo-Plantain Garden.[17] Até o terremoto de 2010, não havia nenhuma evidência de ruptura de superfície e com base em dados sismológicos, geológicos e de deformação do solo.[18]

O limite norte da falha é onde a placa tectônica do Caribe se desloca para leste por cerca de 20 mm por ano em relação à placa norte-americana. O sistema de falhas transcorrentes na região tem duas áreas no Haiti, a falha Setentrional-Oriental, no norte, e a falha Enriquillo-Plantain Garden, no sul.

Um estudo sobre o perigo de terremotos de 2007, por C. DeMets e M. Wiggins-Grandison, observou que a zona da falha Enriquillo-Plantain Garden poderia estar no final do seu ciclo sísmico e concluiu que uma previsão pessimista envolveria um terremoto de 7,2 Mw, semelhante em tamanho do terremoto de 1692, na Jamaica.[19] Paul Mann e um grupo que inclui a equipe de estudo de 2006, apresentaram uma avaliação de risco do sistema de falhas Enriquillo-Plantain Garden em março 2008, observando a grande tensão na região; a equipe recomendou "alta prioridade" em estudos históricos de ruptura geológica.[20] Um artigo publicado no jornal haitiano Le Matin em setembro de 2008 citou comentários do geólogo Patrick Charles sobre que havia um alto risco de grande atividade sísmica em Porto Príncipe.[21]

Meio-ambiente[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite da fronteira do Haiti com a República Dominicana (direita) mostra a quantidade de desmatamento no lado haitiano.

Além da erosão do solo, o desmatamento tem causado inundações periódicas e graves no Haiti, como, por exemplo, em 17 de setembro de 2004. Em maio deste ano, as inundações tinham matado mais de três mil pessoas na fronteira sul do Haiti com a República Dominicana.[22]

Tem havido pouca gestão das bacias marinhas, costeiras e hidrográficas. A cobertura florestal nas encostas íngremes ao redor da bacia hidrográfica do Haiti mantém o solo, que por sua vez retém a água da chuva, reduzindo picos de cheias dos rios e conservando os fluxos de água na estação seca. Mas o desmatamento tem causado a liberação do solo a partir das bacias superiores. Muitos dos rios do Haiti são agora altamente instáveis, mudando rapidamente de inundações destrutivas para fluxos baixos de água.[23]

Cientistas da Universidade de Colúmbia e do Programa das Nações Unidas para o Ambiente estão trabalhando em uma iniciativa com o objetivo de reduzir a pobreza e a vulnerabilidade a desastres naturais da população local por meio de restauração de ecossistemas e gestão sustentável dos recursos naturais.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Vista das ruas de Porto Príncipe

Embora a média do país seja de 350 pessoas por quilômetro quadrado, sua população se concentra mais fortemente nas áreas urbanas, nas planícies costeiras e nos vales. A população haitiana era de cerca de 9,8 milhões de acordo com estimativas de 2008 das Nações Unidas,[24] sendo que metade da população tem menos de 20 anos.[25] O primeiro censo oficial, feito em 1950, registrou uma população de 3,1 milhões de pessoas.[26]

Os haitianos modernos são descendentes de antigos escravos africanos, pessoas de cor livres (mulatos) e populações de brancos que sobreviveram à revolução. A percentagem de mulatos há décadas é dada como um valor fixo de 5%, mas é estimada para ser tão de 15%. A constituição haitiana é específica: todos os cidadãos devem ser conhecidos como "negros", independentemente da cor da pele. Também mulatos pobres são considerados como sendo negros. Grupos minoritários menores incluem pessoas de Europa Ocidental (franceses, alemães, italianos, neerlandeses, poloneses, portugueses e espanhóis), árabes, armênios ou pessoas de origem judaica.[27] [28] Os haitianos de ascendência da Ásia Oriental são de origem indiana e são cerca de 400.[27]

Milhões de haitianos vivem no exterior, como nos Estados Unidos, República Dominicana, Cuba, Canadá (principalmente em Montreal), Bahamas, França, Antilhas Francesas, Turks e Caicos (Reino Unido), Jamaica, Porto Rico, Venezuela, Brasil e Guiana Francesa. Estima-se que 881.500 haitianos vivam nos Estados Unidos,[29] 800 mil na República Dominicana,[30] 300 mil em Cuba,[31] 100 mil no Canadá,[32] 80 mil na França[33] e até 80 mil nas Bahamas.[34] Mas também existem comunidades haitianas menores em muitos outros países, como Chile, Suíça, Japão e Austrália.

Sistema de castas[editar | editar código-fonte]

Devido ao sistema de casta racial instituído no Haiti colonial, os mulatos haitianos se tornaram uma elite social dentro da nação e foram racialmente privilegiados. Vários líderes ao longo da história do Haiti eram mulatos. Compondo 5% da população do país, os mulatos têm mantido a sua preeminência, evidente na hierarquia política, econômica, social e cultural do país.[35] Alexandre Pétion, cuja mãe era haitiana e o pai era um francês rico, foi o primeiro presidente da República do Haiti.

Religião[editar | editar código-fonte]

Religião no Haiti[36]
Religião % aprox.
Católicos
  
80%
Protestantes
  
16%
Outras religiões
  
3%
Não religiosos
  
1%

O catolicismo romano é a religião de estado, professada pela maioria populacional. Houve várias conversões ao protestantismo sendo agora essa a primeira mais popular religião do país. Muitos haitianos também praticam tradições vodu, sem ver nelas nenhum conflito com a sua fé cristã.

A padroeira do Haiti, na Igreja Católica, é Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Política[editar | editar código-fonte]

O governo do Haiti é uma república semipresidencialista, com um sistema multipartidário em que o presidente é o chefe de Estado eleito diretamente por eleições populares.[38] O primeiro-ministro atua como chefe de governo e é nomeado pelo presidente, escolhido a partir do partido majoritário na Assembleia Nacional. O poder executivo é exercido pelo presidente e pelo primeiro-ministro, que, juntos, constituem o governo. Em 2013, o orçamento anual foi de 1 bilhão de dólares.[39]

O poder legislativo é investido no governo e em duas câmaras da Assembleia Nacional do Haiti. O governo está organizado unitariamente, assim, os delegados do governo central governam os departamentos sem a necessidade constitucional de consentimento. A atual estrutura do sistema político do Haiti foi estabelecida na constituição de 29 de março de 1987. O atual presidente é Michel Martelly.

A política haitiana ter sido controversa: em sua história de 200 anos, o Haiti sofreu 32 golpes de Estado.[40] O país é o único do Hemisfério Ocidental que conseguiu ter uma revolução de escravos bem-sucedida, mas uma longa história de opressão por ditadores, como François Duvalier e seu filho Jean-Claude Duvalier, tem afetado significativamente a nação. França, Estados Unidos e outros países ocidentais intervieram repetidamente na política local desde a fundação do país, às vezes a pedido de uma parte ou de outra. Junto com as instituições financeiras internacionais, eles impuseram grandes quantidades de dívidas, tanto que os pagamentos da dívida externa rivalizam com o orçamento do governo para despesas sociais. Eles também aplicaram políticas econômicas que se acabaram com a capacidade do governo haitiano proteger a economia local, forçando uma maior dependência das importações e minando a autossuficiência econômica do país.[41]

De acordo com um relatório do Índice de Percepção da Corrupção de 2006, há uma forte correlação entre a corrupção e a pobreza e o Haiti ficou em primeiro lugar entre todos os países pesquisados ​​para os níveis de corrupção interna.[42] A Cruz Vermelha Internacional informou que sete em cada dez haitianos vivem com menos de dois dólares por dia.[43]

Cité Soleil, a maior favela do país, na capital de Porto Príncipe, foi chamada de "o lugar mais perigoso da Terra" pela Organização das Nações Unidas.[44] A favela é um reduto de partidários do ex-presidente haitiano Jean-Bertrand Aristide,[45] que, de acordo com a BBC, "acusou os Estados Unidos de exilá-lo - uma acusação os Estados Unidos rejeitaram como 'absurda'".[46]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Haiti está dividido em dez departamentos:

  1. Artibonite
  2. Centre
  3. Grand'Anse
  4. Nippes (criado em 2003)
  5. Nord
  6. Nord-Est
  7. Nord-Ouest
  8. Ouest
  9. Sud
  10. Sud-Est

Departamentos do Haiti

Economia[editar | editar código-fonte]

Gráfico dos principais produtos de exportação do Haiti (em inglês)

O produto interno bruto (PIB) por paridade do poder de compra (PPC) do Haiti caiu 8% em 2010 (12,15 bilhões de dólares para 11,18 bilhões de dólares e o PIB per capita manteve-se em 1200 dólares.[47] O país é o 145º entre os 182 países avaliados pelo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) das Nações Unidas em 2010.[48]

O World Factbook relata uma escassez de mão-de-obra qualificada, desemprego generalizado e subemprego, dizendo que "mais de dois terços da força de trabalho não têm empregos formais" e descreve o Haiti pré-terremoto como o "o país mais pobre do Hemisfério Ocidental, com 80% da população que vive abaixo da linha da pobreza e 54% em extrema pobreza."[47] Três quartos da população vive com 2 dólares ou menos por dia.[49] Reformas para melhorar o ambiente de negócios têm tido pouco efeito por causa de corrupção generalizada e pela estrutura judicial ineficiente.[50]

Embora mais da metade de todos os haitianos trabalhem no setor agrícola, o país depende de importações para metade de suas necessidades de alimentos e 80% do seu arroz.[49] O país exporta culturas como manga, cacau e café. Os produtos agrícolas incluem 6% de todas as exportações.[51] O Haiti tinha um grande déficit comercial de 3 bilhões de dólares em 2011, ou 41% do seu PIB.[51] A ajuda externa representa cerca de 30 a 40% do orçamento do governo nacional. O maior doador são os Estados Unidos, seguido por Canadá e União Europeia.[52] De 1990 a 2003, o Haiti recebeu mais de 4 bilhões de dólares em ajuda internacional, incluindo 1,5 bilhão de dólares dos Estados Unidos.[53] Em janeiro de 2010, após o terremoto, a China prometeu 4,2 milhões dólares[54] e o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu 1,15 bilhão de dólares em assistência.[55] Os países da União Europeia prometeram mais de 400 milhões de euros em ajuda de emergência e para fundos de reconstrução.[56]

Após a eleição e acusações sobre o governo do presidente Aristide em 2000, a ajuda dos Estados Unidos para o governo haitiano foi completamente cortada, entre 2001 e 2004.[57] Depois da partida de Aristide, em 2004, a ajuda foi restaurada e o exército brasileiro liderou a Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti (MINUSTAH). Depois de quase quatro anos de recessão, a economia cresceu 1,5% em 2005.[58] Em setembro de 2009, o Haiti cumpriu as condições estabelecidas pelo programa para países pobres altamente endividados do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para qualificar o cancelamento de sua dívida externa.[59]

O Banco Mundial estima que mais de 80% dos haitianos com ensino superior estavam vivendo no exterior em 2004 (fenômeno conhecido como fuga de cérebros), sendo que as remessas de dinheiro que enviam para casa representam 52,7% do PIB do país.[60] Os 1% mais ricos do país possuem quase metade da riqueza nacional.[61] O território haitiano aparentemente não tem recursos de hidrocarbonetos em terra ou no Golfo do Gonâve e é, portanto, muito dependente das importações de energia (petróleo e produtos petrolíferos).[62]

Cité Soleil é considerado uma das piores favelas da América;[63] a maioria de seus 500 mil habitantes vivem em extrema pobreza.[44] A pobreza forçou pelo menos 225 mil crianças haitianas a trabalhar como restavecs (empregados domésticos sem remuneração). As Nações Unidas consideram esta uma forma moderna de escravidão.[64]

O ex-presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton expressou recentemente arrependimento e pediu desculpas por políticas de comércio do seu país no Haiti.[65] Segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), um em cada dois haitianos não tem acesso à água potável e apenas 19% da população têm acesso ao sistema de saneamento básico. Apesar de ser uma sociedade essencialmente rural, com 66% da população vivendo no campo, as famílias camponesas não tem acesso a terra ou créditos, o que faz com que hoje o Haiti importe 80% dos alimentos que consome.[66]

Turismo[editar | editar código-fonte]

Labadee, um destino de cruzeiros no país

Em 2012, o país recebeu 950 mil turistas (a maioria dos navios de cruzeiro) e esta indústria gerou 200 milhões de dólares em 2012.[39] Em dezembro do mesmo ano, o Departamento de Estado dos Estados Unidos emitiu um alerta de viagem para o país, observando que apesar de milhares de cidadãos norte-americanos visitam com segurança Haiti a cada ano, os turistas estrangeiros foram vítimas de crimes violentos, incluindo assassinato e sequestro, predominantemente na região de Porto Príncipe.[67]

Em 2012, vários hotéis foram abertos, como um hotel de quatro estrelas Marriott na área de Porto Príncipe[68] e outros novos empreendimentos hoteleiros na capital e em Les Cayes, Cabo Haitiano e Jacmel.

O Carnaval do Haiti tornou-se um dos mais populares do Caribe desde que o governo decidiu encenar o evento em uma cidade diferente a cada ano. O Carnaval Nacional normalmente é realizado em uma das maiores cidades do país (ou seja, Porto Príncipe, Cabo Haitiano ou Les Cayes), mas o de Jacmel também muito popular e ocorre uma semana antes, em fevereiro ou março.[69]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Um ônibus "tap tap" em Port-Salut

A cultura haitiana é uma mistura de principalmente de elementos franceses, africanos e taínos, com influência dos espanhol do período colonial. Os costumes do país são essencialmente uma mistura de crenças culturais que derivam dos vários grupos étnicos que habitaram a ilha de Hispaniola. No entanto, em quase todos os aspectos da sociedade haitiana moderna os elementos africanos e europeus predominam.

A música haitiana combina uma ampla gama de influências extraídas das muitos povos que se instalaram na ilha caribenha. Ela reflete ritmos franceses, africanos, espanhóis e de outras culturas que habitaram a ilha de Hispaniola, com uma influência menor dos tainos nativos. Entre os estilos musicais exclusivos da nação estão músicas derivadas de tradições cerimoniais do vodu haitiano, entre outros.

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa, Dicionário de Gentílicos e Topónimos do Haiti.
  2. The World Factbook Cia.gov. Visitado em 22 de maio de 2014.
  3. a b c d Fundo Monetário Internacional (FMI): World Economic Outlook Database (Outubro de 2014). Visitado em 29 de outubro de 2014.
  4. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Visitado em 3 de agosto de 2014.
  5. Gini Index Banco Mundial. Visitado em 2 de março de 2011.
  6. Haití adelanta la hora para optimizar consumo de energía en el verano de 2012 (em espanhol)
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