Guatemala

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República de Guatemala
República da Guatemala
Bandeira da Guatemala
Brasão de armas da Guatemala
Bandeira Brasão das armas
Lema: Libre Crezca Fecundo
("Livre, cresça fecundo")
Hino nacional: Himno Nacional de Guatemala
Gentílico: guatemalteco(a),
guatemalense,[1]
guatemalês(esa)[2]

Localização

Capital Cidade da Guatemala
Língua oficial Espanhol
Governo República presidencialista
 - Presidente Otto Pérez Molina
 - Vice-presidente Roxana Baldetti
Independência da Espanha 
 - Declarada 15 de Setembro de 1821 
Área  
 - Total 108.890 km² (106.º)
 - Água (%) 0,4
 Fronteira México, Belize, Honduras e El Salvador
População  
 - Estimativa de 2012 14 373 472 [3] hab. (69.º)
 - Densidade 134,6 hab./km² (85.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2012
 - Total US$ 78.420.000 bilhões USD [4]  (83.º)
 - Per capita US$ 5.200 USD (154.º)
IDH (2013) 0,628 (125.º) – médio[5]
Moeda Quetzal
Fuso horário (UTC−6)
Cód. Internet .gt
Cód. telef. ++502
Website governamental http://www.guatemala.gob.gt

Mapa

A Guatemala, oficialmente República da Guatemala, é um país da América Central, limitado a oeste e a norte pelo México, a leste pelo Belize, pelo Golfo das Honduras e pelas Honduras e a sul por El Salvador e pelo Oceano Pacífico. Sua capital é a Cidade da Guatemala, que também é seu maior e mais populoso centro urbano.

O país tem uma área de 108.889 km², sendo o terceiro maior do subcontinente, superado apenas por Nicarágua e Honduras, respectivamente. A nação possui uma grande variedade de climas, devido ao seu terreno montanhoso que vai desde o nível do mar até 4.220 metros de altitude.[6] Isso cria diversos ecossistemas no país, variando dos manguezais do Pacífico para as florestas altas das montanha. A abundância de áreas biologicamente significativas e exclusivas da Guatemala contribui para a classificação do país como um hotspot de biodiversidade.

A Guatemala tem sua história marcada pela civilização maia, que habitou o território do país durante todo o período pós-clássico, até a conquista do Iucatã pelos espanhóis. Além da Guatemala, os maias viveram em Honduras, Belize, na parte sul do México e na parte oriental de El Salvador. Após sua independência da Espanha em 1821, a Guatemala tornou-se parte da Estados Unidos da América Central e, após a sua dissolução, enfrentou uma instabilidade política que caracterizou toda a região durante meados do século XIX. No início do século XX, a Guatemala se caracterizava por uma mistura de governos democráticos, bem como uma série de regimes ditatoriais, os quais eram frequentemente assistidos pelo United Fruit Company e o governo dos Estados Unidos. De 1960 a 1996, a Guatemala sofreu uma guerra civil travada entre o governo e militantes de esquerda. Após o ocorrido, o país experimentou um crescimento econômico e eleições democráticas. O atual presidente do país é Otto Pérez Molina, do Partido Patriota, no poder desde 2011.

Com 15,5 milhões de habitantes, a Guatemala é o país centro-americano mais populoso, e o segundo mais densamente povoado. A população é formada majoritariamente por indígenas e descendentes. A língua oficial é o espanhol, tendo também outras 23 línguas maias, xinca e garífuna presentes.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Tikal é um dos maiores sítios arqueológicos e centros urbanos da antiga civilização maia.

Acredita-se que o topônimo "Guatemala" derive da palavra indígena Quhatezmalha, que significa "montanha que verte água", em alusão ao vulcão Agua, que destruiu a Cidade Velha (Santiago de los Caballeros), primeira capital espanhola da capitania geral, ou do náhuatl Quauhtlemallan, que significa "lugar com muitas árvores".

Na pré-história, a atual Guatemala esteve culturalmente ligada à península de Yucatán, e testemunhou a ascensão das civilizações pré-maia e maia. Em suas planícies do norte e centrais ergueram-se as grandes e clássicas cidades maias de Tikal, Uaxactún, Altar de Sacrifícios, Piedras Negras, Yaxhá e Seibal; nos planaltos do sul estavam as cidades de Zacualpa, Kaminaljuyú, Cotzumalhuapa e outras. Elas mantinham conexões políticas e econômicas entre si e com as cidades pré-históricas no sul e centro do México, como as de Teotihuacán e Monte Albán (em Oaxaca).

A Guatemala é o berço da civilização maia, cujo centro era a região de Petén, o que justifica as características únicas da cultura guatemalteca no quadro da cultura centro-americana. Entre os séculos VII e XII, quando os astecas estenderam seu domínio até a Guatemala, os maias migraram para Yucatán. Posteriormente, nova migração os conduziu ao Petén. De 2500 a. C. até ao século X d.C., os Maias viveram uma era florescente, entrando depois em declínio até serem subjugados pelo conquistador espanhol Pedro de Alvarado, lugar-tenente de Cortés, em 1523.

História[editar | editar código-fonte]

Período Colonial[editar | editar código-fonte]

Mapa da Audiência da Guatemala, mostrando as fronteiras com a Costa Rica e Veragua (1657).

O território da Guatemala foi descoberto em 1523, por uma frota de fragatas do Império espanhol. Quando chegaram ao território, os espanhóis o encontraram povoado pelos maias-quichés, cachiqueles e tzutoiles. Nada mais restava do antigo esplendor da civilização maia: a tecnologia era atrasada e a atividade econômica revelava estagnação cultural. Como outros grupos ameríndios, não tinham descoberto o uso da roda; além disso, por desconhecerem a metalurgia, seus instrumentos e armas eram de pedra e madeira. A primeira grande expedição, de Pedro de Alvarado, em 1523, entrou pelo território maia, onde encontrou forte resistência, razão pela qual a conquista não pôde completar-se até 1544. A versão maia da invasão espanhola foi recolhida nas crônicas da Casa Izquim Nehaib, redigidas em língua quiché durante a primeira metade do século XVI.

Em 1570, foi criada a Audiência (alta corte com papel político) da Guatemala, mais tarde capitania geral, dependente do vice-reino da Nova Espanha (depois México). A Capitania Geral da Guatemala abrangia toda América Central, desde Chiapatas até a Costa Rica. Durante o século XVIII, piratas e comerciantes ingleses exploravam a madeira da costa dos Mosquitos, autorizados pelo Tratado de Paris de 1763, concessão que culminou com a incorporação de Belize à coroa britânica, em 1862. A capital, também chamada Guatemala, foi destruída por um terremoto em 1773. Suas ruínas formam a Antiga Guatemala, ou Antigua. A construção da nova Guatemala foi autorizada em 1775.

As conspirações anteriores ao movimento de 15 de setembro de 1821 não tiveram grande importância. Depois de três séculos de domínio espanhol, marcado pelo fraco desenvolvimento comercial, esse movimento levou à proclamação da independência da Guatemala, sendo formada uma federação que incluía todos os territórios da antiga Capitania Geral da Guatemala, exceto Chiapas, anexada pelo México. A independência contou com a adesão dos monarquistas da colônia, fortes opositores do regime liberal instaurado na Espanha pela revolução de 1820. A federação uniu-se ao México e um exército expedicionário mexicano liderado por Vicente Filisola submeteu todo o território ao breve Império Mexicano de Agustín de Iturbide. Quando este ruiu (1823), a Guatemala retomou a sua autonomia.

O general Rafael Carrera, presidente vitalício da Guatemala, praticou uma política conservadora.

Em 1º de julho de 1823, um congresso reunido por Filisola declarou a independência da Federação das Províncias Unidas da América Central (Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Honduras e Costa Rica), com capital na Cidade de Guatemala, que subsistiu até 1839. O colapso da federação foi resultado de uma forte oposição liderada pelo general conservador Rafael Carrera, o qual, à frente de um exército popular, assumiu o poder em 1838. Eleito presidente em 1844, promulgou a independência do país em 21 de março de 1847 e governou autoritariamente até sua morte, em 1865.

Independência[editar | editar código-fonte]

Justo Rufino Barrios (1873-1885), liberal e positivista, modernizou o país.

Carrera restabeleceu os privilégios da Igreja e opôs-se às tentativas de reconstruir a federação centro-americana. Em 1859, firmou com o Reino Unido um tratado que definiu os limites com as Honduras Britânicas (atual Belize). Seus sucessores na presidência tornaram-se cada vez mais despóticos.

Em 1871, teve início uma revolução que derrubou o governo e iniciou um período liberal que se manteve, com breves interrupções, até 1944. O governo de Justo Rufino Barrios, a partir de 1873, foi marcado pela política anticlerical e de desenvolvimento econômico, baseada no investimento em grandes propriedades produtoras de café. Sua política social, entretanto, foi prejudicial aos índios, que ficaram subordinados a um regime de trabalho quase servil. Ardoroso defensor da união centro-americana, Rufino tentou obtê-la a força e invadiu El Salvador. Morreu na batalha de Chalchuapa, em 1885. Seguiram-se governos autoritários e instabilidade política até 1931. Por intermédio da United Fruit Company, instalada no país em 1901, os EUA exerceram aí forte influência, que se manifestou principalmente nas presidências de Cabrera (1898-1920) e Ubico (1931-1945).

O século XX[editar | editar código-fonte]

Na primeira foto, Manuel Estrada Cabrera (1898-1920), que prosseguiu a obra de Justo Rufino Barrios e deu especial apoio à companhia americana United Fruit, instalada no país em 1901. Na segunda foto, o general José Maria Orellana (1921 - 1926.)

Após Barrios, os dirigentes de maior destaque foram Manuel Estrada Cabrera (1898-1920), ditador durante 22 anos, e o general José Maria Orellana, que ocupou a presidência até 1927, quando foi nomeado presidente o antigo oficial do Exército Lázaro Chacón. Em 1930, os efeitos da depressão econômica e as acusações de corrupção contra a ditadura de Chacón provocaram a sua queda.

O general Jorge Ubico Castañeda foi nomeado presidente em 1931. Político populista, alcançou alguns êxitos notáveis em relação à economia guatemalteca, como a recuperação da depressão de 1930 e o o primeiro superávit nas contas do país. No entanto, quem mais se beneficiou foi a empresa norte-americana United Fruit Company e a oligarquia nacional. A rigidez de seu regime fez com que Jorge Ubico fosse obrigado a renunciar em conseqüência de uma greve geral, em 1944, pondo, assim, um ponto final às ditaduras militares. Os trabalhadores organizaram-se em sindicatos e formaram-se partidos políticos.

Em 1944, Juan José Arévalo, à fente de uma coligação democrático-liberal, foi eleito para a presidência, que assumiu em 1945. Em sua administração, promulgou-se uma nova Constituição e institui-se um quadro de reformas políticas e sociais que favoreciam os trabalhadores urbanos e os camponeses, retirando poderes dos grandes latifundiários e dos militares. Em 1945, a Guatemala renovou as suas reclamações sobre as Honduras Britânicas (atual Belize), um tema pendente desde a formação da república. O conflito agravou-se em 1948 quando unidades da Marinha britânica foram enviadas ao porto da cidade de Belize a fim de impedir uma suposta invasão guatemalteca. A Guatemala fez um protesto dirigido às Nações Unidas e à União Panamericana e fechou a sua fronteira com as Honduras Britânicas. Arévalo concluiu o seu período presidencial, apesar de ter sofrido mais de 20 tentativas de golpe.

O coronel Jacobo Arbenz Guzmán (1951-1954) saiu vitorioso nas eleições gerais de 1950, apoiado por uma coalizão de partidos de esquerda, tendo continuado a política de reformas sociais de seu antecessor. O Congresso Nacional aprovou uma lei de reforma agrária que estabeleceu a divisão de terras não cultivadas a trabalhadores sem terra, afetando, assim, a United Fruit Company.

Em 1954, a oposição ao regime do coronel Arbenz aumentou muito, tanto dentro como fora do país, e muitas vezes ele foi classificado como comunista. Na X Conferência Interamericana, os Estados Unidos, alarmados pelo fortalecimento do Partido Comunista, conseguiram a aprovação de uma resolução anticomunista condenando implicitamente o governo da Guatemala. Alegando ter descoberto uma conspiração destinada a derrubá-lo, o Governo deteve as lideranças da oposição e os direitos civis foram suspensos.

Em 1954, o assim chamado Exército de Liberação, formado por políticos exilados treinados e apoiados pelos Estados Unidos, através da CIA, e dirigido pelo coronel Carlos Castillo Armas, invadiu a Guatemala. Arbenz deixou o poder em junho de 1954 e o Congresso Nacional foi dissolvido.

O então Coronel Carlos Arana Osorio (a direita) com assessores militares dos Estados Unidos (1965).

Castillo Armas foi nomeado presidente provisório e seu mandato foi ratificado mediante um plebiscito nacional. Paralelamente, uma assembléia constituinte redigiu uma nova Constituição. Em 1955, o governo autorizou a atividade de alguns partidos políticos. Em 1957, Castillo Armas foi assassinado. Uma junta militar tomou o governo e o general Miguel Ydígoras Fuentes foi nomeado pelo Congresso como presidente em 2 de março de 1958, sendo no entanto derrubado pelo seu ministro da Defesa, o general Enrique Peralta Azurdia, em março de 1963. Três anos mais tarde, veio a eleição pacífica do líder do Partido Revolucionário, Julio César Méndez Montenegro, para a presidência, com uma plataforma moderada, mas este nunca conseguiu impor as suas políticas por ação dos militares, que controlavam por completo os corredores do Poder. Méndez Montenegro governou de 1966 a 1970, quando se elegeu presidente Carlos Arana Osorio, o qual impôs uma política de extinção de todos os opositores, quer de partidos políticos, quer das guerrilhas rural e urbana. Em 1974, foi eleito o general Kjell Laugerud García, e em 1978, o general Romeu Lucas García. O candidato eleito em 1982 foi deposto pelo general Efrain Ríos-Montt, que passou a governar o país com plenos poderes.

Casas destruídas na Cidade da Guatemala pelo terremoto de 1976, considerado um dos maiores desastres naturais já registrados na América Central.

Entre 1970 e 1982, o país, já devastado por tremores de terra em 1976, considerado um dos maiores desastres naturais já registrados na América Central, foi varrido por uma guerra civil intermitente, fomentada pelas atividades das guerrilheiros de tipo castrista ou sandinista e dos Esquadrões da Morte paramilitares. A descoberta de reservas petrolíferas nos finais da década de 70, no Norte da Guatemala, criou uma crise entre este país e o Belize (na altura chamado Honduras Britânicas), pois acreditava-se que as reservas se estendiam para aquele território. No entanto, em setembro de 1981, a Inglaterra deu a independência ao Belize sob os protestos da Guatemala, que só abdicaria das suas pretensões sobre o Belize em setembro de 1991. Esta descoberta serviu também de pretexto para o Governo guatemalteco iniciar um movimento repressivo sobre os índios no Norte do território, provocando, não só o êxodo para o México, como uma adesão às guerrilhas sem precedentes. Até 1985, todas as eleições foram monopolizadas de modo a manter os militares no Poder.

Em 1983, o general Óscar Mejía Victores tomou o poder, prometendo redemocratizar o país. Em 1984, realizaram-se eleições para a Assembléia Constituinte, e em dezembro de 1985, na sequência da aprovação em março de uma nova Constituição, de cariz mais humanista, foi eleito o primeiro presidente civil dos últimos 15 anos, o democrata-cristão Marco Vinicio Cerezo Arévalo. A partir de 1987, a Guatemala integrou o esforço de paz na América Central (acordos assinados em 1987 e 1989 com Costa Rica, Honduras, Nicarágua e El Salvador). Contudo, em vez de apaziguar o país, Cerezo promoveu o ressurgimento dos esquadrões da morte (muito ativos durante as presidências militares), o que provocou a formação, por parte das várias guerrilhas, da União Revolucionária Nacional Guatemalteca (URNG). Marco Cerezo teve, também, de enfrentar várias tentativas de golpe de Estado, levadas a cabo pelos militares, para além da crescente insatisfação popular.

Nas eleições de 1991 o evangélico Jorge Serrano Elías, dirigente do Movimento de Ação Solidária (centro-direita), foi eleito para a presidência e cedo estabeleceu diálogo com a URNG, de modo a pôr termo à situação de guerra vivida no país. Esta iniciativa, no entanto, causou reações violentas por parte da ala direita, através de ações perpetradas pelos esquadrões da morte. Em maio de 1993, Serrano anunciou um golpe de Estado, dissolveu o Congresso e a Corte Suprema e suspendeu a constituição, mas a pressão popular fez com que o exército retirasse o apoio e ele logo teve de renunciar. Seu vice, Gustavo Espina, caiu em seguida. Em junho, o Congresso elegeu para a presidência da República Ramiro de León Carpio, advogado de direitos humanos que tinha se destacado por suas denúncias sobre a violência institucional. Carpio instaurou várias reformas constitucionais que limitaram o mandato presidencial a quatro anos, estabeleceu negociações com a guerrilha e apoiou a criação de uma comissão para limitar a responsabilidade sobre a violência institucional, que tinha provocado mais de 100 mil mortos e aproximadamente 50 mil desaparecidos nas três últimas décadas.

Apesar da assinatura dos acordos de paz entre o Governo e a URNG em 1993, a instabilidade política e social continuou a marcar o quotidiano da Guatemala, tornando impotentes os esforços do presidente Carpio no estabelecimento de uma democracia sólida no país. Exemplo disso é o espancamento de uma cidadã norte-americana acusada de tráfico infantil, que foi levado a cabo por milícias populares em março de 1994. Este episódio, que acarretou enormes prejuízos econômicos ao provocar o cancelamento de visitas turísticas, surgiu na altura em que cada vez mais os militares tentavam imiscuir-se na política guatemalteca, originando, portanto, especulações sobre um possível envolvimento militar naquela ação popular.

Nas eleições de 1995, venceu o conservador Alvaro Arzú. A conclusão de um acordo de paz entre o poder central e a guerrilha pôs fim a 35 anos de conflito. Em 26 de dezembro de 1999, Alfonso Portillo, candidato da Frente Republicana Guatemalteca (FRG), partido populista de direita, venceu as eleições presidenciais no 2º turno, com 68% dos votos válidos, para um mandato de quatro anos. Em 2004, Óscar Berger, líder direitista, da Grande Aliança Nacional (GANA), sucedeu-o na presidência da República.

Política[editar | editar código-fonte]

O parlamento da Guatemala, o Congresso da República, com 113 assentos, é eleito cada quatro anos, simultaneamente com as eleições presidenciais. O presidente atua como chefe de Estado e do governo. Em suas tarefas executivas é auxiliado por um gabinete de ministros que são designados pelo próprio presidente.

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

Departamentos da Guatemala.

A Guatemala está dividida em 22 departamentos, que são os seguintes, com suas respectivas capitais:

  1. Alta Verapaz (Cobán)
  2. Baja Verapaz (Salamá)
  3. Chimaltenango (Chimaltenango)
  4. Chiquimula (Chiquimula)
  5. El Petén (Flores)
  6. El Progreso (Guastatoya)
  7. El Quiché (Santa Cruz del Quiché)
  8. Escuintla (Escuintla)
  9. Guatemala (Cidade da Guatemala)
  10. Huehuetenango(Huehuetenango)
  11. Izabal(Puerto Barrios)
  12. Jalapa (Jalapa)
  13. Jutiapa (Jutiapa)
  14. Quetzaltenango (Quetzaltenango)
  15. Retalhuleu (Retalhuleu)
  16. Sacatepéquez (Antigua Guatemala)
  17. San Marcos (San Marcos)
  18. Santa Rosa (Cuilapa)
  19. Sololá (Sololá)
  20. Suchitepéquez (Mazatenango)
  21. Totonicapán (Totonicapán)
  22. Zacapa (Zacapa)

Geografia[editar | editar código-fonte]

Imagem de satélite da Guatemala.

A Guatemala é o terceiro maior país da América Central. Limita-se ao Norte e a Oeste com o México, ao Sul com o oceano Pacífico e a Leste com Honduras, Belize e El Salvador. Assim como outros países centro-americanos, a Guatemala possui diversos lagos, cadeias de montanhas, que são prolongamento da Serra Madre mexicana, e grandes vulcões – alguns chegam a atingir mais de 4.000m de altitude e ainda estão ativos, como o Tajumulco, de 4.210m e o Tacaná, de 4.093m.

Ao Sul e a Leste as altitudes são menores. O Vale Motagua, na planície de El Petén, é um dos principais campos de fósseis de dinossauros. É também a região mais fértil do país e onde se concentram as principais atividades econômicas, com destaque para o cultivo do milho e a banana. Na região próxima ao Pacífico, as plantações de cana-de-açúcar e café são as mais importantes.

A temperatura é quente nas planícies e fria nas montanhas. No litoral do Pacífico, o clima é o tropical, e na costa caribenha os termômetros chegam a atingir 38 °C. Na floresta da planície de El Petén o clima é quente, e o grau de umidade varia de acordo com a época do ano.

Economia[editar | editar código-fonte]

A economia da Guatemala baseia-se predominantemente na agricultura. Um quarto do PIB, dois terços das exportações e metade da força de trabalho do país provém do campo.

Os principais produtos são:

O presidente Arzu (1996-2000) trabalhou para implementar um programa de abertura comercial e para modernizar a política do país. Em 1996 foi assinado o acordo de paz que pôs fim à guerra civil que durava há 36 anos.

A distribuição de riquezas do país é bastante desigual, com 46,3% da população abaixo da linha da pobreza (2010).[7]

Demografia[editar | editar código-fonte]

Os ladinos (mestiços e ameríndios ocidentalizados) e brancos compõem cerca de 59,4% da população da Guatemala. Os ameríndios não assimilados, descendentes dos maias, constituem 40,6% da população.Também há descendentes de africanos, especialmente ao longo da costa caribenha, em especial os garifuna.

Embora a maior parte da população da Guatemala seja rural, a urbanização está em aceleração.

Embora a língua oficial seja o espanhol, ela não é universalmente compreendida entre a população indígena; ainda são faladas várias línguas maias, em especial em áreas rurais.

Os acordos de paz assinados em Dezembro de 1996 determinam a tradução de alguns documentos oficiais e de materiais de voto para várias línguas indígenas.

Religião[editar | editar código-fonte]

Catedral na cidade da Guatemala

O catolicismo era a única religião reconhecida durante o período colonial. Sempre havia questões de intolerância religiosa no país na época colonial devido às religiões politeístas dos nativos indígenas. O protestantismo tem aumentado significativamente nos últimos anos, devido à chegada de várias denominações dos Estados Unidos na década de 1970.

Com a chegada dos espanhóis no Novo Mundo, o povo foi convertido ao catolicismo, mas suas crenças primitivas não foram esquecidas. As crenças religiosas maia são praticadas por uma grande porcentagem da população. A prática das crenças religiosas maia tem aumentado bastante entre os descendentes desta civilização devido à proteção garantida a estes pelo Acordo de Paz, principalmente na parte ocidental do país. Um dos exemplos mais típicos desse sincretismo religioso são os ritos da Igreja de Santo Tomás, em Chichicastenango.[8]

Existem atualmente na Guatemala pequenas comunidades de judeus (aproximadamente 1.200 praticantes) que possuem suas próprias sinagogas, muçulmanos, Santos dos Últimos Dias, Testemunhas de Jeová, ateus e budistas.

Em termos de estatísticas, 65% da população da Guatemala segue a Igreja Católica Romana, 30% são protestantes e 5% possuem outras religiões (1% dos quais possui crenças índigenas/tribais relacionadas com a religião do povo Maia)religiones/religiones-en-guatemala.shtml

Santos dos Últimos Dias

Cidades mais populosas[editar | editar código-fonte]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Gastronomia[editar | editar código-fonte]

A Guatemala, berço dos maias, tem uma cultura gastronômica tão rica e variada como antiga. Na culinária cotidiana da Guatemala o milho é rei e senhor: Tortilhas, Tamalintas, Pishtones, Tacos, Enchiladas, Chuchitos, etc., têm o milho como ingrediente principal.

Serviços públicos[editar | editar código-fonte]

O estado proporciona assistência médica e gratuita, mas também há hospitais particulares nas grandes cidades. Mesmo assim, os serviços médicos e sanitários são insuficientes, especialmente nas zonas rurais e nos subúrbios mais pobres. O ensino primário (seis anos) é gratuito e obrigatório, mas o sistema educacional não preenche as necessidades do país e apenas uma minoria chega ao segundo grau. A principal universidade pública é a de San Carlos de Guatemala, fundada em 1676.

História e tradições[editar | editar código-fonte]

No território guatemalteco se encontram alguns dos mais remotos vestígios da civilização maia, cujas fases são conhecidas graças às estelas de pedra, usadas para medir o tempo. A primeira foi encontrada em Uaxactún e data do ano 328 da era cristã. Outros centros com ruínas maias são Quirigua e Yaxchilán.

Textos como o Popol Vuh, o Rabinal Achi e o Memorial de Tecpán-Atitlán foram escritos depois da conquista, em línguas indígenas com caracteres latinos.

Na arquitetura colonial, predominou o barroco espanhol com elementos indígenas. As ruínas da catedral de Antigua Guatemala são a melhor mostra desse estilo. A estatuária popular adquiriu grande perfeição a partir do século XVI.

Literatura[editar | editar código-fonte]

A figura de maior destaque nas letras guatemaltecas é Miguel Ángel Asturias, que recebeu em 1967 o Nobel de Literatura. Seu interesse pelas raízes do povo se expressa em todas as suas obras, com freqüentes alusões a mitos indígenas.

Feriados
Data Nome em português Nome local Observações
15 de setembro Dia da Independência

Referências

  1. Portal da Língua Portuguesa - Dicionário de Gentílicos e Topónimos
  2. Ciberdúvidas da Língua Portuguesa - Guatemalteco ou guatemalense
  3. CIA - The World Factbook. Comparação entre países: População. Página visitada em 26 de maio de 2013.
  4. CIA - The World Factbook. Economy. Página visitada em 26 de maio de 2013.
  5. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Human Development Report 2014 (em inglês) (24 de julho de 2014). Página visitada em 2 de agosto de 2014.
  6. América Central. Escola Britannica Online. Página visitada em 11 de maio de 2014.
  7. Metade dos guatemaltecos vive abaixo da linha de pobreza. Adital (12/09/2007). Página visitada em 11/10/2008.
  8. Geográfica Universal - "Guatemala, Viagem aos Puebos", pg. 68-69. Editora Bloch. Novembro (l997).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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