Chile

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República de Chile
República do Chile
Bandeira do Chile
Brasão de armas do Chile
Bandeira Brasão de armas
Lema: Por la razón o la fuerza ("Pela razão ou a força")
Hino nacional: Puro Chile (O Puro Chile)
Gentílico: chileno(a)

Localização  República do Chile

Localização do Chile em verde escuro; área reivindicada pelo país na Antártica em vermelho claro listrado.
Capital Santiago
Cidade mais populosa Santiago
Língua oficial Espanhol
Governo República presidencialista
 - Presidente Michelle Bachelet
 - Presidente do Senado Isabel Allende
 - Presidente da Câmara dos Deputados Aldo Cornejo
 - Presidente do Supremo Tribunal Sergio Muñoz Gajardo
Independência da Espanha 
 - Iniciada 18 de setembro de 1810 
 - Formalmente declarada 12 de fevereiro de 1818 
Área  
 - Total 756.950 km² (38.º)
 - Água (%) 1,07
 Fronteira Peru (a norte), Bolívia (a nordeste) e Argentina (a leste); oceano Pacífico (a oeste) e oceano Atlântico (a leste).
População  
 - Estimativa de 2011 17 248 450 hab. (60.º)
 - Censo 2002 15.116.435 hab. 
 - Densidade 22 hab./km² (194.º)
PIB (base PPC) Estimativa de 2013
 - Total US$ 341,914 bilhões*[1]  
 - Per capita US$ 20 114[1]  
PIB (nominal) Estimativa de 2013
 - Total US$ 285,703 bilhões*[1]  
 - Per capita US$ 17 048[1]  
IDH (2012) 0,819 (40.º) – muito elevado[2]
Gini (2011) 50,3[3]
Moeda Peso Chileno (CLP)
Fuso horário (UTC−4 [Chile americano e antártico], UTC -6 [Chile oceânico].)
 - Verão (DST) (UTC-3 [No Chile americano e antártico], UTC -5 [No Chile oceânico].)
Cód. ISO CHL
Cód. Internet .cl
Cód. telef. +56
Website governamental http://www.gobiernodechile.cl/

Mapa  República do Chile

Chile, oficialmente República do Chile (em espanhol: ), é um país da América do Sul, que ocupa uma longa e estreita faixa costeira encravada entre a cordilheira dos Andes e o oceano Pacífico. Faz fronteira ao norte com o Peru, a nordeste com a Bolívia, a leste com a Argentina e a Passagem de Drake, a ponta mais meridional do país. É um dos dois únicos países da América do Sul que não tem uma fronteira comum com o Brasil, além do Equador. O Pacífico forma toda a fronteira oeste do país, com um litoral que se estende por 6 435 quilômetros.[4] O território chileno inclui alguns territórios ultramarinos, como o Arquipélago Juan Fernández, as Ilhas de Sala y Gómez, as Ilhas Desventuradas e a Ilha de Páscoa, localizada na Polinésia. O Chile possui uma reivindicação de 1 250 000 quilômetros quadrados de território na Antártida.

O Chile possui um território incomum, com 4 300 quilômetros de comprimento e, em média, 175 quilômetros de largura, o que dá ao país um clima muito variado, indo do deserto mais seco do mundo — o Atacama — no norte do país, a um clima mediterrâneo no centro, até um clima alpino propenso a neve ao sul, com geleiras, fiordes e lagos.[5] O deserto do norte chileno contém uma grande riqueza mineral, principalmente de cobre. Uma área relativamente pequena no centro chileno domina o país em termos de população e de recursos agrícolas. Esta área também é o centro cultural, político e financeiro do qual o Chile se expandiu no final do século XIX, quando integrou as regiões norte e sul em uma só nação. O sul do país é rico em florestas e pastagens e possui uma cadeia de montanhas, vulcões e lagos. A costa sul é um gigantesco labirinto de penínsulas compostas por fiordes, enseadas, canais e ilhas. A Cordilheira dos Andes está localizada por toda a fronteira oriental chilena.[6]

Antes da chegada dos europeus no século XVI, o norte do Chile estava sob o domínio Inca, enquanto os índios mapuches (também conhecidos como araucanos pelos colonizadores espanhóis) habitavam o centro e o sul do território. Embora o Chile tenha declarado sua independência em 1817, a vitória decisiva contra o controle espanhol não foi alcançada até 1818. Na Guerra do Pacífico (1879-83), o país venceu o Peru e a Bolívia e conquistou as regiões do norte. O Chile, que até então parecia estar relativamente livre da instabilidade política e do surgimento de governos autoritários que atingiam o resto do continente sul-americano, suportou 17 anos de uma rígida ditadura militar (1973-1990), uma das mais sangrentas do século XX na América Latina, que matou mais de três mil pessoas.[5]

Atualmente, o Chile é um dos países mais estáveis e prósperos da América do Sul.[5] Dentro do contexto maior da América Latina, é o melhor em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica e percepção de corrupção, além de índices comparativamente baixos de pobreza.[7] Também é elevado no país o nível de liberdade de imprensa e de desenvolvimento democrático. Sua posição como país mais rico da região (empatado com o México), em termos de produto interno bruto per capita (a preço de mercado[8] e paridade do poder de compra[9] ), no entanto, é contrariada devido ao seu alto nível de desigualdade econômica, medido pelo coeficiente de Gini.[10] Em maio de 2010, o Chile se tornou o primeiro país sul-americano a aderir à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),[11] além de também ser um dos membros de várias outras organizações internacionais, como as Nações Unidas (ONU), a Organização dos Estados Americanos (OEA), Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), a União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), a Cooperação Econômica da Ásia e do Pacífico (APEC), a Aliança do Pacífico (AP), o Parlamento Latino-americano e a Associação Latino-Americana de Integração (ALADI).

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Há várias hipóteses sobre a origem da palavra Chile. De acordo com uma teoria do século XVII do cronista espanhol Diego de Rosales,[12] os incas chamavam o Vale do Aconcágua de "Chili", por decomposição do nome de um chefe tribal picunche chamado Tili, que governou a área no momento da conquista inca durante o século XVI.[13] Outra teoria aponta para a semelhança do vale do Aconcágua com o do Vale de Casma no Peru, onde havia uma cidade e um vale chamados Chili.

Outras teorias dizem que o termo Chile pode ser derivado de uma palavra indígena que significa "confins da terra" ou "gaivotas";[14] a partir da palavra mapuche chilli, que pode significar "onde a terra acaba";[15] ou da palavra quéchua chiri, que significa "frio",[16] ou tchili, que significa tanto "neve"[16] [17] como "o ponto mais profundo da Terra".[18] Uma outra origem atribuída ao termo chilli é a onomatopeia cheele-cheele - a imitação mapuche do gorjeio de um pássaro conhecido localmente como trile.[15] [19] Os conquistadores espanhóis ouviram falar deste nome dos Incas e os poucos sobreviventes da primeira expedição espanhola de Diego de Almagro ao sul do Peru em 1535-1536 se chamavam os "homens da Chilli".[15] Finalmente, Almagro é creditado pela universalização do nome do "Chile", depois de nomear o vale do Mapocho como tal.

História[editar | editar código-fonte]

Colonização e independência[editar | editar código-fonte]

Proclamação da independência do Chile, por Pedro Subercaseaux Errázuriz (1945)

Os primeiros europeus a chegarem na terra que é hoje o Chile pertenceram ao grupo liderado por Fernão de Magalhães no ano 1520, o qual procurava o caminho para o oceano pacifico, que ele mesmo batizou, onde fica atualmente a cidade de Punta Arenas na Patagônia. Diego de Almagro, posteriormente realizou uma expedição até o vale de Coquimbo. Os habitantes originários dos vales centrais do Chile, impediram o avanço da expedição até o sul, forçando-os a voltar ao Peru. No ano 1540, Pedro de Valdivia liderou a expedição que fundaria finalmente a cidade de Santiago, atual capital do Chile.

O movimento de independência do Chile entre os anos de 1817 e 1818, liderado por Bernardo O'Higgins, libertou o país da histórica dominação espanhola, porém colocou o novo país na órbita do imperialismo britânico, uma vez que, a partir da década de 1920, as oligarquias conservadoras assumiram o controle político do país, apoiada pela Igreja Católica, preservando portanto os privilégios da elite criolla. Nesse sentido, a vida econômica do país continuou a basear-se no latifúndio agrário e pecuarista na região sul e na exploração mineral na região norte. A proclamação da república do Chile ocorreu no dia 18 de setembro de 1818.

República e era Pinochet[editar | editar código-fonte]

Bombardeio ao Palácio de La Moneda durante o Golpe de Estado no Chile, em 11 de setembro de 1973

Durante o período das presidências do Partido Radical (1938-1952), o Estado chileno aumentou sua participação na economia nacional. Em 1952, após três presidências radicais (Pedro Aguirre Cerda (1938-1941), Juan Antonio Ríos (1942-1946) e Gabriel González Videla (1946-1952), retornou à Presidência o general Carlos Ibáñez del Campo, que havia sido ditador do Chile entre 1927 e 1931. Jorge Alessandri sucedeu Ibáñez em 1958, derrotando o comunista Salvador Allende por uma grande margem de votos.

As eleições presidenciais de 1964 levaram à presidência o fundador do Partido Democrata Cristão (PDC), Eduardo Frei Montalva, que derrotou o socialista Allende e o radical Julio Durán. Frei governou com o slogan "Revolución en Libertad", pondo em prática um programa de reformas sociais e econômicas que, entre outras medidas, contemplou reformas no sistema educacional, construção de casas populares, sindicalização dos trabalhadores rurais e reforma agrária. No entanto, a partir de 1967 Frei encontrou uma crescente oposição por parte dos setores mais à esquerda, que o acusavam de ser tímido nas reformas, bem como uma forte oposição dos setores mais conservadores, que achavam tais reformas excessivas.

Em 11 de setembro de 1973, o presidente democraticamente eleito em 1970, Allende sofreu um golpe de estado e o general Augusto Pinochet assumiu o governo, instaurando uma ditadura que iria perdurar por dezessete anos. Durante este período, foi criada a repressão política contra a oposição e houve várias violações dos direitos humanos[20] . Pinochet foi sucedido pelo civil Patricio Aylwin, proeminente membro do PDC.

Redemocratização e era contemporânea[editar | editar código-fonte]

Os cinco presidentes chilenos desde 1990.

Em 1994, foi eleito presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, filho do presidente Eduardo Frei Montalva e também filiado ao PDC. Frei Ruiz-Tagle foi sucedido em 2000 pelo socialista Ricardo Lagos, do Partido Socialista do Chile, mesmo partido de Salvador Allende, em um segundo turno sem precedentes contra Joaquín Lavín, do direitista Aliança para o Chile.[21]

Em janeiro de 2006, os chilenos elegeram seu primeiro presidente do sexo feminino, Michelle Bachelet Jeria, do Partido Socialista, derrotando Sebastián Piñera, do partido Renovação Nacional, ampliando o governo Concertación por mais quatro anos.[22] [23]

Em janeiro de 2010, os chilenos elegeram Sebastián Piñera como o presidente de direita em 20 anos, derrotando o ex-presidente Eduardo Frei Ruiz-Tagle, da Concertación, para um mandato de quatro anos sucedendo Bachelet.

Em 27 de fevereiro de 2010, o Chile foi atingido por um terremoto de 8,8 MW, o quinto maior já registrado até aquela época. Mais de 500 pessoas morreram (a maioria por causa do tsunami que se seguiu) e mais de um milhão de pessoas perderam suas casas. O terremoto também foi seguido por múltiplas réplicas.[24] Estimou-se que os danos iniciais ficaram na faixa de 15 a 30 bilhões de dólares, cerca de 10 a 15 por cento do produto interno bruto chileno.[25]

O país recebeu atenção global com o bem sucedido resgate de 33 mineiros presos em 2010. Em 5 de Agosto de 2010, o túnel de acesso desabou na mina de cobre e ouro de San José, no deserto do Atacama, perto de Copiapó, no norte do Chile, prendendo 33 homens a 700 metros abaixo do solo. A operação de resgate organizada pelo governo chileno localizou os mineiros 17 dias depois. Todos os homens foram trazidos para a superfície, em 13 de outubro de 2010, ao longo de um período de cerca de 24 horas, através de um esforço que foi transmitido ao vivo na televisão em todo o mundo.[26]

Nas eleições presidenciais de 2013, Michelle Bachelet se saiu novamente vitoriosa com pouco mais de 62% dos votos no segundo turno, derrotando a candidata governista Evelyn Matthei, que ficou com 37,8% dos votos.[27] , após receber 46,7% dos votos e contra 25,01% de Matthei no primeiro turno, se tornando a primeira presidente eleita pela segunda vez em mais de 60 anos no país.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Panorama do estratovulcão Ojos del Salado, o ponto mais alto do país (6 893 metros de altitude).

Uma longa e estreita faixa costeira do Cone Sul, no lado oeste da Cordilheira dos Andes, o Chile se estende por 4.630 quilômetros de norte a sul, mas apenas em 430 quilômetros em seu ponto mais largo de leste a oeste. Isto abrange uma notável variedade de paisagens. O país contém 756 950 quilômetros quadrados da área de terra.

O norte do Deserto do Atacama contém uma grande riqueza mineral, principalmente de cobre e nitratos. O relativamente pequeno Vale Central, que inclui Santiago, domina o país em termos de população e de recursos agrícolas. Esta área também é o centro histórico do qual o Chile se expandiu no final do século XIX, quando integrou as regiões do norte e do sul. O sul do Chile é rico em florestas, pastagens e apresenta uma série de vulcões e lagos. A costa sul é um labirinto de penínsulas de fiordes, enseadas, canais e ilhas. A Cordilheira dos Andes está localizada na fronteira oriental. O Chile é o maior país Norte-Sul do mundo, e também reivindica 1 250 000 km² da Antártida como parte de seu território. No entanto, esta última afirmação é suspensa nos termos do Tratado da Antártida, do qual o Chile é signatário.[28]

O país está localizado no Círculo de fogo do Pacífico, região no entorno da placa de Nazca, que concentra 90% da sismicidade e vulcanismo do planeta.[29]

O Chile controla a Ilha de Páscoa e a Ilha Sala y Gómez, as ilhas do leste da Polinésia, que incorporou ao seu território em 1888, e a Ilha Robinson Crusoe, a mais de 600 quilômetros do continente, no Arquipélago Juan Fernández. A Ilha de Páscoa é hoje uma província do Chile. Também controlada, mas apenas temporariamente habitada (por alguns pescadores locais) são as pequenas ilhas de Sala y Gómez, Santo Ambrósio e São Felix. Essas ilhas são notáveis porque estendem as águas territoriais do Chile.[30]

Clima[editar | editar código-fonte]

Vista panorâmica do Valle de la Luna, no deserto do Atacama, no norte do país.
Geleira Itália no Canal de Beagle, no sul do país.

O clima do Chile compreende uma ampla gama de condições climáticas através de uma larga escala geográfica, estendendo-se através de 38 graus de latitude. Segundo o sistema de Köppen-Geiger, o Chile dentro de suas fronteiras hospeda pelo menos sete dos principais subtipos climáticos, variando de deserto no norte, a tundra alpina e geleiras no leste e sudeste, subtropical úmido na Ilha de Páscoa, oceânico no sul e mediterrânico no centro. Há quatro estações na maior parte do país: verão (dezembro a fevereiro), outono (março a maio), inverno (junho a agosto) e primavera (setembro a novembro).[31]

Em uma escala sinóptica dos fatores mais importantes que controlam o clima chileno são o Anticiclone do Pacífico, a área de baixa pressão circumpolar sul, a fria Corrente de Humboldt, a escala do litoral chileno e a Cordilheira dos Andes. Apesar da largura do território do Chile, algumas regiões do interior podem experimentar grandes oscilações de temperatura e cidades, como San Pedro de Atacama, podem até mesmo experimentar um clima continental. No extremo nordeste e sudeste da fronteira do Chile se estende além dos Andes para o altiplano e as planícies da Patagônia, dando a essas regiões os padrões climáticos semelhantes aos vistos na Bolívia e na Argentina, respectivamente .[31]

Demografia[editar | editar código-fonte]

O censo chileno de 2002 relatou uma população de 15,1 milhões de pessoas. A taxa de crescimento demográfico do país tem diminuído desde 1990, junto com a taxa de natalidade.[32] Em 2050 a população deverá alcançar cerca de 20,2 milhões de pessoas, quando irá se estagnar, e começar a diminuir[33] Cerca de 85% da população do país vive em áreas urbanas, sendo que 40% vivem na Grande Santiago. As maiores aglomerações de acordo com o censo de 2002 são a Grande Santiago, com 5,6 milhões de pessoas, a Grande Concepción, com 861.000, e a Grande Valparaíso, com 824.000.[34]

O Chile é uma sociedade multiétnica e a maior parte da população pode reivindicar alguma ascendência europeia, principalmente espanhola (castelhano, andaluz e basco), mas também alemão, italiano, irlandês, francês, britânico, suíço e croata, em várias combinações. Um pequeno, mas influente grupo de imigrantes irlandeses e ingleses chegou ao Chile durante o período colonial. A imigração alemã começou em meados de 1800 e continuou até o século XX, sendo que as províncias de Valdivia, Llanquihue e Osorno, ao sul, mostram uma forte influência alemã. Além disso, há um número significativo de imigrantes e descendentes de povos do Oriente Médio, principalmente palestinos. Cerca de 800.000 ameríndios, principalmente mapuches, residem na região centro-sul. Os aimarás, atacamenhos e diaguitas podem ser encontrados principalmente nos do norte do Chile, em vales e oásis no deserto. A Ilha de Páscoa é a casa dos Rapa Nui, uma população indígena.[26]

Composição étnica[editar | editar código-fonte]

O Chile não conduz censos raciais e a distribuição das diferentes origens da população tem estimativas conflitantes. Segundo uma pesquisa de opinião realizada em 2011 pela organização chilena Latinobarómetro, 59% dos chilenos se declararam brancos, 25% mestiços, 8% indígenas, 1% mulatos e 2% "outra raça".[36] Um outro estudo, realizado em 2002 pelo Centro de Estudios Públicos (CEP), perguntou aos chilenos se eles tinham "sangue indígena". 43,4% dos entrevistados disseram que tinham "algum sangue indígena", 8,3% disseram que tinham "muito", 40,3% disseram que não tinham "nada", enquanto que 7,8% disseram não saber e 0,2% não responderam. Essa pesquisa mostra que a maioria dos chilenos identificam uma origem indígena na sua família.[37]

A população chilena é principalmente de origem europeia e indígena, 95% da população.[38] [39] [40] [41] [42] O país é relativamente homogenêo, tem uma identidade nacional, popularmente conhecido como chilenidade. Segundo uma fonte, entre 52,7% (8,8 milhões) - 90% (15 milhões) da população são descendentes de europeus.[39] [43] [44] Outro estudo concluiu que 30% da população seria classificada como branca e 65% mestiça.[45] Segundo o Censo 2002, apenas 3,2% da população chilena são ameríndios.[43]

Uma mulher da etnia mapuche

Os estudos de genética de população chilena de uso "de DNA mitocondrial" e os resultados do teste do cromossomo Y mostram o seguinte: o componente europeu é predominante na classe superior chilena[46] , da classe média, de 72 3% -76,8% de componentes europeus[46] [47] e 23.2%-27.7% de povos indígenas[46] [47] e as classes mais baixas a 62,9%-65,1% componente europeu [46] [47] e 35%-37,1% mistura de povos indígenas.[46] [47]

Um estudo genético autossômico no Chile apontou que a ancestralidade do povo chileno é 51,6% europeia, 42,1% indígena e 6,3% africana.[48] Um outro estudo genético confirma que o povo chileno é mestiço, mas é notável que as camadas sociais mais baixas apresentam maior grau de ancestralidade indígena, enquanto as camadas mais altas da sociedade têm mais ancestralidade europeia.[49] [50] [50] Um outro estudo genético realizado em pessoas de Santiago, capital do Chile, encontrou uma mistura de ancestralidade, sendo 57% europeia e 43% indígena. Os habitantes de Concepción, outra cidade chilena, têm 65% de ancestralidade europeia e 36% indígena. Já os habitantes de Puerto Montt têm 53% de origem indígena e 47% europeia. Na localidade de Laitec a ascendência é 80% ameríndia e 20% europeia, enquanto que em Poposo é 60% ameríndia e 40% europeia.[51] Mais de 80% do DNA mitocondrial chileno é de origem indígena (o DNA mitocondrial é transmitido de mãe para mãe). Na linhagem paterna (DNA revelado pelo cromossomo y), a contribuição indígena chega a 30%.[52] Do ponto de vista autossômico, isto é, a soma dos antepassados de um dado indivíduo, o chileno médio tende a revelar um alto grau de contribuição europeia com uma larga contribuição indígena, como exposto acima.

Imigração[editar | editar código-fonte]

Colonos italianos no sul do Chile.

O Chile recebeu um número reduzido de imigrantes, mas estes tiveram alguma importância na formação étnica do país. A população estrangeira nesse país alcançou seu máximo no ano de 1907, quando viviam no Chile 134.524 imigrantes.[53] Destes, somente 53,3% eram europeus, sendo que 42,7% eram provenientes de outros países da América Latina.[54] A população estrangeira no Chile nunca ultrapassou os 4,1% do total da população. A imigração europeia ao Chile foi, portanto, muito pouco expressiva quando comparada a outros países americanos, como os Estados Unidos, o Brasil, a Argentina ou o Canadá, onde tiveram um peso muito maior.[55]

As estimativas de descendentes de bascos no Chile variam de 10% (1.600.000) até 27% (4.500.000).[56] [57] [58] [59] [60]

Em 1848 houve uma grande imigração de alemães e franceses, a imigração de alemães foi patrocinada pelo governo chileno para fins de colonização para as regiões meridionais do país. Esses alemães (também suíços e austríacos), significativamente atraídos pela composição natural das províncias do Valdivia, Osorno e Llanquihue foram colocados em terras dadas pelo governo chileno para povoar a região. Porque o sul do Chile era praticamente desabitado, a influência desta imigração alemã foi muito forte, comparável à América Latina apenas com a imigração alemã do sul do Brasil. Há também um grande número de alemães que chegaram ao Chile, após a Primeira e Segunda Guerra Mundial, especialmente no sul (Punta Arenas, Puerto Varas, Frutillar, Puerto Montt, Temuco, etc.) A embaixada alemã no Chile estimada que entre 500.000 a 600.000 chilenos são de origem alemã.[61]

Puerto Varas, cidade no sul do Chile colonizada por alemães.

Além disso, estima-se que cerca de 5% da população chilena é descendente de imigrantes de origem asiática, principalmente do Oriente Médio (ou seja, palestinos, sírios, libaneses e armênios), são cerca de 800.000 pessoas.[62] É importante ressaltar que os israelitas, tanto judeus como não-cidadãos judeus da nação de Israel podem ser incluídos. Chile abriga uma grande população de imigrantes, principalmente cristã, do Oriente Médio.[63] Acredita-se que cerca de 500.000 descendentes de palestinos residem no Chile.[64] [65]

Outros grupos de imigrantes historicamente significativos são: os croatas, cujo número de descendentes é estimado em 380.000 pessoas, o equivalente a 2,4% da população.[66] [67] No entanto, outras fontes dizem que 4,6% da população do Chile podem ter alguma ascendência croata.[68] Além disso, mais de 700.000 chilenos de origem britânica (Inglaterra, País de Gales e Escócia), o que corresponde a 4,5% da população.[69]

Os chilenos de ascendência grega são estimados entre 90.000 e 120.000 pessoas,[70] a maioria deles vive no Santiago ou Antofagasta, Chile é um dos 5 países com mais descendentes de gregos no mundo.[71] Os descendentes de suíços somam o número 90.000,[72] também estima-se que cerca de 5% da população chilena tem alguma ascendência francesa.[73] Os descendentes de italianos estão entre 600.000 e 800.000 pessoas. Outros grupos de ascendência européia como os descendentes de portugueses,também são encontrados. Esses imigrantes, juntamente com os seus descendentes transformaram culturalmente, economicamente e politicamente o país.

Religião[editar | editar código-fonte]

Religião no Chile
Religião Porcentagem
Catolicismo romano
  
69,9%
Protestantismo
  
15,1%
Sem religião
  
8,3%
Outras
  
6,7%

No censo mais recente (2002), 69,9% da população acima de 14 anos se identificou como católicos romanos e 15,1% como protestantes. No censo, o termo " protestante" se refere a todas as igrejas cristãs não-católicas, com excepção da Igreja Ortodoxa (do grego, persa, sérvio, ucraniano e armênio), da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (Mórmons), dos Adventistas do Sétimo Dia e das Testemunhas de Jeová. Aproximadamente 90% dos protestantes são pentecostais. As igrejas Luterana, Evangélica Reformada, Presbiteriana, Anglicana, Episcopal, Batista, Congregação Cristã e a Metodista também estão presentes.[74] Pessoas sem religião, ateus e agnósticos, são responsáveis por cerca de 8% da população do país.

A Constituição prevê a liberdade de religião, e outras leis e políticas contribuem para a prática livre da religião em geral. A lei protege a todos os níveis desse direito, de forma plena contra o abuso de agentes governamentais ou privados.[74]

Igreja e Estado estão oficialmente separados. A legislação de 1999 sobre a religião proíbe a discriminação religiosa, no entanto, a Igreja Católica goza de um estatuto privilegiado e, ocasionalmente, recebe tratamento preferencial. Os funcionários do governo participam de eventos católicos e também de grandes cerimônias protestantes e judias.[74]

O Natal, a Sexta-Feira Santa, a Festa de Nossa Senhora do Carmo, a Festa dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a Festa da Assunção, Todos os Santos, e a Festa da Imaculada Conceição são feriados nacionais.[74] O governo declarou recentemente o dia 31 de outubro como o Dia da Reforma, um feriado nacional em honra das igrejas protestantes do país.[75] [76]

Os santos padroeiros do Chile são Nossa Senhora do Carmo e Santiago Maior[77] . Em 2005, o chileno Santo Alberto Hurtado foi canonizado pelo papa Bento XVI e se tornou também patrono do país[78] . Hurtado foi o primeiro santo canonizado por Bento XVI e o segundo chileno, depois de Santa Teresa dos Andes.

Política[editar | editar código-fonte]

Palácio de La Moneda, em Santiago, sede do governo chileno.
Interior do edifício-sede do Congresso do Chile, na cidade de Valparaíso.
Fachada da sede da Suprema Corte do Chile, em Santiago.

A atual Constituição do Chile foi aprovada em um plebiscito nacional altamente irregular em setembro de 1980, sob o governo militar de Augusto Pinochet, entrando em vigor em março 1981. Após a derrota de Pinochet no plebiscito de 1988, a Constituição foi alterada para facilitar as disposições para futuras alterações à Constituição. Em setembro de 2005, o presidente Ricardo Lagos assinou, em lei, várias emendas constitucionais aprovadas pelo Congresso. Estas incluem a eliminação de cargos de senadores nomeados e senadores vitalícios, que concede ao presidente a autoridade para remover os comandantes-em-chefe das forças armadas, e reduzir o mandato presidencial de seis para quatro anos.[79]

Os chilenos votaram no primeiro turno das eleições presidenciais em 13 de dezembro de 2009. Nenhum dos quatro candidatos presidenciais obteve mais de 50% dos votos. Como resultado, os dois candidatos mais votados, pela Concertación de Partidos por la Democracia, Eduardo Frei Ruiz-Tagle, e pela Coalición por el Cambio, Sebastián Piñera, concorreram em uma eleição de segundo turno em 17 de janeiro de 2010, vencida por Sebastián Piñera. Essa foi quinta eleição presidencial do Chile desde o fim da era Pinochet. Todas as cinco foram consideradas livres e justas. O presidente está constitucionalmente impedido de exercer mandatos consecutivos.

O Congresso do Chile tem um Senado, com 38 lugares, e uma Câmara dos Deputados, com 120 membros. Os senadores servem por 8 anos com mandatos alternados, enquanto deputados são eleitos a cada quatro anos. O Senado tem em curso uma divisão 20-18 a favor da coalizão de oposição. As últimas eleições parlamentares foram realizadas em 13 de dezembro de 2009, concomitantemente com a eleição presidencial. A atual Câmara, a Câmara dos Deputados contém 58 membros da coalizão governista de centro-direita, 54 da oposição de centro-esquerda e 8 a partir de partidos pequenos ou independentes. O Congresso está localizado na cidade portuária de Valparaíso, cerca de 140 km a oeste da capital, Santiago.

As eleições para o Congresso do Chile são governadas por um sistema binomial que premia as duas maiores representações. Portanto, há apenas dois assentos no Senado e dois na Câmara a cada distrito eleitoral, os partidos são obrigados a formar coalizões amplas e, historicamente, as duas maiores coligações (Concertación e Alianza) dividem a maioria das cadeiras em um distrito. Nas eleições de 2001 no Congresso, a conservadora União Democrática Independente ultrapassou os democratas-cristãos pela primeira vez para se tornar o maior partido na Câmara. Nas eleições parlamentares de 2005, os dois principais partidos, os democratas-cristãos e a UDI perderam representação em favor de seus respectivos aliados do Partido Socialista (que se tornou o maior partido do bloco Concertación) e a Renovação Nacional. Nas últimas eleições legislativas no Chile, o Partido Comunista venceu três dos 120 assentos na Câmara dos Deputados pela primeira vez em 30 anos.

O poder judiciário do Chile é independente e inclui um tribunal de recurso, um sistema de tribunais militares, um tribunal constitucional e o Supremo Tribunal do Chile. Em junho de 2005, o Chile terminou uma reforma de âmbito nacional de seu sistema de justiça criminal.[80] A reforma substituiu o processo inquisitorial com um sistema acusatório mais parecido com o dos Estados Unidos.

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

As forças armadas do Chile, estão sujeitas ao controle civil exercido pelo presidente através do Ministro da Defesa. O presidente tem autoridade para remover os comandantes-em-chefe das forças armadas.[6]

O comandante em chefe do Exército chileno é o general Juan Miguel Fuente-Alba Poblete. O exército do país tem uma força de 45.000 soldados e é organizado com um quartel general do Exército em Santiago, sete divisões ao longo do seu território, uma brigada aérea em Rancagua e um Comando das Forças Especiais, em Colina. O Exército chileno é um dos mais profissionais e tecnologicamente avançados exércitos da América Latina.[6]

Caça F-5E Tiger III da Força Aérea do Chile.

O almirante Edmundo Gonzalez Robles dirige a Marinha chilena com 21.773 pessoas,[81] incluindo 2.500 fuzileiros navais. Da frota de 29 navios de superfície, apenas oito são fragatas. Esses navios são baseados em Valparaíso.[82] A Marinha opera seus próprios aviões para o transporte e patrulha; não há caças ou bombardeiros da marinha. A Marinha também opera quatro submarinos com base em Talcahuano.[6] [83]

O general Ricardo Ortega Perrier dirige 12.500 pessoas na Força Aérea Chilena. Os meios aéreos estão distribuídas em cinco brigadas aéreas sediada em Iquique, Antofagasta, Santiago, Puerto Montt e Punta Arenas. A Força Aérea opera também uma base aérea na ilha Rei George, na Antártida. A Força Aérea comprou 10 F-16s, todos comprados dos Estados Unidos, em março de 2007. O Chile também teve a entrega em 2007 de uma série de 15 caças F-16 recondicionados dos Países Baixos, elevando para 18 o total de F-16s comprados dos holandeses.[6]

Após o golpe militar em setembro de 1973, a polícia chilena (Carabineros) foram incorporados ao Ministério da Defesa. Com o retorno de um governo democrático, os policiais foram colocados sob o controle operacional do Ministério do Interior, mas permaneceu sob o controle nominal do Ministério da Defesa. O Gen. Eduardo Gordon é o chefe da polícia nacional com 40.964[84] homens e mulheres que são responsáveis pela aplicação da lei, a gestão do tráfego, a contenção de narcóticos, controle de fronteiras e luta contra o terrorismo em todo o Chile.[6]

Relações internacionais[editar | editar código-fonte]

Desde as primeiras décadas após a independência, o Chile sempre teve uma participação ativa nos assuntos externos. Em 1837, o país de forma agressiva desafiou o domínio do porto de Callao no Peru para a preeminência nas rotas comerciais do Oceano Pacífico, derrotando a aliança de curta duração entre o Peru e a Bolívia, a Confederação Peru-Boliviana (1836-1839) na Guerra da Confederação. A guerra dissolveu a confederação e a distribuição do poder no Pacífico. A segunda guerra internacional, a Guerra do Pacífico (1879-1883), aumentou ainda mais o papel regional do Chile, enquanto a contribuiu consideravelmente para o seu território.[15]

O Presidente do Chile, Sebastián Piñera (à esquerda), em uma reunião de líderes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Durante o século XIX, os laços comerciais do Chile foram principalmente com o Reino Unido, um país que teve uma influência decisiva sobre a organização da marinha do país. Os franceses influenciaram os sistemas legal e educacional do Chile, e tiveram um impacto decisivo sobre o país, através da arquitetura da capital nos anos de boom na virada do século. A influência alemã veio da organização e do treinamento do exército por prussianos.[15]

Em 26 de junho de 1945, o Chile participou como membro fundador das Nações Unidas por estar entre os 50 países que assinaram a Carta das Nações Unidas em São Francisco, Califórnia, Estados Unidos.[85] [86] [87] Com o golpe militar de 1973, o Chile tornou-se isolado politicamente, como resultado das violações dos Direitos Humanos pela ditadura chilena.[15]

Desde o seu regresso à democracia em 1990, o Chile tem sido um participante ativo na arena política internacional. O país completou uma posição não-permanente de 2 anos no Conselho de Segurança da ONU em janeiro de 2005. Jose Miguel Insulza foi eleito secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, em maio de 2005. Chile está servindo atualmente no Conselho de Governadores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e o presidente do conselho de 2007-2008 é o embaixador do Chile para a AIEA, E. Milenko Skoknic. O país é membro ativo das agências da ONU e participa de atividades de manutenção da paz das Nações Unidas. O Chile sediou a cúpula da APEC em 2004. Ele também organizou a Comunidade das Democracias ministerial em Abril de 2005 e da Conferência Ibero-americana em novembro de 2007. Membro associado do Mercosul, membro da UNASUL e membro de pleno direito da APEC, o Chile tem sido um importante ator internacional sobre questões econômicas e de livre comércio.[6] Em 2010, o Chile foi aceito como membro da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

O Governo chileno mantém relações diplomáticas com a maioria dos países. Resolveu suas disputas territoriais com a Argentina durante a década de 1990. O país e a Bolívia romperam laços diplomáticos em 1978, pelo desejo da Bolívia em readquirir território perdido para o Chile na Guerra do Pacífico. Os dois países mantêm relações consulares e são representados ao nível de Cônsul-geral.[6]

Subdivisões[editar | editar código-fonte]

O Chile está dividido em 15 regiões, 51 províncias e 346 comunas. Abaixo segue a relação das 15 regiões (do norte para o sul):

15 regiões administrativas do Chile.
Nome Espanhol Capital
XV Arica e Parinacota Región de Arica y Parinacota Arica
I Tarapacá Región de Tarapacá Iquique
II Antofagasta Región de Antofagasta Antofagasta
III Atacama Región de Atacama Copiapó
IV Coquimbo Región de Coquimbo La Serena
V Valparaíso Región de Valparaíso Valparaiso
RM Santiago Región Metropolitana de Santiago Santiago
VI O'Higgins Región del Libertador General Bernardo O'Higgins Rancagua
VII Maule Región del Maule Talca
VIII Biobío Región del Biobío Concepción
IX Araucanía Región de la Araucanía Temuco
XIV Los Ríos Región de Los Ríos Valdivia
X Los Lagos Región de Los Lagos Puerto Montt
XI Aisén Región Aisén del General Carlos Ibáñez del Campo Coihaique
XII Magallanes Región de Magallanes y de la Antártica Chilena Punta Arenas

Economia[editar | editar código-fonte]

Sanhattan, o centro financeiro de Santiago, o principal polo econômico e político do país. Em destaque, a Gran Torre Santiago, o arranha-céu mais alto da América Latina.[88]

O Chile tem uma economia dinâmica e orientada para o mercado, caracterizada por um elevado nível de comércio exterior. Durante a década de 1990, a reputação do Chile como um modelo para a reforma econômica foi reforçada quando o governo democrático de Patricio Aylwin - que assumiu o governo dos militares em 1990 - aprofundou as reformas econômicas iniciadas pelo governo militar. A média de crescimento do PIB foi de 8% durante o período de 1991-1997, mas caiu para metade desse nível em 1998, devido a políticas monetárias implementadas para manter o déficit em conta corrente em cheque e por causa dos ganhos de exportação mais baixos - o último produto da crise financeira asiática. A economia do Chile desde então se recuperou e tem tido taxas de crescimento de 5% a 7% ao longo do últimos anos. Em 2006, o Chile se tornou o país com o maior PIB nominal per capita da América Latina.[89]

Depois de uma década de taxas de grande crescimento econômico, o Chile começou a experimentar uma desaceleração econômica moderada em 1999, trazida por desfavoráveis condições econômicas globais relacionadas com a crise financeira asiática, que começou em 1997. A economia permaneceu lenta até 2003, quando começou a mostrar sinais claros de recuperação, alcançando 4,0% de crescimento do PIB real.[90] A economia chilena terminou 2004 com crescimento de 6,0%. O crescimento real do PIB atingiu 5,7% em 2005, antes de cair novamente para o crescimento de 4,0% em 2006. O PIB cresceu 5,1% em 2007.[6]

Políticas econômicas sólidas, mantidas constantes desde os anos 1980, contribuíram para um crescimento estável e reduzindo as taxas de pobreza pela metade.[6] O governo militar (1973-1990) vendeu muitas empresas estatais e os três governos democráticos, desde 1990, prosseguiram com o processo de privatização, embora a um ritmo mais lento. O papel do governo na economia é essencialmente limitado à regulação, embora o Estado continue a controlar a gigante do cobre CODELCO e algumas outras empresas (não existe um banco estatal). O Chile está fortemente empenhado no livre comércio e tem recebido grande quantidade de investimentos estrangeiros. O país assinou acordos de livre comércio (TLC) com toda uma rede de países, incluindo um TLC com os Estados Unidos, que foi assinado em 2003 e implementado em janeiro de 2004.[91]

Chuquicamata, a maior mina a céu aberto do mundo, próxima a cidade de Calama.
Vinhedo na comuna de Puente Alto, na Região Metropolitana de Santiago. O Chile é o quinto maior exportador de vinhos do mundo.[92]

Ao longo dos últimos anos, o Chile assinou acordos de livre comércio com a União Europeia, Coreia do Sul, Nova Zelândia, Singapura, Brunei, China e Japão. O país chegou a um acordo de comércio parcial com a Índia em 2005 e começou negociações para um TLC de pleno direito com os indianos em 2006. O governo chileno também concluiu acordos comerciais preferenciais com a Venezuela, Colômbia e Equador. Um acordo de associação com o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), entrou em vigor em outubro de 1996. O Chile conduziu negociações comerciais em 2007 com a Austrália, Malásia e Tailândia, bem como com a China para expandir um acordo existente além do simples comércio de bens. O governo chileno concluiu as negociações com a Austrália e a expansão do acordo com a China em 2008. Os membros do P4 (Chile, Singapura, Nova Zelândia e Brunei), também pretendem concluir um capítulo sobre finanças e investimentos em 2008.[6] A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) concordou em convidar Chile para estar entre os quatro países para abrir discussões para se tornar um membro oficial da organização.[93] O país foi convidado a participar da organização em dezembro de 2009 e aprovado em janeiro de 2010.

O elevado nível de poupança doméstica e as taxas de investimento ajudaram a impulsionar a economia do Chile para taxas de crescimento médio de 8% durante a década de 1990. O sistema de pensões nacionais privatizadas (AFP) tem incentivado o investimento doméstico e contribuiu para uma estimativa de taxa de poupança total nacional de cerca de 21% do PIB.[94]

A taxa de desemprego pairava no intervalo de 8%-10% após o início da desaceleração econômica em 1999, acima da média de 7% em 1990. Desemprego finalmente caiu para 7,8% em 2006, e manteve a queda em 2007, com uma média mensal de 6,8% (até agosto).[95] Os salários subiram mais rapidamente do que a inflação como resultado da maior produtividade, aumentando o padrão de vida nacional. A porcentagem dos chilenos com renda familiar abaixo da linha da pobreza, definido como duas vezes o custo para satisfazer uma pessoa em necessidades mínimas nutricionais caiu de 45,1% em 1987 para 13,7% em 2006, de acordo com pesquisas do governo.[96] Os críticos, no Chile, no entanto, argumentam que os valores verdadeiros de pobreza são consideravelmente mais elevados do que os oficialmente publicados, porque o governo constrói a linha de pobreza com base em uma pesquisa de consumo desatualizada. Segundo esses críticos, utilizando os dados da pesquisa de 1997, a taxa de pobreza sobe para 29%.[97] Usando o critério relativo favorecido em muitos países europeus, 27% dos chilenos seria pobre, de acordo com Juan Carlos Feres da CEPAL.[98]

O independente do Banco Central do Chile persegue uma meta de inflação entre 2% e 4%. A inflação não ultrapassa os 5% desde 1998. Chile registrou uma taxa de inflação de 3,2% em 2006. A rápida valorização do peso chileno em relação ao dólar nos últimos anos tem ajudado a diminuir a inflação. A maioria dos assentamentos e dos salários estão indexados os empréstimos, reduzindo a volatilidade da inflação. No âmbito do sistema privado de pensões obrigatórios, a maioria dos trabalhadores do setor formal pagam 10% do seu salário em fundos geridos por entidades privadas.[6]

Aumento do PIB per capita chileno (azul) e latino-americano (laranja) entre 1950 e 2007.

Total do investimento estrangeiro direto (IED) foi de apenas US$ 3,4 bilhões em 2006, até 52% a partir de um fraco desempenho em 2005. No entanto, 80% do IDE continua a ir para apenas quatro setores: eletricidade, gás, água e mineração. Muito do salto em IED em 2006 foi também o resultado de fusões e aquisições e pouco fez para criar novos postos de trabalho no Chile. O governo chileno tem formado um conselho para a inovação e concorrência, que é encarregada de identificar novos setores e indústrias para a promoção. Espera-se que este, juntamente com algumas reformas fiscais para incentivar os investimentos nacionais e estrangeiros em pesquisa e desenvolvimento, trará no IDE adicionais e novos setores da economia.[6]

Em de 2006, o Chile investiu apenas 0,6% do seu PIB anual em pesquisa e desenvolvimento (I&D). Mesmo assim, dois terços foi gasto governamental. Para além da sua estabilidade econômica e política em geral, o governo também tem incentivado o uso de Chile como uma "plataforma de investimento" para planejamentos de corporações multinacionais para operar na região, mas isso terá valor limitado devido ao clima de negócios em desenvolvimento no Chile em si. A abordagem do Chile para o investimento estrangeiro direto está codificada na Lei de Investimento Estrangeiro, que dá aos investidores estrangeiros o mesmo tratamento que os chilenos. O registro é relatado para ser simples e transparente, e os investidores estrangeiros têm garantido o acesso ao mercado de câmbio oficiais estrangeiros para repatriar os seus lucros e de capital.[6]

Confrontado com uma crise econômica internacional, o governo anunciou um plano de 4 bilhões de dólares de estímulo econômico para estimular o emprego e o crescimento apesar da crise financeira global, visando uma expansão de entre 2 por cento e três por cento do PIB para 2009. Em 2009 o país entrou em recessão e o PIB encolheu 1,5%, já em 2010 o PIB cresceu 5,3% impulssionado pela alta nos preços do cobre no mercado internacional e pelos investimentos na reconstrução do país após o terremoto.

De acordo com o CIA - The World Factbook a renda per capita chegou a USD 15.500,00 em 2011, o maior rendimento per capita da América do Sul.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Vista aérea do complexo turístico San Alfonso del Mar, na cidade de chilena de Algarrobo, onde está localizada a maior piscina do mundo, segundo o Guinness World Records.[99]

O turismo no Chile tem experimentado um crescimento sustentado ao longo das últimas décadas. Em 2005, o turismo cresceu 13,6%, gerando mais de 4,5 bilhões de dólares, dos quais 1,5 bilhões são atribuídos aos turistas estrangeiros. De acordo com o Serviço Nacional de Turismo (Sernatur), 2 milhões de pessoas por ano visitam o país. A maioria destes visitantes vêm de outros países no continente americano, principalmente Argentina, seguido por um número cada vez maior dos Estados Unidos, Europa e Brasil com um número crescente de asiáticos da Coreia do Sul e da República Popular da China.[100]

As principais atrações para os turistas são lugares de beleza natural situadas nas zonas extremas do país: San Pedro de Atacama, no norte, é muito popular com turistas estrangeiros que chegam para admirar a arquitetura Inca, os lagos do altiplano e o Vale da Lua. Em Putre, também no Norte, há o Lago Chungará, bem como os vulcões Parinacota e Pomerape, com altitudes de 6.348 m, 6.282 m, respectivamente. Ao longo dos Andes centrais, há muitas estâncias de esqui de renome internacional, como Valle Nevado e Portillo.

No sul, os principais pontos turísticos são o Arquipélago de Chiloé e a Patagônia chilena, que inclui a Parque Nacional Laguna San Rafael, com suas muitas geleiras, e o Parque Nacional Torres del Paine. A cidade portuária de Valparaíso, com sua arquitetura original, também é popular. Finalmente, a Ilha de Páscoa no Oceano Pacífico, é um dos principais destinos turísticos do Chile.

Para os habitantes locais, o turismo está concentrado principalmente no verão (dezembro a março) e, principalmente, nas cidades de praia do litoral. Arica, Iquique, Antofagasta, La Serena e Coquimbo são os principais centros de verão no norte, e Pucón, às margens do Lago Villarrica é a principal delas, no sul. Devido à sua proximidade com Santiago, na costa da região de Valparaíso, com seus muitos resorts de praia, recebe o maior número de turistas. Viña del Mar, vizinha de Valparaíso, é popular por causa de suas praias, casinos e por seu festival de música anual, o mais importante evento musical na América Latina.

Em novembro de 2005, o governo lançou uma campanha sob a marca "Chile: Todas as maneiras surpreendentes", destinado a promover o país internacionalmente tanto para negócios e quanto para o turismo.[101]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Educação, ciência e tecnologia[editar | editar código-fonte]

Laser apontando o centro da Via Láctea a partir do Very Large Telescope (VLT), um avançado complexo astronômico localizado no deserto do Atacama e mantido pelo Observatório Europeu do Sul.

O Chile é o quarto país a América Latina e o trigésimo oitavo no mundo por número de publicações científicas em 2011.[102] O país mantém doze estações científicas de pesquisa[103] — quatro bases permanentes (operacionais ao longo de todo o ano) e oito com caráter temporário (operacionais apenas no verão) — e sete abrigos na Antártica, enquanto no deserto do Atacama há mais de uma dezena de observatórios astronômicos — como o Very Large Telescope (VLT), o mais avançado e poderoso complexo astronômico do mundo, o Atacama Large Millimeter Array (ALMA), o maior projeto astronômico do planeta,[104] e o La Silla, entre outros.[105] O Chile detém 40% da observação astronômica mundial[106] e, nas próximas décadas, o setor vai desenvolver outros grandes projetos — como o Telescópio Gigante Magalhães,[107] o Large Synoptic Survey Telescope (LSST),[108] o European Extremely Large Telescope (E-ELT)[109] e a ampliação do ALMA[110] — o que fará com que o país concentre cerca de 60% da observação astronômica total do mundo.[106]

No desenvolvimento da biotecnologia, destaca o bioquímico chileno Pablo Valenzuela, que participou da criação da vacina contra a hepatite B, da detecção da hepatite C e do desenvolvimento de um processo para a produção de insulina humana a partir de leveduras, além disso, sob a sua liderança, os cientistas clonaram e sequenciaram o HIV, o vírus causador da AIDS.[111]

Desde meados da década de 1990, o Chile teve satélites artificiais: FASat - Alpha (1995), o FASat -Bravo (1998) e Sistema Satelital de Observación Terrestre (SSOT, 2011).[112]

Faculdade de Economia e Negócios da Universidade do Chile.

A mineração chilena tem gerado inovação tecnológica e contribuições para a indústria em todo o mundo. A Codelco, a empresa estatal de exploração de cobre, patenteou processos metalúrgicos e químicos[113] [114] para a obtenção de cobre, com menos gasto de petróleo, além de projeto piloto de mineração piloto robótica, que opera máquinas através de um software de controle automático de geolocalização.[115] A alta incidência de terremotos o país tem incentivado o desenvolvimento e a aplicação de tecnologia anti-sísmica em obras maiores, como sistemas de molas e amortecedores em arranha-céus desenvolvidos por engenheiros chilenos.[116] [117]

O país tem sido um pioneiro regional no uso de telecomunicações móveis desde a década de 1990. Foi o primeiro país da América a oferecer serviços GSM em 1997, o primeiro com 3.5G UMTS/HSDPA na América Latina em 2006 e o primeiro com serviço HSPA+, o mais rápido na região, em 2010. Em 2012, os operadores locais começaram a oferecer o serviço da geração 4G.[118]

A educação no Chile é dividida em pré-escola, escola primária, escola secundária, educação técnica ou educação superior (universidade). De acordo com a constituição do Chile, a escola primária e secundária são mandatórias para todos os chilenos. O estado provê um extenso sistema de vouchers educacionais, que cobrem cerca de 90% dos estudantes da educação primária e secundária. Esse sistema é baseado no pagamento diretamente a escolas baseado na assistência, em termos práticos, se o estudante se transfere para outras escolas, o pagamento de assistência se transfere também.

Transportes[editar | editar código-fonte]

O Chile tem 127 347 helipontos e aeroportos.[119] Entre os principais centros aeroviários do país estão Chacalluta na cidade de Arica, Diego Aracena em Iquique, Andrés Sabella em Antofagasta, Carriel Sur em Concepción, El Tepual em Puerto Montt, Presidente Carlos Ibáñez em Punta Arenas, Mataveri na ilha de Páscoa, o aeroporto mais remoto do mundo;[120] e o Aeroporto Internacional Comodoro Arturo Merino Benítez em Santiago,[121] com uma taxa de movimentação de 12 105 524 passageiros em 2011.[122]

Em 2010, o sistema ferroviário chileno tinha uma extensão de 7082 quilômetros de linhas ferroviárias,[123] que atravessam grande parte do país e foram o motor do seu crescimento econômico, são utilizados atualmente principalmente para o transporte de cargas para os portos do país, após uma crise que este meio de transporte viveu em meados dos anos 1970 e que quase levou à sua extinção. Desde o início de 1990,[124] as linhas ferroviárias passaram por um processo de recuperação, com a restauração dos serviços de transporte de passageiros pela empresa Empresa de los Ferrocarriles del Estado (EFE) entre Santiago e Puerto Montt. O transporte ferroviário urbano também tem experimentado uma expansão nos últimos anos no país, com a abertura de sistemas como o Biotrem (1999) e o Metrô de Valparaíso (2005),[125] além da ampliação da rede do Metrô de Santiago (1975) para 103 quilômetros em 2011.[126]

Um dos terminais do Aeroporto de Santiago.

Em 2010, as rede rodoviária chilena tinha uma extensão de 77 763 74 quilômetros, dos quais 17 835 57 km eram de terra, 18 147 42 km estavam pavimentados e 32 720 02 cotavam com uma cobertura de cascalho.[127] Desde meados da década de década de 1990, tem havido uma melhoria significativa nas vias do país, através de processos de licitação que permitiram a construção de mais de 2 500 km de estradas de nível internacional, com destaque para muitos trechos da Rodovia Panamericana entre Arica e a ilha Chiloé, os trechos entre Santiago, Valparaiso e a Costa Central, e o acesso norte à Concepción e o grande projeto da rede de autoestradas urbanas de Santiago, aberto entre 2004 e 2006.[128] Outra avenida de grande importância é a Carretera Austral que conecta a região de Aysén ao resto do país, apesar de ser cortada em alguns trechos por balsas.[129]

Apesar dos 6 435 quilômetros de costa litorânea, a navegação é raramente utilizada como um meio de transporte de passageiros no Chile, excepto na zona do sul, que serve como uma ligação entre várias ilhas.[129] Por outro lado, para o Chile é de grande importância a marinha mercante, que tinha 48 navios em 2010[130] que transporta 95% das exportações e importações do país. O Chile conta com 39 portos tem 39 — 12 estatais e 27 privados.[131] Entre eles, os principais são (de norte a sul): Guasco, Puerto Ventanas, Valparaíso, San Antonio, Lirquén, San Vicente e Coronel.

Porto de Valparaíso, um dos principais do país.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Pablo Neruda, poeta chileno ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1971
A escritora chilena Gabriela Mistral foi a primeira latino-americana a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura

Durante o período entre o início de assentamentos agrícolas e final do período pré-hispânico, o norte do Chile era uma região de cultura andina que foi influenciada pelas tradições altiplanas e se espalhou para os vales costeiros do norte. Enquanto a região sul era uma área de atividade cultural mapuche.

Durante o período colonial, após a conquista, e durante o início do período republicano, a cultura do país foi dominada pelos espanhóis. Outras influências europeias, principalmente inglesa, francesa e alemã começaram a surgir no século XIX e continuam até hoje. Imigrantes alemães influenciaram a arquitetura em estilo bávaro rural e a gastronomia do sul do Chile, em cidades como Valdívia, Frutillar, Puerto Varas, Osorno, Temuco, Puerto Octay, Llanquihue, Faja Maisan, Pitrufquén, Victoria, Pucón e Puerto Montt.[132] [133] [134] [135] [136]

Literatura[editar | editar código-fonte]

Os chilenos chamam seu país de "país de poetas".[137] [138] Gabriela Mistral foi a primeira chilena a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura (1945). O mais famoso poeta chileno, no entanto, é Pablo Neruda, que também ganhou o Prêmio Nobel de Literatura (1971) e é mundialmente conhecido por sua extensa bibliografia de obras sobre romance, natureza e política. Suas três casas altamente personalizadas, localizado em Isla Negra, Santiago e Valparaíso são destinos turísticos populares.

Entre a lista de outros poetas chilenos estão Carlos Pezoa Véliz, Vicente Huidobro, Gonzalo Rojas, Isabel Allende e Nicanor Parra. O romance O Pássaro Obsceno da Noite do romancista José Donoso é considerado pelo crítico Harold Bloom como uma das obras canônicas da literatura ocidental do século XX. Outro escritor chileno reconhecido internacionalmente é Roberto Bolaño, cuja traduções para o inglês tiveram uma excelente recepção da crítica.[139] [140] [141]

Esportes[editar | editar código-fonte]

O esporte mais popular do Chile é o futebol. O Chile se classificou para sete Copas do Mundo FIFA, o que inclui a Copa do Mundo FIFA de 1962, sediada no país, onde a seleção nacional de futebol terminou em terceiro lugar. Outros resultados alcançados pela seleção nacional de futebol incluem quatro finais na Copa América, uma medalha de prata e duas de bronze nos Jogos Pan-americanos, uma medalha de bronze nas Olimpíadas de 2000 e dois terceiro lugares nos torneios FIFA Sub-17 e Sub- 20. Os principais clubes de futebol são o Colo-Colo, Universidad de Chile e Universidad Católica. O Colo-Colo é o clube de futebol do país mais bem sucedido, tendo mais campeonatos nacionais e internacionais, incluindo a cobiçada Copa Libertadores da América, o torneio de clubes sul-americanos. A Universidad de Chile foi o último campeão internacional (Copa Sul-Americana de 2011).

O tênis é o esporte mais bem sucedido do país. Sua equipe nacional venceu o torneio World Team Cup duas vezes (2003 e 2004), e jogou a final da Copa Davis contra a Itália em 1976. No Jogos Olímpicos de Verão de 2004 do país ganhou ouro e bronze no individual masculino e ouro em duplas masculinas. Marcelo Ríos se tornou o primeiro latino-americano a alcançar o primeiro lugar no ranking individual da ATP em 1998. Anita Lizana venceu o US Open em 1937, tornando-se a primeira mulher da América Latina a ganhar um torneio de Grand Slam. Luis Ayala foi duas vezes vice-campeão no Aberto da França e Ríos e Fernando González chegaram ao final do Australian Open.

Nos Jogos Olímpicos, o Chile possui duas medalhas de ouro (tênis), sete medalhas de prata (atletismo, equitação, boxe, tiro e tênis) e quatro medalhas de bronze (tênis, boxe e futebol). O Rodeio do Chile é o esporte nacional do país e é praticado em zonas mais rurais do país. Um esporte semelhante ao hóquei chamado chueca era jogado pelo povo mapuche durante a conquista espanhola. O esqui e o snowboard são praticados em centros de esqui localizada nos Andes Centrais, e em centros de esqui do sul perto de cidades como Osorno, Puerto Varas, Temuco e Punta Arenas. O surfe é popular em algumas cidades costeiras. O polo é praticado profissionalmente no Chile e em 2008 o Chile alcançou o prêmio máximo no Campeonato do Mundo de Polo, um torneio em que o país ganhou um segundo e um terceiro lugar em edições anteriores. O basquetebol é um esporte popular, tendo o Chile ganhado uma medalha de bronze no Campeonato Mundial de Basquetebol da FIBA, realizado em 1950, e uma medalha de bronze quando o Chile sediou o campeonato, em 1959. O Chile sediou o primeiro Campeonato Mundial de Basquetebol Feminino, em 1953, terminando o torneio com a medalha de prata. Outros esportes, como maratonas e ultramaratonas, também estão aumentando em popularidade. Do Chile, San Pedro de Atacama é o anfitrião anual do "Atacama Crossing", uma das seis fases de corrida a pé de 250 quilômetros, que atrai anualmente cerca de 150 concorrentes de 35 países.

Festividades[editar | editar código-fonte]

Dia Festa Notas
1 de Janeiro Ano Novo  
Março-Abril Sexta-Feira Santa Festa Móvel
Março-Abril Sábado Santo Festa Móvel
Março-Abril Páscoa Festa Móvel
1 de Maio Dia do Trabalhador  
21 de Maio Día das Glórias Navais  
29 de Junho São Pedro e São Paulo Segunda-feira mais próxima
16 de Julho Dia da Virgem do Carmo
15 de Agosto Assunção de Nossa Senhora  
18 de Setembro Primeira Junta Nacional de Governo Festas Patrióticas
19 de Setembro Dia das Glórias do Exército Festas Patrióticas
12 de Outubro Descobrimento dos Mundos Segunda-feira mais próxima
31 de Outubro Dia das Isilias Evangélicas e dos Protestantes  
1 de Novembro Dia de Todos os Santos  
8 de Dezembro Imaculada Conceição  
25 de Dezembro Natal  

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal
A Wikipédia possui o
Portal do Chile

Referências

  1. a b c d World Economic Outlook Database. Fundo Monetário Internacional (FMI) (Maio de 2013). Página visitada em 23 de maio de 2013.
  2. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Relatório de Desenvolvimento Humano 2013 – Ascensão do Sul: progresso humano num mundo diversificado (14 de março de 2013). Página visitada em 15 de março de 2013.
  3. Society at a Glance : Social Indicators OECD. OCDE (Outubro de 2012). Página visitada em 28 de outubro de 2013.
  4. CIA - The World Factbook - Chile. Central Intelligence Agency.
  5. a b c Country profile: Chile.
  6. a b c d e f g h i j k l m n Bureau of Western Hemisphere Affairs, Background Note: Chile. United States Department of State (January 2008).
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