Luteranismo

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Luteranismo
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Selo de Lutero
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O Luteranismo é um dos principais ramos do Cristianismo ocidental, que tem por base a teologia de Martinho Lutero, um reformador alemão.[1] Ele surgiu com a ideia de Lutero em reformar a doutrina da Igreja Católica, dando início a Reforma Protestante; esta teve como principal base a publicação das 95 Teses, que foram divulgadas internacionalmente para divulgar os maiores princípios da Reforma, contrariando as autoridades governamentais e eclesiásticas da época.

A divisão entre os católicos romanos e os luteranos aconteceu em 1521, com a Dieta de Worms, onde Lutero e todos seus seguidores foram oficialmente excomungados pela Igreja Católica.[2] A divisão tinha por base a doutrina da justificação, sendo que Lutero advocava-a através do princípio de que "a salvação vem somente pela graça, somente pela fé e somente por Cristo", contrariando o ponto de vista romano, que se baseava em uma "salvação pelo amor e pelas boas obras".

Ao contrário de outras religiões que surgiram por meio da Reforma, como o calvinismo, o luteranismo mantém muitas práticas litúrgicas e ensinamentos sacramentais do período pré-Reforma, com uma ênfase particular na eucaristia, ou "Santa Ceia". Os principais pontos em que o luteranismo difere das outras igrejas cristãs são o propósito da Lei de Deus, a vocação eficaz, a perseverança dos santos e a predestinação.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O nome "Luterano" surgiu como um termo pejorativo empregado por João Maier contra Martinho Lutero durante o Debate de Leipzig de julho de 1519.[3] Eck e outros católicos romanos seguiram a prática tradicional de nomear uma heresia utilizando o nome de seu líder, assim rotulando a todos que se identificavam com a teologia de Lutero como "Luteranos".[2] [4]

Martinho Lutero, em todas suas convenções, sempre preferiu não utilizar o termo "Luterano", preferendo em qualquer ocasião referir o movimento da reforma como "Evangélico", o qual deriva da palavra em grego euangelion, que em português significa "boas novas", "evangelho", i.e. "Gospel".[3] Os próprios luteranos começaram a utilizar o termo na metade do século XVI para assim distinguir-se dos outros grupos que foram formados na Reforma, como os calvinistas e os anglicanos. Em 1597, os próprios teólogos de Wittenberg definiram-se a si próprios como "luteranos", tornando assim o termo tradicional e usado em todo o mundo até os dias de hoje.[2]

Luteranismo[editar | editar código-fonte]

Martinho Lutero, um Católico Romano fervoroso, decidiu entrar para o claustro num mosteiro Agostiniano, sendo ordenado padre em 1507. Segundo alguns historiadores, isto ocorreu devido a um acontecimento sobrenatural, no qual ele sobreviveu a uma tempestade na estrada, após ter dito: "Ajuda-me Santa Ana! E torna-me-ei monge!".

No mosteiro, Lutero vivia em angústias e desespero por dúvidas que tinha sobre seus méritos espirituais. Quanto mais refletia, tanto mais cresciam suas dúvidas e incertezas. Não possuía, por isso, paz de alma e via Deus como um severo juiz pronto a castigar os pecadores.

Lutero tornou-se Doutor em Teologia e passou a lecionar na Universidade de Wittenberg. Sendo um dos privilegiados a ter acesso a uma Bíblia, Lutero desenvolveu nova visão teológica lendo as palavras de Romanos 1.17: "mas o justo viverá pela fé".[5] Ele dizia que o perdão e a vida eterna não são conquistados por nós mediante as obras, mas nos são dados gratuitamente mediante a fé em Jesus Cristo, o que Lutero afirmou com base na Epístola aos Efésios, capítulo 2, versículos 8 e 9: "Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie."[6]

Em 1517, na Alemanha, o professor e monge Martinho Lutero fixou à porta da Catedral de Wittenberg 95 teses criticando a atuação do Papa e do alto clero. Elas se propagaram rapidamente, mesmo com a intervenção da Igreja. Lutero foi apoiado por parte da população e pela nobreza que, desejosa de conquistar novas terras sob domínio de Roma (na região da atual Alemanha), o protegeram da perseguição do papa, poupando-o da fogueira, mas não da excomunhão.

Alguns exemplos dessas teses:

"Tese 27: Pregam a doutrina humana os que dizem que, tão logo seja ouvido o tilintar da moeda lançada na caixa, a alma sairá voando."

"Tese 32: Serão condenados em eternidade, juntamente com seus mestres, aqueles que se julgam seguros de sua salvação através de cartas de indulgência."

"Tese 86: Por que o papa, cuja fortuna é hoje maior que a dos mais ricos crassos, não constrói com seu próprio dinheiro ao menos a Basílica de São Pedro, em vez de fazê-lo com o dinheiro dos pobres fiéis?"

Lutero, então, passou a participar de vários debates teológicos com autoridades civis e eclesiásticas que tentavam fazê-lo abrir mão de suas ideias e retratar-se de críticas à Igreja e ao Papa. Em 1520, Lutero foi excomungado pelo Papa e, no mesmo ano, queimou a Bula de Excomunhão em praça pública, rompendo assim com a Igreja Católica da época. Em 1530, surgiu a Confissão de Augsburgo que foi escrita por Lutero e Melanchthon, um fiel companheiro seu. Este documento trazia um resumo dos ensinos luteranos.

Uma das principais preocupações de Lutero era que todas as pessoas pudessem ler o livro no qual os ensinamentos da Igreja Católica estariam escritos e assim poderem tirar suas próprias conclusões. Por isto Lutero traduziu a Bíblia para o alemão para que todos pudessem lê-la em sua própria língua. Alguns anos mais tarde, a bíblia foi traduzida para o inglês, francês e espanhol as pessoas passaram a ler a Bíblia e terem suas próprias conclusões. Aos poucos a Igreja Católica foi perdendo poder e influência. Depois de Lutero, a Igreja Católica nunca mais conseguiu exercer o forte domínio sobre a Europa como tinha antes da Reforma Protestante.

As Confissões Luteranas[editar | editar código-fonte]

As Confissões Luteranas podem também ser consideradas como estandarte, em torno do qual os luteranos cerram fileiras em defesa de suas visões doutrinárias da Escritura sagrada contra o erro, ou podem ser consideradas como uma bandeira, à qual os mestres da igreja prestam juramento de fidelidade. Cada membro da Igreja Luterana deve subscrever não apenas a Bíblia, mas também as confissões como exposição correta das doutrina bíblicas. Para o leigo isto significa, ao menos, o Catecismo de Lutero; para o pastor e professor significam todas as confissões adotadas pela Igreja Luterana.

Em suas constituições, os grupos luteranos – congregações, bem como sínodos – geralmente definem sua posição doutrinária mais ou menos nestas palavras: "Confessamos que os livros canônicos do Antigo e do Novo Testamento são a palavra de Deus inspirada e, portanto, a única regra de fé e vida, e que as confissões da Igreja Luterana são uma exposição correta das doutrinas desta palavra". Por que esta firme insistência, como resumido nas confissões luteranas? Porque para luteranos não pode haver nada mais importante do que as doutrinas expostas conforme sua interpretação da Bíblia.

Em vista do precedente, segundo sua interpretação, o termo "igreja" jamais deveria ser empregado para definir um grupo religioso que não pertence ao Senhor como seu corpo (Ef. 1.22,23). Uma seita que, de acordo com sua visão, nega a divindade de Jesus, como a dos unitaristas não deveria ser chamada igreja.

Escreve Lutero nos Artigos de Esmalcalde: "Graças a Deus, (hoje) uma criança de sete anos de idade sabe o que é a igreja, a saber, os santos crentes e cordeiros que escutam a voz do seu Pastor" (parte III, art. XII, cf. Livro de Concórdia, p. 338). Em seu Catecismo Maior, ele apresenta essa definição clássica: "Eu creio que há sobre a terra um pequeno grupo santo e congregação de santos puros sob uma cabeça, Cristo, chamados pelo Espírito Santo para uma fé, uma mente e uma compreensão, com dons multiformes, entretanto concordando em amor, sem seitas nem cismas. Também faço parte do mesmo, sendo participante e co-proprietário de todos os bens que possui, trazido a ele e incorporado nele pelo Espírito Santo pelo ouvir e pelo continuar a ouvir a palavra de Deus, que é o processo de iniciação nele. Pois, anteriormente, antes de termos alcançado isto, pertencíamos ao diabo, nada sabendo de Deus e de Cristo. Assim, até o último dia, o Espírito Santo permanece com a santa congregação, ou cristandade, por intermédio da qual ele nos traz a Cristo, e é ela que o Espírito Santo utiliza para nos ensinar a pregar a palavra; pela igreja ele age e promove a santificação, fazendo-a crescer diariamente e fortalecendo-a na fé e nos frutos que ele faz produzir". (O Credo. Art. III, cf. Livro de Concórdia, p. 454).

A Confissão de Ausburgo[editar | editar código-fonte]

A Confissão de Ausburgo é o documento que Felipe Melanchton escreveu e que foi apresentado, como sendo o testemunho luterano, ao imperador Carlos V e à Dieta do Santo Império Romano, a 25 de junho de 1530. Compõe-se de vinte e oito artigos. Destes, os primeiros vinte e um apresentam a doutrina luterana e sintetizam os ensinamentos de Lutero. Eles tentam provar que os luteranos não estavam ensinando novas doutrinas, contrárias às Escrituras Sagradas, e que não constituíram uma nova seita religiosa. Os artigos XXI a XXVIII pretendem tratar dos abusos medievais que os luteranos tinham corrigido.[7]

Sua leitura angariou prosélitos importantes. O bispo Stadion de Ausburgo teria afirmado: "O que foi lido é a pura verdade, e nós não podemos negá-lo". Quando João Eck, um dos mais ativos adversários de Lutero, supostamente disse ao duque Guilherme da Baviera que ele era capaz de refutar a Confissão de Ausburgo com os pais eclesiáticos, mas não com as Sagradas Escrituras, Guilherme teria respondido: "Assim, pois, ouço que os luteranos estão com a Escritura e nós, que seguimos o pontífice, fora dela".

Os credos ecumênicos[editar | editar código-fonte]

Em resposta à acusação de que a Igreja Luterana se desviou da antiga fé da Igreja Cristã e era, por isso, uma nova seita, os pais luteranos oficialmente declararam sua concordância total com os credos ecumênicos. No prefácio da Fórmula de Concórdia declararam: "E porque imediatamente depois do tempo dos apóstolos e mesmo enquanto eles ainda viviam, falsos mestres e hereges se levantaram, símbolos, isto é, confissões breves e concisas, foram compostos contra eles na igreja primitiva, que foram considerados como a unânime, universal fé cristã e a confissão da Igreja Ortodoxa e verdadeira, a saber, o Credo Apostólico, o Credo Niceno, e o Credo Atanasiano; juramos fidelidade a eles, e deste modo rejeitamos todas as heresias e doutrinas, que, contrárias a eles, têm sido introduzidas na igreja de Deus".

A primeira confissão da fé cristã foi o Credo Apostólico. Divergências posteriores levaram à formulação do Credo Niceno (325) e do Credo Atanasiano (451). Essas três confissões são conhecidas como Credos Ecumênicos ou Universais.

Contudo, com o passar dos tempos, segundo a visão Luterana, a igreja foi se desviando da verdade bíblica. Vozes que clamavam contra o erro foram silenciadas. Martinho Lutero, monge agostiniano, doutor em Teologia e professor da Bíblia na Universidade de Wittemberg, Alemanha, postulou que a igreja estava desviada da verdade bíblica. A Igreja Luterana vê em Lutero um instrumento de Deus para reconduzir a igreja às verdades bíblicas e considera ainda que Deus preparou outros homens fiéis que participaram da causa da Reforma.

Os seguintes documentos formam as Confissões Luteranas:

  • Catecismo Menor (1529), um resumo de interpretações bíblicas, escritas para o povo[8] .
  • O Catecismo Maior (1529), as mesmas interpretações detalhadamente explicadas para adultos.
  • A Confissão de Augsburgo (1530), a principal confissão luterana.
  • A Apologia (1531), uma defesa da Confissão de Augsburgo.
  • Os Artigos de Esmalcalde (1537) reafirmam os ensinos da Confissão de Augsburgo e expõem, com mais profundidade, a doutrina da Ceia do Senhor, segundo a visão Luterana.
  • A Fórmula de Concórdia (1577), que define o pecado original, a impossibilidade de o homem salvar-se por suas próprias forças e a pessoa e obra de Cristo.

As Confissões foram reunidas no Livro de Concórdia, em 1580, que é aceite hoje por muitas igrejas luteranas no mundo. Essas igrejas afirmam: " Aceitamos todos os livros canônicos das Escrituras Sagradas do Antigo e Novo Testamentos, como palavra infalível de Deus e, como exposição correta da Escritura Sagrada, aceitamos os livros simbólicos reunidos no Livro de Concórdia." A Escritura ou Bíblia Sagrada é a única norma na igreja para doutrina e praxe.

Luteranismo mundial[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a Igreja Luterana está presente em todos os continentes habitados, congregando milhões de pessoas. De acordo com a Federação Luterana Mundial (LWF), o número total de luteranos, incluindo os não membros da LWF, é de aproximadamente 75 milhões.

Segundo alguns dados levantados no período de 2011/2013 o número de Luteranos ultrapassa a marca dos 80 000 000.

Hoje, mundo afora, existem cerca de 250 ramos Luteranos, entre estes, mais de 160 igrejas estão filiadas a (LWF) Federação Luterana Mundial e mais 50 fazem parte do (ILC) Concílio Luterano Internacional. As demais Igrejas Luteranas estão na sua maioria filiadas à Conferência Luterana Confessional e várias outras se intitulam Comunidades Luteranas Independentes.

As maiores igrejas de cunho luterano atualmente são as igrejas da Suécia (6,4 milhões); Tanzânia (6,2 milhões); e Etiópia (6,1 milhões).

Recentemente, os Luteranos veem um singelo crescimento no número de seguidores ao redor do mundo. A Igreja Luterana na América do Norte, América Latina, Caribe e Europa vem experimentando uma redução no número de membros, no entanto vem apresentando um grande crescimento no continente asiático e africano.

O luteranismo é o maior grupo religioso na Dinamarca, nas Ilhas Faroé, na Gronelândia, na Islândia, na Noruega, na Suécia, na Finlândia, na Estônia, na Letônia, na Namíbia, e em alguns estados no norte do EUA.

O luteranismo ainda é o maior grupo cristão protestante da Alemanha (20% da população), da Lituânia, da Polônia, da Áustria, da Eslováquia, da Eslovênia, da Croácia, da Sérvia, do Cazaquistão, do Tajiquistão, de Papua Nova Guiné, do norte de Sumatra na Indonésia, e da Tanzânia.

Embora a Namíbia seja o único país fora da Europa a ter uma maioria luterana, há número considerável de ​​luteranos em outros países africanos como Nigéria, República Centro Africana, Chade, Quênia, Malawi, Congo, Camarões, Etiópia, Zimbabwe e Madagáscar, nações onde a população luterana ultrapassa dos 100. 000.

Além destes, os seguintes países também têm considerável população ​​luterana: Holanda, Canadá, Reino Unido, França, República Checa, Hungria, Eslováquia, Brasil, Malásia, Índia, Indonésia, África do Sul e os Estados Unidos

O luteranismo é a religião oficial do Estado na Noruega, Islândia, Dinamarca, Groenlândia e nas Ilhas Faroé.A Finlândia tem a sua igreja luterana estabelecida como igreja nacional. Da mesma forma, a Suécia também tem sua igreja nacional, que era a religião oficial do Estado até o ano de 2000. A igreja da Suécia ainda não é inteiramente livre, seu status como "Igreja Evangélica Luterana" ainda é regida pela lei civil. Mas, desde 2000, nomeia seus próprios bispos, etc.

A distribuição dos Luteranos hoje se encontra da seguinte forma:

Europa: 37 milhões; África: 22 milhões; Ásia: 11 milhões; América: 10 milhões.

Os países com o maior número de Luteranos hoje são:

Igreja da IECLB em Carambeí

1º) Alemanha: 13,0 milhões; 2º) Estados Unidos: 7,9 milhões; 3º) Suécia: 6,4 milhões; 4º) Tanzânia: 6,1 milhões; 5º) Etiópia: 6,1 milhões; 6º) Indonésia: 6,0 milhões; 7º) Finlândia: 4,4 milhões; 8º) Dinamarca: 4,2 milhões; 9º) Madagascar: 4,0 milhões; 10º) Noruega: 3,9 milhões;

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Com o princípio de difundir a teologia do luteranismo pelo mundo, uma esquadra saiu da Alemanha ao rumo do Brasil poucos anos; o primeiro indício da propagação da crença luterana no Brasil aconteceu em 1532, com a chegada de Heliodoro Heoboano, que era filho de Helius Eobano Hesse, amigo de Lutero, no porto de São Vicente, São Paulo.[9] No entanto, Heliodoro estava à bordo da esquadra do Governador da Índia Martim Afonso de Souza, sendo que rapidamente teve que retornar para o seu país de origem, e o luteranismo no Brasil ficou esquecido por cerca de três séculos.[10] O mártir Hans Staden, que ficou conhecido por ter sido aprisionado pelos índios, cantou vários hinos de Lutero, bem como deu ordens para erigir a primeira capela evangélica no Brasil neste meio-tempo, na cidade de Ubatuba, São Paulo.[11]

A primeira congregação luterana fundada oficialmente no Brasil foi estabilizada apenas no dia 3 de maio de 1824, na cidade de Nova Friburgo, Rio de Janeiro, tendo o Reverendo Friedrich Osvald Sauerbronn sido o primeiro pastor luterano em terras brasileiras.[10] [12] Isto só foi possível pela organização dos fluxos europeus feita por Dom Pedro I, que impulsionou a imigração alemã no Brasil e a expansão por todo o país.[10] No mesmo ano, em 25 de julho, uma segunda leva de imigrantes desembarcou em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, juntamente com o Reverendo Georg Ehlers.[13] [14] Em virtude destas viagens, o governo brasileiro da época contribuiu com a contratação e assistência de pastores.[10]

Com esta difusão, foram formadas duas principais denominações de Igreja no país.[14] [15] A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), é a que corresponde ao maior número de membros, e se formou a partir da vinda de membros da Alemanha que não se conformaram com a decisão da Prússia unificar os luteranos com os reformados sob o comando do Estado e imigraram para o Brasil.[16] No mesmo período, foi formada também a Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB), proveniente de missões de norte-americanos a partir do início do século XX.[17] Além disso, outras denominações independentes foram criadas ao longo dos anos, com o número de membros abaixo de cem mil.[14] No que corresponde a teologia, a IECLB e a IELB apresentam a mesma fé, baseada na reforma apresentada por Lutero, porém diferenças históricas fazem com que haja alguma divergência entre os membros de ambas as congregações. Sobre o assunto, o Dr. Joachim Fischer comentou: "O âmbito da IECLB passou-se da indefinição ou diversidade confessional para a confessionalidade luterana. A IELB, por sua vez, deixou de lado a polêmica contra o unionismo da IECLB. Ambas as igrejas passaram da polêmica e da rivalidade para a colaboração e fraternidade".[18]

O desenvolvimento do luteranismo no Brasil se intensificou na Região Sul, além do estabelecimento de pequenas capelas nos quatro estados da Região Sudeste.[10] Na Região Norte, o luteranismo é mais forte no estado de Rondônia, onde foi apresentado em 23 de julho de 1970 pelo Pastor Joachim Maruhn.[19] Atualmente, estima-se que exista entre 1 e 1,5 milhões de luteranos no Brasil, conforme aponta distribuição na tabela ao lado.[14] [20] [21]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. MSN Encarta, s.v. "Luteranismo" por George Wolfgang Forell; Christian Cyclopedia, s.v. "Reformation, Luterano" por Lueker, E. et. al. Arquivado em 31 de outubro de 2009.
  2. a b c Fahlbusch, Erwin, and Bromiley, Geoffrey William, The Encyclopedia of Christianity, Volume 3. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans, 2003. p.362.
  3. a b Espín, Orlando O. e Nickoloff, James B. Um dicionário introdutório da teologia e dos estudos religiosos. Collegeville, Minnesota: Liturgical Press, p. 796.
  4. CÂMARA, Jaime de Barros. Apontamentos de História Eclesiástica. Petrópolis: Vozes, 1957, 3a. ed. p. 234
  5. Bíblia Sagrada, Versão por João Ferreira de Almeida, Revisada e Atualizada (RA)
  6. Bíblia Sagrada, Versão por João Ferreira de Almeida, Revisada e Atualizada (RA)
  7. Portal Luteranos - História e Prefácio.
  8. Portal Luteranos - Catecismo Menor.
  9. Igreja Luterana Info Escola. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  10. a b c d e A caminho nas terras brasileiras Confissão Luterana. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  11. Portal Luteranos lança Hinopédia Evangélica Luterana CONIC. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  12. Vida e Morte de Friedrich Osvald Sauerbronn IECLB. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  13. Vida e Morte de Georg Ehlers IECLB. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  14. a b c d e Luteranos no Brasil Portal Luterano. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  15. Igrejas Luteranas no Brasil Lutero.com.br. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  16. Sobre: IECLB IECLB. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  17. IELB Igreja Evangélica Luterana do Brasil IELB. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  18. Conferência InterLuterana Lutero.com.br. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  19. Luteranismo na Amazônia: História IECLB. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  20. Luteranos BrazilSite. Visitado em 5 de janeiro de 2013.
  21. Igreja Evangélica Luterana no Brasil Igreja Cristo Redentor. Visitado em 5 de janeiro de 2013.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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